No ar desde 28 de setembro para assinantes do canal Fox Premium 1 e, ao que tudo indica, em 2019 no Netflix, a série Pose (2018), criada por Steven Canals, Brad Falchuk e Ryan Murphy — este último, o mesmo criador de American Horror Story e American Crime Story —, é altamente recomendada!

Ambientada no final da década de 80, Pose é uma série que acompanha a vida de pessoas LGBTIQ+, bem como a a expansão destas comunidades em uma década na qual ainda não se sabia muito sobre esses grupos de pessoas. A circunstância desta época acabou por unir transexuais, travestis, drag queens, gays e outros grupos que acabavam por compartilhar interesses em comum e, por acaso, que começam a ser assolados pela epidemia de aids.

Essa produção de Ryan Murphy é emblemática, porque conta com o maior número de atores transgênero como protagonistas, atores principais, num elenco finamente selecionado para contar a história de vários segmentos da vida e da sociedade em Nova York no final dos anos 80: o mundo da cultura de baile, do surgimento do universo de luxo na época de Trump e a cena social e literária do centro da cidade. Pose já tem garantida sua segunda temporada, para 2019, a qual promete se aprofundar mais na questão da epidemia e dos soropositivos daquele período.

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“Em 2017, meu esposo e eu vivíamos mais um ano de nossas vidas. Estávamos casados há 5 anos e pensávamos que era altura de engravidar. No meu exame anual de rotina, todos os resultados vieram okay e, assim, iniciamos nosso projeto.

No meio do ano, meu esposo recebeu uma proposta para mudar de emprego. Era uma ótima oportunidade e ficamos muito animados com ela: 2018 tinha tudo para ser o nosso ano! Emprego novo, a possível chegada do bebê e, agora, a possibilidade de uma casa própria. Depois de um processo seletivo bastante longo e estressante, cheio de etapas e expectativas, chegou a ótima notícia: ele havia sido aprovado. Iniciou-se então um período de treinamentos, muitas viagens e muito estudo para esse novo momento. Meu esposo estava muito confiante, pois a nova empresa era realmente incrível.

Foi quando meu esposo começou a não se sentir muito bem, possivelmente, pensamos, por conta de toda a correria que a seleção do novo trabalho exigira. Resolvemos viajar num final de semana. Busquei-o no aeroporto, logo percebendo que ele provavelmente ficaria gripado. Acabei dirigindo o carro durante toda a viagem. Ele não estava bem, com um febre que até cedia com medicação, porém sempre voltada.

Resolvemos ir ao hospital. O médico diagnosticou uma inflamação na garganta, receitou uma injeção e, então, nos liberou. No domingo, retornamos para nossa cidade. Meu marido ainda não se recuperara e, por isso, fomos direto para emergência. A febre de meu marido já se prolongava por dois dias. Feitos todos os exames, indicaram um antibiótico e aconselharam a consultar com uma infectologista, sob a suspeita de ser mononucleose. Agendei consulta com a médica que havia disponibilidade mais próxima, o que acabou por ser somente na semana seguinte — uma semana difícil, na qual meu esposo não conseguiu comer nada, com a garganta quase fechada e momentos de febre tão intensa que chegava a delirar.

Finalmente, chegou o dia da consulta com a infectologista. A médica não acreditava que poderia ser mononucleose. Indicou um antibiótico mais forte e solicitou mais exames. Os remédios funcionaram e, dois dias depois, meu esposo já estava melhor. Na semana seguinte, retornamos ao seu consultório com os resultados  dos exames, todos ótimos. Aliviados, voltamos à nossa vida normal. Já era início de 2018 e tínhamos um ano novo pela frente!

Mas nossa alegria não durou muito. Um mês depois, meus esposo começou a não se sentir tão bem. Sentia uma forte dor nas costas, que parecia dor muscular, porém concentrada num único ponto. Surgiram também algumas lesões em sua pele, na área das costas, diagnosticadas na emergência do hospital com herpes zóster, para a qual ele foi medicado e aconselhado a procurar novamente um infectologista. Na consulta, a médica solicitou vários exames, para tentarmos descobrir o que estava acontecendo. Era mal estar atrás de mal estar, mês após mês e, por isso, precisávamos investigar a razão de sua imunidade estar tão baixa — seria devido ao estresse do novo emprego?

Foi na primeira semana de março desse ano, de 2018, que recebemos o diagnóstico positivo para o HIV. E nossa vida desmoronou. Não perdemos apenas o chão, perdemos também a consciência de tudo. Me lembro de vê-lo sentado na beira da cama, chorando desesperadamente. Ao seu lado, eu juntava todos os cacos dentro de mim, para conseguir segurar sua mão e dizer que concentraríamos toda a nossa energia no tratamento contra esse vírus.

Inexistimos durante uma semana, o tempo do diagnóstico até a próxima consulta. Usamos  nossas últimas forças para ir trabalhar e parecermos normais para a nossa família. Quando um estava destruído, o outro assumia os cuidados da casa e da nossa alimentação, um dia de cada vez e com muita conversa para digerir tudo isso. Durante esse período, o que mais nos ajudou foi esse blog, o Diário de um Jovem Soropositivo, que nos trouxe mais do que esclarecimento: trouxe a esperança que uma nova vida era possível.

Eu também fiz o teste de HIV, um resultado que seria bem decisivo para nós. Lembro daquela terça-feira, quando acessei o site do laboratório, logo depois de chegar do trabalho. Meu esposo estava sentado no sofá e eu na frente do computador. Li em voz alta: “não reagente” e meu esposo começou a  saltar e pular de alegria. E eu? Bom, eu fiquei ali, olhando para o computador, em silêncio. Ele me questionou: eu não estava feliz? Claro que esta era uma ótima notícia, mas como eu ficaria feliz sabendo do resultado dele? A dor dele era a minha também.

Escrevo esse relato seis meses após todos esses acontecimentos, tempo em que vivemos um misto de gratidão e sensação de começar uma nova vida. Meu esposo faz seu tratamento antirretroviral direitinho, parou de consumir bebidas alcoólicas e tenta cuidar-se ao máximo para não ficar nem resfriado. Eu tento ajudar, cuidando da agenda de exames e da marcação de consultas. Fazemos questão de manter em nossas vidas um grande respeito pela doença. Isso nos mantém atentos aos cuidados com a medicação e exames. De resto, a vida segue normalmente.

Hoje posso dizer que 2018 foi realmente o nosso ano. Posso dizer que o diagnóstico não é uma sentença: foi a melhor coisa que poderia ter nos acontecido, pois, de alguma forma, nos trouxe a certeza de que podemos realizar todos os nossos sonhos. Meu esposo segue muito bem na nova empresa. Esse mês, assinaremos o contrato de compra da nossa tão sonhada casa própria. E iniciei novamente os exames para tentar engravidar.

Independentemente do diagnóstico, há altos e baixos na vida de todas as pessoas. Podemos tentar tornar o nosso mundo, e o mundo dos outros ao nosso redor, o melhor possível. Não estamos juntos, aqui, à toa.”

Procura-se homens e mulheres que vivem com HIV, residentes no Brasil, de 18 a 25 anos de idade, que tenham adquirido o vírus através de sexo sem uso de preservativo e dispostos a participar de campanha publicitária de uma conhecida marca de preservativos. A campanha será veiculada em todo território nacional ao longo de três meses, em celebração ao Dia Mundial de Combate à Aids, 1º de dezembro. A participação é remunerada. O candidato deve estar disposto a contar sua história e falar sobre como adquiriu o HIV. Para participar, entre em contato preenchendo o formulário abaixo:

Uma injeção mensal para controlar o HIV mostrou-se tão eficaz quanto os atuais comprimidos antirretrovirais diários, de acordo com um estudo da GlaxoSmithKline, a GSK. Esse estudo abre caminho para um novo e mais simples regime de tratamento.

A injeção experimental com dois antirretrovirais, Cabotegravir e Rilpivirina, mostrou-se capaz de suprimir o HIV em uma coorte de adultos que não tinham experimentado o tradicional regime oral diário de três medicamentos. No estudo, os adultos com HIV foram, primeiro, colocados em um programa de 20 semanas com comprimidos diários para suprimir o vírus, antes deste tratamento ser substituído pelas injeções mensais. Após 48 semanas, as injeções mantiveram uma taxa de supressão similar ao comprimidos orais.

Os resultados reforçam um importante estudo anterior, que envolveu adultos que estavam usando um esquema oral de três medicamentos para controlar o vírus. John C. Pottage, diretor médico da ViiV Healthcare, uma subdivisão da GSK, disse que o estudo forneceu mais evidências de que uma injeção de ação prolongada pode vir a ser uma alternativa à terapia oral diária para pessoas que já atingiram a supressão viral.

“Este regime pode transformar o tratamento contra o HIV, reduzindo a quantidade de vezes que uma pessoa recebe o tratamento num ano: de 365 para 12”, disse ele. “Trabalhar em novos métodos de tratamento contra o HIV, incluindo terapias injetáveis ​​de ação prolongada, faz parte do nosso objetivo de tornar o HIV uma parte cada vez mais insignificante na vida das pessoas que vivem com o HIV.”

A ViiV Healthcare, que também é propriedade da Pfizer e da Shionogi, espera que este trabalho no desenvolvimento de terapias com dois medicamentos ajude a empresa a competir com a Gilead Sciences, farmacêutica norte-americana que domina o mercado de US$ 26 bilhões ao ano.

Que o novo presidente faça um bom governo. Que suas falas sobre o regime militar, a tortura, as falas com conteúdos homofóbicos, preconceituosos, racistas, machistas e que incentivam a violência sejam fake news ou, pelo menos, falas ultrapassadas de alguém que já mudou de opinião. Que siga a Constituição o novo presidente. Que o nosso acesso universal e gratuito ao tratamento antirretroviral seja mantido. Que a oposição se una e cobre deste presidente um bom governo, e que o faça de maneira justa, sem fixar-se em puro oposiocionismo ou dogmas partidários. Que os partidos que estava no poder há mais tempo façam autocríticas; e que a sociedade, nós, também a façamos.

Em uma entrevista antiga, Jair Bolsonaro (PSL) afirma que o Estado não deve custear os medicamentos antirretrovirais para os portadores de HIV. “Não é problema meu”, disse ele. “O Estado deve tratar de doentes infortúnios e não de vagabundos que se drogam ou adquirem aids por vadiagem.”

O candidato defende que não se deve usar dinheiro público para tratar quem contrai doenças em atos sexuais, classificando a população gay como grupo de risco. Nas palavras do próprio Bolsonaro, “uma pessoa que vive na vida mundana depois vai querer cobrar do poder público um tratamento que é caro” — é isso o que publicou a Carta Capital e, em texto semelhante, um post anterior deste blog.

Jair Messias Bolsonaro

O que acontecerá conosco, soropositivos, Bolsonaro sendo eleito presidente, se essas afirmações forem levadas a cabo? Para ilustrar a reposta, há pelo menos dois países que podem servir de exemplo: Rússia e Venezuela.

A oferta russa ao tratamento antirretroviral é bastante limitada e sobrevive num cenário de forte machismo e homofobia institucionalizados, fazendo a epidemia de HIV crescer 10% ao ano no país. Por sua vez, a Venezuela vive praticamente uma total falta de medicamentos antirretrovirais. “Ficar na Venezuela é morrer de aids”, conta um rapaz de 31 anos de idade, que trabalha recepção do Serviço de Infectologia do Hospital Geral do Oeste (HGO), para o El País.

Carlos Pérez, chefe do Serviço de Infectologia deste mesmo hospital, explica que a Venezuela atravessa a pior crise na área e em particular na nossa patologia. O médico administra um grupo de WhatsApp com seus pacientes no qual mensagens angustiadas são frequentes.

“A cada semana morrem dois pacientes meus. Estão chegando já na fase de aids e os recém diagnosticados estão muito imunossuprimidos. Isso levou a um aumento significativo das mortes por HIV. Nos últimos meses, temos tratado a crise discriminando os pacientes que estão melhor, distribuindo doses para uma semana de tratamento, usando os medicamentos deixados pelos pacientes que morrem ou receitando o esquema incompleto, embora tenhamos consciência de que isso favorece a aparição de um HIV resistente. A situação é tão grave que eu recomendei que os pacientes emigrem ou, se tiverem a possibilidade de que lhes tragam medicamentos do exterior, que façam isso, mas é algo insustentável para muitas famílias”, diz Pérez, que há 20 anos trata pacientes com HIV.

Corredor de hospital na Venezuela.

Nesse sentido, ou, no tocante à saúde, usando o linguajar do presidenciável Jair Bolsonaro, a verdade é que, sendo cumprida a afirmação do candidato pesselista, decerto nos aproximaremos da situação na Venezuela, país que ele tanto critica — e, ao meu ver, critica com razão.

A Venezuela vive uma ditadura de esquerda, atualmente sob o governo de Nicolás Maduro, presidente daquele país desde 2013, sucedendo o autoritário Hugo Chávez, que alterou a constituição do país para permitir sua reeleição e, no ano 2000, passou a governar através de decretos, sem a necessidade de aprovação da Assembleia Nacional. Chávez morreu em 2013, em decorrência de um câncer, mas teria milagrosamente voltado na forma de um passarinho para visitar o novo presidente Maduro.

Em 2017, Maduro foi reeleito, em eleições questionadas internacionalmente — mas, mesmo assim, parabenizadas no Brasil pelo Partido dos Trabalhadores, o PT. Nem poderia ser diferente, uma vez que a campanha teve o apoio do próprio Lula, que gravou um vídeo elogiando o colega venezuelano. Assim que Maduro foi eleito, o PT publicou uma nota.

“Venezuela: mais uma vez, exemplo de democracia e participação cidadã!”, diz a carta de apoio, datada de 16 de outubro de 2017. “O Partido dos Trabalhadores saúda o presidente Nicolás Maduro e seu partido, o PSUV, pela contundente vitória eleitoral nas eleições regionais deste domingo, 15 de outubro de 2017”, diz a nota assinada pela presidente do PT Gleisi Hoffmann e pela sindicalista Mônica Valente. O mesmo comunicado ainda afirma que o dia da eleição regional venezuelana seria lembrado “como o dia de uma vitoriosa jornada de democracia, onde mais de 60% do eleitorado atendeu à convocação democrática e compareceu, de maneira cívica e pacífica, manifestando seu apoio à paz, à democracia e à soberania na Venezuela.”

Todavia, o link original desta publicação do PT, bem como outros links com manifestações de apoio à Venezuela foram tirados do ar pelo próprio partido, no último dia 11 de outubro. De acordo com o próprio secretário de Comunicação do PT, Carlos Árabe, o bloqueio do acesso ao link foi feito por causa de mensagens de WhatsApp que estariam usando o comunicado como pretexto para distorcer a posição do PT sobre a Venezuela e disseminar notícias falsas. Árabe disse que o link havia sido bloqueado e que a nota continuaria no site, mas que o partido estudava uma maneira de recolocá-la no ar. “Não nos interessa manter bloqueado”, afirmou ele ao UOL.

Se isso é parte do caso das fake news disparadas por WhatsApp, é importante lembrar que ambas as campanhas, tanto de Bolsonaro como de Haddad, fizeram uso da ferramenta. Dados de um serviço de disparo de mensagens em massa a que a reportagem do UOL teve acesso trazem novos indícios sobre o esquema revelado na semana passada pela Folha de S.Paulo. Os dados revelam que, na tarde de 18 de outubro, foram apagados os registros de envio de mensagens disparadas pela campanha de Bolsonaro, horas depois da publicação da reportagem da Folha. A reportagem do UOL apurou que as campanhas de  Bolsonaro e Haddad fizeram uso da mesma plataforma digital. Apesar dos dados, as duas campanhas negam ter cometido irregularidades.

Voltando às declarações de apoio à Venezuela, é importante lembrar que este não foi o único apoio petista à uma ditadura. Ainda este ano, em 2018, “uma verdadeira insurreição” aconteceu na Nicarágua, conforme descreve o próprio site do PSTU, partido de esquerda. Os protestos naquele país teriam sido contra a reforma da previdência exigida pelo FMI, mas acabaram se transformando em um amplo movimento para derrubar a ditadura de Daniel Ortega.

Manifestantes enfrentam seguidores de Daniel Ortega na Nicarágua.

Ortega é o atual presidente da Nicarágua, no poder desde 2007. Antes, fora eleito entre 1985 e 1990. É membro da Frente Sandinista de Libertação Nacional, partido socialista fundado em 1961 no país. Diante dos protestos, Ortega os considerou ilegais e exigiu uma “limpeza das ruas, custe o que custar!” — lembrando bastante, convenhamos, a recente fala do presidenciável Bolsonaro, que sugeriu varrer os “vermelhos” para fora do Brasil.

Pelo menos 300 pessoas morreram na “limpeza” de Ortega e, mesmo assim, este presidente ganhou apoio do PT, que acusou os manifestantes nicaraguenses de fazerem parte de uma “contraofensiva neoliberal”. Dilma Rousseff, Monica Valente, Evo Morales e Nicolás Maduro encabeçaram a defesa a Ortega, dizendo: “Depois de tantos eventos, sofremos uma contraofensiva imperialista, liberal, multifacetada, com guerra econômica, mídia, golpes judiciais e parlamentares, como ocorre na Nicarágua e ocorreu na Venezuela”.

Entretanto, a verdade é que muito mais pessoas morreram na Colômbia, estima-se, em decorrência dos conflitos entre o Estado e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc. Em 50 anos de guerrilha, até o cessar-fogo, foram mais de 200 mil mortos.

Soldados das Farc

As Farc foram consideradas uma organização terrorista não somente pelo governo da Colômbia, mas também pelos Estados Unidos, Canadá e União Europeia. Em 2008, o então presidente venezuelano Hugo Chávez rejeitou publicamente esta classificação e apelou à Colômbia por um reconhecimento diplomático das guerrilhas como uma  “força beligerante”, argumentando que, dessa forma, elas estariam obrigadas a renunciar às táticas de sequestro e atos de terror, que notoriamente praticavam, encorajando-as a finalmente respeitarem as Convenções de Genebra.

Então, em agosto de 2017, ex-combatentes das Farc, depois da assinatura do acordo de paz com o governo colombiano, evento conhecido como o “Acordo de Havana”, fundaram o partido político Fuerza Alternativa Revolucionária del Común, cuja sigla também é FARC.

Menos de um ano depois, em abril de 2018, as Farc enviaram uma carta de solidariedade a Lula, por conta de sua prisão. A carta foi orgulhosamente publicada no site do PT, onde ainda permanece e, naturalmente, fomenta algumas as teorias (possivelmente) conspiratórias a respeito da maneira como entraram no Brasil os armamentos encontrados pelo Ministério da Justiça e pelo governo do Rio de Janeiro nas mãos de criminosos no estado — há indicações de que as armas vieram das Farc.

Fernando Haddad

O candidato do partido político orgulhoso da solidariedade das Farc e envolto em mensagens apoio ao ditador Maduro, na Venezuela, e a Ortega, na Nicarágua, é Fernando Haddad, do PT.

Haddad nasceu em 25 de janeiro de 1963, em São Paulo, mas só entrou na política em 1983, quando filiou-se ao Partido dos Trabalhadores. Depois que se formou bacharel em Direito pela USP, em 1985, Haddad especializou-se em Direito Civil, concluiu um mestrado em Economia e doutorado em Filosofia. Com este currículo, Haddad tornou-se professor ainda na mesma instituição, onde lecionava Teoria Política Contemporânea. Haddad ficou bastante conhecido como prefeito de São Paulo, em 2012, quando venceu o candidato tucano José Serra (PSDB).

Serra, aliás, merece um parênteses: quando ministro da Saúde, comprou uma verdadeira briga com a indústria farmacêutica, ameaçando quebrar patentes de remédios e utilizar as fábricas estatais de medicamentos para a produção de genéricos. Este foi grande feito da era FHC, que trouxe um impacto indiscutível no tratamento antirretroviral e na qualidade de vida de quem vive com o HIV. Essa política de saúde pública foi mantida nas gestões de Lula e Dilma e transformou o Brasil em referência mundial em tratamento e prevenção ao HIV.

Findo seu trabalho como prefeito de São Paulo, Haddad tentou reeleição, mas perdeu já no primeiro turno para João Doria (PSDB), e entrou no ranking dos prefeitos de capitais com pior avaliação no País. Apesar disso, é inegável que sua carreira política também teve feitos importantes.

De acordo com o site oficial do candidato, enquanto Ministro da Educação ao longo de sete anos, entre 2004 e 2012, Haddad criou programas nacionalmente reconhecidos. O novo FIES é um deles: permitiu que o financiamento estudantil, dividindo o programa em diferentes modalidades, chegasse a juros zero, de acordo com a renda familiar de cada aluno. Outro programa foi o Caminho da Escola: iniciativa na área de logística dos estudantes, que inclui não apenas ônibus, mas o transporte aquático em regiões ribeirinhas e até bicicletas, para facilitar o acesso dos estudantes às escolas.

No campo político, a verdade é que não se pode dizer o mesmo de seu oponente, Jair Bolsonaro, que tem apenas dois projetos aprovados em 26 anos de Congresso. Haddad não estava errado quando, no programa Roda Viva, nos lembrou que seu adversário “nunca nem administrou um boteco!”

De um lado, temos Jair Bolsonaro, do PSL, um candidato que apoia abertamente o regime militar, a tortura e ainda reúne incontáveis discursos, gravados, com conteúdos homofóbicos, preconceituosos, racistas, machistas e que incentivam a violência — sem falar da vontade declarada do candidato de abolir o tratamento antirretroviral universal e gratuito no Brasil. De outro lado, temos Fernando Haddad, do PT, partido que afirma rejeitar a ditadura e defender a democracia e, de fato, que nunca instaurou um regime comunista no Brasil, mesmo em doze anos de governo, muito embora apoie e se solidarize com regimes ditatoriais e autoritários no mundo, sem falar de organizações terroristas.

É impossível sequer considerar voto ao primeiro candidato, Bolsonaro, diante de suas falas e promessas. Bolsonaro “inspira medo”, já apontou Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, o STF. Além disso, seu plano de governo é vago e sequer pode ser aprofundado publicamente pela imprensa, vista sua total ausência nos debates televisivos — exceto, é verdade, nas sabatinas durante o começo da campanha: em uma delas, na GloboNews, o candidato mostrou evidente despreparo e, inclusive, uma limitação, talvez cognitiva, em compreender aquilo que lhe é perguntado. Além disso, Bolsonaro é apontado como um candidato desastroso para a economia brasileira. É rechaçado diversos editoriais em jornais do mundo todo, setores da sociedade, incluindo economistas, publicitários, intelectuais, policiais, entre outros, além de artistas como Roger Waters e Caetano Veloso, como o pior candidato que poderíamos ter no Brasil. Bolsonaro é inclusive criticado pela própria extrema direita, na França.

Enfim, não votar em Bolsonaro me parece a escolha natural. Mas isso é suficiente para votar em seu oponente, Fernando Haddad? Não seria justo considerar que um candidato com tamanha quantidade de votos, como é o caso Bolsonaro e já foi o de Lula, de fato desperte no povo que mais necessita os pontos fundamentais para que tenha o seu voto? Estaria a maioria dos eleitores enxergando algo positivo em Bolsonaro que eu sou incapaz de enxergar? Enquanto Bolsonaro apoia deliberadamente o autoritarismo e a ditadura, o partido de Haddad não estaria apoiando regimes semelhantes, mas de maneira talvez mais discreta?

Foi na busca por estas respostas que escrevi esse post, procurando e encontrando os argumentos contra o PT, que fundamentam a onda bolsonarista. E devo dizer que compreendo, sim, muitos desses argumentos — quem sabe, assim como fez Fernando Gabeira. Todavia, a verdade é que não consegui fazer o oposto: os argumentos simplesmente a favor de Bolsonaro carecem bastante de fundamentação.

Eleitores de Bolsonaro, conversando nas ruas, parecem defender seu candidato dizendo que ele não fará aquilo que diz em seus discursos ofensivos. É curioso: é como se os  eleitores de Bolsonaro tentassem nos convencer de que seu candidato não fará aquilo que promete! Esses eleitores também dizem que ele é o único candidato capaz de evitar que o PT transforme o Brasil em uma Venezuela, sustentando seu argumento no amontoado de evidências listadas ao longo do texto acima, mas fechando os olhos, ao que me parece, para os pontos em comum que os dois partidos e seus candidatos carregam.

Tanto Haddad como Bolsonaro apresentaram a proposta de uma constituinte, que alteraria a nossa Constituição mesmo em meio à crise política que vivemos no País, tal como fez Hugo Chávez. Diante de questionamentos da imprensa e da opinião pública no Brasil sobre o tema, os dois candidatos recuaram sobre esse ponto e retiraram-no de suas pautas.

Permaneceu então outro ponto em comum: a regulação da imprensa. Haddad a defende em seu plano de governo. Bolsonaro, por sua vez, embora não defenda a regulação da imprensa diretamente pelo Estado, sugeriu algo parecido ao afirmar que cortará a verba da imprensa que dele discordar: “Sem mentiras, sem fake news, sem Folha de São Paulo. Nós ganharemos esta guerra. Queremos a imprensa livre, mas com responsabilidade. A Folha de São Paulo é o maior fake news do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo. Imprensa livre, parabéns; imprensa vendida, meus pêsames”, disse ele.

Em muitos pontos, são muito parecidos esses dois candidatos! — frase esta que os bolsonaristas provavelmente responderiam apontando em direção à corrupção. Todavia, é preciso reconhecer a Lava Jato já atingiu 14 partidos políticos: para além do PT, PMDB e PSDB, foram alvos da Lava Jato políticos do PTC, PSB, SD, PR, PPS, PP, DEM, PC do B, PRB, PTB e PSD. Além disso, de acordo com um levantamento, dos cinco partidos com maior número de congressistas sob investigação, dois são de direita (PP, com 35 parlamentares, e PR, com 19), um é de esquerda (PT, com 32) e dois são de centro: PMDB (também com 32) e PSDB (26). Em ordem decrescente, portanto, o PP, que já abrigou Bolsonaro, segue em primeiro lugar, PMDB e o PT de Haddad logo atrás, praticamente empatados, e PSDB em seguida. (Esse levantamento é importante, mas devemos ter em mente que investigar é diferente de condenar e, acima, temos a quantidade de investigados.)

O argumento que Bolsonaro mais usa para se provar incorruptível é a fala de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, que teria dito que “só Bolsonaro não foi comprado pelo PT no esquema de corrupção conhecido como Mensalão”. Barbosa, porém, corrigiu Bolsonaro, lembrando que ele “não era líder nem presidente de partido” e “não fazia parte do processo do Mensalão”. Nesse sentido, Barbosa não poderia tê-lo absolvido, exonerado e sequer julgado, pois “só se julga quem é parte no processo”. O ex-ministro do STF conclui que “é falso, portanto, o que ele vem dizendo por aí”.

Talvez pior, Bolsonaro e Haddad são os únicos dos candidatos à presidência que não assinaram compromisso de apoio às chamadas “Novas Medidas contra a Corrupção”, um pacote de projetos para melhorar o enfrentamento à criminalidade, inclusive a de colarinho branco, lançado por entidades do movimento “Unidos Contra a Corrupção”. Além disso, embora não se enquadrem na Lei da Ficha Limpa, tanto Bolsonaro quanto Haddad respondem a ações penais ou de improbidade administrativa.

Bolsonaro é réu em duas ações penais no STF: os crimes imputados a ele são de incitação ao crime, injúria e apologia ao crime. Por sua vez, Haddad é réu em ação cível de improbidade administrativa: segundo promotores do Ministério Público de São Paulo, o MP-SP, houve irregularidades na construção de um trecho de 12 km de ciclovia na capital paulista, com a utilização de um tipo de contrato que dispensaria licitação, superfaturamento e deficiências na execução do serviço.

Pela primeira vez desde a redemocratização, elegeremos um presidente que é réu. Entretanto, quem for eleito não mais terá seu processo solucionado pela justiça, uma vez que a Constituição determina que processos contra presidentes da república sejam suspensos durante o mandato. Em outras palavras, seremos governados por alguém que não saberemos se é culpado ou inocente do crime ou irregularidade do qual é acusado.

Portanto, diante desse cenário, em quem votar? Ou, melhor dizendo, em quem não votar? No que diz respeito a nós, soropositivos, temos o risco de, com Bolsonaro no poder, termos uma saúde venezuelana no Brasil, sem antirretrovirais. Bolsonaro é ameaça de morrermos de aids, enquanto, com Haddad, não temos esse prenúncio.

O pior de Haddad parece ser o histórico de seu partido, o PT, envolvido em escândalos de corrupção e apoiador de regimes ditatoriais, através de notas de apoio do partido. Mas Haddad tem dado sinais de que quer se distanciar disso. Primeiro, reconhecendo que Venezuela e Nicarágua não são democracias. Depois, recuando sobre pontos polêmicos em seu plano de governo, chegando inclusive a alterar esse plano, retirando dali o nome de Lula, condenado e preso na Lava Jato. Haddad não planeja mais controlar o judiciário, como antes tinha dito, é mais enfático na defesa dos homossexuais e, agora, pondera o termo “golpista”, entre outros pontos que, de certa forma, o distancia dos dogmas de seu partido.

Nesse Haddad, ainda que timidamente contrário aos erros do PT, me sinto mais à vontade em votar, embora com muitas reticências. Desde o primeiro turno me mantive tendente ao voto nulo ou à abstenção. Me parecia o mais coerente a se fazer, do ponto de vista ético e político, embora contrário ao meu instinto de sobrevivência, pois preciso dos antirretrovirais para sobreviver. Para piorar, a onda de Bolsonaro tem motivado ataques contra homossexuais — se antes esses ataques já ocorriam, a verdade é que agora eles vêm com gritos de apoio ao candidato pesselista. Não é à toa que chamou a atenção da Ku Klux Klan: Bolsonaro endossa, sim, os discursos fascista e nazista.

O pior de Bolsonaro continua sendo Bolsonaro, indiferentemente de seu partido. O pior de Haddad, me parece, é seu partido e não a sua pessoa. Por isso, às vésperas da eleição é que decido meu voto, decido por não anular ou abster e, sim, votar em Haddad. Assim como Marina Silva e quase como Ciro Gomes, farei voto crítico em Fernando Haddad. Vou votar 13.

Um dos destaques da Conferência de Outono da British HIV Association, a BHIVA, foi a possível segunda cura do HIV por esterilização, tal como aquela alcançada pelo “Paciente de Berlim”, Timothy Ray Brown.

O caso envolve um homem soropositivo que foi submetido a um transplante bem sucedido de células estaminais alogênicas a partir de um dador não homozigoto para delta-32 de CCR5, a mutação genética natural que impede a infecção pelo HIV. Sua terapia antirretroviral foi interrompida 15 meses após o transplante, depois de aprovação ética, e, nos 12 meses seguintes, o HIV permaneceu indetectável em todos os métodos diagnósticos, incluindo análises de crescimento do DNA pro-viral e o DNA total e integrado do HIV nas células CD4. Mais detalhes serão apresentados a uma futura conferência médica. Por enquanto, isso é tudo o que sabemos!

Uma criança soronegativa recebeu um transplante de fígado de sua mãe soropositiva e, até agora, não tem qualquer evidência de infecção por HIV, além de uma resposta muito fraca de anticorpos contra o vírus, apesar de extensivos testes de HIV.

Pesquisadores sul-africanos publicaram na revista Aids a respeito do caso e disseram que não conseguem esclarecer se a criança eliminou o HIV ou se o vírus está profundamente oculto no organismo da criança, possivelmente apenas no fígado. Este é o primeiro caso relatado de um transplante a partir de um doador soropositivo para um receptor soronegativo e levanta a questão: é possível nesse caso evitar a transmissão do HIV com profilaxia?

A mãe da criança foi diagnosticada com HIV aproximadamente seis meses antes de engravidar e iniciou o tratamento antirretroviral com um regime de Efavirenz, Tenofovir e Lamivudina, seis semanas antes da concepção. Seu filho recebeu profilaxia com Nevirapina durante seis semanas após o nascimento e subsequentemente testou  negativo para o HIV.

Foi então que, aos seus sete meses de idade, a criança foi encaminhada para o Centro Médico Wits Donald Gordon, em Johannesburgo, África do Sul, onde foi diagnosticada com atresia biliar, uma doença hepática infantil na qual os dutos biliares são estreitados ou bloqueados, impedindo a bile de drenar do fígado e, assim, levando a danos nesse órgão. A única solução apontada foi um transplante de fígado.

O tempo médio de espera para um transplante de fígado pediátrico no Centro Médico Wits Donald Gordon é de 49 dias. Mas após 181 dias ainda não havia fígado disponível para o transplante. A criança foi então internada, com um sangramento que oferecia risco de vida. Nesse momento, a equipe médica decidiu por uma nova alternativa: sugerir que sua mãe fosse a doadora de fígado, nesse caso, de parte de seu fígado. O procedimento precisou de aprovação ética — e essa aprovação chegou quando a criança tinha 13 meses de idade.

Um medicamento chamado Metilprednisona foi administrado como imunossupressor durante a operação e, depois da cirurgia, corticosteroides orais foram administrados por seis meses após o transplante, para evitar a rejeição de órgãos. Outro medicamento, chamado Tacrolimus, também foi prescrito e ainda está sendo tomado pela criança, também para evitar a rejeição do fígado transplantado. Para prevenir a transmissão do HIV, foi prescrito um regime de Raltegravir, Lamivudina e Abacavir, iniciado no dia anterior ao transplante.

Para monitorar o status da infecção pelo HIV da criança, foram realizados testes de anticorpos contra o HIV, DNA do HIV e RNA do HIV. A criança testou negativo em todos eles, antes do transplante. Depois da cirurgia, a criança testou positivo para anticorpos contra o HIV, em 43 dias após o transplante, e continuou com testando positivo até o 379º dia, embora os anticorpos tenham caído rapidamente para níveis quase indetectáveis, indicando falta de replicação do HIV para estimular respostas de anticorpos.

Nenhum DNA ou RNA do HIV foi detectado no plasma sanguíneo. Um teste Western Blot realizado 225 dias após o transplante e deu resultado indeterminado. O ensaio mostrou que os anticorpos para as proteínas do núcleo do HIV, p24, p40, p55 e p65, eram detectáveis, porém, nenhum anticorpo para as proteínas do envelope foi detectado. Nenhum DNA pró-viral pode ser detectado em células mononucleares do sangue periférico ou leucócitos amostrados no 225º dia, sugerindo que nenhuma célula infectada pelo HIV persiste no organismo da criança ou, talvez, que tão poucas células foram infectadas que elas se mantém indetectáveis ​​nas amostras de sangue coletadas.

Os pesquisadores dizem que há diversas explicações possíveis para estes resultados. Uma destas explicações é a de que, embora seja verdade que um reservatório de HIV possa ter sido estabelecido após o transplante, ele é indetectável pelos testes atuais.

Outra possibilidade é que a infecção esteja confinada às células do fígado doado transplantado e que nenhuma célula receptora tenha sido infectada. Neste cenário, as respostas de anticorpos estão sendo produzidas por células B maternas no tecido hepático do doador, para antígenos produzidos pelas células hepáticas doadoras.

Uma terceira possibilidade é que a criança esteja montando uma resposta de anticorpos ao antígeno do HIV produzido pelas células hepáticas maternas. Nos dois cenários em que o fígado materno é a fonte do antígeno, a resposta de anticorpos em declínio sugere que a produção de antígeno é insuficiente para manter um alto nível de anticorpos.

Os investigadores do estudo dizem que a única maneira de determinar se a criança ainda está infectada pelo HIV pode ser parar o tratamento antirretroviral e monitorar a recuperação da carga viral. No entanto, é necessária mais discussão sobre a ética dessa abordagem.

Os especialistas em fígado Jurgen Rockstroh e Francisco Gonzalez-Scarano dizem que é provavelmente ético interromper o tratamento antirretroviral em algum momento, “uma vez que não se pode justificar uma vida toda de terapia antirretroviral sem a prova de sua necessidade”. Também dizem que o caso não traz evidências suficientes para que a doação de órgãos a partir de soropositivos torne-se corriqueira. Ao invés disso, o caso traz informação sobre como a transmissão do HIV pode ser evitada em circunstâncias como esta.

Por hora, a criança deve permanecer em terapia antirretroviral contínua por dois anos. Os pesquisadores esperam realizar mais transplantes, agora com amostragem e monitoramento mais intensivos.

Um grupo de pesquisadores utilizou, pela primeira vez, infusões de anticorpos para produzir uma supressão prolongada da carga viral do HIV sem terapia antirretroviral.

No pequeno estudo, nove de um total de onze pessoas com HIV que receberam três infusões de dois anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs), foram capazes de interromper sua terapia antirretroviral por uma média de cinco meses. No final do estudo, duas dessas pessoas ainda estavam fora do tratamento e mantendo a indetectabilidade viral (uma delas com alguns blips) mais de sete meses após a última infusão de anticorpos. Os outros sete mantiveram cargas virais indetectáveis ​​por períodos entre 10 e 21 semanas (média de 14 semanas) e permaneceram fora dos antirretrovirais por uma média de 16 semanas.

Duas pessoas, no entanto, tinham cargas virais que reapareceram rapidamente após a última infusão de anticorpos e quase imediatamente reiniciaram os antirretrovirais. Descobriu-se que ambos tinham resistência preexistente a um dos dois anticorpos usados ​​e que isso não havia sido detectado quando eles foram originalmente selecionados para o estudo.

Em um segundo estudo, os mesmos anticorpos foram administrados em sete pessoas que ainda não estavam tomando o tratamento para o HIV. Quatro destes sete responderam, dois a apenas uma dose dos anticorpos. Suas cargas virais reduziram em média 2,2 logs (uma redução de cerca de 200 vezes) por uma média de cerca de três meses. Isto não foi suficiente para produzir indetectabilidade viral persistente em três das quatro pessoas, mas uma pessoa iniciou o estudo com a carga viral mais baixa (menos de 1000 cópias/ml) manteve uma carga viral inferior a 20 cópias/ml durante oito semanas.

Estes estudos são os mais bem sucedidos em uma série usando bNAbs como candidatos a drogas antirretrovirais. Os dois anticorpos escolhidos para estes estudos atuaram como inibidores de entrada, ligando-se e bloqueando diferentes partes da proteína gp120, que o HIV usa para se ligar às células.

Esses anticorpos se desenvolvem naturalmente em algumas pessoas com infecção crônica pelo HIV, mas o HIV desenvolve facilmente a resistência a eles individualmente e, até agora, os estudos que utilizam os anticorpos isoladamente não tiveram nenhum efeito. Os dois anticorpos estudados, chamados 3BNC117 e 10-1074, foram escolhidos por seus perfis de resistência superiores e persistência no corpo.

O resultado destes estudos é a primeira demonstração de que a terapia dupla de anticorpos pode funcionar como uma alternativa à terapia antirretroviral.