Em quem não votar?

Em uma entrevista antiga, Jair Bolsonaro (PSL) afirma que o Estado não deve custear os medicamentos antirretrovirais para os portadores de HIV. “Não é problema meu”, disse ele. “O Estado deve tratar de doentes infortúnios e não de vagabundos que se drogam ou adquirem aids por vadiagem.”

O candidato defende que não se deve usar dinheiro público para tratar quem contrai doenças em atos sexuais, classificando a população gay como grupo de risco. Nas palavras do próprio Bolsonaro, “uma pessoa que vive na vida mundana depois vai querer cobrar do poder público um tratamento que é caro” — é isso o que publicou a Carta Capital e, em texto semelhante, um post anterior deste blog.

Jair Messias Bolsonaro

O que acontecerá conosco, soropositivos, Bolsonaro sendo eleito presidente, se essas afirmações forem levadas a cabo? Para ilustrar a reposta, há pelo menos dois países que podem servir de exemplo: Rússia e Venezuela.

A oferta russa ao tratamento antirretroviral é bastante limitada e sobrevive num cenário de forte machismo e homofobia institucionalizados, fazendo a epidemia de HIV crescer 10% ao ano no país. Por sua vez, a Venezuela vive praticamente uma total falta de medicamentos antirretrovirais. “Ficar na Venezuela é morrer de aids”, conta um rapaz de 31 anos de idade, que trabalha recepção do Serviço de Infectologia do Hospital Geral do Oeste (HGO), para o El País.

Carlos Pérez, chefe do Serviço de Infectologia deste mesmo hospital, explica que a Venezuela atravessa a pior crise na área e em particular na nossa patologia. O médico administra um grupo de WhatsApp com seus pacientes no qual mensagens angustiadas são frequentes.

“A cada semana morrem dois pacientes meus. Estão chegando já na fase de aids e os recém diagnosticados estão muito imunossuprimidos. Isso levou a um aumento significativo das mortes por HIV. Nos últimos meses, temos tratado a crise discriminando os pacientes que estão melhor, distribuindo doses para uma semana de tratamento, usando os medicamentos deixados pelos pacientes que morrem ou receitando o esquema incompleto, embora tenhamos consciência de que isso favorece a aparição de um HIV resistente. A situação é tão grave que eu recomendei que os pacientes emigrem ou, se tiverem a possibilidade de que lhes tragam medicamentos do exterior, que façam isso, mas é algo insustentável para muitas famílias”, diz Pérez, que há 20 anos trata pacientes com HIV.

Corredor de hospital na Venezuela.

Nesse sentido, ou, no tocante à saúde, usando o linguajar do presidenciável Jair Bolsonaro, a verdade é que, sendo cumprida a afirmação do candidato pesselista, decerto nos aproximaremos da situação na Venezuela, país que ele tanto critica — e, ao meu ver, critica com razão.

A Venezuela vive uma ditadura de esquerda, atualmente sob o governo de Nicolás Maduro, presidente daquele país desde 2013, sucedendo o autoritário Hugo Chávez, que alterou a constituição do país para permitir sua reeleição e, no ano 2000, passou a governar através de decretos, sem a necessidade de aprovação da Assembleia Nacional. Chávez morreu em 2013, em decorrência de um câncer, mas teria milagrosamente voltado na forma de um passarinho para visitar o novo presidente Maduro.

Em 2017, Maduro foi reeleito, em eleições questionadas internacionalmente — mas, mesmo assim, parabenizadas no Brasil pelo Partido dos Trabalhadores, o PT. Nem poderia ser diferente, uma vez que a campanha teve o apoio do próprio Lula, que gravou um vídeo elogiando o colega venezuelano. Assim que Maduro foi eleito, o PT publicou uma nota.

“Venezuela: mais uma vez, exemplo de democracia e participação cidadã!”, diz a carta de apoio, datada de 16 de outubro de 2017. “O Partido dos Trabalhadores saúda o presidente Nicolás Maduro e seu partido, o PSUV, pela contundente vitória eleitoral nas eleições regionais deste domingo, 15 de outubro de 2017”, diz a nota assinada pela presidente do PT Gleisi Hoffmann e pela sindicalista Mônica Valente. O mesmo comunicado ainda afirma que o dia da eleição regional venezuelana seria lembrado “como o dia de uma vitoriosa jornada de democracia, onde mais de 60% do eleitorado atendeu à convocação democrática e compareceu, de maneira cívica e pacífica, manifestando seu apoio à paz, à democracia e à soberania na Venezuela.”

Todavia, o link original desta publicação do PT, bem como outros links com manifestações de apoio à Venezuela foram tirados do ar pelo próprio partido, no último dia 11 de outubro. De acordo com o próprio secretário de Comunicação do PT, Carlos Árabe, o bloqueio do acesso ao link foi feito por causa de mensagens de WhatsApp que estariam usando o comunicado como pretexto para distorcer a posição do PT sobre a Venezuela e disseminar notícias falsas. Árabe disse que o link havia sido bloqueado e que a nota continuaria no site, mas que o partido estudava uma maneira de recolocá-la no ar. “Não nos interessa manter bloqueado”, afirmou ele ao UOL.

Se isso é parte do caso das fake news disparadas por WhatsApp, é importante lembrar que ambas as campanhas, tanto de Bolsonaro como de Haddad, fizeram uso da ferramenta. Dados de um serviço de disparo de mensagens em massa a que a reportagem do UOL teve acesso trazem novos indícios sobre o esquema revelado na semana passada pela Folha de S.Paulo. Os dados revelam que, na tarde de 18 de outubro, foram apagados os registros de envio de mensagens disparadas pela campanha de Bolsonaro, horas depois da publicação da reportagem da Folha. A reportagem do UOL apurou que as campanhas de  Bolsonaro e Haddad fizeram uso da mesma plataforma digital. Apesar dos dados, as duas campanhas negam ter cometido irregularidades.

Voltando às declarações de apoio à Venezuela, é importante lembrar que este não foi o único apoio petista à uma ditadura. Ainda este ano, em 2018, “uma verdadeira insurreição” aconteceu na Nicarágua, conforme descreve o próprio site do PSTU, partido de esquerda. Os protestos naquele país teriam sido contra a reforma da previdência exigida pelo FMI, mas acabaram se transformando em um amplo movimento para derrubar a ditadura de Daniel Ortega.

Manifestantes enfrentam seguidores de Daniel Ortega na Nicarágua.

Ortega é o atual presidente da Nicarágua, no poder desde 2007. Antes, fora eleito entre 1985 e 1990. É membro da Frente Sandinista de Libertação Nacional, partido socialista fundado em 1961 no país. Diante dos protestos, Ortega os considerou ilegais e exigiu uma “limpeza das ruas, custe o que custar!” — lembrando bastante, convenhamos, a recente fala do presidenciável Bolsonaro, que sugeriu varrer os “vermelhos” para fora do Brasil.

Pelo menos 300 pessoas morreram na “limpeza” de Ortega e, mesmo assim, este presidente ganhou apoio do PT, que acusou os manifestantes nicaraguenses de fazerem parte de uma “contraofensiva neoliberal”. Dilma Rousseff, Monica Valente, Evo Morales e Nicolás Maduro encabeçaram a defesa a Ortega, dizendo: “Depois de tantos eventos, sofremos uma contraofensiva imperialista, liberal, multifacetada, com guerra econômica, mídia, golpes judiciais e parlamentares, como ocorre na Nicarágua e ocorreu na Venezuela”.

Entretanto, a verdade é que muito mais pessoas morreram na Colômbia, estima-se, em decorrência dos conflitos entre o Estado e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc. Em 50 anos de guerrilha, até o cessar-fogo, foram mais de 200 mil mortos.

Soldados das Farc

As Farc foram consideradas uma organização terrorista não somente pelo governo da Colômbia, mas também pelos Estados Unidos, Canadá e União Europeia. Em 2008, o então presidente venezuelano Hugo Chávez rejeitou publicamente esta classificação e apelou à Colômbia por um reconhecimento diplomático das guerrilhas como uma  “força beligerante”, argumentando que, dessa forma, elas estariam obrigadas a renunciar às táticas de sequestro e atos de terror, que notoriamente praticavam, encorajando-as a finalmente respeitarem as Convenções de Genebra.

Então, em agosto de 2017, ex-combatentes das Farc, depois da assinatura do acordo de paz com o governo colombiano, evento conhecido como o “Acordo de Havana”, fundaram o partido político Fuerza Alternativa Revolucionária del Común, cuja sigla também é FARC.

Menos de um ano depois, em abril de 2018, as Farc enviaram uma carta de solidariedade a Lula, por conta de sua prisão. A carta foi orgulhosamente publicada no site do PT, onde ainda permanece e, naturalmente, fomenta algumas as teorias (possivelmente) conspiratórias a respeito da maneira como entraram no Brasil os armamentos encontrados pelo Ministério da Justiça e pelo governo do Rio de Janeiro nas mãos de criminosos no estado — há indicações de que as armas vieram das Farc.

Fernando Haddad

O candidato do partido político orgulhoso da solidariedade das Farc e envolto em mensagens apoio ao ditador Maduro, na Venezuela, e a Ortega, na Nicarágua, é Fernando Haddad, do PT.

Haddad nasceu em 25 de janeiro de 1963, em São Paulo, mas só entrou na política em 1983, quando filiou-se ao Partido dos Trabalhadores. Depois que se formou bacharel em Direito pela USP, em 1985, Haddad especializou-se em Direito Civil, concluiu um mestrado em Economia e doutorado em Filosofia. Com este currículo, Haddad tornou-se professor ainda na mesma instituição, onde lecionava Teoria Política Contemporânea. Haddad ficou bastante conhecido como prefeito de São Paulo, em 2012, quando venceu o candidato tucano José Serra (PSDB).

Serra, aliás, merece um parênteses: quando ministro da Saúde, comprou uma verdadeira briga com a indústria farmacêutica, ameaçando quebrar patentes de remédios e utilizar as fábricas estatais de medicamentos para a produção de genéricos. Este foi grande feito da era FHC, que trouxe um impacto indiscutível no tratamento antirretroviral e na qualidade de vida de quem vive com o HIV. Essa política de saúde pública foi mantida nas gestões de Lula e Dilma e transformou o Brasil em referência mundial em tratamento e prevenção ao HIV.

Findo seu trabalho como prefeito de São Paulo, Haddad tentou reeleição, mas perdeu já no primeiro turno para João Doria (PSDB), e entrou no ranking dos prefeitos de capitais com pior avaliação no País. Apesar disso, é inegável que sua carreira política também teve feitos importantes.

De acordo com o site oficial do candidato, enquanto Ministro da Educação ao longo de sete anos, entre 2004 e 2012, Haddad criou programas nacionalmente reconhecidos. O novo FIES é um deles: permitiu que o financiamento estudantil, dividindo o programa em diferentes modalidades, chegasse a juros zero, de acordo com a renda familiar de cada aluno. Outro programa foi o Caminho da Escola: iniciativa na área de logística dos estudantes, que inclui não apenas ônibus, mas o transporte aquático em regiões ribeirinhas e até bicicletas, para facilitar o acesso dos estudantes às escolas.

No campo político, a verdade é que não se pode dizer o mesmo de seu oponente, Jair Bolsonaro, que tem apenas dois projetos aprovados em 26 anos de Congresso. Haddad não estava errado quando, no programa Roda Viva, nos lembrou que seu adversário “nunca nem administrou um boteco!”

De um lado, temos Jair Bolsonaro, do PSL, um candidato que apoia abertamente o regime militar, a tortura e ainda reúne incontáveis discursos, gravados, com conteúdos homofóbicos, preconceituosos, racistas, machistas e que incentivam a violência — sem falar da vontade declarada do candidato de abolir o tratamento antirretroviral universal e gratuito no Brasil. De outro lado, temos Fernando Haddad, do PT, partido que afirma rejeitar a ditadura e defender a democracia e, de fato, que nunca instaurou um regime comunista no Brasil, mesmo em doze anos de governo, muito embora apoie e se solidarize com regimes ditatoriais e autoritários no mundo, sem falar de organizações terroristas.

É impossível sequer considerar voto ao primeiro candidato, Bolsonaro, diante de suas falas e promessas. Bolsonaro “inspira medo”, já apontou Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, o STF. Além disso, seu plano de governo é vago e sequer pode ser aprofundado publicamente pela imprensa, vista sua total ausência nos debates televisivos — exceto, é verdade, nas sabatinas durante o começo da campanha: em uma delas, na GloboNews, o candidato mostrou evidente despreparo e, inclusive, uma limitação, talvez cognitiva, em compreender aquilo que lhe é perguntado. Além disso, Bolsonaro é apontado como um candidato desastroso para a economia brasileira. É rechaçado diversos editoriais em jornais do mundo todo, setores da sociedade, incluindo economistas, publicitários, intelectuais, policiais, entre outros, além de artistas como Roger Waters e Caetano Veloso, como o pior candidato que poderíamos ter no Brasil. Bolsonaro é inclusive criticado pela própria extrema direita, na França.

Enfim, não votar em Bolsonaro me parece a escolha natural. Mas isso é suficiente para votar em seu oponente, Fernando Haddad? Não seria justo considerar que um candidato com tamanha quantidade de votos, como é o caso Bolsonaro e já foi o de Lula, de fato desperte no povo que mais necessita os pontos fundamentais para que tenha o seu voto? Estaria a maioria dos eleitores enxergando algo positivo em Bolsonaro que eu sou incapaz de enxergar? Enquanto Bolsonaro apoia deliberadamente o autoritarismo e a ditadura, o partido de Haddad não estaria apoiando regimes semelhantes, mas de maneira talvez mais discreta?

Foi na busca por estas respostas que escrevi esse post, procurando e encontrando os argumentos contra o PT, que fundamentam a onda bolsonarista. E devo dizer que compreendo, sim, muitos desses argumentos — quem sabe, assim como fez Fernando Gabeira. Todavia, a verdade é que não consegui fazer o oposto: os argumentos simplesmente a favor de Bolsonaro carecem bastante de fundamentação.

Eleitores de Bolsonaro, conversando nas ruas, parecem defender seu candidato dizendo que ele não fará aquilo que diz em seus discursos ofensivos. É curioso: é como se os  eleitores de Bolsonaro tentassem nos convencer de que seu candidato não fará aquilo que promete! Esses eleitores também dizem que ele é o único candidato capaz de evitar que o PT transforme o Brasil em uma Venezuela, sustentando seu argumento no amontoado de evidências listadas ao longo do texto acima, mas fechando os olhos, ao que me parece, para os pontos em comum que os dois partidos e seus candidatos carregam.

Tanto Haddad como Bolsonaro apresentaram a proposta de uma constituinte, que alteraria a nossa Constituição mesmo em meio à crise política que vivemos no País, tal como fez Hugo Chávez. Diante de questionamentos da imprensa e da opinião pública no Brasil sobre o tema, os dois candidatos recuaram sobre esse ponto e retiraram-no de suas pautas.

Permaneceu então outro ponto em comum: a regulação da imprensa. Haddad a defende em seu plano de governo. Bolsonaro, por sua vez, embora não defenda a regulação da imprensa diretamente pelo Estado, sugeriu algo parecido ao afirmar que cortará a verba da imprensa que dele discordar: “Sem mentiras, sem fake news, sem Folha de São Paulo. Nós ganharemos esta guerra. Queremos a imprensa livre, mas com responsabilidade. A Folha de São Paulo é o maior fake news do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo. Imprensa livre, parabéns; imprensa vendida, meus pêsames”, disse ele.

Em muitos pontos, são muito parecidos esses dois candidatos! — frase esta que os bolsonaristas provavelmente responderiam apontando em direção à corrupção. Todavia, é preciso reconhecer a Lava Jato já atingiu 14 partidos políticos: para além do PT, PMDB e PSDB, foram alvos da Lava Jato políticos do PTC, PSB, SD, PR, PPS, PP, DEM, PC do B, PRB, PTB e PSD. Além disso, de acordo com um levantamento, dos cinco partidos com maior número de congressistas sob investigação, dois são de direita (PP, com 35 parlamentares, e PR, com 19), um é de esquerda (PT, com 32) e dois são de centro: PMDB (também com 32) e PSDB (26). Em ordem decrescente, portanto, o PP, que já abrigou Bolsonaro, segue em primeiro lugar, PMDB e o PT de Haddad logo atrás, praticamente empatados, e PSDB em seguida. (Esse levantamento é importante, mas devemos ter em mente que investigar é diferente de condenar e, acima, temos a quantidade de investigados.)

O argumento que Bolsonaro mais usa para se provar incorruptível é a fala de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, que teria dito que “só Bolsonaro não foi comprado pelo PT no esquema de corrupção conhecido como Mensalão”. Barbosa, porém, corrigiu Bolsonaro, lembrando que ele “não era líder nem presidente de partido” e “não fazia parte do processo do Mensalão”. Nesse sentido, Barbosa não poderia tê-lo absolvido, exonerado e sequer julgado, pois “só se julga quem é parte no processo”. O ex-ministro do STF conclui que “é falso, portanto, o que ele vem dizendo por aí”.

Talvez pior, Bolsonaro e Haddad são os únicos dos candidatos à presidência que não assinaram compromisso de apoio às chamadas “Novas Medidas contra a Corrupção”, um pacote de projetos para melhorar o enfrentamento à criminalidade, inclusive a de colarinho branco, lançado por entidades do movimento “Unidos Contra a Corrupção”. Além disso, embora não se enquadrem na Lei da Ficha Limpa, tanto Bolsonaro quanto Haddad respondem a ações penais ou de improbidade administrativa.

Bolsonaro é réu em duas ações penais no STF: os crimes imputados a ele são de incitação ao crime, injúria e apologia ao crime. Por sua vez, Haddad é réu em ação cível de improbidade administrativa: segundo promotores do Ministério Público de São Paulo, o MP-SP, houve irregularidades na construção de um trecho de 12 km de ciclovia na capital paulista, com a utilização de um tipo de contrato que dispensaria licitação, superfaturamento e deficiências na execução do serviço.

Pela primeira vez desde a redemocratização, elegeremos um presidente que é réu. Entretanto, quem for eleito não mais terá seu processo solucionado pela justiça, uma vez que a Constituição determina que processos contra presidentes da república sejam suspensos durante o mandato. Em outras palavras, seremos governados por alguém que não saberemos se é culpado ou inocente do crime ou irregularidade do qual é acusado.

Portanto, diante desse cenário, em quem votar? Ou, melhor dizendo, em quem não votar? No que diz respeito a nós, soropositivos, temos o risco de, com Bolsonaro no poder, termos uma saúde venezuelana no Brasil, sem antirretrovirais. Bolsonaro é ameaça de morrermos de aids, enquanto, com Haddad, não temos esse prenúncio.

O pior de Haddad parece ser o histórico de seu partido, o PT, envolvido em escândalos de corrupção e apoiador de regimes ditatoriais, através de notas de apoio do partido. Mas Haddad tem dado sinais de que quer se distanciar disso. Primeiro, reconhecendo que Venezuela e Nicarágua não são democracias. Depois, recuando sobre pontos polêmicos em seu plano de governo, chegando inclusive a alterar esse plano, retirando dali o nome de Lula, condenado e preso na Lava Jato. Haddad não planeja mais controlar o judiciário, como antes tinha dito, é mais enfático na defesa dos homossexuais e, agora, pondera o termo “golpista”, entre outros pontos que, de certa forma, o distancia dos dogmas de seu partido.

Nesse Haddad, ainda que timidamente contrário aos erros do PT, me sinto mais à vontade em votar, embora com muitas reticências. Desde o primeiro turno me mantive tendente ao voto nulo ou à abstenção. Me parecia o mais coerente a se fazer, do ponto de vista ético e político, embora contrário ao meu instinto de sobrevivência, pois preciso dos antirretrovirais para sobreviver. Para piorar, a onda de Bolsonaro tem motivado ataques contra homossexuais — se antes esses ataques já ocorriam, a verdade é que agora eles vêm com gritos de apoio ao candidato pesselista. Não é à toa que chamou a atenção da Ku Klux Klan: Bolsonaro endossa, sim, os discursos fascista e nazista.

O pior de Bolsonaro continua sendo Bolsonaro, indiferentemente de seu partido. O pior de Haddad, me parece, é seu partido e não a sua pessoa. Por isso, às vésperas da eleição é que decido meu voto, decido por não anular ou abster e, sim, votar em Haddad. Assim como Marina Silva e quase como Ciro Gomes, farei voto crítico em Fernando Haddad. Vou votar 13.

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Life
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Life

Triste ver pessoas votando no PT, isso é perpetuar a corrupção no pode, corrupção está que afetou inúmeras áreas, incluindo a saúde, desviando dinheiro que poderia ser usado para tratar a saúde das pessoas, investir na ciência, ampliar programas de prevenção, etc… É fato que existem inúmeros vídeos do passado onde Bolsonaro falou coisas que desagrada a muitos, algo que todos nós já fizemos na vida, revemos nossa posição e mudamos de idéia. Continuar achando que um Presidente no Brasil irá deixar na mão aqueles que se infectaram por alguma doença, especialmente HIV é simplesmente absurdo. É verdade que existem… Ler mais »

Binhomaiss
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Binhomaiss

Life votarei no Bolsonaro pq acho menos arriscado que o Haddad.

Mas super tolero o voto no Haddad. Entendo o que de bom eles querem influenciar.

Muitos não avaliam tudo o que envolve cada candidato, mas muito avaliam sim (veja o Jotinha) e optam pelo 13 por achar que Bolsonaro será mais perigoso. Na minha avaliação é o inverso, posso estar errado ou certo. Vamos aguardar 01/01/2019.

Binhomaiss
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Binhomaiss

Jota muito boa a análise. Dos amigos que conquistei através de seu blog eu sou o único “doido” que votará no Bolsonaro. Não me recrimine por isso, estou me baseando em muitas análises micro e macroeconômicas, sociais, e também corro/assumo o risco de que algumas coisas que ele disse não conseguirá fazer (acho que nem maioridade penal aos 16 anos dará certo).

Não concebo tambem pensar em ver Manuela D’Âvila lá na cadeira de presidente em caso de ausência do Haddad.

Aceito que Bolsonaro é arriscado. Mas acho Haddad mais arriscado que ele e por isso votarei no “Coiso”.

Paulo Roberto
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Paulo Roberto

Confesso que sua colocação nos deixa preocupado, visto que, votar num “coiso” sabendo de sua simpatia pelos portadores de HIV é dar um tiro no próprio peito. Espero não vê-lo aqui numa outra publicação querendo notícias onde pode comprar antiretrovirais mais baratos e/ou até mesmo que tá sofrendo com as consequências de um governo desastroso. Meu caro, não seja conivente com uma triste realidade…. Se ele falou algo contra nós, é um grande sinal que vai cumprir…. Não vote no PT, vote em nós, votar nas pessoas que irão sofrer com isso. Mais amor menos ódio. E, tenha bons sonhos… Ler mais »

luquinha
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luquinha

JAMAIS VOU PERDOAR O BOLSONARO, POR ME FAZER VOTAR NO PT.

EuPositivoSC
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EuPositivoSC

Ver soropositivos apoiando o Bolsonaro me leva a crer que um dos colaterais dos medicamentos deve ser relacionado ao funcionamento cerebral, especialmente na região que responde pelo bom senso.

E sem essa de que as falas de (discriminatórias) são antigas e bla bla bla. Ele continua o mesmo babaca de antigamente, está cheio de provas EM VÍDEO que ele continua sendo um escroto.

Brasileiro só aprende se fudendo mesmo.

Bom domingo. Bom futuro.

PS: nem vou responder a comentários aqui. Não quero prolongar essa decepção/discussão.

Paulo Roberto
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Paulo Roberto

Seu posicionamento foi perfeito!

Caio
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Caio

Por isso estou me preparando para o pior…pois estou ciente que isso que nos espera, muitos falam de medicamentos..porem para um soropositivo vai muito além…
Enfim desse atestado de óbito eu não participei

lucio
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lucio

perfeito. hj começo a me preparar pro pior, tenho condicoes de sair do pais se necessario, nem por isso votei pelo caos. um presidente que falou o que falou e as pessoas nao ouviram.

fiquei chocado de ver apoiadores dele aqui. chocado

Xavier
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Xavier

Vejo que é uma questão de auto preservação não votar no Bolsonaro, estamos dependentes da medicação, este talvez seja o principal ponto, o corte em politica públicas hoje desencadearia um. caos silencioso; digo isto pq, apesar de sermos muitos somos estigmatizados e é difícil ou impossível ter voz, e ok, vejamos aqui no site ninguém mostra o rosto, e ok por isto estamos corretos não precisamos enfrentar o estigma imposto. Dito isto ainda temos toda a gama preconceituosa e essa onda conservadora, então meu amigo, não duvide, por sua sorologia positiva, os minions vão e já estão saindo do armário,… Ler mais »

Lua
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Lua

Na Venezuela não tem Bolsonaro, e lá nao tem medicamentos. Porque será??

anonimo
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anonimo

alguém tem alguma estimativa de quanto custaria o tratamento por mês?

Fábio Soares
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Fábio Soares

Semana passada eu tentei tirar o visto americano sem sucesso. Fui em busca de uma saida/alternativa e medo das minorias como nós serem “fuziladas” pelo bozo.
Eu já estou me “preparando” para dias mais difíceis. Mas espero que eles não venham.
Vamos manter a calma pessoal. E lutar pelos nossos direitos!
Boa semana pra nós

maxwell
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maxwell

visto americano? Meu rapaz…. Trump é da mesma linha que o Bozo: não tolera minorias, já começou a cortar direitos de transexuais e gays, não gosta de imigrante LATINO (mesmo esse latino indo de modo LEGAL), lá se eu não me engano nos EUA vc é quem tem que desembolsar dinheiro pra pagar pelas medicações…. Se eu fosse vc pensaria em um país europeu. Mais futuro

Fábio Soares
Visitante
Fábio Soares

Eu sei. Mas fiz com o intuito de ser mais uma carta na manga. Eu não desejo morar naquele país horroroso. Mas se o Brasil ficar pior para as minorias incluindo eu, porque não me arriscar?
Trump não vai ser presidente pra sempre. Agora Bolsonaro e suas ideias, talvez perdure por décadas….

gabriel
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gabriel

parabéns pela analise profunda e histórica da situação

Gio
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Gio

Um dos posicionamentos mais lúcidos e bem-fundamentados que tive o prazer de ler. Obrigada, J.S.!
Agora o leite já está derramado; nos resta torcer para que o SUS, em sua totalidade, permaneça de pé (não seria assim se Guedes conseguir concretizar todas as suas intenções). Não sou soropositiva, mas tenho doença crônica e dependo do SUS, como todo brasileiro, ainda que tenha plano de saúde, eventualmente depende. Se ele mexer nos antirretrovirais, certamente irei às ruas com vocês. O que essa gente do ódio não entende é que ninguém adoece por querer e que somos todos VIDAS.