O que Donald Trump significa para quem tem HIV/aids?


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O candidato republicano à presidência ainda não tem nenhuma política para o HIV/aids. Nada sobre a doença está listado no site de Trump, tampouco o candidato discutiu como iria abordar a epidemia de HIV durante qualquer uma de suas aparições na campanha. Por isso, qualquer discussão sobre o que uma presidência de Trump significaria especificamente para as pessoas que vivem com HIV nos Estados Unidos e no mundo é essencialmente especulativa. Aqueles, como nós, fora do círculo íntimo de Trump são forçados a adivinhar qual seria sua política para o HIV/aids, a qual, com grande probabilidade, pode não existir.

Enquanto não temos quaisquer detalhes sobre suas posições específicas para o HIV/aids, o conteúdo da plataforma de cuidados de saúde de Trump não traz um bom presságio para as pessoas que vivem com HIV. Como era de esperar do candidato presidencial republicano, o ponto principal da política de cuidados de saúde de Trump é, por exemplo, a revogação completa do Affordable Care Act [também conhecida como “Obamacare”, uma lei regulamentatória federal americana que visa controlar os preços dos planos de saúde privados e expande os planos de saúde públicos e privados para uma maior parcela da população americana].

Todos os ativistas do HIV/aids que falaram ao TheBody.com reconheceram a possibilidade de que Trump como presidente faria bem em cumprir suas promessas de redução do custo dos medicamentos de receita controlada e incentivo à transparência dos preços entre os prestadores de cuidados de saúde. Mas, mesmo com grande otimismo, nenhum deles conseguiu ver um futuro primissor para os indivíduos soropositivos no Estados Unidos de Donald Trump.

“Uma presidência de Trump seria ruim para as pessoas que vivem com o HIV a nível mundial.”

“Como alguém que vive com HIV, eu acho que os modelos de cidadania de Trump são extremamente problemáticos”, disse Andrew Spieldenner, co-secretário do U.S. People Living With HIV Caucus. “Quando um líder pleneja alguma coisa, as pessoas que trabalham para eles normalmente levam-na adiante”, observou ele. “Meu instinto diz que uma presidência de Trump seria ruim para as pessoas que vivem com o HIV, especialmente a nível mundial”, disse ele. “O ufanismo que ele exibiu durante sua campanha não me parece ser bom para a PEPFAR [Plano de Emergência Presidencial para Combate à Aids].”

Donald Trump
Foto por Gage Skidmore [CC BY-SA 2.0], Wikimedia Commons

Durante sua entrevista ao TheBody.com, Spieldenner disse que houve algum interesse da campanha de Trump de sentar-se com os ativistas de HIV/aids, como Clinton e Sanders o fizeram no mês passado, mas que nada substancial veio daí. Independentemente disso, Spieldenner parecia menos preocupado com a falta de engajamento direto entre Trump e os grupos de HIV/aids do que pela ideologia global e do rumo que a campanha Trump está seguindo.

Não se sabe com o que Trump iria substituir o Affordable Care Act, embora suas propostas sejam, em sua maioria, uma mistura de medidas favoráveis à economia, destinadas a reduzir os gastos do governo e colocar o ônus do cuidado de saúde sobre os indivíduos, permitindo competição interestadual de seguros de saúde e bloqueando ajuda aos estados.

O plano de governo de Trump “levaria quase 21 milhões de pessoas a perderem seu seguro de saúde”.

Trump afirma que ele vai manter a proibição das companhias de seguros negar cobertura a pessoas com condições pré-existentes, mas sem uma ordem individual ou assistência financeira, à semelhança do que acontece hoje no mercado de cuidados de saúde, parece que não há nenhuma chance disso acontecer. De acordo com um relatório da Comissão não-partidária para um Orçamento Responsável, o plano de governo para a saúde de Trump “levaria quase 21 milhões de pessoas a perderem seu seguro de saúde” e iria acabar custando entre US$ 330 e US$ 550 bilhões ao longo de uma década.

Além disso, o Wall Street Journal informou que Trump iria considerar privatizar o sistema de saúde do Departamento de Assuntos de Veteranos , transformando-o em algo mais parecido com um seguro de saúde do que uma rede de hospitais. Isso poderia ter implicações drásticas, uma vez que o próprio Departamento alerta ser “o maior fornecedor de cuidados médicos para as pessoas com HIV nos Estados Unidos.”

Hilary McQuie, diretora de política e de mobilização popular americana na Health GAP, enfatizou que a sua organização vai tentar trabalhar com uma eventual administração Trump, mas não consegue imaginar como seria e está profundamente preocupada com as posições de Trump sobre questões sociais e de imigração. “Não há como prever o que ele faria”, disse McQuie, acrescentando que a xenofobia, o racismo e o sexismo exibidos na campanha de Trump seriam terríveis para os esforços feitos no tratamento e na prevenção, bem como nos direitos humanos básicos.

“Acho que os homens homossexuais não teriam acesso à Casa Branca, e isso significa problemas.”

George Ayala, diretor-executivo do Global Forum on MSM & HIV, compartilhada preocupações semelhantes. “Não estou ciente de qualquer coisa que Trump tenha dito sobre o HIV, o que em si já é um problema.” disse Ayala. “Neste momento, só podemos especular com base em seu comportamento, mas acho que os homens homossexuais — especialmente os homens gays negros –, não teriam grande acesso à Casa Branca, e isso significa problemas.”

“Não há razão para acreditar que ele pode não fazer mal algum.”

Assim como os ativistas de HIV/aids que foram entrevistados para este artigo, Gregory Angelo, presidente do Log Cabin Republicans, disse que prefere não especular sobre o que política de HIV/aids de Trump poderia ser. Embora o chefe do grupo republicano gay fosse estivesse muito mais animado sobre a perspectiva de uma presidência de Trump, ele ainda tinha suas dúvidas. “Serei lembrado por ter dito que Donald Trump é a nomeação presidencial republicana mais pró-gay da história”, disse Angelo ao TheBody.com. “Se você olhar para as declarações que ele fez, não há razão para acreditar que ele pode não fazer mal algum e pode, eventualmente, ser um aliado. No entanto, quero ser claro sobre isso:. o Log Cabin Republicans não endossaram Donald Trump e eu não sou um apologista de Trump.”

Mais do que qualquer outro candidato dos últimos tempos, Trump tem tido o sucesso em sua campanha sem apresentar soluções concretas ou viáveis, mas, em vez disso, capturando a raiva nativista de seus seguidores e o sentimento de traição. Como consequência, em vez de ter uma visão formada de que os tipo de política se pode esperar de uma presidência Trump, encontramo-nos largados com uma coleção cada vez maior de machismo e de pronunciamentos xenófobos.

Uma vez que a especulação e a retórica é o que todos nós temos neste momento, devemos convir que os ativistas de HIV/aids devem se preparar para o melhor, bem como para o pior, em relação a uma presidência Trump, mesmo se no fim tenhamos uma relação antagônica como o mais provável resultado. Ainda nos falta ver exatamente até onde aqueles que seguem e trabalham para Donald Trump levariam sua marca particular de agressão ultranacionalista se ele ganhar a Casa Branca. Mas parece que a maioria dos ativistas de HIV/aids estariam mais felizes se nunca tivessem de descobrir.

Em 7 de junho de 2016 por Drew Gibson para o TheBody.com

Está faltando antirretroviral no Brasil?

HuffPost Brasil

No final do mês de junho recebi uma mensagem de uma leitora de meu blog. Por e-mail, ela contava ser soropositiva, assim como seu marido e seu filho, um menino de três anos de idade: todos com HIV. Moradora de Belo Horizonte, ela falava sobre a falta de medicamentos antirretrovirais na farmácia pública. “O governo não está mandando”, disse ela. “Às vezes, faltava o medicamento do meu menino: especificamente a Nevirapina.”

A mensagem dessa leitora não era diferente de dezenas de outras mensagens que recebi nos últimos meses, de diferentes leitores, de outras cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Todos reclamando da falta de medicamentos antirretrovirais em seus postos de saúde. É importante dizer que as reclamações desses leitores não foram verificadas. São relatos de pessoas que, sob o direito ao sigilo a respeito de sua condição sorológica para o HIV, preferem manter o anonimato e não fizeram referência à localização específica dos postos onde retiram seus medicamentos. Todavia, todas essas mensagens a respeito da falta de medicamentos vieram mais ou menos no mesmo período, nos últimos meses, seguindo o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, o início do governo de Michel Temer e o subsequente pedido de exoneração de Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

“Considerado um dos maiores especialistas do país em HIV/aids, Mesquita estava à frente do departamento há três anos. Ele diz que programas de saúde importantes, como o que garante o acesso universal aos medicamentos de aids — uma referência internacional —, estão seriamente ameaçados no ministério comandado pelo engenheiro Ricardo Barros, do PP”, resumiu a Carta Capital a respeito da entrevista com Fábio Mesquita, feita logo após a sua renúncia.

A preocupação de Fábio com o futuro do sistema público de saúde no Brasil se sustenta, entre outros pontos, no próprio programa de governo do presidente interino Michel Temer, intitulado “Uma Ponte para o Futuro”, um texto de 18 páginas onde se diz que: “Vamos precisar aprovar leis e emendas constitucionais que, preservando as conquistas autenticamente civilizatórias expressas em nossa ordem legal, aproveite os mais de 25 anos de experiência decorridos após a promulgação da Carta Magna, para corrigir suas disfuncionalidades e reordenar com mais justiça e racionalidade os termos dos conflitos distributivos arbitrados pelos processos legislativos e as ações dos governos.” Mais adiante, o mesmo texto diz que: “Para isso é necessário em primeiro lugar acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como no caso dos gastos com saúde e com educação.”

Em outras palavras, o governo interino deixa claro que tem a intenção de mudar a constituição para, assim, poder reduzir — ou, quem sabe, cortar — os gastos obrigatórios nela estabelecidos, como saúde e educação. O texto do governo interino não afirma, especificamente, que vai cortar o programa brasileiro de acesso universal aos antirretrovirais contra o HIV. Porém, diante do discurso de Fábio Mesquita e dos relatos pontuais sobre a falta de medicamentos antirretrovirais — gratuitos à população e pagos pelo governo —, é natural a preocupação daqueles que, como eu, vivem com HIV. Grupos de ativistas no Rio de Janeiro já fizeram protesto em defesa do SUS.

É importante lembrar o que acontece em situações de redução, falta de acesso ou corte aos medicamentos contra o HIV. Rússia e Venezuela são os dois exemplos mais recentes. Enquanto a Rússia tem sido acusada de atacar deliberadamente ONGs de prevenção à aids e ativistas, além de cortar o financiamento para o tratamento antirretroviral, provavelmente por motivos políticos, a Venezuela experimenta a falta de medicamentos em decorrência de sua crise financeira, e recusa ajuda humanitária internacional. “Como o sistema de saúde pública está desmoronando e o fornecimento de medicamentos foi interrompido, cerca de 4.000 pacientes com HIV que dependem desses medicamentos estão sem tratamento, de acordo com grupos de defesa locais.”

Fela Kuti no Senator Hotel, em Londres, em 11 de novembro de 1983.
Fela Kuti no Senator Hotel, em Londres, em 11 de novembro de 1983.

Outro exemplo se deu na África do Sul em 2002. Naquela altura, o então presidente Thabo Mbeki aderiu à teoria “dissidente” ou “negacionista”, a qual nega que o HIV seja o causador da aids ou até mesmo que esse vírus de fato exista. Depois de um encontro com Peter Duesberg, principal símbolo dos dissidentes, Mbeki cortou o fornecimento de antirretrovirais no país, apenas dois anos depois da morte do músico nigeriano Fela Kuti, portador do HIV e um dos negacionistas de maior liderança na África. A autópsia mostrou que Fela morreu de complicações relacionadas à aids. Estima-se que a política de Mbeki levou 300 mil sul-africanos à morte e 35 mil bebês contaminados por transmissão vertical, da mãe portadora do vírus para o bebê, além de outros milhares que foram contaminados pelo HIV naquele país.

O aumento das transmissões se deu porque quem é diagnosticado com HIV e começa o tratamento antirretroviral logo atinge a carga viral indetectável, o que quer dizer que a quantidade de vírus no sangue é tão baixa que não pode mais sequer ser detectada nos exames mais precisos de laboratório. A quantidade de vírus em outros fluídos corporais, como sêmen e líquido pré-ejaculatório, também cai, muitas vezes também até níveis indetectáveis.

Em extensos estudos, como o HPTN 052 e Partner, ou mesmo outros estudos similares, onde, até agora, já foram acompanhados mais de 9 mil casais sorodiscordantes (quando só um dos parceiros é positivo para o HIV), a amostragem de transmissão a partir dos parceiros em tratamento antirretroviral e indetectáveis foi, literalmente, zero. De fato, desde o começo da epidemia de HIV/aids, nos anos 80, nunca foi documentado um único caso sequer de transmissão do HIV a partir de quem faz tratamento antirretroviral e tem carga viral indetectável. Por isso, desde 2008 as autoridades médicas suíças afirmam que soropositivos nessas condições apresentam “risco negligenciável de transmissão”, enquanto consensos médicos americano, britânico, canadensesueco, entre outros, reconhecem os efeitos do tratamento antirretroviral na redução do risco de transmissão do HIV. Para melhorar, o tratamento antirretroviral já recebeu até uma “bênção” do Vaticano, que quer oferecê-lo em seus orfanatos e hospitais em todo o mundo. Em níveis populacionais, os antirretrovirais já mostraram benefícios no controle da epidemia na África do Sul e na Dinamarca. Em outras palavras: além de salvar a vida de quem tem HIV, os antirretrovirais evitam que quem não tem o vírus venha a contraí-lo. Por isso, ganhou o nome de “tratamento como prevenção” — ou TasP, do inglês treatment as prevention.

“Foi uma das maiores descobertas da ciência, quando a gente viu que, se a gente conseguisse derrubar a carga de vírus que tem na pessoa, com o medicamento, essa pessoa teria menos vírus circulante — e, portanto, o vírus no sangue, o vírus no sêmen, o vírus na secreção vaginal ou o vírus no leite materno chegaria com mais dificuldade. Portanto, essa pessoa não poderia transmitir o HIV.” Essa foi a fala de Fábio Mesquita, quando ainda diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, durante o X Curso Avançado de Patogênse do HIV, em 2015, que aconteceu na Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.

Fabio Mesquita
Fabio Mesquita

“Nós descobrimos isso em 1996: chegamos à conclusão que, se a gente desse um medicamento para um ser, a gente protegia outro ser. Só que, naquela época, a gente achava que isso só acontecia dentro do próprio corpo. Então, a gente dava o medicamento para a mãe, para proteger o bebê. Impedir a transmissão vertical”, explicou Fábio. A transmissão vertical é o nome que se dá à transmissão do HIV da mãe para o feto. Desde que surgiu o tratamento antirretroviral, em 1996, a transmissão vertical pode ser impedida graças aos medicamentos, sempre que a mãe portadora do vírus segue o tratamento durante a gravidez. “A lógica era exatamente esta: a gente derrubava a carga viral da mãe e o bebê não nascia contaminado. A gente nunca pensou que, se esse ser estivesse do lado de fora do corpo, a gente também estaria protegendo este outro ser. Anos depois — entre 1996 e 2011 — a ciência concluiu que, se esse ser estiver do lado de fora do corpo, é exatamente a mesma coisa: derrubou a carga viral, não tem como transmitir o HIV. Esse hoje é o mecanismo mais poderoso de prevenção que existe.” E conclui: “é mais poderoso que a camisinha.”

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Dr. Drauzio Varella

O Dr. Drauzio Varella, que subiu ao palco logo depois de Fábio, concordou com a eficácia comprovada do tratamento como prevenção: “Nós tínhamos essa sensação exata, que foi demonstrada muito mais tarde e que todos que trabalhavam na área sabiam: se a gente zerasse a carga viral, a chance de transmissão era muito menor. Isso já havia sido demonstrado nas mulheres grávidas. E, se valia para a transmissão materno fetal, que é dentro de um corpo só, imagina a chance de funcionar para o outro? É muito maior!”

No Brasil, de acordo com o último Boletim Epidemiológico, aproximadamente 88% das pessoas que vivem com HIV e que fazem tratamento antirretroviral no Brasil têm carga viral indetectável. Contudo, somente 52% infectados no Brasil fazem tratamento antirretroviral — um número muito baixo, levando em conta a expectativa do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o Unaids, que estabeleceu a meta 90-90-90, onde “90% de todas as pessoas vivendo com HIV conheçam seu status, 90% das pessoas diagnosticadas recebam terapia antirretroviral e 90% das pessoas recebendo tratamento possuam carga viral suprimida e não mais possam transmitir o vírus.”

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Para que o tratamento funcione para quem tem HIV e também para prevenir a epidemia de continuar a crescer, é preciso que a oferta a seu acesso a seja contínua e que aqueles que dependem destes remédios mantenham a adesão — o que hoje não é tão difícil, uma vez que basta um comprimido por dia.

Com a falta de acesso ao tratamento, o jornal Moscow Times alerta que “a taxa de infecção pelo HIV vai continuar a crescer em toda a Rússia, uma vez que até mesmo interrupções curtas no tratamento podem provocar a mutação do vírus, que se adapta rapidamente às medicações e se desenvolve mais rápido.” Na Venezuela, estima-se que pelos menos mil pessoas com HIV já morreram em decorrência da falta de antirretrovirais, enquanto a inflação naquele país chegou a fazer um pacote de camisinhas custar mais de 2 mil reais, segundo O Globo.

Mas e o Brasil? É estranho que as reclamações a respeito da falta de medicamentos tenham aumentado logo depois do afastamento de Dilma Rousseff, uma vez que o governo interino de Michel Temer ainda não tomou qualquer medida efetiva contra a determinação constitucional de acesso à saúde, tampouco sobre a Lei 9.313, de 13 de novembro de 1996, que rege a distribuição de antirretrovirais em todo o País. Nessas condições, responsabilizar o governo federal também é entranho, ainda mais quando aprendemos sobre o funcionamento da distribuição de medicamentos no País:

Como disse Grabriel Estrëla, aqui no Brasil não está faltando medicamento antirretroviral. Ainda bem! Isso quer dizer que nossos líderes, afastados e interinos, devem estar cientes da importância da manutenção do programa brasileiro de resposta à epidemia de HIV/aids. Acabar com o acesso universal aos antirretrovirais seria um golpe contra a saúde brasileira e, também, contra o controle da epidemia no mundo. Essa consciência deve se estender do governo federal aos estados e municípios, bem como à cada unidade dispensadora de medicamentos. Por isso, se faltar antirretroviral na sua farmácia, reclame e proteste. É seu direito!

Brexit traz turbulência na regulamentação de medicamentos


reuters

Asaída da Grã-Bretanha da União Europeia (UE) traz incertezas regulatórias para as empresas farmacêuticas, uma vez que a European Medicines Agency (EMA), que aprova tratamentos para todos os países da UE, é sediada em Londres e acredita-se que terá de se realocar.

A associação alemã da indústria farmacêutica disse, na sexta-feira, que equivalente europeia da Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, iria precisar se deslocar para uma cidade no interior da UE, trazendo problemas administrativos para as empresas. A maior farmacêutica da Grã-Bretanha, GlaxoSmithKline (GSK), disse que a votação sobre a saída da UE “cria incerteza e potencialmente complexidade para nós no futuro”, embora o impacto no seu negócio global seja pequeno, a associação comercial farmacêutica do Reino Unido alertou sobre desafios para o futuro dos investimentos, pesquisa e trabalho.

Os executivos da indústria temem que turbulências na EMA poderiam atrapalhar o processo de aprovação de medicamentos na UE e na Grã-Bretanha, levando-os a ter que desenvolver seu próprio sistema jurídico interno e à maior confusão. Embora a Grã-Bretanha possa continuar a participar no sistema da EMA se ele permanecer no Espaço Econômico Europeu, assim como a Noruega, muitas das pessoas que apoiam sua saída da UE se opõem a essa opção. Como resultado, os pacientes britânicos poderiam ter de ir para o fim da fila dos novos medicamentos, uma vez que as empresas priorizam o maior mercado da UE, e alguns medicamentos podem ser deixados no limbo da regulamentação.

A EMA, que tem uma equipe em tempo integral de mais de 600 funcionários, é o maior órgão da UE na Grã-Bretanha e tem supervisionado aprovação de medicamentos europeus desde 1995, a partir de sua sede, aninhada entre bancos globais, em Canary Wharf, Londres. Uma porta-voz da EMA disse que era prematuro comentar sobre o seu futuro. “É muito cedo para prever as implicações desta decisão e, nesta fase, estamos à espera de mais orientações da Comissão Europeia”, disse ela.

As empresas farmacêuticas e autoridades de saúde na Suécia, Dinamarca, Itália e Alemanha têm todos manifestaram interesse em sediar o EMA em vez de Londres, uma vez que as empresas nesses países estão ansiosos para ser localizado perto regulador chave da região.

Brexit
Cartoon de Blower para o Telegraph, em novembro de 2012.

Impacto do câmbio

O impacto sobre os lucros que a saída da Grã-Bretanha da UE trará será limitado para muitos fabricantes globais de medicamentos, uma vez que os Estados Unidos são de longe o maior mercado de medicamentos de prescrição e a Ásia representa também uma relevância crescente.

A GSK disse que não antecipou impacto material sobre seu negócio — e, a curto prazo, os analistas esperam que ela desfrute de ganhos, enquanto a Libra mais fraca que as receitas no exterior são convertidas em Libras Esterlinas. A AstraZeneca, que computa seus ganhos em dólares, e a rival suíça Roche não irão desfrutar desse elevador de moeda, mas ambos disseram que era vital que a Grã-Bretanha continuasse a apoiar a indústria científica na sequência do referendo.

A indústria farmacêutica emprega mais de 70.000 pessoas no Reino Unido e é responsável por 25% de todos os gastos de pesquisa e desenvolvimento de negócios no país. Muitos cientistas estão preocupados que o financiamento para a pesquisa acadêmica, que tem sido bem apoiada pela UE nas últimas décadas, agora seja posta em causa, juntamente com importantes colaborações de pesquisa entre o Reino Unido e a Europa.

“Agora que a direção foi definida para sair da UE, é fundamental que o governo desenvolva planos claros para salvaguardar o futuro da ciência e da pesquisa no Reino Unido”, disse Robert Lechler, presidente da Academia de Ciências Médicas.

Por Ben Hirschler em 24 de junho de 2016 para a Reuters

 

A contradição entre o discurso sobre o fim da epidemia e a realidade

abia

Este artigo reflete criticamente sobre a atual resposta brasileira à epidemia de HIV e aids a partir de três importantes provocações:

  1. Estamos realmente próximos ao “fim da aids” (ou de “uma geração livre da aids”)?
  2. Estamos vivendo uma nova era (de respostas biomédicas que substituem as respostas sociais e políticas)?
  3. Dentro deste quadro, a resposta comunitária frente à epidemia ainda importa (ainda vale a pena continuar nesta luta, principalmente se tudo estaria quase resolvido)?

As reflexões que deram origem a este artigo foram apresentadas durante a abertura do 8° Encontro Estadual das ONGs/Aids do Rio de Janeiro, em agosto de 2015.

“Cortes na Saúde podem afetar áreas cruciais”


cartacapital

O ex-diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde Fábio Mesquita, que pediu exoneração do cargo no dia 27 de maio, falou com exclusividade à DW Brasil e fez duras críticas ao governo interino de Michel Temer.

Considerado um dos maiores especialistas do país em HIV/aids, Mesquita estava à frente do departamento há três anos. Ele diz que programas de saúde importantes, como o que garante o acesso universal aos medicamentos de aids – uma referência internacional –, estão seriamente ameaçados no ministério comandado pelo engenheiro Ricardo Barros, do PP.
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Movimento faz ato em defesa do SUS no Rio de Janeiro


Pela Vidda RJ

A manutenção do Sistema Único de Saúde e mais investimento e qualidade para a saúde pública no Brasil. Foi isso que reivindicou o Grupo Pela Vidda-RJ, em ato realizado no último dia 23, em frente à Igreja da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro. Com palavras de ordem, como “Um SUS melhor para o Brasil” e “O SUS é do povo brasileiro”, faixas com artigos da Declaração dos Direitos Fundamentais da Pessoa que Vive com HIV e aids, placas, cartazes, velas e apitos, cerca de 50 participantes se manifestaram em defesa do SUS, da democracia, do respeito e pelo fim do preconceito e do estigma.

“Onde eu vou fazer meu tratamento e meus exames, se o SUS acabar ou sua qualidade diminuir?”

Durante o ato, os manifestantes destacaram a importância do Sistema Único de Saúde para a população brasileira e sua importância para a luta contra a aids. Pessoas que vivem com HIV estiveram na manifestação e perguntaram: “onde eu vou fazer meu tratamento e meus exames, se o SUS acabar ou sua qualidade diminuir?”.

“Nós do movimento de luta contra aids ficamos muito preocupados com essas falas, que colocam em dúvida a continuidade do serviço.”

“Esse ato é contra todos que estão pensando em privatizar, terceirizar e acabar com o SUS. Estamos próximos de completar 30 anos de uma luta por direitos e por inclusão. O SUS não é só saúde, ele incluiu a população. Quase 80% da população brasileira tem atendimento no SUS, em um dos três níveis: atenção básica, secundária ou terciária. E nós do movimento de luta contra aids ficamos muito preocupados com essas falas, que colocam em dúvida a continuidade do serviço. Esse ato quer chamar a atenção da população, pois nós não podemos permitir que uma conquista do povo brasileiro seja sucateada. Saúde é direito, saúde não é mercadoria. A gente tem que chamar todos para que se conscientizem do que está acontecendo no país, independente de partido, ideologia, de convicções, nós temos que defender a sociedade e os nossos direitos”, destacou Marcio Villard, coordenador do Pela Vidda-RJ.

Foto: Larissa Cargnin
Foto: Larissa Cargnin

“Precisamos estar unidos para não deixar acontecer esse levante contra a cidadania.”

Representantes da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids – ABIA, também estiveram presentes. A escolha da Candelária para o ato não foi a toa: “a Candelária é um símbolo de luta, palco de uma das maiores chacinas dessa país, e nós precisamos usar esse espaço como espaço de luta e de busca por cidadania. Precisamos estar unidos para não deixar acontecer esse levante contra a cidadania, contra os direitos individuais, coletivos e difusos. Porque a gente precisa de um Brasil livre, diverso, autônomo e inclusivo para todos e todas”, completa Marcio.

A manifestação é um dos eventos que marcam os 27 anos do Grupo Pela Vidda-RJ, celebrado hoje (24). Durante o ato, as drag queens do Mix da Prevenção distribuíram kits de prevenção. Cerca de 10 drags distribuíram 5 mil kits para as pessoas que passavam a pé e de carro pela Avenida Presidente Vargas, uma das principais vias da cidade.

Pela Assessoria de Imprensa do Grupo Pela Vidda-RJ