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(In)evitáveis problemas cardíacos

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Priscilla Hsue, a mesma cientista que apresentou na Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, CROI 2017, um estudo animador sobre o anticorpo canakinumab, possivelmente eficaz contra a inflamação crônica — publicado aqui no blog — também apresentou um outro estudo, porém, que parece ter resultados não tão animadores sobre a saúde cardiovascular de soropositivos e a crescente preocupação de doenças cardiovasculares entre as pessoas que envelhecem com HIV.

Neste estudo, a infecção pelo HIV foi associada a um maior risco de infarto do miocárdio, o ataque cardíaco. O motivo para o HIV aumentar o risco de infarto ainda não está completamente compreendido. O que se sabe é que o HIV pode alterar a flora intestinal e, com isso, algumas pequenas moléculas que são metabolizadas ou produzidas por este microbioma intestinal também são alteradas. Entre elas, o n-óxido de trimetilamina, uma molécula já associada ao infarto entre adultos sem HIV, a carnitina e a betaína, associadas à espessura da artéria carótida em indivíduos infectados pelo HIV.

O objetivo do estudo era verificar a hipótese destas moléculas associadas à flora intestinal poderem de fato prever o risco de infarto em adultos infectados pelo HIV. O estudo incluiu indivíduos soropositivos com carga viral indetectável sob terapia antirretroviral que recebem tratamento em oito diferentes clínicas nos Estados Unidos e que tiveram infarto do miocárdio “tipo 1” entre 2001 a 2012. Estes casos foram comparados por amostragem de densidade de incidência para cada caso, por idade, sexo, raça, duração da supressão de carga viral e contagem de CD4. Os níveis plasmáticos de n-óxido de trimetilamina, betaína, carnitina e colina foram medidos em amostras de plasma sanguíneo coletadas antes do infarto. A associação entre as pequenas moléculas produzidas pela flora intestinal e o infarto foi então avaliada utilizando regressão logística condicional.

Esse estudo não foi muito abrangente — com apenas 36 casos e 69 controles, com idade mediana de 49 anos, variando entre 46 a 58, e 77% do sexo masculino –, mas serviu para concluir que, dentre as moléculas analisadas, a carnitina é que mais parece ser preditiva de infarto do miocárdio em indivíduos infectados com HIV, tratados com antirretrovirais e com carga viral indetectável. Esta descoberta sugere que o mecanismo de aterosclerose em soropositivos é diferente daquele que ocorre em indivíduos não infectados, os soronegativos. Se esta hipótese se confirmar na repetição deste estudo ou em estudos mais abrangentes, é possível que as intervenções médicas relativas à saúde cardiovascular das pessoas com HIV passem a ser diferentes das que são feitas em soronegativos.

Mas Priscilla Hsue não terminou por aí. Segundo o Betablog, ela apresentou outra pesquisa a respeito de infarto do miocárdio, morte cardíaca súbita, mortalidade associada à doenças cardiovasculares e outros problemas cardiovasculares num outro evento, mais recente, organizado pela San Francisco Aids Foundation.

Ela citou um estudo com milhares de pessoas que receberam cuidados através da Associação de Veteranos nos Estados Unidos. Esse estudo descobriu que as pessoas vivendo com HIV parecem ter um risco 50% maior de infarto do miocárdio (um ataque cardíaco ou um bloqueio agudo em um vaso cardíaco) do que as pessoas soronegativas. Este risco manteve-se igual mesmo quando as pessoas com HIV estavam sob tratamento antirretroviral e com carga viral suprimida. O texto publicado pelo Betablog não traz referências diretas para o estudo citado por Priscilla, mas tudo indica que trata-se de um estudo publicado em 2014, intitulado “Epidemiologia da Doença Coronariana em Pacientes com HIV”, o qual mostrou que, entre o período analisado, 1999 a 2013, o risco de doenças cardíacas entre soropositivos aumentou.

Priscilla também disse que a morte cardíaca súbita (quando uma pessoa morre subitamente de um problema cardíaco) é um problema significativo. Um estudo realizado entre 2001 e 2009 no Zuckerberg San Francisco General Hospital descobriu que a morte súbita cardíaca entre pessoas vivendo com HIV era mais de 4,5 vezes maior do que entre pessoas soronegativas. Um dos colegas de Priscilla está agora conduzindo um estudo de autópsia em pessoas vivendo com HIV que morreram de problemas cardíacos, a fim de tentar identificar a causa da morte. O objetivo, segundo Priscilla, é aprender a identificar as pessoas que estão sob alto risco, para que, assim, os médicos possam intervir mais cedo, evitando problemas cardíacos graves.

“Ainda não somos bons em prever as pessoas que vão ter um ataque cardíaco”

“Nós ainda não somos bons em prever as pessoas que vão ter um ataque cardíaco”, disse Priscilla. Atualmente, os médicos usam “calculadoras de risco”, que levam em conta fatores como sexo, colesterol e histórico de tabagismo para estimar o risco cardíaco. Contudo, é bem possível que estas calculadoras atuais subestimem o risco para as pessoas que vivem com o HIV.

Uma das variáveis que ainda não pode ser bem computada entre todos estes estudos é o tratamento precoce, iniciado logo depois do diagnóstico. Afinal, até agora, todos estes voluntários, em virtude de sua idade, certamente não começaram o tratamento imediatamente após o diagnóstico positivo para o HIV, tal como passou a ser recomendado desde há alguns anos. Por isso, os pesquisadores ainda não sabem qual é o risco de problemas cardiovasculares para pessoas que começaram a tomar medicamentos para o HIV logo após o diagnóstico de HIV.

Ainda assim, é inevitável não pensar que, uma vez que o estudo com os veteranos mostrou que entre 1999 a 2013 — isto é, recentemente — o risco de doenças cardíacas entre soropositivos aumentou, será que não seriam os medicamentos antirretrovirais os causadores destes problemas cardíacos?

“Ainda não sabemos qual é o regime antirretroviral que mais protege o coração”

Os médicos já sabem alguma coisa sobre o efeito dos antirretrovirais sobre a saúde cardíaca. Alguns estudos de longo prazo de fato descobriram que a exposição a longo prazo a inibidores de protease — grupo que inclui Atazanavir, Darunavir, Fosamprenavir, Lopinavir, Ritonavir, Saquinavir e Tipranavir — podem aumentar o risco de ataque cardíaco. Alguns estudos — mas não todos — concluíram que o Abacavir aumenta bastante este risco. O risco oferecido pelos novos medicamentos, como os inibidores da integrase — grupo que inclui o Dolutegravir –, ainda não é conhecido. “Ainda não sabemos qual é o regime antirretroviral que mais protege o coração”, disse Priscilla.

Mas há fortes evidências de que começar medicamentos antirretrovirais o mais cedo possível e manter boa adesão no tratamento é o melhor para a saúde do coração. A razão, segundo Priscilla, provavelmente está ligada ao efeito dos antirretrovirais sobre a famosa inflamação crônica — assunto daquele outro estudo de Priscilla divulgado na CROI.

Priscilla Hsue

Disso tudo, a pergunta que parece não querer calar é: será que os problemas cardíacos são inevitáveis em nós, soropositivos? “Eu acho que inevitável é uma palavra forte demais”, foi o que disse Priscilla, respondendo à plateia do evento em São Francisco. “Nada é inevitável.” É importante, ela enfatizou, que as pessoas mudem as coisas que estão ao seu alcance, sob seu controle — como, por exemplo, parar de fumar. “Estudos mostram que as pessoas que vivem com o HIV perdem mais anos por fumar do que pela própria doença.”

Reduzir a inflamação crônica e o colesterol parece ser um dos principais caminhos para diminuir o risco de problemas cardíacos entre pessoas com HIV. Segundo Priscilla, novos medicamentos para baixar o colesterol, que podem ser injetados uma vez por mês, estão sendo estudados. Um destes medicamentos baixou o colesterol em 60%. A terapia baseada no anticorpo canakinumab também está sendo estudada pela equipe de Priscilla, como uma alternativa para reduzir a inflamação crônica. Os resultados mostraram que este tratamento reduziu a inflamação nas artérias e na medula óssea.

É verdade, os cientistas ainda não sabem o suficiente sobre o risco cardiovascular e a inflamação crônica em nós, soropositivos. Mas as pesquisas, como estas de Priscilla, seguem em andamento justamente para responder estas questões.

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74 comentários

  1. Caio PE diz

    Dilema total: não podem interromper os ARVs, mas os mesmos causam efeitos deletérios ao organismo. Mas mesmo assim, é importante e fundamental a TARV.

  2. Paraense+ diz

    Putz, mais essa…A saída é viver cada dia como se fosse o último, intensamente, mas de maneira responsável e segura.

  3. Henrique diz

    Eu ainda prefiro morrer de um admtaque cardíaco do que com aids..

    • JuniorRN diz

      Isso é verdade, Henrique. Afinal, um dia todos nós inevitavelmente teremos que morrer mesmo. A morte faz parte do ser humano.

        • JuniorRN diz

          Asseguro que tomar o remédio me deixa mais tranquilo do que não toma-lo.

  4. Sorocaba diz

    Se for morte subita significa que não vou dar problema no hospital pra ninguém e de quebra sofro menos. Achei isso ótimo.

  5. Sorocaba diz

    Galera antes que todo mundo comece a reclamar aqui da notícia (inclusive eu rsrsrs) vale lembrar que ano passado uma amiga minha cheia de saude da minha idade morreu subtamente a noite deixando o filha e marido. Tinha 40. Não tinha HIV. Sentiu uma dor forte no peito e puff. Meu amigo por culpa da estrada daqui toda esburacada bateu o carro em frente um caminhao. Morreu com 42. Um amigo meu cheio de grana se enforcou estava deprimido e ninguem percebeu. Uma moça amiga de minha mãe com 45 anos morreu de cancer e nao tinha HIV. A mae da minha tia morreu com 55 de ataque cardíaco. Não tinha HIV. Fui vizitar um amigão meu que não esta com HIV mas tem hepatite C. O tratamento pra ele nao deu certo. Não o curou.
    Ou seja não somos eternos com ou sem HIV. Com ou sem remédios. E meu infecto disse quando fui desesperado para ele quando descobri meu HIV e perguntei quanto tempo eu tinha de vida ele disse que cuida de varias pessoas com mais de 20 anos de HIV.
    Bom com ou sem HIV morremos. O que temos a fazer eh tentar viver bem a cada dia. Eh dificil pra mim, eh dificil pra vc. Mas temos que fazer isso.

    • Jonas diz

      Penso o mesmo que você. Em 1 ano que tive conhecimento da minha sorologia não tens ideia de quantas pessoas já partiram do meu ciclo de conhecimento. Detalhe, todas soronegativas.

    • JuniorRN diz

      Adorei seu comentário, Sorocaba. Muito obrigado. Vamos viver a vida e, como disse o Paraense logo acima, de maneira responsável e segura.

    • marc diz

      Outro dia estava vendo uma foto e percebi que dois amigos que estavam nessa foto morreram em um espaco de tempo de um ano. e outros dois tambem nesse meio periodo. Tres deles morreram de cancer e um tinha cancer e hiv.

    • MLDS diz

      É isso! Força na peruca e vamos em frente….rumo ao sol! Não temo a morte, temo não viver bem!

    • Leci Dupret diz

      Eu concordo . Vivo com Hiv há 11 anos e tenho uma vida normal . Me cuido , vou ao meu infectologista, tomo meu medicamento corretamente, não perco noite de sono , tenho uma alimentação saudável, não uso drogas , não bebo em demasia e não faço sexo sem preservativo . Há e não tenho anonimato .
      Meus amigos ,filhos e parentes sabem .
      Trabalho , sou universitária fiz 53 anos no último dia 18/04
      Fui contaminada no meu casamento de 25 anos e sou separada mas tenho ótimo relacrelacionamento com meu ex marido .
      Vivo muito bem e sou muito feliz ……

      Com Hiv ou não um dia eu vou desencantar, Então procuro viver um dia de cada vez da melhor maneira possível!

  6. Sorocaba diz

    Ah e teve o ator da globo lembra! Domingos Montanher sei lah! Morreu cinquentao. Afogado num rio. Todo mundo morre de varias formas.

  7. Jonas diz

    À proposito, acho estas pesquisas bem bacaninhas, porém, a doutora tem até boa vontade, mas como foi dito no texto: “Esse estudo não foi muito abrangente — com apenas 36 casos”. Ou ainda: “Estudos mostram que as pessoas que vivem com o HIV perdem mais anos por fumar do que pela própria doença.” Das 36 pessoas, a única variável observada foi ‘ser soropositiva´, outras tantos certamente foram deixadas de lado, a exemplo: estilo de vida, consulta regulares a cardiologistas, se fumantes ou não, praticas regulares de exercícios físicos, estrutura emocional, tipo de alimentação, consumo de drogas ilícitas, exposição a poluição urbana etc etc. Entonces, doutora Priscilla é nossa amiga, está interessada em pesquisar pessoas com sorologia positiva para hiv, mas são estudos que giram em círculos. Vamos à vida!

  8. Gil diz

    Pronto! Depois desta notícia já vou fazer meu testamento, já vou escrever a carta de despedida, escolher o caixão (coisa brega!)…
    Há possibilidades maiores? Sim, 50% a mais. Isso quer dizer 50% a mais de quantos % de chances que você tem de ter um piripaque do coração?
    Se há uma chance de 5%, talvez menos, se você não for cardiopata, aumenta para 7,5%.
    Não quer dizer que todos com HIV vão ter ataque cardíaco. Quer dizer de aumento de chances, mas estas dependem de seu modo de vida. Isso se não surgir uma outra pesquisa ou reavaliação de casos clínicos que desmonte as contas feitas pela pesquisadora.
    É só manter a calma, manter o stress baixo, viver com qualidade (boa alimentação, sono regulado, sem excessos, praticar esportes, etc etc) que seus riscos diminuem.
    CLARO, NESTAS ÉPOCAS DE CARNE FRACA… Reduzir carne “vermelha-cebion”, nada de salsichas e embutidos, nem leite com formol, nem cerveja de milho com pombo e tudo, e sem assistir ao noticiário, que deixa qualquer pessoa doente com o que vê de podridão e políticos corruptos.
    Mas em tempos de Aposentadoria-Matusalém, o lado bom é morrer antes de descobrir o quanto vão te roubar na hora de receber seu benefício…

    • Paraense+ diz

      E entre comer o presunto “Sadia” ou o presunto “Luís Augusto”, coma o Luís Augusto…hahaha !!!.

  9. Maycon diz

    Falou, falou e não disse quase nada! Se trata de uma pesquisadora com “certo” interesse em ter suas pesquisas alavancadas. O estudo foi muito pequeno para se tirar qualquer conclusão (ela mesmo expõe isto). Não usaria este dado com essa quantidade de participantes, nem pra saber se a população gosta do odor do Egeo da boticário. Do ponto de vista pessoal, a mim, não valeria de muita coisa, já que na matéria tratam de estudos feitos em veteranos (o que não é o meu caso). Tabagismo, aumenta e muito as chances de infarto do miocárdio, assim como seu uso concomitante com anticoncepcionais. Mesmo assim, todo mundo conhece fumantes que iniciaram o vício na adolescência e estão com seus 70 anos numa boa. Enfim, é mais especulação com notória intenção de arrecadar investimentos , do que de informar ou concluir algo! Prefiro e acho mais válido estudos que apontam, para uma futura equiparação da expectativa de vida de nós portadores com os não portadores, já que estes, pelo menos possuem mais dados quantitativos e qualitativos (este último,completamente ausente na análise da Dr Priscilla). E querem saber, a única coisa que me interessa, é saber se os danos desse intruso no meu organismos, poderão, no futuro, serem revertidos quando a cura chegar. Espero que ela consiga o patrocínio para suas pesquisas! Sou pesquisador e sei como nossos membros pescam o peixe.

  10. Maycon diz

    Mais uma coisinha que ficou de fora: a epidemia nos EUA é abastecida e muito, com uma grande quantidade de usuários de heroína (público objeto da pesquisa)! Até a irmã da Mariah Carey, suspeita ter se contaminado desta forma. São muitas variáveis ( drogas, stress, depressão, isolamento etc)! O que torna difícil para o pesquisador analisar todas as possibilidades para o aumento nas doenças cardiovasculares.

  11. Maycon diz

    Lembrando que a irmã da Mariah, é portadora há muitos anos! Se droga e se prostitui até hoje e está vivinha da Carey.

  12. Serginho... diz

    Estou indo pró sétimo pote do 3 x 1 e vou dizer a vcs as vezes eu lia notícias como essas e me apavorava…A pessoa tem q ter uma mente muito fraca pra deixar um comprimido e míseras três letras mudarem suas vidas.. Abraço a todos..

    • JuniorRN diz

      Verdade, Serginho. Ainda bem que existem espaços como esse para partilharmos nossa experiência. Obrigado a vc e a todos. Os comentários que vi me ajudaram muito.

  13. Oliveira diz

    Pessoal to com uma DUVIDA …alguem pode me ajudar ????
    – Sou autonomo e tenho MEI aberto a pouco tempo, e terei que fazer declaraçao de imposto de renda pela primeira vez em minha cidade . A pergunta é : “-No procedimento da declaraçao com minha contadora, tem como descobrirem que sou portador do HIV ? ”

    👉 Nao queria que que soubessem .moro no interior….e cidade pequena é osso. OBRIGADO SE ALGUEM AQUI POSSUIR TAL INFORMACAO FICO AGRADECIDO !!!

    • Ser+H diz

      Oliveira na DIRF não há razão para mencionar que você é portador de HIV. Aliás, você não tem nenhuma isenção de impostos por ser soropositivo, exceto se receber aposentadoria ou pensão que tenha parcela tributável, mas parece que não é o seu caso. Ainda que fosse necessário indicar a sua condição na declaração de imposto de renda, você estaria acobertado pelo sigilo fiscal, que é uma garantia constitucional, somente violável por ordem judicial.

  14. Luiz Carlos diz

    Atenção para os usuários de Raltegravir: conforme Nota Informativa nº 007/2017 do Ministério da Saúde, procurem seus infectologistas para a substituição do Raltegravir por Dolutegravir.

    A primeira análise do banco de dados do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais mostrou que essa troca ainda está aquém do esperado, permanecendo grande número de pacientes em uso de RAL. Portanto, considerando que essa recomendação clínica tem suas implicações diretas no gerenciamento logístico das coberturas de estoque na rede, bem como que NÃO HAVERÁ NOVA REMESSA de RAL para atender a demanda desses pacientes, com exceção para os casos previstos na referida Nota Informativa, solicitamos o acompanhamento detalhado dos pacientes com indicação de substituição do RAL pelo DTG, bem como trabalho conjunto com as coordenações e serviços de saúde para a priorização das consultas desses pacientes.

    Abraços

    • Rodrigo diz

      Significa, portanto, que não são apenas virgens de tratamento e/ou que não estão respondendo à terapia que estão indicados para o DTG? E porque essa recomendação para os usuários do RaL?

      • Luiz Carlos diz

        Exato, isto já vinha sido divulgado desde o início da implementação do DTG, apenas está havendo baixa adesão na substituição de RAL por DTG, por isto este apelo.

        A recomendação vem a partir do relatório do Conitec, onde a principal alteração é relativa a questões orçamentárias: “A compra de DTG 50mg para novos pacientes que iniciarem TARV (1ª linha) + pacientes da 3ª linha em substituição a raltegravir representa uma economia de U$ 19.491.570,00 no orçamento do Ministério da Saúde.”

  15. Rodrigo10 diz

    Pessoal, alguém tem informações se tem algum problema no uso combinado do anticoncepcional e TARV 3×1 em mulhere soropositivas?

    • Luiz Carlos diz

      Os antiretrovirais (ARV) Efavirenz e Nevirapina (não-nucleosídeos) e os Nelfinavir e Ritonavir (inibidores da protease), disponíveis para o controle da infecção pelo HIV, interagem diminuindo os níveis séricos dos hormônios estrogênicos e, portanto, sua eficácia contraceptiva. O uso adicional do preservativo masculino ou feminino deve ser considerado (dupla proteção).

      Abraços

  16. Ombro Amigo diz

    Embora o vírus HIV seja estudado há mais de 30 anos, ainda não temos a plena noção da ação do vírus e dos antirretrovirais no organismo. Por dois motivos: a ação do vírus é conhecido há um período relativamente recente na história da medicina e os ARVs em um período ainda menor. As constantes evoluções do tratamento, associado à variações relativas à qualidade de vida, fazem com que ainda não seja conhecido o real impacto do vírus e/ou dos antirretrovirais.

    Tenho certeza que os portadores do HIV que começaram com medicações como o DTG viverão bem melhor do que os que começaram as primeiras combinações em meados dos anos 90. É só ter calma, cuidar da saúde e viver bem.

  17. Mar+ diz

    Gente, fiquei com uma dúvida. O texto fala que a Carnitina é a mais preditiva de infarto, mas não diz se é o excesso ou a escassez dela. Alguém teve outro entendimento?
    Porque eu uso Carnitina como suplemento em atividade física.

  18. CACA diz

    Fumo há doze anos, decobri minha sorologia em janeiro, e estou na luta contra o cigarro. Mas não é fácil… ainda mais nesses últimos tempos tenho fumado bem mais pela ansiedade causada pela situação. Gostaria de parar sem ajuda de remédios mas não sei se vai ser possível. Sinuca de bico…. 😦

    • Mineirinho diz

      Opa, fumava a onze anos também, há um ano e meio descobri a sorologia, consegui parar de fumar a dois meses. Tem horas que ainda dá vontade, mas não é tão forte mais, o mais complicado é na primeira, segunda semana. Não se sinta precionado pra parar. Mas pensa que vai ser melhor pra vc. Quando estiver em uma fase boa tente, diminua, vai fazer bem 😉

  19. Guto diz

    Dois anos e dois meses de tratamento… Por mais que tentem me convencer de que a vida continua “normal”, de que nada mudou e de que o HIV não é nada em relação às outras enfermidades, sinto dizer, mas ainda tenho muita resistência em aceitar tudo isso de maneira pacífica. O pior legado desse ato irresponsável, descuidado, ou como queiram definir, não é físico, tendo que tomar diariamente um ou mais comprimidos para controlar o vírus, mas sim psicológico. Psicológico por sabermos que poderíamos ter sido pessoas “melhores” e com comportamentos mais responsáveis, antes da sorologia… Não espero a cura e tento não me culpar (tarefa difícil), mas talvez o que me entristeça mais é ver ao meu redor as infecções crescendo descontroladamente na faixa etária em que estou incluído… Se soubessem como eu gostaria de ser quem eu sou hoje, mas sem a marca do HIV, avaliariam melhor a importância da prevenção. Em relação à notícia, creio que a morte chega pra todos e no momento certo, ninguém vai antes da hora… Não se despererem. Gil, como sempre, seus comentários são muito pertinentes. Abç exclusivo! Vida e paz pra todos!

    • Mineirinho diz

      Não se sinta culpado não Guto. Aconteceu, não adianta se lamentar. Creio eu que você não teria amadurecido se não fosse esse acontecimento. Tem um ano e meio que descobri, as vezes me sinto muito pra baixo também, mas o hiv não é o único motivo. Força aí irmão. A vida não é sempre como a gente quer, a vida é pra ser enfrentada todos os dias. Independente de ter ou não o vírus.

    • Mar+ diz

      Guto, sei bem como vc se sente. Pior que não tranzei sem camisinha, mas com certeza falhei em algum detalhe que não sei qual. Às vezes não acredito que isso tá acontecendo. Mas enfim, fazer o que? Nunca tive medo de morrer, mas mesmo depois de quase 2 anos ainda não consegui me ver como uma pessoa normal. O importante é “tentar” não perder tempo com isso, porque o tempo tá passando pra todo mundo, e não seria bom olharmos pra trás e vermos o tempo que poderíamos ter usado simplesmente vivendo a vida.
      De um jeito ou de outro, o tempo tá seguindo. Que todos tenhamos força.

    • Paraense+ diz

      Continue assim e daqui há 10,15,20 anos você vai estar olhando para trás e se arrependendo de ter esquecido de viver…

    • Gil diz

      Olá Guto.
      Cara, queria poder te conhecer pessoalmente e te dar um abraço, para a gente discutir um pouco sobre essa sua sensação, essa sua inadequação. Cara, a gente cria uns dragões, e são moinhos de vento…
      Já passou, sei que você se gosta, mas fica o gosto amargo do “se…”
      No futebol e na vida, o SE não joga. É clichê, mas e se não fôssemos imprudentes, sabe-se lá o que o destino nos reservou.
      Lembro da história que um amigo passou há uns dois anos, menos ainda, lá em Joinville. Dá pra buscar este acidente na internet no jornal “a notícia (www.an.clicrbs.com.br)
      Um paciente dele foi levar exame ao médico e descobriu um tumor no cérebro.
      Quis morrer na hora. Amaldiçoou a si, ao mundo.
      Naquele mesmo dia, rompeu uma viga do teto da empresa, a caixa dagua caiu da empresa rompeu e matou a colega dele, saudável, mãe, amiga…ela estava no posto de trabalho dele.
      E o cara se curou…
      A gente nunca sabe o que o destino nos reserva.
      Se quiser, me escreve: psicoglmr@gmail.com

  20. cbb diz

    Um abraço a todos os manos que estão nesta luta. Gostaria de saber se alguém poderia me dar luzes ou uma informação se é possível alguém atingir o estado de indetectável em três meses de tratamento rigoroso com o 3×1 composto por efavirenz, erimitrobicina e tenofavir, sendo que neste periodo de tratamento o cd4 evoluiu de 326 a 628?

    • Caio PE diz

      É possível sim (tem gente que chega ao indetectável com menos tempo que isso), mas esse 3×1 não existe no Brasil.

      • cbb diz

        Obgdo Caio PE. É que aqui no meu país, Angola, ñ se faz exame de CV no hospital de referência ao tratamento de soropositivos.
        Mas mais importante ainda é que já recuperei o peso normal e nunca mais fui acometido de nenhuma enfermidade, principalmente as tropicais como paludismo, que é mto popular nestas bandas.

        • Luiz Carlos diz

          Tudo depende da quantidade de CV no sangue e na capacidade do organismo. Eu tinha CV muito baixa, cerca de 300 quando iniciei o tratamento. Atingi indetectável em menos de duas semanas.

          Abraços

    • CACA diz

      Olá cbb iniciei meu tratamento no dia 17 de janeiro com o 3×1 e em menos de um mês já estava indetectável. 😉

  21. Matheus diz

    Cbb muito provavelmente vc está indetectável já que seu CD4 praticamente dobrou em 3 meses,abraços.

    • Caio PE diz

      Exatamente.
      A CV possui relação inversamente proporcional ao CD4, em sua imensa maioria dos casos.

  22. Fabio diz

    Olá pessoal, em relação a saúde do coração sugiro magnésio, omega 3 e vitamina D. Existem vários artigos científicos que corroboram a eficiência desses complementos. Um super abraço a todos!

  23. Guto diz

    Tem razão Mineirinho, de fato esse amadurecimento só se tornou efetivo após a sorologia. Inclusive, assim como você, após o diagnóstico parei de fumar, ou seja, o HIV também me trouxe uma preocupação maior em relação à minha própria saúde. Mas volto a dizer, a marca não é física, mas sim psicológica. Não sei vocês, mas a minha concepção de vida e de mundo se alterou nesse percursso. Me sinto muito mais sensível, muito mais vulnerável e muito mais impaciente com coisas pequenas… Coisas e ações que antes tinham enorme significância pra mim e hoje já não fazem o menor sentido. A culpa é sinônimo de reflexão. Não sofro com ela… Mas ela está ali como um alerta pra eu não me tornar aquilo que eu era antes, compreendem? Mar+, com certeza a sua história é mais uma das inúmeras histórias únicas que compõem esse universo exclusivo que nos agrega, e fico muito feliz que ao interagir aqui descubro que o que nos aproxima não é somente a condição sorológica, mas sim o mesmo aprendizado resultante das nossas experiências diversas, mas únicas em resultados. E volto a dizer, não sei até que ponto naturalizar a condição do HIV é seguro em termos preventivos para o mundo. Hoje, as pessoas acham que só porque existe um “remédio”, podem esquecer da prevenção. O resultado disso, consultando os Boletins Epidemiológicos dos últimos anos, é um aumento significativo dos casos de HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Tenho só 22 anos… E as incertezas sobre o meu futuro, a longo prazo, o remédio não pode sanar… (e não é uma lamentação rs, é só uma constatação). Vida e paz pra todos!

  24. Força e Fé diz

    Bom dia querido, hoje venho compartilhar com vcs uma grande Vitória em minha vida, ontem foi minha colação de grau como ENGENHEIRO MECÂNICO. Um sonho iniciado em 2012 e que parecia tão distante naquele momento hoje se faz realidade, porém com um gostinho mais amargo devido a descoberta da sorologia + descoberta no final de outubro passado bem na semana das provas finais. Foi numa terça feira e ainda não sei como consegui fazer o restante das provas durante o resto da semana, só pode ter sido Deus, pois não tinha cabeça nem pra estudar. O engraçado foi que a iminência da morte era tão certa na minha cabeça que queria fazer tudo que pudesse o mais rápido possível e terminar algumas coisas, como a formação por exemplo, era como se eu estivesse arrumando a casa pra minha partida. Com isso planejei minha morte pra uma semana mas não deu tempo de fazer tudo que eu queria nesse tempo, então precisei de mais uma e outra e outra e outra. Até eu ver que precisava de muito mais tempo, precisava de anos e ainda era pouco. Quando me vi estava aproveitando o melhor da minha vida após a descoberta e no início desse mês iniciei com o DTG ( como disse em outro post sem qualquer efeito colateral até hoje, as vezes acho que o remédio nem está fazendo efeito pois não sinto nenhuma alteração física). Mas enfim estou aqui formado e fazendo planos , o futuro é incerto pra todos inclusive para os soro-, então vamos viver. Acredito que o que me deu forças foi fazer planos pra um dia uma semana um mês e hoje faço planos para anos, esse é o segredo da longevidade, quem faz planos tem sede de vida. Hoje estou um pouco triste pois vejo as pessoas que amo se preocupando com coisas tão pequenas que dá vontade de abrir o jogo e dizer: ” Gente acordem pra vida eu tenho hiv e estou tentando viver bem e melhor, estou aqui por vcs vamos ser felizes vamos nos amar a areia da vida está escorrendo no relógio do tempo, o que eu tenho sim é um problemao e ainda assim estou seguindo “.
    Talvez serviria como um incentivo pra eles aproveitarem mais a vida porém não tenho coragem de falar da minha condição pra ninguém. Precisamos ser pessoas melhores para mundo , precisamos ser exemplos de perseverança e fé pra aqueles que nos rodeiam. Precisamos viver intensamente cada minuto a mais que nos foi doado pelos ARVS. Deus está no controle FORÇA E FÉ sempre

    • JuniorRN diz

      Que lindo depoimento. É isso aí Vamos viver a vida, com a ética do cuidado: cuidar do nosso corpo, cuidar dos outros e da natureza Parabéns pela sua formatura. Deus te proteja.

  25. VIDA diz

    Preciso desabafar. Hoje estive presente para fazer os exames de rotina . E na hora do exame uma enfermeira era nossa conhecida muito próxima de nossos parentes. Não fizemos o exame saímos muito nervosos do laboratório com receio de ela saber e contar para todos sobre isso. Tudo estava indo tão bem.

    • Mineiro de BH 1964 diz

      Entendo sua dor. Eu me sentiria da mesma forma. Mas descubra quando é a folga dela, e volte….

  26. Gil diz

    Viver a vida a cada dia, bem vivido, bem curtido, de preferência se você planejou o hoje. o futuro existe, e se chama PRESENTE BEM PLANEJADO (fazer bem feito o que puder, a cada momento).
    Tem dia que desanimamos, reclamamos, como atualmente, achei ruim algumas atribuições e regras burocráticas de alguns gestores, mas só as tenho porque estou empregado. Pior seria não ter contingências profissionais por não ter vida profissional. Se não é o ideal hoje, a gente faz ser, a gente constrói.
    Assim é a vida, cheia de desafios. Ah, o HIV está aí, dentro da gente? Bem… azar dele, vai de carona no nosso pique de fazer mais e melhor, vai junto nessa vibe de construir o melhor para a pessoa mais importante do mundo: VOCÊ!
    Primeiro, você, segundo você, terceiro, você. Assim, no exemplo de se reinventar, de crescer, de executar o que planejou, conseguiremos dar bons modelos e boas alternativas para aqueles que estão a nosso redor.
    Parabéns, Engenheiro. Não morra. Viva só um dia. Um de cada vez.

    • JuniorRN diz

      Lindas palavras Gil. Viver o presente intensamente. Amanhã só a Deus pertence.

  27. Renato diz

    Alguém sabe dizer se ao fazer um plano de saúde temos q informar a positividade? E se seria mais caro?

    • Gil diz

      Não precisa informar. O serviço público te serve com os antivirais. Você paga o plano para consultas e exames como qualquer um tem de fazer.
      E preço a mais é discriminar. Já deu muito pano pra manga essa de doença pré-existente.
      Hoje a diferença autorizada é por faixa etária.
      Foi o que li quando fiz a unimed nesses sites de direito do consumidor.

  28. Sorocaba diz

    Todo mundo aqui já reparou que a cura do HIV já existe, mas in-vitro. Vários testes dos mais diversos no mundo ou usando crispcas9, ou droga que expulsa celulas de reservatórios pra depois matar o HIV tiveram sucesso. Agora basta conseguirem transportar isso pra dentro gente kkkkkk. Vamos torcer pra que uma ou várias almas de cientistas sejam iluminadas e descubram logo como fazer dar certo dentro de nós, isso que dá certo em macacos(tadinhos) ou dentro de um tubo de ensaio.

  29. Caio PE diz

    Pessoal, tenho duas questões a fazer: (1) alguém aqui já fez algum exame de CV já em vigência do DTG (dolutegravir)? (2) essa me perguntaram e eu não soube responder, ao certo: se o sexo oral insertivo (quem é “chupado”) corre algum risco para ele?

  30. joaquim diz

    Boa Tarde!

    Estou adquirindo um plano de saude e me enviaram uma ficha com uma serie de perguntas sobre doenças preexistentes dentre elas se sou portador do virus hiv. Não gostaria de informar que sou portador por ser uma cidade pequena e o plano ser como dependente. Alguém passou por esta situação? Caso não informe o que pode acontecer?

    • JuniorRN diz

      Posso ser impedido de contratar um plano de saúde em razão de ser
      portador de alguma doença ou lesão?
      Não. A Lei n.o 9.656/98 garante a todos o direito de contratar um plano de
      saúde. Nos casos dos portadores de doença ou lesão preexistente, poderá
      haver restrição ao uso do plano durante 24 meses, porém, somente para
      procedimentos de alta complexidade, eventos cirúrgicos e leitos de alta
      tecnologia – UTI, CTI e similares – relacionados à doença declarada.

      Em que momento devo avisar sobre alguma doença ou lesão pre-
      existente de que eu tenha conhecimento?
      No momento da contratação do seu plano, ao preencher a Declaração
      de Saúde. Não aceite que ninguém, inclusive o vendedor ou corretor,
      preencha a sua declaração de saúde com informações que não estejam de
      acordo com o seu verdadeiro estado de saúde.

      O que acontece se eu omitir alguma doença ou lesão preexistente
      na declaração de saúde?

      Caso você deixe de informar que é portador de alguma doença ou lesão
      preexistente (DLP), da qual você sabia ser portador no momento em que
      contratou o plano de saúde, isso pode ser considerado fraude e levar à
      suspensão ou à rescisão de seu contrato, após o julgamento administrativo
      pela ANS.

      Se a fraude for confirmada, o que pode acontecer comigo?
      A operadora de plano de saúde poderá suspender o contrato ou rescindi-lo
      e poderá também cobrar de você ou de seu representante legal os gastos
      com a doença ou lesão preexistente que estaria sob cobertura parcial
      temporária.

    • Mineiro de BH 1964 diz

      Eu não informaria, até porque, imagino, não sermos obrigados a tal.

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