Todos os posts com a tag: prevenção

Gravidez para sorodiscordantes

Esta semana, nos Estados Unidos, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, CDC, publicaram um relatório sobre as estratégias de prevenção do HIV para casais sorodiscordantes em que mulheres soronegativas planejam engravidar de parceiros soropositivos. Neste relatório, o CDC reconhece que desde 1988 surgiram novas informações sobre a prevenção da transmissão do HIV em casais sorodiscordantes. “Uma estratégia é o uso da supressão viral através da terapia antirretroviral para o parceiro do sexo masculino, com relações sexuais sem proteção de preservativos”, diz o texto, antes de ponderar que é melhor que estas relações sexuais sejam “limitadas ao tempo em torno da ovulação, enquanto a parceira está tomando profilaxia pré-exposição” — a PrEP. “Outra estratégia que pode ser usada em conjunto com a terapia antirretroviral e a PrEP é a coleta e lavagem do esperma do parceiro masculino, para remover as células infectadas pelo HIV, seguido de testes para confirmar a ausência de HIV antes da inseminação intrauterina da parceira ou, antes da fertilização in vitro. Cada método possui um perfil de risco particular, pode …

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A PrEP chegou ao Brasil

Na última semana, o Ministério da Saúde anunciou o início da distribuição de medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco da infecção pelo HIV antes da exposição ao vírus, a chamada “profilaxia pré-exposição” (PrEP) no Sistema Único de Saúde (SUS). A oferta da PrEP deve começar dentro de 180 dias, a contar a publicação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a PrEP, prevista para acontecer na segunda-feira, dia 29 de Maio. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, na última quarta-feira, dia 24, durante sua participação na Assembleia Mundial de Saúde realizada em Genebra, na Suíça. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a PrEP seja oferecida a todas as pessoas que estão sob “risco substancial de contrair HIV”. África do Sul, Austrália, Canadá, Escócia, Estados Unidos, França, Lesoto, Malawi, Nova Zelândia, Peru, Quênia, Suécia, Tailândia, Tanzânia, Taiwan, Zâmbia, Zimbábue já aprovaram o uso da PrEP, enquanto outros países avaliam a sua implementação. A Inglaterra está agora conduzindo um estudo da viabilidade no país, depois do National Health Service ter sido obrigado judicialmente pela Corte de Apelação, …

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O C.E.O. do H.I.V.

“Algum de vocês ganha dinheiro da indústria farmacêutica?” “Deixe-me ser franco: algum de vocês ganha dinheiro da indústria farmacêutica?”, perguntou Bernie Sanders, então candidato à presidência dos Estados Unidos, a um grupo de ativistas da luta contra a aids, em maio do ano passado, no auge da campanha para as primárias dos democratas americanos. A pergunta foi sucedida por um silêncio constrangedor. Bernie estava na Califórnia diante de 19 ativistas, em um encontro agendado por Peter Staley, ativista e fundador do Treatment Action Group, que na década de 1990 ajudou a acelerar o desenvolvimento dos medicamentos antirretrovirais. O objetivo do encontro organizado por Staley era firmar o apoio da campanha de Sanders ao combate da aids, caso fosse eleito. Foi neste encontro, diante dos principais ativistas, que Bernie teria disparado sua pergunta. Segundo uma reportagem publicada pelo New York Times, a maioria das organizações de luta contra a aids aceita subsídios de empresas farmacêuticas — em alguns casos, grandes subsídios. É como se fosse uma relação simbiótica: as organizações sem fins lucrativos dependem do financiamento de empresas farmacêuticas, enquanto as empresas farmacêuticas dependem destas organizações para informar os pacientes sobre os …

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A revolução do Truvada

(com legendas disponíveis em Português) Um medicamento chamado Truvada foi o primeiro a ser aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) americana para prevenir a infecção pelo HIV. Se uma pessoa soronegativa tomar a pílula todos os dias, ela estará 99% protegida contra o vírus. Com isso, a definição de sexo seguro e da prevenção do HIV mudaram radicalmente, especialmente na comunidade de homens gays, uma das populações mais atingidas pelo HIV. As implicações para a epidemia de aids são profundas. Nestes vídeos, a Vice explorou o futuro do Truvada e seu impacto revolucionário na luta contra o HIV/aids.

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Dolutegravir é mais rápido em reduzir a carga viral do sêmen

Mais de 2 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em 2015, sendo a transmissão sexual o principal canal de infecção. Pesquisadores do Grupo de Infecções do Trato Respiratório e Pacientes Imunocomprometidos do Instituto de Pesquisa Biomédica de Bellvitge (IDIBELL), liderados pelo Dr. Daniel Podzamczer, avaliaram a velocidade com que um novo medicamento antirretroviral, o Dolutegravir, é capaz de reduzir a carga viral no sêmen, uma área do corpo considerada um reservatório do vírus e os medicamentos têm mais dificuldade em chegar. Os resultados, publicados no Journal of Infectious Diseases, mostram o potencial desses novos tratamentos em reduzir as chances de transmissão sexual do vírus. “No caso de casais sorodiscordantes, enquanto a carga viral do parceiro diminui, recomenda-se que a pessoa soronegativa tome profilaxia, além dos preservativos” Os tratamentos antirretrovirais atuais são capazes de diminuir a carga viral do sangue e torná-la indetectável dentro de seis a nove meses do início do tratamento na maioria dos pacientes, embora se estime que cerca de 5 a 25% dos pacientes mantenham níveis detectáveis de vírus no sêmen após …

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Um anticorpo que neutraliza quase todas as cepas de HIV

Cientistas dos National Institutes of Health (NIH) identificaram um anticorpo de uma pessoa infectada pelo HIV capaz de neutralizar 98% das cepas de HIV isoladas, incluindo 16 cepas, de um total de 20, resistentes a outros anticorpos da mesma classe. A notável amplitude e potência deste anticorpo, chamado N6, pode torná-lo um candidato atraente para o desenvolvimento futuro de formas de tratamento ou prevenção contra a infecção pelo HIV, dizem os pesquisadores. Os cientistas, liderados por Mark Connors, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas do NIH (NIAID), também acompanharam a evolução do N6 ao longo do tempo, para entender como ele desenvolveu a habilidade de neutralizar tão potentemente quase todas as cepas do HIV. Esta informação ajudará a informar a concepção de vacinas para obter esses anticorpos amplamente neutralizantes. A identificação de anticorpos amplamente neutralizantes contra o HIV tem sido difícil porque o vírus muda rapidamente suas proteínas de superfície para evitar o reconhecimento pelo sistema imunológico. Em 2010, cientistas do Centro de Pesquisa de Vacinas do NIAID descobriram um anticorpo chamado VRC01, capaz de evitar que até 90% das cepas …

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Quem tem carga viral indetectável precisa usar camisinha?

Em face das extensas pesquisa mostrando que as pessoas que vivem com HIV e que estão em terapia antirretroviral com carga viral estável e indetectável têm uma probabilidade extremamente baixa de transmitir o vírus, a maioria dos participantes da IDWeek 2016, em Nova Orleans, disseram acreditar que ainda deveriam ser aconselhados a usar preservativos — uma proporção que aumentou depois de um debate em que se discutiram as evidências. Lisa Winston, da Universidade da Califórnia em São Francisco, argumentou sobre o lado “a favor”, enquanto Roy Gulick da Weill Medical College da Universidade de Cornell tomou a posição “contra”. Antes do debate, os participantes do auditório foram solicitados a votar se acham que é totalmente desnecessário que homens com carga viral indetectável usem preservativo, se é desnecessário quando a carga viral for continuamente indetectável por um ano ou se os preservativos sempre devem ser usados. De início, 63,5% votaram por usar sempre preservativo, 12,8% disseram que era completamente desnecessário e 23,6% achavam que era desnecessário em determinadas condições.   Continuar a usar camisinha A Dra. Winston deu três argumentos para o uso contínuo do preservativo: Os preservativos …

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Quão bem a camisinha protege homens gays do HIV?

Por Shaun Barcavage Com todas as notícias e pesquisas relacionadas à PrEP nos dias de hoje, não é difícil que homens homossexuais esqueçam a camisinha para prevenir o HIV. Por isso, estou aqui para lembrar: não vamos deixar de usar os preservativos! Eles ainda têm um papel a desempenhar na protecção da saúde sexual de homens gays — uma vez que eles são capazes de proteger contra várias DSTs, além do HIV. Em testes de laboratório, preservativos usados perfeitamente de acordo com as instruções apresentam 99,5% de eficácia contra o HIV, com apenas as falha mecânicas (isto é, estourar a camisinha) resultando em infecções. Porém, uma vez que nós somos humanos e tendemos a não praticar relações sexuais em estilo laboratório, o quão bem eles realmente funcionam, no mundo real, para prevenir o HIV em homens homossexuais? Essa é uma pergunta que eu ouço de vez em quando em meu consultório e posso dizer que a eficácia é diferente para homens homossexuais do que para as pessoas que fazem sexo pênis-vaginal. Aqui está o que as pesquisas nos dizem. Em primeiro lugar, uma nota rápida a respeito da origem dos dados …

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Retórica encontra com a realidade

Por Jane Shepherd Dezesseis anos se passaram desde a primeira Conferência Internacional de Aids, em Durban — num momento marcante, quando um ativista de 11 anos de idade, Nkosi Johnson, levantou-se no auditório principal e pediu aceitação das pessoas vivendo com HIV. Era uma época em que o negacionismo da aids pelo governo Sul-Africano impedia que o país tivesse acesso aos antirretrovirais. Eu estava vivendo em Zimbabwe, onde também não havia tratamento antirretroviral — e a imprensa governamental incentivava a comer alho e beterraba. Meus ex-namorados morreram, meus amigos morreram, as famílias dos meus alunos morreram. Os cemitérios atravessaram colinas, todas pontilhada com flores de plástico. Agora, 17 milhões de nós estão em tratamento antirretroviral, mas a conferência deste ano não era para congratulações. Infecções por HIV (e tuberculose) continuam a aumentar, há enormes barreiras para o acesso ao tratamento, com 20 milhões de pessoas sem tratamento, e há uma lacuna de financiamento assustadora. A retórica de acabar com a aids até 2030 e a meta 90-90-90 para 2020 não têm sentido sem investimento na participação da comunidade. Abordar a questão da criminalização e dos direitos humanos nas populações-chave …

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