No ar desde 28 de setembro para assinantes do canal Fox Premium 1 e, ao que tudo indica, em 2019 no Netflix, a série Pose (2018), criada por Steven Canals, Brad Falchuk e Ryan Murphy — este último, o mesmo criador de American Horror Story e American Crime Story —, é altamente recomendada!

Ambientada no final da década de 80, Pose é uma série que acompanha a vida de pessoas LGBTIQ+, bem como a a expansão destas comunidades em uma década na qual ainda não se sabia muito sobre esses grupos de pessoas. A circunstância desta época acabou por unir transexuais, travestis, drag queens, gays e outros grupos que acabavam por compartilhar interesses em comum e, por acaso, que começam a ser assolados pela epidemia de aids.

Essa produção de Ryan Murphy é emblemática, porque conta com o maior número de atores transgênero como protagonistas, atores principais, num elenco finamente selecionado para contar a história de vários segmentos da vida e da sociedade em Nova York no final dos anos 80: o mundo da cultura de baile, do surgimento do universo de luxo na época de Trump e a cena social e literária do centro da cidade. Pose já tem garantida sua segunda temporada, para 2019, a qual promete se aprofundar mais na questão da epidemia e dos soropositivos daquele período.

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“Em 2017, meu esposo e eu vivíamos mais um ano de nossas vidas. Estávamos casados há 5 anos e pensávamos que era altura de engravidar. No meu exame anual de rotina, todos os resultados vieram okay e, assim, iniciamos nosso projeto.

No meio do ano, meu esposo recebeu uma proposta para mudar de emprego. Era uma ótima oportunidade e ficamos muito animados com ela: 2018 tinha tudo para ser o nosso ano! Emprego novo, a possível chegada do bebê e, agora, a possibilidade de uma casa própria. Depois de um processo seletivo bastante longo e estressante, cheio de etapas e expectativas, chegou a ótima notícia: ele havia sido aprovado. Iniciou-se então um período de treinamentos, muitas viagens e muito estudo para esse novo momento. Meu esposo estava muito confiante, pois a nova empresa era realmente incrível.

Foi quando meu esposo começou a não se sentir muito bem, possivelmente, pensamos, por conta de toda a correria que a seleção do novo trabalho exigira. Resolvemos viajar num final de semana. Busquei-o no aeroporto, logo percebendo que ele provavelmente ficaria gripado. Acabei dirigindo o carro durante toda a viagem. Ele não estava bem, com um febre que até cedia com medicação, porém sempre voltada.

Resolvemos ir ao hospital. O médico diagnosticou uma inflamação na garganta, receitou uma injeção e, então, nos liberou. No domingo, retornamos para nossa cidade. Meu marido ainda não se recuperara e, por isso, fomos direto para emergência. A febre de meu marido já se prolongava por dois dias. Feitos todos os exames, indicaram um antibiótico e aconselharam a consultar com uma infectologista, sob a suspeita de ser mononucleose. Agendei consulta com a médica que havia disponibilidade mais próxima, o que acabou por ser somente na semana seguinte — uma semana difícil, na qual meu esposo não conseguiu comer nada, com a garganta quase fechada e momentos de febre tão intensa que chegava a delirar.

Finalmente, chegou o dia da consulta com a infectologista. A médica não acreditava que poderia ser mononucleose. Indicou um antibiótico mais forte e solicitou mais exames. Os remédios funcionaram e, dois dias depois, meu esposo já estava melhor. Na semana seguinte, retornamos ao seu consultório com os resultados  dos exames, todos ótimos. Aliviados, voltamos à nossa vida normal. Já era início de 2018 e tínhamos um ano novo pela frente!

Mas nossa alegria não durou muito. Um mês depois, meus esposo começou a não se sentir tão bem. Sentia uma forte dor nas costas, que parecia dor muscular, porém concentrada num único ponto. Surgiram também algumas lesões em sua pele, na área das costas, diagnosticadas na emergência do hospital com herpes zóster, para a qual ele foi medicado e aconselhado a procurar novamente um infectologista. Na consulta, a médica solicitou vários exames, para tentarmos descobrir o que estava acontecendo. Era mal estar atrás de mal estar, mês após mês e, por isso, precisávamos investigar a razão de sua imunidade estar tão baixa — seria devido ao estresse do novo emprego?

Foi na primeira semana de março desse ano, de 2018, que recebemos o diagnóstico positivo para o HIV. E nossa vida desmoronou. Não perdemos apenas o chão, perdemos também a consciência de tudo. Me lembro de vê-lo sentado na beira da cama, chorando desesperadamente. Ao seu lado, eu juntava todos os cacos dentro de mim, para conseguir segurar sua mão e dizer que concentraríamos toda a nossa energia no tratamento contra esse vírus.

Inexistimos durante uma semana, o tempo do diagnóstico até a próxima consulta. Usamos  nossas últimas forças para ir trabalhar e parecermos normais para a nossa família. Quando um estava destruído, o outro assumia os cuidados da casa e da nossa alimentação, um dia de cada vez e com muita conversa para digerir tudo isso. Durante esse período, o que mais nos ajudou foi esse blog, o Diário de um Jovem Soropositivo, que nos trouxe mais do que esclarecimento: trouxe a esperança que uma nova vida era possível.

Eu também fiz o teste de HIV, um resultado que seria bem decisivo para nós. Lembro daquela terça-feira, quando acessei o site do laboratório, logo depois de chegar do trabalho. Meu esposo estava sentado no sofá e eu na frente do computador. Li em voz alta: “não reagente” e meu esposo começou a  saltar e pular de alegria. E eu? Bom, eu fiquei ali, olhando para o computador, em silêncio. Ele me questionou: eu não estava feliz? Claro que esta era uma ótima notícia, mas como eu ficaria feliz sabendo do resultado dele? A dor dele era a minha também.

Escrevo esse relato seis meses após todos esses acontecimentos, tempo em que vivemos um misto de gratidão e sensação de começar uma nova vida. Meu esposo faz seu tratamento antirretroviral direitinho, parou de consumir bebidas alcoólicas e tenta cuidar-se ao máximo para não ficar nem resfriado. Eu tento ajudar, cuidando da agenda de exames e da marcação de consultas. Fazemos questão de manter em nossas vidas um grande respeito pela doença. Isso nos mantém atentos aos cuidados com a medicação e exames. De resto, a vida segue normalmente.

Hoje posso dizer que 2018 foi realmente o nosso ano. Posso dizer que o diagnóstico não é uma sentença: foi a melhor coisa que poderia ter nos acontecido, pois, de alguma forma, nos trouxe a certeza de que podemos realizar todos os nossos sonhos. Meu esposo segue muito bem na nova empresa. Esse mês, assinaremos o contrato de compra da nossa tão sonhada casa própria. E iniciei novamente os exames para tentar engravidar.

Independentemente do diagnóstico, há altos e baixos na vida de todas as pessoas. Podemos tentar tornar o nosso mundo, e o mundo dos outros ao nosso redor, o melhor possível. Não estamos juntos, aqui, à toa.”

Procura-se homens e mulheres que vivem com HIV, residentes no Brasil, de 18 a 25 anos de idade, que tenham adquirido o vírus através de sexo sem uso de preservativo e dispostos a participar de campanha publicitária de uma conhecida marca de preservativos. A campanha será veiculada em todo território nacional ao longo de três meses, em celebração ao Dia Mundial de Combate à Aids, 1º de dezembro. A participação é remunerada. O candidato deve estar disposto a contar sua história e falar sobre como adquiriu o HIV. Para participar, entre em contato preenchendo o formulário abaixo:

Uma injeção mensal para controlar o HIV mostrou-se tão eficaz quanto os atuais comprimidos antirretrovirais diários, de acordo com um estudo da GlaxoSmithKline, a GSK. Esse estudo abre caminho para um novo e mais simples regime de tratamento.

A injeção experimental com dois antirretrovirais, Cabotegravir e Rilpivirina, mostrou-se capaz de suprimir o HIV em uma coorte de adultos que não tinham experimentado o tradicional regime oral diário de três medicamentos. No estudo, os adultos com HIV foram, primeiro, colocados em um programa de 20 semanas com comprimidos diários para suprimir o vírus, antes deste tratamento ser substituído pelas injeções mensais. Após 48 semanas, as injeções mantiveram uma taxa de supressão similar ao comprimidos orais.

Os resultados reforçam um importante estudo anterior, que envolveu adultos que estavam usando um esquema oral de três medicamentos para controlar o vírus. John C. Pottage, diretor médico da ViiV Healthcare, uma subdivisão da GSK, disse que o estudo forneceu mais evidências de que uma injeção de ação prolongada pode vir a ser uma alternativa à terapia oral diária para pessoas que já atingiram a supressão viral.

“Este regime pode transformar o tratamento contra o HIV, reduzindo a quantidade de vezes que uma pessoa recebe o tratamento num ano: de 365 para 12”, disse ele. “Trabalhar em novos métodos de tratamento contra o HIV, incluindo terapias injetáveis ​​de ação prolongada, faz parte do nosso objetivo de tornar o HIV uma parte cada vez mais insignificante na vida das pessoas que vivem com o HIV.”

A ViiV Healthcare, que também é propriedade da Pfizer e da Shionogi, espera que este trabalho no desenvolvimento de terapias com dois medicamentos ajude a empresa a competir com a Gilead Sciences, farmacêutica norte-americana que domina o mercado de US$ 26 bilhões ao ano.