Todos os posts com a tag: CD4

CD4 é uma molécula que se expressa na superfície de algumas células T, macrófagos, monócitos e na célula dendrítica. É uma glicoproteína monomérica de 59kDa que contém quatro domínios (D1, D2, D3, D4) de tipo imunoglobulinas.

Meus sete anos de diagnóstico

Sabe, parece que tudo começou naquela tarde, em dezembro de 2015. Atravessei os corredores brancos do hospital e, finalmente, avistei meu avô. De dentro do quarto, com os tubos presos ao nariz, ele virou o rosto em direção à porta de entrada, e me viu. Como sempre fez, sorriu. Me cumprimentou com um apelido carinhoso, que dito por qualquer outra pessoa seria xingamento. Estava deitado na cama do hospital, levemente reclinada para não pressionar seus frágeis pulmões, dos quais apenas um funcionava e em 15% de sua capacidade. Seu câncer voltara. Aparentemente, os anos sem fumar desde a remoção de quase todo um pulmão afetado pelo primeiro tumor maligno, não foram suficientes para evitar a recidiva da doença, agora no pulmão remanescente. Toda uma vida de cigarros, contra alguns anos sem. Eu ainda era pequeno quando disse a ele para parar de fumar. Mas ele não me escutou. Ao invés disso, escutou o tumor, que só se comunicou quando já era tarde demais. “— Tem histórico de câncer na família?”, me perguntou o meu médico, …

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Câncer & HIV

Nos últimos anos, a International Aids Society Conference on HIV Science, a IAS, incluiu um simpósio especializado na pesquisa da cura do HIV, que sempre antecedeu o evento principal. E este ano não foi exceção, com apenas uma pequena mudança, a começar pelo nome: HIV Cure and Cancer Forum — isto é, um fórum sobre o câncer e a cura do HIV. O título do evento parece reafirmar uma percepção atual entre muitos cientistas sobre aspectos comuns entre duas doenças distintas: o HIV e o câncer. Antes de falar das semelhanças entre elas, é importante ter em mente que estas são doenças distintas entre si porque há muitas diferenças entre elas. Foi isso o que bem lembrou Monsef Benkirane, do Instituto Francês de Genética Humana, na sua palestra de abertura. Enquanto o HIV é causado por uma infecção, o câncer é geralmente decorrente do mau comportamento espontâneo de algumas células. A exceção está apenas em alguns tipos específicos câncer, cujo mau comportamento das células pode mesmo ser provocado por infecções. No entanto, no coração das células é que …

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Mais uma criança capaz de controlar o HIV

Uma criança sul-africana de nove anos de idade, que foi diagnosticada soropositiva já no primeiro mês de idade e que recebeu um tratamento anti-HIV ao longo de 40 semanas, mantém o vírus controlado sem a necessidade de antirretrovirais há oito anos e meio, de acordo com o que os cientistas relataram na 9th IAS Conference on HIV Science (IAS 2017), em Paris, e publicado no Aidsmap. Esta criança sul-africana é agora o terceiro exemplo de uma criança que iniciou o tratamento do HIV logo após o nascimento, interrompeu o tratamento depois de meses ou anos e mostrou conseguir controlar a infecção pelo HIV por um período prolongado, sem a necessidade de medicamentos antirretrovirais. A criança francesa continua a controlar o HIV, mesmo sem tratamento antirretroviral há onze anos. A Bebê do Mississippi controlou o HIV por 27 meses. Os outros dois casos de crianças que atualmente estão controlando a infecção sem a necessidade de antirretrovirais são: uma criança francesa, diagnosticada aos três meses de idade e tratada por mais ou menos 5 ou 7 anos, e …

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HIVconsv: a vacina que controlou o vírus em 38,5% dos voluntários

Um estudo clínico feito pelo Institut de Recerca de la Sida IrsiCaixa e pela Fundació Lluita contra la Sida, na Espanha, conseguiu induzir o controle do HIV em 5 pessoas que estavam sem tratamento antirretroviral — as interrupções de tratamento duraram 5, 13, 17, 20 e 27 semanas. Normalmente, sem a presença de antirretrovirais, o vírus recupera sua quantidade e aumenta a carga viral no plasma sanguíneo durante as primeiras 4 semanas após a interrupção do tratamento. “Parece que conseguimos enfraquecer o vírus e fortalecer o sistema imunológico dos pacientes” Esta foi a primeira intervenção terapêutica contra o HIV que provou ser bem sucedida na reeducação do sistema imunológico de pessoas infectadas pelo HIV, permitindo manter o vírus sob controle sem uso de medicamentos antirretrovirais. Estudos anteriores realizados por outros centros para testar diferentes vacinas e medicamentos em pacientes com HIV não tiveram resultados semelhantes. “Parece que conseguimos enfraquecer o vírus e fortalecer o sistema imunológico dos pacientes, permitindo que este reaja de forma eficaz contra as tentativas de rebote do vírus”, explica a Dra. Beatriz Mothe, pesquisadora associada da IrsiCaixa e coordenadora do estudo. “A …

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CD32a, a molécula que pode indicar onde o HIV está escondido

Pela primeira vez, cientistas encontraram um biomarcador que identifica algumas células latentemente infectadas com o HIV. A molécula, denominada CD32a, pode ser encontrada na superfície de cerca de metade das células T CD4 latentemente infectadas pelo HIV, mas não é encontrada em células não infectadas ou em células com uma infecção ativa de HIV. A descoberta é resultado de um estudo conduzido pelo Dr. Monsef Benkirane, PhD, do Instituto de Genética Humana de Montpellier, França, e seus colegas, publicado na Nature. Esta descoberta abre uma nova porta na pesquisa da cura, especialmente para estudos que visam destruir os reservatórios de HIV — o conjunto de células latentemente infectadas, que permite que o vírus volte quando os medicamentos antirretrovirais são interrompidos. “Essa descoberta é quente e importante”, disse Sharon Lewin, uma das líderes da pesquisa da cura do HIV no Instituto Doherty, em Melbourne, na Austrália. “Ela precisará ser confirmada por outros, mas realmente parece ser um bom marcador de latência”, disse ela à MedPage Today. “Este trabalho abrirá diversas novas e importantes vias de trabalho.” O estudo foi feito in vitro, utilizando células CD4 a …

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Dez meses de supressão viral

Foi divulgada na CROI 2017, a Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, no mês passado, em Seattle, mais um caso de prolongada remissão viral. Depois de um transplante de medula óssea para tratar um câncer, um paciente soropositivo ficou quase 10 meses — mais tempo do que os chamados “Pacientes de Boston” — sem carga viral detectável, mesmo após interromper a terapia antirretroviral. Apesar de sua carga viral ter voltado depois disso, seus reservatórios de HIV parecem ter sido reduzidos, conforme relata o Aidsmap. O caso foi apresentado por Nathan Cummins, da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, e seus colegas. O paciente que recebeu este transplante foi um homem de 55 anos de idade, diagnosticado com HIV em 1990 e que começou a terapia antirretroviral em 1999 com uma contagem de CD4 de 300 células/mm³. Ele interrompeu o tratamento antirretroviral entre 2004 e 2009 por conta própria e, em seguida, reiniciou o tratamento com Ritonavir, Atazanavir, Tenofovir e Emtricitabina. Em abril de 2013, foi diagnosticado com leucemia linfoblástica aguda de células B. Em antecipação à quimioterapia, seu regime de antirretrovirais foi mudado para Raltegravir, Etravirina, Tenofovir e Emtricitabina. …

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Envelhecimento cerebral normal

Um estudo europeu parte da colaboração COBRA, CO-morBidity in Relation to Aids, divulgado na CROI 2017, Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, não encontrou evidências de envelhecimento cerebral acelerado em pessoas soropositivas sob tratamento antirretroviral. Neste estudo, cientistas reuniram imagens do cérebro obtidas por ressonância magnética e aplicaram testes cognitivos em 134 voluntários soropositivos sob tratamento antirretroviral e com carga viral indetectável, no Amsterdam Medical Centre e no Imperial College London. 79 pessoas soronegativas seviram de “grupo de controle”, isto é, foram usadas como comparação às pessoas soropositivas. A retenção ao longo do estudo foi boa, com resultados de acompanhamento disponíveis para 120 dos 134 participantes com HIV e para 76 dos 79 soronegativos ao longo de quase dois anos — mais precisamente: 1,9 ano. A idade média no início do estudo era de 57 anos, com variação de mais ou menos sete anos entre os participantes. No grupo com HIV, a contagem média de CD4 no começo do estudo era de 646 células/mm³, com variação de 213 células/mm³ entre os participantes. O ponto médio mais baixo de CD4 ao longo do estudo foi de 185 células/mm³, com variação de mais ou menos 144 …

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Quando teremos a cura?

Como anda a pesquisa da cura do HIV? É ético tirar as pessoas dos antirretrovirais para participar de pesquisas da cura do HIV? Você acha que teremos uma cura para o HIV nos próximos anos? Estas são algumas das perguntas que fizemos aos pesquisadores que fazem parte do Instituto para a Pesquisa sobre a Cura do HIV da amfAR, na Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), durante um fórum no Dia Mundial da Aids deste ano. Depois de uma apresentação minuciosa sobre os progressos realizados peloInstituto para a Pesquisa sobre a Cura do HIV no ano passado, o grupo de cientistas e um soropositivo sobrevivente de longo prazo responderam às perguntas sobre a busca de uma cura para o HIV. Aqui está o que aprendemos.   Quando teremos uma cura para o HIV? “As pessoas muitas vezes me perguntam isso”, disse Steve Deeks, “e, honestamente, eu não tenho a mínima ideia. Mas espero que tenhamos um regime — uma combinação viável e testável — até o atual financiamento deste instituto acabar, nos próximos anos. Essa é uma perspectiva otimista”, disse ele. Deeks comparou o conhecimento dos cientistas hoje …

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Um anticorpo que neutraliza quase todas as cepas de HIV

Cientistas dos National Institutes of Health (NIH) identificaram um anticorpo de uma pessoa infectada pelo HIV capaz de neutralizar 98% das cepas de HIV isoladas, incluindo 16 cepas, de um total de 20, resistentes a outros anticorpos da mesma classe. A notável amplitude e potência deste anticorpo, chamado N6, pode torná-lo um candidato atraente para o desenvolvimento futuro de formas de tratamento ou prevenção contra a infecção pelo HIV, dizem os pesquisadores. Os cientistas, liderados por Mark Connors, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas do NIH (NIAID), também acompanharam a evolução do N6 ao longo do tempo, para entender como ele desenvolveu a habilidade de neutralizar tão potentemente quase todas as cepas do HIV. Esta informação ajudará a informar a concepção de vacinas para obter esses anticorpos amplamente neutralizantes. A identificação de anticorpos amplamente neutralizantes contra o HIV tem sido difícil porque o vírus muda rapidamente suas proteínas de superfície para evitar o reconhecimento pelo sistema imunológico. Em 2010, cientistas do Centro de Pesquisa de Vacinas do NIAID descobriram um anticorpo chamado VRC01, capaz de evitar que até 90% das cepas …

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