Um grupo de pesquisadores utilizou, pela primeira vez, infusões de anticorpos para produzir uma supressão prolongada da carga viral do HIV sem terapia antirretroviral.

No pequeno estudo, nove de um total de onze pessoas com HIV que receberam três infusões de dois anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs), foram capazes de interromper sua terapia antirretroviral por uma média de cinco meses. No final do estudo, duas dessas pessoas ainda estavam fora do tratamento e mantendo a indetectabilidade viral (uma delas com alguns blips) mais de sete meses após a última infusão de anticorpos. Os outros sete mantiveram cargas virais indetectáveis ​​por períodos entre 10 e 21 semanas (média de 14 semanas) e permaneceram fora dos antirretrovirais por uma média de 16 semanas.

Duas pessoas, no entanto, tinham cargas virais que reapareceram rapidamente após a última infusão de anticorpos e quase imediatamente reiniciaram os antirretrovirais. Descobriu-se que ambos tinham resistência preexistente a um dos dois anticorpos usados ​​e que isso não havia sido detectado quando eles foram originalmente selecionados para o estudo.

Em um segundo estudo, os mesmos anticorpos foram administrados em sete pessoas que ainda não estavam tomando o tratamento para o HIV. Quatro destes sete responderam, dois a apenas uma dose dos anticorpos. Suas cargas virais reduziram em média 2,2 logs (uma redução de cerca de 200 vezes) por uma média de cerca de três meses. Isto não foi suficiente para produzir indetectabilidade viral persistente em três das quatro pessoas, mas uma pessoa iniciou o estudo com a carga viral mais baixa (menos de 1000 cópias/ml) manteve uma carga viral inferior a 20 cópias/ml durante oito semanas.

Estes estudos são os mais bem sucedidos em uma série usando bNAbs como candidatos a drogas antirretrovirais. Os dois anticorpos escolhidos para estes estudos atuaram como inibidores de entrada, ligando-se e bloqueando diferentes partes da proteína gp120, que o HIV usa para se ligar às células.

Esses anticorpos se desenvolvem naturalmente em algumas pessoas com infecção crônica pelo HIV, mas o HIV desenvolve facilmente a resistência a eles individualmente e, até agora, os estudos que utilizam os anticorpos isoladamente não tiveram nenhum efeito. Os dois anticorpos estudados, chamados 3BNC117 e 10-1074, foram escolhidos por seus perfis de resistência superiores e persistência no corpo.

O resultado destes estudos é a primeira demonstração de que a terapia dupla de anticorpos pode funcionar como uma alternativa à terapia antirretroviral.

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logo-nature-methodsEstudo recebido em 21 de junho de 2014 | Aceito em 07 de fevereiro de 2015 | Publicado em 09 de março 2015 | corrigido em 11 de junho de 2015 | Erratum (setembro de 2015)
Resultados da tomografia de um macaco cronicamente infectado, antes e 5 semanas depois de iniciar a terapia antirretroviral.

A detecção da localização e da dinâmica virais no contexto da infecção pelo HIV controlado continua a ser um desafio, limitado a sangue e biópsias. Nós desenvolvemos um método para capturar a replicação viral do vírus da imunodeficiência símia (SIV) no corpo inteiro, usando o exame immunoPET (tomografia por emissão de pósitrons com alvo em anticorpos). A administração de politereftalato de etileno modificado e um anticorpo específico contra a Gp120 do SIV conduziu a sinais facilmente detectáveis ​​nos tratos gastrointestinais e respiratórios, tecidos linfóides e órgãos reprodutivos dos macacos virêmicos.

Os sinais virais foram menores em macacos tratados com antirretrovirais — avirêmicos — mas detectáveis no cólon, linfonodos seletos, intestino delgado, conchas nasais, trato genital e pulmão. Em controladores de elite, o vírus foi detectado principalmente em focos no intestino delgado, aglumas áreas linfóides e do trato reprodutor masculino, tal como confirmado pelos exames de transcrição reversa quantitativa PCR (qRT-PCR) e histoquímica imune. Este método em tempo real e in vivo de imagem viral tem amplas aplicações para o estudo da patogenia do vírus da imunodeficiência, no desenvolvimento medicamentos de vacinas e potencialmente para e pesquisa médica translacional.

Autores: Philip J Santangelo, Kenneth A Rogers, Chiara Zurla, Emmeline L Blanchard, Sanjeev Gumber, Karen Strait, Fawn Connor-Stroud, David M Schuster, Praveen K Amancha, Jung Joo Hong, Siddappa N Byrareddy, James A Hoxie, Brani Vidakovic, Aftab A Ansari, Eric Hunter & Francois Villinger