Em São Paulo, homens que fazem sexo com homens (HSH), com 18 anos de idade ou mais, podem agora participar do estudo A Hora é Agora, para avaliar a logística de distribuição do autoteste para HIV.

O autoteste é um novo teste de triagem para HIV. Esse teste é feito e interpretado de maneira simples e rápida, pela própria pessoa, na hora e lugar em que desejar, sem a necessidade de um laboratório e nem da presença um profissional da saúde. Um dos objetivos da implementação do autoteste é ampliar significativamente a cobertura de testagem para o HIV, principalmente em populações que não têm acesso à testagem convencional.

O autoteste detecta anticorpos contra o HIV presentes em secreções da boca, o chamado fluido oral. Esses anticorpos geralmente passam a ser detectados entre 25 a 30 dias após a infecção pelo HIV, a chamada janela imunológica — isso significa que, antes deste período, algumas pessoas podem estar infectadas pelo HIV e ter o resultado do autoteste não reagente ou negativo. O médico infectologista Ricardo Vasconcelos explica que “a bula do autoteste indica uma janela imunológica de 30 dias, com raros casos de alguns indivíduos que podem levar até 90 dias para positivar o autoteste”. Depois desse período, o autoteste é bastante eficiente na identificação de pessoas que vivem com HIV. para terem anticorpos detectáveis.

Nesse estudo, serão distribuídos kits de autotestagem para homens que fazem sexo com outros homens, residentes de São Paulo e com 18 anos ou mais. Para participar do estudo, acesse www.ahoraeagora.org e responda a algumas perguntas. Após finalizar o preenchimento do questionário, você deverá escolher o local de retirada do seu kit, que já inclui o autoteste. Após a retirada do kit, você poderá então realizar o autoteste quando e onde preferir. Depois de realizar o teste, você deverá informar a conclusão no site e, assim, receber as orientações correspondentes a cada um dos possíveis resultados — positivo, negativo ou inconclusivo.

Quero fazer o autoteste para HIV!

Se o resultado do seu autoteste for não reagente ou negativo, a sua participação no estudo será considerada encerrada. Caso seu resultado seja reagente ou positivo no autoteste, você deverá comparecer a um dos serviços de saúde indicados para realizar um teste confirmatório, o qual é feito com algumas gotas de sangue coletados por punção no seu dedo. Somente se o teste confirmatório resultar reagente ou positivo estará confirmada a infecção pelo HIV e, nesse caso, a indicação de acompanhamento clínico adequado, oferecido gratuitamente pelo SUS.

Nessa pesquisa está garantido o seu direito de confidencialidade. As informações que você vier a fornecer aos pesquisadores serão analisadas em conjunto com as de outros pacientes, não sendo divulgada a identificação de nenhum deles. Você ainda pode recusar-se, a qualquer momento, a participar do estudo, sem prejuízo. A participação do estudo não inclui qualquer compensação financeira.

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São Francisco, na Califórnia, onde foram documentados os primeiros casos de HIV da história da epidemia, registrou 223 novos diagnósticos de HIV em 2016 — o menor índice jamais registrado na cidade. Enquanto isso, a cobertura de tratamento antirretroviral e as taxas de carga viral indetectável em quem estava sob tratamento batiam recorde. A notícia foi publicada por diversos veículos de imprensa nos Estados Unidos.

É isso o que a Dra. Susan Scheer, PhD, diretora da Seção de Epidemiologia do HIV no Departamento de Saúde Pública de São Francisco, e seus colegas averiguaram em sua análise dos dados epidêmicos da cidade. Os pesquisadores atribuíram o sucesso no controle da epidemia na cidade ao progresso de uma série de programas de prevenção e de tratamento de HIV, partes da campanha Getting to Zero San Francisco, iniciativa da qual diferentes organizações acadêmicas, comunitárias e de saúde pública fazem parte. O objetivo é zerar o número de novas infecções pelo HIV, zerar as mortes associadas ao HIV e zerar o estigma e discriminação contra quem vive com HIV em São Francisco.

A campanha foi lançada em 2010, quando incluiu a oferta de terapia antirretroviral independentemente da contagem de células CD4. Em 2011, aumentou a cobertura do teste de HIV e criou programas específicos para pacientes com HIV que haviam abandonado o tratamento. Em 2012, iniciou a oferta de tratamento no mesmo dia no diagnóstico. Em 2013, expandiu o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP) em grupos de alta prevalência.

A análise feita pelos pesquisadores mostra que o número total de novos diagnósticos de HIV diminuiu de 473 em 2009 para 329 em 2014. Os dados mais recentes divulgados pelo departamento de saúde da cidade revelaram ainda menos diagnósticos em 2016: apenas 223. De acordo com os pesquisadores, o declínio nos novos diagnósticos de HIV em São Francisco reflete uma tendência geral nos Estados Unidos. No entanto, a proporção de novos diagnósticos aumentou entre homens asiáticos, naturais das ilhas do Pacífico, latinos e entre homens que fazem sexo com homens. A ligação ao tratamento em 3 meses aumentou de 85,8% em 2009 para 91,8% em 2014, enquanto iniciação do tratamento no prazo de 1 ano após o diagnóstico aumentou de 63,2% para 90,7%, a supressão viral dentro de 1 ano do diagnóstico aumentou de 49,2% para 82,3% e a proporção de pacientes que desenvolveram aids em 3 meses diminuiu de 26,9% para 16,4%.


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O teste de HIV ao vivo do Príncipe Harry levou a um aumento de cinco vezes nos pedidos de teste em casa, revelou uma ONG de caridade. O Terrence Higgins Trust descreveu o efeito de mídia social do príncipe como “um momento único na luta contra o HIV”.

A organização fez um projecto-piloto, oferecendo às pessoas a chance de descobrir a sua condição sorológica para o HIV, enviando um kit de auto-teste de HIV em 15 minutos, assim que Harry se sentou para fazer o seu próprio, na quinta-feira, 14 de Julho. Naquele dia e no dia seguinte, os pedidos foram de cerca de 150 testes BioSure por dia, em contraste com 32 pedidos que feitos em 12 de julho.

Príncipe Harry fazendo o teste de HIV.

O Dr. Michael Brady, diretor médico da Terrence Higgins Trust, disse: “Nós sabemos que uma  em cada seis pessoas que vivem com HIV não sabem que têm HIV. A testagem coloca você no controle e, graças ao tratamento, vai evitar que fique gravemente doente, permitindo viver uma vida normal e impedindo de passar o vírus para outra pessoa.”

“É por isso que é tão importante que se continue à procura de novas maneiras de tornar o teste de HIV mais acessível para os grupos de risco, e, por isso, é fantástico ver o impacto bastante tangível e imediato que o teste do príncipe Harry teve para o teste de HIV.”

Príncipe Harry recebe o resultado negativo de seu teste de HIV, pelo psicoterapeuta Robert Palmer.

Durante o programa-piloto, a organização recebeu encomendas de todo o Reino Unido, a partir de Guernsey e da Irlanda do Norte, até a Ilha de Man. No total, 4.750 pedidos de auto-teste de HIV BioSure, que normalmente custam £ 29,95, foram enviados, até o programa ser fechado.

Metade de todas essas pessoas entraram em contato com o Terrence Higgins Trust para falar sobre o seu resultado e 26 pessoas disseram à organização que tinham recebido um resultado positivo. Eles então receberam uma ligação pessoal do Terrence Higgins Trust para discutir o seu resultado, receber apoio e assegurar que sabem como ter acesso aos cuidados HIV.

Em 27 de julho de 2016 por Victoria Murphy para o Mirror