[dropcap]S[/dropcap]uperar a capacidade do HIV para se manter dormente mesmo na presença da terapia antirretroviral parece ser a chave para o desenvolvimento de uma cura para o vírus — um objetivo que ainda permanece evasivo. Mas uma nova pesquisa publicada no Journal of Clinical Investigation sugere que um mecanismo epigenético, que controla a expressão dos genes, pode afastar o HIV do esconderijo e torná-lo vulnerável aos antirretrovirais.

“Trabalhamos com mecanismos que poderiam ser usados ​​para perturbar a latência do HIV”, disse Satya Dandekar, PhD, autor sênior do estudo. “O objetivo é forçar o vírus a ser expresso para que seja visível para o sistema imunológico.” Neste novo estudo, os pesquisadores concentraram-se na crotonilação, um processo que envolve enzimas genéticas e que modifica a proteína que embala o DNA e, assim, afeta a expressão dos genes. “A crotonilação de histona regula a latência do HIV”, explicou Guochun Jiang, PhD, o primeiro autor do estudo. “Se conseguirmos modular isso, o vírus pode ser mais eficientemente eliminado”.

Para obter uma compreensão mais aprofundada da crotonilação, os autores investigaram a enzima ACSS2, que desempenha um papel no metabolismo de ácidos graxos no intestino. Essa enzima pode ser um alvo importante, já que, de acordo com esse estudo, o HIV está associado a um metabolismo lipídico prejudicado. Os pesquisadores examinaram amostras de sangue de pacientes soropositivos e modelos celulares de latência. Quando ACSS2 foi ativado, o coletor de transcrição viral aumentou. “Examinamos modelos celulares bem caracterizados de latência do HIV e células imunes de pacientes com HIV que passaram por terapia antirretroviral e com cargas virais indetectáveis”, disse o Dr. Dandekar. “Nessas amostras, conseguimos perturbar a dormência do HIV induzindo crotonilação de histonas.”

Curiosamente, o aumento da crotonilação de histonas funcionou sinergicamente com outros tratamentos de latência anti-HIV, o que sugere que uma terapia de combinação poderia ajudar a atingir células latentes. Agora, os autores estão trabalhando para descobrir outras moléculas que atacam a latência para formular um ataque mais forte contra o HIV. “Estamos à procura de perturbações sinérgicas, combinando crotonilação de histonas com outros mecanismos para reativar o HIV”, afirmou o Dr. Dandekar.

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