Notícias
Comentários 56

HIV & THC

Por muito tempo, fazer pesquisas científicas sobre os possíveis benefícios médicos da maconha era praticamente impossível. Ainda classificada pela Drug Enforcement Administration (DEA) dos Estados Unidos sob sua categoria mais restrita de substâncias controladas, a Schedule I — ao lado de drogas como heroína, ácido lisérgico (LSD), ecstasy e peyote –, a maconha vem sendo mantida longe das mãos de médicos e cientistas, por conta do difícil acesso ao financiamento e autorizações legais federais que para pesquisa, limitados justamente por conta dessa classificação. Mesmo nos estados americanos onde a maconha já foi legalizada para uso medicinal ou recreativo, os estudos com a planta ainda estão sujeitos à aprovação de vários órgãos e as amostras devem ser adquiridas no único laboratório aprovado pelo governo federal para dispensar maconha para pesquisa.

Mesmo com estes obstáculos, um crescente número de pesquisadores têm investigado as propriedades medicinais da cannabis, que já se mostrou promissora no tratamento de víciostranstorno de estresse pós-traumático, dores crônicas, doenças cerebrais e uma série de outras condições médicas — e, agora, há uma cautelosa expectativa de que a maconha também possa ser útil no tratamento do HIV, ajudando a bloquear a entrada do HIV nas células, reduzir a inflamação crônica e prevenir distúrbios neurocognitivos que podem ocorrer como resultado da infecção pelo HIV.

Robert L. Cook

Pelo menos, é isso o que diz uma reportagem da Vice, em uma entrevista com o pesquisador Robert L. Cook, professor de epidemiologia da Universidade da Flórida, que recentemente anunciou um estudo com 400 voluntários para examinar os efeitos da maconha em pessoas que vivem com o HIV. O estudo terá a duração de cinco anos, custará 3,2 milhões de dólares e provavelmente será o maior estudo sobre o assunto, não apenas avaliando o impacto da maconha nos cérebros dos pacientes soropositivos, mas também verificando se a droga é capaz de ajudar a suprimir o vírus. Além disso, o estudo vai precisar a quantidade de maconha consumida ou inalada pelos voluntários, bem como a quantidade de THC e cannabinoides presentes nestas doses.

Vice: Como você começou a se interessar pelo efeito da maconha nas pessoas que vivem com HIV?
Robert L Cook: Sou um médico e vejo pacientes com HIV o tempo todo. E estava pesquisando sobre o tipo de maconha que eu poderia recomendar: meus pacientes deveriam inalar, ingeri-la ou eu deveria sugerir um tipo específico da erva? Não há dados, por exemplo, sobre os motivos que levam um certo tipo de maconha a ter um melhor resultado para a saúde de alguém que vive com HIV do que outro, e é por isso que eu desenvolvi esse estudo. No estudo, poderemos comparar aqueles que usam diariamente a maconha com aqueles que a utilizam ocasionalmente. Vamos fazer testes de toxicologia de urina para tentar especificar exatamente a composição da maconha. Idealmente, até o final do estudo, poderemos dizer: “Uau! Parece que a maioria das pessoas que usam a maconha estão fazendo isso para tratar uma dor em comum ou por conta de outro determinado padrão”. Ou, quem sabe, porque a maioria das pessoas que estão usando maconha querem algo para ajudá-las contra o estresse e a estão utilizando seguindo certo padrão.

Ao mesmo tempo, você também está interessado nos efeitos do THC sobre o vírus e seus sintomas, certo?
Eu vi alguns dados muito interessantes que analisaram a quantidade de vírus no sangue das pessoas antes de serem tratadas com antirretrovirais. Essa pesquisa mostrou que aqueles que usavam maconha tinham uma quantidade menor de vírus em seu sangue em comparação com aqueles que não usavam maconha. Se de fato houver uma quantidade menor de vírus, isso é muito bom. Mas eu não vi nenhum estudo clínico que analisasse os efeitos diretos do THC sobre o HIV. Também não temos muitas pesquisas comparando o THC, sozinho, ou o THC junto com o canabidiol (CBD) em pessoas com HIV. Também vamos medir a resposta inflamatória à maconha de maneira muito mais cuidadosamente controlada do que em estudos anteriores. Medir a adesão aos medicamentos também é importante. Uma das razões pelas quais a maconha pode afetar o HIV é comportamental: o cenário estereotipado diz que alguém que usa maconha se torna menos motivado — sentam-se no sofá, assistem TV e não tomam os medicamentos quando deveriam. Não tenho certeza de que isso seja verdade, mas estaremos examinando isso também.

Você pode contar mais sobre como o THC, o composto químico da cannabis, funciona a nível celular?
O THC quase exclusivamente atinge receptores CB1, receptores canabinóides localizados em todo o corpo. Isso faz com que as pessoas sintam o efeito da droga, fiquem desequilibradas e tenham sua memória de curto prazo afetada. Além do cérebro, os receptores CB1 estão também em muitas das nossas células imunológicas. Existem 100 canabinóides diferentes na maconha, e aqueles que visam este receptor parecem reprimir a inflamação. Por isso, a indústria farmacêutica está buscando criar análogos sintéticos de THC ou CBD para atingir esses receptores. Entretanto, eu não vi pesquisas comparando diretamente o THC e o CBD nestes efeitos clínicos. Embora eu acredite que o THC seja provavelmente mais provável pelas experiências recreativas associadas à droga e o CB2 à reprimir a inflamação, é difícil saber o que isso representa em termos de alívio da dor. O que eu quero dizer é: se as pessoas se sentem melhor, é porque a dor delas é de fato diminuída ou porque estão se sentindo bem com a droga e não se importam tanto com a dor?

Algumas pessoas estão entusiasmadas com o fato de que os compostos da maconha são capazes de fazer algo que os antirretrovirais não conseguem: atravessar a barreira hematoencefálica — e, no caminho, ainda reduzir a inflamação crônica.
Apesar de conseguirmos controlar o vírus através dos antirretrovirais, as pessoas com HIV ainda envelhecem um pouco mais rapidamente, ainda sofrem com doença cardíaca quatro a cinco anos antes do soronegativos e muitas pessoas acreditam que tudo isso é decorrente da inflamação crônica. Portanto, um produto que ajuda a controlar a inflamação, certamente pode ajudar as pessoas a viver vidas mais longas e mais felizes.

O estudo de Robert L. Cook vem num momento em que o uso da maconha medicinal atinge seu máximo histórico nos Estados Unidos: mais de 70% dos americanos se dizem a favor do uso da cannabis para diminuir os efeitos de diversas condições médicas crônicas. Uma reportagem da HIV Plus Magazine afirma que muitos soropositivos usam a maconha com o intuito de aliviar sintomas decorrentes do HIV e efeitos colaterais associados ao tratamento antirretroviral, como náuseas, perda de apetite, depressão, perda de peso e dor neuropática — e também lembra que a cannabis pode ter efeito direto contra o vírus, como já teria sido documentado em estudos anteriores.

Uma pesquisa conduzida em macacos, financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde e pelo Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estudos Unidos e publicado na Aids Research and Human Retroviruses, em 2014, sugere que o THC consiga diminuir o dano do HIV no intestino, o que acontece especialmente durante a fase da infecção aguda. Cinco meses depois, pesquisadores do Centro de Ciências de Saúde da Universidade Estadual da Louisiana descobriram que o THC produziu uma diminuição generalizada na carga viral e na inflamação tecidual nestes macacos, com subsequente aumento da produção de células T CD4 e CD8.

Outro estudo, de 2012, conduzido na Escola de Medicina Mount Sinai da cidade de Nova York, sugere que a cannabis é capaz de interagir com receptores localizados em diversas células, incluindo macrófagos e células CD4, inclusive bloqueando o processo de sinalização entre HIV o e a CXCR4, um dos principais tipos de receptores que permitem que o HIV entre e infecte uma célula. Outra descoberta se refere aos compostos antiinflamatórios do THC, capazes de reduzir a replicação viral e a inflamação no cérebro.

Anúncios

56 comentários

  1. SAR diz

    Penso que todo estudo em busca pela cura esterilizante ou funcional é sempre muito válido, porém, na minha opinião, o estudo mencionado parece-me ter um caráter muito mais acadêmico do que aplicado. Tudo o que envolve a utilização da Cannabis gera polêmica e dá muita visibilidade. A flora mundial é extremamente rica e, inúmeros metabólitos secundários, já foram isolados das mais diversas espécies, gêneros e famílias e, relativamente, poucos estudos são relatados sobre os efeitos desses metabólitos como potentes agentes anti-HIV. Até hoje, por exemplo, não vi um antirretroviral desses que conhecemos ter sua origem em um produto natural, ou mesmo usar um produto natural como precursor. Quando estamos na academia, é muito conveniente buscarmos assuntos do momento, pesquisa “inéditas”, causar “burburinhos”, uma vez que, isso no traz uma certa visibilidade, nos traz recursos financeiros, nos dá papers em revistas de alto impacto. No texto diz: ” Vamos fazer testes de toxicologia de urina para tentar especificar exatamente a composição da maconha”. – Na realidade, não é necessário fazer uma pessoa inalar ou ingerir maconha para conhecer sua composição, pois existem outros métodos muito mais eficientes e simples para ter tal conhecimento. Enfim, espero que essa pesquisa tenha como finalidade nos trazer algum benefício e não somente vê-la estampada em uma revista científica inflando o ego de seu autor.

  2. Pedro diz

    Concordo com vc SAR,

    Porém, temos que avaliar que a rede de vendas da maconha no mundo possui muito mais dinheiro do que as botânicas que preservam as trepadeiras por exemplo! Tal fato faz com que obviamente se tenha mais interesse de emplacar mais pesquisas de maconha do que de qualquer outra planta. Eu me sinto muito bem com o uso da maconha, mesmo usando apenas uma vez por ano( 2 no máximo ) mas sempre que uso me sinto muito mais concentrado, percebo que o meu cognitivo ( principal problema meu em consequência do HIV ) melhora bastante mas precisamos de mais estudos para comprovação mais afetiva.

  3. Hllodo diz

    O que mais me deixa inconformado neste tipo de estudo são os prazos muito longos para os resultados. Sei que se deve seguir protocolos mas sinceramente os prazos deveriam ser mais curtos fazendo com que as pessoas tenham acesso mais rápido aos tratamentos.

  4. DEAN diz

    Fumo todo dia. Fiquei indetectável no primeiro mês de tratamento e estou até hoje, nunca tive nenhum efeito colateral do 3×1 em um ano de uso. Exames sempre normais. Tomo o 3×1 e fumo um logo em seguida.

  5. Carioca+++ diz

    Ola,

    Alguem aqui toma algum esteroide/hormonio para ganho de massa? Já tentei de tudo (dieta, hipercalorico) e nada. Gostaria de saber algum que não tenha interaçao com os antiretrovirais.

    Obrigado a quem puder ajudar!!!

    • Arthur diz

      Os ARVs de ultima geração como o DTG por exemplo não tem interação medicamentosa com AES.

      O que se deve observar ao fazer uso é em relação as alterações em algumas.enzimas do sangue, o uso assimilado pode potencializar essas alterações que ja são um efeito colateral dos ARV a longo prazo.

      Mas geralmente quem faz uso de anabolizantes pra fins estéticos usam uma.dose bem acima da recomendada dessas drogas. Se vc usar nas doses re omendadas e com bastante cautela -por.ex; não consumir alcool durante o periodo de uso, ter uma boa ingesta hidrica e boas horas de sono e claro – monitorando sempre TGO e TGP, niveil de creatina e taxa de filtracao glomerular atraves de exames. Com todos esses cuidados da pra fazer um ciclo tranquilo sem complicações e obter alguns ganhos. Só não pode virar rotina.

    • Joao diz

      Tenho problemas tbm com perda de peso depois que comecei a tomar antivirais

  6. Cbb diz

    Será que é possível nós acreditarmos que somos a geração da cura?

    • Caio PE diz

      Geração da cura acredito que ainda não, mas geração de medicamentos cada vez mais eficazes e com muito menos efeitos colaterais sim !

  7. Arthur diz

    Tenho 23 anos, expectativa de vida de 60+

    Vc afirmar que ainda não somos a geração da cura é muito relativo. Existem pessoas de todas as idades e com diferentes etilos e expectativas de vida. Nem todo mundo aqui ta com um pé na cova. Eu acredito assim, você pode ter sido diagnosticado nos anos 80, na época ja com seus 40 e poucos anos, hoje na terceira idade você ja é um sobrevivente desse virus. Você viveu toda uma vida com ele sob controle, milhões morreram, milhares estão morrendo nesse exato momento e vc está VIVO.

    ENQUANTO vc estiver vivo tudo é possível.

    Vc pode chegar aos 90 e ser parte da geração da cura.

    Que nesse 2018 sejamos mais otimistas.
    Estipulam muitas datas, alguns falam em 2020, eu só sei que são muitas pesquisas promissoras em andamento, nesse exato momento provavelmente Timoty Brown ja nem seja mais o unico curado. Nós só não sabemos ainda pq ciência trabalha com etapas, nenhum laboratório se comprometeria em afirmar que suas pesquisas deram certo, mas muitos “cobaias” nesse momento estão em remissão viral sem TARV, esperando apenas uma data estipulada pra confirmar a eficacia de uma nova droga. Eu não sei até 2020, mas em uma decada eu tenho certeza absoluta que não haverá apenas uma mas varias formas de se erradicar esse virus.

    • Verdes Olhos diz

      Falou tudo! Também volta-e-meia penso que devem existir alguns Timothy Browns escondidos por aí, sendo estudados e sendo temas de pesquisas ainda a serem publicadas. Até porque esses testes de medicamentos e terapias exigem sigilo dos participantes.

      • Anne diz

        Acredito nisto também, Verdes Olhos. E há lobbys, sabemos disso… em todas as esferas, em muitos âmbitos. Prima-se por evitar especulações, alardes e tudo mais que estorve o bom andamento das coisas. Força e Luz sempre!

        • Verdes Olhos diz

          Verdade, Anne, são várias variáveis! Só nos resta ter paciência e buscar alguma serenidade no meio disso tudo.

  8. Life diz

    Interessante seu comentário Arthur.

    Descobri minha sorologia a dois anos, desde então venho semanalmente monitorando cada noticia sobre os avanços em relação a cura funcional e esterelisante.

    Pergunta para aqueles que já convivem com o vírus a muito mais tempo, todo ano é normal este mundo de notícias mostrando avanços ou isso é algo recente?

  9. Lecinho diz

    Fui hoje(dia 21.12) ao infectologista e meu primeiro exame de carga viral ele me falou que está muito baixo. 75 mil. Fiz em setembro com 2 meses e alguns dias de tratamento. Ja se passaram mais dois meses, as manchas sumiram e to com um peso melhor. Ele falou que com 6 meses farei um novo exame pra ver se aumentou. Se nao, mudará a medicação. Espero q nao, nao sinto nada com a que tomo a tarv nova. Uma pena que demore tanto esses exames pra serem feitos nao vejo a hora de estar indetectavel

    • kiss diz

      Forças e fé! Vai ficar tudo bem….Coma bem, tome os remédios certinhos e pratique atividades físicas!!! E vida que segue….

  10. Cbb diz

    Alguém pode dar uma dica de quanto tempo é que provavelmente começamos a ter problemas de saúde após início do tratamento com ARVs?

    • Provavelmente nunca, conheço pessoas em tratamento desde anos 90 e com 70 anos de idade e ótimo. Eu estou há 4 anos e não sinto nada, faço exames e esta tudo ótimo, acredito que estou ate melhor de saúde por que me cuido melhor, alimento melhor, faço academia etc

    • Caio PE diz

      Mantendo o tratamento corretamente e estilo de vida saudável (não fumar, fazer atividade física regularmete, evitar bebidas alcoólicas, alimentação equilibrada etc e tal) que TODOS aqui já sabem, a expectativa de vida é semelhante a daquelas que não possuem o vírus e a ação de possíveis efeitos colaterais dos ARVs ao longo dos anos é drasticamente reduzida.

  11. Maycon diz

    As etapas são necessárias! É pra quê sair testando em humanos direto? Gente, não estamos nos anos 80. Os cientistas por bom senso nunca irão sair administrando a bel prazer se hj temos tratamento e as pessoas não estão morrendo. Essa pressa em existir como soronegativo, só vai causar ansiedade desnecessária. O problema do HIV é social, quem precisa de medidas urgentes é a sociedade e não o controle da doença no organismo. Isto, já temos!

    • Rômulo diz

      Pelo que entendi não é uma cura, é uma “tarv” com efeitos colaterais zero.

    • Luz diz

      Essa notícia e incrivelmente maravilhosa, fiquei até emocionada. O único problema é q nunca ouvi falar desse site😥

  12. Anne diz

    Vai dar tudo certo, gente. Já tem dado! Brindemos ao que conquistamos até hoje. Agradeçamos àquilo, a quem acreditamos que possa intervir por nós numa esfera maior – sou ateia, mas creio numa força superior maior.. mais potente que qualquer deus/deusa do registro sagrado que seja. Gratidão, adesão ao tratamento, checkups rotineiros… gentilezas, carinha boa, reciprocidade. E vamos que vamos, guerreirinhos! Não os conheço, mas o que nos une, nossa mesma condição… faz com que eu os ame. Sabe… o que nos faz diferente, é o que nos torna Especiais.

    • Rômulo diz

      Pela matéria, atualmente só quem tem HIV + doença secundária…

    • Carioca+++ diz

      Ola antonio. Moro em sp e ha mais de 3 anos possuo o passe livre.

      Nao precisa ter doenças relativas ao virus, apenas ser HIV+. Mas a gratuidade é apenas para onibus.

      Entra no site da sptrans, em cartao especial (o mesmo pra deficientes) vc imprime o formulario, leva na sua infecto, ela vai preencher e vc vai ate um posto SPTRANS e leva a documentaçao. Fica pronto em 10 dias a carteirinha especial. Ela é verdade e vem escrita passageiro especial. Tem validade de 1 ano e deve ser renovada.

  13. GT diz

    Estou a 1 ano e 3 meses em tratamento. Tenho uma vida muito corrida, estudo 8 horas na facul e mais 5 horas em casa. Tenho uma alimentação 100% saudável, alimento de 3 em 3 horas. Percebi que esse ano perdi muito peso, de 70kg para 64kg. Já pedi varias vezes a infectologista para mudar minha medicação (3×1). Ela me disse que não possui outra medicação nova na cidade e que a culpa da perda de peso é minha, pois moro sozinho e não tenho ninguém para fazer meu almoço. Alguém está com esse mesmo problema de perda de peso ? Será que minha perda de peso tem haver com a medicação 3×1 ? Preciso de ajuda !
    Obrigado…

    • SAR diz

      Olá GT,

      Primeiramente, devo lhe dizer que sua infectologista está sendo imprudente. Digo isso, pois faço consultas periódicas (2 em 2 meses) e toda vez que vou à infectologista, ela sempre me questiona se estou confortável com o esquema prescrito. Faço uso do esquema ATV/r + 2×1 e um dos efeitos colaterais é uma aumento das bilirrubinas (bilirrubinemia) que é aquele efeito que causa, nos primeiros meses de tratamento, um amarelamento na pele e nos olhos. Existe sim outros esquemas diferentes do 3×1 que podem ser disponibilizados pelo SUS. O esquema que uso é um deles e existem outros como, por exemplo, o Darunavir/r + 2×1. Há 1 ano e 2 meses iniciei meu tratamento com 79 kg e hoje estou com 84 kg (nunca pesei isso na vida…rsss) agora pretendo iniciar meu ano praticando atividade física, pois não quero ganhar mais peso do que já ganhei. O único impedimento para que ela não te prescreva outros medicamentos é se já foi constatado, por meio de exames, que você possui resistência a outros ARV’s disponíveis. Desejo que tudo fique bem com você.

      Abraço.

  14. DEAN diz

    O 3×1 faz perder massa, sim! Os médicos não assumem isso, colocam a culpa em todo e qualquer fator! Mas quem se pesa constantemente, é acompanhado por nutricionista e personal, percebe este efeito em média 8 meses pós adesão. Pra quem curte academia é frustrante, eu sei! Mas existem formas de combater isso. Quem não tem problemas renais ou não tem experimentado alterações no fígado, sugiro ampliar a suplementação como alternativa. Mas não se engane, o ganho de massa é bem lento mesmo assim, infelizmente os resultados de antes da adesão ao tarv jamais serão replicados. Mas ainda sim, é possível ter uma ótima forma física , com menos massa magra do que você gostaria ou em comparação com soronegativos, se houver disciplina e intensificação do treino. Faço academia desde a adolescência, treino bem pesado, não parei pós-diagnóstico positivo e mesmo assim enfrentei uma certa perda de massa. Já percebi que os resultados ficaram bem lentos, mas prefiro ser menos malhado e saudável do que monstro e morto kkkk 😉

  15. Luquinha diz

    A ultima matéria e a mesma da penúltima , mais de site diferente , já que o colega acima nunca ouviu falar .

  16. Lara diz

    Gente alguém sabe se há interação medicamentosa dos arvs com chá de hibisco ?

  17. Arthur diz

    Iniciei meu esquema com o Dolutegravir, morria de medo de perder peso e parecer doente, hoje após 1 ano o que tive foi um aumento de 4kg.
    Porém as vezes tenho a sensação de estar ganhando gordura localizada principalmente na região do abdôme, fiquei até com medo de ser a tal “lipodistrofia” mas não tive nenhuma perda de massa corporal em parte nenhuma do corpo, sempre tive pernas grossas e assim continua mesmo estando sem malhar a 3 meses devido uma lesão no joelho. Foi então que no inicio desse mes fiz minha bateria de exames que l infecto solicitou e notei que meu triglicérides e glicose estavam altas. Talvez seja efeito da medicação mas também percebi que minha alimentação ficou bem mais pesada após o.diagnóstico, justamente pelo medo de perder peso, acabei comendo demais e ganhando essa barriguinha. Agora comecar o ano novo de dieta… hehehe

    No mais, nada que reclamar do Dolutegravir, quebrou todo o estigma que eu tinha em relação a ARVs. Espero que a partir do ano que.vem padronizem isso e ofereçam pra todos. Vejo sempre o pessoal falar bem mal do tal Efavirenz

      • Arthur diz

        Ola Botini
        Tudo ótimo e com vc?

        Então, eu tinha alguns traços de depressão antes mesmo do diagnóstico, outro medo que tive foi disso se agravar com a medicação. Mas de alguma forma, o medo que me consumia quando tive o diagnóstico era tão maior que isso que assim que comecei o tratamento e vi minha saúde melhorar quase que instantaneamente foi como uma luz se ascendendo no fim do túnel e dizendo pra mim que a vida continua e que eu teria outra chance. Nunca comentei sobre essa fase pre-diagnóstico aqui no blog mas eu estava sofrendo bastante, minha mãe havia falecido a poucos meses, eu comecei a viajar, frequentar baladas e me relacionar com estranhos sem a menor preocupação pq achava que minha vida não fazia mais sentido… Cara, em questão de alguns meses eu que sempre fui um cara saudável me vi doente, sofrendo de uma dor de cabeca que não cessava com nenhum remédio, tonturas, desmaios, as baladas ja não me animavam mais, qualquer quantidade minima de alcool ja me deixava mole e destruido no dia seguinte. Nada disso passava pela minha cabeça que poderia ter alguma relação com HIV. Isso jamais passou pela minha cabeça até o momento do diagnóstico (um desses testes rápidos que eu inclusive fiz dando risada e comentando com meu amigo que tinha certeza que daria negativo). Fiz por fazer, jamais houve suspeita, por mais que eu estivesse muito mal eu imaginava qualquer outra coisa: labirintite, dengue, anemia… Quando penso que não a assistente social me chama numa sala reservada com uma expressão morbida no rosto e me da aquele diagnóstico horrivel que instantaneamente tirou meu chão, parou meu coração por alguns segundos e me fez suar frio como se eu tivesse terminado uma maratona…. enfim, depois de alguns longos e sofriveis dias de espera até a primeira consulta com o infecto – ainda sem a medicação pois só me foi prescrito após os exames de CV e CD4, finalmente iniciei meu tratamento, ali eu ja havia pesquisado tanto sobre HIV, AIDS e Antiretrovirais que poderia apresentar uma palestra. Li muitos relatos positivos sobre o Dolutegravir (inclusive aqui no Blog) grande parte dizia não sentir absolutamente nenhuma efeito colateral…. eu ainda com um pé atras. E hoje eu sou prova viva de que SIM… Não senti nenhum efeito colateral, a não ser alterações no sangue que só pude constatar com os exames.laboratoriais mesmo, e ainda assim, nada grave! Alias, grave era o que estava sentindo antes, grave era a tortura de saber que meu corpo era hospedeiro de um virus potencialmente mortal e eu não estava em tratamento. A partir do momento que recebi a medicação foi só melhoras… aos poucos vi aqueles terriveis nodulos linfaticos enormes no meu pescoço desaparecerem por completo, a enxaqueca incessante que vinha me torturando a semanas desapareceu pra nunca mais, vertigens e tontura nunca mais… Em julho meu segundo exame de carva viral, resultado? INDETECTAVEL! Minha contagem de CD4 de 459 subiu para 838…. vi meu corpo se recompondo e me sentindo cada dia mais vivo e ainda hoje, após um ano, a cada dia que passa me sinto mais forte e com mais vontade de viver, amar, fazer o que eu gosto… logo eu que sempre me vi vulnerável e fraco conheci meu lado mais forte com esse vírus que as vezes eu só me lembro na hora de tomar os remedios… ou nem lembro, pego os frascos distraido e simplesmente tomo, no automático.

        Posso te dizer com total propriedade, que muito do que você sente, fisico ou psicológico, depende muito de.como você lida com esse virus e com a oportunidade de poder viver estando em.tratamento. Recomendo você pesquisar, ler, assistir.documentários sobre como era se descobrir soropositivo alguns nem.tão longos anos atras e ver que você ja é um vencedor e tem a oportunidade de nascer outra vez. O mundo hoje é cheio de negatividade e te força a ficar pra baixo e sentir-se derrotado. Eu não permiti isso, minha história sou eu quem vou contar e não esse vírus.

        • Botini diz

          Obrigado por dividir sua experiência cmg. Sempre fui depressivo e o diagnóstico só complicou as coisas. Tenho clareza da sorte q tenho, assim como vc, fiz o exame por acaso e com a certeza do resultado negativo. Nunca tive nenhum sintoma físico, fiquei indectavel em dois meses. Não atribuo nenhum mal estar ao esquema, e sim a depressão. To sendo assistido por terapeuta e psiquiatra, mas os dias não estão fáceis.
          Vc toparia bater um papo?
          ebs.87@hotmail.com

    • Bruno diz

      Opa, Arthur. Eu tomei o 3 em 1 durante 3 anos, consegui mudar pro esquema com DTG mês passado e estou tolerando muito bem a nova medicação. Sobre a lipodistrofia, notei que minhas mãos e pés perderam gordura (as veias estão mais aparentes), vou conversar com minha infecto na próxima consulta. Uma dúvida minha é: vocês sentem um inchaço no pescoço (glândios linfáticos)? Tenho esse inchaço desde o diagnóstico, ultimamente venho pensando se é por causa do vírus (mesmo eu estando indetectável desde o primeiro mês de tratamento).

      • SAR diz

        Olá Bruno,

        Que bom que se adaptou com o novo esquema. Sobre o inchaço no pescoço seria interessante você conversar com sua infectologista, pois uma vez que, você encontra-se indetectável, eu imagino, não era mais para sentir tal incômodo. O que precisa ser averiguado é se você não tem uma outra infecção ativa que não é de seu conhecimento. O inchaço dos gânglios linfáticos é uma resposta do nosso organismo indicando que o mesmo está tentando combater alguma infecção ativa. Há poucos dias respondi aqui, no blog, uma outra pessoa com o mesmo questionamento. Ele estava indetectável, foi ao médico e foi constatado uma nova infecção. Espero que, em breve, você se livre desse incômodo.

        Abraço!

  18. Cbb diz

    Desculpa a minha ignorância sobre certos pronunciamentos feitos aqui no “nosso” blogue e que por vezes me deixam sem perceber de concreto a ideia do que se quer passar, mas se alguém puder me esclarecer agradeço:
    1 O que é tomar correctamente os ARVs?
    Será tomar todos os dias e a mesma hora pré programada?
    2 Pode-se tomar os ARVs (3×1) antes ou depois de comer alimentos sólidos?
    3 Há alguma interacção negativa entre o consumo dos ARVs e o álcool?
    Por favor JS, Luiz Carlos, Luquinha ou qualquer outro usuário do blogue me esclareça.

  19. Caio PE diz

    1 O que é tomar correctamente os ARVs? Não deixar de tomar nenhum dia (não ficar pulando doses)
    2. Será tomar todos os dias e a mesma hora pré programada? O ideal seria, mas os ARVs de hoje têm uma certa tolerância de horários (claro que não se deve abusar disso).
    3 Pode-se tomar os ARVs (3×1) antes ou depois de comer alimentos sólidos? Depende do tipo de alimentação. Conserve com seu infecto sobre. Gorduras devem ser evitadas.
    3 Há alguma interacção negativa entre o consumo dos ARVs e o álcool? É bom evitar (banir o álcool.
    Respostas obtidas com duas infectologistas do hospital de referência de Recife.

  20. Anderson diz

    Alguém aqui segue alguma dieta hipocalórica? Depois do meu resultado positivo e início da medicação só aumentei o peso e a vontade imensa de comer besteiras.

  21. Dru diz

    Então quer dizer que o emagrecimento é mesmo um efeito colateral da medicação? Eu tomo o Dolutegravir e minha médica disse que o tratamento não causa o emagrecimento. Me bateu a dúvida agora.

Deixe um comentário.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s