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O C.E.O. do H.I.V.

“Algum de vocês ganha dinheiro da indústria farmacêutica?”

“Deixe-me ser franco: algum de vocês ganha dinheiro da indústria farmacêutica?”, perguntou Bernie Sanders, então candidato à presidência dos Estados Unidos, a um grupo de ativistas da luta contra a aids, em maio do ano passado, no auge da campanha para as primárias dos democratas americanos. A pergunta foi sucedida por um silêncio constrangedor.

Bernie estava na Califórnia diante de 19 ativistas, em um encontro agendado por Peter Staley, ativista e fundador do Treatment Action Group, que na década de 1990 ajudou a acelerar o desenvolvimento dos medicamentos antirretrovirais. O objetivo do encontro organizado por Staley era firmar o apoio da campanha de Sanders ao combate da aids, caso fosse eleito. Foi neste encontro, diante dos principais ativistas, que Bernie teria disparado sua pergunta. Segundo uma reportagem publicada pelo New York Times, a maioria das organizações de luta contra a aids aceita subsídios de empresas farmacêuticas — em alguns casos, grandes subsídios. É como se fosse uma relação simbiótica: as organizações sem fins lucrativos dependem do financiamento de empresas farmacêuticas, enquanto as empresas farmacêuticas dependem destas organizações para informar os pacientes sobre os seus produtos.

“A indústria farmacêutica está se aproveitando do povo americano”

Bernie não gostava deste arranjo, por enxergar a indústria farmacêutica como uma ameaça pública. Um dos pontos em sua campanha foi apoiar a Proposição 61 na Califórnia, um referendo que propunha o controle dos preços dos medicamentos: as companhias de seguros de saúde não poderiam pagar mais do que valor cobrado à Veterans Health Administration, a qual em geral recebe medicamentos com grandes descontos. A Proposição 61 preocupava alguns ativistas da luta contra a aids, porque a consequência do controle do preço de medicamentos, segundo eles, poderia ser desastrosa. Alguns pensavam que poderia reduzir a receita da indústria farmacêutica e, com isso, reduzir sua capacidade de investimento em pesquisa e novos medicamentos. Outros pensavam que o preço dos medicamentos para os veteranos é que poderia acabar por ser inflacionado. Mas Bernie Sanders não concordava com nada disso. “A indústria farmacêutica está se aproveitando do povo americano”, disse ele.

O candidato Bernie Sanders. (Foto por Scott Olson)

“O Congresso não conseguiu vencer a ganância da indústria farmacêutica”

No dia seguinte ao encontro com ativistas, a campanha de Bernie divulgou um comunicado de imprensa que centrava-se no apoio do candidato à Proposição 61: “Enquanto o Congresso não conseguiu vencer a ganância da indústria farmacêutica, o povo da Califórnia pode fazê-lo, apoiando esta votação”. Diferentemente do Brasil, de outros países da União Europeia e do mundo, os Estados Unidos não oferecem um tratamento universal e gratuito de antirretrovirais — ou outros medicamentos fundamentais para tratar doenças potencialmente letais. Muitos pacientes contam com o apoio de programas estaduais ou de organizações não governamentais para receber seu tratamento, ou pagam por seus próprios remédios, diretamente ou através de seguros de saúde. “Os americanos que vivem com HIV/aids e câncer não devem viver com medo de ir à falência por causa do custo escandalosamente alto de seus medicamentos”, disse Bernie Sanders. Ainda segundo o comunicado de imprensa da campanha de Bernie, nos Estados Unidos, os preços dos medicamentos controlados subiram mais de 10% no ano anterior — o terceiro ano consecutivo de aumento de dois dígitos nos preços –, o que faz com que um em cada cinco americanos entre de 18 e 64 anos não possa pagar pelos medicamentos que seus médicos prescrevem. “No país mais rico do mundo”, disse Sanders, “isso é inaceitável”.

“Nós não apoiamos a iniciativa”

Ao ler a nota publicada pela campanha de Sanders, tão centrada na Proposição 61 e logo no dia seguinte do encontro com os ativistas, Peter Staley ficou surpreso e postou um pequeno texto para seus 12 mil seguidores no Facebook. “O senador Sanders nunca levantou este assunto durante nossa reunião. Nós é que levantamos o assunto próximo ao fim da reunião, apenas para dizer a ele que estávamos recebendo inúmeras mensagens das principais organizações de luta contra aids na Califórnia, que estavam muito preocupadas com a iniciativa da AHF — estavam preocupados que isto viesse a impactar negativamente o acesso ao tratamento antirretroviral. Sua campanha não deveria ter emitido um comunicado de imprensa sugerindo que este foi um dos principais tópicos de discussão na reunião e que havia um entendimento comum na posição do senador sobre isto”, dizia o texto. “Nós não apoiamos a iniciativa da AHF”. Para quem não sabe, AHF é o acrônimo para Aids Healthcare Foundation.

Segundo o New York Times, o que sucedeu à publicação de Staley foi um bate boca dos mais acirrados: o diretor da campanha de Sanders, Warren Gunnels, atacou-o pessoalmente no Twitter, insinuando que Staley, que já se acorrentara em frente de Wall Street para protestar contra os altos preços dos remédios, não merecia ser chamado de “ativista”. Gunnels ainda acusou Staley de ter feito “uma fortuna com as grandes empresas farmacêuticas” e anexou um link para um site onde estariam provas de que Staley de fato recebeu financiamento de empresas como DuPont Pharmaceuticals, GlaxoSmithKline e Gilead Sciences. “Em suma”, Gunnels concluiu, “o modo de vida de Staley desde o ano 2000 parece ter sido totalmente dependente ou financiado diretamente pela indústria farmacêutica”. Staley chamou a acusação de “mentira deslavada” e o tweet de Gunnels foi excluído mais tarde. O referido site onde estariam as provas contra Staley é o Yes on Prop 61 — entretanto eu não pude encontrar a publicação exata em que Staley teria sido citado.

Peter Staley preso em protesto em frente a Astra Pharmaceuticals, Massachusetts em 1989. (Foto por Joe Smiddy)

O principal financiador do site Yes on 61 é Michael Weinstein, fundador e diretor da Aids Healthcare Foundation, a maior e mais controversa organização de aids do mundo. Weinstein também foi o financiador da Proposição 61, que acabou por se tornar o referendo mais caro de 2016, com os US$ 120 milhões gastos pela indústria farmacêutica — que a derrotou, com 53% dos votos. Mais dinheiro foi gasto contra a Proposta 61 do que em nome de qualquer candidato a governador ou a senador em 2016.

Weinstein dirige sua organização como uma “empresa social”, o que significa que a maior parte de sua receita não vem doações e angariação de fundos. A principal fonte de recursos da AHF é uma rede de farmácias e clínicas que fornecem cuidados primários de saúde a mais de 41 mil pacientes nos Estados Unidos, a maioria dos quais tem seus seguros pagos por programas de governamentais como o Medicaid. Nos últimos seis anos, o orçamento da Aids Healthcare Foundation cresceu de US$ 300 milhões para mais de US$ 1,4 bilhão. A renda excedente, oriunda do tratamento dos pacientes nos Estados Unidos, ajuda a AHF a fornecer tratamento gratuito para mais de 700 mil soropositivos em todo o mundo — o maior alcance de qualquer organização de luta contra a aids. Este modelo prodigiosamente bem sucedido previne a organização de sofrer problemas de financiamento típicos. Se suas projeções se mantiverem, atingirá US$ 2 bilhões até 2020, dando a Aids Healthcare Foundation — uma entidade privada, efectivamente sob o controle de um único homem –, um orçamento de quase metade do tamanho da Organização Mundial de Saúde.

“Nós somos Robin Hood.”

Para que esse crescimento projetado se mantenha, em parte é preciso que os custos de medicamentos permançam altos. Enquanto a redução dos preços dos medicamentos é um objetivo ideológico para Weinstein, suas farmácias podem perder receita se ele tiver êxito nessa missão. “Na maioria das vezes, quando as pessoas se beneficiam de alguma coisa, elas não fazem lobby contra isso”, disse ele recentemente. “Mas nós somos Robin Hood. Se alguém estiver escrevendo um epitáfio para esta organização algum dia, será: ‘cuspa no prato que comeu’.”

“A ampla expansão da PrEP é um desastre em saúde pública”

Muitos ativistas não apreciam muito o jeito de Weinstein: deploram não só suas táticas, mas também suas posições pouco ortodoxas sobre questões de saúde pública. Ao contrário de quase todos os outros ativistas da aids e pesquisadores de saúde pública, Weinstein se opõe à PrEP, a profilaxia pré-exposição composta por uma única pílula por dia que é capaz de prevenir pessoas soronegativas de contraírem o HIV. Ele acredita que a PrEP causará uma “catástrofe de saúde pública”, provocando um aumento perigoso no sexo de risco. “A ampla expansão da PrEP, sancionada pelo governo, é um desastre em saúde pública”, disse ele. Weinstein também fez campanha para tornar o uso de camisinha obrigatório em filmes pornográficos, chegando inclusive a introduzir um referendo estadual na Califórnia sobre o tema.

Michael Weinstein em foto para o New York Times.

Para os seus muitos críticos no ativismo da aids, Weinstein tem um espírito dirigido por ideologia, com um bolso sem fundo e uma agenda marcada pelo oportunismo financeiro e por puritanismo extremo. Não ajuda o fato da AHF estar envolta em litígios quase constantes e queixas por práticas comerciais duvidosas, incluindo o desmembramento de sindicatos, pagamento de propinas a pacientes, excesso de cobrança das seguradoras do governo e pressão sobre seus apoiadores a não financiar organizações rivais — acusações que a Aids Healthcare Foundation nega. Para seus fiéis, Weinstein não é apenas um provedor de cuidados de saúde, mas também um exemplo de moral de extrema importância em um momento em a prevenção do HIV está se debatendo e os preços dos medicamentos estão subindo.

“Vou encontrar um caminho ou fazer um”

O escritório de Weinstein é uma sala arrumada com vista para as colinas de Hollywood. Em sua mesa, uma placa recebe os visitantes com uma advertência desafiadora atribuída a Aníbal Barca, general cartaginês, uma civilização da Antiguidade que se desenvolveu na Bacia do Mediterrâneo entre o fim do século IX a.C. e meados do século II a.C. e foi uma das maiores potências comerciais e militares do seu tempo: “Vou encontrar um caminho ou fazer um”. Em uma parede, uma homenagem do Estado da Califórnia a Weinstein por seu serviço comunitário, ao lado de uma folha de papel órfã com uma frase do ex-presidente americano Harry Truman: “É incrível o que você pode fazer quando não se importa quem recebe o crédito”. Acima da citação de Truman, uma foto de Weinstein na frente do Taj Mahal, sentado sozinho e vestindo uma camisa vermelha. Não há fotos do marido de Weinstein, um imigrante vietnamita dono de um salão de beleza. Um segundo pedaço de papel colado na parede traz outra citação, esta do próprio Weinstein: “Ajude a derrotar a impotência autoimposta.”

Weinstein tem uma longa história de militância. Nascido no Brooklyn, em uma família de judeus de esquerda, aos 13 anos ele protestava contra a guerra e ajudava a irmã cineasta, carregando baterias de câmeras de 40 quilos, enquanto ela filmava protestos no Central Park. No ano seguinte, ele se juntou a um grupo de ativistas que ocupava um novo arranha-céu na cidade, para protestar contra a gentrificação — um termo até então pouco conhecido, que diz respeito à mudança nas dinâmicas imobiliárias, que muitas vezes valorizam uma região e afetam a população de baixa renda local, com o aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para arcar com os novos custos mais elevados. Embora Weinstein tenha percebido que era gay, ele reprimiu sua sexualidade por algum tempo. Aos 18 anos, teve seu primeiro encontro homossexual com um vizinho do andar cima, também oficialmente hetero, que bateu em sua porta certa noite, quando ambas suas namoradas estavam viajando.

Em 1972, quando Weinstein tinha 19 anos, viajou para a Califórnia e se juntou à cena de ativismo gay de Los Angeles. Por ser marxista, era um outsider entre os gays da corrente principal e, por ser gay, era um outsider entre os marxistas. Weinstein decidiu iniciar seu próprio grupo, que chamou de Lavender and Red Union. O grupo terminou por se fundir com uma organização gay trotskista em Nova York chamada Spartacist League, que ofereceu a Weinstein uma posição de liderança, exigindo que ele voltasse para a costa leste dos Estados Unidos.

“Não aos campos de concentração para soropositivos”

Em 1986, o político Lyndon LaRouche apresentou um referendo na Califórnia que permitiria aos empregadores demitir pessoas com aids e autorizava o governo a colocá-las em quarentena. As primeiras pesquisas sugeriram que a iniciativa de LaRouche teria grande apoio. Weinstein começou seu próprio grupo para lutar contra a proposta de LaRouche. Em uma campanha de marketing de choque, Weinstein distribuiu panfletos com a frase: “Não aos campos de concentração para soropositivos”, e organizou uma passeata até o escritório de LaRouche. Quando medida foi derrotada por 71%, o jornal L.A. Weekly nomeou Weinstein o “Melhor jovem ativista”.

À medida que a crise da aids aumentava, Weinstein observava cada vez mais seus amigos ficarem doentes e morrerem. Médicos e enfermeiros ainda recusavam-se a cuidar de pessoas com aids. Quando os pacientes não tratados morriam, empresas funerárias muitas vezes os rejeitavam também. Em algumas partes do país, os mortos acabavam em sacos de lixo, entregues diretamente a crematórios. Mas Weinstein queria garantir que os pacientes com aids pudessem morrer de maneira digna — foi por isso que, em 1989, ao lado de Chris Brownlie, que faleceu logo depois em decorrência da aids, fundou a AHF: a Aids Hospice Foundation. Em 1990, à medida que mais medicamentos contra a aids se tornavam disponíveis, Weinstein mudou o nome do grupo para seu nome atual: Aids Healthcare Foundation. No final dos anos 90, pouco a pouco, a organização expandiu-se do sul da Califórnia para a Flórida e Nova York. E então, em 2000, fez uma mudança crucial para seu modelo de negócios: abriu sua primeira farmácia.

Outdoor da AHF em Los Angeles. (Foro por Jeff Minton para o New York Times)

Nas palavras de Weinstein para Christopher Glazek, jornalista do New York Times, o serviço de farmácia é o “combustível” da AHF. Afinal, 70% dos gastos do cuidado de saúde de pessoas soropositivas consistem em custos de medicamentos. A receita da venda destes medicamentos pode ser uma mina de ouro, não apenas para as empresas farmacêuticas, mas também para algumas farmácias, como a Weinstein, que aproveitam um programa federal americano chamado 340B.

Aprovado em 1991, o 340B permite que as farmácias que servem populações desfavorecidas comprem medicamentos diretamente dos fabricantes, em média, com um desconto de 35%, mas ainda sendo reembolsadas pelas seguradoras de saúde por 100% do preço de atacado. Desse modo, o 340B permite que as farmácias mantenham cerca de 35% do valor da indústria farmacêutica — uma forma indireta de subsidiar os cuidados de saúde para as pessoas de baixa renda. À medida que o preço dos medicamentos contra a aids aumentou nos últimos anos, os cofres da AHF também aumentaram. O custo da primeira linha de tratamento para o HIV nos Estados Unidos, a pílula combinada Genvoya da Gilead (Elvitegravir + Tenofovir + Emtricitabina + Cobicistat), é de cerca de US$ 34.000 por paciente por ano. (Os custos aproximados do tratamento no Brasil você pode ver aqui.) Isso quer dizer que, para cada paciente que retira um medicamento em uma farmácia da AHF, US$ 22.000 vão para Gilead, e US$ 12.000 vão para AHF. As farmácias da fundação atendem a 50 mil pacientes nos Estados Unidos, gerando cerca de US$ 1 bilhão por ano em receita. Esse dinheiro subsidia a expansão e o ativismo da Aids Healthcare Foundation.

O “público consumidor” potencial para uma organização como a AHF é oceânico. Em 2014, 37 mil americanos foram infectados pelo HIV. Esse número diminuiu apenas ligeiramente na última década, à medida em que a epidemia americana se estabeleceu em um equilíbrio de crescimento lento e custos crescentes. Estima-se que apenas 40% dos soropositivos americanos estejam em tratamento — uma taxa inferior a da África do Sul. Weinstein acredita que as organizações sem fins lucrativos dos Estados Unidos, a que ele se refere de forma pejorativa como “Aids S/A”, foram inúteis em controlar a epidemia. Para ganhar, Weinstein acredita que a “Aids S/A” precisa ser posta de escanteio, para que AHF possa liderar o caminho.

Para cada novo soropositivo que entra para AHF, o representante de vendas recebe US$ 300.

No ano passado, Weinstein convocou uma reunião da equipe de vendas da AHF — uma divisão que não existe na maioria das organizações sem fins lucrativos, porque a maioria das organizações sem fins lucrativos não tem nada para vender. Mas a AHF vende cuidados de saúde a uma base de clientes majoritariamente composta de pacientes que recebem assistência do governo. Cada novo paciente representa mais dinheiro à organização. A equipe de vendas da AHF é responsável pelo recrutamento de novos pacientes, uma função que desempenham através da limpeza de abrigos de sem teto, hospedagem em clubes gays, caminhões que oferecem testes de HIV e muitos outros programas. Para cada novo soropositivo que entra para uma farmácia da AHF, o representante de vendas recebe US$ 300, e um adicional de US$ 300 quando os pacientes retornam à clínica uma segunda vez — o segundo preenchimento é um preditor mais confiável de retenção do paciente. Além de procurar os pacientes diretamente, os representantes de vendas também oferecem hospedagem e almoços para médicos de regiões com alta incidência de HIV. (Em 2015, dois ex-funcionários processaram a AHF argumentando que os incentivos oferecidos a cada por paciente eram como propinas ilegais. O processo ainda não chegou a uma resolução e AHF nega as alegações).

O encontro dos representantes de vendas incluía um exercício destinado a treinar conversação com os críticos da AHF. Neste treino, os participantes faziam uma espécie de teatro, assumindo papeis: poderiam representar a San Francisco Aids Foundation, cujos líderes são vocalmente críticos à AHF, ou um defensor da PrEP, alguém indignado por Weinstein se opor à pílula de prevenção do HIV. Uma mulher se dispôs a participar, dramatizando uma integrante da primeira.

“— Ok! Ótimo. Você sabia que inauguramos o primeiro centro contra aids em Los Angeles há cerca de 28 anos?”, perguntou Weinstein. “Desde então, crescemos rapidamente, principalmente no exterior.”

“— Eu sei que vocês cresceram rapidamente”, retrucou a mulher. “Você é o Walmart do HIV”, prosseguiu ela. “Eu trabalho com HIV há 30 anos! Eu vivi a epidemia. Eu vi todos os meus amigos morrerem. Vocês se anunciam como ‘sem fins lucrativos’, mas eu sei a verdade: vocês são uma fonte de lucro enorme! Não consigo nem encontrar suas informações financeiras em seu site — você as esconde.”

“O fato de termos tomado um modelo de negócios do setor privado e de utilizá-lo em uma organização sem fins lucrativos é algo positivo!”

Os representantes riram-se. Todos ali haviam ouvido uma versão dessa conversa por volta de mil vezes. Weinstein tomou a palavra e concluiu a sessão contando uma pequena história sobre uma freira que ele conheceu. Ela dirigia um hospital, o que exigia que ela tomasse decisões orçamentárias difíceis em nome de ajudar as pessoas. Sempre que as pessoas a criticavam por ser dura, ela tinha uma resposta pronta: “Sem receita, sem missão!” Isso, de acordo com Weinstein, é o que os críticos de AHF não conseguiram entender. “Não devemos pedir desculpas pelo nosso sucesso”, disse ele. “O fato de termos tomado um modelo de negócios do setor privado e de tê-lo utilizado em uma organização sem fins lucrativos é algo positivo!”

Weinstein com outros ativistas em 2012. (Foto por Ken Cedeno)

2016 foi o melhor ano de Weinstein. Ele abriu seis novas farmácias e uma clínica nos Estados Unidos e iniciou novos programas na Indonésia, Bolívia e Zimbábue. No lado da ativismo, porém, sofreu reveses significativos. Em novembro, sua iniciativa de preços de medicamentos falhou, com a maioria votação contra o referendo da Proposição 61. O mesmo aconteceu com sua iniciativa de preservativos em pornografia. Ao que parece, o público não está ao lado da agenda de Weinstein.

Se o referendo tivesse sido aprovado, Weinstein acredita que a Big Pharma começaria a quebrar.

Se o referendo tivesse sido aprovado, Weinstein acredita que a Big Pharma começaria a quebrar. O preço por medicamento seria um preço universal, pois até mesmo seguradoras privadas exigiriam pagar pela nova taxa pública. Bilhões de dólares seriam tirados da indústria farmacêutica, o que quer dizer que a indústria não teria mais a mesma força para intimidar congresso americano em apoiar seu regime de patentes internacionais. Os preços dos medicamentos despencariam no mundo todo. Os medicamentos contra a aids fluiriam livremente e a operação de lobby da indústria encolheria tanto que naufragaria.

Weinstein, muitas vezes, parece consolar-se da derrota reafirmando seu compromisso com sua luta. A percepção de Christopher Glazek, jornalista do New York Times, é que é isso é o que o torna um obstáculo para os seus críticos: é difícil, e às vezes impossível, distinguir seus estratagemas cínicos de seus compromissos ideológicos. A vontade de poder e a vontade de mudar o mundo parecem fundir-se em uma única pessoa. É difícil distinguir se ele se importa mais com a luta do que com a vitória. Weinstein parece acreditar que as as pessoas ainda vão chegar ao seu ponto de vista — e, se não o fizerem, tudo bem: a Aids Healthcare Foundation continuará a prosperar.

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67 comentários

  1. Matheus diz

    Assistam o documentário “Fogo nas Veias” na Netflix, ele fala muito bem sobre esse assunto.

  2. Sorocaba diz

    Olha JS eu li e senti algo como ganham bilhões… remédios caros …. indústria farmaceutica soh querendo que consumamos mais remedios no lugar de uma cura, porque assim ganham mais. Me senti encurralado com o que li acima . Realmente não eh interessante para eles de uma cura que vai causar grande perda de dinheiro. Mas fico do lado do Weinstein com relação a Prep. Acho que sim vai piorar muito o numero de contaminaçoes. Tb tenho lido na midia estrangeira de pessoas que se contaminaram com HIV mesmo usando Truvada.
    Num sei fiquei mau com a leitura. Vi que por ganancia se aproveitam da nossa doença.
    Vou tomar chá de camomila o dobro agora pra me recuperar disso.

  3. Miguel diz

    Pessoal… me esclareçam uma duvida… o exame pcr dna proviral…. detecta o hov nas células e nao ps anticorpos? Se sim…. qual a consequência de um resiltafo negativo?

    • Caio PE diz

      PCR DNA pró-viral é para identificar o material genético do HIV quando ele está impregnado dentro do DNA humano (quando ele aderiu ao DNA do núcleo do CD4). É diferente do PCR-RNA CV que detectam partículas virais livres na circulação sanguínea (os virions). Acredito que a janela imunológica seja de umas 2 semanas. Resultado negativo após a janela indica que não tem o vírus (ou pode ser um controlador de elite). Mas ninguém melhor que o Luiz Carlos para explicar melhor isso.

  4. CACA diz

    Enxergar a ganância dos farmacêuticos só diminui a esperança com respeito à uma possível cura! 😦

    • Matheus diz

      Caca a cura não virá da indústria farmacêutica…apenas cerca de 15% de todo dinheiro investido para a pesquisa da cura vem da indústria farmacêutica os outros 85% vem do governo que viabilizam a pesquisa nas grandes universidades…pode reparar que toda notícia sobre a cura vem seguido de: Pesquisadores de tal universidade descobriraram e por aew vai…

  5. Cara+ diz

    Acho que o segredo é não ficar pensando na cura. O segredo é viver, aproveitar cada dia, amar, beijar, viajar, dançar, beber moderadamente (quem gostar), ou seja, viva intensamente, pois estamos aqui de passagem. Eu acredito na melhora dos medicamentos, quem sabe a vacina que dure 3 meses ou até mesmo um comprimido por semana e assim vai. A cura, é fato que um dia vai aparecer. Pode ser amanhã, 2, 3, 10 anos ou mais. Mas a ciência e a medicina aliadas ao bom senso sempre vão falar mais alto que a indústria….que de certa forma também irá faturar, pois concordo com o JS…se a cura vier, deve ser em forma de remédio também. Então caros amigos vamos viver tudo que há pra viver!

    • Renato diz

      Oi cara+, gostei da sua postagem,como vc superou a questão de se relacionar numa boa?
      Eu ainda n sei como fazer ,como ficar c alguém sem contar, inclusive fico fugindo dos ex ficantes !!!

  6. marcelo diz

    A verdade é… existem uma série de benefícios aos soropositivos (acredito eu) que são dados como forma de proporcionar sobrevida ao portador como tratamento paliativo e, assim, a elite por trás da realidade, manter seus rendimentos mensais em meio a uma “doença sem cura”. Se todo cientista diz que é um vírus rudimentar, por quê tanto tempo para desenvolver uma cura? Deve ser mais interessante lucrar com remédios de alto custo do que bancar os mocinhos…

    • Sorocaba diz

      Maycon do céu…. muito animadora a materia. A mais animadora que li.

  7. Guto diz

    Estão conseguindo reduzir os reservatórios pela primeira vez na história. Isso é fantástico!!! E os ensaios de fase 3 já começam ano que vem.

    Vem 2020!

  8. Sorocaba diz

    Galera hj peguei meus segundos exames e fui no infecto. Bom nos 3 meses de uso do 3×1 já estou indetectável. Isso é muito bom. Mas fiquei um pouco triste pq o medico disse que estou com sinais de lipodistrofia. Ele disse que em algumas pessoas aparece cedo. Estou no rosto, nas mão e com abdomem ja aumentado. Mas descobri a doença só em dezembro de 2016. To meio pra baixo. Queria a eu meu devolta.

    • SAR diz

      Boa noite Sorocaba,

      Primeiramente, parabéns por ter atingido o seu objetivo que é estar indetectável. Fiquei curioso em relação a lipodistrofia. Já li que é muito difícil prever a lipodistrofia. Como o seu médico detectou isso? Foram através de exames clínicos? exames de imagem? Ou foi através da observação do seu corpo? Se foi por exames, quais exames levou ele a crer que está com lipodistrofia? Se puder me responder, ficarei agradecido.

      Abraço,

      • Sorocaba diz

        Foi visualmente estou com a maçã do rosto de um lado bem menor e minha mao ganhou veias saltadas. Fiquei muito triste.

  9. Vida diz

    Sorocaba
    Que bom que esta indetectavel! Meu esposo também ficou em três meses após o uso do 3×1. E rapidamente a lipodistrofia facial ficou perceptível ao olhar. Estamos levando da melhor forma possível. Ele fez preenchimento com ácido no cirurgião plástico. Melhorou muito. Não sabemos quanto tempo durará, mas estamos felizes. A lipodisteofia corporal estamos cuidando reforçando as atividades físicas.

    • Sorocaba diz

      Obrigado pela dica Vida! eu vou procurar saber desse procedimento. Vou procurar saber sobre o preenchimento com acido. Parece que esta ficando a cada dia pior.

      • Phoenix diz

        Sorocaba, comecei o tratamento não tem nem 3 meses, e já com essa nova medicação deste ano, e tbm percebi isso em mim. E não tem nada a ver com depressão essa minha perda de peso ou massa.
        Todo mundo conhece seu corpo, e percebe se houve ou não uma alteração física nele. Mesmo que seja imperceptível aos olhos dos outros. No meu caso, em apenas um mês de medicação, perdi massa nas pernas, bundas, e minhas mãos tbm secaram um pouco. Na minha face, tbm houve uma perda de massa tbm. E de um lado foi mais acentuada. Sempre fui um cara forte, simpático, não gordo, e nem musculoso, mas com um bom corpo. E isso é o que mais me preocupa, se irá se agravar com o decorrer do tempo. E olha que me alimento bem (muito bem), durmo bem e tô na academia. Percebo que no meu abdômen houve um ganho de gordura, e só nessa região houve. Minha série na academia é mais aeróbica, região do abdômen e enrijecimento muscular. Estou, de início, em 2 infectologistas, e todos os dois falaram que é muito cedo pra apresentar isso, e que essa nova medicação dificilmente ocasiona. Mas, há exceções eu acredito. Pensava que tinha a ver a lipodistrofia com o valor do cd4 qdo fosse diagnósticado. Se fosse baixo, como foi o meu no meu último exame cd4 62, era mais propenso. Mas o teu cd4 que eu me lembro que você mencionou era de 298. Então, não tem nada a ver com o valor dele, e sim, acredito com o tempo da infecção no organismo, e outros fatores genéticos, assim penso eu. Se quiseres trocar ideia comigo, fazer uma amizade, me diga algum email teu pra a gente poder falar reservadamente sobre isso e outras coisas. Meu aniversário foi a dois dias atrás e chorei muito, pois ninguém sabe de minha sorologia. Mas agradeço a Deus por esse sinal que ele me deu de ter a coragem de fazer esse temível teste. Caso contrário, não estaria talvez vivo hj pra poder falar com vocês.

        • Daniel34 diz

          Caro amigo, com tempo as coisas se encaixam e tudo vai tomando seu lugar. Uma dica que muito me ajudou comece a observar mais as coisas boas da vida e foque nelas. Há mais motivos para sorrir e viver bem do que ficarmos triste e murmurarmos. Descobri a minha sorologia a quase 3 anos e hoje até esqueço que tenho e levo a vida numa boa, preservando aquilo que é bom e o que não é deixando de lado.
          Adiquiri uma barriguinha mais nem ligo rs, pois não estou gordo nem obeso. Continue com os exercicios aeróbicos, você vai ver logo o corpo se adapta e volta ao normal. Eu já perdi 5kg em 3 meses de aeróbico e barriga até diminui.. agora vou intensificar e ano que vem quero ver se faço corssfit… bola pra frente fé em Deus e fé na vida!!!

    • Phoenix diz

      Vida, esse procedimento que seu marido fez foi no público ou privado? E se foi no privado, o plano cobriu? ou qto foi, caso contrário. No público, demorou muito pra ser realizado?

  10. Wesley diz

    Para quem acha realmente que tem uma conspiração da farmácia,
    Irei fazer uma única pergunta quem puder por favor responda 🙂 porque se vende hj apenas um comprimido se poderia continuar vendendo dezenas como alguns anos atrás? Meio sem lógica essa ideia de conpiracao ! Torcendo por vcs todos q venha a cura ! Tem uns sientistas q já conseguiram tirar o hiv dos animais , estão esperando autorização do governo para testa em pessoas! Sei não vou mais para mim 2020 Esta ficando distante para a cura !

  11. Sorocaba diz

    https://www.thepharmaletter.com/article/market-reaction-reflects-interest-in-abivax-hiv-breakthrough

    Reação do mercado reflete interesse em Abivax
    Resumo:
    As ações da biotecnologia francesa Abivax (Euronext Paris: ABVX) subiram mais de 150% às vezes na terça-feira, quando os mercados reagiram à notícia de um avanço do HIV potencialmente importante, embora com resultados em meio do estágio.

    A empresa anunciou que seu candidato principal ABX464 demonstrou a primeira redução nos reservatórios de HIV já observados em pacientes cronicamente infectados, conforme medido pelo DNA total do HIV detectado em células mononucleares do sangue periférico (PBMCs).

    “Nós abraçamos a profunda responsabilidade que temos em relação a todos os pacientes com HIV e à comunidade de HIV ao conduzir esse complexo único para frente”

    Estes resultados do estudo da Fase IIa apóiam o potencial da ABX464 para se tornar um elemento-chave de cura funcional para o HIV, diz Abivax.

    Linos Vandekerckhove, chefe do Centro de Pesquisa de Cura do HIV do Departamento de Medicina Interna da Universidade de Ghent, na Bélgica, e investigador principal do estudo, disse: “Esta é a primeira vez que vemos um sinal com qualquer candidato terapêutico que Pode ser possível reduzir os reservatórios de HIV em pacientes. Agora estamos ansiosos para saber como esta droga pode ser otimizada para ser parte de uma abordagem multitarget para reduzir ainda mais o reservatório viral. ”
    “O próximo passo será avaliar a maior duração do tratamento com ABX464, o que poderia levar a uma profunda redução do reservatório de HIV e, potencialmente, tornar-se parte de uma cura funcional para pacientes com HIV”.

    Um ensaio clínico separado da Fase IIa (ABX464-005) já começou a estudar os efeitos da ABX464 nos reservatórios do HIV nos tecidos do intestino. Com base nos seus resultados, a Abivax pretende alterar o protocolo ABX464-005 para prolongar o período de tratamento, a fim de observar os efeitos a longo prazo da ABX464 na supressão do reservatório do HIV. Os resultados iniciais do estudo ABX464-005 estão previstos para o terceiro trimestre de 2017.
    Hartmut Ehrlich, diretor executivo da Abivax, disse: “Com base nessa primeira evidência clínica de que os reservatórios do HIV podem ser afetados em pacientes, assumimos a profunda responsabilidade que temos para com todos os pacientes de HIV e com a comunidade de HIV, que possível.

  12. Vega diz

    Respondam vcs que já estão em tratamento, já estão com lipodistrofia, achei estranho esse relato do Sorocaba pq com os esquemas atuais esses efeito colateral não é frequente, era mais frequente com outros arvs mais antigos como estavudina, zidovudina, dentre outros…

  13. Matheus diz

    Tem q ter muito cuidado em não confundir lipodistrofia com o envelhecimento natural.

    • Vega diz

      Isso mesmo matheus, tem gente que confunde lipodistrófia com emagrecimento ou envelhecimento. A pessoa perde 10 kg é natural que perca gordura Tb, envelhece é natural que o rosto tenha alterações etc

  14. Jonas diz

    Complicado esta história de lipodistrofia. Me dá uma sensação que estamos longe da cura, considerando que o hiv é um mundo ainda desconhecido. As informações leigas e mesmo científicas são ainda insuficientes e desencontradas. Afinal a lipodistrofia é um perigo eminente ou não? Estas e outras perguntas ainda há anos-luz de serem respondidas. Convenhamos! Bola pra frente!

  15. Guto diz

    Comecei em janeiro meu tratamento com o DTG e nada de efeitos colaterais (exceto diarreia e insônia na primeira semana apenas) tive medo de perder peso e tônus muscular. Pelo contrário, engordei 4 Kilos de la pra cá pois passei a me alimentar melhor, faço várias refeições pequenas ao longo do dia ao invés de comer muito no almoço e depois passar o dia sem comer como eu fazia antes. Confesso que no começo tive uma sensação de estar emagrecendo e perdendo tônus muscular. Descobri que era psicológico, voltei a musculação e como protocolo dá academia onde malho antes de iniciar os exercícios refiz a avaliação física. Mesmas medidas, mesmo peso, nada de diferente de quando interrompi meus treinos pra iniciar o tratamento. Na bula diz que a lipodistrofia pra quem toma essa medicação é uma reação adversa incomum e ocorre em apenas 10% dos pacientes em tratamento com ele. Outra coisa (dica que recebi de uma nutricionista) façam suplementação com L-Glutamina. Independente se estiver ou não praticando musculação. Esse aminoácido ajuda a manter o volume muscular, já que nosso corpo fica em Constante estado de catabolismo devido a ação dos ARVs isso ajuda bastante.

    1 porção de 5g dissolvido em 200 ml de água ou suco antes de dormir é o bastante.
    Se estiver práticando musculação ou alguma outra atividade física mais intensa também é bom tomar antes e depois do treino (cerca de 30min a 1 hora).

  16. Paraense+ diz

    Eu não acho nada, por que ainda não tive tempo de ler. Mas, hoje vou dar uma olhada .😎✌

  17. Johnny diz

    Pessoal, preciso muito de uma indicação de um bom infecto… particular, tenho convênio Sul america. Cansei de dar tiro no escuro na guia do convênio. Algum nome? Muuuuito obrigado! 🙂

  18. Maycon diz

    Meu namorado e eu engordamos também! Ele está mega proporcional (pernão e bundão). Não credito isto à liposdistrofia. Mas a própria infecção, jah que antes do tratamento meu organismo estava gastando muita energia pra controlar sem ajuda o HIV.

  19. Maycon diz

    Mas a Lipodistrofia tem a ver com a interação HIV+gene+medicamento+meio. O que acontece com uma pessoa não acontece com as demais. Pois cada um possui uma assinatura genética.

  20. Sorocaba diz

    Foi meu infecto que confirmou que estou bem visivel com lipodistrofia no rosto maos barriga e perna

    • Caio PE diz

      O infecto não cogitou a troca do esquema ? Provavelmente seja a 3TC que esteja provocando isso. Sugeriu atividade física? Sugeriu ingestão de proteína ? Sugeriu a troca do ARV ? Agora, um CD4, inicialmente de 62 foi alarmante !

      • SAR diz

        Boa tarde amigos,

        Confesso que essa questão da lipodistrofia me tira dos eixos. Tenho muito medo. Acordo todos os dias e me olho, minuciosamente, no espelho. Meu CD4 inicial era 58 e estou há oito meses em tratamento com ATV/r, 3TC + TDF. Após o início do tratamento, engordei 6 kg, ou seja,voltei ao peso que tinha quando malhava. Ao contrário do que acontece nos homens com lipodistrofia, percebi um aumento nos glúteos, e ainda não percebi nada de anormal no rosto e nas pernas. Quero malhar, mas estou com receio de emagrecer, tenho facilidade pra isso, e ficar com aquela aparência de doente. Li que lipodistrofia é algo difícil de prever, pois depende de vários fatores. Por ter muito medo dessa anomalia tenho receio de começar a ver coisas onde não existe.

        Abraços.

        • Phoenix diz

          Sar, se quiseres fazer uma amizade, bater um papo, Meu kik é Anakin Skywalker. Abraços !

        • Mineiro 1964 diz

          Há exatos 10 dias, meu médico disse-me que lipodistrofia é coisa da passado, das combinações antigas, algo assim……Fique tranquilo!

  21. Jovem confuso diz

    Boa tarde gente, descobrir positivo a quase um ano e desde que descobri faço tratamento e já estou indetectavel, mais aqui comigo sozinho pensando veio uma dúvida, eu possuo plano de saúde, se caso um dia ficar doente por exemplo de peunomonia que é uma doença que pode dar em qualquer pessoa, minha dúvida é onde serei internado? Na clínica do plano ou no hospital de doenças sexualmente transmissíveis? Pq tem a questão da vitamina para tomar todos os dias em quanto estiver interno, alguém já passou por isso aqui e pode responder?

    • Antonio diz

      Em qualquer hospital que seu plano cobre e so informar que vc tem HIV eles vão ministra o que vc precisa. Fique calmo, ter HIV é algo sério sim, mas nada de outro mundo que as pessoas vão sair correndo como no anos 80. Vida normal colega!!

    • Miguel diz

      jovem, operei o joelho ontem, fiquei como qq outra pessoa… ngm vai te isolar numa câmara onde ngm pode te ver rs… se o fizerem, levanta e vai embora.

    • Henrique diz

      Pra evitar uma pneumonia eh só você tomar a vacina pneumo23. Disponivel para todos os soropositivos. Inclusive nao so a pneumo23 mas tbm a meningo “meningite”, hepatite a e b, antitetânica e etc. por isso a importância de sempre estar em dia com as vacinas. Caso seu infecto nao solicitou, converse com ele sobre e exija, eh um direito seu. Ressalto a importância da vacina de hpv tbm, ela está disponível apenas para mulheres, mas nós homens tbm podemos tomar e ela evita invlusive alguns tipos de cânceres, como o anal, de garganta e peniano.

    • Gil diz

      Confuso, há um ano eu fiz cirurgia de redução do estômago, a bariátrica, fiquei 3 ou 4 dias internado. Tudo correu bem, todos sabiam, tomei os remédios que trouxe de casa para matar os meus bichinhos, as enfermeiras sabiam, disseram que era normal atender portadores de HIV, que muitos tinham colegas na enfermagem e que sabiam que se a pessoa se trata e eles usam as medidas de segurança, a gente não transmite. me deu muita confiança no Hospital da UNIMED de João Pessoa. Fui internado por ter desidratado, umas 3 semanas depois, pois não havia dado conta de tomar água de golinho em golinho devido à cirurgia e tive uma infecção urinária, tudo normal no pós operatório nestas situações, todos sabiam de que eu tenho o hiv e nenhuma discriminação, nenhum tratamento diferenciado, Tudo certinho. Relaxe, amigo, você não será segregado

  22. Sorocaba diz

    Eh galera… a cura do hiv nos ratos ta em tudo que eh site…. paciência agora pra testar em humanos.

    • Mineiro diz

      Daqui uns dias esse site vai ter que mudar de novo jovemexsoropositivo.c om 🤔.

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