CD8 é uma glicoproteína transmembranar que faz parte do sistema imunológico, por recobrir os linfócitos T. Ela é econtrada nas células citotóxicas e NK (do inglês Natural Killer Cell ou “exterminadoras naturais”). É responsável por destruir células tumorais e infectadas por vírus, sendo também responsável pela rejeição de tecidos transplantados. Soropositivos tendem a ter um aumento das células CD8

Sete em cada dez pessoas diagnosticadas positivas para o HIV e que começam a fazer o tratamento antirretroviral recuperam sua contagem de células CD4 para um patamar acima de 500 células/mm³. É isso o que relatam pesquisadores franceses em um estudo divulgado recentemente: quanto maior a contagem de células CD4 e maior a relação CD4/CD8 no momento do início do tratamento, melhor será a recuperação de CD4.

O estudo usou informações do Banco de Dados Hospitalar Francês sobre HIV, observando pacientes que iniciaram seu primeiro tratamento entre 2006 e 2014 e então alcançaram e mantiveram carga viral indetectável em até seis anos de acompanhamento. Todos estes pacientes começaram o tratamento com uma contagem de células CD4 inferior à 500 células/mm³ e uma carga viral superior a 50 cópias/ml. Além disso, todos os pacientes considerados no estudo tinham pelo menos uma medição da relação CD4/CD8 feita seis meses antes de iniciar o tratamento. Estabeleceu-se que a “recuperação de CD4” seria definida por duas contagens de CD4 sucessivas de pelo menos 500 células/mm³, após confirmação de duas cargas virais consecutivas com menos de 50 cópias/ml. Pessoas com esquemas triplos, duplos ou em monoterapia foram incluídas.

Dos 23.188 pacientes observados, 6.050 preencheram os critérios do estudo. 66% dos participantes eram homens, dos quais aproximadamente um terço era originário da África Subsaariana. Ao iniciar o tratamento, a média de idade entre os participantes era de 38,6 anos, a carga viral média do HIV-1 era de 52.257 cópias/ml, a contagem média de CD4 era de 275 células/mm³ e a média da relação CD4/CD8 era de 0,3.

O resultado foi o seguinte: no geral, 69,7% dos participantes tiveram recuperação de CD4 após seis anos de carga viral indetectável; apenas 12,1% não atingiram a recuperação do CD4 no sexto ano de carga viral indetectável. Nesse sentido, o estudo concluiu que quanto maior a contagem de CD4 e quanto maior a proporção de CD4/CD8 ao iniciar o tratamento, maior a chance de recuperação do CD4. (A relação CD4/CD8 é um marcador do sistema imunológico tão importante quanto a contagem de células CD4. Quanto mais próximo de 1 for a relação CD4/CD8, melhor.)

Célula CD4.

Os pesquisadores identificaram ainda outros fatores que foram significativa e moderadamente associados à recuperação da contagem de células CD4:

  • Idade: indivíduos com mais de 60 anos apresentaram menor probabilidade de recuperação de CD4 do que pessoas mais jovens;
  • Homens que fazem sexo com homens, mulheres e homens heterossexuais que não são da África Subsaarian têm uma probabilidade maior de recuperação de CD4 do que mulheres e homens heterossexuais que são da África Subsaariana;
  • Indivíduos com coinfecção por hepatite B ou C ou aids ao iniciar o tratamento tiveram menor probabilidade de recuperação de CD4.

A influência dos antirretrovirais no resultado da recuperação do CD4 também foi analisada. Começar com uma combinação tripla baseada em inibidores não-nucleosídeos da transcriptase reversa (como Efavirenz, Nevirapina e Etravirina), em vez de uma combinação baseada em inibidores de protease (como Atazanavir, Darunavir, Fosamprenavir, Indinavir, Lopinavir/r, Nelfinavir, Ritonavir, Saquinavir e Tipranavir), foi associada a uma menor probabilidade de recuperação de CD4. Mas não houve diferença ao começar com outros regimes, incluindo regimes baseados em inibidores da integrase, principalmente o Raltegravir, de acordo com o presente estudo.

Quanto maior a carga viral no momento de início da terapia antirretroviral, maiores as chances de recuperação do CD4. Isso pode parecer surpreendente, mas é algo que já foi documentado em vários estudos anteriores. O fenômeno pode ser explicado pela liberação no sangue, após a eficácia do tratamento antirretroviral, de células CD4 que foram mobilizadas no tecido linfóide para combater a intensa replicação viral e a inflamação. No entanto, o tempo necessário para a carga viral ser suprimida não foi associado à recuperação de CD4.

Resumindo, os pesquisadores franceses afirmam que os dois principais fatores de recuperação de CD4 são: uma alta contagem de CD4 e uma alta proporção de CD4/CD8 no momento de início do tratamento antirretroviral. Por isso, quanto mais cedo for feito diagnóstico e mais rápido for iniciado o tratamento, melhor.

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A Inovio Pharmaceuticals, uma empresa de biotecnologia avançada, focada na descoberta, desenvolvimento e comercialização de imunoterapias de DNA para tratamento de câncer e doenças infecciosas, divulgou, no último dia 15 de maio, um comunicado de imprensa a respeito do último resultado da sua vacina contra o HIV: a PENNVAX®-GP, que consiste em uma combinação de quatro antígenos do HIV projetados para gerar respostas de anticorpos e células T e agir contra várias cepas do vírus.

Segundo o comunicado,  a vacina apresentou respostas imunológicas “duráveis ​​e robustas” ao longo de 12 meses de acompanhamento, em um estudo clínico de fase 1. Anteriormente, a Inovio relatou que a PENNVAX-GP apresentara os maiores níveis de taxa de resposta imunológica, celular e humoral, já demonstradas em um estudo em humanos por uma vacina contra o HIV.

Os dados foram apresentados em uma sessão plenária na Reunião do Grupo de Trabalho da HIV Vaccine Trials Network (HVTN), em 14 de maio de 2017, em Washington, DC, no Estados Unidos, pelo copresidente do protocolo do estudo HVTN 098, Dr. Stephen De Rosa, professor associado de pesquisa em Medicina Laboratorial da Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center. O estudo HVTN 098 é o primeiro estudo clínico da PENNVAX-GP. Trata-se de um estudo multicêntrico, randomizado e controlado por placebo que envolveu 94 indivíduos (85 vacinas e 9 placebos) a fim de caracterizar e otimizar um esquema de quatro doses da vacina PENNVAX-GP, através de administração intradérmica ou intramuscular, em combinação com um ativador imunológico codificado por DNA, chamado IL-12.

Análises imunológicas mais abrangentes demonstraram que a PENNVAX-GP juntamente com o IL-12 geraram taxas de resposta de anticorpos de células T CD4 específicas contra o HIV e de ligação próximas a 100%, quando administradas com dispositivos intramusculares ou intradérmicos.

26 de 27, ou 96%, dos participantes que receberam a PENNVAX-GP e o IL-12 através da via intramuscular apresentaram resposta de células T CD4. 96% dos participantes que receberam a vacina por via intradérmica também apresentaram respostas de células T CD4 anti-HIV, embora as vacinadas pela administração intradérmica tivesse um quinto da dose tota,l em comparação com as vacinas por via intramuscular.

Durante um ano completo de estudo, as respostas imunes foram mantidas na maioria dos indivíduos, evidenciado pela durabilidade das células T ativadas, bem como pela magnitude das taxas de resposta. A porcentagem de pacientes que tiveram respostas de células T CD8 imediatamente após a última dose permaneceu a mesma ou até aumentou ligeiramente durante o último período de acompanhamento de 6 meses, demonstrando claramente respostas duradouras de memória geradas pela vacina.

“Estamos realmente satisfeitos em ver esses dados de resposta imunológica robustos e duráveis, que estão entre as maiores respostas já vistas em uma vacina contra o HIV e são notavelmente consistentes com nossos dados recentes relatados de nossos testes clínicos com Ebola, Zika e MERS, em termos de demonstrar quase 100% de taxas de resposta de vacinas com um perfil de segurança muito favorável”, disse o Dr. J. Joseph Kim, presidente e CEO da Inovio. “Além disso, nosso dispositivo de liberação de vacina intradérmica mais moderno e mais tolerável mostrou que podemos obter respostas imunes muito altas com uma dose muito menor. Estamos ansiosos para avançar ainda mais a PENNVAX-GP no desenvolvimento clínico em estágio avançado com nossos parceiros e colaboradores.”

O desenvolvimento da vacina PENNVAX-GP foi financiado por um contrato pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID), com um aporte de 25 milhões de dólares ao longo de cinco anos. Além disso, a Inovio e seus colaboradores receberam uma concessão adicional de 16 milhões de dólares durante o desenvolvimento pré-clínico, premiado pelo programa Aids Vaccine Development, em 2015, também pelo NIAID.

Em resumo, a vacina apresentou boas respostas em estudo em humanos em fase inicial. O próximo passo, provavelmente, deve incluir mais voluntários e a experimentação de dosagens para soropositivos e soronegativos, avaliando a possibilidade de prevenir a infecção em quem não tem HIV e tratar aqueles que já tem HIV.

Por muito tempo, fazer pesquisas científicas sobre os possíveis benefícios médicos da maconha era praticamente impossível. Ainda classificada pela Drug Enforcement Administration (DEA) dos Estados Unidos sob sua categoria mais restrita de substâncias controladas, a Schedule I — ao lado de drogas como heroína, ácido lisérgico (LSD), ecstasy e peyote –, a maconha vem sendo mantida longe das mãos de médicos e cientistas, por conta do difícil acesso ao financiamento e autorizações legais federais que para pesquisa, limitados justamente por conta dessa classificação. Mesmo nos estados americanos onde a maconha já foi legalizada para uso medicinal ou recreativo, os estudos com a planta ainda estão sujeitos à aprovação de vários órgãos e as amostras devem ser adquiridas no único laboratório aprovado pelo governo federal para dispensar maconha para pesquisa.

Mesmo com estes obstáculos, um crescente número de pesquisadores têm investigado as propriedades medicinais da cannabis, que já se mostrou promissora no tratamento de víciostranstorno de estresse pós-traumático, dores crônicas, doenças cerebrais e uma série de outras condições médicas — e, agora, há uma cautelosa expectativa de que a maconha também possa ser útil no tratamento do HIV, ajudando a bloquear a entrada do HIV nas células, reduzir a inflamação crônica e prevenir distúrbios neurocognitivos que podem ocorrer como resultado da infecção pelo HIV.

Robert L. Cook

Pelo menos, é isso o que diz uma reportagem da Vice, em uma entrevista com o pesquisador Robert L. Cook, professor de epidemiologia da Universidade da Flórida, que recentemente anunciou um estudo com 400 voluntários para examinar os efeitos da maconha em pessoas que vivem com o HIV. O estudo terá a duração de cinco anos, custará 3,2 milhões de dólares e provavelmente será o maior estudo sobre o assunto, não apenas avaliando o impacto da maconha nos cérebros dos pacientes soropositivos, mas também verificando se a droga é capaz de ajudar a suprimir o vírus. Além disso, o estudo vai precisar a quantidade de maconha consumida ou inalada pelos voluntários, bem como a quantidade de THC e cannabinoides presentes nestas doses.

Vice: Como você começou a se interessar pelo efeito da maconha nas pessoas que vivem com HIV?
Robert L Cook: Sou um médico e vejo pacientes com HIV o tempo todo. E estava pesquisando sobre o tipo de maconha que eu poderia recomendar: meus pacientes deveriam inalar, ingeri-la ou eu deveria sugerir um tipo específico da erva? Não há dados, por exemplo, sobre os motivos que levam um certo tipo de maconha a ter um melhor resultado para a saúde de alguém que vive com HIV do que outro, e é por isso que eu desenvolvi esse estudo. No estudo, poderemos comparar aqueles que usam diariamente a maconha com aqueles que a utilizam ocasionalmente. Vamos fazer testes de toxicologia de urina para tentar especificar exatamente a composição da maconha. Idealmente, até o final do estudo, poderemos dizer: “Uau! Parece que a maioria das pessoas que usam a maconha estão fazendo isso para tratar uma dor em comum ou por conta de outro determinado padrão”. Ou, quem sabe, porque a maioria das pessoas que estão usando maconha querem algo para ajudá-las contra o estresse e a estão utilizando seguindo certo padrão.

Ao mesmo tempo, você também está interessado nos efeitos do THC sobre o vírus e seus sintomas, certo?
Eu vi alguns dados muito interessantes que analisaram a quantidade de vírus no sangue das pessoas antes de serem tratadas com antirretrovirais. Essa pesquisa mostrou que aqueles que usavam maconha tinham uma quantidade menor de vírus em seu sangue em comparação com aqueles que não usavam maconha. Se de fato houver uma quantidade menor de vírus, isso é muito bom. Mas eu não vi nenhum estudo clínico que analisasse os efeitos diretos do THC sobre o HIV. Também não temos muitas pesquisas comparando o THC, sozinho, ou o THC junto com o canabidiol (CBD) em pessoas com HIV. Também vamos medir a resposta inflamatória à maconha de maneira muito mais cuidadosamente controlada do que em estudos anteriores. Medir a adesão aos medicamentos também é importante. Uma das razões pelas quais a maconha pode afetar o HIV é comportamental: o cenário estereotipado diz que alguém que usa maconha se torna menos motivado — sentam-se no sofá, assistem TV e não tomam os medicamentos quando deveriam. Não tenho certeza de que isso seja verdade, mas estaremos examinando isso também.

Você pode contar mais sobre como o THC, o composto químico da cannabis, funciona a nível celular?
O THC quase exclusivamente atinge receptores CB1, receptores canabinóides localizados em todo o corpo. Isso faz com que as pessoas sintam o efeito da droga, fiquem desequilibradas e tenham sua memória de curto prazo afetada. Além do cérebro, os receptores CB1 estão também em muitas das nossas células imunológicas. Existem 100 canabinóides diferentes na maconha, e aqueles que visam este receptor parecem reprimir a inflamação. Por isso, a indústria farmacêutica está buscando criar análogos sintéticos de THC ou CBD para atingir esses receptores. Entretanto, eu não vi pesquisas comparando diretamente o THC e o CBD nestes efeitos clínicos. Embora eu acredite que o THC seja provavelmente mais provável pelas experiências recreativas associadas à droga e o CB2 à reprimir a inflamação, é difícil saber o que isso representa em termos de alívio da dor. O que eu quero dizer é: se as pessoas se sentem melhor, é porque a dor delas é de fato diminuída ou porque estão se sentindo bem com a droga e não se importam tanto com a dor?

Algumas pessoas estão entusiasmadas com o fato de que os compostos da maconha são capazes de fazer algo que os antirretrovirais não conseguem: atravessar a barreira hematoencefálica — e, no caminho, ainda reduzir a inflamação crônica.
Apesar de conseguirmos controlar o vírus através dos antirretrovirais, as pessoas com HIV ainda envelhecem um pouco mais rapidamente, ainda sofrem com doença cardíaca quatro a cinco anos antes do soronegativos e muitas pessoas acreditam que tudo isso é decorrente da inflamação crônica. Portanto, um produto que ajuda a controlar a inflamação, certamente pode ajudar as pessoas a viver vidas mais longas e mais felizes.

O estudo de Robert L. Cook vem num momento em que o uso da maconha medicinal atinge seu máximo histórico nos Estados Unidos: mais de 70% dos americanos se dizem a favor do uso da cannabis para diminuir os efeitos de diversas condições médicas crônicas. Uma reportagem da HIV Plus Magazine afirma que muitos soropositivos usam a maconha com o intuito de aliviar sintomas decorrentes do HIV e efeitos colaterais associados ao tratamento antirretroviral, como náuseas, perda de apetite, depressão, perda de peso e dor neuropática — e também lembra que a cannabis pode ter efeito direto contra o vírus, como já teria sido documentado em estudos anteriores.

Uma pesquisa conduzida em macacos, financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde e pelo Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estudos Unidos e publicado na Aids Research and Human Retroviruses, em 2014, sugere que o THC consiga diminuir o dano do HIV no intestino, o que acontece especialmente durante a fase da infecção aguda. Cinco meses depois, pesquisadores do Centro de Ciências de Saúde da Universidade Estadual da Louisiana descobriram que o THC produziu uma diminuição generalizada na carga viral e na inflamação tecidual nestes macacos, com subsequente aumento da produção de células T CD4 e CD8.

Outro estudo, de 2012, conduzido na Escola de Medicina Mount Sinai da cidade de Nova York, sugere que a cannabis é capaz de interagir com receptores localizados em diversas células, incluindo macrófagos e células CD4, inclusive bloqueando o processo de sinalização entre HIV o e a CXCR4, um dos principais tipos de receptores que permitem que o HIV entre e infecte uma célula. Outra descoberta se refere aos compostos antiinflamatórios do THC, capazes de reduzir a replicação viral e a inflamação no cérebro.

Uma criança sul-africana de nove anos de idade, que foi diagnosticada soropositiva já no primeiro mês de idade e que recebeu um tratamento anti-HIV ao longo de 40 semanas, mantém o vírus controlado sem a necessidade de antirretrovirais há oito anos e meio, de acordo com o que os cientistas relataram na 9th IAS Conference on HIV Science (IAS 2017), em Paris, e publicado no Aidsmap.

Esta criança sul-africana é agora o terceiro exemplo de uma criança que iniciou o tratamento do HIV logo após o nascimento, interrompeu o tratamento depois de meses ou anos e mostrou conseguir controlar a infecção pelo HIV por um período prolongado, sem a necessidade de medicamentos antirretrovirais.

A criança francesa continua a controlar o HIV, mesmo sem tratamento antirretroviral há onze anos. A Bebê do Mississippi controlou o HIV por 27 meses.

Os outros dois casos de crianças que atualmente estão controlando a infecção sem a necessidade de antirretrovirais são: uma criança francesa, diagnosticada aos três meses de idade e tratada por mais ou menos 5 ou 7 anos, e a “Bebê do Mississippi”, tal como ficou conhecida, que começou a receber tratamento 30 horas após o nascimento e nele permaneceu por 18 meses, antes de interrompê-lo. A criança francesa continua a controlar o HIV, mesmo sem tratamento antirretroviral há onze anos. A Bebê do Mississippi controlou o HIV por 27 meses, antes do reaparecimento do vírus.

A criança sul-africana apresentada na IAS 2017 foi tratada por um curto período após o nascimento, como participante do estudo CHER, que comparou duas estratégias de tratamento precoce para bebês com HIV na África austral. A criança foi diagnosticada no primeiro mês de idade e iniciou o tratamento aos dois meses de idade com Lopinavir, Ritonavir, Zidovudina (AZT) e Lamivudina por 40 semanas. Depois, interrompeu o tratamento no primeiro ano de idade. A criança tinha uma carga viral indetectável, abaixo de 20 cópias/ml, no momento da interrupção do tratamento.

Depois disso, a criança foi testada a cada três meses até seus quatro anos de idade, para verificar a sua contagem de células CD4. Análises das amostras de sangue armazenadas mostram que a criança manteve sua carga viral indetectável durante todo esse período. O teste feito aos 9 anos de idade mostram que o HIV ainda se mantém indetectável e que o número de células que contêm o DNA do HIV, o reservatório viral, não mudou desde a interrupção do tratamento.

A criança exibe uma resposta de célula CD4 específica para o HIV

A criança exibe uma resposta de célula CD4 específica para o HIV, indicando que seu sistema imunológico é capaz de montar uma resposta contra o vírus, enquanto não possui resposta de células CD8 contra o HIV. Isso pode significar que níveis muito baixos de vírus estão presentes, mas não podem ser detectados pelos métodos atualmente disponíveis. Nenhum vírus competente de replicação foi isolado usando dois métodos diferentes para cultivar vírus de células potencialmente infectadas.

“Nós acreditamos que podem haver outros fatores, além do tratamento inicial, que contribuíram para a remissão do HIV nesta criança”

Pesquisadores da África do Sul e dos Estados Unidos ainda estão tentando explicar como a criança é capaz de controlar o HIV. Eles são cautelosos em não descrever o caso como uma cura — em vez disso, dizem que a infecção pelo HIV na criança está em remissão, controlada por fatores que ainda precisam ser entendidos. “Nós acreditamos que podem haver outros fatores, além do tratamento inicial, que contribuíram para a remissão do HIV nesta criança”, disse a Dra. Caroline Tiemessen do laboratório do Centro de HIV e DSTs do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis, em Joanesburgo, o qual está estudando o sistema imunológico desta criança.

Um grande estudo chamado IMPAACT P1115 está testando a hipótese de que a terapia antirretroviral em recém-nascidos infectados pelo HIV iniciada dentro de 48 horas do nascimento pode permitir o controle a longo prazo da replicação do HIV, mesmo após o tratamento ser interrompido, possivelmente levando à remissão do HIV. O IMPAACT P1115 começou em 2014 e inscreveu 42 crianças infectadas pelo HIV. As primeiras crianças podem tornar-se elegíveis para o tratamento antirretroviral no final de 2017.


Referência: Violari A et al. Viral and host characteristics of a child with perinatal HIV-1 following a prolonged period after ART cessation in the CHER trial. 9th IAS Conference on HIV Science, Paris, 23-26 July, 2017, abstract TuPDB0106.

Um estudo clínico feito pelo Institut de Recerca de la Sida IrsiCaixa e pela Fundació Lluita contra la Sida, na Espanha, conseguiu induzir o controle do HIV em 5 pessoas que estavam sem tratamento antirretroviral — as interrupções de tratamento duraram 5, 13, 17, 20 e 27 semanas. Normalmente, sem a presença de antirretrovirais, o vírus recupera sua quantidade e aumenta a carga viral no plasma sanguíneo durante as primeiras 4 semanas após a interrupção do tratamento.

Institut de Recerca de la Sida IrsiCaixa em Barcelona, Espanha.

“Parece que conseguimos enfraquecer o vírus e fortalecer o sistema imunológico dos pacientes”

Esta foi a primeira intervenção terapêutica contra o HIV que provou ser bem sucedida na reeducação do sistema imunológico de pessoas infectadas pelo HIV, permitindo manter o vírus sob controle sem uso de medicamentos antirretrovirais. Estudos anteriores realizados por outros centros para testar diferentes vacinas e medicamentos em pacientes com HIV não tiveram resultados semelhantes. “Parece que conseguimos enfraquecer o vírus e fortalecer o sistema imunológico dos pacientes, permitindo que este reaja de forma eficaz contra as tentativas de rebote do vírus”, explica a Dra. Beatriz Mothe, pesquisadora associada da IrsiCaixa e coordenadora do estudo.

“A vacinação terapêutica contra o HIV é possível.”

Este comportamento é semelhante ao observado nos chamados “controladores de elite”, indivíduos cujo sistema imunológico é capaz de controlar a carga viral sem a necessidade de antirretrovirais. “É a primeira vez que um número tão relevante de participantes de um estudo se tornaram controladores de elite após uma intervenção terapêutica, seja por vacina ou outra imunoterapia”, disse a Dra. Mothe. “Este é um passo muito importante porque mostra que a vacinação terapêutica contra o HIV é possível. Agora, nós queremos compreender como melhorar a eficácia desta estratégia ainda mais, seja com uma vacina melhor, repetindo os ciclos com doses mais baixas, associando o uso de agentes de reversão de latência ou com outros produtos em desenvolvimento — ainda há muitas perguntas a serem respondidas”, explicou o Dr. José Moltó, pesquisador da Fundació Lluita contra la Sida.

Laboratório do Institut de Recerca de la Sida IrsiCaixa em Barcelona, Espanha.

O estudo BCN 02 foi iniciado como um estudo de repetição em pacientes que participaram do estudo BCN 01, o qual incluiu voluntários que iniciaram o tratamento antirretroviral durante os primeiros seis meses após a infecção pelo HIV, recebendo aquilo que se chama de “tratamento precoce”. Estes voluntários também receberam doses das vacinas ChAdV63.HIVconsv e MVA.HIVconsv, projetadas pela Universidade de Oxford. Depois de demonstrar uma forte resposta imune induzida pelas vacinações, todos os pacientes foram mantidos sob tratamento antirretroviral até o estudo BCN 02 ser iniciado, quando os quinze pacientes receberam duas doses de reforço da vacina MVA.HIVconsv seguida por três doses de Romidepsina, um medicamento usado na quimioterapia de doenças hematológicas e que mostrou-se capaz, em estudos anteriores, de reverter a latência do HIV.

Os participantes que mostraram uma resposta imune positiva à vacina foram convidados a interromper o tratamento antirretroviral e, com isso, a serem avaliados semanalmente. Até à data, há cinco potenciais controladores de elite e oito indivíduos que tiveram de reiniciar o tratamento antirretroviral, após o vírus voltar a ser detectado. Um outro voluntário deve interromper o tratamento antirretroviral em breve e outro não teve uma respostas imunológica satisfatória após a vacinação.

Dentre os quinze participantes do estudo, com idade média de 40 anos e tratamento iniciado em no máximo 5,5 meses após a data estimada da infecção pelo HIV, todos estavam em tratamento há mais de três e a menos de quatro anos. Todos estavam em regimes contendo inibidores de integrase e tinham contagem média de CD4 de 728 células/mm³. Segundo o Aidsmap, os efeitos colaterais da vacina foram semelhantes aos de uma gripe, incluindo dor de cabeça, fadiga e dores musculares.

As três infusões de Romidepsina foram acompanhadas por curtos surtos de produção viral, mesmo sob antirretrovirais, na ordem de 50 à 400 cópias/ml, e por aumentos na produção de células CD4, que subiram cerca de 200 células/mm³ a cada infusão e, depois de três dias, voltaram para onde estavam antes. Apesar destes surtos de produção viral, a quantidade de DNA viral nas células do reservatório não mudou: uma das esperanças do conceito de “chutar e matar” era que o aumento de produção viral diminuísse o reservatório de células latentemente infectadas, algo que parece não ter acontecido neste estudo.

A quantidade de células CD8 também aumentou durante o estudo, tanto após a dose inicial da vacina como após a Romidepsina. Igualmente importante, o tipo de resposta imune também mudou: de uma resposta caracterizada por ser ampla contra todas as proteínas do HIV à uma situação em que três quartos da resposta imune se concentraram em regiões virais específicas, induzidas pela vacina.

 

Ao que parece, a HIVconsv tem ajudado a fortalecer um fenômeno às vezes observado em pessoas que iniciam o tratamento logo após a infecção: o controle pós-tratamento. Essas pessoas desenvolvem reservatórios de HIV naturalmente menores e, por isso, preservam algum grau de controle imunológico efetivo sobre o HIV, pois não possuem a proliferação de estirpes virais tal como ocorre em pessoas cronicamente não tratadas, nas quais capacidade do sistema imunológico é ultrapassada pelo vírus. A HIVconsv não só fortaleceu a resposta imune, mas também a redirecionou para um alvo mais eficiente.

“Este estudo é o primeiro a demonstrar o controle pós-tratamento”

“Este estudo é emocionante porque é o primeiro a demonstrar o controle pós-tratamento — ou seja, o vírus está presente, mas não há rebote após parar a terapia antirretroviral”, disse Sharon Lewin, diretora do Instituto Peter Doherty da Universidade de Melbourne, Austrália. “No entanto, também precisamos ser cautelosos: não havia grupo de controle e não sabemos qual parte da intervenção foi importante — A vacina precoce? A segunda vacina? Romedepsina? Ou todas as anteriores?”

“Precisamos de um estudo maior”

“Ao mesmo tempo, até hoje, em todos os outros estudos envolvendo a interrupção do tratamento, o controle pós-tratamento tem sido raro e, no máximo, ocasional. Portanto, este é um passo promissor e significativo. Precisamos agora de um estudo maior, que tenha um grupo de controle que não receba nenhuma intervenção. Queremos entender por que algumas pessoas controlaram o HIV e outras  não — atualmente não temos resposta para isso.”


vaxreport

Sete anos atrás, um grande estudo de eficácia feito na Tailândia, conhecido como RV144, nos trouxe a primeira — e, até agora, a única — evidência clínica de proteção contra o HIV induzida por uma vacina. As duas vacinas candidatas testaram aquilo que é referido como uma combinação de indução e reforço, que pareceu reduzir o risco de infecção pelo HIV em cerca de 31%. Este nível de eficácia não foi alto o suficiente para o licenciamento da vacina na Tailândia, mas fez trouxe um ponto de virada no campo das vacinas contra o HIV, marcado por duas décadas de decepções.

Desde então, os cientistas têm feito inúmeras análises e estudos de acompanhamento para tentar determinar quais tipos de respostas imunológicas induzidas pelas vacinas candidatas no RV144 podem ter levado à modesta eficácia observada — uma caça pelos chamados correlatos de imunidade. Os pesquisadores também têm experimentado modificar as novas candidatas à vacinas e a repetição das vacinações, numa tentativa de reforçar e melhorar a durabilidade das respostas imunes e, assim, melhorar a eficácia deste regimes ou de similares. Isso inclui testes com vacinas candidatas em países ou regiões onde a prevalência de HIV é mais alta, como a África subsaariana, ou em populações específicas em maior risco de contrair o HIV, como homens que fazem sexo com homens ou homens e mulheres heterossexuais sob alto risco.

Estas análises pós-estudo têm sido extremamente úteis na determinação de quais respostas imunes contribuíram para a eficácia modesta observada no RV144. A Pox-Protein Public Private Partnership (ou P5), constituída por representantes do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), Bill & Melinda Gates Foundation (BMGF), Conselho Sul-Africano de Pesquisa Médica, HIV Vaccine Trials Network (HVTN), Sanofi Pasteur, GlaxoSmithKline e o US Military HIV Research Program se uniram, em 2010, para testar em estudos futuros as variantes do regime usado no RV144, bem como para aprender mais sobre a proteção induzida pela vacina naquele estudo inicial.

Agora, o P5 está se preparando para um estudo de eficácia de uma vacina contra a aids em larga escala na África do Sul — o primeiro desde que os resultados do RV144 foram publicados. Este estudo vai testar um regime de vacinação de indução e reforço modificado e tem previsão de lançamento para novembro deste ano. O ensaio de Fase IIb/III, conhecido como HVTN 702, vai inscrever 5.400 homens não infectados pelo HIV e mulheres com idades entre 18 a 35, sob  risco de infecção pelo HIV, em 15 locais de pesquisa clínica. NIAID e BMGF vão financiar o estudo de US$ 130 milhões, que está sendo realizado pela HVTN.

 

Decodificação da proteção

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Uma vacina pode induzir muitos tipos diferentes de respostas imunes, incluindo anticorpos (proteínas em forma de Y que tipicamente se ligam ao vírus e o impedem de infectar as células) e respostas imunes celulares (CD4 e CD8, células T que orquestram a morte de células infectadas pelo vírus), assim como a resposta imune inata do corpo. O regime testado no RV144 pareceu induzir anticorpos, mas não dos tipos que se ligam ao vírus e o neutralizam. Em vez disso, os anticorpos induzidos em alguns receptores da vacina RV144 pareceram trancar as células infectadas pelo HIV e prendê-las até que outros componentes do sistema imunológico possam começar a matança. Este processo é referido como citotoxicidade celular dependente de anticorpo (veja o artigo More Surprises Stem from RV144, da edição de janeiro de 2010 da VAX).

A partir desses resultados iniciais, os pesquisadores passaram a identificar o que eles chamaram de “correlatos de risco” associados a este regime de vacinação. Esses estudos revelaram que um tipo de resposta de anticorpos estava correlacionada com risco reduzido de infecção pelo HIV, enquanto outra estava correlacionada com um maior risco de infecção (veja o artigo More Surprises Stem from RV144, de setembro de 2011 da VAX).

Mas os dados mais relevantes para apoiar um outro grande estudo de eficácia vieram de um estudo de I//II patrocinado pelo P5, conhecido como HVTN 100, que está em andamento na África do Sul. Este estudo, que envolve cerca de 250 homens e mulheres não infectados pelo HIV, está avaliando a segurança e a imunogenicidade do mesmo regime de vacinação de indução e reforço que serão testados no HVTN 702. Os vetores virais não-infecciosos com proteína do HIV que são candidatos são semelhantes aos testado no RV144, mas são baseados no subtipo C do HIV, que é predominante na África do Sul. No RV144, os candidatos foram baseados no subtipo B/E, que é o sorotipo mais prevalente na Tailândia. Uma análise interina mostrou que o esquema de vacinação no HVTN 100 induziu respostas imunes similares àquelas observadas no estudo RV144. Isso ajudou a convencer os patrocinadores do estudo a seguir adiante com o HVTN 702.

 

Um regime modificado

Além das vacinas candidatas serem baseadas em um subtipo diferente de HIV, existem algumas outras diferenças significativas entre o regime de vacina do HVTN 702 e o que foi testado no RV144. Um deles é o esquema de aplicação da vacina. No RV144, seis vacinas foram administradas sequencialmente ao longo de seis meses. No HVTN 702, cinco vacinações serão feitas: três no 6º mês e mais duas no 12º mês. A esperança é que isto estenda o efeito protetor inicial observado no RV144, o qual mostrou uma protecção de 60% no primeiro ano.

Um novo adjuvante também está sendo testado no HVTN 702. Embora os pesquisadores não saibam exatamente como eles funcionam, os adjuvantes ajudam a aumentar as respostas imunológicas induzidas por vacinas. O RV144 utilizou um adjuvante de alúmen, que consiste em sais de alumínio insolúveis, enquanto o HVTN 702 irá utilizar o MF9, um óleo biodegradável, que é utilizado em vacinas contra a gripe na Europa.

Os pesquisadores esperam que os resultados do estudo HVTN 702, que são esperados para 2020, venham a fornecer uma resposta clara sobre a possibilidade destes candidatos à vacinas protegerem contra a infecção pelo HIV.

Por Mary Rushton em agosto de 2016 para VAX Report


Embora a terapia antirretroviral consiga reduzir a quantidade de HIV no sangue a um nível indetectável na maioria das pessoas cronicamente infectadas, ela não é capaz de eliminar os reservatórios de HIV que persistem em células do sistema imunológico infectadas de forma latente. Resultados apresentados na 21ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2016), em Durban, África do Sul, sugerem que a combinação de terapia antirretroviral com um tratamento imunológico de reforço pode desestabilizar os reservatórios virais em macacos infectados com o vírus da imunodeficiência símia (SIV), o equivalente ao HIV em macacos. O trabalho foi financiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, parte dos National Institutes of Health, e liderado por Rama Amara, Ph.D., da Universidade de Emory.

O HIV infecta as células T CD4 do sistema imune. Outras células do sistema imunológico, chamadas células T CD8, ajudam a eliminar as células CD4 infectadas pelo HIV, mas sua capacidade de fazê-lo diminui ao longo do tempo. Estudos têm demonstrado que a perda da função das células T CD8 está associada a níveis elevados de uma proteína da superfície celular, denominada PD-1 e que os reservatórios de HIV se concentram em PD-1 e nas células CD4.

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Neste estudo, pesquisadores aplicaram 5 infusões de um anticorpo de bloqueio de PD-1 ou placebo em macacos infectados com SIV, 10 dias antes de iniciar os animais nos antirretrovirais. Os macacos que receberam o anticorpo anti-DP-1 produziram mais células CD8. Após o início da terapia antirretroviral, os níveis sanguíneos de SIV tornaram-se indetectáveis em uma média de 42 dias nos macacos tratados com anticorpo, em comparação com 140 dias naqueles que receberam placebo.

Oito meses após o início da terapia antirretroviral, os macacos receberam três infusões mensais de anti-DP-1 de anticorpos ou placebo. O bloqueador de PD-1 provocou aumentos transientes nos níveis sanguíneos de SIV, indicando que o tratamento pode ter desestabilizado os reservatórios latentes de SIV.

De acordo com os pesquisadores, estes resultados destacam o potencial do bloqueador de PD-1 para trabalhar em sinergia com os antirretrovirais e outros agentes terapêuticos, a fim de melhorar a função das células T CD8 e desestabilizar os reservatórios de HIV em humanos. Em última análise, tais estratégias potencialmente podem ser testada em pessoas, na tentativa de diminuir os reservatórios de HIV e reduzir a quantidade de HIV no corpo de uma pessoa, atéo ponto em que o sistema imune possa controlar a infecção sem a necessidade de medicamentos antirretrovirais.

Em 21 de julho de 2016 pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases


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Os antirretrovirais têm adicionado décadas à expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV que têm acesso ao tratamento. No entanto, quando comparado com pessoas soronegativas, aqueles que fazem o tratamento contra o vírus ainda têm maior risco de alguns problemas de saúde, normalmente associados ao envelhecimento. As razões por trás deste aumento dos riscos para a saúde ainda não são muito bem compreendidas, mas a comunidade científica está ansiosamente à procura de respostas. Os pesquisadores estão inclinados a apontar o dedo a um fenômeno conhecido como “inflamação crônica” como principal culpado.

Quando você se corta ou contrai uma infecção, o sistema imunológico logo inicia um processo em cascata, que envia para o local atingido um exército diversificado de células que promovem a cura, controlam a infecção e dão origem à inflamação. Entre esses soldados, um batalhão interligado de células CD4 e CD8 (conhecidas como células T “auxiliares” e “assassinas”, respectivamente), anticorpos, fatores de coagulação e citocinas pró-inflamatórias, entre muitos outros.

Em condições normais, células específicas irão desativar este processo inflamatório saudável, assim que o processo de cura ou combate da infecção estiver terminado. Mas, às vezes, a inflamação persiste a longo prazo e pode se tornar contraproducente, causando danos às células e tecidos saudáveis. Em pessoas soronegativas, a inflamação crônica está ligada à uma série de doenças, incluindo cardiovasculares, autoimunes, doenças hepáticas, renais e câncer.

O próprio HIV parece dar origem à inflamação crônica. O vírus também pode conduzir à desregulação do sistema imunológico, o que pode aumentar ainda mais a inflamação. Muitos cientistas acreditam que a inflamação crônica relacionada com o HIV contribui para o aumento do risco de doença cardiovascular, doença neurocognitiva, osteoporose (perda óssea), doença hepática, doença renal, fraqueza e alguns cânceres não relacionados à aids em indivíduos soropositivos. Todas estas condições estão associadas com o envelhecimento. Mas pessoas com HIV tendem a apresentá-las em idades mais jovens do que os seus homólogos soronegativos.

Poucas semanas depois da infecção, o HIV inicia um ataque maciço sobre o intestino, que tem uma elevada concentração de células CD4. Mesmo o tratamento muito precoce contra o vírus pode não ser capaz e reverter completamente este dano, que parece causar inflamação crônica, permitindo que os micróbios nocivos possam infiltrar-se no corpo (em um processo chamado de translocação microbiana), estimulando, assim, mais ativação imune e inflamação crônica.

Enquanto o tratamento do HIV não ajudar a combater a disfunção imune e a inflamação crônica causadas pelo vírus, os antirretrovirais não necessariamente acabam com esses efeitos. Pois, por um lado, ter uma carga viral indetectável não significa que o vírus é totalmente silencioso. A replicação viral de baixo nível ainda pode persistir e em um nível alto o suficiente para solicitar um constante estado de alerta do sistema imune, um estado inflamatório crônico. Por conseguinte, as células imunes superativadas podem conduzir para um estado de esgotamento, semelhante ao que é visto em pessoas mais velhas. O HIV também pode perturbar as células que ligam ou desligam a inflamação, possivelmente comprometendo a habilidade do corpo para regular adequadamente a inflamação.

Pessoas com HIV tendem a ter taxas mais elevadas de outras infecções virais, como a hepatite B ou C vírus (HBV, HCV) e citomegalovírus (CMV, que é da família do herpes), que também podem contribuir para a inflamação crônica e ativação imune. Além disso, o HIV pode causar cicatrizes, tanto no timo quanto nos nódulos linfáticos, o que leva à interferências na capacidade do corpo para combater infecções. O timo é um órgão que fica no peito, responsável pelo fabrico de células T, enquanto os nódulos linfáticos são responsáveis ​​pela coordenação das respostas imunes às infecções.

Os inúmeros problemas graves de saúde a que a inflamação crônica pode dar origem podem soar alarmantes. Mas o Dr. Steven Deeks, professor de medicina na Universidade da Califórnia, São Francisco (UCSF), que é um especialista em inflamação crônica relacionada ao HIV, diz: “É importante ressaltar que o efeito que nós estamos falando não é dramático”, diz ele. “Esse efeito, provavelmente não terá muito impacto na qualidade de vida, na saúde geral das pessoas, de fato, até que as pessoas estejam em sua sexta, sétima décadas de vida, quando então o efeito pode ser muito mais aparente.”

A pesquisa sobre tratamentos para a inflamação crônica:

“Eu acho que o júri ainda está se decidindo sobre a melhor abordagem para direcionar a resposta inflamatória, ou melhor, para orientar a raiz da resposta inflamatória: o próprio HIV, coinfecções e a translocação microbiana”, diz o Dr. Peter Hunt, professor associado de medicina da UCSF, que também estuda inflamação crônica relacionada ao HIV. “Um dos problemas é que nós realmente não temos intervenções bem sucedidas para bloquear essas causas; não temos quaisquer intervenções que desligam a expressão do HIV. “

Vários estudos têm sugerido que os medicamentos para baixar o colesterol, conhecidos como estatinas, podem reduzir a inflamação crônica nas pessoas com HIV e protegê-las contra seus efeitos nocivos. Mas os resultados de um estudo que fornece evidência científica do melhor padrão mostrou que tais benefícios ainda deixam a desejar. Atualmente, os pesquisadores estão recrutando 6.500 participantes em um estudo, chamado REPRIVE, que inclui pessoas com HIV que estão tomando antirretrovirais e que normalmente não seriam prescritas a tomar estatina. Os participantes serão distribuídos aleatoriamente, para receber estatina ou placebo. O estudo deve responder se os efeitos antiinflamatórios das estatinas vai se traduzir em um risco reduzido de doenças, tais como ataque cardíaco ou câncer, em pessoas com HIV. Infelizmente, os resultados não são esperados até 2021.

Outros medicamentos que já  estão mercado e atualmente sob pesquisa como agentes antiinflamatórios para as pessoas com HIV incluem: Micardis (Telmisartan), um medicamento para a pressão arterial, e Vildagliptina (Galvus), para diabetes. Pesquisas já têm demonstrado que a Aspirina não parece ajudar na inflamação relacionada com o HIV.

Os cientistas também estão pesquisando para ver se os probióticos, que promovem as bactérias desejáveis ​​no sistema digestivo, podem afetar o chamado microbioma do corpo de uma forma que ajude a diminuir a inflamação relacionada com o intestino.

Buscando afetar diretamente as vias inflamatórias, os pesquisadores estão olhando para os medicamentos utilizados em doenças inflamatórias, como a artrite reumatóide doença autoimune, e mesmo para alguns tratamentos contra o câncer. Outra pesquisa está examinando as drogas que inibem os principais indicadores de inflamação, chamados biomarcadores, tais como as citocinas interleuken-1 ou -6 (IL-1, IL-6).

Em geral, os especialistas concordam que uma cura para o HIV está a décadas de distância (ao contrário do que diz recentes reportagens erradas). Entretanto, como pesquisadores se esforçam para desenvolver maneiras de diminuir o tamanho do reservatório viral e, por sua vez, possivelmente reduzir a replicação viral de baixo nível, eles podem acabar encontrando os tratamentos que, mesmo quem não curem, acabem amortecendo a inflamação crônica.

Coisas que você pode fazer para combater a inflamação crônica e seus efeitos potencialmente nocivos:

De acordo com Deeks, os danos a longo prazo causados pela inflamação crônica relacionada com o HIV podem ser mais fáceis de evitar quando as pessoas são mais jovens, em vez de reverter os danos quando as pessoas são idosas.

As formas de prevenir tais danos incluem:

  • Tratamento precoce. Uma pesquisa mostrou que os antirretrovirais iniciados logo após a infecção podem reduzir a probabilidade de problemas de saúde ligados à inflamação, tais como ataques cardíacos e certos tipos de câncer.
  • Tome seus antirretrovirais todos os dias. Uma pesquisa recente descobriu que não aderir 100% ao tratamento está relacionado à maior inflamação.
  • Não fume. Fumar é especialmente prejudicial entre pessoas vivendo com HIV (além de ser altamente comum) e pode agravar a inflamação nas artérias.
  • Alimente-se de forma saudável. Uma pesquisa mostrou que a chamada dieta mediterrânea reduz o risco de ataques cardíacos ou AVC.
  • O exercício físico regular reduz o risco de inúmeros problemas de saúde.
  • Reduza a gordura corporal. O tecido gordo pode ser uma fonte de inflamação.
  • Trate coinfecções. A hepatite C agora é curável através de apenas oito semanas de tratamento e a hepatite B é tratável. Ambas as infecções podem causar graves danos ao fígado; e o HIV pode acelerar tais danos.
Por Benjamin Ryan em 5 de abril de 2016 para Poz Magazine


Sangamo

A Sangamo BioSciences Inc., líder em edição terapêutica de genoma, anunciou a divulgação dos dados da Fase 2 de dois estudos clínicos da companhia que estão curso, (coorte 3* SB-728-1101 e SB-728-MR-1401) de SB-728-T, que estão sendo desenvolvidos para o controle funcional do HIV/aids. Os dados comparativos preliminares sugerem que a aplicação adenoviral de nucleases de dedo de zinco (ZFNs) em células T pode ter efeito imuno-estimulador único, para o controle da infecção aguda e, mais importante, para a redução do reservatório de HIV.

“Os dados preliminares da Fase 2 sugerem superioridade do produto SB-728-T, o qual foi aplicado às células CD4 e CD8 através de adenovírus, administrado em dois dos três indivíduos tratados inicialmente e fora de terapia antirretroviral há mais de um ano”, afirmou o Dr. Dale Ando, vice-presidente de desenvolvimento terapêutico e diretor médico oficial da Sangamo. “O adenovírus utilizado para entregar os ZFNs de modificação de CCR5 em células-T pode atuar como um ‘adjuvante’, proporcionando estimulação imunológica adicional, além do pré-condicionamento oferecido pelo medicamento Cytoxan (ciclofosfamida), e aumentando a expansão das células CD8, uma vez que são infundidas de volta para o indivíduo. Esta expansão pode aumentar a probabilidade de controle da carga viral, mesmo na ausência da terapia antirretroviral, particularmente em indivíduos infectados pelo HIV que apresentam apenas um repertório limitado de atividade anti-HIV.”

“A proporção de indivíduos tratados que estabeleceram controle da carga viral é impressionante e pode refletir a reprogramação do sistema imunológico.”

“A proporção de indivíduos tratados na coorte 3* com adenovírus modificado que responderam e estabeleceram controle da carga viral mesmo na ausência de terapia antirretroviral é muito impressionante e pode refletir a reprogramação do sistema imunológico”, afirmou o codiretor Pierre Rafick Sekaly, Ph.D.,da CHAR Proteomic e Systems Biology Core do Departamento de Patologia da Case Western Reserve University. “Estes dados sugerem que a Sangamo desenvolveu um produto que pode potencialmente proteger o sistema imunológico, restaurando a homeostase das células T e a função das células T CD4, permitindo assim o controle imunológico durável do HIV pelas células T CD8.”

“A infusão de CCR5 modificado levou à restauração da homeostase de células T, reduzindo o reservatório de HIV ao longo do tempo.”

“A observação do controle funcional em alguns indivíduos da coorte 3* complementa a observação da redução significativa do reservatório de HIV na coorte de não-respondedores imunológicos (estudo SB-728-0902). Neste estudo, a infusão de CCR5 modificado em células T levou à restauração da homeostase de células T e a um subconjunto de células T de memória estaminais resistentes ao HIV, que foram efetivamente diluídas, reduzindo o reservatório de HIV ao longo do tempo”, comentou adiante o Dr. Sekaly.

Os dados demonstram que o SB-728-T produzido usando o RNA mensageiro (mRNA) e a entrega adenoviral de ZFNs para modificar o CCR5 das células T CD4 e CD8 foi seguro e bem tolerado, seguindo um regime Cytoxan. O produto que usa mRNA apresentou maior acumulação de células T CD4, CD8 e de células com CCR5 modificado, em três doses comparadas com 2 doses repetidas, com células modificadas persistindo na circulação. No entanto, os dados preliminares sugerem que a entrega adenoviral pode aumentar a expansão de células CD8 em comparação com a entrega do mRNA. Além disso, uma proporção mais elevada de indivíduos infectados com HIV tratados com o SB-728-T adenoviral alcançaram o controle durável da carga viral durante a interrupção de tratamento antirretroviral, do que aqueles tratados com um produto gerado utilizando entrega de mRNA ou a entrega adenoviral apenas de células CD4. Ambos os métodos de entrega alcançaram níveis semelhantes de CCR5 modificado em células T.

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Os dados preliminares destes dois estudos de Fase 2 foram apresentados pelo Dr. Ando no 7º Workshop Internacional sobre Persistência do HIV Durante a Terapia, considerada a oficina de referência sobre reservatórios de HIV e estratégias de erradicação, que aconteceu em Miami, Flórida, entre 8 a 11 de dezembro de 2015. As análises que exploram o potencial do mecanismo de ação do SB-728-T na redução do reservatório de HIV em pacientes soropositivos não-respondedores imunológicos foram resumidas em uma apresentação feita pelo Dr. Sekaly, intitulada “A Resposta Antiinflamatória e a Cura do HIV”.

Estudos anteriores da Sangamo sobre o ZFP Therapeutic®, produzido usando a entrega adenoviral de ZFNs, utilizaram um produto de SB-728-T retirado de células CD8 e aplicado em células T CD4. Relatórios publicados anteriormente sugeriam que os indivíduos que controlam naturalmente a infecção pelo HIV, os chamados “controladores de elite”, ativam suas células CD8 com baixa expressão de CCR5. Por esta razão, o SB-728-T, avaliado em ambos os estudos descritos nesta apresentação, foi fabricado de forma a conter ambas células T CD4 e CD8 modificadas com ZFNs.

Os estudos compararam dois grupos de pacientes que receberam um tratamento de pré-condicionamento com Cytoxan e doses semelhantes de CD4 e células T CD8 modificadas através de ZFNs para interromper a expressão de CCR5, um co-receptor essencial para a entrada do HIV. Um grupo de indivíduos (coorte 3* SB-728-1101) recebeu uma única dose de células que foram modificadas utilizando ZFNs entregues numa formulação adenoviral, enquanto o segundo grupo (SB-728-MR-1401, n=8) recebeu uma dose equivalente total de células modificadas, distribuídas por dois ou três tratamentos, que tinham sido fabricadas utilizando eletroporação de ZFNs entregue com mRNA. Na coorte 3* foram tratadas quatro pessoas (de um total previsto de oito indivíduos) e três indivíduos completaram o protocolo de 16 semanas com interrupção de tratamento. Ambos os métodos geraram níveis semelhantes de CCR5 em decorrência de ZFNs e ambos os tratamentos se mostraram seguros e bem tolerados. O Cytoxan é um medicamento que é utilizado para reduzir transitoriamente o número de células T no corpo, as quais, em seguida à suspensão do uso do fármaco, repovoam rapidamente — e é neste ambiente de “crescimento” que o SB-728-T é infundido.

“A aplicação adenoviral de ZFNs em células T pode ter efeito imuno-estimulador único para o controle da infecção aguda e para a redução do reservatório de HIV.”

“Já demonstramos anteriormente que a entrega de ZFNs para ambas as células T e células estaminais hematopoiéticas usando mRNA e eletroporação resulta em altos níveis de edição de genoma em escala clínica e continuamos a usar esse método para todos as outras aplicações ex vivo”, afirmou Geoff Nichol, vice-presidente executivo de pesquisa e desenvolvimento da Sangamo. “A aplicação adenoviral de ZFNs em células T pode ter efeito imuno-estimulador único para o controle da infecção aguda e, baseado em estudos anteriores, para a redução do reservatório de HIV. Estamos ansiosos para receber dados adicionais de mais cinco indivíduos da coorte 3* em 2016.”

Resumo dos estudos clínicos

Sobre a coorte 3* do SB-728-1101: O SB-728-1101 é um estudo aberto e multicêntrico, projetado principalmente para avaliar a segurança e tolerabilidade do SB-728-T administrado após pré-condicionamento com ciclofosfamida (Cytoxan), sobre o enxerto, carga viral e contagem total de células T no sangue periférico. Os indivíduos da coorte 3* do estudo foram tratados com uma preparação de um máximo de 40 bilhões de células T CD4 e CD8 modificadas com ZFNs. O estudo utiliza um vetor adenoviral para aplicar os ZFNs em células T isoladas. Quatro semanas após a última infusão de SB-728-T, os indivíduos com contagens de CD4 ≥ 500 células/mm³ são submetidos a 16 semanas de interrupção de tratamento antirretroviral. A terapia antirretroviral é reiniciada em indivíduos cuja contagem de células T CD4 cair e/ou naqueles em que a quantidade de RNA do HIV aumenta para certos níveis pré-definidos. Ao final da interrupção de tratamento, indivíduos com uma carga viral detectável sustentada ou diminuição do número de células T CD4 são restabelecidos ao tratamento antirretroviral. Foram selecionados até oito indivíduos para participar do estudo.

Sobre o SB-728-mR-1401: O SB-728-mR-1401 é um estudo aberto e multicêntrico projetado principalmente para avaliar a segurança, tolerabilidade e os efeitos de doses repetidas de SB-728-T, contendo ambas as células CD4 e CD8 após administração de ciclofosfamida para pré-condicionamento, sobre o enxerto, carga viral e contagem total de CD4 e CD8 no sangue periférico. O estudo usou um novo processo de fabricação, usando eletroporação de mRNA que codifica as ZFNs, em vez de um vetor adenoviral, para entregar os ZFNs em células T isoladas. Este processo permite a repetição da administração do produto. Até oito indivíduos foram inscritos em dois grupos. Cada indivíduo recebeu um total de até 40 bilhões de células T modificadas com ZFNs. O primeiro grupo recebeu esta dose em duas infusões de doses iguais de SB-728mR-T, com 14 dias de intervalo após a administração de 1g de ciclofosfamida para pré-condicionamento, e dois dias antes da primeira infusão de SB-728mR-T. O segundo grupo recebeu três infusões de doses iguais de células. Acredita-se que dividir a dose total de células e a administrar sequencialmente dessa maneira pode maximizar o enxerto total de células. Quatro semanas após a última perfusão de SB-728-MR, os indivíduos com contagens de CD4 ≥ 500 células/mm³ foram submetidos a 16 semanas de interrupção de tratamento antirretroviral. A terapia antirretroviral é reiniciada em indivíduos cuja contagem de células T CD4 cair e/ou naqueles em que a quantidade de RNA do HIV aumenta para certos níveis pré-definidos. Ao final da interrupção de tratamento, indivíduos com uma carga viral detectável sustentada ou diminuição do número de células T CD4 são restabelecidos ao tratamento antirretroviral.

Sobre o SB-728-T: O SB-728-T é um medicamento da Sangamo, gerado pela modificação de gene mediada por ZFNs, que codificam o receptor de CCR5 nas próprias células-T de um paciente. A modificação de ZFNs interrompe a expressão do referido co-receptor, essencial para a entrada do HIV, tornando, assim, as células resistentes à infecção pelo HIV. A abordagem baseia-se na observação de que uma mutação de ocorrência natural no gene CCR5, chamada CCR5 delta-32, fornece proteção contra a infecção pelo HIV. Indivíduos nos quais ambas as cópias do gene CCR5 transportam a mutação delta-32 não são, geralmente, susceptíveis a mais comum a cepa de HIV.

Sobre a Sangamo: A Sangamo BioSciences Inc. está focada em Engineering Genetic CuresTM, que é a engenharia genética para a cura de doenças infecciosas monogênicas, implementando o uso de sua proteína de ligação de DNA no genoma, para edição terapêutica e regulação gênica. A companhia possui um programa clínico de Fase 2 para avaliar a segurança e eficácia do ZFP Therapeutics® para o tratamento de HIV/aids (SB-728). Outros programas terapêuticos da Sangamo estão focados em doenças monogênicas e raras. A empresa formou uma parceria estratégica com a Biogen Inc. para hemoglobinopatias, como anemia falciforme e talassemia beta, e com a Shire International GmbH para desenvolver terapias para a doença de Huntington. Também estabeleceu parcerias estratégicas com empresas para aplicações não terapêuticas de sua tecnologia, incluindo a Dow AgroSciences e Sigma-Aldrich Corporation.

Em 11 de dezembro de 2015 pela assessoria de imprensa da Sangamo. Este comunicado de imprensa pode conter declarações prospectivas baseadas nas atuais expectativas da Sangamo. Essas declarações prospectivas incluem, sem limitação, as referências relacionadas com a pesquisa e desenvolvimento de novas aplicações terapêuticas de tecnologias da Sangamo para o tratamento de HIV/aids, incluindo uma cura funcional potencial para HIV/aids. Os resultados reais podem diferir materialmente destas declarações prospectivas devido a uma série de fatores, incluindo incertezas relativas ao início e à conclusão dos estágios dos estudos clínicos, os quais irão validar e apoiar a tolerabilidade e eficácia destes medicamentos, os desafios tecnológicos e a capacidade da Sangamo para desenvolver produtos comercialmente viáveis. A Sangamo não assume qualquer obrigação de atualizar as informações prospectivas contidas neste comunicado de imprensa.