Câncer & HIV

Nos últimos anos, a International Aids Society Conference on HIV Science, a IAS, incluiu um simpósio especializado na pesquisa da cura do HIV, que sempre antecedeu o evento principal. E este ano não foi exceção, com apenas uma pequena mudança, a começar pelo nome: HIV Cure and Cancer Forum — isto é, um fórum sobre o câncer e a cura do HIV.

O título do evento parece reafirmar uma percepção atual entre muitos cientistas sobre aspectos comuns entre duas doenças distintas: o HIV e o câncer. Antes de falar das semelhanças entre elas, é importante ter em mente que estas são doenças distintas entre si porque há muitas diferenças entre elas. Foi isso o que bem lembrou Monsef Benkirane, do Instituto Francês de Genética Humana, na sua palestra de abertura. Enquanto o HIV é causado por uma infecção, o câncer é geralmente decorrente do mau comportamento espontâneo de algumas células. A exceção está apenas em alguns tipos específicos câncer, cujo mau comportamento das células pode mesmo ser provocado por infecções.

No entanto, no coração das células é que surge a semelhança entre estas duas doenças: tanto para o HIV quanto para o câncer, a questão parece ser a mesma: ambas células cancerosas e células infectadas pelo HIV possuem um material genético trapaceiro. No caso do câncer, este material genético leva as células a crescer incontrolavelmente. No caso do HIV, à derrubar o sistema imunológico. O fato de ambas estas doenças concentrarem-se em uma disfunção do núcleo celular é o que as torna difíceis de curar: basta uma célula infectada pelo HIV ou uma célula cancerígena para propagar a doença.

Não é por acaso que as mesmas ferramentas que agora estão levando à cura de alguns tipos de câncer e à maior remissão de outros tipos, incluindo medicamentos sofisticados capazes de direcionar marcadores biológicos específicos para agir contra células cancerosas, podem também ser usadas contra o HIV. Aliás, esta relação entre os medicamentos para câncer e para o HIV não vem de agora: o próprio AZT, a Zidovudina, o primeiro antirretroviral usado no tratamento de HIV/aids, foi inicialmente desenvolvido para tratar câncer, mas acabou nunca indo para o mercado para essa finalidade, conforme lembra uma matéria publicada pelo The New Yorker.

Foi em 1987 que a Food and Drug Administration americana aprovou o AZT para uso em pacientes com HIV, depois que seu estudo inicial já mostrava alguma habilidade da droga em controlar o vírus. Esse estudo começou como um “duplo cego”, em que um grupo de pacientes toma o medicamento verdadeiro e outro toma placebo, sem que eles saibam quem é que está tomando o quê.

Então, os benefícios que começaram a ser observados em quem estava tomando o AZT foram tão evidentes que pareceu injusto aguardar o término do estudo para que os pacientes sob placebo pudessem usufruir do medicamento e, também, o restante das pessoas diagnosticadas com HIV. Não havia tempo a perder: naquela época, quase todos os que eram diagnosticados positivo para o HIV estavam muito doentes ou morrendo. O desespero era enorme! Para salvar a própria vida, muita gente estava disposta a assumir o risco de tomar um medicamento promissor, mas que ainda não tinha completado formalmente todos os estudos habitualmente necessários e os rituais de aprovação e regulação pelas autoridades — você já assistiu Clube de Compras Dallas (2013)?

É verdade que, naquela época do começo da epidemia, qualquer semelhança entre o câncer e o HIV estava mais para um coincidência casual do que um resultado de uma observação meticulosa. O próprio apelido de “câncer gay”, que a aids recebeu antes de ser batizada de aids, em nada tem relação com a semelhança celular observada nos dias de hoje. Esse apelido nasceu por ignorância sobre a doença e por preconceito contra os homossexuais, junto com o fato do diagnóstico ser feito sem o teste de HIV, que ainda nem existia, mas com o aparecimento doenças oportunistas, incluindo cânceres típicos de sistemas imunológicos abalados.

Uma célula cancerígena.

Hoje sabemos que as células infectadas pelo HIV e pelo câncer compartilham um mesmo truque mortal: ambas conseguem se “des-diferenciar” quando estão sob ataque, seja por medicamentos ou pelo sistema imunológico. Ambas são capazes de retroceder para um estágio anterior de evolução celular, onde são invisíveis ao sistema imunológico.

No caso do HIV, as células imunes infectadas que produzem ativamente cópias de vírus se esgotam e morrem. Mas não todas. Uma parte delas retorna a um estado dormente, prontas para entrar em ação se a pressão da terapia antirretroviral for aliviada. Estas células dormentes, ou latentes, é que formam o famoso “reservatório de HIV”. O obstáculo atual da cura do HIV é exatamente este: a identificação e destruição destes reservatórios para uma cura completa ou, pelo menos, sua redução e contenção para uma remissão de longo prazo, conforme lembra uma matéria publicada recentemente pelo Aidsmap.

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Melhorando o efeito dos antirretrovirais com a vacina Tat


prnewswire

Um estudo clínico de fase II realizado na África do Sul confirmou que a vacina terapêutica Tat contra o HIV/aids pode efetivamente melhorar a resposta aos medicamentos antirretrovirais em soropositivos. Os resultados foram publicados no jornal Retrovirology. A vacina foi desenvolvida no Istituto Superiore di Sanità (ISS) pelo National Aids Center (NAC) (NAC), sob a direção da Dra. Barbara Ensoli.

O estudo, realizado no MeCRU, a unidade de pesquisa clínica da Universidade Makgatho Sefako, inscreveu 200 participantes em tratamento antirretroviral com níveis indetectáveis de HIV no sangue. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos “cegos” para receber três injeções intradérmicas de 30μg da vacina ou placebo, com um mês de intervalo. Após 48 semanas da vacinação, os grupos foram revelados: os participantes vacinados apresentaram aumento significativo de células T CD4 em relação ao grupo que tomou placebo. O ganho de células T CD4 foi particularmente significativo nos participantes com poucas células T CD4 no início do estudo.

A vacina atua induzindo anticorpos protetores, capazes de neutralizar a proteína Tat do HIV de diferentes subtipos virais, incluindo os subtipos A, B e C que circula na Ásia, Europa, América e África. A vacina Tat promete melhorar a eficácia dos tratamentos atuais contra o HIV e a expectativa de vida das pessoas que vivem com HIV em todo o mundo.

As células T CD4 são peças fundamentais na resposta imunitária contra os agentes patogênicos, mas são progressivamente perdidas durante a infecção pelo HIV, uma condição que conduz à aids. Embora o tratamento antirretroviral seja muito eficaz em suprimir a replicação do vírus, as células T CD4 podem permanecer baixas, particularmente em pessoas que iniciam o tratamento tarde, como ainda ocorre em ambos os países desenvolvidos e em desenvolvimento.

estrutura do HIV
Uma ilustração da estrutura do HIV, com proteínas identificadas. Crédito: David S. Goodsell, RCSB APO.

A Dra. Ensoli, inventora da vacina, explica que “A vacina foi desenvolvida para alvejar a proteína Tat do HIV, que é produzida logo no começo da infecção. A Tat desempenha um papel chave na replicação viral e na progressão da doença por enfraquecimento do sistema imunológico. Através da concepção de uma vacina que inclui uma pequena quantidade da proteína Tat, fomos capazes de induzir uma resposta imune capaz de melhorar os efeitos dos medicamentos anti-HIV.”

Este estudo confirma os resultados de um estudo anterior de fase II com a vacina Tat, realizado na Itália, com 155 pacientes tratados com antirretrovirais, o qual mostrou a indução de anticorpos contra a Tat e a recuperação de células T CD4. Após três anos da vacinação, o estudo italiano também mostrou uma diminuição significativa do “reservatório do vírus” no sangue, uma porção de vírus “silenciosos”, invisíveis aos antirretrovirais e responsáveis pela restauração da quantidade de vírus após uma eventual interrupção da terapia antirretroviral ou em decorrência de baixa “adesão” ao tratamento. Um estudo de seguimento está em curso também na África do Sul, para confirmar a redução do reservatório de HIV observado no estudo italiano.

O estudo na África do Sul é parte de um grande programa de cooperação com o Departamento Sul-Africano de Saúde e do Conselho de Pesquisa Médica na luta contra o HIV/aids, assinado pelos governos da Itália e África do Sul, e dirigido pela Dra. Ensoli (principal pesquisadora) e pelo Dr. P. Monini (chefe de operações na África do Sul), em estreita colaboração com os homólogos sul-africanos. O programa foi financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano e foi auditado com recomendações para sustentabilidade futura dos resultados de acordo com Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).

O Prof. Gualtiero Ricciardi, novo presidente ISS, sublinha que “o Programa representa um exemplo de excelência, que tem combinado efetivamente a pesquisa clínica translacional com a saúde pública, e promoveu a inovação e o desenvolvimento internacional”. Os homólogos italianos e sul-Africano estão agora defendendo seguir para estudos de fase III, em direção ao registro da vacina com o apoio financeiro de órgãos internacionais.

 

Istituto Superiore di Sanità

O Istituto Superiore di Sanità (ISS) é uma instituição pública italiana que, como principal corpo técnico e científico do Servizio Sanitario Nazionale, realiza pesquisas, estudos, controles, aconselhamento, documentação e formação para a saúde pública. O ISS está sob a supervisão do Ministero della Salute. Três vencedores do prêmio Nobel conduziram suas pesquisas dentro do ISS: Daniel Bovet, Ernst Boris Chain e Rita Levi-Montalcini. Hoje, o ISS reúne um corpo de aproximadamente 2.000 cientistas, técnicos e pessoal de escritório, no centro de pesquisa e no hospital da área biomédica de Roma.

 

National Aids Center

O National Aids Center (NAC) foi estabelecido no ISS em 2005. Sua missão é lutar contra o HIV/aids e doenças associadas através do desenvolvimento de vacinas e abordagens terapêuticas inovadoras, com base em estudos sobre a patogênese do HIV e sua progressão. O NAC realiza programas de pesquisa translacional e fundamental para estudos clínicos, além de coordenar vários programas de pesquisa nacionais e internacionais. Seu know-how científico e tecnológico, sua liderança em redes nacionais e internacionais e suas múltiplas cooperações com os países em desenvolvimento e agências humanitárias, faz com que o NAC seja uma referência nacional e internacional na luta contra o HIV/aids.

Em 8 de junho de 2016 pelo Istituto Superiore di Sanita para o PR Newswire.

Bactérias e vírus no intestino ligados à gravidade da infecção pelo HIV


MNT

O advento da terapia antirretroviral — uma combinação de medicamentos utilizados para retardar a progressão do HIV — permitiu muitas pessoas infectadas com o vírus a viver vidas longas e produtivas. Mas a terapia não os cura e mesmo aqueles que tomam esses medicamentos ainda têm um risco maior de doença cardiovascular, câncer, doença renal e hepática, entre outros distúrbios observados em pacientes com HIV.

A infecção pelo HIV também pode levar à doenças que afetam os intestinos, como o aumento da inflamação gastrointestinal, diarreia e problemas com a absorção de nutrientes. O papel dos micróbios do intestino nessas questões ainda não é completamente compreendido, mas, agora, em dois estudos conduzidos por pesquisadores da Washington University School of Medicine, em St. Louis, os cientistas identificaram bactérias e vírus intestinais como possíveis fontes de inflamação e doenças.

A identificação dessa origem pode abrir a porta para as estratégias que limitem os danos no trato gastrointestinal, reduzam a inflamação e problemas afins, que afetam os pacientes com HIV. Os dois estudos — um em pessoas e outro em primatas — foram publicados na revista Cell Host & Microbe.

“Danos no microbioma viral e bacteriano do intestino permitem que bactérias e vírus vazem para os tecidos e sangue circundantes, contribuindo para a inflamação.”

“As pessoas com infecção pelo HIV avançada têm doença intestinal e inflamação sistêmica significativas, que podem causar danos progressivos na imunidade e acelerar a progressão da infecção pelo HIV até a aids”, disse o pesquisador sênior, Dr. Herbert W. Virgin IV, PhD. “Acreditamos que danos no microbioma viral e bacteriano do intestino permitem que bactérias e vírus vazem para os tecidos e sangue circundantes, contribuindo para a inflamação.” Acredita-se que a inflamação desempenhe um papel numa variedade de desordens, incluindo doenças cardiovasculares, lipídeos sanguíneos anormais, diabetes e outras anormalidades relacionadas com a insulina.

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Um dos estudos monitorou primatas infectados, enquanto o outro acompanhou pessoas soropositivas em Uganda, na África. Ambos mostraram que as alterações na composição bacteriana e viral do trato gastrointestinal estavam ligadas à imunodeficiência grave devido à progressão do HIV em pacientes humanos e ao SIV (vírus da imunodeficiência símia) em primatas. Os pesquisadores estudaram 36 macacos rhesus, alguns dos quais foram infectados com SIV. Eles também seguiram 82 pessoas infectadas pelo HIV em Uganda, 40 das quais tomavam a terapia antirretroviral e 42 não a tomavam.

Nas pessoas e nos primatas, a aids resultante da imunodeficiência se mostrou ligada à uma quantidade maior de vírus no intestino, em comparação com o número de vírus do intestino em pessoas e primatas que tinham resposta imune normal. Aqueles com sistemas imunológicos severamente enfraquecidos também tinham mais patógenos e mais bactérias no intestino. No estudo do SIV em macacos, os pesquisadores descobriram que a vacinação contra o SIV impediu o desenvolvimento dessas anormalidades.

A gravidade da imunodeficiência é determinada em humanos medindo as contagens de células do sistema imunológico, as chamadas células CD4. Uma contagem de 200 ou menor significa que o sistema imunológico da pessoa está deficiente. A infecção pelo HIV, por si só, na ausência de imunodeficiência, teve um efeito mínimo sobre o número de agentes patogênicos virais e bacterianos no intestino.

“Identificamos bactérias potencialmente causadoras de doenças no intestino que só aparecem em pessoas e animais gravemente imunocomprometidos.”

Virgin, professor e chefe do Departamento de Patologia e Imunologia, disse que controlar a proliferação de vírus e bactérias no intestino pode reduzir os danos no trato gastrointestinal e, como resultado, controlar os problemas que afetam pacientes com infecção crônica pelo HIV. “Nestes estudos, nós aprendemos mais sobre quais vírus emergem e quando eles surgem após a infecção por SIV e HIV”, disse Scott Handley, PhD, professor assistente de patologia e imunologia e o primeiro autor do estudo sobre as infecções em primatas. “Nós também identificamos bactérias potencialmente causadoras de doenças no intestino que só aparecem em pessoas e animais gravemente imunocomprometidos.”

Enterobacteriaceae e adenovírus.
Enterobacteriaceae e adenovírus.

Concretamente, os pesquisadores descobriram que a aids e a imunodeficiência resultante estão associados com a expansão de adenovírus e da bactéria Enterobacteriaceae. Ambos são enteropatógenos, o que significa que têm o potencial de causar a doenças.

“Pode ser possível, através do tratamento de pacientes com probióticos, ajudar a restaurar a saúde intestinal e a prevenir o dano das células do intestino.”

“Eventualmente, pode ser possível, talvez através do tratamento de pacientes com uma mistura especializada de probióticos, ajudar a restaurar a saúde intestinal e a prevenir o dano das células do intestino, que contribui para a inflamação e evita que a infecção pelo HIV se torne aids”, disse o coinvestigador do estudo, Guoyan Zhao, PhD e professor assistente de patologia e imunologia.

“Há múltiplos e novos vírus nos ecossistemas intestinais daqueles com SIV e com infecção pelo HIV”, acrescentou Virgin. “Alguns desses vírus, particularmente os adenovírus, podem danificar as células intestinais e também ter a capacidade de agir como vetores para a aplicação de vacina. Alguns dos nossos colaboradores estão pesquisado essa estratégia e estão trabalhando para desenvolver uma vacina.”

Em 10 de março de 2016 por Medical News Today

Sangamo divulga dados de dois estudos de terapia genética


Sangamo

A Sangamo BioSciences Inc., líder em edição terapêutica de genoma, anunciou a divulgação dos dados da Fase 2 de dois estudos clínicos da companhia que estão curso, (coorte 3* SB-728-1101 e SB-728-MR-1401) de SB-728-T, que estão sendo desenvolvidos para o controle funcional do HIV/aids. Os dados comparativos preliminares sugerem que a aplicação adenoviral de nucleases de dedo de zinco (ZFNs) em células T pode ter efeito imuno-estimulador único, para o controle da infecção aguda e, mais importante, para a redução do reservatório de HIV.

“Os dados preliminares da Fase 2 sugerem superioridade do produto SB-728-T, o qual foi aplicado às células CD4 e CD8 através de adenovírus, administrado em dois dos três indivíduos tratados inicialmente e fora de terapia antirretroviral há mais de um ano”, afirmou o Dr. Dale Ando, vice-presidente de desenvolvimento terapêutico e diretor médico oficial da Sangamo. “O adenovírus utilizado para entregar os ZFNs de modificação de CCR5 em células-T pode atuar como um ‘adjuvante’, proporcionando estimulação imunológica adicional, além do pré-condicionamento oferecido pelo medicamento Cytoxan (ciclofosfamida), e aumentando a expansão das células CD8, uma vez que são infundidas de volta para o indivíduo. Esta expansão pode aumentar a probabilidade de controle da carga viral, mesmo na ausência da terapia antirretroviral, particularmente em indivíduos infectados pelo HIV que apresentam apenas um repertório limitado de atividade anti-HIV.”

“A proporção de indivíduos tratados que estabeleceram controle da carga viral é impressionante e pode refletir a reprogramação do sistema imunológico.”

“A proporção de indivíduos tratados na coorte 3* com adenovírus modificado que responderam e estabeleceram controle da carga viral mesmo na ausência de terapia antirretroviral é muito impressionante e pode refletir a reprogramação do sistema imunológico”, afirmou o codiretor Pierre Rafick Sekaly, Ph.D.,da CHAR Proteomic e Systems Biology Core do Departamento de Patologia da Case Western Reserve University. “Estes dados sugerem que a Sangamo desenvolveu um produto que pode potencialmente proteger o sistema imunológico, restaurando a homeostase das células T e a função das células T CD4, permitindo assim o controle imunológico durável do HIV pelas células T CD8.”

“A infusão de CCR5 modificado levou à restauração da homeostase de células T, reduzindo o reservatório de HIV ao longo do tempo.”

“A observação do controle funcional em alguns indivíduos da coorte 3* complementa a observação da redução significativa do reservatório de HIV na coorte de não-respondedores imunológicos (estudo SB-728-0902). Neste estudo, a infusão de CCR5 modificado em células T levou à restauração da homeostase de células T e a um subconjunto de células T de memória estaminais resistentes ao HIV, que foram efetivamente diluídas, reduzindo o reservatório de HIV ao longo do tempo”, comentou adiante o Dr. Sekaly.

Os dados demonstram que o SB-728-T produzido usando o RNA mensageiro (mRNA) e a entrega adenoviral de ZFNs para modificar o CCR5 das células T CD4 e CD8 foi seguro e bem tolerado, seguindo um regime Cytoxan. O produto que usa mRNA apresentou maior acumulação de células T CD4, CD8 e de células com CCR5 modificado, em três doses comparadas com 2 doses repetidas, com células modificadas persistindo na circulação. No entanto, os dados preliminares sugerem que a entrega adenoviral pode aumentar a expansão de células CD8 em comparação com a entrega do mRNA. Além disso, uma proporção mais elevada de indivíduos infectados com HIV tratados com o SB-728-T adenoviral alcançaram o controle durável da carga viral durante a interrupção de tratamento antirretroviral, do que aqueles tratados com um produto gerado utilizando entrega de mRNA ou a entrega adenoviral apenas de células CD4. Ambos os métodos de entrega alcançaram níveis semelhantes de CCR5 modificado em células T.

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Os dados preliminares destes dois estudos de Fase 2 foram apresentados pelo Dr. Ando no 7º Workshop Internacional sobre Persistência do HIV Durante a Terapia, considerada a oficina de referência sobre reservatórios de HIV e estratégias de erradicação, que aconteceu em Miami, Flórida, entre 8 a 11 de dezembro de 2015. As análises que exploram o potencial do mecanismo de ação do SB-728-T na redução do reservatório de HIV em pacientes soropositivos não-respondedores imunológicos foram resumidas em uma apresentação feita pelo Dr. Sekaly, intitulada “A Resposta Antiinflamatória e a Cura do HIV”.

Estudos anteriores da Sangamo sobre o ZFP Therapeutic®, produzido usando a entrega adenoviral de ZFNs, utilizaram um produto de SB-728-T retirado de células CD8 e aplicado em células T CD4. Relatórios publicados anteriormente sugeriam que os indivíduos que controlam naturalmente a infecção pelo HIV, os chamados “controladores de elite”, ativam suas células CD8 com baixa expressão de CCR5. Por esta razão, o SB-728-T, avaliado em ambos os estudos descritos nesta apresentação, foi fabricado de forma a conter ambas células T CD4 e CD8 modificadas com ZFNs.

Os estudos compararam dois grupos de pacientes que receberam um tratamento de pré-condicionamento com Cytoxan e doses semelhantes de CD4 e células T CD8 modificadas através de ZFNs para interromper a expressão de CCR5, um co-receptor essencial para a entrada do HIV. Um grupo de indivíduos (coorte 3* SB-728-1101) recebeu uma única dose de células que foram modificadas utilizando ZFNs entregues numa formulação adenoviral, enquanto o segundo grupo (SB-728-MR-1401, n=8) recebeu uma dose equivalente total de células modificadas, distribuídas por dois ou três tratamentos, que tinham sido fabricadas utilizando eletroporação de ZFNs entregue com mRNA. Na coorte 3* foram tratadas quatro pessoas (de um total previsto de oito indivíduos) e três indivíduos completaram o protocolo de 16 semanas com interrupção de tratamento. Ambos os métodos geraram níveis semelhantes de CCR5 em decorrência de ZFNs e ambos os tratamentos se mostraram seguros e bem tolerados. O Cytoxan é um medicamento que é utilizado para reduzir transitoriamente o número de células T no corpo, as quais, em seguida à suspensão do uso do fármaco, repovoam rapidamente — e é neste ambiente de “crescimento” que o SB-728-T é infundido.

“A aplicação adenoviral de ZFNs em células T pode ter efeito imuno-estimulador único para o controle da infecção aguda e para a redução do reservatório de HIV.”

“Já demonstramos anteriormente que a entrega de ZFNs para ambas as células T e células estaminais hematopoiéticas usando mRNA e eletroporação resulta em altos níveis de edição de genoma em escala clínica e continuamos a usar esse método para todos as outras aplicações ex vivo”, afirmou Geoff Nichol, vice-presidente executivo de pesquisa e desenvolvimento da Sangamo. “A aplicação adenoviral de ZFNs em células T pode ter efeito imuno-estimulador único para o controle da infecção aguda e, baseado em estudos anteriores, para a redução do reservatório de HIV. Estamos ansiosos para receber dados adicionais de mais cinco indivíduos da coorte 3* em 2016.”

Resumo dos estudos clínicos

Sobre a coorte 3* do SB-728-1101: O SB-728-1101 é um estudo aberto e multicêntrico, projetado principalmente para avaliar a segurança e tolerabilidade do SB-728-T administrado após pré-condicionamento com ciclofosfamida (Cytoxan), sobre o enxerto, carga viral e contagem total de células T no sangue periférico. Os indivíduos da coorte 3* do estudo foram tratados com uma preparação de um máximo de 40 bilhões de células T CD4 e CD8 modificadas com ZFNs. O estudo utiliza um vetor adenoviral para aplicar os ZFNs em células T isoladas. Quatro semanas após a última infusão de SB-728-T, os indivíduos com contagens de CD4 ≥ 500 células/mm³ são submetidos a 16 semanas de interrupção de tratamento antirretroviral. A terapia antirretroviral é reiniciada em indivíduos cuja contagem de células T CD4 cair e/ou naqueles em que a quantidade de RNA do HIV aumenta para certos níveis pré-definidos. Ao final da interrupção de tratamento, indivíduos com uma carga viral detectável sustentada ou diminuição do número de células T CD4 são restabelecidos ao tratamento antirretroviral. Foram selecionados até oito indivíduos para participar do estudo.

Sobre o SB-728-mR-1401: O SB-728-mR-1401 é um estudo aberto e multicêntrico projetado principalmente para avaliar a segurança, tolerabilidade e os efeitos de doses repetidas de SB-728-T, contendo ambas as células CD4 e CD8 após administração de ciclofosfamida para pré-condicionamento, sobre o enxerto, carga viral e contagem total de CD4 e CD8 no sangue periférico. O estudo usou um novo processo de fabricação, usando eletroporação de mRNA que codifica as ZFNs, em vez de um vetor adenoviral, para entregar os ZFNs em células T isoladas. Este processo permite a repetição da administração do produto. Até oito indivíduos foram inscritos em dois grupos. Cada indivíduo recebeu um total de até 40 bilhões de células T modificadas com ZFNs. O primeiro grupo recebeu esta dose em duas infusões de doses iguais de SB-728mR-T, com 14 dias de intervalo após a administração de 1g de ciclofosfamida para pré-condicionamento, e dois dias antes da primeira infusão de SB-728mR-T. O segundo grupo recebeu três infusões de doses iguais de células. Acredita-se que dividir a dose total de células e a administrar sequencialmente dessa maneira pode maximizar o enxerto total de células. Quatro semanas após a última perfusão de SB-728-MR, os indivíduos com contagens de CD4 ≥ 500 células/mm³ foram submetidos a 16 semanas de interrupção de tratamento antirretroviral. A terapia antirretroviral é reiniciada em indivíduos cuja contagem de células T CD4 cair e/ou naqueles em que a quantidade de RNA do HIV aumenta para certos níveis pré-definidos. Ao final da interrupção de tratamento, indivíduos com uma carga viral detectável sustentada ou diminuição do número de células T CD4 são restabelecidos ao tratamento antirretroviral.

Sobre o SB-728-T: O SB-728-T é um medicamento da Sangamo, gerado pela modificação de gene mediada por ZFNs, que codificam o receptor de CCR5 nas próprias células-T de um paciente. A modificação de ZFNs interrompe a expressão do referido co-receptor, essencial para a entrada do HIV, tornando, assim, as células resistentes à infecção pelo HIV. A abordagem baseia-se na observação de que uma mutação de ocorrência natural no gene CCR5, chamada CCR5 delta-32, fornece proteção contra a infecção pelo HIV. Indivíduos nos quais ambas as cópias do gene CCR5 transportam a mutação delta-32 não são, geralmente, susceptíveis a mais comum a cepa de HIV.

Sobre a Sangamo: A Sangamo BioSciences Inc. está focada em Engineering Genetic CuresTM, que é a engenharia genética para a cura de doenças infecciosas monogênicas, implementando o uso de sua proteína de ligação de DNA no genoma, para edição terapêutica e regulação gênica. A companhia possui um programa clínico de Fase 2 para avaliar a segurança e eficácia do ZFP Therapeutics® para o tratamento de HIV/aids (SB-728). Outros programas terapêuticos da Sangamo estão focados em doenças monogênicas e raras. A empresa formou uma parceria estratégica com a Biogen Inc. para hemoglobinopatias, como anemia falciforme e talassemia beta, e com a Shire International GmbH para desenvolver terapias para a doença de Huntington. Também estabeleceu parcerias estratégicas com empresas para aplicações não terapêuticas de sua tecnologia, incluindo a Dow AgroSciences e Sigma-Aldrich Corporation.

Em 11 de dezembro de 2015 pela assessoria de imprensa da Sangamo. Este comunicado de imprensa pode conter declarações prospectivas baseadas nas atuais expectativas da Sangamo. Essas declarações prospectivas incluem, sem limitação, as referências relacionadas com a pesquisa e desenvolvimento de novas aplicações terapêuticas de tecnologias da Sangamo para o tratamento de HIV/aids, incluindo uma cura funcional potencial para HIV/aids. Os resultados reais podem diferir materialmente destas declarações prospectivas devido a uma série de fatores, incluindo incertezas relativas ao início e à conclusão dos estágios dos estudos clínicos, os quais irão validar e apoiar a tolerabilidade e eficácia destes medicamentos, os desafios tecnológicos e a capacidade da Sangamo para desenvolver produtos comercialmente viáveis. A Sangamo não assume qualquer obrigação de atualizar as informações prospectivas contidas neste comunicado de imprensa.

Pesquisa da cura e patogênese


Tirando o Atraso com a Pesquisa da Cura e Patogênese na CROI 2014

Por Richard Jefferys do Treatment Action Group

Além dos estudos mencionados em posts anteriores (um possível segundo caso de cura pediátrica, a terapia genética da Sangamo e as limitações dos agentes de reversão de latência), a CROI 2014 contou com uma miscelânea de apresentações relacionadas à patogênese e pesquisa da cura. Webcasts de todas as sessões da conferência estão on-line, e muitos documentos já estão disponíveis em formato PDF. Breves resumos de alguns estudos notáveis ​​são anexados abaixo, com links para webcasts e documentos, sempre que possível. Resumos dos documentos que não estão disponíveis em formato PDF podem ser encontrados no livro da conferência.

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