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Artigos originais do Jovem Soropositivo.

Dá nos nervos

Sabemos que o HIV se esconde e se espalha pelo sistema nervoso central. A barreira hematoencefálica, uma membrana que protege o cérebro de substâncias potencialmente neurotóxicas, consegue impedir a entrada de muitos químicos, drogas, bactérias, vírus e de 98% dos medicamentos que estão na corrente sanguínea, mas não é capaz de reter o HIV. O vírus da aids dá um jeito de entrar no compartimento do cérebro logo no começo infecção, geralmente, em algum momento dentro das duas primeiras semanas. “Com o passar do tempo, as pessoas desenvolvem um vírus em seu cérebro que é diferente do que no resto do corpo.” Foi isso o que explicou a Dra. Joanna Hellmuth, médica neurologista da Universidade da Califórnia em São Francisco, num evento bimensal organizado pela San Francisco Aids Foundation.  Imagina-se que o vírus consiga atravessar essa barreira protetora do cérebro infectando os monócitos, um tipo de célula do sistema imunológico. Uma vez dentro do tecido cerebral, o HIV não afeta as células nervosas, os neurônios, mas infecta e usa outros tipos de células no cérebro, como …

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Gravidez para sorodiscordantes

Esta semana, nos Estados Unidos, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, CDC, publicaram um relatório sobre as estratégias de prevenção do HIV para casais sorodiscordantes em que mulheres soronegativas planejam engravidar de parceiros soropositivos. Neste relatório, o CDC reconhece que desde 1988 surgiram novas informações sobre a prevenção da transmissão do HIV em casais sorodiscordantes. “Uma estratégia é o uso da supressão viral através da terapia antirretroviral para o parceiro do sexo masculino, com relações sexuais sem proteção de preservativos”, diz o texto, antes de ponderar que é melhor que estas relações sexuais sejam “limitadas ao tempo em torno da ovulação, enquanto a parceira está tomando profilaxia pré-exposição” — a PrEP. “Outra estratégia que pode ser usada em conjunto com a terapia antirretroviral e a PrEP é a coleta e lavagem do esperma do parceiro masculino, para remover as células infectadas pelo HIV, seguido de testes para confirmar a ausência de HIV antes da inseminação intrauterina da parceira ou, antes da fertilização in vitro. Cada método possui um perfil de risco particular, pode …

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A PrEP chegou ao Brasil

Na última semana, o Ministério da Saúde anunciou o início da distribuição de medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco da infecção pelo HIV antes da exposição ao vírus, a chamada “profilaxia pré-exposição” (PrEP) no Sistema Único de Saúde (SUS). A oferta da PrEP deve começar dentro de 180 dias, a contar a publicação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a PrEP, prevista para acontecer na segunda-feira, dia 29 de Maio. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, na última quarta-feira, dia 24, durante sua participação na Assembleia Mundial de Saúde realizada em Genebra, na Suíça. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a PrEP seja oferecida a todas as pessoas que estão sob “risco substancial de contrair HIV”. África do Sul, Austrália, Canadá, Escócia, Estados Unidos, França, Lesoto, Malawi, Nova Zelândia, Peru, Quênia, Suécia, Tailândia, Tanzânia, Taiwan, Zâmbia, Zimbábue já aprovaram o uso da PrEP, enquanto outros países avaliam a sua implementação. A Inglaterra está agora conduzindo um estudo da viabilidade no país, depois do National Health Service ter sido obrigado judicialmente pela Corte de Apelação, …

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O C.E.O. do H.I.V.

“Algum de vocês ganha dinheiro da indústria farmacêutica?” “Deixe-me ser franco: algum de vocês ganha dinheiro da indústria farmacêutica?”, perguntou Bernie Sanders, então candidato à presidência dos Estados Unidos, a um grupo de ativistas da luta contra a aids, em maio do ano passado, no auge da campanha para as primárias dos democratas americanos. A pergunta foi sucedida por um silêncio constrangedor. Bernie estava na Califórnia diante de 19 ativistas, em um encontro agendado por Peter Staley, ativista e fundador do Treatment Action Group, que na década de 1990 ajudou a acelerar o desenvolvimento dos medicamentos antirretrovirais. O objetivo do encontro organizado por Staley era firmar o apoio da campanha de Sanders ao combate da aids, caso fosse eleito. Foi neste encontro, diante dos principais ativistas, que Bernie teria disparado sua pergunta. Segundo uma reportagem publicada pelo New York Times, a maioria das organizações de luta contra a aids aceita subsídios de empresas farmacêuticas — em alguns casos, grandes subsídios. É como se fosse uma relação simbiótica: as organizações sem fins lucrativos dependem do financiamento de empresas farmacêuticas, enquanto as empresas farmacêuticas dependem destas organizações para informar os pacientes sobre os …

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Carta de um leitor: sobre sintomas e sentimentos

“Tudo começou em outubro de 2016, com uma dor de garganta que insistia em permanecer. Creditei estes sintomas ao clima quente na rua e ao ar condicionado frio na sala do escritório onde trabalho, na qual eu passava longas horas do meu dia sob um forte estresse que vinha se agravando ao longo do ano. Ainda assim, eu pensava que tudo isso era mais um momento difícil — o qual, no final, seria totalmente superado. Mas não foi. Percebi também que eu estava emagrecendo, talvez em demasiado, mas ponderava que talvez isso fosse resultado da nova dieta sugerida pelo nutricionista, naquela última (e cara) consulta. ‘Estava com os músculos definidos’, dizia a mim mesmo diante do espelho. Havia também uma dor no corpo que não melhorava, há cerca de três anos, mas que julgava ser emocional — a ansiedade dos perfeccionistas. Me automedicava e, no final, ‘ficava tudo bem’. Até que não ficou mais. Vivia um relacionamento amoroso paralelo, que administrava com certa dificuldade (sim, já tinha sido ‘pego no flagra’ por meu companheiro, mas numa situação que depois foi ‘contornada’). Minha testosterona continuava …

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Os hábitos da felicidade

O que é felicidade, e como podemos ter um pouco dela? Matthieu Ricard, um bioquímico que virou monge budista, diz que podemos treinar nossas mentes em hábitos de bem-estar para gerar um verdadeiro sentimento de serenidade e realização. Matthieu Ricard Monge, autor, fotógrafo Às vezes chamado de “o homem mais feliz do mundo”, Matthieu Ricard é monge budista, autor e fotógrafo. Veja sua biografia completa.

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Carta de uma leitora: traição e HIV

“Olá, Jovem. Necessito dividir a minha história porque li poucos relatos de mulheres, porque preciso desabafar. Espero que possa me compreender e me ajudar. É difícil saber por onde começar. “Já fazia dez dias que eu estava com os remédios em casa e não tinha coragem de começar a tomá-los.” Acho que tudo começou há mais ou menos sete meses, quando conheci o seu blog. Eu estava desesperada, procurando informações relacionadas ao HIV. Tinha acabado de descobrir minha sorologia positiva, em 10 de maio de 2016, e foi através do seu blog que tirei muitas dúvidas no decorrer desses meses — e te agradeço por isso. Comecei a tomar a medicação ‘3 em 1’, no dia 1º de dezembro, quando por acaso vi uma reportagem sobre o dia Mundial de Luta Contra a Aids — este foi o empurrão que eu precisava, pois já fazia dez dias que eu estava com os remédios em casa e não tinha coragem de começar a tomá-los. “Abriu em mim uma porta para a ilusão de que eu nunca teria HIV.” Tenho 33 anos, …

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Um homem, seu diagnóstico e a vida com HIV

Alex, 27, é diretor de marketing. Ele foi diagnosticado aos 23 anos e fez aqui um relato franco e emotivo da vida antes do HIV, do terrível dia do diagnóstico e de como agora ele está vivendo uma vida normal.   Pré-HIV Minha primeira experiência com o teste de HIV foi com um médico em Norfolk tirando meu sangue e dizendo “você é gay então você provavelmente tem HIV” e, em seguida, me entregando um folheto sobre ser soropositivo. Ninguém quer escutar isso com 16 anos! Mas ele estava errado: cinco dias depois eu recebi o resultado dizendo que eu era soronegativo. No entanto, a experiência foi tão ruim que eu não fiz o teste novamente por um bom tempo depois disso.   Os sinais Passei alguns anos vivendo em Londres antes de voltar para Norwich, onde a vivia muito bem – mantinha uma dieta saudável e ia sempre à academia para perder peso. Foi então notei que a perda de peso foi realmente muito dramática e que eu constantemente ficava resfriado. Aliás, não fui só eu que percebeu — meu chefe, no trabalho, disse: “Alex, você é a pessoa …

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Carta de um leitor: sobre o diagnóstico recente

“Olá, Jovem. Não sei como iniciar esse assunto — nem mesmo se deveria fazer isso —, mas senti a necessidade de estabelecer esse contato contigo. Você nem deve ter o conhecimento da minha existência antes desse e-mail, mas você foi de fundamental importância para o meu bem-estar, hoje, 11 dias após meu diagnóstico de portador do vírus HIV. Creio que você receba inúmeras mensagens como essa, diariamente, e, por mais que essa seja apenas mais uma, a vontade de compartilhar com você essa gratidão após a leitura de todos os artigos e relatos pessoais foi maior — e aqui estou eu. Vou começar falando de mim: me chamo M. e tenho 21 anos. Foi no dia 26 de outubro de 2016. Acho que esse acaba se tornando um dia inesquecível para qualquer um, até para os mais esquecidos ou desnaturados com datas. Mas, enfim, numa tarde após fazer o meu primeiro teste rápido de DSTs — que quis fazer por mera curiosidade —, recebi a notícia que mudou minha vida e tem me causado inúmeras sensações, sentimentos e incertezas, desde …

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