Carta de uma leitora: não estamos juntos à toa

[mks_dropcap style=”rounded” size=”52″ bg_color=”#ffffff” txt_color=”#000000″]”E[/mks_dropcap]m 2017, meu esposo e eu vivíamos mais um ano de nossas vidas. Estávamos casados há 5 anos e pensávamos que era altura de engravidar. No meu exame anual de rotina, todos os resultados vieram okay e, assim, iniciamos nosso projeto.

No meio do ano, meu esposo recebeu uma proposta para mudar de emprego. Era uma ótima oportunidade e ficamos muito animados com ela: 2018 tinha tudo para ser o nosso ano! Emprego novo, a possível chegada do bebê e, agora, a possibilidade de uma casa própria. Depois de um processo seletivo bastante longo e estressante, cheio de etapas e expectativas, chegou a ótima notícia: ele havia sido aprovado. Iniciou-se então um período de treinamentos, muitas viagens e muito estudo para esse novo momento. Meu esposo estava muito confiante, pois a nova empresa era realmente incrível.

Foi quando meu esposo começou a não se sentir muito bem, possivelmente, pensamos, por conta de toda a correria que a seleção do novo trabalho exigira. Resolvemos viajar num final de semana. Busquei-o no aeroporto, logo percebendo que ele provavelmente ficaria gripado. Acabei dirigindo o carro durante toda a viagem. Ele não estava bem, com um febre que até cedia com medicação, porém sempre voltada.

Resolvemos ir ao hospital. O médico diagnosticou uma inflamação na garganta, receitou uma injeção e, então, nos liberou. No domingo, retornamos para nossa cidade. Meu marido ainda não se recuperara e, por isso, fomos direto para emergência. A febre de meu marido já se prolongava por dois dias. Feitos todos os exames, indicaram um antibiótico e aconselharam a consultar com uma infectologista, sob a suspeita de ser mononucleose. Agendei consulta com a médica que havia disponibilidade mais próxima, o que acabou por ser somente na semana seguinte — uma semana difícil, na qual meu esposo não conseguiu comer nada, com a garganta quase fechada e momentos de febre tão intensa que chegava a delirar.

Finalmente, chegou o dia da consulta com a infectologista. A médica não acreditava que poderia ser mononucleose. Indicou um antibiótico mais forte e solicitou mais exames. Os remédios funcionaram e, dois dias depois, meu esposo já estava melhor. Na semana seguinte, retornamos ao seu consultório com os resultados  dos exames, todos ótimos. Aliviados, voltamos à nossa vida normal. Já era início de 2018 e tínhamos um ano novo pela frente!

Mas nossa alegria não durou muito. Um mês depois, meus esposo começou a não se sentir tão bem. Sentia uma forte dor nas costas, que parecia dor muscular, porém concentrada num único ponto. Surgiram também algumas lesões em sua pele, na área das costas, diagnosticadas na emergência do hospital com herpes zóster, para a qual ele foi medicado e aconselhado a procurar novamente um infectologista. Na consulta, a médica solicitou vários exames, para tentarmos descobrir o que estava acontecendo. Era mal estar atrás de mal estar, mês após mês e, por isso, precisávamos investigar a razão de sua imunidade estar tão baixa — seria devido ao estresse do novo emprego?

[mks_dropcap style=”rounded” size=”52″ bg_color=”#ffffff” txt_color=”#000000″]F[/mks_dropcap]oi na primeira semana de março desse ano, de 2018, que recebemos o diagnóstico positivo para o HIV. E nossa vida desmoronou. Não perdemos apenas o chão, perdemos também a consciência de tudo. Me lembro de vê-lo sentado na beira da cama, chorando desesperadamente. Ao seu lado, eu juntava todos os cacos dentro de mim, para conseguir segurar sua mão e dizer que concentraríamos toda a nossa energia no tratamento contra esse vírus.

Inexistimos durante uma semana, o tempo do diagnóstico até a próxima consulta. Usamos  nossas últimas forças para ir trabalhar e parecermos normais para a nossa família. Quando um estava destruído, o outro assumia os cuidados da casa e da nossa alimentação, um dia de cada vez e com muita conversa para digerir tudo isso. Durante esse período, o que mais nos ajudou foi esse blog, o Diário de um Jovem Soropositivo, que nos trouxe mais do que esclarecimento: trouxe a esperança que uma nova vida era possível.

[mks_dropcap style=”rounded” size=”52″ bg_color=”#ffffff” txt_color=”#000000″]E[/mks_dropcap]u também fiz o teste de HIV, um resultado que seria bem decisivo para nós. Lembro daquela terça-feira, quando acessei o site do laboratório, logo depois de chegar do trabalho. Meu esposo estava sentado no sofá e eu na frente do computador. Li em voz alta: “não reagente” e meu esposo começou a  saltar e pular de alegria. E eu? Bom, eu fiquei ali, olhando para o computador, em silêncio. Ele me questionou: eu não estava feliz? Claro que esta era uma ótima notícia, mas como eu ficaria feliz sabendo do resultado dele? A dor dele era a minha também.

Escrevo esse relato seis meses após todos esses acontecimentos, tempo em que vivemos um misto de gratidão e sensação de começar uma nova vida. Meu esposo faz seu tratamento antirretroviral direitinho, parou de consumir bebidas alcoólicas e tenta cuidar-se ao máximo para não ficar nem resfriado. Eu tento ajudar, cuidando da agenda de exames e da marcação de consultas. Fazemos questão de manter em nossas vidas um grande respeito pela doença. Isso nos mantém atentos aos cuidados com a medicação e exames. De resto, a vida segue normalmente.

Hoje posso dizer que 2018 foi realmente o nosso ano. Posso dizer que o diagnóstico não é uma sentença: foi a melhor coisa que poderia ter nos acontecido, pois, de alguma forma, nos trouxe a certeza de que podemos realizar todos os nossos sonhos. Meu esposo segue muito bem na nova empresa. Esse mês, assinaremos o contrato de compra da nossa tão sonhada casa própria. E iniciei novamente os exames para tentar engravidar.

Independentemente do diagnóstico, há altos e baixos na vida de todas as pessoas. Podemos tentar tornar o nosso mundo, e o mundo dos outros ao nosso redor, o melhor possível. Não estamos juntos, aqui, à toa.”

Publicado por

Jovem Soropositivo

Jovem paulistano nascido em 1984, que descobriu ser portador do HIV em outubro de 2010. É colaborador do HuffPost Brasil e autor do blog Diário de um Jovem Soropositivo.

53 comentários em “Carta de uma leitora: não estamos juntos à toa”

  1. Que relato emocionante!!!. Como mencionado este blog e os depoimentos de outras pessoas me ajudou a superar e voltar a viver de forma positiva.

    Felicidades a você e seu esposo.
    Esperamos que muito em breve você volte aqui compartilhar com a notícia da vinda do seu bebê.

  2. Eu fui ao fundo do poço (um poço de ressaca moral, de desânimo, de auto flagelação) e voltei. Depois eu fui de novo. E voltei. E continuo, indo e voltando, desde 2011, qdo recebi meu diagnóstico. Eu percebi que minha vida ia ser um vai e vem de emoções entre arrependimento e superação, mas que vida não é não é mesmo ? Então, a gente levanta, e enfrenta o mundo, dia após dia, assim como todo mundo faz. Porque no final das contas, é tudo igual pra nós e pra todos. Mas ainda eu teimo em pensar, que nós somos mais fortes sim.

    Força pra sua família ! Que bom que vocês tem um ao outro. =)

  3. É sempre assim uma febre que não passa , e nós pelo menos foi assim comigo ,pensamos varias coisas menos hiv e como se os nossos pecados fossem lançados no lago do esquecimento , Pergunto porque Infectologista não pediu logo o exame já que a primeira medica não pediu , posso falar ele teve sorte pois diariamente morre pessoas com diagnosticos tardio , isso e uma realidade e sabemos isso .
    Respondendo a pergunta do amigo no post anterior , acredito que a mulher que eu amo tenha me deixado , devido a minha sorológia , pois já havia me dado perdão de uma traição , mais a vida segue , sei que a cura vai chegar , mais hoje vivo muito bem , e já se vão 6 anos ,para quem teve um cd 4 68 o que vir será lucro , afinal a única certeza que temos é a morte , O tempo passa muito rápido tudo nesta vida e matemática imagina daqui há 50 anos .

  4. Confesso que vc me emocionou… Fiquei feliz em saber que existem pessoas como vc, que, independente do seu resultado, preocupou-se com o outro. Dejeso toda felicidade do mundo, e, que, tenhas um filho lindo e forte como vcs!

  5. Descobri hj a pouco, com um exame de farmácia. Action. Deu uma linha forte bem bordô/vermelha e na linha teste muito fraquinha quase imperceptível. Mas estava lá…
    Reunido forças para prosseguir. No entanto chorei uns 15 minutos. E agra me sinto bem. Triste mas não tanto igual eu imaginava.o sentimento anterior de dúvida e tensão era mais horrível, esse sentimento que ficou é tranquilo. Suportavel. A mente só pensa em estratégias agora de como coexistir com essa nova condição.

    1. MorenoLitoralSC,
      Bom dia!
      A pior angústia que pode existir é a incerteza, e você fez muito bem em fazer o teste. Porém eu sugiro que procures um médico infectologista para que ele solicite mais exames clínicos e confirmatórios a você, assim como, a prescrição do tratamento antirretroviral. Não basta apenas saber, é muito importante fazer o tratamento corretamente. Fazendo isso, terás uma vida tranquila. Sucesso a você!
      Forte abraço!

    2. MorenoLitoralSC,
      Bom dia!
      Realmente, uma das piores angústias é a incerteza. Você fez muito bem em fazer o teste. Porém sugiro que agora procure um (a) infectologista para que sejam solicitados exames confirmatórios e exames clínicos e, assim, você possa começar o tratamento antirretroviral. É importante saber, mas a meu ver, o mais importante é fazer o tratamento corretamente. Seguindo esses passos, tenho certeza que terás uma vida saudável e tranquila. Sucesso para você.
      Forte abraço!

    3. agora vc tem q procurar um infecto para tirar a prova e fazer mais exames q confirmam esse positivo. força ae rapaz. ah quase 2 anos isso aconteceu comigo. agora eu e mais amigos vivemos bem sem doenças. e nem eh difícil tomar o remédio. A nova medicacao eh boa e tem quase nehum efeito colateral. precisando estamos aqui.

    4. Olá! Você está vivendo um momento que vários aqui passaram. Seja a pessoa mesmo ou como no caso da Bia, que doou seu sentimento ao marido dela.
      Eu também descobri minha sorologia em casa, com meu pai, trancado no quarto de visitas usando o Action. Naquele momento tudo acabou, absolutamente tudo. Vivi os dias mais loucos da minha vida, eu estava tão arrasado psicologicamente que meus pensamentos me sabotavam ao ponto de me deixar em estado de loucura .Mas… trago boas notícias. Você vai conseguir encontrar seu rumo novamente. O HIV é uma pedra no meio do caminho, que quando descobrimos ficamos hora olhando para ela, mas é possível desviar e seguir em frente.

  6. Que belo depoimento. Parabéns por ser uma esposa companheira e amiga. Por ter aceitado a sorologia do seu marido e recomeçar a vida. E principalmente por não tê-lo abandonado. A única diferença é que a partir de hoje ele terá de tomar a medicação e se cuidará ainda mais. Que tenham filhos e formem uma linda família. Vivam intensamente cada segundo. Felicidades e Positividade !

  7. vc me emicionou …. lendo fiquei com vontade de estar com vcs no dia do diagnóstico e segurar as mãos de vcs dois e dizer: tudo vai dar certo. Deu certo pra mim tb. Esse blog eh mágico … informa , traz esperança e felicidade.

  8. Oi pessoal, espero que estejam bem!

    Eu já faço tratamento a 3 anos e agora vou começara trabalhar em janeiro (até então só estudava). Eu gostaria de ver com vocês como conciliam o trabalho com o tratamento, consultas, retiradas de medicamentos, etc., já que em geral as farmácias dos CTAs abrem em horário comercial (que a gente trabalha).

    Se alguém puder dar dicas, orientações, etc., eu agradeço!
    Abraços!

    1. Eu sempre pego no horário do almoço os remedios e como faço consulta pelo convenio médico eu marco a consulta para depois do horario de trabalho.
      Ao menos onde eu moro (Belém – PA) os testes de CD4 pelo SUS podem ser feitos em qualquer horario no Laboratório Central do estado.

    2. As consultas , quando te dão atestado, usam CID de infecção, não exatamente o de HIV, um CId genérico. As farmacias geralmente abrem no horário do almoço, é sempre jogo rápido pra pegar =)

    3. Olá Pedro!
      Graças a Deus não interferiu na minha rotina. Trabalho, estudo e malho….
      Optei por fazer o controle através do meu plano de saúde , e escolhi, um infecto que atendesse entre 18 hs e 20 hs. Os exames realizo na parte da manhã ou no sábado. Os medicamentos busco tb na parte da manhã (entre 7hs e 8 hs (CTA mais vazio).
      Até mais…

  9. Que história de vida emocionante! Você é uma mulher guerreira, tua atitude mostrou que o verdadeiro amor supera tudo e juntos vocês são mais fortes. Desejo sorte e que consigam realizar esse sonho de ter vosso filho.
    Comigo foi bem diferente meu noivado chegou ao fim! E pra ser cinsera ainda doi, mas aos poucos vou recolhendo os cacos da minha vida e este blog realmente tem me ajudado muito!

  10. Amada, minha história é exatamente como a sua , talvez só um detalhe seja diferente. Vc poderia me passar seu e-mail para trocar uma ideia?

  11. São histórias como essas que nos dão forças para prosseguir….Sempre acho que quando há cumplicidade não é um diagnóstico que vai mudar o sonho de ser feliz! Até porque conviver sozinho(a) para enfrentar essa realidade é um pouco mais complicado…Poder dividir o fardo é algo excepcional! A vida continua, o tempo não para. O segredo é ser audacioso e ter vontade de viver….realizar sonhos, tornar a vida de alguém um pouco melhor, tudo isso é possível….
    Lembro do meu diagnóstico há 10 anos, eu só pensava em morrer e mais nada. Abri mão de muita coisa, abandonei o trabalho, me tranquei no meu mundo, mas nunca desisti. Retornei ao trabalho, sigo o tratamento corretamente e agora tô vivendo uma fase ótima pq meu médico trocou minha medicação que não tem efeitos colaterais! Isso é fantástico….Nunca fiquei doente por conta do vírus! ” temos uma convivência amistosa”…kkkk Parei de fazer perguntas e questionamentos, apenas sigo, Claro que tive mudanças sim, perdi muita massa corporal, perceptivel, mas tbem não gosto de malhar e atividade física é essencial….
    Parabéns pela superação de vcs! Com os avanços na medicação logo verão que a vida segue normalmente….Forças e bom ânimo!!!! Viva intensamente, pois nossa vida e nosso tempo nesta terra não somos nós que determinamos……Fé e luz!!!

  12. Bela estória, sucinta, otimista e politicamente correta.
    Trás o que agrada a maioria em resumo, o amor venceu!
    Não isenta o sujeito de ser no no mínimo infiel e expor a saúde da mulher a essa desgraça de infecção que obriga e torna a pessoa dependente de drogas fortíssimas com efeitos ainda pouco conhecidos.
    Deus me livre.

    1. Drogas fortíssimas e efeitos poucos conhecidos? De onde você saiu ? Aqui a maioria esmagadora faz tratamento, hj eu mesmo faço tratamento com uma medicação que eu não sinto praticamente nada !

    2. Oi Carol Fernanda, não há pouco conhecimento atualmente quando o assunto é HIV. Existem muitos estudos que não só trouxeram a evolução dos medicamentos como a certeza que, com o tratamento, a vida segue normal.
      Acho triste falar em traição, pois cria a figura de vítima. No meu caso, mantive relação por 4 anos com uma pessoa que não sabia que tinha HIV e não contraí. Não sou vítima, tomei decisões no início da minha relação por livre e espontânea vontade e está tudo certo.
      Acredito que o que venceu foi a certeza que o diagnóstico nos trouxe a clareza de valorizar o que vale a pena. Eu e meu esposo nos gostamos, mas não acreditamos no amor romântico. Sempre entendemos que nosso elo está na parceria.
      Que Deus te livre das coisas ruins na vida, mas espero que jamais da informação, pois essa é a maior bênção que Ele pode nos dar.
      Bj

      1. Olá Bia, obrigado pelas palavras, parabéns pela coragem e força.

        Desejo muita saúde e felicidades, q o casal realize seus sonhos e alcance seus objetivos!

      2. Parabéns Bia pela sua história. Eu descobri há um ano ter o vírus. Vivi 10 anos sem saber, sem tratamento. Provavelmente, contrai do meu marido falecido. Hoje faço o tratamento com Dolutegravir e não tenho nenhum efeito colateral. Minha carga viral de 4,5 milhões, hoje está abaixo de 40, indetectável. Meu CD4 de 62, subiu para 382. Sigo em frente, agarrando essa oportunidade que Deus me concedeu pra renascer. Quero poder ajudar e ser testemunho de esperança para muitas outras pessoas que descobrem o virus ou que nem mesmo twm coragem de fazer o teste. Existe sim uma vida melhor depois do HIV.

    3. Equivocada. Eram remédios fortes. Hoje a maioria das pessoas que usam nada sentem. Preconceito feio esse, fruto da desinformação.

  13. Soube de uma notícia de um colega que faleceu devido a complicações ao HIV. Eu fico me perguntando: O que leva alguém há ainda falecer devido a isso? Será que apenas tomar os medicamentos é suficiente?

    1. Felipe,
      Tomar os medicamentos é fundamental e fazer o tratamento corretamente é essencial. Acredito que a falta de comprometimento com o tratamento e o desconhecimento da sorologia são os agravantes. Como vc deve ter lido, nos comentários acima, há pessoas vivendo com o HIV há 10 anos e, aqui mesmo, já vi relatos de pessoas vivendo com HIV há 30 anos. Não esqueçamos que a 30 anos a medicação antirretroviral não era tão potente quanto as atuais e os efeitos colaterais eram diversos. Então acredito que uma boa adesão ao tratamento, uma boa alimentação e prática de atividades físicas é suficiente sim.

      Abraço!

  14. Bia, realmente emocionante a sua história. Eu, quando tive o meu diagnóstico positivo, não contei a ninguém e foi uma barra, muito difícil mesmo, sem alguém com quem desabafar e mesmo chorar junto. Este site foi muito importante para eu aprender sobre o assunto e também entender que o fato de ser HIV positivo não era uma sentença de morte e que poderia continuar a vida com os meus sonhos e planos.
    Com o passar do tempo a gente se acostuma e não fica mais pensando e nos recriminando. Não podemos mudar o passado mais sim o presente e o futuro que ainda estão em construção, Não adiante ficar lamentando, temos que enfrentar a situação e seguir em frente, bem da forma como vocês agiram. A vida continua e certamente terão em breve o seu bebê.
    Muito digna a sua atitude isso revela o amor que você tem pelo seu marido e certamente o ser fantástico que você é. Parabéns!!! Torcendo para mais pessoas como você no mundo.

  15. Nossa, que bacana, Bia! Seu marido é um homem de muita sorte por ter uma companheira tão amorosa e compreensiva, tudo de melhor para vocês!

    E você expôs em ter relações sexuais com ele sem preservativo nesse anos de casados? HIV é uma loucura, uma pequena e rápida exposição e a pessoa se infecta, outros tem exposições recorrentes e não pegam o vírus…

      1. Pela descrição da autora dos sintomas do marido, ele já teria sido infectado a muito tempo. Não são sintomas de fase aguda.

    1. Ela vem partilhar sua história de superação! E alguns preocupados em como o marido foi infectado? Desculpa mas acho que objectivo aqui é trocarmos experiência, e ler relatos de como muitos conseguiram se levantar depois do diagnóstico nos dá força pra seguir em frente! E não saber sobre como as pessoas foram infectadas. Tenho certeza que cada um aqui tem uma história pra contar, mas talvez alguns quisesem deixar ela adormecida no passado, pra evitar abrir velhas feridas e tocar com a vida!

  16. Nossa, não tenho forças nem para respirar, tamanha angustia…descobri ontem, por acaso…fui fazer o teste prq comecei um novo relacionamento, e combinamos de fazer o teste e então seguir o namoro e etc…Nossa, dói dó de lembrar…

    Fui numa unidade específica próximo do metro Sta Cruz, fui o primeiro a chegar, pensei que no máximo uma sífilis e já estava rezando para que não… Eis que me chamam, entrei na sala e mal sentei e a mulher já desembestou a falar……eu não consigo lembrar de nada, não consegui escutar nada…..só a parte que ela disse: “prq vc acha que estou falando isso? Seu teste deu positivo e você tem HIV”, poxa, estou chorando só de lembra…que merda!

    Ela continuou falando e falando, mas eu já não estava mais ali, foi como se eu tivesse flutuado e cada vez eu ia pra mais longe e pra mais longe….e longe….até que eu não ouvia mais nada, só conseguia pensar…NÃO PODE SER, NAO PODE SER, EU NÃO ESTOU OUVINDO ISSO…PQP.

    E ai, respirei, pedi pra ela me dar um tempo e que sabia que pra ela já era normal dar essas noticias, mas era novidade pra mim, só precisava ficar um minuto quieto, por favor. Ela me olhou assustada naquele momento, como se refletisse que realmente era uma noticia pesada…e então me ofereceu água, mas eu só queria ficar em silêncio.

    Minutos depois ela perguntou se poderia chamar o enfermeiro para fazer o teste novamente na minha frente, e assim foi feito, não consegui olhar o resultado….sai da sla com ela até uma enfermeira para fazer o cadastro, acabava ali de me incluir na lista dos que tem o HIV. Agora, nesse momento, só choro, por dentro minha vontade é gritar, de esbravejar….prq isso, pre comigo, prq essa dor, prq deixei isso acontecer, prq nao me cuidei, e se eu passei para alguém….ai, meu Deus.

    Depois do cadastro fui fazer a coleta de sangue acompanhado da enfermeira, muito boazinha, me mostrou o caminho da minha nova rotina…onde pegaria meus remédios, onde seria minha segunda consulta, onde faria a coleta de sangue…eu só conseguia balançar a cabeça, e segurar o choro, queria naquele momento um rosto amigo para poder desabar, mas não tinha.

    Entrei para a coleta e a outra enfermeira, tadinha, me perguntou o prq eu estava triste…e eu não consegui responder…eu não tinha forças e nem coragem para dizer o que tinha acontecido, até que uma outra enfermeira interrompeu aquele silêncio e disse que eu acabara de saber que eu tinha HIV…e o silêncio seguiu…

    Ali mesmo a enfermeira que interrompeu aquele silêncio, perguntou se eu queria falar com uma psicologa, e eu balancei a cabeça dizendo que sim. Quando entrei na sala, eu só sentei e chorei, chorei de soluçar, Aquela dor estava me matando, eu precisava chorar desesperadamente….

    Finalmente levantei, parei na praça de alimentação do shopping Sta Cruz, estarrecido ainda, e com uma preocupação maior ainda…será que meu ex tem também? Eu não vou suportar em saber que ele tem, e pior ainda, saber que foi eu que passei pra ele…meu Deus, eu não posso fazer isso com a vida dele, eu não posso dar essa notícia pra ele…eu não vou conseguir viver…ele não vai aguentar…

    Estou rezando para ele não tenha, eu não sei desde quando tenho, fazia tanto tempo que eu não fazia o teste…..pior ainda, eu nunca fiz o teste, apenas doava sangue…como fui idiota, como pude deixar isso acontecer, como fiz isso com a minha vida. Estou esperando a hora de acordar e ver que isso foi só um pesadelo, que era apenas um susto apara eu aprender…sabe?!

    Ontem, no final da tarde liguei para a pessoa com quem estava namorando, sim…estava, e contei sobre o resultado… na hora ele disse que não acreditava, segundo depois perguntou se eu sabia…depois perguntou se eu sabia e estava com medo de contar…e que ele até preferiria ouvir que eu sabia mas estava com medo de contar pra ele e que eu estava me tratando já…. O engraçado foi que mesmo eu na merda tive que achar forças pra tentar convencer ele que eu não sabia disso…enfim, terminamos. (não fizemos nada de sexo, só nos beijamos…prq esperávamos o resultado, mas mesmo assim pedi para ele toamar a PEP – e por sinal ele é médico) e terminamos – e entendo a posição dele…também não sei se agiria diferente…

    Agora sigo aqui, sozinho, pedindo a Deus que meu ex não tenha se contaminado….estou tentando saber mais, pois como devem terem percebido, sou um total desinformado…..

    1. Oi Lukas_sp, o pouco que consigo me projetar no teu lugar nesse momento posso sentir também a tua dor. Faça o tratamento, converse com o psicólogo e pesquise sobre o assunto, a informação nos tira da escuridão dos nossos medos. Dia após dia as coisas irão se organizar na tua vida, tenha certeza que esse blog está cheio de pessoas com corações imensos para te acolher sempre que precisar. Grande abraço!

    2. Tenho certeza que em um quatro meses mais ou menos você ficará absolutamente bem ! Acredite. Acompanhei todo o processo do meu ex. Ele foi infectado e passou por momentos de desespero. Ontem saímos, bebemos, e ele me disse que sequer se lembra que tem HIV. Está muito bem medicado, acompanhado e leva vida normal. Você também ficará assim, em pouco tempo. Ok, grande abraço !

  17. Descobri agora em agosto 2018 que tenho vírus hiv, por um exame feito no posto, fiquei completamente sem chao, não acreditei, sai correndo do posto e fiquei por dois meses perdido. Em deprê total, criei coragem e contei somente a uma amiga, ninguém mais sabe, depois de dois meses por conta própria, descido buscar ajuda em um hospital em outro bairro, por vergonha e medo de alguém descobrir, e graças a Deus fiz todos os exames e iniciei o tratamento, sou indetectavel, o médico infecto disse que meus exames estão perfeitos, e realmente aparentemente pareço ter uma saúde intacta, a única coisa que senti diferenca e que emagreci, porem o normal, nada que seja exagerado, digamos que fiquei até mais bonito.
    Porém me bate uma angústia tão grande dentro de mim, um medo, uma solidão, estou conhecendo uma pessoa, mais não consigo, ir a frente com ela, por causa disso, não consigo nem ao menos contat pra ela, twnho muito.medo.
    Me sinto tão perdido, queria tanto conversar com alguém que estivesse passando pelo o que eu estou passando, sabe desabafar com alguém que tivesse o vírus tbm. Me sinto tão sufocado. Essa minha amiga que sabe, vive sua vida e muitas das vezes não sei se ela é capaz de me entender…
    Sou do Rio de Janeiro tenho 36 anos. E gostaria muito de conversar com alguém… sinto que preciso de ajuda, de alguém que realmente pudesse me ajudar… a ver isso tudo com mais facilidade, que eu ainda não consigo ver…
    gurjpdg@gmail.com

    1. primeiramente que vontade de te abraçar e dizer que as coisas irão ficar tudo bem, por que ELAS IRÃO, comigo aconteceu a mesma coisa, voce não esta sozinho nessa, mas sabe por que esse medo todo ? falta de informação. Eu graças a deus tenho amigas médicas maravilhosas, um irmão muito informado , assim como meus pais, eles me ajudaram a trazer informação pra dentro da minha cabeça, fechada e com preconceitos. Juro pra voce que eu chorei por dois dias e ai vendo alguns videos no youtube, percebi que não ha por que chorar . Hoje 6 meses depois do inicio do meu tratamento, sou indectatavel e abraço essa doença com todas as minhas forças, acredito que minha vida mudou de sentindo, as coisas tem mais valor, meu corpo e minha mente são sempre prioridades. Eu amo a vida e tenho ctza que com INFORMAÇÂO certa voce também ira!! Não ha do que temer, juro pra voce. Seja felizzz voce merece!! quanto aos outros, a gente só pode controlar nos mesmo certo? eu nao posso controlar a falta de informação e preconceito dos outros, só a minha, então ando de consciência limpa, um beijo , se cuida!! e volta aqui, desabafar sempre que precisar procure o UNOAIDS , é um canal maravilhoso, joga no google e le sobre, eles tems um site super educativo, tenho ctza que vais te ajudar

  18. Que história… Quando namorei, e meu ex contou que tinha HIV, a primeira coisa que pensei foi: Quais os riscos? Estou sendo louco por querer ficar com alguém Soropositivo? Então fui ler sobre o assunto, descobri que milhares de casais, vivem bem com sorologia discordantes… Acabamos por outros motivos, mas hoje HIV não é mais tabu para mim, graças a essa experiência.

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