Segundo a Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS): saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.

Tive que atravessar um monte de pessoas no posto de saúde onde retiro meus medicamentos. A fila era longa e até já deixava de ser fila, com todos circundando o segurança para ouvi-lo falar.

“— A quota de hoje acabou!”, gritou ele.

“— Mas não era até às 18h?”, perguntou um homem.

“— Era, sim. Mas vocês têm que entender: a demanda tem sido muito alta. Hoje, as vacinas acabaram às 15:00h. Agora, só amanhã”, concluiu o segurança, impedindo a entrada das pessoas.

“— Eu vou na farmácia”, anunciei.

O segurança me deixou passar e indicou o caminho que eu já sabia seguir, em direção ao fundo, contornando o prédio, passando a porta à direita. Embora a fila na entrada do posto de saúde estivesse cheia de pessoas, na espera da farmácia não havia ninguém.

A febre amarela é uma doença hemorrágica viral grave transmitida por mosquitos. Não há tratamento antiviral. No entanto, existe uma vacina altamente eficaz, que começou a ser indicada, em outubro do ano passado, pelo Governo de São Paulo, em três bairros da zona norte da capital: Casa Verde, Tremembé e Vila Nova Cachoeirinha. Isso aconteceu depois que cinco macacos, que viviam na região do Horto Florestal, morreram infectados com febre amarela. Aquele pode ter sido o epicentro — ou um dos epicentros — de uma doença que acabou se espalhando por todo o Estado. Em um ano, foram confirmadas 21 mortes pela doença e, nessa terça-feira, dia 16 de janeiro de 2018, Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a considerar todo o estado de São Paulo como área de risco de febre amarela.

Com esse alerta da OMS, a vacina passa a ser recomendada para viajantes internacionais que venham a São Paulo — e também para os estados das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, bem como para Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Maranhão, além de partes dos estados da região Sul, Bahia e Piauí. A vacinação deve ser feita ao menos dez dias antes da viagem. A decisão da OMS de classificar a cidade de São Paulo como área de risco não quer dizer que haja perigo de contágio na capital. Como as autoridades de outros países não podem saber para qual área de São Paulo cada viajante visitará, é praxe a OMS incluir todo o estado, mesmo em áreas em que não haja foco da doença — mesmo assim, a recomendação da OMS inclui a capital paulista.

A entidade aconselha também quem vai viajar para o Estado a adotar medidas para evitar picadas de mosquitos, com o uso de repelentes, por exemplo, e a estar atento aos sintomas da doença. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.

Em resposta, ainda nessa terça-feira, dia 16, o Governo de São Paulo anunciou que a vacinação fracionada contra a febre amarela em 54 municípios do estado será antecipada para o dia 29 de janeiro. Anteriormente, o Governo havia anunciado que a aplicação das doses seria realizada a partir do dia 3 de fevereiro. Enquanto isso, o Ministério da Saúde anunciou uma campanha de vacinação, em conjunto com os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O objetivo é vacinar 19,7 milhões de pessoas de 76 municípios e evitar a circulação e expansão do vírus.

A febre amarela tem esse nome por conta da icterícia apresentada por alguns pacientes. O vírus da febre amarela é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados. A doença não é passada de pessoa a pessoa. A vacina é a principal ferramenta de prevenção e controle da doença. Existem dois diferentes ciclos epidemiológicos de transmissão: o silvestre e o urbano. Mas a doença tem as mesmas características sob o ponto de vista etiológico, clínico, imunológico e fisiopatológico.

No ciclo silvestre, os primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata. No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados. A pessoa apresenta os sintomas iniciais 3 a 6 dias após ter sido infectada.

A última notícia do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde data de 23 de março de 2017. Ela afirma que, de acordo com a Nota Informativa nº 26, da Secretaria de Vigilância em Saúde, os adultos e adolescentes que vivem com HIV não têm restrições para se vacinar contra a febre amarela, desde que não apresentem imunodeficiência grave.

A Nota, que estabelece recomendações sobre a vacinação contra a febre amarela em pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA), recomenda também que a administração das vacinas em pacientes sintomáticos ou com imunodeficiência grave seja adiada até que a reconstituição imune seja obtida com uso da terapia antirretroviral. Para fins de vacinação, poderá ser utilizado o último exame de contagem de CD4, independentemente da data, desde que a carga viral atual (menos de seis meses) se mantenha indetectável.

Cientistas suíços dizem que a carga viral indetectável é um fator importante no momento dessa vacinação. Eles descobriram que todas as pessoas com uma carga viral indetectável no momento da primeira vacinação contra a febre amarela continuaram a ter uma resposta protetora dez anos após a vacinação.

Os cientistas observaram dados de pacientes da África subsaariana que vivem com HIV. No momento da vacinação, 82% deles estavam tomando terapia antirretroviral, 83% suprimiram carga viral menor que 400 cópias/ml e sua contagem mediana de células CD4  de 536 células/mm³. Os pesquisadores acreditam que suas descobertas têm implicações para as estratégias de vacinação.

“Pacientes infectados pelo HIV montam uma resposta imune protetora de longa data contra a febre amarela até pelo menos dez anos, se forem vacinados enquanto estiverem em terapia antirretroviral.” Eles continuam: “Até mais dados estejam disponíveis, um único reforço após dez anos parece ser adequado para estimular a resposta da vacina no caso de uma nova viagem a uma área endêmica de febre amarela.”

Os autores recomendam que os pacientes com HIV devem ser vacinados contra a febre amarela uma vez que sua carga viral for suprimida e que eles devem receber um reforço após dez anos tratamento antirretroviral supressivo. No entanto, os pacientes que foram vacinados enquanto a carga viral era detectável deveriam ter sua resposta imune à vacina medida ou receber uma vacinação de reforço, independentemente do tempo desde a primeira vacinação contra a febre amarela.

Para pessoas sem HIV, uma dose da vacina é suficiente para garantir imunidade e proteção ao longo da vida. Efeitos secundários graves são extremamente raros. Os viajantes com contraindicações para a vacina de febre amarela — crianças com menos de nove meses de idade, mulheres grávidas ou amamentando, pessoas com hipersensibilidade grave à proteína do ovo e imunodeficiência grave — ou com mais de 60 anos devem consultar seu profissional de saúde para a avaliação cuidadosa de risco-benefício. O mesmo vale para quem vive com HIV: se você tem dúvidas sobre a vacina da febre amarela para o seu caso, converse com seu infectologista.

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O que é felicidade, e como podemos ter um pouco dela? Matthieu Ricard, um bioquímico que virou monge budista, diz que podemos treinar nossas mentes em hábitos de bem-estar para gerar um verdadeiro sentimento de serenidade e realização.

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Pipoca é saudável? E pizza, suco de laranja ou sushi? E frozen yogurt, costeletas de porco ou quinoa? Quais alimentos são saudáveis? Em princípio, essa é uma pergunta bastante simples e uma pessoa que deseja comer de maneira mais saudável deve saber quais alimentos escolher no supermercado e quais deve evitar. Infelizmente, a resposta não é tão simples.

A Food and Drug Administration americana recentemente concordou em rever seus padrões para os quais os alimentos podem ser considerados “saudáveis”, um movimento que destaca o quanto o conhecimento nutricional mudou nos últimos anos — e o quanto permanece desconhecido.

Morning Consult, uma empresa de mídia e pesquisa, pesquisou centenas de nutricionistas — membros da Sociedade Americana de Nutrição –, perguntando-lhes se achavam que certos alimentos (cerca de 50) eram saudáveis. A Morning Consult também pesquisou uma amostra representativa do público americanos, questionando a mesma coisa.

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Os resultados sugerem uma surpreendente diversidade de opiniões, mesmo entre especialistas. Sim, alguns alimentos, como couve, maçãs e aveia, são considerados “saudáveis” por quase todos. E outros, como refrigerantes, batatas fritas e biscoitos de chocolate, não são. Mas há alguns alimentos que parecem ter uma percepção pública positiva, enquanto outros confundem tanto o público quanto os especialistas. (Sim, nós estamos falando de você, manteiga.)

“Há vinte anos, eu acho que sabíamos cerca de 10% do que precisamos saber sobre nutrição”, disse Dariush Mozaffarian, reitor da Escola de Ciências e Políticas Nutricionais Tufts Friedman. “E agora nós sabemos 40 ou 50%.” Aqui está o que descobrimos.

 

Alimentos considerados mais saudáveis pelo público do que por especialistas:

 Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
granola-barBarra de cereais 28%
71%
coconutoilÓleo de côco 37%
72%
frozen-yogurtFrozen yogurt 32%
66%
1606wtopancakes1Granola 47%
80%
slimfast_cmykShake dietético 21%
47%
orange-juiceSuco de laranja 62%
78%
americancheeseQueijo 24%
39%

Dos 52 alimentos que pedimos para especialistas e para o público para avaliar, nenhum tinha tanta diferença quanto à barra de cereais. Mais de 70% dos americanos a descreveu como saudável, enquanto menos de um terço dos especialistas em nutrição fez o mesmo. Uma diferença semelhante existe para a granola, a qual menos de metade dos nutricionistas inquiridos a descreve como saudável.

Vários dos alimentos considerados mais saudáveis por americanos do que por especialistas, incluindo frozen yogurt, um shake dietético e barras de cereais, têm algo em comum: eles podem ser acrescidos de montes de açúcar. Em maio, a Food and Drug Administration anunciou um novo modelo de rótulos nutricionais: uma das prioridades era permitir ao distinguir claramente entre os açúcares naturalmente presentes nos alimentos e os açúcares que são adicionados mais tarde, para aumentar os sabor. (Você ficaria surpreso com quantos alimentos têm açúcar adicionado.) Muitos nutricionistas sabem disso, mas em geral o público ainda não.

 

Alimentos considerados mais saudáveis por especialistas do que pelo público:

 Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
quinoaQuinoa 89%
58%
flextariantofu30Tofu 85%
57%
sushiSushi 75%
 49%
hummusHummus 90%
66%
wineglassVinho 70%
52%
shrimpCamarão 85%
69%

No outro extremo do espectro, vários alimentos receberam um selo de aprovação do painel de especialistas, mas deixaram os inexperientes incertos. O mais surpreendente foi a reação à quinoa, um grão considerado um “superalimento”, tão freqüentemente elogiado como saudável que parece ter virado piada. (Atualmente, o site de culinária do New York Times oferece 167 receitas com quinoa, das quais cerca de um terço é explicitamente marcada como “saudável”.)

Além disso, tofu, sushi, hummus, vinho e camarão foram classificados como significativamente mais saudáveis por nutricionistas do que pelo público. Por quê? Uma razão pode ser que muitos deles são alimentos novos na dieta americana popular. Nosso colega Neil Irwin mediu as menções de alimentos na moda ao longo dos anos e descobriu que a quinoa só recentemente ficou famosa. Outros podem se confundir com mensagens ambíguas da imprensa sobre alimentos saudáveis. O camarão foi demonizado por conta de sua taxa elevada de colesterol, embora as diretrizes recentes tenham mudado. Por sua vez, as mensagens públicas sobre os benefícios do álcool são conflitantes: enquanto beber moderadamente parece trazer alguns benefícios à saúde, um consumo maior, obviamente, pode causar danos à saúde.

Não é surpreendente encontrar áreas em que tanto o público americano quanto os especialistas discordam. Espera-se que os pesquisadores estejam mais bem informados sobre as pesquisas atuais e que os consumidores comuns sejam mais suscetíveis às afirmações dos comerciantes de alimentos, mesmo que estas alegações sejam duvidosas. Ainda assim, alguns dos alimentos dividem tanto o público quanto os especialistas.

 

Alimentos em que especialistas e público se dividem:

Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
popcornPipoca 61%
52%
pork-chopCostela de porco 59%
52%
milkLeite integral 63%
59%
steakBife 60%
63%
cheddarcheeseQueijo cheddar 57%
56%

Quatro dos alimentos listados acima — bife, queijo cheddar, leite integral e costelas de porco — tendem a ter muita gordura. E a gordura é um tópico que poucos especialistas parecem concordar. Anos atrás, o consenso nutricional era que a gordura, e particularmente a gordura saturada encontrada na carne vermelha, era ruim para o coração. Porém, novos estudos são menos claros a respeito disso e muitas das discordâncias entre os nutricionistas tendem a ser sobre a quantidade certa de proteína e gordura em uma dieta saudável.

A incerteza sobre esses alimentos, expressa tanto por especialistas quanto pelos americanos comuns, reflete a falta de evidência nutricional sobre eles. (Se você é um amante de bife e sente-se desencorajado por esta notícia, nosso colega Aaron Carroll escreveu que a carne vermelha é provavelmente saudável desde que com moderação.)

Muitos consumidores querem comer alimentos saudáveis, mas não sabem o que escolher. Para obter alguma perspectiva sobre isso, perguntamos ao Google quais alimentos mais frequentemente são pesquisados — “[Nome do alimento] é saudável?” A comida que as pessoas mais têm dúvidas foi uma que os nutricionistas geralmente mais aprovam: sushi.

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Existem algumas áreas de consenso nutricional. Quase todos concordaram que laranjas, maçãs, aveia e frango podem seguramente ser descritas como saudáveis e concordaram também que biscoitos de chocolate, bacon, pão branco e refrigerante não podem.

 

Alimentos que ambos os grupos consideram não saudáveis:

 Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
cheeseburgerHamburgers 28%
29%
jerkyCarne seca 23%
27%
pepsiRefrigerante 18%
 16%
whitebreadPão branco 15%
18%
cookieBiscoito de chocolate 6%
10%

 

Alimentos que ambos os grupos acham saudáveis:

 Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
appleMaçã 99%
96%
orangeLaranja 99%
96%
nongmo-2Aveia 97%
 92%
roastchickenFrango 91%
91%
turkeyPeru 91%
90%
peanutbutterManteiga de amendoim 81%
79%
potatoBaked potatoe 72%
71%

 

Como é que tudo isso deixa um consumidor bem-intencionado e ocasionalmente confuso? Possivelmente mais tranquilo. Mas, às vezes, a ciência da nutrição é confusa até para os especialistas.

Muito provavelmente, sua dieta do dia a dia é muito mais importante do quaisquer regras rígidas que ditam um alimento como “bom” ou “ruim”. Nosso colega Aaron Carroll publicou uma lista de regras de bom senso para comer de maneira saudável, o que já é um bom começo.

Aproveitamos a pesquisa para perguntar aos especialistas se eles consideravam sua própria dieta saudável e como eles a descreveriam. 99% dos nutricionistas disseram que ter uma dieta muito ou relativamente saudável. O tipo de dieta mais comum foi a “mediterrânea”: 25% dos nutricionistas a escolheu como a mais saudável de todas. Mas também houve uma resposta muito comum, mesmo entre os especialistas, que disseram não seguir “nenhuma regra ou restrição especial”.

Sobre esta pesquisa:

O New York Times fez uma lista de alimentos em consulta com especialistas em nutrição e a partir das tendências de pesquisas no Google. A pesquisa pública foi realizada on-line pela Morning Consult e incluiu 2.000 eleitores registrados. Você pode ler os resultados completos aqui, com tabelas de referência cruzada aqui. A pesquisa com nutricionistas foi enviada para os membros da Sociedade Americana de Nutrição, um grupo profissional de nutricionistas. Nem todos os membros completaram a pesquisa, mas 672 nutricionistas o fizeram. O New York Times entende que o resultado dessa pesquisa não é uma medida científica de todos os nutricionistas, mas como uma medida útil e imperfeita dos alimentos que estes profissionais consideram ser saudáveis.

Por


Aidsmap

O uso prolongado de suplementos de ácidos graxos ômega-3 foi associado a níveis reduzidos de triglicérides e de proteína C reativa, um dos biomarcadores da inflamação em pessoas soropositivas com carga viral suprimida, de acordo com uma pesquisa apresentada na semana passada na IDWeek 2016 in New Orleans.

Com as pessoas com HIV vivendo mais tempo graças à terapia antirretroviral, doenças crônicas, como doenças cardiovasculares e câncer são uma preocupação crescente. Pesquisas sugerem que a inflamação crônica e a ativação imune excessiva contribuem para o aumento do risco de condições não-relacionadas à aids nessa população, mesmo quando se o tratamento antirretroviral é eficaz.

Gretchen Volpe da Tufts University School of Medicine e seus colegas realizaram um estudo randomizado, controlado por placebo — o mais longo feito até hoje — de alta dose de ácidos graxos ômega-3 em pessoas com HIV, avaliando seus efeitos a longo prazo sobre os níveis de lipídios no sangue, inflamação e função vascular. Ácidos graxos ômega-3 — encontrados no óleo de peixe — são muitas vezes tomados para reduzir os triglicérides.

O estudo incluiu 117 participantes em tratamento antirretroviral estável com triglicérides elevados (em jejum o nível estava entre 150 e 2500mg/dl ou em nível aleatório >200mg/dl). Cerca de 80% eram homens e a idade média era de 51 anos. A contagem média de CD4 foi de 648 células/mm³ e 95% apresentaram carga viral indetectável. Fatores metabólicos, tabagismo, uso de álcool, status do HIV, lipídios basais e função vascular foram semelhantes em ambos os grupos. Cerca de 30% em ambos os grupos usaram estatinas, mas as pessoas que já usavam regularmente óleo de peixe foram excluídas.

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Os participantes foram aleatoriamente designados para receber 4 gramas diárias de ácidos gordos ômega-3 ou placebo durante 24 meses. Eles usaram a formulação Lovaza, que contém uma combinação de ésteres etílicos de ácido ômega-3, principalmente ácido eicosapentaenóico e ácido docosahexaenóico (465mg e 375mg, respectivamente, por cápsula de 1 grama). A formulação é aprovada para reduzir os níveis de triglicérides em pessoas com hipertrigliceridemia grave. Todos os participantes também foram aconselhados a mudar para uma dieta com redução de lipídios e a manter um peso estável.

Após 33 pessoas perderem as consultas de acompanhamento (um número semelhante em ambos os braços), os pesquisadores analisaram 43 pessoas randomizadas do braço ômega-3 e 40 do braço do placebo. Os resultados primários foram alterações nos triglicérides, colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL) e marcador de inflamação proteína C reativa. Os pesquisadores também analisaram o colesterol total e a lipoproteína de baixa densidade (LDL), bem como indicadores de função vascular, incluindo a reatividade da artéria braquial e a rigidez arterial medida pela velocidade da onda de pulso.

Aos 24 meses, os níveis médios de triglicérides diminuíram significativamente mais no braço ômega-3 em comparação com o braço placebo (-68 contra -22mg/dl). Os triglicérides diminuíram ao longo de 12 meses em ambos os braços, mas continuaram a diminuir entre os meses 12 e 24 no braço ômega-3, enquanto atingiam um patamar no braço do placebo. A proteína C reativa diminuiu significativamente no braço ômega-3 por 24 meses, mas não no braço placebo (-0,3 vs +0,6 mg/l). Em ambos os braços, a proteína C reativa diminuiu nos primeiros 12 meses, mas depois aumentou entre os 12 e os 24 meses. A proteína C reativa permaneceu abaixo do nível basal no braço ômega-3, mas subiu acima do grupo placebo.

Não houve diferença significativa nos níveis de HDL entre os dois grupos de tratamento. Também não houve diferença significativa nos níveis de colesterol total ou LDL a qualquer momento, porém houve uma tendência para uma maior redução do colesterol total no grupo ômega-3 em 24 meses (-9,2 vs +3,9 mg/dl). A reatividade da artéria braquial não diferiu significativamente entre os dois grupos. Houve uma tendência para redução da rigidez arterial carótida-femoral durante 24 meses no braço ômega-3, mas a diferença não atingiu significância estatística (-46 vs +18 ms-1).

Os ácidos graxos ômega-3 se mostraram em geral seguros e bem tolerados, enquanto os eventos adversos graves não diferiram entre os dois grupos de tratamento, segundo Volpe. Verificou-se que a adesão foi “viável” durante o período de dois anos. A suplementação prolongada de ácidos graxos ômega-3 parece benéfica para as pessoas com HIV e sua eficácia pode aumentar ao longo do tempo, concluíram os pesquisadores.

Ácidos graxos ômega-3 “podem reduzir a inflamação, medida pela proteína C reativa, mesmo para aqueles cuja proteína C reativa está dentro da faixa normal na linha de base. Tendo em vista o nosso sucesso na gestão da infecção pelo HIV, estamos agora com o objetivo de otimizar a duração e a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/aids, para quem estas intervenções, como os ácidos gordos ômega-3, podem ser benéficas”, escreveram os autores.

Por Liz Highleyman em 9 de novembro para Aidsmap

Referência: Volpe G et al. A randomized controlled trial of omega-3 fatty acids in HIV: long term effects on lipids and vascular function. IDWeek, New Orleans, abstract 951, 2016.


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Novo estudo conduzido por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts descobriu que fumar cigarros reduz substancialmente a vida de pessoas vivendo com HIV nos EUA, potencialmente mais do que o próprio HIV. O relatório foi publicado on-line no Journal of Infectious Diseases.

“Uma pessoa com HIV que toma medicamentos antirretrovirais e que fuma é muito mais propensa a morrer de uma doença relacionada ao tabagismo do que do HIV”

“Uma pessoa com HIV que toma medicamentos antirretrovirais e que fuma é muito mais propensa a morrer de uma doença relacionada ao tabagismo do que do HIV”, diz Krishna Reddy da divisão de cuidados críticos de saúde e pulmonares do Hospital Geral de Massachusetts e do Medical Practice Evaluation Center e quem liderou o estudo. “A boa notícia é que parar de fumar pode aumentar muito a vida útil, e nunca é tarde demais para parar.”

Embora apenas 15% da população adulta geral dos EUA seja fumante de cigarros, entre as pessoas que vivem com o HIV a taxa de tabagismo é superior a 40%, enquanto 20% são ex-fumantes. O uso generalizado de medicamentos antivirais hoje permite que as pessoas com HIV vivam mais tempo, mas os fumantes com HIV estão desenvolvendo doenças relacionadas ao fumo — como câncer de pulmão, doenças cardíacas e doença pulmonar obstrutiva crônica (às vezes chamada de enfisema). As taxas são mais elevadas do que em indivíduos não infectados pelo HIV.

Os pesquisadores usaram dados epidemiológicos para estimar a expectativa de vida média de pessoas vivendo com HIV, separando-os em grupos de fumantes atuais, ex-fumantes ou que nunca fumaram. Aplicando um modelo de simulação desenvolvido pela equipe, eles demonstraram que uma pessoa com HIV poderia perder mais de 8 anos de vida apenas em decorrência do hábitos de fumar e não relacionado à infecção pelo HIV.

Eles também descobriram que, se um quarto das pessoas que recebem cuidados de saúde para o HIV nos EUA parassem de fumar agora, mais de 25 mil anos de vida seriam salvos no total. Aliás, o estudo descobriu que, para uma pessoa de 40 anos de idade e que recebe cuidados para o HIV, mas — tal como costuma acontecer nos EUA — que não segue perfeitamente seu tratamento como recomendado, o tabagismo reduz sua expectativa de vida em mais de 6 anos, em comparação com um não-fumante que é igualmente não aderente perfeitamente ao tratamento antiviral. Para quem adere bem aos medicamentos anti-HIV, o fumo reduz a expectativa de vida em mais de 8 anos — cerca do dobro do impacto do próprio HIV — em comparação com um não-fumante que adere perfeitamente ao tratamento. Para aqueles que já eram fumantes quando começaram tratamento para o HIV, parar de fumar, particularmente em idades mais jovens, demonstrou reverter grande parte da perda da expectativa de vida.

“É hora de reconhecer que fumar é atualmente o principal assassino das pessoas com HIV que estão recebendo tratamento”

“Cessar o tabagismo deve ser uma parte fundamental do cuidado das pessoas que vivem com HIV para melhorar sua expectativa de vida e sua qualidade de vida”, diz o coautor do estudo Travis Baggett, da divisão geral de medicina interna do Hospital Geral de Massachusetts e do Centro de Pesquisa e Tratamento do Tabaco. Rochelle Walensky, da divisão de doenças infecciosas do Hospital Geral de Massachusetts e autora sênior do estudo, diz: “É hora de reconhecer que fumar é atualmente o principal assassino das pessoas com HIV que estão recebendo tratamento.”

Reddy acrescenta: “Infelizmente, as intervenções para cessar o tabagismo não foram amplamente incorporadas nos cuidados do HIV. Dado o quão comum é o tabagismo entre as pessoas com HIV, agora é a hora de mudar isso.” Reddy é professor de Medicina, Baggett é professor assistente de Medicina e Walensky é professora de Medicina na Harvard Medical School.

Em 3 de novembro de 2016 pelo EurekAlert!


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Desde a implementação da terapia antirretroviral combinada, a tendência de surgimento de câncer em pessoas que vivem com HIV tem mudado. As taxas de alguns tipos de câncer, como o Sarcoma de Kaposi, diminuíram. Outros, no entanto, como o câncer anal, têm de fato aumentado nos últimos anos. O que está acontecendo e o que as pessoas que vivem com HIV devem saber sobre seu risco para o câncer, à medida que envelhecem?

Em uma sessão na Conferência Internacional de Aids 2016, o Dr. Benigno Rodríguez resumiu o que os pesquisadores sabem sobre o risco de desenvolvimento de certos tipos de câncer entre as pessoas na América do Norte que vivem com HIV. Aqui está o que nós aprendemos.

Grafico tendencia cancer
Neste gráfico, a linha azul mostra a incidência de cânceres não relacionados com aids, enquanto a linha verde mostra a incidência de tipos de câncer relacionados à aids, ao longo do tempo.

No geral, a taxa de incidência de cânceres relacionados com a aids diminuiu ao longo do tempo, desde cerca de meados do ano 2000. Isto não é surpreendente, uma vez que menos pessoas que vivem com o HIV têm ou vão desenvolver aids, graças aos tratamentos mais eficazes. Ao mesmo tempo, a taxa de incidência de cânceres não relacionados à aids tem aumentado ao longo do tempo. Cânceres relacionados à aids incluem o Sarcoma de Kaposi e Linfoma não-Hodgkin. Cânceres não relacionados com a aids incluem câncer de pulmão e fígado.

 

Risco de câncer para pessoas vivendo com HIV na era da terapia antirretroviral:

Em um estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine, os pesquisadores analisaram as tendências no risco de câncer em uma população de mais de 86.000 pessoas que vivem com HIV e compararam-na ao risco de câncer de quase 200.000 pessoas soronegativas.

Em resumo, segundo Rodríguez, as pessoas que vivem com HIV tiveram maiores taxas de todos os tipos de câncer analisados, mesmo na era da terapia antirretroviral. Por exemplo, a taxa de incidência, por 100.000 pessoas-ano, de desenvolver Linfoma não-Hodgkin foi de 154 para as pessoas que vivem com o HIV e 13 para as pessoas soronegativas. Outras comparações da taxa de incidência estão listadas na tabela, abaixo:

Taxa de incidência entre pessoas vivendo com HIV Taxa de incidência entre soronegativos
Sarcoma de Kaposi  130 0,2
Linfoma não-Hodgkin 154 13
Câncer de pulmão 129 45
Câncer anal 60 1
Câncer colorretal 36 28
Câncer de fígado 46 11
Linfoma Hodgkin 34 2
Melanoma 16 15
Cavidade oral / Câncer de faringe 34 18
Morte 3686 833

Estes são os valores brutos das taxas de incidência, os quais, no entanto, podem ser influenciados por diversos fatores que não são levados em consideração em relatórios de risco. Por exemplo: as pessoas no grupo soropositivo têm idades diferentes, vivem com HIV há quantidades diferentes de tempo, estão tomando medicamentos diferentes e assim por diante.

 

Risco de alguns tipos de câncer diminuiu ao longo do tempo devido a terapia antirretroviral:

O risco de desenvolver cânceres relacionados à aids, incluindo Sarcoma de Kaposi e Linfoma não-Hodgkin, diminuíram drasticamente entre pessoas vivendo com HIV na América do Norte. No entanto, o risco global ainda é muito maior entre pessoas que vivem com HIV, em comparação com as pessoas que são soronegativas.

 

Risco de alguns tipos de câncer aumentou ao longo do tempo, mesmo sob antirretrovirais:

Em parte porque as pessoas estão vivendo mais, o risco de desenvolver alguns tipos de câncer durante a vida tem aumentado. Pessoas que vivem com HIV — aquelas que vivem até 75 anos de idade — têm se mostrado mais propensas a desenvolver câncer de pulmão, anal, colorretal, de fígado e cavidade oral / câncer de faringe nos anos mais recentes do que eram na segunda metade da década de 1990.

Aqui está a taxa de risco para o desenvolvimento de cada tipo de câncer aos 75 anos de idade para cada tipo de câncer. Você pode ver que o maior risco para estes cânceres está, de fato, nos anos mais recentes.

Anos recentes (2005 – 2009) 2000-2004 1996-1999
Câncer de pulmão 3,7 3,0 1,8
Câncer anal 1,7 1,4 0,6
Câncer colorretal 1,3 0,7 0,4
Câncer de fígado 1,4 0,9 0,4
Cavidade oral / Câncer de faringe 1,0 0,6 0,5

 

Comparação com as pessoas soronegativas:

Para alguns tipos de câncer, como o Sarcoma de Kaposi, Linfoma não-Hodgkin, Linfoma Hodgkin e câncer anal, o risco para as pessoas soropositivas é muito diferente (maior) do que para as pessoas que são soronegativas.

Para outros, incluindo o câncer de pulmão, câncer colorretal, melanoma e cavidade oral / câncer de faringe, o risco é mais similar entre pessoas soropositivas e soronegativas. Por tudo isso, o risco de desenvolvê-los aos 75 anos aumentou desde a década de 1990.

 

Por que o risco aumentou?

O sistema imunológico é provavelmente responsável por mediar o risco de câncer, explica Rodriguez. “Há décadas nós temos falado — quase há tanto tempo quanto a duração da epidemia — sobre o papel do sistema imunológico”, disse ele.

O estudo Start, que analisou o efeito do tratamento antirretroviral iniciado imediatamente após o diagnóstico de HIV contra o tratamento iniciado mais tarde, traz insights. As pessoas que receberam o tratamento imediatamente — e assim melhoraram a sua saúde imunológica com a terapia antirretroviral — mostraram um risco muito menor de desenvolver Sarcoma de Kaposi, linfoma maligno e cânceres não relacionados com a aids.

Os pesquisadores também investigaram o papel do sistema imunológico em contribuir para o risco de câncer, comparando risco de desenvolver câncer entre respondedores e não-respondedores à vacina da hepatite B. (“Respondedores” têm sistemas imunológicos que geram a resposta imune protetora diante de uma vacina.) Um estudo, com cerca de 1.500 pessoas, descobriu que respondedores à vacina apresentaram um risco significativamente menor de desenvolver câncer ao longo de 20 anos de acompanhamento, em comparação com os não-respondedores à vacina. Isso contribui para evidenciar que as pessoas com sistemas imunes em melhor funcionamento podem ter menor risco de desenvolver câncer.

O controle da replicação viral entre as pessoas que vivem com o HIV também pode ser a chave, disse Rodríguez. Um estudo, que ele compartilhou, mostrou que o risco de desenvolver Linfoma não-Hodgkin após oito anos de alcançar a supressão viral foi significativamente maior entre as pessoas que tiveram suas cargas virais novamente detectáveis, para níveis de mais de 500 cópias/mL. Pessoas que mantiveram suas cargas virais indetectáveis (menos de 50 cópias/mL) tiveram menor risco, enquanto as pessoas com cargas virais entre 51 a 500 cópias/mL estavam no meio.

 

O que aprendemos até agora?

Embora as pessoas que vivem com HIV pareçam estar sob maior risco de desenvolver alguns tipos de câncer, existem maneiras de reduzir este risco. A terapia antirretroviral universal e iniciada cedo é fundamental, assim como continuamente verificar que o tratamento está funcionando para manter a carga viral baixa e a saúde imunológica alta.

Mais exames e tratamento agressivo para muitos cânceres não relacionados à aids podem ser recomendados, disse Rodríguez, além de reduzir a inflamação residual e ativação imune, quando possível.

Por Emily Newman para Beta Blog em 31 de agosto de 2016

Fonte: Rodríguez, B. Cancer trends in North America over the past decade. Aids 2016, TUSY0805.


bbc

Todos devem considerar tomar suplementos de vitamina D no outono e no inverno, recomendam especialistas de saúde pública do Reino Unido.

Essa afirmação vem com um relatório encomendado pelo governo, que define os níveis recomendados de 10 microgramas da vitamina por dia. Mas as autoridades estão preocupadas que isso pode não ser viável através da dieta, especialmente quando a luz solar, a qual ajuda na produção de vitamina D, é escassa. Baixos níveis de vitamina D podem resultar em ossos frágeis e raquitismo em crianças. Quantidades limitadas da vitamina são encontradas em alguns alimentos, como peixes gordos, ovos e cereais fortificados. Mas, para a maioria das pessoas, a maior parte de sua vitamina D é feita a partir da ação da luz solar sobre a pele.

vitamina D

Estimativas oficiais sugerem um em cada cinco adultos e uma em cada seis crianças na Inglaterra podem ter níveis baixos dessa vitamina. Agora, uma extensa revisão das evidências científicas, realizada pelo Scientific Advisory Committee on Nutrition (SACN), sugere que todos acima de um ano de idade precisam consumir 10 microgramas de vitamina D por dia, a fim de proteger a saúde óssea e muscular.

Nos meses de inverno, as autoridades de saúde pública dizem que as pessoas devem considerar começar a tomar estes 10 microgramas a partir de suplementos, se for improvável que sua dieta possa fornecê-la.

 

Por que é a vitamina D é importante?

A sua principal função é regular a quantidade de cálcio e fosfato no corpo, que são vitais para o crescimento e manutenção da saúde dos ossos, dentes e músculos. Em casos extremos, baixos níveis podem levar ao raquitismo em crianças — condição em que os ossos se tornam moles, fracos e disformes quando continuam a crescer. Em adultos, a deficiência de vitamina D pode levar à osteomalacia — causando graves dores nos ossos e músculos.

Mas é preciso haver equilíbrio: o excesso de vitamina D pode levar a elevados níveis de cálcio no sangue, o que pode causar problemas no coração e rim. Qualquer pessoa com uma condição crônica ou que toma medicação deve procurar o conselho de seu médico. Crianças com idade de até quatro anos devem tomar suplementos todos os dias durante todo o ano, assim bebês menores de um ano, a menos que já consumam isso em suplementos infantis.

Sol

O Professor Peter Selby, da Universidade de Manchester, congratulou a recomendação. “Em particular, esse conselho dissipa qualquer dúvida sobre o lugar de vitamina D na manutenção da saúde dos ossos e deve assegurar que todas as pessoas vão agora ser encorajadas a tomar vitamina D para reduzir seu risco de doença óssea e fratura.”

A recomendação anterior, que recomendava suplementos diários para alguns grupos de risco, incluindo mulheres grávidas ou lactantes, e pessoas com mais de 65 anos, ainda se mantém. Mas pessoas cuja pele tem pouca exposição ao sol, ou que sempre cobrem sua pele para sair de casa, devem tomar os suplementos ao longo do ano. Negros e asiáticos também devem considerar os suplementos durante todo o ano.

O Dr. Louis Levy, chefe de ciência da nutrição em Saúde Pública na Inglaterra, disse ao programa Today, da BBC Radio 4: “Esta é uma mudança na recomendação, já que os bebês de seis meses a cinco anos devem agora tomar suplemento e as pessoas em risco de deficiência de vitamina devem tomar o suplemento. Antes, nós achávamos que todo mundo iria obter o suficiente da luz solar. Mas o novo conselho se dá com base em evidências observadas ao longo dos últimos cinco anos.” Ele disse que aqueles que usam protetor solar na forma como o fabricante recomenda não terão quantidade suficiente de vitamina D. “Quando você sair, você precisa ter exposições curtas sem protetor solar e certifique-se de que você não ficar queimado de sol.”

As autoridades de saúde na Escócia e na Irlanda do Norte dizem ter atualizado suas recomendações de acordo com as novas orientações, mas apenas para as pessoas com idade superior a seis meses. Eles estão atualmente estudando a possibilidade de estender a recomendação para bebês desde o nascimento.

As autoridades revisaram um crescente corpo de evidências que ligam a vitamina D à saúde óssea e muscular. Também olharam para estudos que sugerem que os níveis de vitamina D podem ter um impacto sobre cânceres, doenças cardiovasculares e esclerose múltipla, mas concluíram que não havia provas suficientes para tirar conclusões definitivas.

Por Smitha Mundasad para a BBC em 21 de julho de 2016


Aidsmap

Uma combinação de simples exames de sangue de rotina pode ser capaz de prever quais as pessoas que vivem com o HIV que estão especialmente mais vulneráveis ao declínio neurocognitivo, de acordo com pesquisa americana publicada no Clinical Infectious Diseases. Pessoas com pontuação elevada no Índice VACS* (Veterans Aging Cohort) têm risco aumentado de sofrer declínio na função cognitiva e também se mostraram significativamente mais propensas a desenvolver novos problemas cognitivos.

“Mudanças no Índice VACS representaram alterações na função cognitiva ao longo do tempo em uma coorte, grande e bem caracterizada, de pessoas infectadas pelo HIV”, escrevem os autores. Apesar dos grandes avanços no tratamento e cuidado de saúde, a deficiência neurocognitiva (NCI) continua a ser comum em pessoas com HIV, ocorrendo em 30% a 50% dos indivíduos. Na maioria das pessoas com HIV ela é leve. No entanto, mesmo as formas mais leves de deficiência podem ter um impacto negativo no dia-a-dia.

Por conseguinte, é importante identificar as pessoas que já estão sob risco de desenvolver deficiência cognitiva e também aqueles que estão no limiar de desenvolvê-la e com inclinação a aumento desse risco. O Índice VACS foi desenvolvido como um marcador da gravidade da doença em pessoas vivendo com HIV. Ele se baseia nos resultados de análises do sangue que são executadas como parte do tratamento de rotina, tais como a contagem de CD4, carga viral, função renal e do fígado, anemia e detecção da hepatite C. Uma maior pontuação do índice VACS tem sido consistentemente associada a um risco aumentado de morte em pacientes, hospitalização e também doenças normalmente associadas à idade mais avançada, como a fragilidade, fraturas e força muscular baixa.

Agora, pesquisadores buscaram determinar se a pontuação do Índice VACS poderia prever as alterações neurocognitivas e incidentes de deficiência neurocognitiva. Assim, desenharam um estudo envolvendo 655 adultos que vivem com HIV e que recebem cuidados na Universidade da Califórnia, San Diego. Os participantes do estudo foram acompanhados por até seis anos.

brain

Três possibilidades de desfecho foram pesquisadas:

  • A associação entre a linha de base da pontuação do Índice VACS e as subsequentes alterações neurocognitivas.
  • Se mudanças nas pontuações do Índice VACS ao longo do tempo estavam correlacionadas com alterações na função cognitiva.
  • Se a pontuação do Índice VACS poderia prever o momento do incidente de deficiência neurocognitiva em pessoas com função neurocognitiva normais na linha de base.

Participantes com graves transtornos psiquiátricos ou lesão cerebral foram excluídos do recrutamento. A função neurocognitiva foi avaliada utilizando uma bateria completa de testes. Contagens dos exames foram convertidas em pontuação ajustadas à idade, escolaridade, sexo e raça. A partir das pontuações ajustadas foi feito o cálculo para obter a pontuação média global.

Os participantes tinham uma idade média de 43 anos, 83% eram do sexo masculino, 60% eram brancos, com contagem média de células CD4 de 346 células/mm³, 67% tinha um diagnóstico de aids, 61% estavam sob tratamento antirretroviral e 51% tinham carga viral indetectável. Três quartos relataram histórico de abuso de substâncias. No início do estudo, 40% foram avaliados com disfunção cognitiva. A pontuação mediana no Índice VACS foi de 22. Participantes com e sem deficiência neurocognitiva foram comparados.

Não houve associação significativa entre uma pontuação baixa no Índice VACS e alterações neurocognitivas. No entanto, houve uma associação significativa entre maior Índice VACS e pior desempenho global de domínio neurocognitivo, mesmo após o ajuste para possíveis fatores de confusão (p<0,01). Um maior índice de VACS foi associado à pior pontuação de memória em pessoas que não tomam antirretrovirais (p<0,01), mas não em pessoas que fazem o tratamento.

Análise de 60% das pessoas sem deficiência neurocognitiva no início do estudo mostraram que pontuações mais altas do Índice VACS estavam associadas à maiores chances de desenvolver algum transtorno (p<0,01). Depois de controlar fatores como a contagem de células CD4 e depressão, esta associação deixou de ser significativa. Contudo, nas análises dependentes do tempo, maiores pontuações do Índice VACS estavam associadas a um risco significativamente aumentado de incidentes de deficiência neurocognitiva (HR, 1,17; 95% CI, 1,06-1,29, p<0,01).

Os participantes do estudo com maiores pontuações do Índice VACS se mostraram significativamente mais propensos a desenvolver disfunção cognitiva em comparação com aqueles com baixa ou moderada pontuação do Índice VACS. Além disso, as pessoas com pontuações mais altas do Índice VACS também se mostraram significativamente mais propensas a experimentar declínio neurocognitivo (p=0,02).

“No geral, uma pontuação baixa do Índice VACS pode não ser um bom indicador da mudança cognitiva a longo prazo. Alterações na pontuações do Índice VACS, no entanto, correspondem a mudanças na neurocognição”, concluem os autores. “Ter pontuação muito alta do Índice VACS pode indicar um aumento notável do risco de declínio neurocognitivo e incidentes correlacionados. Estes resultados usam o Índice VACS como uma ferramenta simples para a identificação de pacientes infectados pelo HIV que estão sob alto risco de declínio neurocognitivo e para justificar ainda mais acompanhamento neurocognitivo.”

Por Michael Carter em 4 de julho de 2016 para Aidsmap

*Calcule seu próprio Índice VACS na MD+Calchttp://www.mdcalc.com/veterans-aging-cohort-study-vacs-index/

Probioticos_FMUSPA última edição do estudo sobre flora intestinal e imunidade, conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), ainda precisa de um(a) voluntário(a).

A pesquisa vai avaliar se a ingestão de um produto probiótico composto por lactobacilos, ingerido uma vez ao dia e durante três meses, é capaz de promover melhora na flora intestinal e aumento da contagem de células CD4 em indivíduos soropositivos para o HIV.

Pode participar:

  • homem ou mulher de 18 a 60 anos;
  • residente na região metropolitana de São Paulo, SP;
  • soropositivo(a) para o HIV;
  • em tratamento com o mesmo esquema antirretroviral pelo menos pelos últimos seis meses;
  • com CD4 menor que 500 e carga viral indetectável há pelo menos seis meses.
Entre em contato de 2ª à 6ª feira, das 10h às 17h pelos telefones: (11) 2661-7214  |  2661-3344  |  2661-8236  |  2661-7845, pelo WhatsApp: (11) 9-5289-9886 ou através do e-mail: pesquisaclinica.ichc@hc.fm.usp.br