Todos os posts com a tag: Timothy Brown

Timothy Ray Brown, também conhecido como o “Paciente de Berlim”, é o primeiro caso de cura do HIV. Em virtude de uma leucemia não relacionada ao HIV em 2007, Timothy foi submetido a dois transplantes de células-tronco. O doador foi escolhido não apenas pela compatibilidade genética mas também por apresentar uma mutação que faz com que suas células não exprimam o conector CCR5, usado pelo HIV para se infiltrar nas células. Durante o tratamento, Timothy quase morreu em virtude de uma infecção após o transplante e, como consequência, ele teve sequelas neurológicas.

Meus dez anos com HIV

Foi em maio de 2011 que escrevi, pela primeira vez, sobre Timothy Ray Brown, então conhecido tão somente como o “Paciente de Berlim”. Naquela altura, fazia pouco tempo de sua cura, e pouco tempo de meu diagnóstico. Me ocorreu, por muitos anos, que a cura de Timothy viesse a ser a nossa cura, também. Me ocorreu que isso ocorreria em seu tempo de vida. O mesmo pensamento ocorrera a Timothy, sei disso, pois o próprio me confessara tal coisa durante nossos breves encontros em Lisboa, em janeiro de 2016, quando o conheci. Disse ele que era coisa da “culpa do sobrevivente” que carregava: uma vontade de que todos pudessem experimentar o livramento alcançado por ele, que todos tivessem o HIV extirpado de seus corpos, na inegavelmente mais desejosa cura esterilizante, até então unicamente experimentada por Timothy Ray Brown. Mas Timothy se foi, recentemente falecido, e não estamos próximos à cura esterilizante do HIV. Timothy não a viu ser difundida, como ele tanto desejava e, por isso, generosamente entregava repetidamente seu corpo à ciência, ainda em …

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Descanse em paz, Timothy

Ontem, 30 de setembro, foi-se embora Timothy Ray Brown, o “Paciente de Berlim”, o primeiro e por muito tempo único homem curado do HIV no mundo. Conheci Timothy em Lisboa, em 2016, onde nos encontramos por dois dias, para um jantar e, depois, uma cerveja. Seu marido o acompanhava e foi ele que, ontem, enviou por WhatsApp a última imagem de Timothy: magro, fraco e muito sorridente, abraçado com um boneco do personagem Yoda. A leucemia que, por fim, o levou à cura — graças à perspicácia do Dr. Gero Hütter, que transplantou sua medula com um doador naturalmente imune ao HIV — foi a mesma que levou sua vida, ao retornar no começo deste ano, de forma bastante agressiva. Nesse ínterim, Timothy cedeu sua vida e seu corpo à ciência, para que pudéssemos nós, soropositivos, nos beneficiarmos de todo o aprendizado que seu caso oferecia e, quem sabe, também alcançarmos a cura. Obrigado, Timothy. Descanse em paz.

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A vacina & a cura do HIV

Inevitavelmente, a cura do HIV vai precisar envolver uma vacina capaz de melhorar a habilidade natural do organismo para controlar o vírus. Pelo menos, é isso o que foi discutido no seminário Steps, durante a 16ª Conferência Europeia sobre Aids (EACS 2017) em Milão, Itália, de acordo com o Aidsmap. Giulio Maria Corbelli, membro do European Aids Treatment Group (EATG) disse que “a pesquisa da cura nos lembra da importância do envolvimento do paciente, desde as primeiras fases do desenvolvimento de tratamento e prevenção.”   A cura do HIV: um objetivo elusivo Giulia Marchetti, da Universidade de Milão, abriu o seminário com uma apresentação geral sobre as vacinas contra o HIV, especialmente as vacinas terapêuticas. Ela chamou a atenção para um paradoxo desconfortável na cura do HIV: por um lado, existem casos como o da “Bebê do Mississippi” e dos “Pacientes de Boston”, em que, respectivamente, a jovem paciente foi tratada poucas horas depois da infecção inicial e nos quais os pacientes com câncer tiveram seu sistema imunológico aparentemente todo substituído. Em ambos os casos, apesar …

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Meus sete anos de diagnóstico

Sabe, parece que tudo começou naquela tarde, em dezembro de 2015. Atravessei os corredores brancos do hospital e, finalmente, avistei meu avô. De dentro do quarto, com os tubos presos ao nariz, ele virou o rosto em direção à porta de entrada, e me viu. Como sempre fez, sorriu. Me cumprimentou com um apelido carinhoso, que dito por qualquer outra pessoa seria xingamento. Estava deitado na cama do hospital, levemente reclinada para não pressionar seus frágeis pulmões, dos quais apenas um funcionava e em 15% de sua capacidade. Seu câncer voltara. Aparentemente, os anos sem fumar desde a remoção de quase todo um pulmão afetado pelo primeiro tumor maligno, não foram suficientes para evitar a recidiva da doença, agora no pulmão remanescente. Toda uma vida de cigarros, contra alguns anos sem. Eu ainda era pequeno quando disse a ele para parar de fumar. Mas ele não me escutou. Ao invés disso, escutou o tumor, que só se comunicou quando já era tarde demais. “— Tem histórico de câncer na família?”, me perguntou o meu médico, …

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Câncer & HIV

Nos últimos anos, a International Aids Society Conference on HIV Science, a IAS, incluiu um simpósio especializado na pesquisa da cura do HIV, que sempre antecedeu o evento principal. E este ano não foi exceção, com apenas uma pequena mudança, a começar pelo nome: HIV Cure and Cancer Forum — isto é, um fórum sobre o câncer e a cura do HIV. O título do evento parece reafirmar uma percepção atual entre muitos cientistas sobre aspectos comuns entre duas doenças distintas: o HIV e o câncer. Antes de falar das semelhanças entre elas, é importante ter em mente que estas são doenças distintas entre si porque há muitas diferenças entre elas. Foi isso o que bem lembrou Monsef Benkirane, do Instituto Francês de Genética Humana, na sua palestra de abertura. Enquanto o HIV é causado por uma infecção, o câncer é geralmente decorrente do mau comportamento espontâneo de algumas células. A exceção está apenas em alguns tipos específicos câncer, cujo mau comportamento das células pode mesmo ser provocado por infecções. No entanto, no coração das células é que …

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Dez meses de supressão viral

Foi divulgada na CROI 2017, a Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, no mês passado, em Seattle, mais um caso de prolongada remissão viral. Depois de um transplante de medula óssea para tratar um câncer, um paciente soropositivo ficou quase 10 meses — mais tempo do que os chamados “Pacientes de Boston” — sem carga viral detectável, mesmo após interromper a terapia antirretroviral. Apesar de sua carga viral ter voltado depois disso, seus reservatórios de HIV parecem ter sido reduzidos, conforme relata o Aidsmap. O caso foi apresentado por Nathan Cummins, da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, e seus colegas. O paciente que recebeu este transplante foi um homem de 55 anos de idade, diagnosticado com HIV em 1990 e que começou a terapia antirretroviral em 1999 com uma contagem de CD4 de 300 células/mm³. Ele interrompeu o tratamento antirretroviral entre 2004 e 2009 por conta própria e, em seguida, reiniciou o tratamento com Ritonavir, Atazanavir, Tenofovir e Emtricitabina. Em abril de 2013, foi diagnosticado com leucemia linfoblástica aguda de células B. Em antecipação à quimioterapia, seu regime de antirretrovirais foi mudado para Raltegravir, Etravirina, Tenofovir e Emtricitabina. …

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Notícia sobre possível cura é prematura

No último domingo, o Sunday Times noticiou que o HIV ficou indetectável no sangue de um homem que faz parte do River, um estudo sobre um regime de tratamento intensivo, destinado a testar se é possível reduzir os níveis de células infectadas pelo HIV no corpo das pessoas recentemente infectadas com HIV. Os pesquisadores esperam que o tratamento possa erradicar por completo a infecção pelo HIV. O Sunday Times disse que os cientistas britânicos estão na “beira da cura do HIV”. Na verdade, o estudo está em seus estágios iniciais e ainda não é capaz de descrever os participantes como “curados” até que extensos acompanhamentos sejam concluídos. A professora Sarah Fidler, pesquisadora do Imperial College, em Londres, disse ao Sunday Times que os participantes do estudo serão acompanhados durante cinco anos.   Sobre o estudo River O estudo River significa “Research in Viral Eradication of HIV Reservoirs” — ou Estudo sobre a Erradicação dos Reservatórios Virais, em tradução livre. O estudo está sendo realizado pela colaboração CHERUB, um consórcio de equipes de pesquisa no Imperial College, King’s College, Oxford University e Cambridge University, financiado pelo National Institute for Health (NIH). O estudo recrutou pessoas …

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Imunoterapia pode curar o HIV?

Pesquisadores e defensores da cura do HIV se encontraram no Fred Hutchinson Cancer Research Center, na semana passada, para debater se a imunoterapia — tratamento que utiliza o sistema imunológico para combater o câncer — pode desempenhar um papel na concretização de uma cura ou remissão de longo prazo para o HIV, o vírus que causa a aids. “As células CAR-T têm o potencial de matar as células infectadas pelo HIV”, disse o Dr. Larry Corey, virologista do Fred Hutch e veterano há 35 anos na pesquisa do HIV, em seu discurso de apresentação para a terceira Conferência sobre Terapia Celular e Genética para a Cura do HIV. “Vinte anos atrás, testamos essas células para agir contra o HIV. Elas não funcionaram muito, mas agora sabemos como fazê-las melhorar.” Corey estava se referindo a um tipo de imunoterapia ainda experimental, no qual as próprias células T dos pacientes — um tipo de glóbulo branco que procura e destrói os patógenos — são geneticamente reprogramadas, com receptores sintéticos chamados receptores de antígeno quiméricos, ou CARs, a fim de matar células cancerosas que carreguem um marcador específico. Hoje, existem dezenas …

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Os próximos “pacientes de Berlim”

O “Paciente de Berlim”, Timothy Ray Brown, já está há sete anos fora da terapia antirretroviral e sem nenhum sinal do HIV em seu corpo. Com o passar do tempo, sua posição de “pessoa curada do HIV” torna-se mais firme. Médicos e pesquisadores estão documentando pacientes com HIV que receberam transplantes de células-tronco. No simpósio A Caminho da Cura, realizado antes da conferência Aids 2016, no entanto, ouviu-se falar do trabalho de um consórcio de médicos e pesquisadores que estão procurando e documentando o destino de pacientes com HIV que, assim como Timothy Brown, receberam transplantes de células-tronco, em um esforço para tirar de Brown o título de única pessoa curada do HIV. Houve decepções ao longo do caminho: em 2013, parecia que poderíamos ter mais dois receptores de transplante de células-tronco que estavam controlando o HIV sem tratamento, mas houve decepção em 2014, quando foi revelado que, em ambos os casos, a carga viral deles havia voltado. O transplante de células-tronco nunca será uma opção de cura para a maioria das pessoas com HIV. É quase certo que o transplante de células-tronco nunca será uma opção de …

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