Sabemos que o HIV se esconde e se espalha pelo sistema nervoso central. A barreira hematoencefálica, uma membrana que protege o cérebro de substâncias potencialmente neurotóxicas, consegue impedir a entrada de muitos químicos, drogas, bactérias, vírus e de 98% dos medicamentos que estão na corrente sanguínea, mas não é capaz de reter o HIV. O vírus da aids dá um jeito de entrar no compartimento do cérebro logo no começo infecção, geralmente, em algum momento dentro das duas primeiras semanas.

“Com o passar do tempo, as pessoas desenvolvem um vírus em seu cérebro que é diferente do que no resto do corpo.”

Foi isso o que explicou a Dra. Joanna Hellmuth, médica neurologista da Universidade da Califórnia em São Francisco, num evento bimensal organizado pela San Francisco Aids Foundation.  Imagina-se que o vírus consiga atravessar essa barreira protetora do cérebro infectando os monócitos, um tipo de célula do sistema imunológico. Uma vez dentro do tecido cerebral, o HIV não afeta as células nervosas, os neurônios, mas infecta e usa outros tipos de células no cérebro, como astrócitos e outras células do sistema imune, usando-as para se replicar. Uma vez que o HIV estabelece sua infecção no cérebro, o vírus se replica e muta separadamente do vírus que está na corrente sanguínea. “Com o passar do tempo, as pessoas desenvolvem um vírus no cérebro que é diferente do que está no resto do corpo. Se genotiparmos o vírus no cérebro e o vírus no sangue, muitas vezes é bastante diferente”, explicou a médica.

Mas e os antirretrovirais? A Dra. Joanna conta que, quando atende pessoas vivendo com HIV que reclamam de problemas cognitivos, uma coisa que ela tenta determinar é se o vírus está se replicando no cérebro. “Pode parecer estranho, mas a maioria das pessoas que atendo estão em tratamento antirretroviral. E, se você estiver sob antirretrovirais, você terá sua carga viral suprimida muito rapidamente. Mas há um fenômeno chamado de escape para o sistema nervoso central, onde você pode ter vírus replicantes em seu cérebro, mas não no seu sangue”, explica a doutora. Para verificar o escape para o sistema nervoso central, ela executa um procedimento de extração de uma amostra de líquido cefalorraquidiano e aplica neste líquido o fomoso teste de carga viral.

“Tudo o que podemos fazer é mudar seu regime antirretroviral.”

Uma das coisas que Joanna descobriu é que, dentre seus pacientes testados, cerca de 10% daqueles que têm o vírus controlado no sangue têm um baixo nível de replicação do vírus no cérebro. “Tudo o que podemos fazer é mudar seu regime antirretroviral”, disse ela. Supõe-se — e é importante frisar o termo supor — que este vírus presente no cérebro de soropositivos seja responsável por sintomas cognitivos em algumas pessoas.

Cerca de metade das pessoas com infecção aguda apresentam sinais de alguns problemas neurológicos. Cerca de um terço relatam problemas cognitivos: a sensação de que a concentração foi “desligada” ou de que há demora para lembrar das coisas. Cerca de um quarto das pessoas tem os movimentos desacelerados. E cerca de um quinto apresentam neuropatia: uma dor nos nervos ou formigamento. A maioria destes problemas neurocognitivos se resolve após os primeiros seis meses do início da terapia antirretroviral, entretanto, segundo a doutora, “muitos pacientes que têm suas cargas virais suprimidas há 10 ou 20 anos estão começando a ter problemas cognitivos”.

Os problemas neurocognitivos associados ao HIV são diferentes das alterações neurocognitivas observadas no envelhecimento normal. No envelhecimento normal, as pessoas podem notar que têm mais dificuldade em fazer diversas tarefas ao mesmo tempo ou recuperar informações — como, por exemplo, lembrar o nome daquele ator, de cabelos grisalhos, olhos castanhos, que fez aquele filme… sabe? Dá nos nervos não lembrar do nome de alguém! Mas será que isso é mesmo específico de quem tem HIV?

“Com o HIV, há um padrão diferente”, explica Joanna. “Parte da mudança pode estar na cognição — como seu cérebro funciona em termos de pensamento e memória. Nós vemos mudanças em como as pessoas conseguem se concentrar. Observamos também mais desaceleração cognitiva do que vemos no envelhecimento normal: as pessoas não são tão rápidas nas tarefas quanto antes. Outras pessoas também experimentam mudanças comportamentais: podem sentir-se mais irritáveis ​​do que costumavam ser, ou podem ficar mais agitadas. Observamos também sintomas motores, como movimentos mais lentos.”

De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores canadenses, publicado no Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes e no Aidsmap, quatro fatores estão associados ao declínio neurocognitivo em pessoas vivendo com HIV. Segundo os autores, o fator de risco mais grave é a função renal prejudicada, indicada por uma taxa de filtragem glomerular inferior a 50 ml/min. Tempo de infecção superior à 15 anos, baixa escolaridade e presença de proteínas no fluído cerebrospinal acima de 45 mg/dl são outros fatores de risco. Neste estudo, as pessoas com os quatro fatores de risco apresentaram um risco de 95% de declínio neurocognitivo em três anos, em comparação com um risco de 2% para pessoas sem estes fatores de risco.

Este estudo reuniu 191 adultos soropositivos na Universidade McGill, no Canadá, e os monitorou ao longo de três anos. No começo do estudo, os participantes tinham uma idade média de 45 anos, 74% eram do sexo masculino e 52% eram não-caucasianos. A contagem média média de células CD4 foi de 514 células/mm³. 94% dos participantes estavam tomando terapia antirretroviral.

“A função renal reduzida tem sido associada a um menor fluxo sanguíneo cerebral”

Os pesquisadores sugerem que a função renal prejudicada pode ser um indicativo de doença vascular no rim e no cérebro. Eles lembram que, “em indivíduos sem HIV, a função renal reduzida tem sido associada a um menor fluxo sanguíneo cerebral, declínio cognitivo, maior risco de AVC recorrente e de pequenos infartos do cérebro, ambos possíveis fatores de risco para o declínio cognitivo”. No entanto, eles enfatizam que é preciso mais pesquisas para entender a relação entre o declínio da função renal e as alterações neurocognitivas. Os pesquisadores também ponderam que as pessoas que têm HIV há mais tempo certamente estiveram por algum período sem tratamento eficaz contra o HIV.

Um outro estudo, europeu, também publicado no Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes e no Aidsmap, afirma que uma em cada cinco pessoas que vivem com HIV relatam algum declínio no funcionamento cotidiano como resultado de problemas cognitivos, como perda de memória, dificuldades em resolver problemas, baixa concentração ou redução da capacidade de atenção. Entretanto, os pesquisadores, do grupo de estudo CIPHER, observam que as pessoas que relataram esses problemas também eram mais propensas a ter condições comórbidas, estarem deprimidas ou ansiosas, desempregadas e a ter dificuldades para satisfazer suas necessidades básicas. Por isso, os autores acreditam que elas deveriam ser avaliadas também por esses problemas, antes de concluir qual a razão da redução em sua função cognitiva.

“A associações que observamos podem ter múltiplas explicações e a causalidade pode estar em qualquer direção”

“Todas as associações que observamos podem ter múltiplas explicações e a causalidade pode estar em qualquer direção”, comentam os cientistas. “Pacientes que relatam sintomas de comprometimento cognitivo ou diminuição da cognição no dia-a-dia, devem ser avaliados quanto à depressão, ansiedade, condições médicas concomitantes e dificuldades financeiras. A incapacidade de reconhecer esses elementos importantes das experiências vividas pelos pacientes pode acarretar em atraso de diagnóstico, falta de atendimento de necessidades importantes, pesquisas desnecessárias e aumento de ansiedade.”

As pesquisas que detectam uma alta prevalência de comprometimento cognitivo em pessoas com HIV nem sempre são claras em dizer que estes comprometimentos costumam ser pequenos, sem grande impacto no dia-a-dia. Em outras palavras, apesar de ser comum haver algum impacto, ele é baixo. O teste padrão usado para diagnosticar a progressão de um comprometimento neurocognitivo de assintomático para leve consiste em ​​uma avaliação das dificuldades auto-relatadas dentre as atividades da vida diária de uma pessoa. O teste inclui uma avaliação de 16 atividades separadas e a progressão é definida como declínio em duas ou mais atividades, consideradas pelo indivíduo como dificuldades cognitivas. Isso quer dizer que, neste teste, aqueles que reclamam de declínio cognitivo são avaliados partindo do pressuposto de que estão certos em sua presunção, de que há de fato um declínio cognitivo.

Por isso, o objetivo dos pesquisadores do estudo CIPHER era avaliar a validade deste teste, determinar os fatores associados à diminuição na qualidade das atividades do dia-a-dia e os sintomas de comprometimento cognitivo. 448 adultos, recrutados entre 2011 e 2013, completaram uma série de testes e questionários, onde eles auto-relataram dados sobre emprego, renda, escolaridade e uso de drogas. Os pesquisadores também coletaram dados clínicos dos pacientes. 87% dos participantes eram brancos, 84% eram do sexo masculino, com idade média de 46 anos. 89% estavam tomando terapia antirretroviral, 81% dos quais com carga viral indetectável. A mediana da contagem de células CD4 foi de 550 células/mm³ e a duração média da infecção do HIV foi de dez anos.

31% das pessoas declararam algum problema que impactou suas atividades diárias, dos quais 21% atribuíram a problemas cognitivos. As dificuldades mais comumente relatadas foram experimentadas em atividades sociais, trabalho, organização e atenção para ler ou assistir televisão. Os fatores associados pelos participantes como causas destas dificuldades incluíram dificuldade para satisfazer necessidades básicas, incapacidade de trabalhar, depressão, ansiedade e o impacto do diagnóstico do HIV por pelo menos cinco anos.

“A relação entre comprometimento cognitivo, baixo humor e declínio funcional é complexa e multidirecional”

“A relação entre comprometimento cognitivo, baixo humor e declínio funcional é multidirecional e complexa”, escrevem os pesquisadores. Segundo eles, os testes utilizados para avaliar o declínio nas atividades diárias e o comprometimento cognitivo não apresentam níveis de precisão que seriam aceitáveis ​​para fins de diagnóstico. Se eles estiverem certos, isso quer dizer que nem todos os verdadeiros casos de deficiência cognitiva são diagnosticados e que muitas pessoas podem ser incorretamente classificadas como tendo deficiência cognitiva, quando não a tem.

“As pessoas podem ter HIV e não ter nenhum desses sintomas”, disse a Dra. Joanna. “Mas você também pode ter cada uma dessas coisas, as quais acreditamos estar relacionadas ao HIV.” Ela lembra que todo mundo sofre lapsos de memória de vez em quando. Para descobrir se o HIV realmente pode estar causando problemas cognitivos, ela sugere a seus pacientes que reflitam se há um padrão nos problemas que estão enfrentando. “Seus sintomas têm piorado recentemente? Está tendo mais lapsos de memória do que costumava? Sua memória ou problemas cognitivos prejudicam sua capacidade de fazer as coisas?”

Mas me parece há uma outra pergunta, mais fundamental, que deveria vir antes: afinal, o HIV é biologicamente responsável pelo declínio neurocognitivo ou os fatores sociais e ambientais, eventualmente associados à condição de soropositivo, é que são? Em outras palavras, é culpa do vírus ou do estigma? Se as conclusões entre os médicos e cientistas nesse aspecto parecem um tanto imprecisas, é preciso lembrar, em defesa deles, que pouco sabemos sobre o cérebro e que nem sempre é fácil examiná-lo. (Um estudo que pode vir a esclarecer mais sobre a presença do HIV dentro do cérebro é o Last Gift, que vai examinar soropositivos que estão no fim de suas vidas, incluindo a autópsia de seus corpos dentro de 6 horas após a morte, para que as proteínas e ácidos nucleicos possam ser estudados.)

Ao meu ver, um ponto em comum, e interessante de se notar, entre as observações da Dra. Joanna e a conclusão do estudo canadense, está na associação do declínio neurocognitivo à redução da capacidade vascular. Enquanto os canadenses alertam para a relação da vascularidade dos rins com o cérebro como um possível preditor de declínio neurológico, a Dra. Joanna terminou sua palestra recomendando a prática de 150 minutos de esporte por semana (cinco dias por semana por 30 minutos de cada vez, fazendo o coração acelerar) e a socialização. “As pessoas que são ativas, fisicamente ativas e socialmente ativas, têm melhor cognição”, disse ela. Em resumo, a grande conclusão parece ser que, para prevenir o declínio neurocognitivo, precisamos nos exercitar e socializar. Dá nos nervos dar tantas voltas para terminar numa recomendação tão simples, não dá?

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Se houver um santo graal da perda de peso, seria um programa que permitisse que alguém perdesse gordura rapidamente, enquanto mantivesse ou até mesmo aumentasse a massa muscular. Melhor ainda se esse programa fosse fácil.

Um novo estudo descreve um regime de treino e dieta que realiza essas duas metas, e de maneira notavelmente bem. Porém, pode não ser tão fácil. Para a maioria de nós, perder peso e assim mantê-lo é difícil. Se você consumir menos calorias do que seu corpo necessita para as funções diárias, as fontes internas são transformadas em combustível. Essas fontes consistem em gordura corporal e massa magra, o que significa massa muscular. Quando alguém em uma dieta perde um quilo de massa corporal (uma medida que não inclui a água), muito do que este quilo consiste é de gordura. Mas cerca de um terço ou mais pode ser composto por músculo.

O problema com a perda muscular é que, ao contrário do tecido adiposo, o músculo queima calorias. Ter menos músculo significa ter uma taxa metabólica de repouso mais baixa e, assim, você queima naturalmente menos calorias ao longo do dia. Perder músculo também pode desencorajar a atividade física, que é importante para manter a perda de peso. Assim, pesquisadores têm ido à procura de programas de perda de peso que proporcionam grandes quantidade de perda de gordura, mas diminuem qualquer declínio muscular.

Para os cientistas da Universidade McMaster, em Ontário, no Canadá, esse objetivo parecia exigir uma alta dose de proteína e também abundância de exercícios. Como os cientistas sabiam, os aminoácidos da proteína ajudam a manter os músculos e fazê-los crescer. Muitos estudos anteriores sugeriram que dietas de baixa caloria, mas de alta quantidade proteína podem resultar em menos perda de massa muscular do que dietas com o mesmo número de calorias, mas menos proteína. No entanto, a dosagem ideal de proteína era incerta, assim como o papel dos exercícios físicos.

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Neste novo estudo, que foi publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, os pesquisadores da McMaster reuniram 40 homens jovens com sobrepeso que estavam dispostos a se comprometer em um programa de perda de peso intensivo e, então, dividiu-os em dois grupos. Todos os jovens começaram uma dieta em que suas calorias diárias foram reduzidas em cerca de 40% (em comparação com o que eles precisavam para manter o peso). Mas, para a metade deles, a dieta consistiu em cerca de 15% de proteína, 35% de gordura e 50% de carboidratos. Os outros 20 voluntários começaram uma dieta que imitava a do primeiro grupo, exceto pelo fato de que as proporções de proteína e gordura foram trocadas, de modo que 35% de suas calorias vinham de proteína e 15% de gordura. Além disso, a ingestão de proteínas foi cerca de três vezes maior que a ingestão diária recomendada para a maioria das pessoas.

Os pesquisadores controlaram essa dieta mudando a composição de uma bebida fornecida no estudo. No grupo de baixa proteína, a bebida continha leite de alta gordura e nenhuma proteína acrescida. Para os outros, consistia de leite com baixo teor de gordura e uma grande dose de proteína de soro de leite.

Todos os homens também começaram uma rotina extenuante de exercícios. Seis dias por semana eles compareciam ao laboratório de exercícios e completavam um circuito intenso de treinamento de peso para o corpo inteiro, com intervalos de alta intensidade ou uma série de saltos explosivos e outros exercícios conhecidos como treinamento de pliometria. A dieta e a rotina de exercícios duraram quatro semanas. Ao final desse período, “os caras estavam esgotados”, conta Stuart Phillips, que ocupa uma cadeira pesquisa em saúde muscular e esquelética na Universidade McMaster e quem supervisionou o estudo. “Tudo o que eles conseguiam falar era: ‘comida!'”

Todos os participantes tinham conseguido queimar alguns quilos. Homens em ambos os grupos pesavam, em média, cerca de 5 quilos a menos. Mas foi a composição do que consistia a perda de peso que diferia. Diferentemente da maioria das pessoas em dietas de baixa caloria, os homens no regime de alta proteína tinham realmente ganhado massa muscular durante o mês, em torno de 1,3 quilo. Assim, nestes homens, quase todos os 5 quilos que tinham perdido consistiam em gordura.

Estes resultados sugerem fortemente que, para evitar perder músculo, a proteína extra é aconselhável durante a perda de peso, disse o Dr. Phillips. Contudo, o exercício também é fundamental, em particular exercícios com peso, uma vez que este é conhecido por construir músculos. Mesmo os homens na dieta baixa em proteínas perderam pouca massa muscular, ressaltou o Dr. Phillips, o que foi inesperado e quase certamente devido, segundo ele e seus colegas concluíram, ao exercício.

Naturalmente, até ao final do mês do estudo, nenhum dos homens pretendia continuar. Este tipo de corte de calorias extrema combinada com exercício intenso “não é um programa sustentável a longo prazo”, disse o Dr. Phillips. “É mais uma espécie de período de treinamento”, prosseguiu ele, controlável a curto prazo por pessoas que estão muito empenhadas e geralmente muito saudáveis.

Ele e seus colegas planejam realizar experimentos de acompanhamento para encontrar um programa mais realista e sustentável. Eles planejam, também, estudar voluntários do sexo feminino e brincar com a composição das dietas, a fim de estabelecer definitivamente se é a proteína extra, e não a redução de gordura, que de fato promove ganhos musculares.

Entretanto, para aqueles que desejam se tornar magros, mas não magrelos, diversos aplicativos permitem determinar a porcentagem de sua dieta que deve ser composta por proteína. Se for inferior a 10 ou 15%, você pode querer mudar as calorias provenientes de gordura para proteína. Renovar a sua inscrição na academia de ginástica também é importante.

Por Gretchen Reynolds para The New York Times em 3 de fevereiro de 2016

Essa é a cartilha sobre exercício físico para quem vive com HIV que apareceu no programa Sportv Repórter. Ela foi feita por Lorena da Silva Paes, doutoranda na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenadora de um programa de atividade física para soropositivos, e por Juliana Borges, professora de educação física do Projeto Vida+ da UERJ, para a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA).

O Sportv Repórter voltou ao ar neste domingo, 2 de agosto de 2015, falando sobre o papel fundamental da prática de esportes no tratamento de portadores do HIV. Depois de 4 meses de pesquisa e pré-produção, a repórter Bruna Gosling e o repórter cinematográfico Julio Bittencourt reuniram depoimentos corajosos de soropositivos que encontraram no esporte um grande aliado ao tratamento e à qualidade de vida.

Segundo Bruna, que em abril deste ano convidou os leitores do Diário de um Jovem Soropositivo a participar desta edição do Sportv Repórter, a produção do programa foi um enorme aprendizado. “Me sinto realizada: tenho certeza de que vamos passar uma mensagem muito bacana e inspiradora para nossos telespectadores.”

Entre os entrevistados, o Sportv Repórter conta a história de Salomão, um ex-usuário de drogas e portador do HIV há 16 anos, que se tornou maratonista aquático e sonha em completar a travessia do canal da mancha. Ele treina diariamente no Tijuca Tênis Clube. O programa também mostra Givaldo, um maratonista apaixonado por corridas de rua de longa distância, que vive com HIV desde 1988 e frequenta a academia do Projeto Vida+, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. E Lene, balconista de uma padaria em São Paulo que vive há oito anos com o vírus, não esconde a sorologia de ninguém e pratica seus exercícios no Instituto Vida Nova, na zona leste da capital.

SporTV

“Para mergulhar no universo desses personagens, nossa equipe procurou infectologistas, como renomado pesquisador Dr. Mauro Schechter e a experiente Dra. Dirce Bonfim, frequentou por vários dias o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, referência no tratamento de aids na zona norte do Rio de Janeiro, contou com pesquisas e dados recentes cedidos pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e recebeu apoio com informações esclarecedoras de profissionais de educação física que, por ocasião do destino ou por motivações pessoais, buscaram se especializar na prescrição de exercícios para portadores de HIV”, contou Bruna.

Segundo os profissionais de saúde e educação física entrevistados no programa, o principal benefício do esporte para quem vive com HIV está na redução dos possíveis efeitos colaterais decorrentes do tratamento antirretroviral, como a lipodistrofia, que é redistribuição irregular de gordura corporal, alterações no perfil lipídico, perda de massa muscular e peso e osteopenia, a parda de massa óssea. Exercícios aeróbicos, treinamentos de força e de flexibilidade que diminuem o percentual de gordura no corpo e os níveis de triglicerídeos e de colesterol podem ajudar a minimizar esses efeitos. “Porém, a prescrição deve exigir um acompanhamento médico. Afinal, quanto maior a carga viral do portador menos intenso deve ser o exercício, já que o excesso pode comprometer o sistema imunológico do paciente.”

SPORTV

Com o título “Esporte Positivo”, o Sportv Repórter também relembra os exemplos de superação de astros do esporte, como o ex-jogador de basquete americano Magic Johnson, que se assumiu portador em 1991, e o ex-jogador de futebol Eduardo Esídio, o “Lica”, artilheiro do campeonato peruano. E não deixa para trás informações fundamentais: explica o que é a carga viral indetectável, fala da sua redução do risco de transmissão em 96%, mostra como funciona a infecção, a eficácia dos tratamentos atuais, reforça a importância do uso do preservativo e de não discriminar quem vive com HIV.

O programa será exibido:

Dia da Semana Data Hora Canal
SEG 03/08/2015 00:00 SPORTV
SEG 03/08/2015 04:30 SPORTV3
SEG 03/08/2015 19:30 SPORTV3
TER 04/08/2015 03:00 SPORTV2
TER 04/08/2015 07:00 SPORTV2
QUA 05/08/2015 18:00 SPORTV3
QUA 05/08/2015 23:00 SPORTV3
QUI 06/08/2015 06:30 SPORTV3
E também disponível online no site da Globo.com