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Uma conversa com Almir Nascimento

Almir Nascimento

Almir Nascimento tem 59 anos de idade. Foi dono do bar e restaurante Paparazzi, antes de integrar a organização da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo em 1999 e 2000, anos em que o Movimento Gay da cidade ganhou bastante notoriedade. Entre 2009 a 2013, foi presidente da Associação Brasileira de Turismo GLS. Há 19 anos é proprietário da da sauna Wild Thermas Club. Desde julho, voltou a integrar a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo e é um dos organizadores do 1º Encontro de Saúde/Prevenção IST/Aids entre Jovens LGBT, no dia 28 de novembro — a primeira vez que a Parada Gay de São Paulo vai falar sobre a prevenção ao HIV.

Conheci Almir em uma reunião que aconteceu em setembro deste ano, no bairro dos Jardins, em São Paulo, depois de ter sido convidado para colaborar com a iniciativa da Parada do Orgulho GLBT em uma campanha sobre a prevenção do HIV. Quando cheguei, ele já estava na sala, sentado de costas para a janela, vestindo uma camisa social xadrez e calça jeans, quando se levantou para me cumprimentar, com um aperto de mão firme e um olhar sorridente. Almir parece ser daquelas pessoas que escuta mais do que fala. Pelo menos, foi assim naquela reunião, na qual ele ouviu atentamente aos que estavam ali presentes — entre eles, o youtuber Gabriel Estrëla, do Projeto Boa Sorte, e o médico infectologista Ricardo Vasconcelos, coordenador de um ambulatório do Hospital das Clínicas da FMUSP especializado em HIV, que participou dos estudos iPrEX e PrEP Brasil. No pouco que falou naquele dia, Almir reconheceu que era hora de incluir o HIV e a aids na pauta da Parada Gay, algo que não foi feito até hoje. Conversei novamente com Almir nos últimos dias, quando tomamos um café num bairro da região central de São Paulo.

Jovem Soropositivo — A Parada do Orgulho GLBT de São Paulo nunca abordou oficialmente o tema do HIV e da aids. Por que essa mudança agora?

Almir Nascimento — O índice da epidemia está explodindo, novamente, especialmente entre os jovens homens gays. Não era para estarmos ainda falando de aumento do número de casos, de campanhas que ainda precisam ser feitas. Já era altura da epidemia estar controlada. Mas parece que estamos sempre patinando, patinando… Se a Parada tivesse feito isso há vinte anos, o quanto ela já não poderia ter conseguido? Se a gente já tivesse feito um trabalho para os jovens que hoje estão se infectando e que não têm informação sobre o HIV, o quanto a gente não poderia ter ajudado? Enfim, a Parada optou por outro caminho, foram outras conquistas. Mas eu acho que a Parada pode fazer alguma coisa, sim.

Você diz isso num tom de mea culpa?

É mea culpa da minha parte, não da Parada e nem da Associação. Dentro da comunidade gay, sempre foi falado da epidemia de HIV. Muitos associados e muitas pessoas próximas viviam e vivem com HIV. Então, sempre se falou sobre isso dentro da comunidade.

Mesmo assim, é verdade, a Parada nunca teve um evento dela própria voltado para a prevenção e conscientização sobre o HIV. O que tivemos foram vários parceiros, incluindo as ONGs que trabalham com HIV e aids, como Fórum ONG/Aids, Pela Vidda, GIV e GAPA, que foram parceiros da Associação. Então, quando chegava a época da Parada, os parceiros procuravam a Associação para fazer alguma ação. A Parada acreditava e acredita nesses parceiros, que faziam e fazem importantes ações de prevenção durante os eventos.

Mas a Parada nunca assumiu para si essa função, porque, embora muita gente imagine que sejamos uma baita organização, a verdade é que somos um pequeno grupo que faz um evento para milhões de pessoas. Durante a 4ª Parada, por exemplo, nós éramos cinco: um presidente e quatro diretores — claro, além dos vários voluntários. Hoje, mudou-se um pouco o estatuto e temos um grupo um pouco maior: um total de 18 pessoas, todos voluntários, sem ganhar nada pelo trabalho na Associação e, por isso, têm de ter seus próprios trabalhos. Então, é uma organização frágil, que mal dava conta de fazer o que tinha de fazer para a Parada acontecer. Por isso, incluir mais um evento, voltado somente ao HIV, nunca tinha sido possível.

Parada do Orgulho GLBT de São Paulo de 2014 (Foto: Ben Tavener / Brazil Photo Press).

E o que mudou?

O que mudou é que eu, voltando para a organização da Parada, disse: “eu gostaria muito de fazer isso”. Para mim é fundamental que a Associação faça alguma coisa e resgate esses vinte anos em que não trouxe diretamente essa discussão. Você falou em mea culpa… é isso! Temos que aproveitar essas milhares de pessoas na rua para isso também. Eu fui convidado para voltar para a Parada recentemente, em julho de 2017, e, agora, vamos fazer esse evento: o 1º Encontro de Saúde/Prevenção IST/Aids entre Jovens LGBT, já na semana que vem, dia 28 de novembro. Esse evento vai passar a fazer parte do calendário anual da Associação.

Teve alguma razão pessoal para essa sua motivação?

Eu acho que foi a preocupação e, também, uma vontade que eu trago há vinte anos de fazer alguma coisa nesse sentido. Mas a verdade é que, até agora, eu não achava que tinha forças e nem legitimidade para, sozinho, fazer isso. Eu sempre tive negócios voltado para o público gay: tenho hoje uma sauna gay, que este ano está fazendo dezenove anos de existência, e, durante esse tempo, nunca houve lá dentro mais do que três campanhas de prevenção ao HIV. Como empresário, eu nunca fiz isso. Claro, sempre ofereci preservativos e gel lubrificante para os clientes, mas nunca fiz uma campanha propriamente dita, com cartazes de divulgação e conscientização sobre o assunto.

Como funciona essa distribuição de preservativos dentro da sauna?

Hoje, a Secretaria Municipal de Saúde me fornece os preservativos e géis lubrificantes gratuitamente, que estão dispostos em vários pontos do estabelecimento. Se o cara está com tesão e quer transar, é muito fácil ele pegar a camisinha e usá-la. Mas antes, até doze ou treze anos atrás, não era assim: o programa municipal ainda não tinha esse serviço. Então, eu mesmo é que comprava os preservativos e os distribuía na sauna, sem custo adicional para os clientes. Hoje é maravilhoso termos essa parceria com a Secretaria, mas não é a mesma coisa que uma campanha: cartazes e folders com explicações, informações e referências. Campanhas assim fizeram muita falta.

Algo próximo disso aconteceu quando o Dr. Ricardo Vasconcelos veio nos procurar: ele precisava de 500 voluntário para participar de um estudo sobre PrEP e deixou vários folhetos lá na sauna. Sei que muitos clientes meus foram participar desse estudo. E, agora, o Dr. Ricardo será um dos palestrantes desse 1º Encontro de Saúde.

O que você acha da profilaxia pré-exposição (PrEP) e das outras alternativas de prevenção, como a profilaxia pós-exposição (PEP) e o tratamento como prevenção (TasP)?

Eu considero isso um marco. Com tantas opções de prevenção, uma pessoa bem informada só se infecta se quiser! Hoje, uma pessoa pode se prevenir antes, durante ou depois — quer coisa melhor? Mas quantas pessoas não sabem que essas alternativas existem? Falta informar as pessoas que essas alternativas existem! E é aí que mora o problema: as campanhas atuais não alcançam todo mundo.

Por que a Parada resolveu falar sobre isso para os jovens? Porque eles são difíceis de serem alcançados, eles são fluídos. Ontem, a novidade era o Facebook, hoje são os grupos de WhatsApp — os pais deles estão no Facebook, mas não no grupo de WhatsApp. Existem muitos grupos voltados para sexo e fetiches, conheço vários deles. Por exemplo, alguém que gosta de bareback ou leather cria um grupo e esse grupo bomba, com mil mensagens, duas mil mensagens. Mas aí um dos participantes cria um subgrupo, com um fetiche mais específico, por exemplo, de bareback com homens que usam barba ou sexo com militares. Em uma semana, o grupo anterior começa a minguar e perder seus participantes, que migraram para os novos subgrupos de WhatsApp, com novos temas e fetiches. E assim por diante.

Como vamos fazer campanha para pessoas que estão em grupos tão segmentados? As pessoas precisam entender que essa é a realidade, isso existe, e que é um problema a educação e informação chegar neles. Precisamos pensar em como fazer isso. Pensando bem, nestes mais de trinta anos de epidemia, deveríamos ter feito muito mais campanhas, discussões e eventos tentando atingir os mais diferentes grupos, canais e tipos de pessoas.

Além deste 1º Encontro de Saúde/Prevenção IST/Aids entre Jovens LGBT, quais outras iniciativas dentro desse assunto a Parada do Orgulho GLBT de São Paulo planeja fazer?

Uma coisa muito legal que vai acontecer em março de 2018 é um Encontro dos Organizadores de Paradas do Brasil. Juntos, vamos tentar criar uma força motivadora para tornemos o segmento mais forte. Nossa ideia é conhecer mais profundamente o movimento de Paradas, trocar experiências e saber um pouco das particularidades e especificidades de cada Parada. Além disso, esperamos que propostas e experiências legais, tal como este Encontro sobre Saúde/Prevenção, sejam levadas e adotadas em todas as Paradas do Brasil. Há sete anos, havia cerca 400 paradas no País. Hoje eu não tenho ideia de quantas existam — são muitas!

Quando você entrou na organização da Parada, qual era o tamanho do evento? Quantas pessoas participaram?

Eu participei como diretor da Associação na 4ª Parada, em 1999, até a 5ª Parada, no ano 2000. A 4ª Parada foi  um marco no Movimento: foi a “Parada dos 100 mil”, que a gente também chama de a “Parada da Virada”. Foi quando a Associação conseguiu levar 100 mil pessoas para a rua. A partir de então, a imprensa, a sociedade e o Estado começaram a olhar e a falar: “quem é esse grupo que consegue levar 100 mil pessoas à rua?” Até então, o Movimento existia mas era muito pequeno e muito dividido. O Movimento só ganhou a importância que tem hoje quando levou 100 mil pessoas à rua.

A partir daí, as pessoas perceberam que este era um grupo organizado. E eu estava justamente nessa Parada da Virada. Foi uma revolução! Na época, a diretoria da Associação tinha como presidente o Beto de Jesus — que, justiça seja feita, montou um grupo muito forte, dinâmico e bastante diversificado. Por exemplo, ele convidou o jornalista Fernando Estima para ser o assessor de imprensa da Associação. Também convidou a mim e ao atual diretor do Museu da Diversidade Franco Reinaldo — ambos empresários com negócios voltado para o público LGBT. Convidou o arquiteto Renato Baldin, o Nélson Matias e o Reinaldo Damião — militantes do movimento LGBT —, bem como o Ideraldo Beltrame e a Fátima Tassinari, além de outros colaboradores. Criou-se ali uma sinergia bem legal e, de repente, estávamos todos empenhados em ajudar, trabalhar e construir pautas, agenda e eventos para que o Movimento se fortalecesse e para que a Parada acontecesse. Foram dois anos incríveis!

Com cada vez mais pessoas participando da Parada…

Pois é, na 5ª Parada o público já foi de  200 mil pessoas. Foi um crescimento geométrico. Na 6ª Parada foram 500 mil pessoas. Foi uma coisa louca, o público cresceu ano a ano, até chegar nos milhões que temos hoje. Mas o que importa é que o Movimento LGBT se consolidou, a Associação da Parada se fortaleceu e tudo o que a Parada faz ganha uma enorme repercussão. Agora, esperamos que essa repercussão aconteça com o Encontro de Saúde/Prevenção para Jovens LGBT.

O que te motivou a entrar na organização da Parada?

Acho que foram as questões do Movimento LGBT. O Movimento LGBT não quer ser diferente, não quer ser especial: apenas queremos direitos iguais e que as nossas diferenças sejam respeitadas. Por que não ter uma lei de herança entre casais que funcione tal como funciona com casais heterossexuais? A adoção, por exemplo: por que um casal gay não pode adotar uma criança tal como um casal hétero? Por que eu e meu parceiro não podemos ter os mesmos direitos  de um casal convencional? Por que não podemos, por exemplo, partilhar um plano de saúde ou de previdência? Hoje já conseguimos muitos destes direitos, mas naquela época ainda não era assim. Percebemos que, quanto mais gente o Movimento levasse para as ruas, maior seria a força para negociar e barganhar esses direitos. Era preciso nos tornarmos visíveis, porque, até então, o público LGBT era invisível para as leis e para a sociedade.

Quando você percebeu que era gay?

Eu acho que tinha 11 anos de idade. Foi quando eu percebi que gostava de caras, que os homens me atraíam. Era a época da minissaia, em 1969. Lembro que os meus amiguinhos ficavam loucos vendo as pernas da professora de matemática. E eu achava mais interessante o tesão deles vendo as pernas da professora do que a professora em si. Era aquela molecada, todos com 11 ou 12 anos de idade, descobrindo a sexualidade, ficando de pau duro toda hora… E eu achava eles mais atraentes de pau duro do que a professora! [Risos] Isso tudo no interior de São Paulo, imagina? Sou nascido em Pirajú, perto de Ourinhos.

Eu vim de uma família muito religiosa, então, até os 19 anos eu fiquei bem quietinho, estudava a Bíblia, fui ser missionário, etc. Durante esse tempo, a minha sexualidade ficou adormecida. Até que vim para São Paulo, trabalhar como missionário aqui. Foi quando passei a ter contatos com a cidade e, claro, foram várias descobertas. Acabei me afastando da vida religiosa.

Foi nessa época que você “saiu do armário”?

Não podemos esquecer que estamos falando do final dos anos 70, começo dos 80: o Brasil estava em plena ditadura militar. Havia muita repressão, inclusive em São Paulo. Então, não tinha muito como “sair do armário” — eu tinha assumido a minha sexualidade para mim, mas não publicamente. Minha família nunca me questionou sobre a minha sexualidade. Eu comecei a namorar muito cedo, viajávamos bastante para o interior, na casa dos meus pais, e dormíamos no quarto. Ninguém nunca perguntou nem questionou nada!

Quais você acha que foram os principais avanços nos direitos LGBT, daquela época até os dias de hoje? 

Tiveram muitos avanços, mas eu acho que ainda falta bastante coisa. O que a gente vê hoje em dia é que nem toda família aceita um jovem que é parte da população LGBT. Então, muitos deles saem de casa cedo demais, o que faz com que a educação e a escola sejam interrompidas. O ideal seria que as pessoas aceitassem as diferenças e pudessem conviver com elas.

Outra coisa que aconteceu nestes vinte anos: as religiões fundamentalistas aumentaram muito, tanto em número de pessoas quanto em sua representatividade. Elas se organizaram e hoje ocupam cargos no legislativo municipal, estadual e no Congresso Nacional. Sabemos da visão equivocada que eles têm da homossexualidade e da falta de respeito às diferença.

Houveram várias conquistas, mas a força contrária, reacionária, também cresceu. Para mim, não seria nenhuma novidade que essas forças reacionários no ano que vem, nas eleições de 2018, se essas pessoas conseguirem ocupar altos cargos no Executivo — vide a prefeitura do Rio de Janeiro, com o Marcelo Crivella (PRB). Outro exemplo é o Jair Bolsonaro (PSC), que não é evangélico mas é apoiado por eles, que é um dos líderes nas pesquisas de intenção de voto para presidente.

O que você está dizendo é que, ao mesmo tempo em que houveram várias vitórias em relação aos direitos LGBT, também se cresceu a resistência a estes direitos?

Sim, é a lei da ação e reação. Isso faz parte: na medida em que a pauta progressista avança, a reacionária não fica quieta e se mobiliza também. A própria fala do Bolsonaro, quando ele fala a respeito de mulheres, gays e lésbicas, é sempre em tom muito pejorativo. Não há o mínimo de respeito nas falas dele. Ele é truculento. Além disso, vemos agora essa volta da censura nas peças de teatro e em exposições onde há nus. Há uma onda conservadora avançando — devagar, mas muito preocupante.

Você acha que a Parada corre algum risco?

Não sei se chegaria a tanto. Censura, não. Acho que a Parada pode ser verbalmente atacada. Seus recursos podem ser cortados, suprimidos. Mas o principal são as conquistas que alcançamos ao longo dos anos: será que elas podem regredir? Claro que podem! De vinte anos para cá, os governos sempre foram de esquerda ou de centro-esquerda, então a pauta era mais progressista, mais social, de direitos para as minorias. Durante esse tempo, embora estivesse afastado da Associação, eu percebia que existia parceira: haviam canais que foram sendo aberto com os parceiros institucionais. Mas, agora, este ano, temos o exemplo da Parada do Rio de Janeiro, que não recebeu apoio e nem verba institucional — foi por muito pouco que o evento não deixou de acontecer!

Quem são os principais apoiadores da Parada de São Paulo?

O evento faz parte do calendário oficial da cidade São Paulo — portanto, é um evento da cidade. Durante a semana da Parada, São Paulo fica lotada de turistas! Há vários anos as pesquisas mostram que o comércio vende muito mais na época da Parada. Tanto as lojas da Rua 25 de março, com seu comércio mais popular, como as lojas da Rua Oscar Freire, com comércio de luxo, batem recordes de venda. A ocupação de hotéis e pousadas é de 100%. Então, é muito interessante para a cidade ter um evento como esse. Há muitos anos, a Prefeitura de São Paulo apoia a Parada, não diretamente com dinheiro, mas na infraestrutura do evento: segurança, gradeamento e palco, por exemplo.

O Governo do Estado nos ajuda também. A Feira da Diversidade que a Parada fez no ano passado recebeu apoio do Governo Estadual para a montagem e estrutura do evento. Foi dele a ajuda na escolha dos locais, como teatros e auditórios, para vários eventos, como o Prêmio da Diversidade, o Ciclo de Debates e os Jogos da Diversidade.

O que é que você acha que precisa mudar no País em relação aos direitos LGBT? 

Em relação aos direitos LGBT, a questão do nome social das travestis e transexuais: quem pautou essa mudança na lei foi a Coordenadoria  da Diversidade Sexual da  Cidade de São Paulo. Isso foi legal, sensacional, mas isso aconteceu à partir de demandas do movimento LGBT. Sobre a criminalização da homofobia: essa agenda deveria também incluir a implantação de políticas públicas para educação e trabalho da população LGBT. São muitas as demandas!

Qual você acha que é o cenário ideal para as minorias, como as pessoas LGBT e para quem vive com HIV?

Acho que precisamos falar, discutir e rediscutir assuntos como saúde, cuidados e prevenção. Incessantemente.

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80 comentários

  1. Acho q deveriam publicar na midia sobre as condiçoes do tratamento de como é estar indetectavel.pois ainda sofremos muito preconceito.

  2. SAR diz

    Penso que a iniciativa é super válida. Torço para que essa iniciativa tenha êxito. Só espero que façam de uma forma instrutiva a fim de quebrar os estigmas sobre o que envolve a viver com HIV. Que não seja uma iniciativa que ao invés de informar coloque mais medo acarretando em um aumento do preconceito. Que tenham o bom senso de discutir sobre o que é estar indetectável, relações sorodiscordantes, prevenção e tratamento pós-dianostico. Ou seja, que façam um trabalho diferente do que estamos acostumados a ver.

    • Caio PE diz

      Opa, a Raffaella, minha “fã e a do Luiz Carlos também, voltou, rs!

  3. PositiveSoul diz

    Eu acho super válida essa abordagem! Mas realmente vocês acham que o problema do “boom” da epidemia é falta de informação?

    • Tiago diz

      Não só mas também PS, a meu ver.

      Creio que a análise do entrevistado é bem coerente; o problema não é tanto “falta de informação” (já que ela existe), mas antes fazê-la chegar a um público diverso -especialmente o mais jovem – num cenário atual de meios de comunicação dispersos e fluidos.

      Adicione a isso uma época de libertação sexual e alta sexualização no entretenimento, facilitação do sexo por redes sociais e apps, uma certa tendência para relações líquidas e pouco duráveis, etc… E “boom”….

      Num momento onde o sexo se promove mais que a prevenção, não seria de esperar outra coisa. Não querendo parecer quadrado ou julgar alguém e não obstante os aspectos mais benéficos do evento na luta por direitos iguais, a própria parada, a meu ver, tem sido mais prejudicial do que benéfica, no sentido de prevenção. Não que promova abertamente o sexo, mas todo o carnaval, com bebida e corpos desnudados à mistura, o faz, mesmo que indiretamente. Infelizmente, nesse cenário, uma barraca fazendo testes rápidos e distribuindo camisinhas me parece mais contenção de danos que prevenção propriamente dita…

      • Rodrigo Gaúcho diz

        Tiago, o Brasil tem uma média de 40.000 novas infecções por HIV por ano, e a Inglaterra tem apenas 400 novos casos por ano. Apesar de a Inglaterra ter 1/4 da população do Brasil, ainda assim é uma diferença GRITANTE. Quer dizer que na Inglaterra não existem redes sociais e apps? Não há bebidas, festas e “libertinagem”? hahaheh O Brasil falhou muito na prevenção, não investe em campanhas e na edução do seu povo.

        • Tiago diz

          Rodrigo, eu também não tenho dúvida que o Brasil falhou na informação e prevenção e que na Inglaterra existem bebidas, festas e libertinagem, algumas das quais eu mesmo participei.

          Quanto à diferença de número de casos entre uma nação e outra, certamente não dá para comparar, com base em tecnologias e movimentos sociais apenas e nem sequer com esforços diretos de prevenção. Não tenho dúvida que existem questões bem mais fundamentais, como a educação que menciona e até o acesso à informação, que impactam substancialmente nesses números, independentemente das agravantes mencionadas.

          • Gil diz

            Concordo com esta visão: até agora, neste ano, na escola que trabalho em João Pessoa, num bairro pobre e sem serviços públicos que funcionam, de mais de 100 alunos entrevistados, num universo de 800 alunos e alunas, NENHUM DELES USA PRESERVATIVO e hoje em dia mal sabem dizer o nome de alguma doença e no imaginário deles, quem tá doente dá pra ver pelo corpo ou pelo rosto e se tá limpinho e cheiroso, não tem doença ou infecção alguma.
            O bairro carece de informação, boa parte dos pais sequer sabe assinar o nome, muitos querem botar o polegar na ficha de atendimento.
            Para eles falta comida, condições de poder até pegar um ônibus, falta até roupa para tentar ir em busca de um emprego. No máximo, vivem de bicos e uns de tão precários, nem isso conseguem.
            A escola falhou em não dar a estas pessoas o básico de dignidade e cidadania, o mínimo de acesso à Educação para se libertarem da corrente de escravidão e submissão na qual historicamente foram colocados.
            E esse pessoal acaba tendo filhos, pencas de filhos. Dizem: Ah, se Deus quer, o filho vem… se vem, é porque Deus quer e me ajudarão. Mas os filhos mal ficam na escola.
            Desculpem o desabafo do textão, mas iguais a estes casos temos milhões e milhões no Brasil, agora, na Inglaterra, 99,5% tem acesso á boa Educação, pais bem educados, empregos, apoio do Estado para tudo quando algo falta. Até que, pelas condições de boa parte do povo e pela incompetência do governo de atingir a esses miseráveis, temos poucos casos de IST´s.

            • Tiago diz

              Gil, só um detalhe que, não obstante as enormes diferenças até de qualidade nos sistemas educativos e sociais, vale dizer que no Reino Unido os apoios também vindo a ser cortados em muitos setores, inclusive na educação, onde na últimas décadas se tem vindo a substituir bolsas por crédito. Por outro lado, foram décadas de financiamento estatal, antes de se migrar para o privado. Já no Brasil e noutros países em desenvolvimento, a migração para o privado tem vindo a tentar acompanhar o ritmo dos países desenvolvidos, não tendo a base firme, que esses construíram com mais tempo. E o resultado está à vista, como bem descreveu.

        • Tiago diz

          Rodrigo,

          Apenas uma correção ao seu comentário…

          O número de novos casos no Reino Unido em 2016 foi de 5.164, não 400. Não sei de onde leu esse número, mas o de 5.164 vem da Terrence Higgins Trust:
          http://www.tht.org.uk/our-charity/facts-and-statistics-about-hiv/hiv-in-the-uk

          Multiplicando esse número por 3.16 (+- o rácio populacional Brasil/UK, chegamos em 16.350, ainda assim uma diferença grande.

          As taxas de alfabetização no Brasil e Reino Unido são de 92 e 99%, respetivamente. As taxas de acesso à internet no domicílio são de 58 e 90%.

          Food for thought.

  4. Tiago diz

    Pessoal, pergunta off-topic… Alguém aqui que tenha sido diagnosticado com infecção aguda e carga viral no milhão, que tenha iniciado tratamento e ficado indetectável, me pode dizer em quanto tempo ficou?

    Aparentemente passaram a informação num CTA para um rapaz amigo de um amigo meu e recentemente diagnosticado com infecção aguda, que demoraria no mínimo 6 meses, pela carga viral alta (1.2M) mas me pareceu estranho porque, pelo PCDT, uma CV detectável ao fim de 6 meses já é caracterizada como falha virológica.

    Se alguém conseguir responder agradeço, o bichinho está surtando… Aparentemente também lhe disseram que provavelmente a infecção dele teria um ano, o que para mim não parece fazer sentido algum; afinal, ou é aguda (recente) ou não é… e tanto quanto sei a carga viral parece indicar ser.

    As CD4 dele vieram em 481 (18.8% e relação 0,32 com CD8), o que em conjunto com a contagem de anti-corpos, que veio baixa também (30), me parece ok e reforçar a probabilidade de infecção aguda. Me parece que teria de ser um caso muito atípico para, ao fim de um ano (ou mais), apresentar estes resultados, não?…

    • D_Pr diz

      Tiago,

      Com qual medicação ele vai iniciar o tratamento? Vamos supor que seja com o 3×1, espera-se a redução de 1log no primeiro mês, em algumas pessoas como foi o meu caso, tive uma redução de 2log. Se ele conseguir 1log, o tratamento está funcionando, isso é:

      1 log = De 1 milhão para 100 mil cópias no primeiro mês…é o esperado e indica que o tratamento está funcionando.

      2 log = 1 milhão para 10 mil cópias… é ótimo.

      É bom ele avaliar a carga viral novamente em 30/45 dias após o início do tratamento e ver se conseguiu esses resultados.

      • Tiago diz

        Oi D_Pr

        Obrigado pelo retorno. Ele começou há 3 dias com o DTG+2×1.

        Você já ficou indetectável? Se sim, pode dizer em quanto tempo? No seu caso, com uma redução de 2 logs (excelente, hein?) Em apenas um mês, imagino que ao fim de no máximo 3 já seria possível… Eu fui diagnosticado com 29k e quando fiz exames 3 meses depois já estava…

          • Tiago diz

            Tranquilo, qualquer relato inferior a 6 meses já me dá argumentos concretos para acalmar o rapaz. Obrigado.

            • Guilherme diz

              Oi, Tiago. Quando descobri, minha infecção estava com carga viral altíssima, bem superior a do seu amigo, da mesma forma se apresentava meu CD4, fiquei com um temor imenso. Enfim, em três meses, consegui reverter tal situação, fazendo a mesma terapia aqui comentada. Acalme, ele. Abraços.

              • Tiago diz

                Oi Guilherme.
                Certamente o seu relato e o do D_Pr já ajudarão a acalmá-lo um pouco e a aguardar com mais positividade.
                Obrigado mesmo! Abraços

    • Ignácio poa diz

      Isso está bem esquisito. É bom ele avaliar se não existem outras condições. Minha carga viral inicial foi 40 mil, cd4 440 e exames normais. Só que eu estava morrendo. Após um ano de batalha descobri ser portador de uma doença autoimune (há outros casos na minha família, em parentes distantes): Síndrome (ou Doença) de Crohn. Todos os perrengues de saúde que tive foram pelo Crohn, não pelo hiv. Há anos in detectável, meu cd4 varia fica numa média de 900 a 1200. Já chegou perto dos 1800. Tenho exames de rotina com valores amalucados. Efeitos do Crohn.

      • Tiago diz

        Oi Ignácio,

        Então, a CV em valores tão altos (acima de 1 milhão) é típica de infecção recente. Até o corpo começar a produzir anticorpos (os 30 dias da janela imunológica) o HIV se reproduz livremente. Durante as primeiras semanas, é comum uma CV altíssima assim. Quando o corpo comeca a produzir anticorpos, a carga viral tende a cair vertiginosamente e rapidamente, para depois ir subindo bem mais lentamente ao longo do tempo. A partir daí, a velocidade de progressão depende de cada um. Podem ser alguns poucos anos até uma década, até se manifestarem doenças…

        A relação CD4/CD8 dele é que tanto quanto entendo e a própria infecto dele mesmo falou está baixa, ainda que não me pareça em níveis tão preocupantes como já li aqui.

        O que importa é que ele já iniciou o tratamento, agora é aguardar pelos próximos exames.

        Abraços

    • Ignácio poa diz

      Olá pessoal, conheço o blog há um tempo, mas nunca postei. Seguinte. Eu estava tomando 3×1 e kaletra (um esquema bem estranho, eu sei, mas é que o primeiro tratamento que usei foi biovir e AtZ, tive resistência a ambos, fiz genotipagem e o esquema que me cabia foi esse e tenho uma doença autoimune – Síndrome de Crohn – que é o meu verdadeiro calvário ) tive todos os efeitos colaterais ao efavirens do 3×1 e por pouco não parei, mas superei e me adaptei muito bem. Aí, neste ano, o governo resolveu tirar o kaletra do esquema, por ser um remédio antiquado e cheio de efeitos colaterais. A alternativa que sobrou foi o darunavir. Faz pouco mais de dois meses que troquei de esquema.
      Na primeira semana comecei a ficar vermelho. Tenho a pele muito branca e esse era um efeito possível do darunavir. Resolvi com anti-histamínicos. Achei que estava tudo ok. Na semana passada, notei que eu estava ficando “empacado” e comecei a fazer fezes endurecidas. Comecei a ficar com a barriga inchada. Aí, num dia, fiquei MUITO MAL, com tontura e náuseas. E os efeitos iniciais do 3×1 voltaram (insônia, pesadelos, acordo todo detonado, passo o dia cansado). Dei uma melhorada no final de semana e hj acordei muito mal novamente. Muita tontura, enjoo e barriga inchada. Dificuldade para evacuar e fezes uendurecidas e um tanto claras. Mandei WhatsApp pra minha médica (que está fora da cidade) e ela me recomendou uma medicação fitoterapica, que realmente, ajudou a passar os sintomas. Ela acha que meu fígado não tá aceitando o darunavir combinado com o 3em1. Quer me ver assim que ela voltar de viagem (segunda feira que vem, dia 4) e avisar a ela qq piora. Alguém já passou por isso com o darunavir? Fui procurar alguma coisa no Google e acho que vou ter que trocar de medicamento. Ou melhor dizendo, de esquema todo. Será? Agradeço a atenção.

      • telma diz

        Eu tomei o darunavir mais tive uma reação alérgica muito forte a medica resolveu trocar , tenho resistencia aos antigos antiretrovirais que nao existem mais na lista do sus . Fiz teste de genotipagem e fenotipagem e tropismo hiv .Mesmo com o meu esquema novo tenho prisão de ventre as vezes meses mais como muita fibra , diminui um pouco . Meu esquema atual é tenofovir lamivudina raltegravir maraviroc estou indetectavel a mais de 5 anos com esse esquema . Se o seu organismo nao suporta o remedio de geito nenhum deveria conversar com sua medica e pedir a troca isso nao é queimar esquemas pq ano que vem teremos bictegravir e ibalizumab e no fim do ano provavelmente pro-140 . Se nao suporta darunavir deve trocar essa é minha opinião de 28 anos de hiv dentro de mim , a qualidade de vida conta muita pra ajudar a aumentar seu cd4 .

        • Ignácio poa diz

          Olá Telma. Pois é, eu acho que não é nem questão de não tolerar o darunavir. Acho que ele está detonando com o meu fígado. Além disso, eu li que essa combinação 3×1 mais darunavir não é lá muito boa tb. Agora à noite voltei a ficar ruim, com dor de cabeça e fortes náuseas. Não tem como. E olha que já aguentei muita coisa no osso por causa do crohn. Cheguei quase a ficar viciado em morfina, tive uma fístula que começava próximo da válvula íleo-cecal (que não tenho mais) ficou três anos drenando pus e fezes num buraco ao lado do ânus. Quase perdi a mão esquerda com uma coisa pavorosa chamada pioderma gangrenoso. Tinha úlceras na região anal, nas costas, na boca, nas pernas. Todos os médicos que me atenderam falaram a mesma coisa: teu problema não é hiv e se tu não tivesse hiv estaria do mesmo jeito! Só com um remédio importado da Irlanda – 45 mil reais cada aplicação – é que me salvei da morte certa. Tive que processar governo, secretaria de saúde, etc. Um inferno. Graças a Deus, não fiquei com nenhuma sequela, nem cicatrizes, a não ser o dedo indicador da mão que ficou torto e esquisito. Mas ninguém nota. Tenho 45 anos e dizem que aparento ter 28 29 30 anos. Tenho 1.80 alt e 72 kg. No auge da pior crise de Crohn, pesei 55 kgs, parecia ter saído um campo de concentração nazista e não caminhava. Enfim…. Quanto ao meu CD4, por causa da doença de crohn, ele é sempre anormalmente bem alto.

          • telma diz

            Parabens pela sua luta contra a doença de crohn . Tenho tomado antiretrovirais desde 93 e o atual esquema tenofovir lamivudina raltegravir maraviroc foi dado pelo meu medico com muita insistência minha ele me disse que nao ia funcionar pra mim . No entanto tomo a 5 anos e minha carga viral é indetectavel o ultimo exame foi agora em outubro . Medicos nao sao videntes eles testam as combinaçoes em pessoas resistentes aos medicamentos, eles nao tem certeza se vc é resistente a um remedio vai ser a outro da mesma classe, eles supoem isso . Desculpe a minha opiniao mais 3×1 que deve incluir o efavirenze e mais darunavir nunca tinha visto ninguem tomar essa combinação . Se ta fazendo mal pro seu figado deveria debater isso com seu medico foi isso que sempre fiz nao adianta prolongar minha vida com sofrimento .Desejo a vc muita sorte e lutar sempre sem desistir

        • DRU diz

          Telma, gostaria de conversar melhor com você? tem como? pode ser por e-mail?

        • telma diz

          Sintomas de Doença de Crohn

          A doença de Crohn habitualmente causa diarreia, cólica abdominal, frequentemente febre e, às vezes, sangramento retal. Também podem ocorrer perda de apetite e perda de peso subsequente.

          A diarreia pode se desenvolver lentamente ou começar de maneira súbita, podendo haver também dores articulares e lesões na pele.

          São comuns dores articulares (dores nas juntas), falta de apetite, perda de peso e febre. Outros sintomas precoces da doença de Crohn são lesões da região anal, incluindo hemorroidas, fissuras, fístulas e abscessos.

          Algumas vezes a inflamação e as úlceras podem penetrar nas paredes dos intestinos, formando um abscesso (uma coleção de pus). Poderá também se formar uma conexão anormal com outras partes do intestino ou de outros órgãos, o que é chamado de fístula.

          Outros sintomas da Doença de Crohn
          Podem ocorrer sintomas que não têm nada com o trato digestivo. Tanto a doença de Crohn quanto a retocolite ulcerativa podem causar problemas em outras partes do corpo. São eles:

          Artrite: as articulações (normalmente os joelhos e os tornozelos) podem inchar, ficar doloridas e endurecidas. A artrite afeta cerca de 30% das pessoas com a doença de Crohn e 5% das pessoas com retocolite ulcerativa. Os medicamentos podem ajudar, mas os problemas normalmente desaparecem quando a inflamação intestinal é controlada.

          Aftas: estas se assemelham a ferimentos ulcerativos. Desenvolvem-se normalmente durante os períodos de inflamação ativa do intestino. As feridas normalmente desaparecem quando a inflamação é tratada.

          Febre: é um indicador de inflamação, de maneira que é comum ter febre durante o surgimento dos sintomas. Entretanto, a febre pode estar presente por semanas ou até meses antes do aparecimento dos sintomas da doença de Crohn. Quando a inflamação intestinal é tratada, a febre normalmente desaparece.

          Sintomas oculares: os olhos podem ficar inflamados – vermelhos, feridos e sensíveis à luz. Esses sintomas aparecem normalmente antes de um agravamento da enfermidade, e desaparecem quando os sintomas intestinais são tratados.

          Sintomas de pele: as pessoas podem desenvolver erupções cutâneas ou doenças fúngicas dolorosas e avermelhadas nas pernas. O tratamento dos sintomas intestinais, em geral, melhora os sintomas de pele.

          Para que o médico chegue ao diagnóstico correto, o paciente deve informá-lo sobre todos os sintomas, queixas e mudanças de comportamento, como o engano frequente de evitar refeições para deixar de ir ao banheiro. Os sintomas da doença de Crohn são complexos e difíceis de identificar.

        • Ignácio poa diz

          Tive que fazer endoscopia, colonoscopia, trânsito intestinal, biópsias (intestino, gânglios linfáticos, que foram extraídos e da boca) e exames-marcadores, incluindo um genético para artrioespondilite anquilosante (que deu negativo, felizmente). O processo de diagnóstico todo foi muito complicado e demorou um ano e eu definhando. E com o CD4 lá nas alturas.

      • Tiago diz

        Ignácio, creio que só a sua médica, que conhece bem seu quadro, poderá afirmar quais as alternativas viáveis. Acho válido lhe perguntar se o esquema DTG+2×1 não poderia ser uma alternativa (eu perguntaria), considerando que as chances de resistência são baixas, mas realmente só ela poderá responder, ainda mais considerando que tem um histórico de resistência, uma doença autoimune e já vinha de uma TARV “personalizada”.

        Fico torcendo que ela consiga um esquema bom para si!
        Abraços.

        • Ignácio poa diz

          Obrigado, Tiago. Sim vou questionar sobre o esquema 2×1 + dtg. Eu já conheço bem as artinhamas maléficas do Crohn para saber que não é esse o problema. Uma vez o dentista disse que eu estava com uma estranha perda óssea. Eu logo imaginei que era o Crohn dando as caras. Minha medica achou que fosse pelos imunossupressores que tomei (sim. Minha imunidade é muito alta, tive que tomar remédios barra pesada para BAIXAR a imunidade) mas não era. Duas semanas depois tive uma crise grande e por pouco não tive que internar. Antes de trocar o kaletra pelo darunavir eu fiz exames de rotina e não estava nada alterado. E a única coisa diferente que eu fiz foi a troca de esquema. E eu logo tive aquele rash cutâneo. Estou menos pior. Mas ainda com a sensação horrível que comi blocos de concreto. Ontem tive febre baixa. Minha barriga tá enorme. Esperar até segunda vai ser um suplício. Mas é o que há. Obrigado a todos pela força. Ah, e antes que perguntem sou intolerante à fibras (por causa do crohn). O que tem me aliviado são litros de chá de camomila.

  5. Jon diz

    O Brasil é referência mundial em tratamento e distribuição gratuita de medicação, mas infelizmente também é referência mundial de sexualização precoce e de fácil acesso ao sexo. A educação deveria ser priorizada pelos Governos, os dados nos revelam que os jovens brasileiros estão abandonam cada vez mais cedo seus estudos ou não recebem uma educação de qualidade é isso com certeza um fator significativo do aumento do número de casos de infecção entre jovens !
    Eu já frequentei diversas paradas gays e quase sempre me senti estimulado a transar durante as “manifestações” que a tempos deixaram de ser atos políticos para conquista de direitos e se tornaram um produto bastante lucrativo como bem disse o entrevistado. Seria hipocrisia de nossa parte falar que as paradas não são um ambiente totalmente favoráveis para a propagação de novas pessoas infectadas.
    E o engraçado é que falam que os ‘religiosos fundamentalistas’ são massa de manobra política, mas só não percebem que fizeram do do público LGBTQ/GLS/GLBT* a mesma coisa!
    (*toda hora é acrescentada uma letra nova a sigla que nunca sabemos ao certo qual é a melhor sigla a ser usada).
    A parada já existe a anos, mas só falar diretamente de prevenção depois de inúmeras mortes por conta da AIDS e doenças associadas ao vírus do HIV é uma falha que não podemos achar que seja um simples descuido, pensaram em pregar e debater tanto sobre direitos (não que eu discorde que todos os tipos de cidadãos sejam merecedores) mas a realidade que vemos é continuação do incentivo a sexualização e parece que quanto mais cedo melhor.
    O questionamento que eu deixo é : como iremos obter resultados diferentes se continuarmos apoiando ações exatamente iguais ?

  6. Vida diz

    Bom dia !!!
    Alguém poderia me ajudar?
    Meu marido está tomando o 3×1 há dois anos, mas alguns dias está tendo muita insônia. E não quer mais tomar. Ele toma sempre as 22h será que pode tomar agora cedo? Quais os problemas que podem acontecer se mudar o horário? Alguém já trocou o horário e fez diferença?
    Obrigada e um ótimo domingo a todos

    • Tiago diz

      Vida, tanto quanto li e sei, pode trocar sem problemas maiores. A minha médica mesmo recomendou trocar da noite para a manhã, se a TARV me desse insónias. Também já li diversas recomendações para tomar o Efavirenz 1-2 horas antes de dormir, para reduzir efeitos, então outra possibilidade seria experimentar tomar um pouco mais cedo, tipo 20h.

      Se quiser trocar da noite para a manhã (ex. das 22h para as 10h) a recomendação que eu li foi de antecipar ou atrasar a primeira dose do novo horário. O Efavirenz tem uma meia-vida longa (40-55 horas), o que permite algum atraso sem maiores preocupações, sendo apenas um caso pontual e excepcional.

      Exemplo, se o seu esposo quiser mudar das 10pm para as 7am, atrasar a primeira dose significaria não tomar hoje (domingo) às 22h, presumindo que tomou ontem às 22h claro, e só tomar a próxima dose amanhã (segunda) às 7am, o que daria um total de 33 horas de intervalo (dentro da meia-vida).

      Adiantar seria a outra alternativa, mas pode eventualmente causar efeitos mais fortes, pela maior concentração de medicação no corpo nesse dia.

      O ideal seria consultar o seu infecto, pois ele conhece melhor o quadro clínico e histórico de tratamento.

      Ótimo domingo!

  7. Vida diz

    Tiago muito obrigada pela orientação. Vou falar para ele tomar amanhã as 7h. Não há tempo de esperar a consulta com o infecto ele está muito nervoso. Agradeço de coração e espero que as insônias melhorem.
    Abraço

  8. Jorgito diz

    Hoje minha mãe descobriu que tenho HIV. Desde que descobri a infecção, logo após o contágio, mantive segredo. Escondi os medicamentos durante mais de um ano, mas ela foi mexer em algumas coisas no meu armário e descobriu meu esconderijo. Foi tão pesado, vê-la entrar em desespero trouxe todo o meu sentimento de culpa à tona. Achei que já tinha superado essa culpa decorrente do fato de ter me descuidado; depois de mais de um ano parecia já ter assimilado muito bem isso. Mas ver minha mãe chorando desesperada foi demais pra mim. Só conseguia pensar “o que eu fiz! o que eu trouxe para dentro do meu lar! sou o responsável pela dor, por fazer sofrer a pessoa que mais amo!” Mas tive que me controlar e me mostrar muito tranquilo. Expliquei para ela que estou levando uma vida totalmente normal (o que é verdade) e que isso irá continuar; disse que os remédios modernos me permitem viver sem o desenvolvimento da doença e que a minha expectativa de vida é idêntica a de qualquer pessoa sem o vírus. Contei ainda sobre as pesquisas e descobertas em torno da cura e ela pareceu ficar bem mais tranquila, graças a Deus. Falei ainda sobre o JS que se casou com uma mulher que não possui o vírus, que tem vida sexual normal com ela e não a infectou e que vai ser pai. Minha mãe ficou impressionada com isso, não tinha ideia que os indetectáveis não transmitem a doença. Ela quer muito me ver casado e com filhos. Ela anseia por netos e eu sou filho único. Mas e realidade é que depois da doença perdi o interesse em constituir uma família. Sempre tive esse desejo, mas hoje me parece que não tenho mais. Enfim, estou me sentindo muito mal por tê-la feito passar por isso e também por não ter mais o desejo de dar a ela os netos que tanto deseja e a continuidade de uma família. Depois da conversa que tivemos, onde me mostrei bastante tranquilo, ela ficou mais calma. Chegou a me perguntar se sou gay, sendo que não sou e nunca dei motivos pra que ela pensasse isso, tal é o estigma da doença. Eu me surpreendi. Mas foi tudo muito desgastante emocionalmente para mim. Ver minha mãe sofrer foi um golpe duro. Desde o diagnóstico não passava por nada assim. Já estava muito acostumado com a infecção. Mas graças a Deus estou ótimo de saúde e minha mãe se acalmou bastante depois que eu esclareci sobre o tratamento. Creio que tudo irá se harmonizar.

    • Rômulo diz

      Tenho ctz que minha mãe reagiria da mesma forma hahaha, por isso não tiro da mochila que levo todo dia assim sei que ela não descobrirá hehe…

      Pior que vc n é gay, no meu caso, a minha, descobrirá as 2 situações kkkkkk… foda !

      Em breve (espero) estarei morando com meu companheiro ai posso relaxar…

    • Caio PE diz

      Por que você não leva a sua mãe à consulta com com o seu infecto ? Ele poderá mostrar seus exames indetectáveis e explicar melhor os benefícios dessa palavra mágica. Quem é leigo total, de fato não tem noção alguma da evolução do tratamento atual.

    • Verdes Olhos diz

      É bem interessante, esse movimento dos biohackers. Fico me perguntando se existe algo nesse sentido aqui no Brasil.

  9. Botini diz

    Amigos, depois de 2 meses de tratamento, recebo o resultado de não detectado.
    Achei importante dividir isso com vcs, o tratamento funciona objetivamente.

      • Botini diz

        blz, Tiago?

        Minha CV era 2200 cópias no inicio do tratamento e CD4 de 858

        • Tiago diz

          Blz Botini, tudo em paz corrida aqui, para variar.
          Obrigado por responder!
          Eu fui diagnosticado há 4 messs com 29k e em 3 meses de tratamento também já estava.
          Agora o desafio é manter!
          Abraços

            • AnonimoFer diz

              Botini, blz?

              Estou em tratamento tbm com DTG e indetectável.

              Iniciei em 5 de Setembro, agora é manter, com a cabeça no lugar, pensamento positivo e manter se forte.

              Depois de muita leitura ao passar pelo diagnóstico, percebemos q seguir o tratando o HIV não é bicho de sete cabeças..

              Aproveito para avisar a todos q a CBN essa semana está com um especial pela manhã, no ar, falando sobre vida com HIV.

              Abraços a todos.

              • Botini diz

                Tranquilo aqui anônimofer. E aí?

                O grande desafio está sendo colocar a cabeção no lugar. Com o diagnóstico, ser mortal virou uma realidade, me entende?
                E tem um paradoxo muito maluco nisso tdo, tudo mudou e nada mudou, saca?

                Abraço aí

              • Ser+H diz

                No JORNAL DA BAND também será exibida a partir da quinta uma série especial sobre HIV.

                • SAR diz

                  Acabei de ver a reportagem pela internet. Na minha opinião um desserviço! Embora os entrevistados tenham colocado suas experiências de uma forma leve e mostrando que hoje é possível viver de forma saudável com HIV, a narração da reportagem fazia questão de frisar, repetidamente, termos errôneos que muito me irritam como, por exemplo, coquetel, vírus da AIDS entre outros. É impressionante o descuido que alguns jornalistas têm quando o assunto é HIV. Mais do que informativa e esclarecedora a reportagem, ao meu ver, serviu somente para aumentar o medo e o estigma do que é viver com HIV. Lamentável. Ao contrário, o canal Põe na Roda do youtuber Pedro HMC lançou alguns vídeos excelentes falando sobre HIV essa semana. Vale a pena dar uma conferida. Infelizmente, pessoas como ele e Gabriel Estrela não conseguem atingir o grande público. Segue os links do vídeos que mencionei acima.


            • Tiago diz

              Olha, normal não diria, pois estou tendo que correr e me esforçar além do recomendável para compensar o abalo das primeiras semanas, que me atrapalhou muito a produtividade no trabalho, mas estou recuperando bem!

    • Gil diz

      Parabéns, bem vindo ao clube. E que este clube de indetectáveis somente cresça, até acabar, a partir da possibilidade de todos sermos CURADOS, em breve, bem em breve.

      • Botini diz

        Obrigado, Gil. A ideia é sair desse grupo só qdo estiver curado. Hehehehehe
        Abraço aí

  10. Bruno Salvador diz

    Boa tarde! Sou de Salvador, descobri no início desse mês a minha sorologia positiva. Apesar do susto inicial, já estou tranquilo, já fiz todos os exames e já estou no tratamento com 2 em 1 há 2 semanas, sem efeitos colaterais, enfim, levo uma vida normal e mais regrada (exercícios, alimentação). Estou perto dos 40, então, procuro ver tudo pelo lado mais positivo, literalmente. Gostaria de manter mais contato via e-mail, depois via whatsapp, sinto falta de conversar melhor, desabafar…decidi não contar a ninguém, por enquanto. Meu e-mail é bruno.ssa.ba@outlook.com , será um prazer ajudar e ser ajudado, estou à disposição, abraço!

  11. Maxwell diz

    Jovem, gostaria de sugerir uma matéria:
    Discorrer sobre a vida de pessoas que nasceram positiva. Relatos de jovens / adultos sobre como descobriram sua condição sorológica, com que idade, como foi assimilar ser portador do vírus, passagem da adolescência com o vírus, os primeiros relacionamentos amorosos. Assim como também a adoção de crianças positivas órfãs de pais ou deixadas em abrigos pela família por essa questão…

  12. Rafael diz

    Olá pessoal. Comecei o tratamento vai fazer um mês. Com Dolutegravir e o 2×1 e estou notando uma queda de cabelo. Alguém passou por isso? Minha infecto está em férias e minha consulta será dia 22 de dezembro.
    Obrigado e saúde a todos.

    • Augusto diz

      Faço uso do mesmo medicamento que você há 8 meses… não tive queda de cabelo, nem nenhum outro efeito colateral.

        • TriploX diz

          Fala, Caio. Qual foi teu esquema inicial? Pq n começou com o DTG?

          • Caio PE diz

            Usava o ATV/r. Quando fui buscar em Recife estava em falta e me “empurraram” o DTG no lugar. De início eu relutei, pois eu gostava do ATV/r (o único incômodo era a icterícia, mais nada), mas agora não saio do FTG “nem a pau” !

  13. Cbb diz

    Alguém pode me ajudar a saber o que é que significa S/N no espaço reservado ao resultado de exame de hiv?
    É que encontrei estes dzrs no cartão de consultas de gravidez da minha esposa, sendo que eu estou indetectável desde o ano passado, mas devido ao estigma e pela forma depreciativa que ela fala sobre o hiv ainda não tive a coragem de lhe dzr que sou soropositivo.

    • Caio PE diz

      Com todos os desmantelo de Brasil, aqui pelos menos faltou medicação a galera coloca a “boca no trombone”: rádio, TV, jornal… Demora, mas resolve. E lá ? Lá a população se fod…

    • Tiago diz

      O mais preocupante é pensar que, com a falha de distribuição de ARVs, a Europa do Leste arrisca tornar-se uma incubadora de um super-HIV, resistente aos tratamentos atuais.

  14. Marcos diz

    Gente meu triglicerídeos e colesterol estão muito alto, já estou tomando remédios para baixar, e minha pergunta é:
    Eu estava tomando própolis verde todo dia . Eu posso continuar tomando? Será se o própolis pode aumentar meu triglicerídeos?
    Alguém poderia me tirar essa dúvida?

    • Caio PE diz

      Faz atividade física regularmente ? Isso sim, baixa LDL, triglicérides etc

  15. TriploX diz

    Coenzima q10 tb abaixa, mas é bom saber com o médico se pode …

  16. Rock Hudson diz

    Eu gostaria de saber qual a porcentagem de idosos que estão infectados. Alguém sabe onde acho esse dado? Obrigado

    • Tiago diz

      Rock Hudson,

      Hoje “tropecei” num artigo que citava outra estatística:

      “(…) a participação das pessoas com mais de 50 anos nos novos diagnósticos também vem aumentando constantemente nos últimos anos, já chegando a 11,8%, ou mais de um em cada dez casos, segundo o último boletim epidemiológico da doença do Ministério da Saúde, de novembro do ano passado e com dados coletados até 30 de junho de 2016.”

      Não responde à sua pergunta, que é sobre % de incidência de HIV em idosos enquanto a estatística é sobre % de novos casos em pessoas com mais de 50 anos, mas indica uma tendência de crescimento.

      Link: https://m.oglobo.globo.com/sociedade/saude/pessoas-de-mais-de-50-respondem-por-proporcao-maior-de-novos-casos-de-hiv-21874718

  17. Lara diz

    Dezembro Vermelho: mitos e verdades sobre a AIDS

    Apesar da evolução nas formas de tratamento e prevenção, a síndrome da imunodeficiência adquirida, mais conhecida pela sigla AIDS (do inglês “acquired immunodeficiency syndrome”), continua a ser uma preocupação dos brasileiros. Segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas (Unaids), 15 mil pessoas morreram em decorrência do vírus HIV, o causador da AIDS, em 2015, somente no Brasil.

    A Unaids ainda indica que a população vivendo com a doença no País passou de 700 mil, em 2010, para 830 mil, em 2015, fazendo com que o Brasil respondesse por mais de 40% das novas infecções na América Latina. Entre os adultos brasileiros, os novos casos subiram 18,91% em 15 anos. No mundo, em média, 1,9 milhão de adultos a cada ano foram infectados com HIV desde 2010.

    Por conta do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, celebrado anualmente em 1º de dezembro, o Governo Federal instituiu recentemente o Dezembro Vermelho, mês que será inteiramente dedicado ao combate à síndrome, por meio de campanhas de prevenção.

    Apesar de ter se tornado mundialmente conhecida desde que foi descoberta, há 30 anos, a AIDS ainda deixa muitas dúvidas. A Dra. Maria Amélia de Sousa Mascena Veras, médica e professora do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), esclarece o que é mito e o que é verdade em relação à síndrome.

    – O vírus HIV pode ser transmitido por beijo, abraço ou aperto de mão?

    Mito. O vírus HIV é transmissível apenas por contato sexual ou pelo sangue.

    – É possível contrair o vírus HIV no sexo oral?

    Verdade. Embora o risco seja significativamente menor se comparado a outras modalidades de sexo (anal e vaginal), as chances aumentam se houver alguma ferida aberta ou ejaculação na boca.

    – Todo portador de HIV tem AIDS?

    Não necessariamente. HIV é o vírus, que pode ou não se manifestar em sua síndrome (AIDS).

    – No Brasil, é possível fazer prevenção medicamentosa para evitar a contaminação do HIV?

    Verdade. O que já existe é a PEP (profilaxia pós-exposição), um conjunto de medicamentos anti-HIV que pode ser tomado até 72 horas após a situação de risco, durante 28 dias, para diminuir as chances de uma infecção pelo HIV. Porém, será possível fazer prevenção medicamentosa para evitar a contaminação deste vírus a partir de 1º de dezembro de 2017, quando será implementada a PrEP (profilaxia pré-exposição) no Sistema Único de Saúde (SUS). A PrEP, no entanto, não confere proteção contra nenhuma outra doença sexualmente transmissível, como sífilis, hepatites ou gonorreia.

    – O diagnóstico é feito somente por exame de sangue?

    Mito. Além do teste pelo sangue, já existe o teste de fluido oral, que é capaz de detectar a presença de anticorpos para o HIV na saliva.

    – Se o exame der negativo, posso respirar aliviada?

    Mito. Se o exame der negativo, existe uma chance muito grande de que a pessoa não esteja infectada. Porém, se a pessoa tiver tido alguma exposição ao HIV durante o período chamado janela imunológica – período que o organismo necessita para desenvolver anticorpos detectáveis nos exames –, pode, sim, haver infecção com resultado negativo. Vale lembrar que, para os testes disponíveis no sistema público de saúde, considera-se como janela imunológica o período de 30 dias após situação de risco. Caso a pessoa acredite ter se exposto durante esse período, recomenda-se repetir o teste 30 dias depois.

    – É possível contrair vírus HIV em estúdios de tatuagem, manicures e consultórios de dentista?

    Verdade. Além de outras infecções graves como hepatites. Por isso, é necessário que todos os aparelhos utilizados sejam descartáveis ou devidamente esterilizados antes de serem utilizados novamente.

    – Portadores de HIV, mesmo fazendo tratamento correto, morrem mais cedo do que pessoas que não estão infectadas?

    Talvez. Portadores de HIV têm um risco maior de desenvolver problemas de saúde como infecções oportunistas (tuberculose, toxoplasmose etc.) e alguns tipos de câncer, especialmente quando sua carga viral não está zerada. No entanto, pessoas que iniciam o tratamento cedo e o fazem da maneira correta, diminuem significativamente esses riscos. Atualmente, há muitas pessoas vivendo com HIV com a mesma expectativa de vida de pessoas não-infectadas.

    – Mulheres soropositivas podem engravidar sem que o vírus HIV seja transmitido?

    Verdade. Se já estiverem em tratamento ou o iniciarem o quanto antes, o risco de transmissão para o bebê se reduz a quase zero.

    – É preciso haver penetração para a transmissão do HIV?

    Mito. O HIV tem diversas formas de transmissão, inclusive pelo sangue. No entanto, o sexo com penetração é um dos que oferecem maior risco, especialmente se houver ejaculação ou feridas abertas em qualquer um dos órgãos envolvidos (pênis, ânus ou vagina).

    – Os novos coquetéis de drogas fizeram da AIDS uma doença crônica como a hipertensão?

    De certa forma, sim. Isto significa que a chance de alguém que adere ao tratamento da maneira correta desenvolver AIDS é mínima. No entanto, é preciso lembrar que interromper o tratamento vai fazer com que o vírus volte a se multiplicar, além de favorecer sua mutação em formas mais resistentes aos medicamentos disponíveis.

    – Toda camisinha é 100% confiável?

    Mito. Nenhum método de prevenção é 100% eficaz. O preservativo, contudo, confere um grau de proteção muito alto, próximo a 100%, se utilizado da maneira correta. Recomenda-se, especialmente no sexo anal, que ela seja utilizada junto a um gel lubrificante à base de água, uma vez que o ânus não possui lubrificação natural e a camisinha pode se romper com o atrito.

    – Quem tem uma relação estável pode dispensar o preservativo?

    Depende. Esta é uma decisão que tem de partir de cada casal. Se ambos forem soronegativos e mantiverem uma relação estritamente monogâmica (isto é, sem outros parceiros), não há qualquer chance de infecção pelo HIV. Se um ou ambos os parceiros possuírem o HIV, recomenda-se o uso da camisinha para evitar a infecção do parceiro HIV negativo ou a reinfecção no caso de uma pessoa HIV positivo. Em casais com relacionamentos abertos, o preservativo também pode estar presente como coadjuvante na redução de riscos.

    Por Ray Santos – Professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo esclarece dúvidas mais frequentes sobre a síndrome
    Fonte: Jornal Dia Dia em 29/11/2017
    http://jornaldiadia.com.br/2016/?p=362762

    Sobre a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

    A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado. Para mais informações sobre a FCMSCSP, basta acessar: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

  18. Lara diz

    Gente vi essa nota acima e copiei aqui para que possamos ler. Que bom seria se tivéssemos informações unificadas…cada um fala uma coisa…

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