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Ontem, na Folha de S.Paulo

A Folha de S.Paulo publicou neste sábado, 11 de novembro de 2017, uma notícia sobre a epidemia de HIV entre mulheres na República Democrática do Congo. Na versão impressa do jornal, a notícia tem como manchete a fala da entrevistada: “‘Meu marido não me contou que tinha Aids'”, enquanto na versão online: “Maioria entre pessoas com HIV em país africano, mulheres esperam cura”.

Na versão impressa, o lead (aquele texto logo abaixo da manchete que responde resumidamente às principais questões da notícia) é parecido com a manchete da versão online: “Maioria entre infectados, mulheres da Rep. Democrática do Congo sonham com a cura do vírus HIV contra estigmatização”. A versão online não tem o mesmo tem lead na página da notícia: este aparece no link do álbum de fotos, com sete fotografias, intitulado: “Aids na República Democrática do Congo”.

Página A19 da Folha de S.Paulo em 11 de novembro de 2017.

Apesar destas diferenças, o conteúdo da notícia em ambas as versões, impressa e online, é o mesmo: começa com a história de Madeleine Mwiza, uma congolesa cujos três filhos morreram de aids, antes que ela própria viesse a receber seu diagnóstico positivo para o HIV. Quando isso aconteceu, em 2003, Mwiza foi espancada e expulsa de casa pelo marido — quem, conforme ela descobriu depois, também era soropositivo e por anos não revelara sua condição para a esposa. Mwiza pediu então apoio do pastor da igreja adventista de sua comunidade, para que este pudesse convencer seu marido a aceitá-la de volta. Na sua fé, o casamento é algo para a vida inteira.

A história de Mwiza é a mesma de muitas outras mulheres da República Democrática do Congo. Segundo a notícia, a prevalência do HIV nas mulheres congolesas é o dobro daquela observada entre os homens, com mais mortes decorrentes do vírus entre as mulheres soropositivas do que entre homens. A matéria ainda faz referência aos dados do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o Unaids, que estima haver 210 mil mulheres com HIV no país, num total de 290 a 450 mil soropositivos.

Apesar dessa referência ao Unaids, o jornal não seguiu as recomendações que constam no constam em seu Guia de Terminologia, publicado neste ano, durante o durante o 11º Congresso de HIV/Aids, em Curitiba, e que tem o objetivo encorajar o uso de palavras cientificamente precisas e que promovam direitos humanos universais e a dignidade do indivíduo. O lead da notícia na versão impressa do jornal, por exemplo, inclui o termo “vírus HIV”, que é redundante, uma vez que a sigla HIV já inclui a palavra vírus — para quem não sabe, HIV quer dizer vírus da imunodeficiência humana. Mais grave, há ainda o termo “vírus da aids”, que é incorreto. Além disso, lê-se “coquetel” por duas vezes ao longo da notícia, muito embora o Unaids indique o desuso dessa nomenclatura. Por diversas vezes, a palavra “aids” é utilizada erroneamente como sinônimo de infecção pelo HIV — de fato, a própria entrevistada, Mwiza, se refere à aids dessa forma, mas não seria interessante que o jornal explicasse a diferença?

Mas não são essas as imprecisões que mais incomodam. “É muito comum que uma pessoa, fora da vivência de uma pessoa que vive com HIV ou que é vulnerável ao HIV, faça interpretações superficiais sobre determinada situação que envolva este vírus”, comentou Ricardo Vasconcelos, coordenador do SEAP HIV, um ambulatório do Hospital das Clínicas da FMUSP especializado em HIV. “Algo como: ‘é só usar camisinha que a pessoa estará protegida do HIV’ — quando sabemos que não é bem assim.”

A notícia diz que o maior choque de Mwiza foi “descobrir que contraíra o vírus da Aids de seu primeiro e único parceiro sexual. O marido escondia os medicamentos e havia quatro anos tomava os antirretrovirais secretamente.” Apesar de apontar o marido como a origem da infecção da entrevistada, a reportagem não esclarece ao certo como esta conclusão foi alcançada. Cientificamente, a única maneira de se comprovar a origem de uma infecção pelo HIV é através do sequenciamento genético do vírus, neste caso, do HIV que está no corpo de Mwiza e também daquele que está no corpo do marido. Uma vez que esse tipo de análise científica costuma ser restrita a estudos científicos, é improvável que este tenha sido o caso da entrevistada. Então, é possível que a conclusão a respeito da origem dessa transmissão seja pessoal de Mwiza, a partir do conhecimento que somente ela pode ter, a respeito de sua própria vida sexual e das possíveis exposições de risco ao HIV que ela possa ter sofrido — se é esse o caso, infelizmente nesse ponto a notícia carece de aspas.

Diante do cenário de abuso de seu marido, em meio à uma sociedade patriarcal que traz graves prejuízos às mulheres, especialmente às soropositivas, podemos sim presumir e até ter convicção de que a infecção de Mwiza veio de seu marido. Entretanto, diante deste mesmo cenário social, não seria justo também indagar à entrevistada se por acaso ela foi violentada, estuprada por algum outro homem além de seu marido, antes de apontá-lo como culpado? Essa pergunta parece não ter sido feita à entrevistada e, se foi, não parece ter interessado a jornalista em publicá-la. Entretanto, trata-se de uma pergunta que se torna um pouco mais importante, quando levamos em consideração outra informação que temos a respeito do marido: a de que ele faz tratamento antirretroviral — afinal, ele mantém adesão à esta terapia e tem carga viral indetectável?

Perguntas assim podem parecer irrelevantes dentro do contexto geral da história de Mwiza, que, no fim das contas, foi infectada dentro de uma situação social de abuso, violência e machismo, seja este oriundo do marido, da sociedade na qual ela está inserida ou dos dois. Mesmo assim, surge aí uma imprecisão que pode ser perigosa. Primeiro, porque não esclarece a respeito de uma transmissão que supostamente ocorreu sob tratamento antirretroviral a partir de uma pessoa que vive com HIV, fato que, por si só, seria cientificamente digno de nota e de análise mais detalhada. Em segundo, porque pode servir de argumento contra outra mulher, tal como Mwiza, soropositiva e oprimida pelo marido, mas que opta por não revelar sua condição ao seu parceiro, por receio da violência que possa vir a sofrer diante dessa revelação. Supondo que esta mulher faça tratamento antirretroviral e mantenha sua carga viral indetectável, ela estará cuidando da sua saúde e não estará expondo seu marido ao risco de infecção pelo HIV, tampouco aos filhos que os dois possam vir a ter. Com o tratamento antirretroviral adequado, a transmissão vertical, da mãe para o feto, pode ser totalmente evitada, além da transmissão por via sexual entre parceiros. Quem tem HIV, faz tratamento antirretroviral e tem carga viral indetectável não transmite o HIV — uma afirmativa que recentemente também foi endossada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o CDC.

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É muito comum que mulheres em situação como a de Mwiza não tenham controle sobre a decisão a respeito da gestação, com falta de acesso à alternativas anticoncepcionais e dificuldade na negociação a respeito do uso da camisinha com seu parceiro. (Pela reportagem da Folha, não sabemos ao certo se este é caso dela, mas podemos presumir que sim, uma vez que, com 21 anos de idade, Mwiza já era mãe de cinco.)

Uma situação de uso do preservativo que depende apenas da decisão do homem, sem levar em consideração a vontade da mulher nesta relação, aumenta muito a vulnerabilidade à infecção pelo HIV. Isso é terrível e é um claro cenário de opressão. “Nos seus 36 anos de existência, a epidemia de HIV sempre caminhou pelos círculos da exclusão e da opressão”, explicou Ricardo Vasconcelos. “Essa matéria mostra um aspecto da epidemia africana, onde o vírus se entranhou entre mulheres heterossexuais por causa da dinâmica social baseada em relações de poder entre homens e mulheres. Algo semelhante acontece no Brasil também: a exclusão dos gays, pessoas trans, negros e periféricos os colocou na trilha do vírus, tornando-os mais susceptíveis à novas infecções.”

É importante mostrar a realidade dessas pessoas, tal como a Folha de S.Paulo fez ao contar a história de Mwiza. Mas também é interessante informar sobre as alternativas que já existem e que já poderiam estar trabalhando na redução da vulnerabilidade destas pessoas, possivelmente evitando totalmente a infecção pelo HIV, neste caso, em milhares de mulheres congolesas.

A primeira destas alternativas é a própria terapia antirretroviral: ao evitar a transmissão do HIV, ela permite total sigilo a respeito da condição sorológica e, por isso, pode também servir como proteção contra o estigma que a revelação dessa condição possa vir a trazer. Este sigilo pode proteger alguém do abuso e da violência, senão salvar uma vida, especialmente dentro do cenário social como este em que Mwiza está inserida. Há relatos, por exemplo, de mulheres com HIV que mantém segredo sobre sua condição sorológica para poder amamentar seu bebê. Nesse sentido, associar o sigilo do soropositivo unicamente à responsabilidade pela transmissão do HIV, tal como sugere a manchete do jornal, é tratar o assunto de maneira incompleta. Além de não mencionar a possibilidade do tratamento como prevenção (ou TasP, do inglês treatment as prevention), a notícia da Folha de S.Paulo sequer fala sobre a principal alternativa de prevenção: a camisinha! Afinal, por que Mwiza e seu marido não usavam o preservativo? No contexto de vida da entrevistada, qual é o seu poder de negociação do uso dessa estratégia de prevenção? Essa é uma questão importante que não foi levantada pela reportagem.

Não é de surpreender que o jornal não tenha abordado também outras estratégias, como a profilaxia pós-exposição (PEP), os microbicidas anti-HIV anais ou vaginais que têm sido estudados em diversos países africanos e a profilaxia pré-exposição (PrEP), recém aprovada no Brasil. Por acaso, a PrEP não parece ser ainda uma alternativa disponível na República Democrática do Congo — pelo menos, o site PrEPWatch.org não traz qualquer informação a respeito de estudos ou da oferta de PrEP nesse país. Mas ela tem sido avaliada ou já está disponível em outros países do mesmo continente, como Nigéria, Uganda, Quênia, Zâmbia, Malawi, Namíbia, Botswana, Zimbábue, África do Sul e Lesoto. Diferentemente da cura do HIV, a PrEP já existe — ela é real e não apenas um sonho distante. Por ser um advento recente, dos últimos anos, é improvável que a PrEP pudesse ter evitado a infecção de Mwiza, que se deu antes de 2003, mas trata-se de uma estratégia de prevenção que ainda pode evitar a infecção de milhares de outras mulheres, as quais também são assunto da notícia — nesse sentido, não seria interessante falar sobre a PrEP? 

É natural que Mwiza sonhe com a cura do HIV. Eu também sonho, mesmo sem sofrer com o vírus nada perto daquilo que ela conta sofrer. Mas entendo que existem alternativas que podem minimizar, bastante, o sofrimento e o incômodo que a vida com o HIV pode trazer e me questiono a razão destas alternativas já não estarem à disposição de pessoas mais vulneráveis, incluindo as mulheres como Mwiza. Não apresentá-las a estas alternativas é muito cruel — assim como também é cruel retratá-las no jornal como nada além de sonhadoras, aguardando a cura como se esta fosse a grande salvadora, sem sequer mencionar as tantas possibilidades que já existem e que poderiam lhes ajudar.

“Nesse exemplo, esperar pela cura é esperar pelo fim da exclusão e da opressão, como se fosse o vírus o causador delas”, disse Ricardo Vasconcelos, que também participou de importantes estudos sobre a PrEP, como o iPrEX e o PrEP Brasil. “Contra o vírus, já sabemos o que fazer. Mas, para essas questões sociais, insistimos em fingir que elas se resolverão quando não houver mais HIV.” As alternativas que já existem não resolvem o problema social e nem o estigma contra quem vive com HIV — elas não são a solução destes problemas —, mas podem sim ajudar muitas pessoas a experimentar uma vida com mais qualidade, enquanto aguardamos pela cura do HIV. Essas alternativas não são tão perfeitas quanto a cura poderá ser, mas elas têm as suas vantagens e podem nos ajudar hoje. Vamos aproveitá-las — e vamos falar mais sobre elas, Folha de S.Paulo.

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59 comentários

  1. Caio PE diz

    O que acontece por aqui é que a pessoa nem conhece a outra direito, entra num chat, num app ou na rua mesmo e vão logo transando, sem proteção. O sexo, hoje em dia, virou fast-foda! Fora a ignorância (ou desconhecimento) daqueles que não sabem que CV indetectável não transmite.

  2. Jeff diz

    Disse tudo, materia sensassionalista e carente de informações importantes.

  3. Ney diz

    A Folha prestando mais um desserviço ao público leigo. Reportagem tecnimente fraca, lacunosa , que mais cria preconceitos.

  4. V. diz

    É realmente muito incômodo quando os veículos de imprensa usam do sofrimento de minorias pra produzir e sustentar a ideia de uma ameaça. Também não acho que a gente precise ficar repetindo isso entre nós mesmos: “O problema da epidemia é que ninguém tem medo do HIV, pois acham que é só tomar um remédio e pronto” ou “esses aplicativos hoje em dia facilitam que as pessoas transem sem camisinha”. A gente não precisa criar uma ameaça dentro da própria convivência entre soropositivos “ela(e) contraiu porque não se cuidou, porque usou drogas, porque não foi mais atento(a), etc. Ao contrário, eu contrai porque fui enganado(a)”. O gabriel comicholi, soropositivo (que por sinal faz umas coisas muito legais) fez uma paródia de uma música da Anita literalmente dizendo: “Tenho HIV e se vc não se proteger pode acontecer com você”. Essa parada alarmista é foda. Embora eu saiba que as histórias de vida de todos e todas aqui sejam bem distintas, cada uma com um tom de mais ou menos sofrimento (ou mesmo de histórias muito bonitas), a parada é que a gente tá vivendo coisas muito parecidas a despeito dos diferentes motivos que nos levaram a ocupar esse lugar (sem querer). Por isso, eu acho que o papo de prevenção e tratamento tem que ser um só pra evitar esse tipo de coisa. Ainda sobre a matéria, tudo o que é relatado sobre transmissão sempre discrimina o portador. Recentemente, quando perguntado sobre o bareback (sexo sem camisinha) entre homens sorodiscordantes, Dan Savage, o cara por trás da hashtag #itgetsbetter, disse que não tinha problemas com o bareback, mas desde que as pessoas pudessem comprovar que são realmente indetectáveis, uma vez que poderiam facilmente mentir para os seus parceiros (como curiosamente todo mundo temia que soropositivos omitissem sua sorologia para transar sem camisinha). Quer dizer, depois do U=U, nós ainda somos avaliados como se fôssemos pessoas de uma moralidade discutível, como se o HIV tivesse escolhido apenas os mentirosos e ardilosos para infectar. O que me deixa realmente puto é que a cota sempre cai nas nossas costas. Eu ainda não saí do armário do HIV e me sinto realmente culpado quando faço sexo. Ou eu aviso de antemão que sou soropositivo, pagando o preço de que toda a minha região pélvica seja tratada como se fosse um campo minado, ou simplesmente omito, pagando o preço de criar ideias paranoicas sobre uma transmissão impossível.
    Vamos falar das PrEP´s, do tratamento como prevenção e começar a tratar uma infecção pelo HIV como um percalço evitável, mas caso não deu pra evitar, tudo bem também. Claro que isso vai colocar outros desafios, mas pelo menos, é um tipo de jogo diferente do que tá sendo jogado nas campanhas de prevenção que são AS MESMAS desde que eu sou criança.
    Foi mal o textão, mas é que essas matérias realmente me irritam.

    • Tiago diz

      V., se textão fosse mal, o JS estaria mal também rs

      Quanto a se sentir culpado com o sexo, não sei você, mas às vezes esse sentimento já vinha mesmo antes do HIV, quando o sexo era casual e protegido. Incomodar-te mais a banalização do sexo, que o sexo protegido estando soropositivo…

      Ah… E agora, indetectável 🙂

    • Will diz

      V., muito interessante o que vc escreveu!
      Eu tb me irrito com esse tipo de matéria, especialmente pelo título “clickbait” da versão impressa!
      Na minha visao, o maior problema do estigma em relaçao ao HIV sao os grandes tabus que ainda existem na sociedade sobre sexo e drogas, que sao praticamente as únicas formas de se infectar e transmitir o vírus. Após 2 anos de diagnóstico e quase isso que minha mae evangélica sabe da minha sorologia, ela me solta a alguns meses atrás “Ah, mas se vc nao tivesse relaçoes fora do casamento, vc nunca teria contraído o vírus!”…
      Por isso que digo, enquanto a sociedade nao evoluir quanto a esses tabus que citei, dificilmente o estigma que o HIV carrega vai diminuir. Nesse sentido, entendo e respeito seu decisao de manter sua sorologia em segredo. Só acho que se for pra nao contar e ficar se culpando, principalmente na hora do sexo, talvez seja melhor contar e aguentar o que vier depois… pq mesmo que o retorno nao seja nada positivo, vc tira um pouco do peso nas costas, do tipo “minha parte eu fiz, agora depende dele(a) como ele(a) vai encarar isso”. O que eu particularmente faço é: se eh uma coisa bem casual mesmo, eu nao conto, uso camisinha e nao fico me culpando. Mas se tenho mais intimidade com a outra pessoa, eu conto e procuro informa-lá e esclarecê-la o máximo que puder. Óbvio que no começo é um susto, assim como foi para a maioria de nós mesmos ao descobrirmos. Mas o sentimento de você conscientizar e fazer a pessoa refletir sobre algo que ela talvez nunca fosse se dar conta de outra forma, é bastante recompensador, pelo menos pra mim!

      • kiss diz

        Não deixa de ser uma boa alternativa! Até pq vejo que essa coisa de ficar escondendo, acaba que nós mesmos criamos o estigmas e depois exigimos ser aceitos pelo outros! Decisão difícil contar, mas o conselho é bom….Até pq precisamos pensar tbem com quem dividir nossa vida, até pq há pessoas que adoram sensacionalismo e levar a noticia em primeira mão!!!
        Essa visão de crítica e julgamentos é característica do dito ser humano, fácil apontar, mas estender a mão e acolher, quase impossível!!! O estigma se faz presente desde os jornais, até os profissionais que trabalham diretamente com a temática…Precisamos evoluir muito, se posicionar, ao invés de se omitir e se ocultar da sociedade!!! Não somos um vírus!!! Embora muitos sejam até pior que ele…mas creio que não seja nosso caso aqui…Forças e vida que segue!!!

    • paulo PE diz

      adorei tua impressão dos fatos, V, e a eloquência de como você colocou tudo. também tô no armário ainda. desde o meu diagnóstico só fiz sexo com camisinha e não senti necessidade de falar nada, mas acho que quando pintar alguém que vá ficar por um tempo na minha vida vai chegar minha vez de falar e isso me deixa um tanto ansioso – tanto pra sentir como vai ser a reação da outra pessoa como pra saber como vai ser o sexo depois disso (me referindo a parte do texto em que você fala do corpo como campo minado).

  5. “A biomedicalização da epidemia de aids sustenta a falsa promessa do fim da doença, não temos balas mágicas e os slogans são enganosos. Além disso, a meta da cura é ficção científica, o que vemos são políticas pautadas no neoliberalismo, que podem impedir a disseminação da cura quando finalmente for encontrada. Existe uma cortina de fumaça que esconde a realidade da epidemia”.

    A afirmação é do diretor-presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids), Richard Parker. Ele e outros representantes da sociedade civil e do governo participaram, na manhã deste domingo (12), no 19º Enong (Encontro Nacional de ONGs, Redes e Movimentos de luta contra Aids), em Natal, do debate sobre os cenários sociopolítico e as políticas de financiamento para a saúde.

    Segundo Parker, a narrativa sobre o ‘Fim da Aids’ esconde o sofrimento de milhões de pessoas no mundo que ainda não têm acesso aos antirretrovirais ou têm, mas só conseguem medicamentos de ‘segunda-classe’. “Uma crise global crescente tem afetado as respostas frente à aids no Brasil e no mundo. A crise levanta sérias dúvidas sobre a sustentabilidade das ações. No Brasil, nos últimos anos, tivemos diversos sinais de que a resposta à aids não vai bem. O que vemos é o aumento de novas infecções, principalmente em populações-chave, o conservadorismo, a falta de vontade política dos governos, a fragilidade do SUS e de sistemas logísticos de medicamentos e, por fim, as crises nas ONGs/Aids, ligada a falta de apoio financeiro.”

    Para o especialista, é preciso lutar para garantir, por exemplo, o acesso à prevenção como um direito de todos e não um privilégio. “Temos que repensar o nosso modelo de atuação, construir alianças e reforçar a importância da mobilização social em rede. Não podemos aceitar o abandono da luta contra o estigma, o preconceito e a discriminação.”

    Paker acredita que na atual conjuntura política e economica os desafios para as ONGs/aids são profundos. “As organizações não governamentais continuam sendo as instituições que mais representam as comunidades e populações afetadas pela epidemia, não podemos servir como ‘prestadores de serviços’ para um estado quase falido. Pelo contrário, temos que reforçar a importância do ativismo político e da mobilização comunitária.”

    Do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, Ivo Brito também chamou atenção para os retrocessos no SUS. “Hoje, o que está em jogo é o acesso universal à saúde versus cobertura universal. A aids, por exemplo, não é mais considerada uma epidemia, é uma doença crônica, e este conceito nasceu justamente no momento em que estamos adotando a política de medicalização como resposta à aids, portanto, a aids é uma endemia que atinge grupos específicos. O que precisamos pensar é sobre qual modelo de sistema queremos.”

    O termo cobertura universal de saúde se refere à prestação de um serviço ou de um conjunto de garantias que podem estar cobertas ou não. Isto reduz a noção de saúde. Mas quando falamos em sistemas universais estamos considerando a saúde como resultado de um conjunto de outros subsistemas essenciais, como o da educação, da habitação, do trabalho, entre outros.

    Ivo disse ainda que a saúde vive retrocessos no atual governo e também em governos anteriores. “O discurso sobre sexualidade sumiu da agenda global de resposta a epidemia de aids. Outro tema que desapareceu foi o debate sobre direitos humanos. Vivemos uma situação frágil sobre os caminhos que vamos seguir. Não sabemos nem se vamos ter eleições no ano que vem.”

    O representante da Central Única dos Trabalhadores no Conselho Nacional de Saúde, Geordeci de Souza, disse que todas as maldades no âmbito da saúde são pactuadas na CIT (Comissão Intergestora Tripartite). “O ministro da Saúde não está acabando com o SUS sozinho, ele tem o apoio dos secretários estaduais e municipais de saúde. Cobrem os secretários de vocês.”

    Geordeci criticou a Emenda Constitucional (EC) 95/17, que congela por 20 anos os investimentos públicos. “Muitos estão dizendo que os gastos serão congelados, mas não é verdade. A cada ano vamos ver menos dinheiro na saúde e na educação. A população brasileira está perdendo direitos”, disse.

    Também participou do debate o ativista Vando de Oliveira, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids. Emocionado, o militante chamou atenção para o descaso com as pessoas soropositivas. “Há mais de 30 anos lutamos contra a aids e por uma política integral de acesso, mas o que vemos são pessoas chegando tardiamente aos serviços de saúde e já com aids. Ou seja, em 2017 vivemos situações parecidas com as de 1982.”

    Vando considera que o golpe a saúde vem de muito tempo. “Já conquistamos muitas coisas, como os medicamentos e a oportunidade de continuar vivendo. O problema é que trinta anos depois temos de conviver com a falta de antirretrovirais e o desmonte do SUS. A política contra a aids deixou de ser prioridade, o financiamento não acabou, os estados e municípios estão investindo o dinheiro em outras doenças.”

    Da plateia, o ativista Carlos Duarte, do Gapa do Rio Grande do Sul, trouxe uma reflexão sobre o fim da aids. Segundo ele, não existe mais recursos para investir em saúde, os recursos são para as doenças, o que contrapõem a política de prevenção. “O sistema universal de saúde trata aids, a cobertura universal trata HIV, então é certo que vamos deixar de falar em aids para falar de HIV. Até as pessoas vivendo com aids passaram a ser chamadas de pessoas com HIV. Populações vulneráveis agora são populações-chave. Cobertura universal não trabalha com vulnerabilidade e muito menos com determinantes em saúde.”

    O debate durou mais de duas horas, muitos ativistas fizeram intervenções e perguntas aos convidados. Na parte da tarde, os participantes do Enong se dividiram em grupos para debater e elaborar propostas que, se aprovadas, vão compor o documento final do evento.

    FONTE: http://agenciaaids.com.br/home/noticias/noticia_detalhe/27003

    • Tiago diz

      O que mais incomoda nesta história é que não está sendo oferecida sequer uma alternativa viável ao SUS, no que por exemplo toca à distribuição de medicamentos. Podendo eu pagar uma parte ou até mesmo a totalidade dos medicamentos, sem que isso impacte seriamente nas minhas finanças, porque não fazê-lo? Difícil é ficar nesta; SUAS asfixiado, sendo a única alternativa importar diretamente e individualmente de outro país, a um custo proibitivo.

  6. Mario diz

    Cientistas Decodificam Detalhes Antes Desconhecidos Sobre Como o HIV Invade as Células para Propagar-se
    Publicado9 de novembro de 2017, 9:16

    Washington DC : uma equipe de cientistas decodificou detalhes previamente desconhecidos sobre o processo pelo qual o HIV invade células para propagar-se. Os achados podem oferecer uma nova via para drogas para combater o vírus.

    Uma parte fundamental do sucesso do HIV é um pequeno truque desagradável para propagar-se dentro do corpo. Uma vez que o HIV infectou uma célula, força a célula a fazer uma pequena cápsula fora de sua própria membrana, preenchida com o vírus. A cápsula pende-se – um processo chamado “brotação” – e flutua para infectar mais células. Uma vez dentro de outra célula desavisada, o revestimento da cápsula desmorona e o RNA do HIV começa a funcionar.

    A equipe, incluindo vários estudiosos da Universidade de Chicago, sabia que o brotamento envolve um complexo de proteína do HIV chamado proteína Gag, mas os detalhes do processo molecular eram obscuros.

    “Por um momento, nós tivemos uma idéia do que a estrutura final reunida parece, mas todos os detalhes no meio permaneceram em grande parte desconhecidos”, disse o autor correspondente, Gregory Voth.

    Uma vez que foi difícil obter um bom instantâneo de nível molecular do complexo protéico com técnicas de imagem, a Voth e sua equipe construíram um modelo de computador para simular o Gag em ação. As simulações permitiram que eles ajustassem o modelo até chegarem às configurações mais prováveis ​​para o processo molecular, que foi então validado por experimentos no laboratório de Jennifer Lippincott-Schwartz no National Institutes of Health e no Instituto Médico Howard Hughes, Janelia Research Campus.

    Eles construíram um modelo de partes faltantes do complexo de proteína Gag e ajustaram-no até que pudessem ver como as proteínas se juntam aproveitando a infraestrutura celular em preparação para o processo de brotação.

    “Realmente demonstra o poder da computação moderna para simular vírus”, disse Voth. “A esperança é que, uma vez que você tenha um calcanhar de Aquiles, você possa fazer uma droga para parar a acumulação de Gag e espero que cesse a progressão do vírus”.
    A equipe planeja estudar as estruturas das proteínas Gag na cápsula do vírus HIV depois de brotar, disse ele.

  7. Mario diz

    a cura funcional está bastante perto, isso é um fato, já existem vacinas de 8 semanas que até onde sei está funcionando perfeitamente, já sabemos como o vírus age. existem tem sim pessoas de bem lutando para acabar com esse vírus. juntando informações sem duvidas quando menos se esperar a cura irá chegar, podem esperar, os próximos anos teremos grande novidade em relação a cura, provavelmente funcional!

  8. V!!!! Amei o textão vc tem talento !!!!! Concordo plenamente com vc!!quanto a não sair do “armario” em relação ao diagnostico to assim tbm e acho q assim vou permanecer e sinto muita culpa so de pensar em me relacionar e não abrir o jogo!!! Des do meu diagnostico em maio nem beijar eu beijei mais kkkkkkkk complicado essas “neuras” que batem espero que com o tempo melhore!!!!

  9. Pedro diz

    Gente, eu chorei lendo esse texto não só pela notícia relevante da ipidemia mas tbm por saber, que nós brasileiros, temos origens também na África e ver como o imperialismo, patriarcado e a ganância destruiu esse continente de uma maneira devastadora! O povo africano teve sua historia, riqueza e ainda sua dignidade completamente usurparda! Só queria saber ATÉ QUANDO? ATÉ QUANDO ?

  10. Anderson diz

    Bom dia a todos, gente estou num grande dilema….procurando algumas papeladas sem querer encontrei dois exames de carga viral do meu parceiro realizados entre 2012 e 2013, não nos conhecíamos na época. Como sei se ele já era portador do hiv nessa época?

    Resultado

    Cópias/ml 28.000
    Vr : limite de detecção : 40 cópias/ml

    Se em caso positivo, posso denunciar como uma lesão grave? Me ajudem.

    • TriploX diz

      Anderson, esse resultado fala que ele tinha carga viral de 28.000 cópias. Ou seja, ele já era soropositivo.
      Em relação a “denunciar” acho que vc deveria pensar em algumas coisas antes.

      Vc acha que foi lesado pelo simples fato dele n te contar que era soropositivo? Vcs tiveram conversa sobre isso durante a relação? Fizeram alguns exames durante a relação?
      Ele te transmitiu e depois disse q n sabia que é soropositivo? Caso n tenha havido transmissão, EU acho meio “vago” acionar a justiça …
      Transmitir sabendo ser soropositivo é crime pelo código penal condenando a pessoa de 4 a 8 anos de reclusão. Não é uma simples “denúncia”, é algo bem sério. Eu só não sei se no código de processo penal fala algo sobre quanto tempo após a contaminação pode ser dado entrada com a ação. O ideal seria procurar um bom advogado.

      Enfim, é uma decisão que deve ser pensada antes de ser tomada. Mas só cabe a vc tomá-la pois somente vc tem a noção e sentimento de ter sido lesado …

        • TriploX diz

          Bom, então é um direito seu … Se sua vontade é essa, procure um bom advogado. Tudo vai ter que ser provado (que n acredito ser mto complexo, até pq o Min. da saúde registra todos os casos de S+), vai ter que fazer dna do vírus, provavelmente um desgaste grande e uma exposição grande tbm. Mas é como te falei, é uma decisão sua, vou quem foi lesado e vc tem a lei a seu favor. É bom ser pensado com cautela. Boa sorte na escolha.
          Abraço!

      • G.L diz

        Aff. Tenho preguiça de gente assim. Acho isso super matético. Você fez sexo porque quis. Ou foi violentado ? A culpa é dos dois. Agora querer processar ? Eu também errei, a pessoa com que eu me relacionei é soropositivo. Culpa foi dele ? Não. Foi minha culpa também, pois eu fiz sexo sem preservativo, sabendo dos riscos. A unica coisa que pensei no momento da descoberta foi apagar o passado e seguir em frente.

          • Anderson diz

            G.L

            Não me coloquei como vítima, mas ele sabia que era soropositivo só que nunca me disse, inclusive quando fui fazer o teste no dia seguinte ele foi. Só descobri a verdade pq localizei uns exames de carga viral dele um ano antes de me conhecer. Fui omisso com a minha saúde mas foi por confiar em alguém que nunca me disse q verdade. Eu não tive o poder de escolher.

            • Sp+- diz

              Anderson vcs estão juntos desde 2013/2014 e vc nunca havia tocado no assunto de hiv?

              Qual foi a motivação de vcs fazerem o exame agora dps de tanto tempo?

              E como pode a pessoa não se cuidar tendo o diagnóstico a tanto tempo…

              • Anderson diz

                SP, boa tarde

                Desde o começo eu dizia: – vamos fazer um teste. Ele sempre respondia: – Vamos fazer juntos. Só que nunca foi.
                Fui fazer o exame pq ele “descobriu” que tinha HPV e mesmo assim tentou adiar minha ida ao CTA.
                Ele disse que acreditou na fé e que poderia está curado, ouvir isso de alguém com 50 anos e esclarecido é foda. Resumindo, tô com 26 anos e devo ter a doença a mais de 3 anos.

                • Sp+- diz

                  Anderson,
                  Eu entendo perfeitamente sua aflição.

                  Quando eu comecei a namorar, meu companheiro por 2 anos omitiu a sorologia de mim. Ok que ele estava indetectavel e o desfecho foi outro, mas mesmo assim foi uma falha grave.

                  Com o passar do tempo comecei a enxergar que deve ser mto difícil lidar com isso, e a negação é o primeiro sentimento que surge.

                  Ainda mais no caso dele que nem tratamento ele fez então não tinha 1 motivo que fosse 1 comprimido por dia, pra “lembrar” ele da situaçao, e deve ter ido levando…

                  Eu acho que voce deveria reavaliar o contexto todo, pq o que ficou pra trás não tem como mudar, mas o amanhã pode ser diferente.

                  Analisar o quanto vc gosta dele e o quanto ele gosta de vc. A estabilidade do relacionamento. Os planos pro futuro, e apesar de todos vão condenar, não temos como estar na sua pele pra entender se vc deve ou não voltar a falar com ele e se entender.

                  Só sei de uma coisa, esse caminho é mto solitário, e as vezes ter alguém que te conhece que te entende e que vive o mesmo que você, pode aliviar o fardo..

                  Mas primeiro de tudo vc não tem um doença, vc é portador de um vírus que em breve vc vai colocar ele pra hibernar, não deixa de iniciar o tratamento o quanto antes, vc na vai começar o tratamento com um medicamento de 1a linha com pouquíssimos efeitos colaterais.

                  Outra coisa, mto por acaso ontem eu estava vendo um vídeo dos discordantes no YouTube e vi q vc comentou lá. Eu não sei se Anderson O. é o seu nome real, mas se for é vc quiser manter a situação toda em sigilo (o que eu de coração recomendo) seria bom vc apagar esses rastros…

                  Não deixe de visitar o blog, e compartilhe informações com os outros daqui, o espaço é mto acolhedor e ajuda muito.

                  Quanto mais informação vc tiver menos preocupado vc fica.

                  Enfim tentei de dar alguns counselhos de uma forma geral pq não sabemos nada de vocês, somente da sua aflição.

                  Fique bem 🙂

                  • Tiago diz

                    SP+-, seu relato é super-enriquecedor, pela sua experiência. Infelizmente, apesar da semelhança na omissão do seu parceiro, tem aspectos que não se comparam, pois o seu se cuidou e ficou indetectável e nós aqui sabemos o quanto se diz que indetectável não transmite, ainda que nenhum tratamento hoje garanta indetectabilidade permanente e fora os questionamentos que nós mesmos levantamos ao estudo que sustenta essa afirmação… Enfim. Devem ser muito poucos os que tem acesso ao nível de informação que nós temos aqui e – ainda assim – parece ter quem prefira não absorver e tapar o sol com a peneira.

                    Já o parceiro do Anderson sucumbiu ao medo, ignorância e negação, pelo que sabemos sabia estar positivo e optou por não se tratar, transmitiu e empurrou com a barriga os exames que o Anderson pedia para fazer, atrasando inclusive o diagnóstico e tratamento dele. Parece que, por medo de perdê-lo, colocou a saúde e vida do Anderson em risco. Isto me parece um grau de distúrbio muito sério.

                    Eu não conheço o Anderson nem o parceiro e concordo consigo quando diz que ele deve considerar tudo, inclusive afinidade e afeto, mas se eu estivesse nos pés dele eu consideraria, em primeiro lugar, sua própria segurança. No mínimo, o parceiro do Anderson parece necessitar de acompanhamento psicológico profissional.

                    • SP+- diz

                      Tiago
                      Sem dúvida, eu gosto das suas postagens pq vc sempre adiciona e contribui sem tumultuar.

                      A situação é completamente diferente e cheia de agravantes. Mas tb levanta muitos questionamentos, será que o diagnóstico não causou um problema psicológico? A negaçâo, depressão as vezes até síndrome do pânico ao pensar no assunto?

                      Não defendo o parceiro do Anderson, somente ele que está dentro sabe da realidade do momento, mas não se deve desamparar aquele que não sabe lidar com o diagnóstico, pq não são todos como eu e você que tivemos acesso às informações… e infelizmente existe uma parcela muito grande daqueles que negam até adoecer e até morte. Eu infelizmente conheci um caso assim então eu meio que sei do que estou falando 😦

                      E se fosse o inverso, e se fosse o companheiro do Anderson que estivesse aberto o tópico pedindo ajuda e conselhos por não saber lidar com o peso do diagnóstico há sei lá 4 anos até hoje?

                      É tudo mto complexo, e não vamos nós aqui, tratar a doença como uma arma.

                      Aliás, se o Anderson estiver lendo fica a dica de dar a sugestão do parceiro vir até o blog, ler, refletir e especialmente se encher de informações e experiências, pedir conselhos e esclarecer dúvidas com os mais experientes…. Logico que pesando o impacto disso quanto as reações do companheiro por ele ter se exposto mesmo que de forma “anônima”.

                      Nos postos também tem os psicólogos e aconselhadores que em alguns casos são ótimos podem ajudar o diálogo nesse momento.

                      Anderson, ique firme, logo vc vai desmistificar esse vírus e tirar de letra!

                    • Anderson diz

                      Thiago e SP+-

                      Obrigado pela força,realmente precisava de um espaço para desabafar e creio que fiz bem.
                      Resumindo, apesar de tudo resolvi não denunciar e seguir a minha vida. Abraços.

                • Tiago diz

                  Anderson, você melhor que ninguém aqui conhece os detalhes da sua história. Sua história, sua decisão. Força aí e se cuide, precisando estamos aqui.

        • Tiago diz

          G.L.

          Se alguém convidar uma pessoa a jantar na sua casa e ela roubar os talheres, você também diz “você convidou, portanto é igualmente responsável”??

          Se o parceiro do Anderson estava soropositivo e sabia, escondeu, transou sem camisa e infectou outra pessoa, tem de ser responsabilizado sim. Ele poderia até nem falar da sua sorologia, mas nesse caso teria que ter cuidados redobrados.

          Se ele não soubesse no momento da transmissão, aí sim seria patético ir para a justiça, mas se sabia, deveria ter se abstido, protegido ou revelado, para que o outro decidisse. Agora, se infectar e continuar agindo como se nada tivesse acontecido, colocando outras pessoas em risco, isso sim é que é patético… E crime.

        • TriploX diz

          G.L

          Amigo, tu n sabes nem da história do cara e já vais julgando assim? Vc sempre faz isso ou apenas nesse caso?
          Uma coisa é vc pegar alguém na noite e não usar preservativo e ser contaminado. Outra, totalmente diferente, é vc ter um relacionamento com alguém e a pessoa te omitir uma dst incurável. Se tem na lei é DIREITO dele e isso não tem nada de “patético”.
          Parabéns, Tiago, pela analogia. Perfeita p/ fazer pessoas com dificuldade de interpretação entenderem.

          • Tiago diz

            TriploX, sinceramente, o comentário do G.L. faz parecer que, em nome da luta contra o estigma da AIDS, toda e qualquer pessoa que está soropositiva deve ser isenta de responsabilidade, independente da gravidade dos seus atos.

            “Ah… Você transou porque quis.”

            Gente… Não é assim não. O risco de transmissão ao transar desprotegido com um soropositivo não indetectável é certo, quando comparado ao risco de transar com um soro-interrogativo. Se a última transa equivale a uma roleta russa, a primeiro equivale a uma roleta russa com uma arma onde apenas falta uma bala no carregador. São riscos bem diferentes, então não dá para dizer que alguém sabia do (grau de) risco.

            Eu não sei de quem peguei (suspeito), mas decidi não correr atrás, porque 1) não tinha certeza e 2) queria seguir em frente. Mas se eu soubesse que a pessoa sabia e ainda assim me havia colocado em risco CERTO, processaria sem dó nem piedade! O parceiro do Anderson sabia do risco, tinha a opção de o proteger e preferiu esconder. E processaria, mesmo que tivesse acontecido durante sexo casual – que vale lembrar que não é crime – se não por mim e certamente não por vingança, no mínimo para fazer o que estivesse ao meu alcance para garantir que esse infeliz não repetiria o ato com outros…

            Transmissão inconsciente “ok”, agora consciente?! Saber da sua sorologia e transar desprotegido como se estivesse negativo? A meu ver, a única “desculpa” que alguém assim poderia ter seria se fosse um caso da pessoa estar em tratamento, indetectável e transmitir durante um blip/rebote viral. Ainda assim não justificaria a omissão (a meu ver), mas daria para entender.

            Quer transar sem camisa? Então, abre o jogo, meu. Não quer abrir? Então paga o preço, usa camisa e respeita a vida do outro, se quer ver a sua respeitada.

        • kiss diz

          Complicado né! A maioria se expõe ao risco e depois quer achar culpados! Por isso que qdo descobri eu sabia a origem e pelo contrário, ao invés de me fazer de vítima, lutei sozinha e depois de tudo, ainda fui ajudar cuidar do abençoado que se negou a se tratar e ficou seriamente doente…Quase morreu…Dificil??? Só eu sei, mas a vida segue, não dá para voltar atrás! O mal é esse confiar demais…..

          • Tiago diz

            Kiss, são casos e casos, não?

            Eu acho um desperdício de vida ficar buscando culpados, especialmente quando nem se sabe se existe um, mas por outro lado, onde eles existam – indivíduos que sabem estar positivos, transam desprotegidos ocultando sua sorologia e transmitem – nesses casos acho válido sim processar, pois é uma forma de responsabilizar esses indivíduos, obrigando-os a encararem as consequências do seu desprezo pela saúde dos outros e a pensarem duas vezes antes de repetirem o ato com outras pessoas.

            Isso vai muito além de mera negligência, é total irresponsabilidade e desrespeito pela vida do outro. Veja bem, quem garante que o infeliz que poderá estar recebendo o vírus o irá descobrir antes que surja uma complicação grave?

            Não sei se sou a favor de pena de prisão, talvez em situações mais graves, tanto quanto sou a favor de reparação. Agora, passar a mão na cabeça de alguém assim… Só porque um dia também foi vítima? Não dá…

            O que não dá também é fazer disso uma Vendetta, mas acho até que – mais que um direito – é um dever do Anderson denunciar o caso, pois se não o fizer, periga o ex fazer uma e outra vez com outros e o Anderson tornar-se cúmplice por omissão.

        • Gil diz

          A diferença, caro G.L, É QUE O PARCEIRO SABIA DO VÍRUS E NÃO ESTAVA SE TRATANDO, Tinha exames, estava com CV alta e não alertou. Isso é crime!
          Nada de ser desavisado. Quem está infectado e pode transmitir tem a obrigação de avisar ao pretendente.

  11. ROCK HUDSON diz

    Preciso urgentemente comprar TRUVADA (o meu acabou ) e a farmácia onde compro disse que ele está indisponível . Alguém sabe onde encontro? se conhecerem me contatem no tremlindo@hotmail.com

  12. Luc25 diz

    Pessoal, é possível eu ter dermatite seborreica apenas 5 meses do contagio? Obrigado

    • Caio PE diz

      Se você não começou o tratamento ainda e sua CV ainda está detectável, é provável que a dermatite seja devido ao vírus. Agora, se sua CV está indetectável então provavelmente não há relação. Procure um dermatologista.

  13. SAR diz

    Olá…
    Gosto muito quando são abertas discussões em que podemos expor um pouco mais dos nossos sentimentos decorrentes da vivência com HIV e o impacto que isso pode, ou não, nos trazer. Vejo relatos onde a culpa parece estar presente. Mas culpa de quê? Culpa de termos vacilado, culpa por termos confiado, culpa por termos sido inocentes ao achar que fossemos inatingíveis? Quando soronegativo, um dos meus maiores medos em relação ao HIV eram, justamente, os transtornos psicológicos e sociais que poderiam me causar. Confesso que hoje há 1 ano e 2 meses pós-diagnóstico, me sinto muito mais tranquilo em relação aos efeitos físicos que essa infecção pode me causar, confesso que no começo não foi muito fácil. Sou da geração que viu a saga do Cazuza, Renato Russo, Betinho e outros. Tive um diagnóstico tardio, acho que duas bombas ao mesmo tempo. A primeira por ser portador do HIV e a segunda por me encontrar num quadro avançado da infecção. Mas Deus é muito bom. Iniciei, imediatamente, meu tratamento sem nenhuma infecção oportunista e até hoje não tive nenhum problema com minha saúde física. E a saúde mental? Pois é, acho que aí o buraco é mais embaixo. Tenho tido muito receio em me relacionar, para o sexo, o receio é levado à enésima potência, porém, tenho me perguntado – por que isso? Será que agora por viver com HIV sou inferior? Não sou digno de manter minha privacidade no aspecto sexual? Quem me infectou não me disse que era soropositivo ou, até mesmo, imaginava-se soronegativo enquanto sua realidade era outra. Vejo tantas pessoas relatando aqui o quão satisfatório são suas vidas afetivas e sexuais e acho isso o máximo e não vejo a hora de chegar neste estágio. Estou buscando entender por que muitos conseguem lidar tão bem com sua condição e outros nem tanto. No meu caso, penso que essa culpa, que não sei se o termo é bem esse, seria proveniente da resistência e do preconceito que antes eu tinha e que hoje internalizei ou reverti contra mim. É como se eu não me sentisse digno de me relacionar com outra pessoa, como se eu não tivesse o direito de tirar o direito de escolha da outra pessoa em aceitar, tentar entender ou mesmo não querer se relacionar comigo e também da paranoia de mesmo sabendo que estando indetectável não corro o risco de infectar alguém, não tenho me permitido. Será que as pessoas que vivem com HIV e que conseguem viver suas vidas de forma plena são aquelas que não teriam dificuldades para aceitar uma situação inversa? Se a resposta for sim, acredito que ainda precisarei passar por um processo de evolução na desconstrução de alguns estigmas no que abrange a viver com HIV. Hoje sou milhares de vezes mais informado sobre o assunto e isso precisa mudar. Isso é apenas um desabafo.

    Excelente semana a todos!

    • Tiago diz

      “Será que as pessoas que vivem com HIV e que conseguem viver suas vidas de forma plena são aquelas que não teriam dificuldades para aceitar uma situação inversa?”

      Talvez SAR, mas não creio que esse seja ou possa ser o único fator. Como disse, para alguém que não aceitaria a situação inversa, também imagino que o diagnóstico seja bem mais difícil de digerir, mais ainda para quem, além de não aceitar, ainda zoava e insultava quem havia se infectado. Mas vale considerar também que alguns de nós simplesmente têm maior dificuldade no auto-perdão, enquanto outros são diagnosticados tardiamente já com problemas de saúde associados, o que pode tornar todo o processo de aceitação bem mais difícil, e ainda outros porque simplesmente não conseguem evitar um complexo de inferioridade por portarem um vírus…

      Sobre esse último, só lhe tenho a dizer que pelo pouco que já li de si, de inferior nada identifiquei, muito pelo contrário. Ainda que estar soropositivo nos desvalorize de alguma forma, existem outros valores, claramente em si, que facilmente compensam esse detalhe.

      E se alguém não consegue ver esse valor em si por conta de sua sorologia apenas, simplesmente se pergunte quanto vale a visão dessa pessoa e se desejaria mesmo se envolver com ela.

      Eu não desejaria.

      • SAR diz

        Olá Tiago,

        Obrigado pelo feedback do meu post. Deixo claro, que o preconceito que, anteriormente, eu tinha era por falta de informação. Zoar, zombar, sacanear alguém por viver com HIV, jamais fui capaz de tais atos e, em relação, a resistência, não posso ser hipócrita e querer fazer um discurso bonito agora que estou do outro lado. Quando soronegativo, conheci um rapaz soropositivo ao qual me apaixonei, porém ao descobrir que era soropositivo, desisti de vê-lo como um possível parceiro e canalizei para amizade. Hoje, embora, seja complicado pra mim passar por isso, devo me acostumar com isso e entender o direito de escolha do outro.

        Abraço.

        • Tiago diz

          SAR,

          Sentir receio na situação que descreveu é natural. No meu caso o resultado foi inverso, eu me apaixonei uma vez por um rapaz, alguns dias ele me falou sua sorologia. Senti medo? Sim. Estava desinformado também, mas não por isso me afastei, apenas semanas mais tarde quando eventualmente ficou claro que estava tapando o buraco de outro amor, não correspondido. Eu queria ficar com ele, mas quem ele queria era outro que não o queria, amigo em comum ainda. rs

          Enfim, nem por isso me safei de levar um pontapé no traseiro do meu último parceiro, praticamente desde o dia que fui diagnosticado. Vá lá, ainda o vi uma última vez, como quem visita um doente terminal… Só faltou trazer flores… rs Enfim, às vezes a vida tem um jeito de nos colocar espelhos na frente. Outras vezes, sempre na verdade, é simplesmente a rapadura realidade da vida.

          Eu respeito a escolha de quem se afaste pela minha sorologia, mas se a sorologia é o fator decisivo, então – no meu entendimento – o restante é tênue demais para sustentar um relacionamento e o melhor mesmo é terminar, do que ficar brincando aos namorados. Me estranha seu relato, para ser sincero, ao dizer que se afastou estando apaixonado. Não leve a mal, mas me parece que, das duas uma, ou foi um medo imenso que o invadiu ou talvez a sua paixão não fosse tanto por ele, como por algum ideal que tinha em mente e com o qual o associava… Ou talvez ambos… Também natural… Bem natural.

          • SAR diz

            Tiago,

            O meu medo foi, imensamente, maior. Eu tinha medo de ler qualquer coisa sobre o HIV. Na minha cabeça era como se o entendimento do que era viver com HIV fosse uma forma de me preparar para uma infecção. Era como buscar informações para aprender a lidar bem com tal possibilidade. Eu não conseguia me ver nessa condição. Hoje afirmo com toda certeza que naquele momento o meu maior medo em vida era ser infectado pelo HIV. A paixão por esse rapaz começou pelas afinidades que temos, não havia dito a ele sobre meus sentimentos, estávamos próximos, e antes de eu falar para ele sobre o que eu sentia, ele me falou da sua sorologia. Vale dizer que ele, em nenhum momento, fez esclarecimentos sobre o que era viver com HIV. Não me falou sobre o uso de terapia antirretroviral, indetectável, enfim, de todas as informações que obti após meu diagnóstico. Acredito que falou para ver minha reação e eu, muito discretame, disse: AMIGO, conte comigo, estou aqui para o que precisares. Continuamos amigos. Aos juízes presentes, deixo registrado que acredito ter sido infectado por um ex-namorado, com quem fiquei por 2 anos em que o combinado era uma relação monogâmica que eu levei ao pé da letra e hoje sei que ele não cumpria com o que havíamos combinado. Fazíamos exames anualmente e prestes a realizarmos novos exames ele terminou e foi para fora do país.

            • Tiago diz

              SAR, respondendo ao seu último comentário…
              Poxa, bem dura, a sua experiência, lamento ouvir… Depois de ouvir algo assim, confesso que chego a me sentir algo aliviado quando penso em como contraí.

              Será que a sua dificuldade não tem tanto ou mais a ver com a forma como contraiu e o trauma desse relacionamento (como hoje sabe que foi) e como terminou, do que com o HIV em si?

              Pergunto porque eu vi um relacionamento de 12 anos se desintegrar da noite para o dia, sem briga (tivemos apenas uma crise, ao fim de 4 anos e 3 de depressão dele), ouvindo nas vésperas do término o quanto o amor por mim só aumentava a cada dia e, “de repente”, da noite para o dia, “vamos ser amigos”… Até hoje não sei em que ponto dos 12 anos o “te amo” que ouvia escondia outra verdade. Entrei em depressão bem profunda, sobrevivi mas virei bloco de gelo, a vida ficou fria, eu incapaz de confiar numa palavra de alguém e tudo perdeu a graça. As vitórias no trabalho eram mero dever cumprido. Nada me entusiasmava. Não sentia felicidade, nem tristeza. Eventualmente, acabei usando sexo casual para ver se, pelo sexo, conseguia voltar a sentir, senão paixão, pelo menos algo… Porque eu não sentia nada. Morria alguém, nada. Nascia alguém, nada. Não sei se foi o sexo, os cursos que fiz, a mudança de casa e cidade ou simplesmente a combinação e a persistência, aos poucos fui “acendendo” e me abrindo ao novo e, ao fim de 4 meses de um novo relacionamento, veio a bomba. Atormentando fui por caminhos tortuosos e morri na praia. O novo relacionamento morreu ali. Não me surpreenderia se fosse uma história comum.

              Enfim, conto-lhe isto porque, o meu relacionamento e como terminou, relacionamento esse que não envolveu HIV, incluindo alguns efeitos posteriores, foi suficientemente traumático para – por si só – me dificultar a vida nesse campo, num ou noutro aspecto até hoje. Perto disso, lidar com o estigma de HIV nos outros parece fichinha…

              Não deve ser fácil para ninguém voltar a se envolver com outra pessoa, após se sentir profundamente enganado, iludido, seja porque motivo for. No seu caso, imagino que o HIV venha agravar esse sentimento, trazendo frequentemente memórias do relacionamento. Só posso imaginar o quanto seja difícil senão impossível para si separar uma experiência da outra, como é um pouco mais fácil para mim, pois embora eu ainda ligue os pontos, pelo menos no meu caso sei que não foi com ele que contraí e só vim a descobrir dois anos depois de terminarmos.

              Lendo a sua história, ficou parecendo que o seu ex descobriu estar positivo, terminou e fugiu para longe antes de se ver forçado a lidar com as consequências face a todo o mundo, sobretudo você. Talvez pelo mesmo medo que o fez a você afastar do rapaz por quem estava apaixonado. Mesmo sentimento, motivos diferentes.

              Como uma vez ouvi de um chefe “mudamos de país para mudar de vida, mas uma hora a m*** – nossa bagagem – chega.” E cada um tem de carregar e lidar com a sua.

              Livre-se da sua ou – pelo menos – tente separar. Você é um cara inteligente, força aí.

              • SAR diz

                Obrigado Tiago pela compreensão.
                Sei que uma psicoterapia resolverá alguns desses desconfortos. Em breve farei isso.
                Sigamos com fé.

                Abraço!

                • Tiago diz

                  SAR, durante a minha depressão, passada uma longa pior fase e após conseguir virar a chave mental – que no meu caso foi que não iria mais me permitir sofrer pelo término do que no final senão afinal era uma ilusão -, cheguei a consultar um terapeuta. Fui indicado pela minha instrutora de yoga com o intuito de apenas de fazer sessões de acupuntura e quiropraxia, como um suplemento físico para o meu reequilibrar, mas acabou rolando uma afinidade e abertura para longas conversas sobre as causas das minhas dores, entre outros assuntos, sendo ele também psicoterapeuta. No final usei de tantos recursos que não sei apontar um decisivo, mas certamente – nesse momento – a externalização das minhas tormentas com um profissional ajudou. A chave eu já havia virado, já não sentia “pena que terminou”, agora sentia “pena que não a ilusão não terminou antes, mas antes tarde que nunca”. Ainda assim, ainda havia passado e pena rs e a troca com um psicoterapeuta foi importante no processo de libertação e reconstrução.
                  Eu recomendo, quanto mais não seja pela possibilidade de externalização, que nos obriga a colocar alguma ordem nas ideias.

                  Vou deixá-lo com dois pensamentos que me ocorreram…

                  O primeiro é que a vida parece ter um jeito – às vezes doce, outras bem duro – de nos ensinar a amar e que quanto mais acreditamos e nos comprometemos com esse caminho, maior tende a ser o preço a pagar; encarar a nossa própria sombra, que no seu caso incluía esse medo imenso do HIV…

                  O segundo pensamento é que, no seu caso, o HIV foi o agente que veio dissolver a sua ilusão. Entre conviver diariamente com alguém que nos ilude e até coloca em risco e conviver com um vírus que pode ser controlado com dois comprimidos por dia, venha o diabo e escolha, mas vou fazer de diabo e optar pelo segundo.

                  Veja a ironia do destino, você se afastou de alguém por quem sentiu afinidade por conta do HIV, para depois vir o HIV afastá-lo de alguém que o iludia.

                  Abraço

                  • SAR diz

                    Valeu Tiago,

                    Agradeço-te pelas dicas e pela troca.
                    Trocar informações e experiências é sempre muito válido e muito bom. Procurarei buscar uma resignificação para algumas das minhas tormentas.

                    Forte abraço!

        • Tiago diz

          p.s. Bola p’ra frente, meu caro.
          O passado é lição de casa e o futuro a Deus pertence.
          Fique em paz.
          Abraço

    • kiss diz

      Sar vejo que esse recuo é comum a muitos…Falo por mim! Perdi o interesse tbem de recomeçar relacionamentos, só pelo fato de ficar por ficar não dá mais…e construir um relacionamento sério, ai vejo a necessidade de me expor e me pergunto até que ponto vale a pena tudo isso? Uma vez que as relações estão cada vez menos instáveis! Esse mecanismo de defesa é comum, principalmente quando temos a preocupação com o bem estar do outro…Faz parte do processo! O estigma dessa problemática é muito forte! Se não tivermos cuidado, ficamos neuróticos literalmente…Eu mesma, perdi interesse por muitas coisas…..Criei um mundo à parte para mim, infelizmente….

      • SAR diz

        Kiss,

        Obrigado por compartilhar sua experiência. Concordo com vc, o estigma é forte. Hj sabemos que em tratamento não morremos vítimas da síndrome, porém não podemos permitir que esse medo e o preconceito das pessoas tire nosso direito de viver plenamente. Estou ciente disso e preciso que essa conta feche.
        Abraço.

  14. AnonimoFer diz

    SAR,

    Acho que o lance maior é vc trabalhar no que realmente vier a ocorrer.

    Com relação ao ato sexual não há o que temer, pois como disse encontra-se indetectável e deve usar preservativo..

    Porém, entendo que nosso maior receio ou sentimento, é que temos que justificar a situação de está soropositivo a alguém, na hora H. Pois essa pessoa pode se tornar parceira e ela (ele) deve saber, como gistariamos de saber tbm.

    Graças a Deus, minha namorada entendeu todo o processo de soroconversão que me acometeu, durante nossas relações nem lembro q sou positivo.

    Mas também não sei como seria se no momento estivesse Solteiro. Só passando pela situação pra saber….

    O negócio e ter fé que tudo ficará bem.

  15. Vizinho diz

    Parabéns, mais uma vez, JS, por um texto que preza, ao mesmo tempo, pela defesa de um conhecimento científico mais aprofundado do tema HIV/AIDS e, sobretudo, pela sensibilidade com relação ao sofrimento alheio, como no caso das mulheres senegalesas, e tantas outras Brasil e mundo afora.

    • Luiz Carlos diz

      Estou que nem a Rihanna… Work work work work work, e o resto a gente não entende 🙂

      Abraços

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