Todos os posts com a tag: envelhecimento

“O HIV antecipa o processo de envelhecimento, principalmente com o uso prolongado dos antirretrovirais”, diz o infectologista Gustavo Magalhães, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O fato não desmerece o sucesso da terapia antiretroviral potente contra o HIV (HAART, na sigla em inglês), mas é um alerta para que as equipes de saúde atentem para o diagnóstico de doenças que até então não faziam parte do universo do HIV/aids, mas que são comuns ao envelhecimento.

Alterações metabólicas são as que mais preocupam
De todas as complicações observadas nos pacientes com longo tempo de tratamento, as questões metabólicas podem ser consideradas as mais comuns e mais graves. Alterações nos níveis de glicose, triglicérides e colesterol podem levar a diabetes e doenças cardiovasculares – principal causa de morte em pacientes com HIV/aids.

Doenças neurológicas
O infectologista Gustavo Magalhães aponta para doenças neurológicas que até agora não faziam parte do universo do HIV/aids, sendo mais freqüentes nos idosos, como a demência senil ou vascular – formas diferentes daquela observada nos pacientes com aids no período pré-HAART.

Cânceres: exames preventivos mais freqüentes
As neoplasias, ou cânceres, também são freqüentes em pacientes com longa exposição ao HIV e aos antirretrovirais.

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Expectativa de vida de soropositivos com mais de 50 anos duplica

A sobrevida estimada a partir dos 50 anos entre as pessoas que vivem com HIV na Dinamarca quase duplicou, passando de 11,8 anos, entre 1996 a 1999, para 22,8 anos, entre 2006 a 2014. Porém, a sobrevida estimada das pessoas soropositivas ainda é menor do que pessoas da mesma idade e sexo na população da Dinamarca. A expectativa de vida com o HIV tem aumentado dramaticamente nos últimos anos, como as pessoas tomando combinações antirretrovirais mais fortes, mais seguras e mais convenientes. Alguns estudos sugerem que as pessoas com HIV estão vivendo quase tanto tempo quanto as pessoas sem HIV. Contudo, a análise da sobrevida projetada é complicada e nem todos os estudos constataram que as pessoas com HIV têm a mesma expectativa de vida que soronegativos. Por exemplo, um estudo da Califórnia descobriu que a diferença entre a expectativa de vida de 24.768 pessoas com HIV e 257.600 sem HIV caiu de 44 anos, entre 1996 a 1997, para apenas 12 anos, em 2011. Essa diferença persistiu mesmo em pessoas soropositivas relativamente saudáveis, que começaram terapia antirretroviral com uma contagem de CD4 acima de 500. Por …

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Sobre câncer entre pessoas vivendo com HIV

Desde a implementação da terapia antirretroviral combinada, a tendência de surgimento de câncer em pessoas que vivem com HIV tem mudado. As taxas de alguns tipos de câncer, como o Sarcoma de Kaposi, diminuíram. Outros, no entanto, como o câncer anal, têm de fato aumentado nos últimos anos. O que está acontecendo e o que as pessoas que vivem com HIV devem saber sobre seu risco para o câncer, à medida que envelhecem? Em uma sessão na Conferência Internacional de Aids 2016, o Dr. Benigno Rodríguez resumiu o que os pesquisadores sabem sobre o risco de desenvolvimento de certos tipos de câncer entre as pessoas na América do Norte que vivem com HIV. Aqui está o que nós aprendemos. No geral, a taxa de incidência de cânceres relacionados com a aids diminuiu ao longo do tempo, desde cerca de meados do ano 2000. Isto não é surpreendente, uma vez que menos pessoas que vivem com o HIV têm ou vão desenvolver aids, graças aos tratamentos mais eficazes. Ao mesmo tempo, a taxa de incidência de cânceres não relacionados à aids tem aumentado ao longo do tempo. Cânceres relacionados à aids incluem o …

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B Sekar e Rama Pandian (à direira) tinham 20 anos quando se infectaram com o HIV.

A incrível jornada dos soropositivos mais velhos da Índia

“22 de julho de 1987. Como posso esquecer esta data? Esse foi o dia em que me disseram que eu tinha HIV e que eu teria só mais um ano de vida”, conta Noori Saleem, ativista transgênero de 66 anos, de Chennai. Nascido com o nome de Noor Mohammed, em Ramanathapuram, Tamil Nadu, fugiu de casa quando tinha 13 anos de idade, cansado de ser intimidado por conta de seu jeito feminino e pelos espancamentos frequentes de seu pai. “Eu estava empregado por uma família da casta Chettiar, em Chennai. Ganhava a vida lavando louça e roupas. Foi nessa época que eu descobri a menina em mim”, diz Noori. Ele tinha 18 anos quando seu pai morreu, e voltou para casa prestar sua homenagem. “Como era difícil pagar as contas, continuei o trabalho sexual.” Quando percebeu que seria forçado a se casar com uma mulher, fugiu novamente — desta vez para Mumbai. “Conheci Pattama, um transgênero, e fiquei em sua casa. Eu fazia apresentações em casamentos, dançando e cantando em cerimônias de nascimento. Mas logo entrei para o trabalho sexual. Foi quando conheci meu parceiro, que era de …

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Science and medical research sample analysis

Os novos tratamentos que estão a caminho

“Dependendo de quando testar positivo para o HIV, você pode estar diante de até oito décadas de tratamento”, diz Tim Horn, do Treatment Action Group. “Precisamos de medicamentos mais gentis, amáveis, melhores e mais baratos.” Novos tratamentos antirretrovirais que estão a caminho incluem: Medicamentos dois-em-um orais. A ViiV Healthcare e Janssen começaram estudos de fase III de um regime de dois medicamentos por via oral que incluem Dolutegravir e Rilpivirina. Tratamento de ação prolongada. Uma formulação injetável de ação prolongada de Cabotegravir da ViiV e Janssen se mostrou promissora em um estudo recente de fase IIb. A combinação, administrada a cada oito semanas, está entrando em estudo de fase III e pode chegar ao mercado em 2019. O Cabotegravir também está sob pesquisa como PrEP, também administrado a cada oito semanas, com uma possível aprovação em 2020. Mais atrás no camino está o MK-8591, da Merck, um antirretroviral que pode precisar apenas de administração oral semanal ou injetável mensal, e que pode funcionar como PrEP ou como parte de um regime de tratamento. Anticorpos monoclonais. Infusões de anticorpos monoclonais, ou clonados, podem tornar-se uma alternativa aos antirretrovirais. Um deles, chamado VRC01, tem …

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LK Altman, New York Times, 3 de julho de 1981.

35 anos de aids

Domingo, 5 de junho de 2016, foi o 35º aniversário do primeiro relatório sobre a doença que viria a ser conhecida como aids. As últimas três décadas incluíram um progresso notável — incluindo a terapia antirretroviral e uma pílula que pode prevenir a infecção pelo HIV — mas muito ainda precisa ser feito para que esses avanços estejam à disposição de todos aqueles que necessitam. A edição de 5 de junho de 1981 da Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR), publicada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano, incluiu um artigo sobre um grupo de casos misteriosos de pneumocistose (PCP) entre homens homossexuais anteriormente saudáveis, em Los Angeles. Não muito tempo depois, a edição de 4 de julho de MMWR descrevia vários casos de PCP e de um tipo raro de câncer, o sarcoma de Kaposi, na Califórnia e em Nova York. “A causa do surto é desconhecida.” Descrevendo a nova síndrome no New York Times, Lawrence Altman escreveu: “A causa do surto é desconhecida e não existe ainda nenhuma evidência de contágio. Mas os médicos que fizeram os …

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HIV envelhece soropositivos prematuramente em 5 anos

Graças à terapia antirretroviral, muitas pessoas com HIV podem esperar viver por décadas depois da infecção. Entretanto, os médicos observam que estes pacientes muitas vezes mostram sinais de envelhecimento prematuro. Agora, um estudo publicado em 21 de abril pela Molecular Cell usou um biomarcador de alta precisão para medir o quanto a infecção pelo HIV envelhece as pessoas em nível biológico: uma média de quase 5 anos. “Não estamos mais tão preocupados com infecções comuns em imunocomprometidos.” “As questões médicas no tratamento de pessoas com HIV mudaram”, diz Howard Fox, professor no departamento de farmacologia e neurociência experimental do Centro Médico da Universidade de Nebraska e um dos autores desse novo estudo. “Nós não estamos mais tão preocupados com infecções comuns em imunocomprometidos. Agora estamos preocupados com doenças relacionadas ao envelhecimento, como as doenças cardiovasculares, disfunção cognitiva e problemas no fígado.” A ferramenta usada nesse novo estudo analisa mudanças epigenéticas nas células das pessoas. Alterações epigenéticas afetam o DNA, mas não a sequência de DNA. Uma vez que isso ocorre, elas são passadas de uma geração celular para a próxima, influenciando a forma como os genes são expressos. Em particular, …

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O que é inflamação crônica?

Os antirretrovirais têm adicionado décadas à expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV que têm acesso ao tratamento. No entanto, quando comparado com pessoas soronegativas, aqueles que fazem o tratamento contra o vírus ainda têm maior risco de alguns problemas de saúde, normalmente associados ao envelhecimento. As razões por trás deste aumento dos riscos para a saúde ainda não são muito bem compreendidas, mas a comunidade científica está ansiosamente à procura de respostas. Os pesquisadores estão inclinados a apontar o dedo a um fenômeno conhecido como “inflamação crônica” como principal culpado. Quando você se corta ou contrai uma infecção, o sistema imunológico logo inicia um processo em cascata, que envia para o local atingido um exército diversificado de células que promovem a cura, controlam a infecção e dão origem à inflamação. Entre esses soldados, um batalhão interligado de células CD4 e CD8 (conhecidas como células T “auxiliares” e “assassinas”, respectivamente), anticorpos, fatores de coagulação e citocinas pró-inflamatórias, entre muitos outros. Em condições normais, células específicas irão desativar este processo inflamatório saudável, assim que o processo de cura ou combate da infecção estiver terminado. Mas, às vezes, …

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HIV idosos

Idosos com HIV enfrentam diferentes desafios de saúde a longo prazo

No Canadá e em outros países desenvolvidos, cada vez mais pessoas soropositivas vivem mais tempo, graças à terapia anti-HIV. O poder dos antirretrovirais é tão profundo que os pesquisadores estimam que um jovem adulto que é infectado hoje, diagnosticado pouco depois e que logo começa o tratamento deve ter uma expectativa de vida próxima do normal. Esta previsão otimista depende adesão ao tratamento, todos os dias, exatamente como prescrito, e da ausência de outras doenças ou condições graves de saúde pré-existentes. À medida em que mais pessoas soropositivas vivem mais, numa era de uso generalizado da antirretrovirais, os serviços de saúde terão de ser adaptados para essa população que está mudando as necessidades de cuidados de saúde. Pesquisadores da Universidade de Waterloo, em Ontário, junto com a Agência de Saúde Pública do Canadá (PHAC, do inglês Public Health Agency of Canada), colaboraram em um projeto de análise de dados em massa que recolheu informação relacionada à saúde de mais de um milhão de pessoas, das quais, uma pequena fração (menos de 1%), tinha HIV. Os participantes foram avaliados no contexto …

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Enterobacteriaceae e adenovírus.

Bactérias e vírus no intestino ligados à gravidade da infecção pelo HIV

O advento da terapia antirretroviral — uma combinação de medicamentos utilizados para retardar a progressão do HIV — permitiu muitas pessoas infectadas com o vírus a viver vidas longas e produtivas. Mas a terapia não os cura e mesmo aqueles que tomam esses medicamentos ainda têm um risco maior de doença cardiovascular, câncer, doença renal e hepática, entre outros distúrbios observados em pacientes com HIV. A infecção pelo HIV também pode levar à doenças que afetam os intestinos, como o aumento da inflamação gastrointestinal, diarreia e problemas com a absorção de nutrientes. O papel dos micróbios do intestino nessas questões ainda não é completamente compreendido, mas, agora, em dois estudos conduzidos por pesquisadores da Washington University School of Medicine, em St. Louis, os cientistas identificaram bactérias e vírus intestinais como possíveis fontes de inflamação e doenças. A identificação dessa origem pode abrir a porta para as estratégias que limitem os danos no trato gastrointestinal, reduzam a inflamação e problemas afins, que afetam os pacientes com HIV. Os dois estudos — um em pessoas e outro em primatas — foram publicados na revista Cell Host & …

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