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Um estudo europeu parte da colaboração COBRA, CO-morBidity in Relation to Aids, divulgado na CROI 2017, Conference on Retroviruses and Opportunistic Infectionsnão encontrou evidências de envelhecimento cerebral acelerado em pessoas soropositivas sob tratamento antirretroviral.

Neste estudo, cientistas reuniram imagens do cérebro obtidas por ressonância magnética e aplicaram testes cognitivos em 134 voluntários soropositivos sob tratamento antirretroviral e com carga viral indetectável, no Amsterdam Medical Centre e no Imperial College London. 79 pessoas soronegativas seviram de “grupo de controle”, isto é, foram usadas como comparação às pessoas soropositivas. A retenção ao longo do estudo foi boa, com resultados de acompanhamento disponíveis para 120 dos 134 participantes com HIV e para 76 dos 79 soronegativos ao longo de quase dois anos — mais precisamente: 1,9 ano.

A idade média no início do estudo era de 57 anos, com variação de mais ou menos sete anos entre os participantes. No grupo com HIV, a contagem média de CD4 no começo do estudo era de 646 células/mm³, com variação de 213 células/mm³ entre os participantes. O ponto médio mais baixo de CD4 ao longo do estudo foi de 185 células/mm³, com variação de mais ou menos 144 células/mm³ entre os participantes, refletindo uma história comum entre muitos idosos soropositivos. O estudo foi em grande parte composto por voluntários homens, com apenas nove mulheres soropositivas e seis mulheres soronegativas — porém, esta desigualdade refletia o equilíbrio de gênero da população com HIV em cada país.

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Algumas diferenças foram relatadas no começo do estudo: em comparação com o grupo soronegativo, soropositivos apresentaram volume de matéria cinzenta ligeiramente menor, microestruturas anormais de substância branca e pior desempenho cognitivo em 4 de 7 funções: atenção, velocidade de processamento, função motora e desempenho cognitivo global. Porém, estas diferenças não aumentaram significativamente ao longo do tempo e, quando aumentaram, foram associadas ao envelhecimento e não ao HIV.

Em ambos os grupos, o desempenho cognitivo também não diminuiu ao longo do tempo — chegando até a aumentar globalmente, sugerindo que os voluntários devem ter aprendido com a aplicação de testes repetidos.

COBRA (CO-morBidity in Relation to AIDS

Os pesquisadores concluíram que a análise feita não encontrou evidência de envelhecimento cerebral acelerado em pessoas soropositivas sob tratamento antirretroviral, em comparação com pessoas soronegativas. Mas uma nova análise está agora em andamento, buscando fatores de risco que possam explicar os resultados ligeiramente inferiores das pessoas com HIV no começo do estudo, possivelmente relacionados à duração da infecção, tempo antes do início da terapia antirretroviral, contagem de CD4 mais baixa e fatores de estilo de vida. Os resultados serão tão importantes quanto o estudo atual.

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Ward 86 foi uma das primeiras clínicas de tratamento de aids nos Estados Unidos, inaugurada em 1º de janeiro de 1983, quando a epidemia começava a se espalhar por São Francisco, antes de seguir para o resto daquele país e, depois, para todo o mundo. Ganhou este nome porque ficava no 6º andar do edifício 80, um prédio de tijolos vermelhos desbotados, no campus do San Francisco General Hospital.

Um dos responsáveis pela inauguração do Ward 86 foi o Dr. Paul Volberding, médico oncologista que atendeu o primeiro caso de aids em São Francisco, em 1º de julho de 1981 — um paciente que sofria com sarcoma de Kaposi, um tipo de câncer típico de sistemas imunes muito deprimidos e que veio a se tornar uma das principais doenças associadas ao diagnóstico de aids.

Quando o Ward 86 abriu as portas, a maioria dos seus pacientes eram jovens homens gays que já estavam com aids. Muitos deles morreram. Mas alguns sobreviveram — e foi principalmente para estes que o Ward 86 inaugurou, recentemente, seu novo setor: uma clínica geriátrica. Os pacientes jovens que antes sofriam com doenças oportunistas típicas da aids, agora deram lugar a idosos soropositivos que sofrem de doenças típicas do envelhecimento natural.