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Dolutegravir pode causar depressão

Depressão grave é um raro efeito colateral do Dolutegravir. Médicos holandeses relataram dois casos de rápido início de uma grave depressão após o começo do tratamento com o antirretroviral, e estão convencidos de que o Dolutegravir foi a causa. Nenhum dos pacientes tinha predisposição à depressão e nenhum deles foi tratado com antidepressivos. Em ambos os casos, os sintomas rapidamente desapareceram após a descontinuação do Dolutegravir. “Isto sugere fortemente uma relação causal”, dizem os especialistas. A notícia foi publicada na revista Poz e no Aidsmap, baseada em um estudo divulgado em 26 de julho.

Dolutegravir

O Dolutegravir pertence à classe dos inibidores da integrase, o que quer dizer que ele bloqueia a enzima usada pelo HIV para integrar seu material genético dentro das células. Este antirretroviral foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) americana em 13 de agosto de 2013.

No Brasil, a decisão da incorporação do Dolutegravir ao Sistema Único de Saúde (SUS) como terceira linha de tratamento foi publicada em 29 de outubro de 2015 no Diário Oficial da União. Desde o começo de 2017, o Dulegravir passou a oferecido como primeira opção de tratamento para “todos os pacientes que estão começando o tratamento e também aos pacientes que apresentam resistência aos antirretrovirais mais antigos” e foi anunciado como “o melhor tratamento contra o HIV/aids no mundo”. Há um estudo relacionando o Dolugravir à uma redução mais rápida da carga viral no sêmen.

Triumeq

Em muitos países, o Dolutegravir é distribuído sob o nome comercial Tivicay e, em combinação com Abacavir e Lamivudina, é parte de um potente tratamento contra o HIV oferecido em muitos países em uma única pílula, chamada Triumeq — os dois pacientes holandeses com a depressão grave estavam tomando Triumeq.

Um dos pacientes que sofreu com a depressão severa é um homem recém-diagnosticado de 58 anos de idade, com boa saúde mental e física e sem outras infecções ou condições médicas relevantes. Ele começou o tratamento com Triumeq um mês após o seu diagnóstico positivo para o HIV, tomando o comprimido antes de dormir. Os sintomas de depressão surgiram logo, junto com paranoia e mau humor. Testes de laboratório não conseguiram identificar a causa dessa mudança na saúde mental, o fez seu médico optar por mudar o tratamento para o medicamento Stribild, composto por Elvitegravir, Cobicistat, Emtricitabina e Tenofovir. Uma semana depois da mudança de tratamento, os sintomas de depressão, paranoia e irritabilidade começaram a melhorar e, depois de 20 dias, desapareceram por completo.

O outro homem, de 52 anos de idade, estava tomando uma combinação baseada em Efavirenz e mudou para o Triumeq por conta de fadiga. Ele não tinha antecedentes de doenças psiquiátricas, outras infecções graves e nem quaisquer outras condições de saúde. Este  homem desenvolveu uma depressão leve dois meses depois de começar Triumeq, mas não alertou seu médico. Quatro meses após o tratamento com essa medicação, começou a desenvolver pensamentos suicidas, que se tornaram graves o suficiente para levá-lo à internação em hospital psiquiátrico, a fim de evitar uma tentativa de suicídio. Testes de laboratório não indicaram nenhuma outra explicação para seus sintomas psiquiátricos e, no dia da internação hospitalar, ele mudou de tratamento para Darunavir, Tenofovir e Emtricitabina. Em cinco dias, o homem recebeu alta do hospital e, após duas semanas, sua depressão já estava quase resolvida. Depois de três meses, não apresentava mais qualquer sintoma psiquiátrico.

Os médicos estão convencidos de que a ausência de problemas de saúde mental pré-existentes e o rápido início dos sintomas depressivos após o início do tratamento com o Dolutegravir, bem como a melhora destes pacientes logo após a interrupção do medicamento, sugerem uma relação causal entre este remédio e a depressão severa. Eles observam que seus pacientes não são os únicos a sofrerem com este efeito colateral e que outros casos já foram relatados, a partir de pessoas que descontinuaram o Dolutegravir pelo mesmo motivo. Nos estudos clínicos que antecederam o licenciamento do Dolutegravir, menos de 2% dos participantes interromperam o tratamento por conta de qualquer efeito colateral e menos de 1% por conta de pensamentos suicidas. Surpreendemente, a taxa de descontinuação do Dolutegravir fora destes estudos chegou a 14% no ano passado. A maioria das pessoas que interromperam o tratamento com o Dolutegravir são mulheres e pessoas mais velhas.

Em 50 casos de pessoas com pensamentos suicidas que foram relatados ao fabricante do Dolutegravir, somente 20 tinham histórico psiquiátrico detalhado. 16 destas 20 pessoas, tinham histórico de problemas na saúde mental. Cinco pessoas cometeram suicídio dentro de seis meses do início do tratamento com o Dolutegravir, das quais quatro tinham histórico de depressão. Em contraste, nos dois casos recém-relatados, não havia histórico de má saúde mental. Os médicos autores do estudo acreditam que uma concentração mais elevada do fármaco no organismo pode estar associada aos efeitos colaterais neuropsiquiátricos. “Precisamos de estudos clínicos e farmacocinéticos para determinar com precisão o desempenho geral do Dolutegravir na prática clínica, em relação a efeitos colaterais neuropsiquiátricos, especialmente em populações sub-representadas nos estudos clínicos”, escreveram os autores.

Uma vez que estes casos de depressão ainda são raros, a notícia não me desanima em relação ao Dolugravir, mas serve de alerta para qualquer sintoma depressivo associado ao tratamento. Se você toma Dolutegravir, avise seu médico sobre qualquer pensamento suicida, depressão ou irritabilidade.

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199 comentários

  1. Soares diz

    Nossa agora mais essa, tanta coisa que já me preocupa por ter que começar a tomar esses remédios, que ainda nem comecei, não quero me preocupar, mas fico preocupado as vezes…eu sempre vivi tão bem, e tô bem, sempre pude comer de tudo sem neura, enfim fazer de tudo, agora vou ficar com medo, mesmo que sem querer, dessa e tantas outras coisas, acho que só com o tempo isso vai passar, quando eu ver que vou ficar idectável já com os medicamentos de primeira linha (amém) e assim continuar… minha esperança tá sendo mais nessas injeções semanais/mensais sem efeito colaterais, espero que isso saia logo, pq na cura não sei se acredito muito, não por agora, enfim desculpa escrever essas coisas , precisei desabafar, abraços!!!

    • SAR diz

      Soares,

      Nós portadores de HIV, além da carga que carregamos em nossas costas por conta da culpa de termos “vacilado” e contraído esse vírus, muitas vezes dramatizamos muito a respeito dos medicamentos. Talvez seja pelo fato de que teremos que tomar tais medicamentos em quanto estivermos vivos. Sei que isso pesa um pouco, porém não devemos nos esquecer que qualquer droga pode nos gerar efeitos colaterais. Eu confesso que quando comecei o meu tratamento em momento muito crítico da infecção (CD4 58 células/microlitro) eu sequer tive tempo de pensar em efeitos colaterais. O que mais queria era começar o tratamento e não contrair uma infecção oportunista. Se minha infecto, me dissesse que teria que tomar estricnina eu tomaria sem questionar, pois no momento, o que mais queria é ter a certeza que não morreria. Além dos ARV’s , simultaneamente, comecei fazendo tratamento profilático com outro antibiótico. Essa semana completo um ano de diagnóstico e graças à Deus estou muito bem. Efeitos colaterais estéticos observados no início do tratamento hoje são imperceptíveis. Só para você ter uma noção, uma conhecida minha, faz uso de medicação para tireóide e, como efeito colateral,vive com seu rosto cheio de pêlos. Como diz nosso amigo, Luíz Carlos, até água em excesso não nos faz bem. Então, meu caro colega, relaxe. Comece seu tratamento com disposição, com fé e tenha certeza que, em breve, poderemos ser agraciados com a tão sonhada e esperada cura.

      Forte abraço.

      • SAR diz

        Caros colegas,

        Perdão pelos erros de português e de concordância verbal. (rssss…)

        Grato.

      • Caio PE diz

        Excelente comentário. Lembrar que o povo das décadas de 80 e 90 não tiveram essa sorte de hoje.

      • Ka diz

        Sar. Gostaria de saber como está seu CD4 após todo esse período de tratamento. Alguém tem ideia do tempo que demora para aumentar? Sei que depende de uma série de fatores, mas apenas para ter uma noção.

        • SAR diz

          Bom dia Ka,

          Após 4 meses do início do tratamento fiz novos exames, inclusive CD4, e o valor de CD4 triplicou. Já em Agosto/2017 realizei novos exames e houve uma ligeira queda. Mas sei que, por ter um diagnóstico tardio, esse valor pode demorar um pouco mais pra se estabilizar. Fiquei um pouco apreensivo, mas conversando com o Luiz Carlos, ele me tranquilizou e disse que o importante é manter a CV indetectável. Valores de CD4 como um número absoluto, não significa muita coisa. Faço os exames pela manhã e sei que no decorrer do dia esse valor pode aumentar. Graças à Deus não tenho tido problema algum com minha saúde. Nenhum resfriado peguei até o momento e espero assim continuar.

          Abraço.

          • Rafael diz

            SAR, estou em uma situação parecida com a sua descobri em um momento crítico também meu CD4 está em 15 mm3 porém a infecto me passou bactrim e estou tomando esse os ARVs. Porém perdi peso e também acredito que tenha sido por conta da cirurgia de apêndice que fiz no dia em que descobri que tinha o vírus (10/10). Durante esse período que você estava com esse Cd4 baixo você estava trabalhando e desculpa ser inconveniente você também perdeu peso?

    • Desconhecido diz

      Amigo, depressão eu tinha antes de começar a tomar… A melhor coisa que fiz foi começar a tomar esses remédios, estou com 6 meses que descobri, há 5 tomo o dolutegravir, lamivudina + tenofovir, e minha autoestima melhorou, minha disposição melhorou, consegui voltar pra academia, meu organismo voltou a funcionar normalmente, antes eu tinha uma diarreia sem fim, agora estou com as fezes durinhas. Pra falar a verdade,NUNCA senti nenhum efeito colateral com essa medicação (não posso falar por outras até porque nunca tomei, mas antes de começar a tomar, eu morria de medo porque cada pessoa relatava efeitos colaterais diferentes). Uma coisa que posso te falar por experiencia propria: Sua vida vai mudar completamente pra MELHOR tomando a medicação. Eu tenho certeza que você, assim como eu, não vai ter efeitos colaterais notáveis. Comece a fazer uma auto-analise de você agora, o que você sente, como é sua disposição, sua cabeça pra depois não colocar a culpa na medicação até da sua dor de cabeça… é claro que você tera dores de cabeças, tera dias que não se sentira muito bem, não tera todos os dias a mesma disposição mas isso, você precisa saber separar pra não colocar a culpa no medicamento. Antes eu estava com uma dificuldade muito grande de ganhar peso, (72 kg x 1.80), uma diarreia que nao tinha fim, uma indisposição muito grande, fraqueza, dores de cabeça, me sentia irritado por qualquer coisa, eu tentava ir pra academia (pois sempre gostei de musculação) e não tinha forças e nem animo pra nada. No segundo mes da medicação eu já comecei a notar tudo mudando, hoje já estou com 83 kg, estou com disposição, não sinto fraqueza, consigo malhar e fazer luta, trabalho normalmente… Enfim, com a medicação, minha vida voltou a ser “normal”. Super indico você a começar o tratamento!

    • Tiago diz

      Soares, antes de começar o tratamento, sentia os mesmos medos, é natural. Temia que os efeitos pudesse me atrapalhar o trabalho, sobretudo.

      Estou há um mês e meio no DTG e, se sinto alguma diferença, é certamente para melhor.

      Fique tranquilo, não sofra por antecedência nem crie macaquinhos na cabeça que certamente causam muito mais depressões no mundo que qualquer medicamento existente.

      Abraços!

    • Soares diz

      Obrigado galera que me respondeu, se não fosse esse blog acho que até seria mais difícil lhe dar com tudo que tem acontecido, tá certo que as vezes leio coisas não mto boas aqui as vezes, mas em compensação leio mtas coisas que me motivam, e me fazem acreditar que uma dia eu estarei mt bem igual a vcs, não que eu não esteja bem hoje, tanto que tô achando um absurdo ter que tomar remédio se estou tão bem rs, mas sei que o quanto antes eu tomar melhor, pra que eu continue como estou, e quem sabe melhor.
      Abraços.

      • Tiago diz

        Força e ânimo rapaz, que esses certamente nos irão ajudar muito a logo logo alcançarmos a meta “indetectável”.

        E quanto às coisas menos boas que aqui lemos, minha atitude é simplesmente “filtrar e buscar o ouro nelas.” Às vezes só vem areia mesmo haha e, nesse caso, melhor abrir a mão e deixá-la ir. Já vendi a camionete, hoje prefiro andar mais leve, de bike. rs

        Forte abraço

        • Soares diz

          Tiago uma curiosidade, vc falou que tá tomando a medicação recente com DTG, vc ainda não tá indetectável? ou vc começou a tomar muito recente e ainda não sabe?

          • Tiago diz

            Oi Soares! Não faz nem mês e meio que comecei o tratamento (fui diagnosticado em julho, comecei o tratamento em agosto), então não sei ainda. Minha infecto já solicitou novos exames para ver os primeiros resultados do tratamento, mas pediu que eu aguardasse completar 2 meses antes de os realizar.

            Não estou criando expectativa de ficar indetectável tão rápido e se ficar abaixo de 200 cp/ml3, valor que já é considerado intransmissível) já me dou por muito feliz! Logo que tenha os resultados, compartilharei aqui.

            Abraços!

    • graciela diz

      Soares existe uma combinação de medicamentos o Atazanavir + Ritavir , esses medicamentos raramente causam efeitos colaterais … Converse com seu médico a respeito , existe támbem um tratamento alternativo a autohemoterapia , procure saber .

    • Anis diz

      Estou na mesma…iniciei tratamento a quatro dias…fé é o que me fortalece…e fé na cura!!!!

    • Marcelo diz

      O Dolutegravir é um medicamento novo e não teve seus efeitos colaterais bem estudados.Ele entrou como terapia substitutiva do Efavitenz devido ao forte inpacto nos sintomas neuropsiquiátricos. Acontece que o tiro saiu pela culatra, pois os efeitos colaterais do Ácido Dolutegravir são maiores, rápidos e devastadores do que os do Efavirenz. Além de depressão, causa transtornos da ansiedade como síndrome do pânico, insônia e intensa labilidade emocional. Causa também distúrbios gastrointestinais como azia intensa e dores no alto abdomem. Ele é muito pior do que qualquer outro antirretroviral. Eu já havia dito e não foi publicado. Vai ver o blog é patrocinado por entidades ligadas aos laboratórios.

      • Guilherme diz

        Ainda que sua opinião não reflete na realidade daqueles que usam essa terapia, eu inclusive. Mesmo assim, torço para você ficar melhor, em todos os aspectos.!!! Abraços.

    • Gustavo diz

      Tomo a combinação tenofovir, lamivudina e dolutegravir desde abril deste ano, não tive nenhum efeito até agora. Pode tomar sem medo.

    • Luiz diz

      Nossa…já se passaram dez anos!!!
      Lendo essa matéria e alguns comentários me veio a memória o mês de março de 2017(não lembro exatamente o dia) época que recebi o diagnóstico de ser HIV positivo. Era um corredor estreito e no final dele uma pequena sala onde a médica calmamente me deu o resultado do exame. Não me abalei e naquele dia tomei a decisão de seguir a vida. Nem mesmo no dia que minha médica, um pouco assustada com o resultado do meu cd4 em 52 eu senti alguma reação do vírus no meu organismo (nem mesmo um resfriado eu apresentei Naquele período!!!). Iniciado o tratamento com Efavirenz e biovir nos primeiros dias senti um pouco de “formigamento” no corpo nos primeiros dias, mas nada que representasse algo difícil de lidar… Passado essas mais de 10 anos desse o diagnóstico contínuo tomando religiosamente as mesmas medicações e minha carga viral a anos encontra-se indetectável.
      A vida é cheia de altos e baixos, já chorei e me desiludir muitas e muitas vezes nesses anos, mas nunca permiti que esse vírus ou o preconceito de carregar essa “marca” me empatasse de sorrir e de viver. Agradeço a Deus e aos excelentes profissionais da minha cidade que sempre me deram todo o apoio e orientação na forma correta de seguir o tratamento e tenho fé que nós próximos 10…15…20 anos continuarei lutando pra me manter saudável e fazer a melhor coisa que podemos Fazer nessa vida: ser feliz!!!!

  2. paraensepositivo diz

    Pronto !!!. Agora todos os que tomam o Dolutegravir, vão desenvolver depressão psicológica, se é que isso existe.

    • Desconhecido diz

      Pior que isso que você falou é extremamente sério… Tem pessoas que se deixam serem influenciadas facilmente. Eu graças a Deus tenho o psicológico muito forte e esse tipo de informação não me afeta até mesmo porque eu fiz uma auto-analise de antes de começar começar a tomar a medicação e após. Não atribuo meus momentos de tristeza e “depressão” a efeitos colaterais da medicação. Muito pelo contrário, imagino que estaria bem pior sem ela.

    • Marcelo diz

      EU PENSAVA COMO VOCÊ. ACHAVA SER IMUNE AOS EFEITOS COLATERAIS DOS ANTIRRETROVIRAIS. HOJE, DEPOIS DE 21 ANOS DE USO, SEI QUE ELES SÀO DEVASTADORES. NA MINHA OPINIÃO, NÃO EXISTE A TAL QUALIDADE DE VIDA QUE OS INFECTOLOGOSTAS TANTO DIZEM EXISTIR. VOCÊ VAI VER O RESULTADO NO FÍGADO DEPOIS DE UM TEMPO, NO CORAÇÃO E NO RINS POR CAUSA DO AUMENTO DESCONTROLADO DOS TRIGLICÉRIDES E COLESTEROL. VAI SENTIR OS EFEITOS DA INTOXICAÇÃO DO ORGANISMO POR CAUSA DO EXCESSO DE MEDICAMENTOS. OS DE CONTROLE DA AIDS E OS DE CONTROLE DOS EFEITOS SECUNDÁRIOS CAUSADOS PELOS ANTIRRETROVIRAIS. DAÍ VOCÊ VAI QUEIXAR-SE COM O INFECTOLOGISTA E ELE DIRÁ QUE É “NORMAL E FAZ PARTE DO QUADRO EVOLUTIVO DA DOENÇA”… O QUE, NA MINHA EXPERIÊNCIA, É MENTIRA. QUEM SENTE OS EFEITOS COLATERAIS SOU EU E NÃO O INFECTOLOGISTA. ELES DEVERIAM SER MAIS SINCEROS E NÃO OMITIR OS PROBLEMAS GERADOS PELO MEDICAMENTO E NÃO PELA DOENÇA.

  3. Luiz Carlos diz

    É importante ler este estudo e interpretá-lo de forma correta. O estudo reforça ainda mais os trabalhos de farmacovigilância que estão sendo feitos no Brasil, pois populações diferentes podem reagir de forma diferente a um mesmo medicamento, seja ele qual for. Muitas vezes, estudos com novos medicamentos são realizados em poucos países por conta das legislações vigentes que cada país, e resultados diferentes são encontrados em diferentes subpopulações.

    Como o JS bem grifou, este é um efeito colateral RARO, que pode ocorrer na maioria dos ARVs, de todas as classes. Não é motivo para preocupação geral, mas ainda assim, como também bem indicado pelo JS, qualquer pensamento suicida deve se reportado ao seu médico, independente da medicação. afinal todos estamos sujeitos a algum efeito colateral.

    Eu particularmente já tive uma crise depressiva profunda com pensamentos suicidas envolvendo pantoprazol, em cerca de 5 dias de tratamento. Um medicamento que muitos diriam ser inofensivo também pode levar a efeitos adversos sérios.

    Abraços

    • O AZT pode atrapalhar a recuperação do sistema imune em algumas pessoas, eu incluído… Ainda bem que hoje temos diversos antirretrovirais: aquele que causar efeito colateral em uma pessoa, pode ser ótimo para outra.

      • SAR diz

        JS,

        Desculpe corrigí-lo, mas acredito que o Caio PE está se referindo ao Atazanavir/Ritonavir e não a Zidovudina (AZT).
        Parabéns a você e sua esposa pelo bebê, que em breve, estará em vossos braços. Saúde a todos.

        Abraço.

          • Luiz Carlos diz

            Acho que foi uma confusão de todos os lados, já que o Atazanavir é abreviado como ATV, não ATZ, justamente para evitar a confusão com o AZT (Zidovudina), inclusive 😀

            Lembrando que uma das reações adversas do Atazanavir é a depressão, e é classificada como Incomum (afeta entre 0,1% e 1% dos pacientes).

            Abraços!

            • Luiz Carlos diz

              Ainda não desejei meus parabéns ao JS e sua esposa, então fica aqui registrado meus parabéns e felicidades com o bebê que está por vir 🙂

              Abraços!

  4. RGS diz

    Alguém poderia me ajudar a esclarecer uma dúvida? Qual a diferença entre o tratamento com Dolutegravir / Abacavir / Lamivudina e com o 3×1? A longo curto, médio e longo prazo, quais as diferenças? Obrigado

    • Tiago diz

      RGS, levando em conta a conversa que se gerou mais abaixo sobre sinergia entre os componentes de cada terapia e após uma rápida busca, estou com a impressão que não existem dados muito concretos para responder à sua pergunta.

      O 3×1 usado nos EUA em testes comparativos ao Triumeq (DTG/ABC/3TC) era diferente do ainda hoje usado no SUS. Ambos contém o Efavirenz (EFZ) e o Tenofovir (TDF), porém no americano a combinação é feita com Emtricitabina (FTC), enquanto que no brasileiro é feita com a Lamivudina (3TC).

      Se quiser olhar os resultados do comparativo americano, poderá encontrá-los no estudo SINGLE:
      http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1215541#t=article

      Abraços

      • RGS diz

        Caro Tiago, boa tarde! Muito obrigado por responder e por indicar o material para leitura. Estou acompanhando a discussão aqui para tentar entender. Eu trato há 1 ano e 4 meses com o 3×1, estava indetectável com 2 meses de tratamento. Bom final de semana a todos!

        • Tiago diz

          Oi RGS, seu relato me animou 🙂
          Indetectável em 2 meses… Que alívio deve ter sido! Parabéns! Quem sabe tenho a mesma sorte?… Bom final de semana!

  5. Tiago diz

    Eu estou já há mês e quase meio no DTG e não senti qualquer efeito depressivo, sendo que há 2 anos atrás passei por uma depressão bem profunda, após um término de um relacionamento de 12 anos, durante a qual quase cometi uma besteira.

    Muito pelo contrário, tenho me sentido bem animado ultimamente, recuperando o ritmo de trabalho que havia perdido logo após o diagnóstico.

    Quando lia o artigo, sobretudo após ler sobre a disparidade de resultados durante os testes e após
    a implementação, me perguntei se existe alguma possibilidade que o efeito relatado seja causado não só pela interação do Dolutegravir com a psique do usuário, mas também pela combinação dele com os restantes ARVs, que é diferente da que usamos.

    Se nos testes de Dolutegravir esse efeito colateral foi bem mais raro, será que a combinação com restantes ARVs não estará potencializando? Ou durante os testes teria sido usada a mesma combinação?

    Whatever the case, mais uma vez se justifica não liberar o DTG para todos sem implementação e vigilância dos efeitos num grupo menor.

    • SAR diz

      Olá Tiago,

      Sua colocação faz muito sentido. Existe dentro da química um efeito chamado de sinergismo. Algumas drogas isoladamente, muitas vezes, não apresentam os mesmos potenciais quando comparado a sua presença em uma combinação (mistura). Tendo em vista que no Triumeq a combinação é diferente da combinação oferecida pelo Sistema Único de Saúde que é (DTG, 3TC+TDF) seria interessante avaliar e comparar os efeitos do DTG levando em consideração suas diferentes combinações.

      Abraço.

      • Tiago diz

        Oi SAR

        Obrigado pela resposta. Considerando o que explicou sobre sinergismo, me parece que só faz sentido avaliar o DTG – ou qualquer outro ARV – levando em conta as diferentes combinações, já que na prática não se trata o HIV com uma monoterapia.

        Esses testes de combinação não são feitos durante as fases de teste e aprovação de um novo ARV, sabe dizer? Porque, se não são feitos, isso significaria que os testes realizados e os resultados coletados se baseiam num cenário completamente irreal de monoterapia. Seria muito estranho…

        • SAR diz

          Tiago,

          Infelizmente, não saberei te responder se esses testes, de combinação, seguem um protocolo para aprovação da terapia.

            • Tiago diz

              Estava lendo um artigo ligado no texto, sobre a taxa de descontinuação do Dolutegravir,, onde se confirma que as taxas de descontinuação são 2x mais elevadas na combinação de Dolutegravir com o Abacavir:

              “Patients were approximately twice as likely to stop their treatment if they were taking dolutegavir in combination with abacavir (aRR = 1.92%; 95% CI, 1.09-3.38; p = 0.01).

              “We considered that there might be an interaction between the drugs, leading to more treatment interruption,” write the authors, adding that both drugs are metabolised using a similar hepatic pathway. They note, “the apparent interaction between DGV and abacavir mediated by this common degradation pathway has not been studied.”

              In contrast, taking dolutegravir in combination with a boosted protease inhibitor was associated with a lower risk of treatment discontinuation (aRR = 0.20; 95% CI, 0.05-0.86; p = 0.03).”

              • Tiago diz

                p.s. Para quem leia o comentário acima e não saiba, os casos reportados nesta publicação são de pessoas que usavam o Dolutegravir em combinação com o Abacavir, que faz parte do Triumeq.

                Ou seja, existem evidências que apontam para o problema maior ser a combinação e não necessariamente o Dolutegravir isoladamente. E isso pode ser uma boa notícia, já que como já foi aqui dito, pelo SUS o Dolutegravir é combinado com Tenofovir e Lamivudina.

  6. Caio PE diz

    Pelo menos existem diversos ARVs hoje em dia. Certamente haverá uma combinação individualizada que atenda a uma necessidade em específico. Pena que nas décadas de 80 e 90 as pessoas não tiveram essa sorte.

  7. Caio PE diz

    Luiz Carlos, essa é para você: o ritonavir, em conjunto com o Atazanavir, serve “apenas” para potencializar a ação do ATV? Ou ele age, também, de maneira isolada (serve para outra coisa fora “ajudar” o ATV)?

    • Luiz Carlos diz

      Caio,

      O Ritonavir utilizado como booster na TARV funciona de duas formas: aumentando a absorção do Atazanavir (ou outro IP) através da inibição da enzima CYP3A4 no intestino e aumentando a disponibilidade plasmática do Atazanavir pela inibição da mesma enzima no fígado.

      Alguns estudos mostram que o ATV com booster de Ritonavir também aumenta a taxa de redução da CV em relação ao ATV sem o Ritonavir como booster (unboosted, ou uATV), portanto a utilização do ATV unboosted não é recomendada em início de tratamento. Já para manter níveis indetectáveis pode ser utilizado o ATV unboosted (com ajuste de dose) nos casos onde o Ritonavir provoca danos no fígado ou hiperbilirrubinemia muito acentuada, porém, aqui no Brasil, não existe esta diretriz já que possuímos várias outras opções de tratamento.

      O único porém do Ritonavir é que a CYP3A4 é uma das principais enzimas responsável pelo metabolismo de medicamentos. Por este motivo é sempre importante informar a qualquer médico todos os medicamentos que tomamos 🙂

      Abraços

      • Caio PE diz

        Então Luiz, pelo que eu entendi, o ritonavir sempre é “coadjuvante” do ATV ou de outro IP. Sozinho (ação específica apenas dele) ele não faz nada.

        • Luiz Carlos diz

          Caio, o Ritonavir não deixa de ser um IP, mas se ele fosse administrado sozinho teriam que ser utilizadas doses de 600mg 2x por dia, que normalmente causa um efeito um tanto quanto catastrófico no fígado e efeitos gastrointestinais indesejáveis.

          Abraços!

          • Caio PE diz

            Obrigado, mais uma vez: nosso incansável e prestativo oráculo !

  8. Soares diz

    Pessoal, li uma notícia de um cara que diz que se curou do hiv em 14 mêses, não dei muita importância, mas de curiosidade joguei o nome dele no Google, é Andrew Stimpson, e vi vários sites em inglês falando disso, depois quando tiver mais com tempo quero dar uma olhada, pois fiquei curioso, alguém já ouviu falar desse cara?

    • Novo Lucas diz

      Pelo que acabei de ler, há três explicações pro que aconteceu com ele – nenhuma delas comprovada:

      1 – Foi contaminado por partículas mal formadas do vírus, que foram incapazes de se multiplicar e consolidar a infecção,
      2 – A exposição frequente ao vírus gerou nele uma resposta imunológica incomum e capaz de torná-lo imune,
      3 – Seroreversão espontânea (quando o corpo para de produzir anticorpos vs alguma proteína), mesmo com a presença do vírus – ESTA NÃO ENTENDI.

      Foi o que li na Wikipedia, resumidamente.

      Kik: novolucas

    • Tiago diz

      Pelo que li, ele sumiu do mapa e nunca aceitou voltar a fazer testes ou colaborar para se investigar o caso.

    • Soares diz

      Pelo o que eu li, nem ele sabe como se curou (se é que já esteve infectado mesmo), aqui pelo o que parece o mesmo se manifesta em um comentário, mas diz que não pode falar muita coisa, estranho… http://i-base.info/qa/2474

    • Soares diz

      Se fosse comigo eu deixaria estudar meu sangue ou sei lá, vai que poderia achar alguma coisa que contribuísse pra cura de todo mundo, ia ser uma honra.

  9. Maycon diz

    Eu tomo o 3 em 1 e só sinto um calor da bexiga kkkk! Fora isso, até agora nada 🙂

  10. Maycon diz

    Eu tomo o 3 em 1 e só sinto um calor da bexiga kkkk! Fora isso, até agora nada 🙂

  11. Lesly diz

    Gente,

    “Estudo feito com 1 pessoa indicacam…..”
    “Estudos feitos com 20 pessoas indicam…”

    Lembro que somos 37 milhões de pessoas, então, eu prefiro acreditar que o JS publica esses estudos para nos prevenirmos e nos ajudar e não nos estigmatizar e condenar a morte( todos somos mortais ). Porém mesmo vendo os artigos da IAS 2017 de forma limitada sugiro que o JS divulgue mais artigos científicos amplamente debatidos pela comunidade mundial. Cura não haverá mas a qualidade em tecnologia para tratar avança a cada dia! Outra coisa, já é mais do que consenso entre cientistas que o tratamento deve começar o quanto antes.

  12. Tiago diz

    Luiz, vou roubar a frase do Caio PE e dizer “(acho que) essa é para você”.

    Fui pesquisar os testes clínicos do Dolutegravir de fase II e III realizados nos EUA e me parece que só fizeram testes em 1) monoterapia ou, quando comparado a outro ARV (ex. SPRING-2 vs Raltegravir), em 2) terapia combinada, neste caso sempre com A) 2 escolhas de complemento ao DTG, regra geral Abacavir/Lamivudina ou Tenofovir/Emtricitabina (SPRING-2 e FLAMINGO) ou B) sem outra combinação que não Abacavir/Lamivudina (SINGLE e ARIA).

    Duas dúvidas que me surgiram…

    Nos resultados dos testes clínicos A, com opção de escolha de complemento ao DTG, não vejo publicada informação que separe resultados de quem tomou o DTG/ABC/3TC dos resultados de quem tomou o DTG/TDF/FTC. Juntaram ambos para comparar, por exemplo no SPRING-2, com o Raltegravir, também ele combinado com duas opções.

    A pergunta é: Considerando o que o SAR falou aqui sobre sinergismo, porque é que num estudo como o SPRING-2 não se separa os resultados de quem tomou DTG/ABC/3TC vs DTG/TDF/FTC? Não se considera o sinergismo e nem se olha a diferença? Também notei que testes clínicos comparando apenas duas combinações diferentes de DTG só agora estão recrutando, não faria mais sentido ter feito esses testes antes de aprovar?

    A outra pergunta que me surgiu é que, tanto quanto percebi, só agora estão recrutando para testes do DTG/Tenofovir/Lamivudina. Não encontrei nenhum realizado. Isso quer dizer que somos cobaias?! rs Ou tem conhecimento de algum teste clínico publicado hoje usando a combinação que hoje o SUS disponibiliza? Eu não encontrei.

    Abraços

    • Luiz Carlos diz

      Tiago,

      Como SAR respondeu parcialmente abaixo, o objetivo destes ensaios (não cheguei a acessar todos, mas os que acessei são randomizados, duplo-cegos e de não-inferioridade) é sempre comparar a eficácia X versus Y. Para isto são definidos critérios base, conhecidos na estatística como variáveis de controle (por exemplo: sexo, idade, mesmo esquema de TARV por x meses, não-intenção de troca de esquema de TARV, etc) e, nos casos que você mencionou, dois ITRN (sendo ABC+3TC ou TDF+3TC), que são o “acompanhamento” de qualquer TARV. Em uma analogia bem horrível de 4 horas da manhã, é como ir em um restaurante e comparar carne versus frango com dois acompanhamentos, sejam eles batata, legumes no vapor, arroz, etc (ok, me desculpem por esta comparação). O que importa é a qualidade da carne, já que os acompanhamentos são todos parecidos.

      Estas variáveis de controle foram definidas porque existe uma quantidade enorme de estudos grandes comparando Abacavir+Lamivudina com Tenofovir+Lamivudina, e todos eles sugerem que ambos os esquemas apresentam a mesma eficácia e tolerância (SPIRAL, BICOMBO e STEAL são os estudos que me recordo agora).

      Quanto maior o número de variáveis de controle, mais difícil é encontrar a subpopulação para o estudo, por isto elas devem ser selecionadas de forma cautelosa. Muitas variáveis de controle podem reduzir a subpopulação demais, a ponto de os resultados não terem mais a confiança necessária para o estudo. Poucas variáveis de controle fazem com que o estudo não seja preciso pois ele não abrange a população específica a ser estudada.

      Dois exemplos simples:
      Muitas variáveis de controle: homem, 30 a 35 anos, em TARV há 6 meses, indetectável há 6 meses, sem perspectiva de mudança de TARV nos próximos 12 meses, sem coinfecções, assintomático, em regime que inclui DTG ou RAL acompanhado de TDF+3TC. – muito controle resulta em uma população pequena, que não condiz com o espectro da população que realmente se planeja estudar.

      Poucas variáveis de controle: 18 a 60 anos, em TARV com CV indetectável, em esquema que inclua TDF+3TC. – aqui você deixa de analizar fatores chave como outras infecções, histórico de TARV do paciente, perspectivas de mudanças devido a outros efeitos colaterais que podem excluir o paciente do estudo, etc.

      Enfim, acho que divaguei demais. Com esta base acho que posso responder suas perguntas: os estudos costumam acompanhar estas variáveis – no caso do SPRING-2, há sim comparação entre os regimes – com Abacavir e com Tenofovir – porém, como mencionei, este não é o foco principal do estudo e estas são apenas variáveis de controle que tomam como base outros estudos que consideram-as similares.

      Sobre a segunda pergunta: sim, somos “cobaias controlados”. Creio que mencionei isto até em um e-mail que lhe enviei, onde recentemente a GSK e a Emcure receberam aval para produção de DFC (dose fixa combinada) de DTG+TDF+3TC (ou seja, 3×1 com DTG no lugar do EFZ). Tudo isto segue os mesmos princípios acima, onde pressupõe-se que o Abacavir e a Lamivudina se comportam de forma similar junto com o Tenofovir.

      Tudo isto é para resumir que SIM, o trabalho de interações medicamentosas é extremamente complexo, e muitas vezes só acabamos descobrindo estas interações quando os medicamentos já estão no mercado, pois além de envolverem outros fatores externos aos ensaiados em laboratório, também envolvem diferentes subpopulações que apresentam respostas diferentes.

      Ainda assim é importante ressaltar que existe muita pesquisa em torno da Lamivudina vs Abacavir, e elas apresentam efetivamente os mesmos resultados. Pelo mecanismo de ação dos ITRN é muito improvável que um influencie efeitos adversos sérios e outro não mas, ainda assim, é impossível descartar estas opções completamente.

      Espero que não tenha me alongado demais.

      Abraços!

  13. SAR diz

    Tiago,

    Sei que você direcionou sua pergunta ao Luiz Carlos, porém, como fui citado, sinto-me no direito de lhe responder a parte que me cabe. Eu não tinha conhecimento do estudo SPRING-2, mas diante da sua colocação dei uma rápida pesquisada na internet e encontrei o seguinte. O objetivo do estudo SPRING-2 não é comparar a eficácia do DTG em suas diferentes combinações, mas sim comparar com o RAL (Raltegravir) e suas combinações. Isso porque tanto o Raltegravir quanto o Dolutegravir são inibidores da enzima integrase, que é fundamental no ciclo de replicação viral. O objetivo principal neste estudo é comparar a eficácia x efeitos adversos entre os dois inibidores de integrase. No artigo alvo dessa discussão, atribui-se a depressão como um efeito colateral causado, exclusivamente, pelo Dolutegravir, baseando-se somente na substituição desse medicamento por outro, relacionando assim, a melhora do paciente. Dentro da ciência sabemos que isso não é uma evidência considerada suficiente para tal afirmação. Por isso, falei sobre sinergia. Antes de atribuir ao DTG a culpa pelo efeito da depressão, o correto seria observar eficácia x efeito colateral em pacientes em terapia com (DTG/ABC/3TC), (DTG/TDF/FTC) e (DTG/3TC/TDF). Após as análises dos pacientes pertencentes a esses 3 grupos com a observação de efeitos relacionados a depressão nos três, poderíamos sugerir tal efeito ao DTG, uma vez que, este é o componente em comum nas três combinações, porém nunca afirmar. Estudos mais detalhados levando-se em consideração outras variáveis deveríam ser realizados. A segunda questão deixo ao Luíz Carlos que, certamente, tem muito mais a contribuir.

    Abraço.

    • Tiago diz

      Luiz e SAR,

      Obrigado pelas respostas. Lendo o estudo eu percebi que o ponto do SPRING-2 não era testar as combinações do DTG, mas sim o DTG vs Raltegravir, só estranhei se usar num teste clínico 4 combinações diferentes e agrupar os resultados em 2 pares, se – por sinergia – é perfeitamente possível que apenas 1 das 4 combinações cause um efeito mais grave. Do meu ponto de vista leigo, parece ser um método um pouco falho e exato, que pode produzir resultados como já aqui mencionados; culpa-se o DTG, quando o problema pode estar numa combinação específica. Sinceramente, considerando sinergia química e que o tratamento de HIV é sempre feito com terapia combinada, parece até estranho se falar em comparar um ARV com outro, usando combinações diferentes. Perdoem a analogia extremamente grosseira, mas é como comparar sódio com cálcio, misturados com água ou ar; apenas uma das 4 combinações é potencialmente explosiva. Eu queria fazer uma analogia melhor mas meu conhecimento de química é beeem limitado. Eu entendo que se parte do princípio que as combinações são semelhantes, mas o ponto é que a sinergia entre os ingredientes pode ser diferente, como se parece observar nas combinações DTG/ABC/3TC vs DTG/TDF/FTC.

      E nesse sentido, já olhando a minha segunda questão e a resposta do Luiz, fico me perguntando que tipo de controle existe quando se implementa uma nova combinação na população em geral, sem antes realizar um único teste bem mais controlado dessa combinação específica.

      Em conversas anteriores, eu havia ficado com a impressão que a limitação do DTG e a vigilância farmacológica estava sendo feita por conta de uma possibilidade de um resultado diferente de uma terapia já testada, numa subpopulação diferente. Chego agora à conclusão que não, pois não foi realizado um teste clínico antes.

      Caso para dizer a todos que estão iniciando tratamento agora “fiquem espertos aos efeitos e, se possível, realizem exames regularmente”, pois – até à data – não foi realizado um único teste clínico com a combinação que o SUS disponibiliza.

      Não vou surtar por isso e – sinceramente – nem me surpreende que estejam usando a população brasileira como cobaias sem o seu conhecimento, mas que essa visão me deixa menos confiante, disso não tenho como escapar.

      • Tiago diz

        Apenas uma correção: Onde escrevi que comparar dois ARVs com combinações diferentes me parece um método “um pouco falho e exato”, queria dizer “um pouco falho ou pouco exato”.

        Abraços

        • SAR diz

          Tiago,
          Para facilitar um pouco, tenta acessar o link abaixo:

          http://www.arv-trials.com/first_line/eng/comp_INSTI-vs-INSTI/SPRING-2.asp

          Note que no estudo SPRING-2 foram comparados dois inibidores de integrase e as combinações foram as mesmas tanto para um quanto para o outro. Exemplificando um pouco mais, por uma analogia, podemos pensar: Ao lançar um novo modelo de um veículo automotivo eles tentam ressaltar os diferenciais que este novo modelo tem em relação ao mesmo veículo com modelo anterior. Isso mostra, o quanto o modelo atual está melhor, confortável e alinhado ao perfil do seu consumidor. O mesmo aconteceu com o estudo SPRING-2. Eles quiseram mostrar nesse estudo o quanto o Dolutegravir pode ser superior ao Raltegravir. Quando estamos na busca por novas drogas, realizando ensaios “in vitro” é praticamente um protocolo comparamos a nossa droga com drogas padrões, pois só fará sentido continuar investindo naquela droga se ela apresentar potencial igual ou superior a uma droga padrão já conhecida, entende? Só para você ter uma noção, recentemente, os pacientes que faziam uso do Raltegravir aqui no Brasil, foram automaticamente transferidos para terapia com dolutegravir. Acredito que isso foi devido ao custo do Raltegravir em relação ao dolutegravir, não tendo, acredito eu, a ver com sua eficácia.
          Acredito que é segura a combinação ofertada hoje pelo SUS com o DTG, uma vez, que ele está combinado com outros Inibidores de transcriptase reversa (ITRN) que já demonstraram suas eficácias em diferentes combinações. Estranho seria se estivéssemos sendo cobaias de um esquema em que todos os componentes fossem novos. Espero que de alguma forma eu tenha ajudado nas suas questões.

          Ótimo dia!

          • Tiago diz

            Bom dia SAR!

            Então, eu entendo quando diz:

            “Eles quiseram mostrar nesse estudo o quanto o Dolutegravir pode ser superior ao Raltegravir. Quando estamos na busca por novas drogas, realizando ensaios “in vitro” é praticamente um protocolo comparamos a nossa droga com drogas padrões, pois só fará sentido continuar investindo naquela droga se ela apresentar potencial igual ou superior a uma droga padrão já conhecida, entende?”

            Eu entendo, mas considerando a possibilidade de 4 efeitos sinérgicos diferentes, parece um protocolo bem falho. O teste clínico que mencionou pode mostrar como o Dolutegravir pode ser superior ou Raltegravir – de modo geral, por média dos resultados das diferentes combinações -, mas é falho no sentido de desconsiderar a sinergia das diferentes combinações, existindo o risco não avaliado de ser inferior numa das combinações.

            Qual a garantia que esse teste oferece que um determinado efeito colateral identificado em todo o grupo que tomou o DTG com a combinação A ou B, não se concentra mais no grupo que tomou a combinação A? Sem olhar as combinações separadamente, nenhuma.

            E.g. No SPRING-2, ao fim de 48 semanas, 12% dos usuários de ambos os grupos (DTG e RAL) sofreram de dores de cabeça. Que garantia tenho eu que a distribuição dos 12% no Raltegravir não se distribui em 12% numa combinação e 12% noutra, enquanto que no DTG, por exemplo, 20% numa combinação e 4% noutra?

            “Acredito que é segura a combinação ofertada hoje pelo SUS com o DTG, uma vez, que ele está combinado com outros Inibidores de transcriptase reversa (ITRN) que já demonstraram suas eficácias em diferentes combinações.”

            Infelizmente, não consigo mais compartilhar muito da sua crença de segurança. A que tinha perdi ontem, após perceber que não existem testes específicos da combinação que estou usando e considerando que, ainda que os ITRN que uso já tenham demonstrado a sua eficácia, existe a possibilidade de ser menos eficaz ou até bem prejudicial, quando associados e por reação sinérgica adversa a um novo ARV, como os casos com o Trimeq evidenciam. Eu confiarei quando vir os resultados do teste clínico sendo realizado agora pela primeira vez, em larga escala e no qual estou participando (agora ciente), de forma algo impositiva pelo governo brasileiro, já que as únicas alternativas que tinha pelo SUS eram 1) iniciar o tratamento com uma combinação não testada antes ou 2) não iniciar o tratamento.

            Enfim… Confesso-me surpreso, pois acreditava que a metodologia de testes clínicos fosse mais exata e – sobretudo – estava convencido que estava tomando uma combinação previamente testada.

            Seja o que a vida quiser… e que ela queira que dê certo!
            Ótimo dia para si também e obrigado pela atenção!
            Abraços

            • telma diz

              Desculpe mais gostaria de mencionar um detalhe no seu comentario esta provado que dolutegravir tem a barreira genetica maior que raltegravir só que raltegravir tem 10 anos de segurança renal enquanto dolutegravir é um medicamento novo que precisa provar seus efeitos colaterais a longo prazo . Fiz a tal mudança e notei bem os efeitos colaterais que em mim foram terriveis nao sei se foi pelo fato de tomar antiretrovirais a anos , mais prefiro a segurança de ter meus rins funcionando e nao ter pensamentos suicidas do que uma suposta barreira genetica mais alta , todos aqui sabemos que essa barreira genetica nao tem relevancia quando nao se toma os medicamentos e doses no horario certo e esquece de toma-los.Quanto ao preço o raltegravir é mais barato do que o dolutegravir apenas o governo ganhou desconto do laboratorio produtor do dolutegravir ,so que a patente do raltegravir vai até 2019 ou 2020 defendo raltegravir no meu caso pela falta de efeitos colaterais que me causaram .Mais isso pode nao se aplicar a todos .

              • Tiago diz

                Telma, o que falou, sobre o Dolutegravir necessitar de se provar no longo prazo, faz todo o sentido. Naturalmente, e na ausência de provas em contrário, necessitar se provar não significa ser pior e sabemos que pode variar de pessoa para pessoa.

                Vale relembrar que, como o artigo ligado no texto explica, o DTG e o Abacavir compartilham uma via de metabolização hepática similar e ficou demonstrado que nesta combinação a taxa de descontinuação foi 2x mais alta, sugerindo uma interação potencialmente mais adversa. Sobre a combinação SUS, fica a incógnita.

                No recorte que colei do artigo noutro comentário, é mencionado também que, quando combinado a um inibidor de protease, as taxas são ainda mais baixas, quase 10x se entendi correto. Desconheço a combinação usada, talvez Ritonavir. Tem um estudo nos EUA para testar a terapia Ritonavir + Darunavir + Dolutegravir, mas ainda está recrutando, então vai demorar até publicarem resultados.

                Agora estamos testando uma nova combinação no SUS e veremos no que vai dar… A sensação que tenho, pessoalmente, é que – como todo o ARV – o DTG terá pontos fortes e fracos e se os meus pontos fracos casarem com os do DTG, danou-se. Senão, tranquilo.

                E.g. Estes dias, lendo sobre os colaterais mais comuns do DTG, um dos que mais surgiu foi insónias. Me perguntei se uma ou outra noite de sono mais irrequieto que tive, nada de mais mas aconteceram, pode ter sido efeito do DTG, mas ando tão corrido e tão cheio de coisas na cabeça que não dá para colocar a responsabilidade na medicação. No entanto, eu tenho sono bem pesado. Então, talvez alguém que tenha tendência para um sono mais leve, sinta mais esse efeito colateral. Não sei…

                Enfim, o for para ser será. Agora é ficar vigilante, cuidar da saúde, tomar a medicação direito e fazer exames regulares, pelo particular que seja. Levando em conta que a combinação é nova, tentarei fazê-los a cada 3 meses.

  14. SAR diz

    Ok Tiago,

    Agora entendi sua colocação. Suas questões, realmente, serão respondidas no decorrer da utilização dessa nova terapia.

  15. Augusto diz

    Faço uso do Dolutegravir há 6 meses. Não tive nada. Nem dor de cabeça. Estou muito bem.

  16. Famoso Anônimo diz

    E aí galera, por favor alguém pode me responder essa dúvida?
    Ainda vou começar a tomar os remédios, fiquei sabendo recente e tal…acontece que as vezes dependendo do dia, quando vou usar camisinha eu perco um pouco de ereção, aí eu usava as vezes o citrato de sildenafila pra dar uma ajudada e ficava bacana… bem queria saber se ainda posso tomar o citrato de sildenafila de vez em quando, mesmo tomando esses remédios?

    • Luiz Carlos diz

      Famoso Anônimo,

      Você deve sempre consultar seu médico quanto a interações medicamentosas. O próprio infecto pode lhe orientar sobre isto. Como você ainda vai iniciar o tratamento, não havendo coinfecção, o esquema que você irá utilizar é o DTG + TDF + 3TC. Neste esquema não há interação com a sildenafila, já em esquemas que usam o Ritonavir como booster há interação e a dose da sildenafila deve ser reduzida.

      Abraços

  17. Fabio diz

    Ola pessoal, tomo o Triumeq desde fevereiro e ate agora nada, fiquei um pouco depre, mas foi por temas profissionais e pessoais e nao acredito que o remedio, no meu caso, tenha algo com isso. Abcs a todos

  18. telma diz

    Fiz uso do dolutegravir por 2 meses me sentia muito mal , agitação, pensamentos sombrios, tive tambem insonia sentia dores na bexiga , voltei a tomar o raltegravir e tudo passou mais me deixou uma sequela que foi sindrome do panico que ja estou tratando

  19. telma diz

    Baseando- me nos meus 28 anos de soropositividade , nao existe medicamento perfeito pra um que seja perfeito pra outra pessoa , deus criou nossos corpos e dna e almas sendo unicos , quando vc suporta um esquema de antiretroviral que leve sua carga viral a indetectavel continue com ele quanto puder . O que pode ser otimo pra vc pode ser pessimo pra outra pessoa . Infelizmente é assim que funciona , remedios sao compostos por varios ingredientes alem do principio ativo , seu corpo pode nao aceitar muito bem esses compostos que formam o comprimido. Quanto a questao de ser cobaia eu mesma ja fui quando tomava varios comprimidos de saquinavir azt e lamivudina .Tome seus remedios e confie em Deus que ele olha por vc a todo momento .Um abraço a todos

    • Novo Lucas diz

      Olá, Telma, você teve algum problema de saúde nesses 28 anos, relacionado à toxicidade dos remédios? E teve algum problema cognitivo que ache ser relacionado ao remédio – não conseguir estudar ou trabalhar direito, não ter concentração, ter episódios de perda de memória recente, etc.?

      • telma diz

        Quando comecei a tomar antiretrovirais tomava azt 6 por dia depois azt e ddi tive anemia , depois veio o coquetel completo tomava saquinavir que é na verdade invirase um dos primeiros inibidores de protease num pote praticamente gigantesco , tive toxidades sim tomando mais de 20 comprimidos por dia nao teria como nao ter .O que tive mais foram erupçoes cutaneas ate hoje tenho isso as vezes , mais eu notei que os remedios mais novos pelo efeitos colaterias que eu sinto eles penetram mais no sistema nervoso isso pode ser bom pq sabe-se que o virus se esconde lá dentro e pode ser ruim pq causam problemas psicologicos , perda de memoria e concentração , mais nada comparados aos efeitos dos antigos antiretrovirais. Espero que tenha le ajuda e que viva feliz muitos anos

        • Novo Lucas diz

          Compreendi, obrigado pela resposta. Mas e esses efeitos correlatos ao sistema nervoso – perda de memória, falta de concentração etc., vc chegou a ter? E vc tem se sentido bem com os ARV’s novos? Acho mais importante o depoimento das pessoas portadoras há muito tempo do que aqueles dos recém-diagnosticados, uma vez que todos aqui devem querer saber como vão estar daqui 20-40 anos… E se uma pessoa “das antigas” está bem, é muito motivante pra saber que é possível contornar tudo isso!

          • Tiago diz

            Sem dúvida Lucas, os relatos de quem convive com o vírus há anos e consegue levar sua vida bem animam muito, ainda mais levando em conta que nos últimos anos a toxicidade dos medicamentos reduziu IMENSO e que quem inicia tratamento hoje irá ter melhores chances ainda de viver bem uma vida longa. Hoje temos muito mais acesso a imensa informação sobre cuidados de saúde. Tem muita desinformação também, é verdade, mas é uma questão de estudar e filtrar.

            • Novo Lucas diz

              Sim, Tiago, mas mesmo com tudo isso, eu ainda me sinto muito mal, sinto que eu não conseguirei alcançar meus sonhos, que vou ficar confuso das ideias, que vou ficar sozinho, mesmo com todos os relatos positivos, pra mim ainda é muito difícil lidar com a ideia de perpetuidade do HIV, eu sei que muitos não concordarão comigo e podem até me criticar, mas eu vejo o HIV como uma “morte em vida” pois pelo que vejo, os altos e baixos são muitos, e isso prejudica demais a vida da pessoa, tenha sido ela diagnosticada hoje ou há anos… Fico muito triste, sobretudo por aqueles, como eu, que podem ter se contaminado por um pequeno deslize aliado a uma grande falta de sorte – os que se contaminam com pouquíssimas exposições – e acabam tendo toda a sua vida transformada por algo que poderia ter sido facilmente evitado. É muito triste, estou muito triste, não sei o que vai ser de mim no futuro. Fico me alimentando de comentários positivos desse blog mas logo sinto-me extremamente mal de novo, arrependido, ressentido, desanimado. Se alguém quiser falar comigo no Kik: novolucas

              • Tiago diz

                Lucas, te entendo perfeitamente, mas posso sugerir uma coisa? Depois leia um comentário que escrevi hoje um pouco mais abaixo, em resposta ao Rômulo.

                Não quero parecer que estou minimizando a m**** que é termos contraído este maldito vírus, mas o ponto é que realmente existem situações bem mais graves ou pelo menos bem mais difíceis de lidar no dia-a-dia e a dura realidade da vida é que ninguém sabe como será seu futuro. Então, vale sempre colocar as coisas um pouco em perspectiva, não minimizando mais do que devemos, porque afinal de contas é uma condição cruel, por todos os riscos, medos, estigmas e preconceitos associados, mas também não deixando que a nossa mente faça disso algo maior do que realmente é. Riscos, medos, estigmas e preconceitos existiam antes e já nos ameaçavam, apenas não estávamos tão sensíveis e atentos a eles.

                Publiquei não faz muito tempo aqui um comentário falando em como estes dias uma moça foi atropelada na calçada, em frente à minha casa, por um senhor que enfartou e perdeu o controle do carro. Ele faleceu na hora, ela não sei, mas ficou em muito mau estado. Ela havia acabado de sair de uma aula de pilates.

                Ontem mesmo vi um rapaz fazer uma publicação no LinkedIn implorando por um emprego, nem que fosse varrendo o chão, pois tinha acabado de gastar seus últimos R$200 em compras de supermercado, tendo uma filha para cuidar. Imagine o desespero de um pai, sem saber se amanhã conseguirá dar comida, roupa e teto a uma filha.

                Esta semana, dois colegas de trabalho tiveram suas esposas diagnosticadas uma com insuficiência cardíaca, tendo que enfrentar uma cirurgia, outra com um linfoma. Outra colega viu um filho adolescente tentar suicídio. O filho adolescente da senhora que faz limpeza na minha casa foi diagnosticado com depressão.

                Uma amiga minha, 10 anos mais nova que eu, foi diagnosticada com diabetes, 15 dias depois do meu diagnostico, uma doença crônica como a nossa, igualmente mortal se não for controlada, e cujo controle exige no dia-a-dia uma atenção ainda maior que a nossa, já que açúcar está presente em muitas coisas que comemos e bebemos.

                Já nós, aderindo ao tratamento, tendo cuidados básicos de saúde e – claro – alguma sorte também, já que não escolhemos a nossa genética, podemos passar anos sem sermos acometidos por qualquer doença, tempo mais que suficiente para realizarmos muitos projetos de vida.

                O autor deste blog, também positivo, vai agora ser pai.

                Enfim… Iremos passar por altos e baixos? Claro que sim, mas isso é a vida. Nestas horas lembro de um comediante português que dizia “A vida é como os interruptores, ora para cima, ora para baixo.” Filosofia barata, mas real.

                A nossa vida será mais curta do que poderia ser? Talvez, mas a vida já é curta demais mesmo. Sinceramente, meu sentimento face a uma morte potencialmente prematura é que mais ano ou menos ano de velhice, com todas as dificuldades que daí podem advir, fará assim tanta diferença?

                Ficaremos sozinhos? Talvez, assim como muitos soronegativos ficam. Sabe porquê? Porque muitas vezes não sabemos escolher nossas companhias e nos envolvemos com pessoas que, à mínima dificuldade, fazem as malas e vão embora. Quando fui diagnosticado, havia me envolvido com alguém haviam já alguns meses. Dois anos antes havia passado por uma depressão profunda, após um subito e inesperado término de relacionamento de 12 anos, sendo que deixei o meu país e família para podermos ficar juntos. Demorei ano e meio para ultrapassar a depressão é voltar a me abrir à possibilidade de me envolver com alguém. Quando o fiz, num exame de rotina, saiu o o diagnóstico. Quando contei ao meu novo parceiro, ele me disse “estamos juntos”, para nunca mais aparecer. Lamento? Sim, mas sobretudo por – mais uma vez – ter escolhido tão mal com quem me envolvi. Não por julgamento dele, mas simplesmente porque não quero me envolver com alguém que só está comigo nos bons momentos.

                Enfim… Me estendi um monte… O que quero dizer com tudo isto? A vida está difícil para todos, mas uma coisa garanto, ficará bem mais se baixarmos os braços e desistirmos de viver agora, muito antes da nossa hora. Aí sim, será um triste desperdício de vida.

                Cada dia para baixo, é um dia de vitória para o HIV e eu não vou me render a ele. Pode até me destruir e me matar um dia, mas escravo dele não serei.

                • Novo Lucas diz

                  Eu li seus comentários, na verdade já li os comentários desse blog todo, haha. Realmente, não tem muita saída, é levantar a cabeça e seguir em frente. Obrigado pelas palavras amigas! Temos que lutar e não desistir! Vou tentar seguir em frente do jeito que der…

                  • Tiago diz

                    Haha… Tá pior que eu então, que passei os primeiros dias devorando informações… mas todos os comentários? Menos rsrsrs

                    Força aí e – precisando – estamos aqui.
                    Kik: FigTreeField

                    Abraços

                  • telma diz

                    Novo luquinha desculpa a intimidade nao se sinta triste com falta de perspectiva , nao se culpe de ter pego o hiv por descuido, pense nas crianças que ainda sao contaminadas na hora do parto que nao tiveram opçao . Quanto a seu futuro de soropositividade será brilhante pensa que vc nao possue virus algum pense que vc esta tomando vitaminas para se fortalecer , pelo que parece a sua mente nao aceitou ainda o que a vida le pregou . ACEITE MEU CONSELHO E FAÇA TUDO QUE VC FARIA SE NAO FOCE SOROPOSITIVO .TOME SUAS VITAMINAS TODOS OS DIAS E CONTINUE SEUS PLANOS FUTUROS , SE TIVER EFEITOS COLATERAIS TENTE AMENIZA-LOS ACONSELHO VC A FAZER TERAPIAS MENTAIS .

              • Soares diz

                Oi Novo Lucas

                Me identifico mto com o que vc tá sentindo, pois fiquei sabendo do meu diagnóstico tem 1 mês e 2 dias, pelo o que leio, no início todo mundo passa por isso mesmo, mas depois até esquecem.
                Tenho um amigo, que inclusive foi a única pessoa que contei até agora, ele está a 8 anos com hiv, chegou a ficar 2 anos sem tomar a TARV por medo, pois lia as coisas e o assustaram (isso a 8 anos, que acredito que os remédios eram até mais tóxicos), mas aí ele começou a ficar doente e iniciou os medicamentos.
                Hoje ele está a 6 anos indetectável, diz que só lembra de hiv pra tomar o remédio, que vive normal, vc olha pra ele e nem parece que tem nada, me mandou uma foto dele ontem com o novo namorado, e tá muito feliz..isso me motivou muito, pois ainda tá mto recente e vivo tendo meus altos e baixos tb… nós vamos ficar bem, vamos ser otimistas, tenho fé que esse tratamento injetável que citaram aqui vai sair mais pra frente, praticamente sem toxidade e efeitos colaterais, aí não teremos que nos preocupar tanto.
                Mas até lá enquanto tiver que tomar esses remédios todos os dias ainda, vamos nos cuidar, alimentação de 3 em 3 horas (alimentos saudáveis), procurar fazer exercícios físicos, nem que seja uma caminhada, enfim… quem sabe quando menos esperarmos, até o que a gente não acredita muito aconteça, a cura, amém.
                Abraços!

              • AnonimoFer diz

                Olá blz ???

                Hoje estava tomando café e ví um casal, o garoto aparentava a minha idade, numa cadeira de rodas.

                Pedia tudo a namorada, algumas limitações óbvias para um cadeirante, sem contar a dificuldade de se mover pelo saguão do hotel e se servir por conta de falta de adaptações..

                Não quero ficar comparando a cruz que Deus deu para cada um carregar, mas penso que ainda podemos agradecer por levantar, andar, falar e enxergar. Tudo bem que cada dor tem um peso diferente, mas ainda sim, as limitações de quem tem HIV, assim como eu não são maiores que de outros casos.

                Nossa luta é conosco mesmo, adquirimos o vírus por falta de cuidado, já foi… tem crianças que adquirem no parto.. e hoje que tomam remédios a vida toda, não metade da vida como nós…

                O negócio é tentarmos colocar a cabeça no lugar, tomarmos o remédio como se fosse nossas vitaminas e esquecer o vírus… e ter fé na vida.

                Abs á todos e espero que isso sirva de exemplo para mim mesmo.

                ALOHA !!!!!!

          • telma diz

            Respondendo ao seu comentario os novos arvs nao se comparam aos antigos em nada pela quantidade de pilulas pela toxidade e pelo efeitos colaterais gastroentestinais e dermatologicos .Quando fui diagnosticada nao davam remedio algum mandavam embora e diziam que iriam tratar as infecçoes quando surgirem seriam tratadas com antibioticos . Eu depois de chorar muito tive uma sensação anestesica que nao era comigo , nao sei se foi deus me ajudando ou minha propria mente me protegendo , quando eu comecei com azt tive varios efeitos nao tinha vontade mais de viver pq eram 6 comprimidos davam caimbras nas minhas pernas depois eu fui pra azt e ddi passei por todos os remedios toxicos do passado nelfinavir e indinavir , tive perda de memoria e falta de concentração sim, mais pra vc ver estou viva ate hoje .Quanto a vc se preocupar com seu futuro acho uma bobagem pelo nivel que esta os estudos sobre o virus hiv em breve tomara remedios injetaveis com menos efeitos colaterais do que os que tem hoje . Só nao esquece que a sua mente trabalha com os remedios .

            • Novo Lucas diz

              Obrigado pela resposta, Telma, vou manter a esperança e seguir em frente. Se muitos de vocês que sofreram estão aí até hoje, eu tenho que lutar também!

  20. Joao diz

    Boa noite a todos. Alguém sabe se o SUS pretende incorpar o DTG a uma pilula unica? Alguma noticia nesse sentido? Nesse caso seria com a lamivudina e o tenofir?

    • Luiz Carlos diz

      Mês passado dois laboratórios obtiveram licença para produzir DTG+TDF+3TC em DFC (dose fixa combinada), e ainda estão em processo inicial de aprovação. Os laboratórios e seus respectivos pedidos são: Aurobindo Pharma Ltd (NDA 209618) e Mylan laboratories Ltd (NDA 209670). O Mylan já é bem conhecido por fornecer diversos outros medicamentos que compõem a TARV no Brasil.

      Considerando o processo de fabricação, incorporação, etc, eu diria que caso isto realmente venha a acontecer, será para 2019.

      Abraços

  21. SP+- diz

    Pessoal, uma dúvida que talvez aqui já tenha tido e possa ajudar.

    Sobre os direitos de soro+

    Tem direito aquele programa para compra de automóvel com de isenção de IPI, IOF, ICMS e IPVA?

    Obrigado e me desculpem o comentário meio off-topic mas acho que estou no lugae certo né.

    S2

    • Tiago diz

      SP+-, tudo bem?

      Fiquei curioso e fui ver. Muitos sites dizendo que sim, porém… Olha o que diz a lei:

      “”Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por:

      ……………………………………………….

      IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal;

      V – (VETADO)

      § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções.”
      Lei 8989/95: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8989.htm

      Ou seja, a menos que por conta do HIV se desenvolva algum problema que comprometa a mobilidade, parece-me que não…

      Se for o caso, prefiro pagar imposto.

  22. Maycon diz

    Na verdade, existe um método de presumir se a pessoa terá algum problema com ARV’s tomados, de acordo com a “genética” da pessoa em questão, mas este não é feito no brasil 🙂

    • telma diz

      Nao existe esse metodo que vc descreve existe metodo para saber se vc pode tomar abacavir Hipersensibilidade ao Abacavir – HLA B*5701 . Ninguem pode prever a reação do corpo de alguem a determinada substancia. Qualquer remedio sendo para hiv ou nao pode causar uma reação alergica exagerada no seu corpo levando vc a morte . Não estou querendo assusta-lo mais a realidade é essa

    • Tiago diz

      Maycon, pode esclarecer a que método se refere?

      Porque, se é a genotipagem do DNA do vírus e de suas resistências a ARVs, esse exame é feito no Brasil sim. Porém é caro e não é liberado pelo SUS e nem mesmo por alguns convénios privados, exceto em caso de falha no tratamento atual ou em casos de doenças que requerem medicação que possam interagir com os ARVs.

      Talvez o que quis dizer é que na Europa, por exemplo, já se realiza esse exame em recém-diagnosticados para que o terapeuta possa selecionar o tratamento mais indicado para o vírus do paciente. Aqui, se quiser fazer antes, tem de fazer particular e pagar em torno de 2K…

      Agora, que eu saiba pelo menos, esse exame não vai identificar possíveis efeitos colaterais, que é o assunto em pauta, apenas resistências do vírus aos diferentes ARVs.

      • telma diz

        O teste de resistência do HIV aos anti-retrovirais pode determinar quais drogas anti-retrovirais podem ser mais ou menos efetivas contra um vírus específico. Existem três principais tipos de testes de resistência às drogas: genotipagem, fenotipagem e fenotipagem Virtual.

        O teste de Genotipagem informa o código genético do vírus para detectar mutações ou diferenças entre o HIV “tipo selvagem” ou “normal”. Baseado no padrão destas mutações, o médico pode predizer a quais drogas um determinado vírus será resistente e para quais ele será suscetível , isto é, quais drogas serão efetivas contra o vírus.

        O teste de Fenotipagem é a medição direta da resistência. É avaliada a habilidade do vírus em crescer na presença de diferentes concentrações de cada uma das drogas disponíveis. Vírus resistentes são capazes de crescer em altas concentrações de drogas. Podemos dizer que a fenotipagem é uma predição quantitativa de resistência e suscetibilidade.

        O teste de Fenotipagem Virtual é a combinação da genotipagem e a predição do fenótipo. Assim, além do médico conhecer o padrão de mutação do vírus,ele possui a leitura quantitativa do grau de resistência ou suscetibilidade do vírus para cada droga. CENTRO DE GENOMAS SP …TODOS PAGOS OU CONSEGUIDOS MEDIANTE A COMPROVAÇAO DE FALHA TERAPEUTICA .

  23. telma diz

    Existe tambem exame de tropismo hiv para saber se vc é r5 ou x4 se vc pode tomar inibidores de CCR5 .Mais o unico metodo de saber se o remedio nao vai te fazer mal e tomando .

  24. Caio PE diz

    Luiz Carlos, outra para você: quem estiver no esquema 2×1 + ATV/r pode utilizar, concomitantemente, Azitromicina e/ou Rocefin 1g? Ou poderá haver interferência (atrapalhar) o esquema de ARV ?

    • Luiz Carlos diz

      Pode sim Caio, inclusive a utilização de ambos é a opção recomendada para tratamento de Clamídia+Gonorréia.

      Abraços

      • Caio PE diz

        NUNCA nos abandone Luiz! Seus conhecimentos são preciosos aqui ! Deus te abençoe sempre !

  25. Rômulo diz

    A única coisa que me deprime hoje em dia é o mercado de trabalho… ta foda, no RJ, arrumar um job sem ser um “escravo” da empresa…

    Fora isso, tomo há 6 meses e não tive nada.

    • Tiago diz

      Pois é Rômulo, o que vejo de gente desesperada, dia após dia, por falta de trabalho e dinheiro, faz-me perceber como existem ‘n’ coisas que nos podem fazer sofrer tanto ou muito, mas muito mais que um diagnóstico positivo.

      Um mês antes do meu diagnóstico, uma das minhas melhores amigas e também colega em projetos, não aguentou a pressão e tirou a própria vida nas vésperas do seu 40° aniversário. Ninguém percebeu o quanto ela sofria, pois ela não deixava transparecer. Ela se lamentava e reclamava, mas sempre acabava fazendo piada. Tinha saúde física, mas perdeu a mental e com isso a vida. Deixou uma companheira para trás, destruída e em condições financeiras muito precárias e que certamente nunca irá se curar 100% da experiência. Terá que conviver para o resto da vida com a memória de não ter percebido o quão grave era a situação, de sua amada não se abrir com ela e de não ter conseguido ajudá-la.

      Este mês, dois meses e meio após o meu diagnóstico, um primo meu, uns 2 ou 3 anos mais velho que eu, bem sucedido e dedicado à família, ao serviço público e à comunidade, perdeu a vida para um câncer, poucos meses depois de ser diagnosticado e meses antes de possivelmente alcançar o seu sonho de vida, que era ser prefeito da sua cidade e mudar a forma de fazer política. Deixou uma filha para trás e uma mãe desolada, que dedicou toda a sua vida ao filho para depois ter de o enterrar.

      São histórias bem tristes e cada vez mais comuns, mas que realmente me fazem perceber o quanto, apesar do meu diagnóstico, eu estou muito, mas muito bem.

  26. Alef diz

    Descobri ontem (15/09/2017), ser soropositivo. De ontem p cá todo os meus projetos de futuro não existem mais, só me restam dúvidas, lagrimas e mais lagrimas.
    Sei que minha vida jamais será como antes e eu nem sabia o quanto era feliz, só me resta o medo.

    • Tiago diz

      Oi Alef,

      Antes de mais, bem-vindo aqui.

      Receber o diagnóstico positivo é um choque, é triste, nos enche de dúvidas e nos joga para baixo, mas não é o fim. Longe disso. Hoje em dia, o tratamento evoluiu tanto que é perfeitamente possível levar uma vida bem normal, apenas exigindo 2 comprimidos a cada 24h e mais cuidados e visitas ao médico, que na verdade são – regra geral – os cuidados que todo o mundo deveria ter com a sua própria saúde.

      Eu comecei o tratamento, que hoje são dois comprimidos a cada 24h, há mês e meio e não senti quaisquer efeitos colaterais. Aqui mesmo, nesta publicação, você pode ler um relato de alguém que ficou indetectável em apenas 2 meses de tratamento. Se não sabe o que é ficar indetectável, significa “vírus sob controle”, em quantidade tão baixa no sangue que nem os exames detectam mais. Ficando indetectável, você não transmitirá mais o vírus, e cuidando da sua saúde – descansando bem, se hidratando bem, comendo bem e exercitando – você poderá viver muito mais e melhor do que muitos soronegativos. Este mês perdi um primo da minha idade com câncer. Colocou até o meu diagnóstico noutra perspetiva.

      Fui diagnosticado há 2 meses e meio e já até esqueço da minha sorologia. Estou cuidando da minha saúde ainda mais do que cuidava. Contei a poucas pessoas, mas daquelas a quem contei, só recebi apoio.

      O mais importante agora é ficar tranquilo, buscar respostas para todas as suas dúvidas – e para isso conte comigo e muitos outros aqui sempre dispostos a nos esclarecer – iniciar o tratamento, cuidar da sua saúde e seguir em frente.

      Chore o que tiver que chorar, pergunte o que tiver que perguntar, mas busque ficar calmo e positivo, pois isso também é super-importante para o seu bem-estar e sua saúde e para manter o vírus sob controle.

      Força!

      Se precisar conversar, envie um e-mail para tiago.pdcf@gmail.com

  27. telma diz

    A UNICA APROVAÇÃO DE MEDICAÇÃO EM 2017 PELO FDA ATE AGORA FOI .

    RALTEGRAVIR UMA VEZ POR DIA

    A única nova aprovação de medicamentos contra o HIV desde o relatório do pipeline em julho de 2016 foi para uma formulação diária de raltegravir. [ 1 ]

    Chegando quase dez anos após a aprovação inicial do raltegravir, a nova versão ainda requer uma dose de duas pílulas (2 x 600 mg), mas possui propriedades farmacocinéticas (PK) melhoradas que permitem uma dosagem diária sem consideração aos alimentos, com pico de pico mais baixo concentrações e níveis mais altos, e menor variabilidade inter-paciente.

    A aprovação baseou-se em resultados de 48 semanas do estudo ONCEMRK, de tratamento de fase 3, que a eficácia e segurança semelhantes à formulação original: 89% dos participantes é que cada braço possui carga viral indetectável e respostas semelhantes de CD4. Uma análise atualizada apresentada em Glasgow 2016 também mostrou respostas similares com ambas as formulações. [ 2 ]

    A aprovação regulatória de várias formulações genéricas ao longo do último ano também é importante.

  28. telma diz

    RECOMENDAÇÃO DA CONITEC
    Os membros da CONITEC consideraram que o raltegravir pode ser uma opção
    terapêutica na primeira linha de tratamento das pessoas vivendo com HIV/Aids para os casos
    onde o dolutegravir não possa ser utilizado, a serem definidos em Protocolo Clínico e Diretrizes
    Terapêuticas.
    Pelo exposto, a CONITEC, em sua 54ª reunião ordinária, realizada nos dias 5 e 6 de
    abril, deliberou que o tema fosse submetido à consulta pública com recomendação preliminar
    favorável à incorporação do raltegravir como opção terapêutica da primeira linha de
    tratamento das pessoas vivendo com HIV/Aids, mediante Protocolo Clínico e Diretrizes terapeuticas .

      • Luiz Carlos diz

        O Raltegravir não foi retirado, apenas as pessoas que não possuíam outras infecções foram migradas para o DTG por conta da melhor adesão do DTG, maior barreira genética e menores efeitos adversos.

        O RAL segue recomendado para coinfecção com tuberculose em casos onde o EFZ não é recomendado, como CD4 < 100 células/mm3, presença de mais alguma infecção oportunista, necessidade de internação e/ou tuberculose disseminada.

        Esta recomendação do CONITEC é antiga, a consulta já foi encerrada e a integração do RAL em primeira linha (conforme já era indicado e recomendado na nota informativa 007/2017 do início do ano, que migrou os pacientes em uso do RAL sem coinfecções para o DTG) foi publicada no DOU no início do mês. Nada mais é do que uma ação protocolar para garantir a continuidade do tratamento com RAL para os casos indicados, mencionados acima.

        Abraços

  29. Famoso Anônimo diz

    Oi gente, me tirem uma dúvida por favor… vou começar a tarv de primeira linha de agora, acontece que ás vezes eu gosto de tomar citrato de sildenafila, pra dar uma ajudada, ainda mais quando boto camisinha… queria saber se alguém sabe se interfere com a tarv?

  30. Maycon diz

    Olha! Eu não sei dizer qual teste é este, mas sei que não fazem no Brasil. E também não sei para quantos ARV’s eles funcionam. Quem me informou foi obrei médico há 1 ano atras 🙂

      • Luiz Carlos diz

        Eu peguei o bonde andando e não achei o início da discussão (e são quase 2 da manhã), mas existe sim a possibilidade de se avaliar a resistência/hipersensibilidade há alguns medicamentos através do DNA, e existem testes de DNA relativamente baratos nos EUA. O primeiro mapeamento genético comercial com preços atrativos que lembro ter visto é o 23andMe.

        Com o resultado dele você pode, por exemplo, verificar a existência do alelo HLA B*5701 para verificar se há hipersensibilidade ao Abacavir, ou ainda a mutação CCR5 delta 32, que previne a infecção pelo HIV (indivíduos que possuem a mutação de deleção dos 32 pares de bases nitrogenadas do gene CCR5 não podem ser infectados, pois a proteína gp 120 do vírus não consegue se ligar ao linfócito – mas dependendo da cepa do vírus ele pode se ligar ao co-receptor CXCR4 ao invés do CCR5).

        O problema destes mapeamentos genéticos é que, além de haver ainda muito o que descobrir em cadeias genéticas, é um tanto quanto “não ético” pelos padrões dos países que executam estes testes informarem resultados práticos, como a certeza de uma mutação que pode causar algum tipo de câncer, etc. Não vou entrar no mérito dessa discussão porque seria algo muito longo para discutir, e muito distante de nós no momento.

        Ainda assim, sempre recomendo a quem tiver a oportunidade de fazer seu mapeamento genético que o faça. Infelizmente não creio que há serviço como o 23andMe disponível no Brasil no momento.

        Abraços!

  31. Jaims Ribeiro diz

    Sou psicólogo e trabalho com pessoas vivendo com HIV/AIDS há muitos anos. Está semana, uma mãe mencionou o “jovemsoropositivo.com” para mim e me perguntou se eu conhecia. “Claro!”, respondi. E, desta vez, achei que deveria deixar um comentário aqui.
    Todos sabemos que ainda existe muito preconceito e que muita gente não consegue revelar a condição sorológica nem para a própria família. Contudo, também existem inúmeras pessoas que não são soropositivas e que não discriminam e, pelo contrário, abraçaram a causa e a defendem bravamente.
    Tenho 45 anos e não sou soropositivo. Tento ser, diariamente, um instrumento de cuidado e atenção a quem vive com HIV/AIDS, e um defensor da prevenção.
    Abraços a todos. E parabéns pelo blog.

  32. Caio PE diz

    Luiz Carlos, essa é para você, de novo: tenho uma amiga que se expôs sexualmente (anal e vaginal receptivo). Aconselhei a ela a buscar a PEP. Ela foi, começou a usar a mesma combinação que nós usamos (vim em um cometário que você usava a mesma da profilaxia). Mas ela veio me perguntar qual a eficácia real da profilaxia. Se realmente funcionava. Ela iniciou com 4h de exposição e eu não soube responder. O enfermeiro que a atendeu disse que a eficácia era quase total e o tempo de busca foi muito bom. Mas disse que a exposição dela foi de alto risco (e realmente foi mesmo). O que você pode dizer sobre isso?

    • Luiz Carlos diz

      A PEP não é 100% eficiente, mas dá pra dizer que sua eficiência beira os 99%. O problema é que quanto mais tempo se leva para tomar a PEP, maior o risco de soroconversão. A PEP deve ser administrada de 2 a 72 horas após a exposição de risco, logo o tempo de resposta dela foi muito bom. O importante agora é ela tomar a PEP conforme lhe foi indicada, sem se preocupar com isto.

      Abraços!

      • Novo Lucas diz

        Olá, Luiz Carlos, quero uma opinião sua: você acredita que os portadores de HIV recém-diagnosticados sofrerão com problemas neurológicos, como muitos dos que tem muitos anos de diagnóstico? Ou você acha que isso não acontecerá ou, então, acontecerá com menor frequência?

        • Luiz Carlos diz

          Depende muito da TARV, Lucas. Cada país possui suas terapias, alguns países oferecem terapias mais avançadas, outros mais antigas. Alguns países possuem terapias grátis, outros limitam-as com custos muito altos.

          Em geral, a tendência é que cada vez mais os efeitos adversos das terapias sejam mais brandos e atinjam uma população cada vez menor.

          Sem levar predisposições em questão, já é notório o avanço não só neurológico, mas também todo o avanço da redução da toxicidade dos medicamentos que temos hoje se compararmos com o que tínhamos há 3, 5, 10, 20 anos atrás.

          Abraços

  33. Eu estou usando o 3×1 (lamivudina, tenofovir e efavirens) desde março de 2016 e acho que ele esta me causando algum efeito psicológico.
    Eu mesmo antes do HIV ja fiz uso de antidepressivos por curtos períodos (eu nao me adaptei a nenhum), mas agora, depois de todo esse tempo usando o 3×1, percebo que esses efeitos tem piorado. Alem da tristeza e angustia que me persegue, estou tendo também muita fadiga, falta de interesse em fazer as coisas e etc…
    Lembro que quando fui diagnosticado a minha meta era tornar-me indetectável para voltar a ter minha vida normal, mas muita coisa mudou alem do HIV em minha vida. Estou solteiro, passei por problemas financeiros e etc… Acho que isso meio que me traumatizou de alguma forma!
    Estou com medo de trocar a medicação e vir a ter outros efeitos!
    Mais alguém teve problemas com o 3×1?
    Pra falar a verdade nem sei se é realmente ele q está me causando problemas, as vezes pode ser a vida mesmo…

  34. Alef diz

    Só uma dúvida, se eu optar em não fazer o tratamento ( claro, abrindo mão da minha vida sexual para não infectar alguém), a minha decisão vai ser respeitada pelos profissionais?

    • Caio PE diz

      Basta você não buscar uma unidade de saúde. Mas, particularmente falando (opinião pessoal): loucura total ! Kamizaki

    • maxwell diz

      Seria uma decisão sua mas sim (eles tem a obrigação de aceitar sua decisão). Usar a medicação o quanto antes é uma RECOMENDAÇÃO e não uma OBRIGAÇÃO. Há dois anos pra trás só se recomendava a tomar somente com o cd4 abaixo de 200 (se não me engano) e só faziam periodicamente os exames para acompanhar essa taxa. Pelo sus vc pode esquecer que eles não estão mais fazendo esse exame periodicamente pelo valor despendido. Se vc tiver plano há a possibilidade de acompanhar. Sinceramente eu indicaria vc a começar a tomar e colocar esse vírus em coma. Não tenha receio de possíveis efeitos colaterais dos remédios mas sim da tormenta que vc vai ter ao longo do tempo por saber que tem um vírus se multiplicando dia a dia em seu organismo. Se torne indetectável com a medicação e bola pra frente sempre.

    • PositiveSoul diz

      Alef, existem tantas pessoas acometidas com doenças intratáveis e você pensando na possibilidade de rejeitar um tratamento eficaz que pode fazer com que você viva tanto quanto um indivíduo não reagente? Confesso que já pensei em suicídio quando o laboratório me ligou dizendo para eu pegar pessoalmente o resultado, mas tudo passou quando eu peguei aquele papel. Hoje mudei minha vida completamente, tentando sempre ver isso como uma segunda chance e um tapa da vida dizendo “vá viver, mas viva melhor” – larguei vícios, mudei a alimentação e tento ver positividade até como forma de enfrentar a depressão que sempre me assolou. No mais, te desejo paz e, caso queira conversar, aqui está meu e-mail: positivesoulbra@gmail.com.

        • Tiago diz

          Alef,

          “Não tenha receio de possíveis efeitos colaterais dos remédios mas sim da tormenta que vc vai ter ao longo do tempo por saber que tem um vírus se multiplicando dia a dia em seu organismo. Se torne indetectável com a medicação e bola pra frente sempre.”

          O que o maxwell falou foi um dos principais motivos para eu correr atrás do tratamento, apesar do meu CD4 estar bom. Só a tranquilidade de saber que posso controlar o vírus e saber que não irei transmitir nem ele se multiplicar e causar ainda mais danos…

          Força.

      • Thaís diz

        Olá!! Sou jornalista e hoje sabemos de vários trabalhos científicos sobre a não contaminação em relações de sorodiscordantes, com carga viral indetectável.
        Estou com uma matéria sobre viver bem com HIV e em busca de casais – sorodiscordantes -, para participar. Acreditamos que quanto mais falamos sobre o tema e levamos informações, menor o preconceito.
        Quem topar participar, pode me escrever. Agradeço também indicações. Meu contato:
        Thaís: thaisjo8383@gmail.com
        Explico melhor por email.
        Abs

    • SAR diz

      Olá Alef,

      Caro colega, li seu depoimento e fiquei um tanto quanto incomodado com a possibilidade de você recusar o tratamento. É um direito seu, é claro, porém ficaria, imensamente, feliz se, em breve, você viesse até aqui compartilhar que pensou melhor e decidiu pelo tratamento. Meu caro, lembre-se que hoje estamos vivendo num momento muito abençoado apesar desse obstáculo que nos assola. Temos diversas opções de tratamento ao nosso dispor. Sabemos que nem sempre foi assim, é só pesquisar e, então, perceberás que a alguns anos atrás muitas pessoas não tiveram a mesma sorte que hoje estamos tendo. Acredito que naquele momento muitos lamentaram por não ter uma opção senão a que todos conhecemos. Viva sua vida, lute por ela, não se entregue, pois não seremos eternos, o dia de amanhã pertence a Deus. Como já postei aqui neste blog há cerca de um ano atrás, meu diagnóstico, foi duro, dolorido, chorei muito, pensava exatamente como você e, certamente, como a maioria. Mas no decorrer desse primeiro ano pós diagnóstico, meus pensamentos mudaram, meu estilo de vida mudou, estou confiante, estou feliz e muito bem. Não deixe o medo tomar conta de você. Acredito que sejas um cara que pode colocar esse intruso para dormir e não te incomodar enquanto se trata. Faça isso, cuide de você, cuide dos seus amados. Em breve, estará aqui compartilhando o quanto foi bom ter optado pela vida com saúde e fazendo o que estou fazendo por você hoje. Encorajando vidas. Acredito que você pode e você sabe também que pode. Forte abraço e estamos sempre aqui para nos ajudarmos.

  35. Maycon diz

    A pessoa descurti seu comentário, mesmo você mostrando clínicas que realizam os análises relacionados a Farmacogenética. Difícil esperar que a massa entenda e aceite os estudos que expõem os soropositivos indetectáveis como não transmissores, se os próprios portadores possuem resistência ao conhecimento científico :)! Não quis induzir ninguém ao erro, apenas fiz uma contribuição que pode ser investigada pelos demais. Inclusive, JS, seria uma boa publicação sobre essas técnicas, seja ela endossando a confiança aos análises ou a criticando. #axé

    • Tiago diz

      Maycon, ignore.
      Muito provavelmente, trata-se de alguém muito infeliz, descurtindo tudo que vê pela frente.
      Abraços

    • Tiago diz

      Mas rapaz… É muita falta de humor.
      Entrega seu coração pra Jesus, Buda, Selena Gomez, vizinho do lado… Sei lá, mas não fica assim não, rondando que nem alma penada, desperdiçando sua saúde e tempo de vida, descurtindo comentários quando podia estar pegando um sol ou uma lua. Ninguém vem aqui para ganhar likes, cara. Vem para se informar. Vai ser feliz.

  36. ODuda diz

    Acompanho blog desde que descobri minha sorologia em março. Demorei um pouco a aceitar e comecei o tratamento uns 2 meses depois. Só comecei depois de melhorar o psicológico (que é foda no começo).. E lá se vão 3 meses e meio. Nessa próxima semana vou fazer um novo teste de CV e vamos ver como tá… O único efeito colateral é as vezes uns micro vermelhidão nas bochechas… E isso salta quando bebo muito ou algo parecido [mas que se contorna rapidamente]. Aliás, é o grande arrependimento… Não ter conseguido diminuir álcool e cigarro… Enfim, já quis escrever uns trocentos textos aqui, mas no mais queria agradecer. É uma bela parceria para quem ainda não consegue falar tão abertamente com as pessoas sobre (4 sabem sobre mim… 1 delas sumiu, após eu contar. E pras outras sempre pedi que o assunto não virasse pauta rs) e também para um conhecimento maior sobre!!!

    Grande abraço a todos!!! =)

  37. Felipe diz

    Pelo menos uma vez a cada 15 dias leio um tópico completo, inclusive os comentários. Já estava achando estranho a quatidade de “descurtidas” em comentários excelentes até o Tiago pedir para esse louco entregar o coração para quem quer que seja…não resisti e dei uma boa gargalhada.
    Ademais, desejo força a todos nós, em especial para àqueles que descobriram a sua nova sorologia, pois iniciam uma nova viagem de cujo retorno seremos diferentes. Não vos deixem abalar pela mesquinharia e insignificância daqueles que apenas querem fazer o mal.
    Esses dias não ando bem, mas estou me esforçando para melhorar, pois sei que amanhã será um dia diferente para que possa renovar as força e esperança de querer ser uma pessoa melhor.
    Grande abraço!

    • Tiago diz

      Força Felipe! E quanto às almas penadas que parecem assombrar o blog com o intuito de atormentar, só tenho a dizer: antes ser soropositivo que soronegativo covarde, ignorante e mesquinho!

  38. telma diz

    A Competição entre dolutegravir e bictegravir pode favorecer os genericos e o acesso a eles

    Gilead envia nova droga à US Food and Drug Administration para Combinação de Dose Fixa de Bictegravir, Emtricitabina e Tenofovir Alafenamida para Tratamento de HIV

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    – O regime investigatório de tabuleiro único pode ter potencial para o tratamento anti-HIV de terapia tripla para um Amplo intervalo de Pacientes –

    FOSTER CITY, Califórnia.- (BUSINESS WIRE) – Jun. 12, 2017– Gilead Sciences, Inc. (NASDAQ: GILD) anunciou hoje que enviou um novo pedido de droga (NDA) ao US Food and Drug Administration (FDA) para um regime de comprimido único, uma vez por dia, contendo bictegravir (50 mg) (BIC), um novo inibidor de transferência de cadeia de integrase em investigação e emtricitabina / tenofovir alafenamida (200/25 mg) (FTC / TAF) para o tratamento do HIV -1 infecção em adultos. BIC / FTC / TAF demonstrou altas taxas de supressão virológica e nenhuma resistência emergente ao tratamento ao longo de 48 semanas em ensaios clínicos de Fase 3 entre pacientes adultos sem tratamento e entre pacientes adultos virológicos suprimidos que trocaram regimes.

    “Pretendemos simplificar o gerenciamento do HIV para uma ampla gama de pacientes com este regime de comprimidos únicos que combina a potência de um inibidor de integrase, bictegravir e o perfil de segurança demonstrado a longo prazo do backbone FTC / TAF”, afirmou. Norbert Bischofberger, PhD, Vice-Presidente Executivo de Pesquisa e Desenvolvimento e Diretor de Direção, Gilead Sciences. “Este arquivamento regulatório é uma demonstração do compromisso contínuo da Gilead de apresentar inovações de tratamento que tenham o potencial de atender às necessidades dos pacientes e dos médicos”.

    A NDA para BIC / FTC / TAF é suportada por dados de quatro estudos de Fase 3, nos quais o regime atingiu seu principal objetivo de não inferioridade. Três dos estudos em andamento são projetados para explorar a eficácia e segurança de BIC / FTC / TAF em comparação com regimes de terapia tripla contendo dolutegravir (50mg) entre pacientes não tratados e entre pacientes virologicamente suprimidos (níveis de RNA de HIV-1 <50 cópias / mL) comutação de um regime anti-retroviral existente com dolutegravir. Um quarto estudo em andamento em pacientes virologicamente suprimidos compara a mudança para BIC / FTC / TAF versus restante em um regime supressivo de dois inibidores de transcriptase reversa de nucleósidos / nucleotídeos e um inibidor de protease reforçado.

    Gilead planeja enviar um pedido de autorização de comercialização para BIC / FTC / TAF no União Européia no terceiro trimestre de 2017.

    Bictegravir em combinação com FTC / TAF como um regime de comprimido único é um tratamento de investigação que não foi determinado como seguro ou eficaz e não é aprovado em qualquer lugar globalmente. Pelos estudos analisados bictegravir tem menos efeitos depressivos que dolutegravir .

  39. Renato diz

    Eh muito bom saber q existem.tantas pesquisas,mas as vezes dá um.desanimo ,pois não acontece nada de concreto!!

    • Caio PE diz

      As pesquisas demoram pois é assunto é sério e aqui os recursos não são materiais: são humanos!
      Para que chegassem aos remédios atuais por exemplo – mas eles possuem efeitos colaterais! SIM – mas de longe nem se comparam aos de antigamente (nossa amiga Telma pode falar com propriedade sobre isso) foram anos e anos de estudos, tentativas fracassadas e tentativas bem sucedidas. E o que fazer até lá ? Viver e se cuidar.

  40. Matias diz

    Bom dia! Em Maio desse ano descobri a minha condição sorologica. Confesso que surpreendi com o meu posicionamento diante de todo contexto que chegara em minha vida. Tenho certeza que a minha fé em Deus foi a maior fonte de força e sustentação. Sou evangélico (mas tenho consciência de que depois de Deus o meu maior aliado é a medicação). Estou há quase 5 meses com a nova medicação estabelecida pelo Sus e até então não tenho sentido nenhum efeito colateral (talvez uma boca seca, mas que me lembre, sempre tive esse probleminha que não é nada na “fila do pão” rsrs). A minha maior aflição é que quero me preservar, não quero que minha condição seja exposta para ninguém mais além da minha família, pessoas de confiança; não sei até onde esses programas do SUS são de fato sigilosos.
    Fico aflito por não sentir absolutamente nada de efeito e aí fico com medo do medicamento não estar fazendo efeito rsrs…Paranóia né?

    E outro fato é que vejo todo mundo falando que retorna ao médico para novos exames com 3 meses…E o meu infecto (particular) pediu apenas para retornar com 1 mês depois do início do tratamento, e depois disso só em Novembro ( 6 meses depois)… Será que não é muito tempo para avaliar CV e CD4? Meus primeiros exames CD4 ( 848), CD8 (2.134) e CV (7.900). Ele disse que meus exames ainda estão muito bons e por isso não precisaria essa urgência e que 6 meses seriam suficientes para avaliar a CV que ele acredita que estara indetectavel. Vocês que tem mais experiência concordam com essa linha de pensamento, ou acham que eu deveria procurar outra opinião médica? Obs: estou me sentindo bem, precisando emagrecer (atualmente com 92 kg), engordei 6 kg durante tratamento e só havia perdido 2 por preocupação antes do diagnóstico rsrs
    Sei que n somos médicos, mas trocar experiências é muito válido…

    Esse blog é uma benção de Deus! Sejam felizes e confiem no que vou dizer: VOCÊ É MAIS FORTE DO QUE IMAGINA!

    Abraços!

    • Caio PE diz

      Eu acho que o seu infecto adotou a política correta. Seu CD4 está excelente e a CV está “baixa”. Há pessoas que descobrem sua sorologia com CV passando de 1 MILHÃO de cópias !!!!
      Mas o nosso amigo Luiz Carlos pode falar, com maior propriedade.

      • Matias diz

        Obrigado Caio! Foi o que meu infecto também falou… ouvir que seus exames estão “bons” diante de um diagnóstico de um Hiv é tão estranho rsrs. Mas estou aprendendo a cada dia lidar com esse detalhe na minha vida. Só espero que a medicação faça efeito…Atração!

    • Tiago diz

      Matias, no meu caso, a médica solicitou exames ao fim de 2 meses de tratamento. Creio que, em qualquer dos casos – 1 ou 2 meses -, já é possível avaliar a eficácia do tratamento, pois a carga viral tende a cair mais rapidamente nas primeiras semanas. Ao fim de 8 semanas, espera-se uma queda de em torno de 90%.

      Tudo correndo bem, você deverá ficar indetectável antes dos 6 meses. Realizar o exame muito antes disso pode até abreviar a confirmação e trazer essa tranquilidade mais cedo, mas – naturalmente – aumenta o risco de “desperdiçar” o exame.

      E.g. Se você fizer um segundo exame ao fim de 3-4 meses, pode eventualmente ainda não estar indetectável, o que obrigaria a ter de repetir novamente num curto prazo, para avaliar se ficou ou não.

      Abraços

      • Caio PE diz

        Quem tiver $$$, pode-se fazer uma CV em lab. particular.
        No Recife, a média de custo gira entre 600 a 700 reais !!!!!

        • Tiago diz

          Em SP, poderão fazer pelo Dr. Consulta por R$384.
          Uma médica sugeriu também os laboratórios Lavoisier como uma alternativa económica, mas não os consultei ainda.

      • Matias diz

        Compreendo! Fico mais tranquilo, estou ainda em processo de adaptação com meu médico; fico feliz em saber que ele anda dentro dos protocolos clínicos coerentes no que se refere ao tratamento do Hiv. Muito obrigado pela resposta…

    • Luiz Carlos diz

      Eu concordo com a posição do infecto, não está nada fora do previsto pelas diretrizes clínicas.

      Abraços!

  41. Maycon diz

    Alguém aqui já assistiu o documentário a respeito dos dançarinos da Blonde Ambition da Madonna?
    Fiquei boquiaberta em saber que 3 deles eram soropositivos na época. 2 estão vivos até hoje e suas infecções datam dos anos 85 e 87. O negro está mais lindo que os outros que não estão com o vírus hehe

  42. Menino diz

    Gnt, eu comecei o meu tratamento em abril, irei repetir o exame agora o primeiro exame acredito a estava bom (CV: 3347 e CD4: 997), porém estou me sentindo mto aflito, com medo de não estar indetectável e da medicação não estar fazendo efeito, vcs tbm passaram por isso é normal?
    Eu melhorei minha alimentação totalmente, substitui o açucar por mel, cortei carne vermelha, além de comer mts frutas e saladas.
    Mas fico mto preocupado com medo de não estar fazendo efeito.
    Eu uso o dolutegravir mais o 2X1.

    • Tiago diz

      Menino, tudo é possível, mas as chances são muito baixas.

      Veja bem… Para o DTG não fazer efeito, você teria que ter pego uma cepa do vírus HIV resistente ao DTG, o que é altamente improvável, pois é um ARV muito recente aqui no Brasil. Alguém teria que ter se infectado, iniciado o tratamento com DTG, abandonado, o vírus mutado e gerado resistência antes de passar para si em abril.

      Não sei exatamente quando o DTG começou a ser usado, mas creio que foi já no início de 2017 ou muito perto, portanto nem me parece um cenário muito possível em tão pouco tempo.

      A única outra possibilidade que vejo seria uma cepa de vírus importada por algum visitante de fora, resistente ao DTG. Tudo é possível, mas me parece que está sofrendo à toa por medo de algo muito improvável.

      Sinceramente, nem penso nisso e estou na mesma combinação.

    • Rômulo diz

      Também farei o meu primeiro este mes e vc estava muito melhor q eu hahaha…

      Como falaram, pouco provável… deixa de ser ansioso ! =P

    • Tiago diz

      Aliás, menino, até li mal e me equivoquei. Você falou que começou o tratamento em abril, não que se infectou nesse mês, portanto a infecção terá acontecido mais cedo ainda. Ou seja, tudo indica que a única chance de resistência ao DTG seria um vírus importado…

      Mais fácil seria talvez pegar um vírus resistente ao Efavirenz – de uso comum no 3×1 – ou algum dos seus outros compostos, como o Tenofovir, também usado no 2×1. Creio que mesmo nesse caso de resistência ao Tenofovir e considerando a sua CV baixa, o DTG faria algum efeito, mas aí já não sei dizer com certeza.

      Siga cuidando da saúde e fique tranquilo, que logo deverá ficar indetectável. Eu fui diagnosticado com quase 10x a sua CV e de todos os cenários possíveis, e esse dos ARVs não fazerem efeito é dos que nem me passa na cabeça, de tão pouco provável que é.

  43. Menino diz

    Eu me infectei no inicio de outubro, descobri em fevereiro e comecei o tratamento em abirl, estou mto ansioso, sempre venho aqui pra tentar me acalmar, mto obrigado a todos vou tentar me acalmar e esperar o resultado, por mais dificil q seja.
    Queria dar uma dica q tem me ajudando muito, tenho feito meditações guiadas, é so procurar no youtube, tem sido maravilhoso, super aconselho

    • Soares diz

      Oi Menino, me interessei por essa meditação guiada, como te ajudou?
      Eu tentei fazer uns 2 dias depois que soube do diagnóstico, consegui sentir uma certa paz, mas tb disparei a chorar rsrs… vc faz em que parte do dia? Acho que vou fazer antes de dormir, pra ver se consigo dormir a noite inteira, fico tendo uns sonhos estranhos de um povo fazendo uma pesquisa, mas sempre falta alguma coisa e não terminam kkk (eu nem comecei os remédios ainda).

      • Menino diz

        Olá Soares, eu costumo fazer no início da noite, me tranco no quarto pro ambiente estar escuro e com silêncio, e busco no YouTube uma meditação guiada geralmente para cura, e sempre faço, acendo um incenso pra atrair boas energias e pra dormir coloco no YouTube um som de chuva pra eu relaxar e esta sendo otimo tbm.
        Coloco meditacao para encontrar o meu eu interior tbm, é maravilhoso, a meditação é mto benéfica pra saude e para o sistemas imunológico tbm, crie uma rotina e vc vai ver a diferença, sobre o horário faça no q for melhor pra vc.
        Att

      • Menino diz

        Vc perguntou como ela me ajuda e eu acabei não respondendo rs
        Ela me traz mta paz, uma leveza e serenidades, só coisas boas 🙂

  44. AnonimoFer diz

    Olá, boa tarde.

    Depressão não me causou, mas nestes primeiros 15 dias, me causou diarréia.

    Alguém teve esse efeito? Meu infecto liberou o floratil. Estou com uma alimentação balanceada. Bebendo bastante água. Estava tomando um antibiótico mas não sabemos ainda se foi por conta dele.

    Espero que o Floratil resolva.. alguém ja passou por isto???? Tem resolução ou diarréia persegue o soroposito para sempre ????

  45. Boa noite, alguem que tome o Dolutegravir + 2×1 assim como eu teve algum efeito colateral? Eu tive alguns casos de dores e cabeça recente,porém não sei se é por causa da medicação ou talvez esteja estudando demais.
    Se alguém tiver algum efeito colateral parecido ou relacionado a medicação gostaria de saber, pois não encontro muitas informações, obrigado

    Kik : alexandretic

    • Matias diz

      Olá! Uso essa medicação há 5 meses e não tive nenhum efeito colateral (aparente). Bem tranquilo!
      Dor de cabeça é multifatorial, podendo ser efeito da própria medicação ou até mesmo de um estresse, clima, outro probleminha de saúde…

    • Luis Gustavo diz

      Oi alearutic! Tbm tomo dolutegravir + 2×1,e nao tive nenhum efeito colateral. Inclusive fiz exames de carga viral recentemente,e fiquei indetectavel com 4 meses de tratamento,meu resultado foi de menos de 40 copias. Essa combinaçao veio como bençao em minha vida,tomo todos os dias as 6hs da manha,de estomago vazio mesmo,e nunca tive efeito nenhum.

  46. Guilherme diz

    Olá, uso a terapia 2 x 1, junto com meu companheiro. Nesse andar do tempo (aproximadamente sete meses), posso dizer que tivemos alternância de diarréia, e ele também teve eventos de dores de cabeça. Mas tudo dentro do controle. Por outro lado, também temos picos de sintomas de depressão, mas a sorte que, nunca se manifesta no mesmo dia, mas acredito que integra a realidade de nossa vida!! Sigamos forte! Abraços a todos!!!

    • AnonimoFer diz

      Oi Guilherme,

      Foram 7 meses alternando diarréia?? Ngm merece, estou a 10 dias já.. e estou bem preocupado. Com uma alimentação super saudável e mesmo assim não cessa…

      Já a depressão, me sinto pra baixo qdo acordo.. mas no decorrer dia as coisas voltam ao normal.. mas não é fácil não.

      O lance é a felicidade genuina que tem q voltar…. aquela de acordar e dormir mega despreocupado.

      Abraços..

      • Guilherme diz

        Pois é, AnonimoFer, a diarréia foi observada de forma intensa no primeiro mês (nosso organismo sendo ajustado pela terapia né), às vezes, também em outras situações separadas ocorreram. Coincidências ou não, são fatos que aconteceram!!!. Mas acredito muito que a higiêne mental é essencial. Siga firme, a tendência é diminuir e muito. A nível de estímulo, estamos indectáveis, com os resultados que sairam recentemente e com CD4 aumentado consideravelmente. Sabe quando o sinal sonoro do celular toca para avisar que é hora do remédio, nós tremiamos tanto, tanto (tomamos às 22:00 horas), hoje tá mais tranquilo, incorporou a nossa rotina, em especial, em momentos que estamos com amigos está sendo feito de forma natural (mas não falamos sobre nossa sorologia e nem cogitamos em dizer). Por fim, acredito que isso que aconteceu com a gente, tá acontecendo com você é reflexo de nossa ansiedade, nada mais. Fique bem!!!.

  47. Concurseiro otimista + diz

    Boa tarde!

    Estou criando um grupo de + que, assim como eu, estão estudando para prestar concursos públicos por esse Brasil. A finalidade do grupo será de motivação e de troca de experiências nessa árdua caminhada que é estudar(satisfatoriamente) na nossa atual condição sorológica.

    Vamos juntos nessa caminhada, provando que só depende de nós lograrmos êxito nos objetivos traçados, independente de qualquer condição patológica. Usaremos essa situação como combustível para o sucesso!

    Vamos juntos! Cabeça erguida!

    KIK semprelutando17

    • Guilherme diz

      Olá, isso é bom, ja sou servidor público, mas focado em carreiras mais específicas. Nesse cenário, fiquei focado três anos para um certame específico, e a data tão esperada saiu e eu fui lá fazer a inscrição, o pior que conciliou com o resultado positivo dessa infecção. Resultado: não conseguir enfrentar da forma pretendida, tanta situações novas para lidar, médico, exame, remédios, mas vou seguir, to retomando meus estudos, ideia excelente a sua. Um grande abraço. A vida segue…

  48. Chloe diz

    Pessoal, alguém aqui sente um cansaço físico e mental fora do normal ? Tenho sentido isso há alguns anos. Alias acho que mais pesado foi a partir dos meus 16 anos, que comecei a notar que eu chegava em casa exausta para fazer qualquer coisa. E no mais, eu queria somente dormir e descansar. Sinto que o dia me sulga muita energia, e não noto isso em outras pessoas. Geralmente depois de um dia de aula na Pós, o pessoal ainda pega pesado no estudo. E eu preciso me nutrir de cafeína para aguentar até a noite. E quando chega a noite, eu fico ultra ansiosa e somente lá pelas 2 da manhã vem o sono.

    Sobre o Kik, ainda acho o telegram muito mais eficiente como grupo. Tem senha para entrar no app do telegram para quem tiver receio das conversas no grupo.

  49. Rico diz

    Fiz a PEP por 29 dias após uma situaçao de extremo risco com um paciente positivo sem saber!

    Foram dias torturantes, nao pelo remedio (apesar do kaletra dar diarreira leve e ser um comprimido enorme, sendo ingerido de 12h/12h + tenofovir e lamivudina e um sono gostosinho de noite) eu pensava em como iria explicar e aceitar essa condição! Foi dificil lidar com meu psicologico.

    Após 90 dias +- eu fiz um novo teste e negativou.

  50. Andre diz

    Quais efeitos colaterais ma recorrentes no 2X1 DTG?
    Alguém fazia uso da combinação 3X1 EFz e migrou para o 2X 1 DTG?
    Caso sim, como foi a adaptação 2X1 é melhor do que o EFZ?

    • AnonimoFer diz

      Andre,

      Comecei a 20 dias o 2×1, o único efeito q tenho é uma diarréia desde o segundo dia, e ainda não cessou. Tenho fé que seja adaptação e logo isso passa. Quase três semanas convivendo essa diarréia.

      Abraços e bom dia.

  51. Alef diz

    Olá boa noite, após o meu diagnóstico dia 15/09/2017 as 11:48, confesso que chorei três dias seguidos. Bom, hj foi minha primeira consulta tô com CD4 em 1220, porem, o de carga viral não saiu. A infectologista aconselhou a começar a usar a medicação dolutegravir + tenofovir, confesso que sai do CTA mais leve e feliz, amanhã já começo a tomar os comprimidos.
    A próxima consulta é só dia 02/01/2018….. é isso galera, abraços.

  52. Paulo diz

    Pessoal, faço uso do Dolutegravir + Tenofovir e eu sempre tomava as 7 da manhã, mas estou de férias e às vezes tomo as 8h ou 9h, já cheguei a tomar as 10h. Isso atrapalha? Li que os remédios fazem efeito por mais de 24h e que tomando no mesmo período já tá de boa. Mas não sei se isso eh certo.

  53. Enzo diz

    Fiz uso por 8 meses de 2×1 , mas desde o 3 dia de uso iniciou uma ansiedade , pânico , hj 8 meses depois ainda sofro . Sem qualidade de vida , pois viver em desespero diariamente é limitante . Fiz uso de antidepressivos , ansiolíticos deram uma ajuda , mas essa semana resolvi mudar o esquema DOLUTEGRAVIR me causou depressão , ansiedade , pânico , humor desregulado . 8 meses sem ter vida normal .é meu psiquiatra disse q tem outro paciente dele com sintomas parecidos com os meus e tb faz uso a 5 meses do DOLUTEGRAVIR /2X1 Quarta feira começo o esquema ATZV, R , RITONAVIR , TENOFOVIR E LAMIVUDINA . ESPERO Q ACABE COM ESSE MEU SOFRIMENTO….

    • SP+- diz

      Enzo e outros,
      Com a indicação do DTG como terapia de 1° linha, não faz algum sentido os pacientes terem esses sintomas justamente pelo baque de começar o tratamento logo após descobrir da soroloria?

      Vejo na maior parte dos relatos de quem descobre ser soro+, os primeiros meses e anos são os mais complicados.

      Será que essa nova leva de relatos sobre o DTG tb não esteja relacionado a recém descoberta da sorologia pelos pacientes?

  54. Enzo diz

    Bom , vamos lá .
    Eu nunca tive problemas de ansiedade , depressão , pânico , humor alterado . Sempre fui um cara que dormia bem e principalmente acordava bem . Eu mais que ninguém afirmo que é o 2×1 que causou tudo isso em mim . Se fosse por conta da minha médica eu já tinha trocado a medicacao com 3 meses de uso . Eu que relutei , pois os médicos falam que é o esquema menos toxico , que causa menos danos a longo prazo etc etc .
    Descobri minha sorologia este ano e tb comecei a fazer uso 2 semanas após a descoberta .
    Confesso que a 1 semana fiquei triste , chorava ,pois era um ignorante com relação a doença . Pensei : “VOU MORRER LOGO LOGO “, MAS DEPOIS de 1 semana passei por médicos e psicólogos e fiquei bem calmo .
    Acho muita , coincidência eu começar a usar o DOLUTEGRAVIR e no 3 dia de uso acordei suando , tremendo , com medo que iria acontecer algo com minha mãe , medo de sair de casa , uma angústia que me acompanham exatamente até hj . Ah , fora outras coisas , diarreia por 1 mês , febre , uma dor de cabeça que me acompanhou por 3 semanas , gases que me acompanharam por 5 meses , e CREATININA que de 1.0 saltou pra 1.5 e até hj 8 meses depois meus níveis de creatinina não baixou . Fiz tb exame de clearance de creatinina e tb tá abaixando dia a dia a depuração de creatinina .(bebo muita água ) e não uso suplementacao alguma ,pois o nefrologista cortou tudo . Até polivitaminico , glutamina , qualquer tipo de chá , etc .
    Os outros efeitos colaterais que a meu ver foram causados pelo DOLUTEGRAVIR , POIS ter diarreia assim , dor de cabeça , gases por 5 meses ? Muita coincidência vc começar a usar 2×1 e ficar com tudo isso É SER ALGO DA MINHA CABEÇA ? Nossa !!! Tudo q senti e sinto é por que NAO ACEITO MINHA SOROLOGIA , OU PELO MEDO QUE TIVE QUANDO DESCOBRI AI esse pânico , humor alterado , acordar ansioso etc é por q descobri minha sorologia e não aceitei ?
    Eu converso com muitos que usam 2×1 num grupo de whatsapp é muitos a grande maioria não sente nada com o 2×1 . Pensei antes que o problema fosse eu mesmo , mas com o passar dos meses vi que não . Já falo com mais 4 pessoas que tb tem sitomas parecidos , ansiedade , medos , insônia , depressão , um dia vc tá ótimo , no outro vc está horrível. e sabe o que me fez mudar de ideia depois de 8 meses sofrendo e não querendo mudar o 2×1 , pois é o *”QUE CAUSA MENOS EFEITO COLATERAIS ?”
    FOI que 2 deles descontinuaram o DOLUTEGRAVIR e tiveram sua ansiedade , pânico , medo finalizados .
    Acredito que o DOLUTEGRAVIR possa ser o que causa menos efeitos colaterais , mas causa efeito colateral ele alguns sim .
    Meu corpo/ cabeça / vida nunca mais foram os mesmos depois que comecei a fazer uso do 2×1.
    Quarta feira eu mudo o esquema . Vou dar alguns dias e ver . Caso pare a ansiedade , pânico , tristeza , eu volto aqui . E deixo meu depoimento . Tb vou pedir pra as pessoas que tiveram melhora na depressão e ansiedade tb deixarem aqui seu depoimento . Vai que muitos como eu sofrem e não mudam de esquema por que acham q estão tomando o melhor esquema , menos toxico , e que tudo vai passar com os meses . 8 meses sem qualidade de vida . Pra mim deu !!!! Que venha o novo esquema .

  55. Artur diz

    Enzo ,
    Concordo contigo
    Fiquei muito mal após iniciar o meu tratamento com 2×1.
    Tive muito enjoos
    Insônia
    Tristezas sem motivo
    muita + muita ansiedade .
    Acordo sempre no meio da noite ansioso .
    Meu humor sempre alterado
    Usei 6 meses o esquema 2×1 .
    Fiz o pedido pra mudar
    Assim que mudei o esquema tudo acabou
    Apenas muito enjoado por alguns dias e olhos levemente amarelados .
    Aquela insônia “safada ”
    E demais sintomas sumiram .
    Como é bom dormir bem .rsss.
    Espero que dê certo pra vc
    Assim como deu pra mim .
    Relate aqui se teve melhoras .
    Abraços a todos .!!!¡!!!

  56. DougKhurana diz

    Chloe, após o uso dos antirretrovirais eu noto uma dificuldade em concentração e certo cansaço, que acaba descompensando o ritmo da vida, principalmente se tratando de vida acadêmica. Esse ano foi o início do meu tratamento, pós e emprego novo, dá um baque e por mais que possa ser psicológico, os remédios contribuem para esse baque ser contínuo. Minha questão é que eu sempre quis fazer uso do DTG, mas meu infectologista optou pelo 3×1. Por um motivo político, ele achava díficil a oferta ser ampliada num nível de suprir demanda. Hoje acompanhando um coletivo de ativista está cada vez mais evidente, a AID$ é lucrativa. Quem faz uso do 3×1 não pode migrar para outro esquema, se o esquema “funciona” não sem barreiras burocráticas, e esse aumento lançado aos 4 ventos é falacioso, vai melhorar a vida de quem de fato? De quem tem planos e condições de bons médicos para poder auxiliar na troca e adaptação. Essa não é a realidade da maioria e em partes não é minha também. Eu lia muito o blog, até perceber que não é a minha realidade. Me ajudou no começo, mas infelizmente as desigualdades até aqui existem.
    Só acho que muita gente sofreu e sofre para termos um atendimento a todos, para termos o que temos hoje. Está no momento de aproveitarmos que ganhamos vida, para se unir e lutar para que essa vida seja para todas as PVHIV.

  57. Enzo diz

    Olá , venho relatar minha situação após 30 dias sem DOLUTEGRAVIR .
    VOLTEI a ter vida , depois de 8 meses de sofrimento com esse medicamento , como já relatei aqui crises de pânico , ansiedade , depressão etc . Após 4 dias sem o DOLUTEGRAVIR eu deixei de ter pânico , e agora 1 mês após deixar de usar DOLUTEGRAVIR não uso mais antidepressivo e nem ansiolítico . Engraçado , não teve nada com minha aceitação , foi só parar a medicação que os sintomas foram acabando . Hj consigo sair , trabalhar , não tenho mais aquela alteração de humor , ansiedade . GRACAS A DEUS . Hj tomo atanazavir , ritonavir , LAMIVUDINA e TENOFOVIR . tive olhos amarelos na 1 semana e passou , cansaço tb . Hj tomo o esquema depois de comer algo e até vou pra academia . Rsss se fosse o DOLUTEGRAVIR eu morria no 1 exercício .
    Relatando que DOLUTEGRAVIR pode ser ótimo medicamento , mas ele em algumas pessoas CAUSA DEPRESSAO , PANICO , ANSIEDADE sim !!!!

    • Tiago diz

      Força Enzo, aqui tem sido bem tranquilo com o DTG, mas fazem apenas 4 meses. Tive um ou outro episódio de noite mais irrequieta no início e dor de cabeça mais recentemente, mas quando me estiquei demais com trabalho, muito excepcional. Vou ficar esperto.

      Espero que corra bem o novo tratamento.
      Abs

  58. Cura-próxima diz

    Boa Noite. Adolescentes, Jovens e Adultos.

    Eu sou soro positivo, Contrair o vírus HIV no ano de 2000, Vivo na Europa, de 2000 até outubro de 2017, fiquei fazendo controle para monitorar o vírus e minha saúde, minha carga viral (CV) nesses 17 anos foi de 400 copias para 7.000 mil copias ( CD4) de 900 para 370.
    Bem todos esses anos eu tive medo de começar a terapia retroviral, porque não entrava na minha cabeça em tomar vários comprimidos por dia. Ate que em 26.10.2017, tomei coragem e com conselho da infectologista eu comecei com a terapia com o TRIUMEQ, 3×1 ( Dolutegravir + Abacavir + Lamivudina ).
    De 26.10.1017 a 23.11.2017, menos de um mês minha CV. Indetectável e CD4 520, efeitos colaterais 000000001% nas duas primeira semanas.
    Estou muito feliz!!!
    O importante é não pegar a negatividade de outras pessoas e usar em você, porque sabemos que cada pessoa é diferente, e a terapia age de forma diferente em cada pessoa, uns com efeito leve no começo outros mais forte, mas ao fim todos conseguem ficarem indetectável e com cd4 muito bom.
    Obrigado por esse espaço existir, assim pude me abrir com vocês, a minha satisfação com a terapia.

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