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No Canadá e em outros países desenvolvidos, cada vez mais pessoas soropositivas vivem mais tempo, graças à terapia anti-HIV. O poder dos antirretrovirais é tão profundo que os pesquisadores estimam que um jovem adulto que é infectado hoje, diagnosticado pouco depois e que logo começa o tratamento deve ter uma expectativa de vida próxima do normal. Esta previsão otimista depende adesão ao tratamento, todos os dias, exatamente como prescrito, e da ausência de outras doenças ou condições graves de saúde pré-existentes.

À medida em que mais pessoas soropositivas vivem mais, numa era de uso generalizado da antirretrovirais, os serviços de saúde terão de ser adaptados para essa população que está mudando as necessidades de cuidados de saúde.

Pesquisadores da Universidade de Waterloo, em Ontário, junto com a Agência de Saúde Pública do Canadá (PHAC, do inglês Public Health Agency of Canada), colaboraram em um projeto de análise de dados em massa que recolheu informação relacionada à saúde de mais de um milhão de pessoas, das quais, uma pequena fração (menos de 1%), tinha HIV. Os participantes foram avaliados no contexto de três configurações de tratamento de saúde:

  • assistência domiciliar
  • cuidado de longo prazo
  • cuidado complexo continuado

“Mais coinfecções, porém menos doenças crônicas.”

Os pesquisadores descobriram que, em geral, as pessoas soropositivas idosas tiveram “mais coinfecções, porém menos doenças crônicas”, em comparação com pessoas soronegativas. Além disso, eles descobriram que as pessoas soropositivas são geralmente mais propensas à experimentar “depressão, isolamento social e uso de medicamentos psicotrópicos.” Estas conclusões têm implicações para os planejadores de políticas de saúde pública, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, especialistas em geriatria e outros que trabalham no campo do cuidado de pessoas soropositivas, em sua transição para a terceira idade.

A equipe de pesquisa canadense afirmou que, de fato, “a incapacidade de solucionar as necessidades de cuidados únicos de idosos soropositivos pode levar a resultados ruins e aumentar a pressão sobre o sistemas de saúde.”

Detalhes do estudo:

Os pesquisadores determinaram as definições de cuidados da seguinte forma:

  • Assistência domiciliar — este termo abrange “serviços de apoio pessoal, casa de repouso e alguns cuidados de reabilitação fornecidos na casa de um paciente.” Os dados para análise sobre o uso de assistência domiciliar foram coletados a partir de pessoas que vivem na Colúmbia Britânica, Manitoba, Ontário, Nova Escócia e Yukon.
  • Cuidado de longo prazo — este termo abrange “casas de repouso públicas, privadas e de caridade que prestam cuidados regulamentado para pessoas com condições médicas estáveis ​​que necessitam de cuidados 24 horas por dia.” Os dados para a análise sobre o uso de cuidados de longo prazo foram coletados em Alberta, Colúmbia Britânica, Manitoba, Nova Brunswick, Terra Nova e Labrador, Nova Escócia, Ontário, Saskatchewan e Yukon.
  • Cuidado complexo continuado — este termo abrange “hospitais ou unidades de ambientes hospitalares que prestam assistência à pessoas com deficiências mais graves, com condições de saúde medicamente complexas e/ou necessidades de saúde mental além daquelas normalmente cuidadas em casas de repouso.” Os dados para a análise sobre cuidado complexo continuado foram coletados em Ontário e Manitoba.

Em geral:

No total, dados de 1.200.073 pessoas foram analisados, das quais 1.608 pessoas (0,13%) eram soropositivas. Alguns dados a partir de alguns participantes foram coletados desde 1996, mas, em todos os casos, a coleta de dados terminou em 2014.

A distribuição de pessoas soropositivas, de acordo com as diferentes categorias de configurações de cuidados, foi a seguinte:

  • Assistência domiciliar — 178 pessoas (0,05%) eram soropositivos
  • Cuidado de longo prazo — 423 pessoas (0,19%) eram soropositivos
  • Cuidado complexo continuado — 1.007 (0,16%) eram soropositivos

Principais conclusões:

Os pesquisadores chegaram às seguintes descobertas:

  • Pessoas soropositivas se mostraram mais propensas a serem diagnosticadas com pneumonia.
  • Independentemente da definição sobre cuidados específicos, pessoas soropositivas se mostraram mais propensas a serem diagnosticadas com tuberculose.
  • As taxas de certas infecções bacterianas resistentes a antibióticos, na pele e nos intestinos, se mostraram mais comuns em pessoas soropositivas em cuidados complexos e em cuidados de longo prazo.
  • As taxas de infecções bacterianas no sangue que ameaçam a vida se mostraram, em geral, maior entre as pessoas soropositivas.

Saúde mental:

“Soropositivos experimentam mais isolamento social.”

Os pesquisadores descobriram que, em geral, “condições psiquiátricas crônicas são mais comuns entre os indivíduos soropositivos que estão em assistência domiciliar.” Além disso, as equipes de pesquisa descobriram que as “soropositivos experimentam consideravelmente mais isolamento social” do que os soronegativos. Diante disso, talvez não devesse ser surpreendente que, em geral, as taxas de uso de medicamentos psicotrópicos sejam maiores entre as pessoas soropositivas.

Tenha em mente:

O presente estudo é o maior estudo de pessoas com HIV em diferentes ambientes de cuidado de saúde no Canadá. De acordo com a equipe de pesquisa, em geral, pessoas soropositivas mais velhas têm mais coinfecções e menos doenças crônicas do que as pessoas mais velhas soronegativas.

Os pesquisadores descobriram que os soropositivos têm “taxas substancialmente mais elevadas de uso de medicamentos psicotrópicos.” Eles suspeitam que o isolamento social entre as pessoas soropositivas aumente sentimentos de solidão e depressão. No entanto, devido ao desenho do estudo, eles não podem tirar conclusões definitivas ligando o uso de psicotrópicos à problemas psicossociais.

Sobre medicamentos psicotrópicos:

Estes medicamentos podem ter um efeito positivo sobre o comportamento e o humor e incluem as seguintes categorias:

  • ansiolíticos
  • antidepressivos
  • antipsicóticos
  • hipnóticos
  • estabilizadores de humor
  • sedativos

Não só no Canadá:

Um estudo publicado em 2014, realizado na Dinamarca, analisou dados de 3.615 soropositivos que foram comparados com dinamarqueses soronegativos da mesma idade e sexo. Os pesquisadores dinamarqueses também descobriram que as pessoas soropositivas eram mais propensas a receber prescrição e a utilizar uma vasta gama de medicamentos psicotrópicos. Em um sentido amplo, as conclusões sobre medicamentos psicotrópicos nos estudos canadenses e dinamarqueses sugerem que problemas de saúde mental são uma preocupação crescente entre as pessoas com infecção pelo HIV.

Em 23 de março de 2016 por CATIE

Fontes: Denmark—unexpected trends in use of psychotropic medicinesTreatmentUpdate 204; Impressive gains in survival for older people with HIV but still less than general populationCATIE NewsDanish study raises questions about accelerated aging in HIVCATIE NewsQuantification of biological aging in young adultsProceedings of the National Academy of Science USAManagement of Human Immunodeficiency Virus Infection in Advanced AgeJournal of the American Medical AssociationLong-term HIV infection and health-related quality of lifeCATIE NewsDutch doctors explore intersection of aging and HIVCATIE NewsGeriatric syndromes found to be common among some people with HIVCATIE NewsHIV and Aging: State of Knowledge and Areas of Critical Need for Research. A Report to the NIH Office of AIDS Research by the HIV and Aging Working GroupThe CIHR Comorbidity AgendaCanadian Institutes of Health Research (CIHR); CIHR’s HIV Comorbidity Research Agenda: Relevant Research AreasHIV and AgingHealthy living tips for people 50 and over living with HIVMental HealthHIV in Canada: A primer for service providersHIV and brain-related issuesTreatmentUpdate 204; Longer life expectancy for HIV-positive people in North America TreatmentUpdate 200; Factsheets on HIV and aging in CanadaCanadian Aids SocietyHIV & Aging: A 2013 Environmental Scan of Programs and Services in Canada – Community ReportCanadian Working Group on HIV and Rehabilitation (CWGHR); Directory of Promising Programs and Services for Older People Living with HIV in Canada – CWGHR; Evidence-informed recommendations for rehabilitation with older adults living with HIV: a knowledge synthesis – CWGHR
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