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Suazilândia: mais tratamento, menos transmissão

A Suazilândia, um pequeno reinado situado na África Austral que fica entre Moçambique e África do Sul, viu o número de novas infecções pelo HIV cair pela metade enquanto a proporção de pessoas em tratamento antirretroviral e com carga viral suprimida duplicou. Esta notícia foi apresentada na 9th International Aids Society Conference on HIV Science, a IAS 2017, em Paris, e publicada no Aidsmap.

O Reino da Suazilândia tem uma das epidemias de HIV mais severas do mundo. Com uma população de 1,45 milhões de pessoas, pouco mais de um terço delas (32%) viviam com HIV em 2011, quando o país realizou sua primeira tentativa de oferecer testes de HIV porta-a-porta. Desde então, a Suazilândia aumentou o acesso ao teste de HIV e ao tratamento antirretroviral, oferecendo tratamento universal e capacitando os profissionais de saúde a iniciar pessoas em tratamento cedo. O número de testes de HIV realizados a cada ano quase se triplicou desde 2011 e o número de pessoas em tratamento antirretroviral passou de 72.402, em 2011, para 171.266 em 2016.

Uma pesquisa feita em 2011 avaliou 18.172 pessoas a partir de 15 anos de idade, e encontrou uma prevalência de HIV de 24,1% em homens e 38,8% em mulheres e descobriu que 1,8% dos homens e 3,16% das mulheres tinham adquirido o HIV nos 120 dias anteriores. Uma segunda pesquisa foi feita em 2016 e 2017 para verificar a incidência de HIV e observou uma redução significativa nas novas infecções pelo HIV. Nos homens, a incidência do HIV caiu 53%, de 1,83 para 0,86%. Nas mulheres, a incidência do HIV caiu 38%, de 3,16 para 1,95%. Em geral, a incidência do HIV caiu em 44%. Enquanto isso, a supressão da carga viral duplicou entre 2011 a 2016 e 2017, de 34,8% para 71,3%.

A redução das novas infecções diante do aumento da oferta de tratamento antirretroviral e de supressão da carga viral é mais uma evidência de sucesso do tratamento como prevenção — TasP, do inglês Treatment as Prevention.

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Jovem paulistano nascido em 1984, que descobriu ser portador do HIV em outubro de 2010. É colaborador do HuffPost Brasil e autor do blog Diário de um Jovem Soropositivo.

31 comentários

  1. Caio PE diz

    Por isso que, por aqui, devemos cobrar e pressionar sobre a falta de ARVs. Imposto é pago para isso: investir em saúde, educação e segurança pública e NÃO comprar votos de deputados !

  2. JuniorRN diz

    Caio PE, concordo plenamente. Infelizmente há uma corja governando o Brasil agora.

    • Dilson diz

      Parabéns pra todos vocês que fazem testes de HIV/AIDS de três em três meses, um dia irão encontrar o que tanto procuram 😂😂😂

      • Gil diz

        Mas quem quer fazer o teste opta pelo mais sensato: descobrir a sua sorologia ou não. Pior, aliás, muito pior é não fazer teste algum e sair contaminando parceiros e parceiras como muitos irresponsáveis fazem.

    • Gil diz

      Agora e nos anos anteriores também eram bandidos. Aliás, esta corja atual é resultado das alianças com o governo vermelho, que os trouxeram para lotear o governo em troca de votos para os projetos na Câmara. Só mudam as moscas, a merda permanece a mesma.

  3. Jess diz

    Governo Temer simplesmente corta verba do programa de combate a HIV. Pacientes não podem fazer teste essencial. Mas ufa, não tem pedalada…

  4. Andeson diz

    Tomara que a cura do HIV/AIDS chegue em 2020. Estou torcendo muito para isso.

    Aqui é um vídeo sobre a primeira reportagem sobre o HIV/AIDS da TV brasileira, provavelmente
    em 1983:

    • Ombro Amigo diz

      Anderson, essa reportagem foi exibida em 27 de março de 1983 no programa Fantástico. O então correspondente Hélio Costa disse que, a princípio, nem mesmo a redação da TV Globo tinha interesse em falar de “uma nova doença que estava aparecendo nos EUA”, mas a reportagem foi ao ar mesmo assim.

      Quando vieram à tona os primeiros casos e a primeira morte de um brasileiro [o costureiro Markito, que morreu em 4 de junho daquele ano], é que os jornalistas se deram conta de que o Brasil não estaria a salvo da epidemia como muitos pensavam. A AIDS acabou por ser um tema constante justamente no Fantástico nos anos 1980 e 1990.

      Mas a Globo assumiu muita cautela em relação ao HIV no departamento de dramaturgia e na exibição de filmes. Coube às suas concorrentes [SBT e a extinta TV Manchete] encarar o problema de frente. A emissora de Sílvio Santos exibiu o filme Aconteceu Comigo [Early Forst] em abril de 1987 e logo em seguida, a TV Manchete trouxe a primeira personagem soropositiva na novela Corpo Santo [1987] e também a primeira personagem soropositiva fora do esteriótipo [Carmen, 1987 – a personagem da atriz Tereza Amayo era uma pacata dona de casa contaminada em uma transfusão de sangue].

  5. Henrique diz

    Penso q os profissionais devem ir nas portas das pessoas infectadas. Assim que peguei meu exame que deu positivo, fui desesperado ate o SAE da minha cidade no inicio do ano passado onde fizeram minha ficha, colheram meus dados e etc porem nunca retornei la. Diante disso nunca me procuraram para saberem o o pq nao retornei. Claro, sou militar e trato o hiv pelo hospital da policia onde possui um setor so pra esses casos no meio militar. Mas enfim, a epidemia no Brasil nunca ira acabar por causa disso, pessoas sao infectadas ou interrompem o tratamento e os centros especializados sequer vão atrás delas para monitora-las ou convence-las a se tratarem. Falta de investimento e ate msm falta de interesse dos profissionais que estao nessa área. Se fossem atrás das pessoas com ctza o numero de infectados cairia drasticamente no país, se houvessem msm campanhas de hiv diariamente ou mensalmente nas escolas, empresas onde levassem os testes ate o cidadão, a epidemia no país estaria praticamente erradicada. Mas o que vemos é um governo corrupto que so pensam neles, campanhas feitas apenas no carnaval, cidadãos preguiçosos e ignorantes. So Espero q essa cura chegue logo.

    • Junior diz

      Bem interessantes as postagens aqui,nos enriquece e nos fortalece ao mesmo tempo!E acredito que estamos bem avançandos,sim!A cura chegará e não irá demorar.

    • Emilio diz

      Henrique, tudo bem.meu caro?
      Lendo seu comentário, eu não hesitei em tentar tirar uma dúvida com vc q tbem é militar. Como tbem sou, e no estatuto que me rege está lá bem escrito que o soropositivo pode se aposentar com proventos integrais. Eu penso seriamente em me aposentar.pq não? Devemos aproveitar o lado bom dessa situação. Temo q na prática não seja tão fácil. Temo ser exposto e pior: não conseguir aposentadoria e ainda ter esse segredo revelado e correr aos ouvidos​ dá tropa e minha família…….o q vc me diz?

      • Henrique diz

        Emilio, sou militar estadual. A questao da aposentadoria so vale para militar federal, ou seja exército. Se for seu caso va a luta e com ctza vc conseguirá, claro q eles vao recorrer judicialmente alegando que soropositivos vivem normalmente hj em dia, mas a lei é clara, eh apenas para militares federais.

        • Emilio diz

          Mas eu tbem sou militar estadual e no estatuto da PM do meu estado está lá bem claro. No rol das moléstias q o militar pode aposentar está o HIV. Nem tem desdobramentos. N abre parenteses dizendo q somente no caso do militar está inválido, apenas diz portadores de HIV. Sendo assim, não acho q será impossível essa aposentadoria. O seu estatuto não diz o mesmo?

          • Pedro diz

            Eu tb sou militar (Marinha).. Nos dias de hoje, torna-se possível a aposentadoria por ser soropositivo… Já há jurisprudência alegando que o militat assintomático tem direito de aposentadoria…

  6. Ney diz

    Ótima reportagem. Nada é impossível quando estamos determinado para um fim. Com certeza o atendimento porta de casa com testagem e esclarecimentos iria modificar bastante a epidemia de HIV. Mais campanha mais pessoas tratadas mais pesquisas científicas são fundamentais para a eliminação do HIV e principalmente o fim do preconceito contra nós portadores. Deixo aqui meu agradecimento a todos vocês pois cada dia aprendo algo novo no site. Que a CURA venha. Seja para mim ou para outra geração. O caminho está trilhado só nos resta prosseguir. Valeu amigos

  7. Marcelo diz

    Alguém já teve que trocar o 3×1 por conta da creatinina que foi p 1,4? Sem outras alterações nos exames?

    • Caipira diz

      A minha creatinina subiu a 1,5. Tomo o 3 em 1 há 5 anos. Levei um susto. A crestinina deu alta mas a taxa de filtragem, a médica calculou na hora e deu normal. Ontem peguei meu exame 6 meses depois e voltou ao normal. Creatinina às vezes pode subir por desidratação, infecção urinária. Se hidrate mais, principalmente antes do exame.

      • Tiago diz

        Caipira, só uma dica que me passaram num laboratório… Sei o quanto desejamos receber bons resultados nos exames, mas melhor é recebermos resultados fiéis. Hidratar-se “principalmente antes do exame” pode equivaler a se enganar. Hidrate-se bem toda a hora e, na véspera do exame, beba a mesma quantidade de água que costuma beber. Assim, certamente, o exame será um retrato mais fiel do seu estado atual e não tão influenciado por uma atitude excepcional (beber mais na véspera), correndo menos risco de mascarar resultados e lhe mostrando mais claramente se precisa de hidratar ainda mais no dia-a-dia.
        Abraços

  8. Ney diz

    Determinação para tomar todos​ os dias. Não é fácil mas sou valente até hoje não faltei com o uso. Vou lutando vou sorrindo até o final. Mas se depender de mim jamais contaminar outra pessoa. 😇😎

  9. Mai diz

    Na rede pública da Paraíba,acesso ao kit para verificar carga viral do HIV está restrito a grávidas e recém nascidos. É preciso ampliar!

  10. Jess diz

    “não, não me arrependo de ser HIV positivo, não tem como vc se arrepender de ser o que vc é” – felipe mastrandea

    • Alex diz

      Não diria que se “é” HIV positivo, mas talvez, se “está”.

  11. Maycon diz

    O Dráuzio é muito desatualizado quando o assunto é HIV! Ou sei lah, fica tentando passar a informação de forma que muitos entendam que fica muito ensino médio. Tipo o Prof Jubilu do YouTube, bobão de tudo!

  12. Rodrigo diz

    Mais uma comprovação da eficiência do tratamento como prevenção.

    • Andeson diz

      Por que sempre associam o HIV/AIDS aos homossexuais? Tem essa doença nas mulheres também. Quando me infectei em 2015, eu conheci duas mulheres bonitas que tinham o vírus.

  13. Amigo Buscador diz

    Olá pessoal,sou profissional da areá da saúde,estou oferecendo o serviço de busca e entrega de medicamentos para HIV.
    Você que é de Campinas\SP e tem uma rotina corrida que o impossibilita de ter tempo de ir buscar a medicação,ou por algum motivo tem vergonha de ir buscar ou é muito longe e fora de mão para você,eu busco e entrego onde você combinar,de forma discreta e rápida.
    Quem se interessar pelo serviço segue abaixo meu email:

    buscador.conforto@gmx.com

    Abraço.

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