Todos os posts com a tag: reflexões

reflexão
re.fle.xão
(cs) sf (lat reflexione) 1 Ato ou efeito de refletir. 2 Prudência, juízo, tino, pensamento sério. 3 Meditação. (…) 8 Psicol. Ato em virtude do qual o pensamento se volta sobre si mesmo para examinar seus elementos e combinações. 9 Filos. Atenção aplicada às operações do entendimento, aos fenômenos da consciência e às próprias idéias. 10 Consideração atenta de algum assunto; cálculo, raciocínio; aplicação do entendimento, da razão. 11 Argumento, comentário, observação, ponderação. 12 Argumento contrário, objeção, réplica.

A pressão sobre quem não faz tratamento

Australianos que vivem com HIV e que escolheram não tomar os antirretrovirais porque têm dúvidas sobre os medicamentos para o HIV dizem se sentir excluídos e silenciados dentro de organizações e comunidades para soropositivos, de acordo com um estudo qualitativo publicado online, antes da edição impressa do Medical Anthropology Quarterly. Em geral, os entrevistados não negaram os benefícios dos antirretrovirais, mas ainda não se sentiam prontos para se comprometer a iniciar um regime de medicação vitalício. Eles estavam cientes de que uma boa adesão é fundamental, mas que isso pode ser um desafio, e que os medicamentos prescritos têm o potencial de fazer mal, assim como bem. Levando em conta estas preocupações e hesitações, a pressão para seguir com o tratamento para benefício da comunidade não se coadunou facilmente entre os entrevistados. Asha Persson e seus colegas da Universidade de Nova Gales do Sul projetaram um estudo que teve como objetivo compreender os pontos de vista e as experiências de pessoas que não utilizam o tratamento do HIV, em um momento de crescente ênfase e campanhas para início do tratamento. Foram feitas entrevistas qualitativas profundas com 27 pessoas que vivem …

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Carta de um leitor: sobre a impaciência pela cura

“Olá, Jovem! Tudo certo contigo? Fiquei mexido com a última postagem que tu publicaste, sobre a inflamação crônica e seus efeitos no longo prazo. Me parece que, se nossa leitura fosse mais atenta, talvez o que poderíamos tirar da postagem é que: 1) a inflamação crônica não é uma disposição fisiológica devastadora, 2) que atua lentamente e só é perceptível quando o soropositivo chega em sua 6º ou 7º década de vida e, principalmente, 3) que existem meios para retardar, controlar ou até mesmo conviver muito bem com a inflamação persistente — inclusive, até os 88 anos de idade, assim como a Dona Olivetti, que esteve ao seu lado no livro Histórias da Aids, do infectologista Artur Timerman e da jornalista Naiara Magalhães. Noutras palavras, é basicamente dizer que a inflamação persistente parece ser mais perceptível quando o paciente está próximo da idade em que as pessoas normalmente morrem, o que faz com que essa constatação seja até um pouco engraçada. “Na mesma medida em que suas células CD4 aumentam, parece que a ansiedade cresce junto com sentimentos de impaciência.” Contudo, o que mexeu comigo, confesso, foi a reação …

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Astrologia (e mitologia) da superação de obstáculos e da vontade de viver

Desde a descoberta de Quíron, em 1977, astrólogos têm experimentado e explorado suas temáticas, ouvindo novos contos que ressoam da sua mitologia e chegam a algum entendimento sobre o seu impacto arquetípico. Agora, anos depois, o astrólogo Liz Greene vê Quíron como elemento essencial no aprofundamento da nossa compreensão a respeito consciência solar: para poder escolher viver a vida ao máximo, temos que enfrentar aquela parte em nós que prefere buscar a morte. “A vontade de viver é um grande mistério.” A vontade de viver é um grande mistério. Qualquer médico com alguma experiência em doenças com risco de vida sabe que a vontade de viver pode afetar o bem-estar físico, bem como psicológico. E a sobrevivência, muitas vezes, depende mais do desejo da pessoa doente de viver do que da ajuda do médico. Mas nem sempre a vontade de viver é necessariamente o que de fato sentimos. Podemos dizer por aí que queremos a vida, mas, em algum lugar lá dentro, queremos mesmo é ir para casa — e este anseio por cair em esquecimento pode ser mais poderoso do que qualquer declaração consciente da intenção de melhorar. …

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Carta de um leitor: sobre o estigma e a expectativa de vida

“Caro Jovem Soropositivo, tudo bem contigo? Espero que sim. Antes de qualquer coisa, queria te dizer que a postagem na qual você relata sua conversa com o Paciente de Berlim, Timothy Ray Brown, foi provavelmente a minha leitura preferida do blog neste ano de 2016. Acho que não só eu, mas grande parte do público, estava saudoso das postagens que expõem suas perspectivas pessoais acerca do HIV. Tenho a impressão que isto cria uma atmosfera de empatia e cria mecanismos capazes de apresentar formas diferentes de olhar para a nossa infecção crônica. O simples fato de ler o relato, de um adulto desconhecido que passa por uma experiência interessante como a que foi descrita na postagem, deve produzir, imagino, em grande parte dos leitores, algum nível de alívio. Uma forma primitiva de reconhecimento social, antes presente, por exemplo, nos bordéis alemães da segunda guerra mundial, onde homens e mulheres homossexuais, juntamente com transgêneros, compartilhavam e ansiavam por encontrar e saber da vida de pessoas que sofriam de experiências de exclusão social. Ali, no subsolo da cidade, …

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Carta de um leitor: sobre ser soropositivo

“1ºde dezembro, o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, nunca passa sem notícias incríveis, mas também com algumas narrativas insuportáveis. Fico imaginando como seria se eu, naquela tarde de setembro de 2014, quando resolvi fazer o teste, tivesse lido essas reportagens, mal escritas e preconceituosas, sobre como é conviver com o HIV hoje em dia. Muito provavelmente, teria tanto medo que deixaria para fazer o teste em outra hora. Afinal, estava assintomático — o que eu não sabia é que estava com poucas células CD4 e prestes a desenvolver uma doença oportunista. ‘Há coisas que podem ser feitas e, com tratamento, vocês viverão longas vidas.’ Lembro-me da primeira carta que mandei para você, Jovem, falando com tanto sofrimento sobre como era descobrir ser portador do HIV. Nela, contei da reação violenta que tive frente às profissionais de saúde, quando disseram para mim o resultado do teste rápido. Lembro do suor frio percorrendo todo o corpo, da boca seca, da taquicardia e do apoio insuficiente que recebi dos profissionais. Poucos minutos antes do teste, a assistente social havia desejado que ninguém fosse …

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Carta de um leitor: o medo de não ser aceito e o alívio de ser acolhido

“É engraçado como, quando algumas coisas acontecem, eu penso na figura do autor desse blog, o Jovem Soropositivo. Quase sempre isso ocorre num evento bastante corriqueiro, na fila do Hospital Emílio Ribas, buscando meus remédios. Como sempre, fazia isso tentando não olhar para os rostos das pessoas que estavam ali, fazendo a mesma coisa que eu — pela primeira vez, entretanto, eu entendi o porquê. O Jovem, essa figura sem rosto, virou, de repente, um universal concreto: ele era a moça triste que estava na fila, a criança impaciente do lado da mãe, o adulto, despreocupado, trocando mensagens no celular. Toda vez que se passam certas coisas comigo, vem a figura do Jovem, que também sou eu e, ao mesmo tempo, tantos outros. Toda vez que se passam certas coisas comigo, vem a figura do Jovem, esse quase-demiurgo, meio porta-voz, que também sou eu e, ao mesmo tempo, tantos outros. Razão que pode explicar o incômodo que senti quando li a história na qual ele se sentiu forçado a catar, no lixo, uma camisinha, como …

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Primavera e outono

Na maioria dos anos desse século, o equinócio (a data que marca a entrada da primavera no hemisfério sul e do outono no hemisfério norte) acontece no dia 22 de setembro. Mas este ano foi diferente. O equinócio se deu neste dia 23, mais precisamente às 5 horas e 21 minutos da manhã, pelo horário de Brasília. Dizem que a primavera e o outono representam o prenúncio da mudança, uma vez que as estações seguintes, o verão e o inverno, são tão opostas — ou, pelo menos, é assim que lembramos delas. Em tempos de aquecimento global, se não tanto pela mudança de temperatura, decerto pela mudança na duração dos dias e das noites, a qual inevitavelmente se altera em virtude do alinhamento do eixo do nosso planeta em relação ao Sol. Foi na primavera de 2010 que fui diagnosticado positivo para o HIV, naquele 18 de outubro, às 9 horas da manhã. Foi o dia em que mais chorei, de tanto medo da doença e certo de que a minha vida iria mudar muito …

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