Ano: 2017

As leis contra (quem vive com) HIV nos Estados Unidos

Em 43 estados americanos há leis específicas que punem as pessoas que vivem com HIV em caso de transmissão do vírus. Em 11 destes estados, é crime um soropositivo morder, cuspir ou compartilhar fluídos corporais com outra pessoa, mesmo que seja considerado impossível infectar alguém sob estas condições. A maioria destas leis surgiu a mais de trinta anos atrás, no começo da epidemia de aids, quando ainda não se sabia muito a respeito da transmissão do HIV. Muita gente acreditava que a doença estava se espalhando por culpa dos soropositivos, que estariam colocando outros em risco de infecção. Segundo um artigo publicado pelo San Francisco Chronicle, foi neste clima que a Califórnia promulgou suas leis criminalizantes específicas contra o HIV — ou, talvez, contra as pessoas que vivem com HIV. Na Califórnia, um dos primeiros projetos de lei contra o HIV foi a “Proposta 64”, de 1986, concebida por um grupo autodenominado “Pânico” para o Comitê de Iniciativa para Prevenção da Aids Now. A Proposta 64 sugeria que as pessoas com HIV/aids não fossem elegíveis a trabalhos em escolas ou cozinhas. Um dos partidários da Proposta 64, o …

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(In)evitáveis problemas cardíacos

Priscilla Hsue, a mesma cientista que apresentou na Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, CROI 2017, um estudo animador sobre o anticorpo canakinumab, possivelmente eficaz contra a inflamação crônica — publicado aqui no blog — também apresentou um outro estudo, porém, que parece ter resultados não tão animadores sobre a saúde cardiovascular de soropositivos e a crescente preocupação de doenças cardiovasculares entre as pessoas que envelhecem com HIV. Neste estudo, a infecção pelo HIV foi associada a um maior risco de infarto do miocárdio, o ataque cardíaco. O motivo para o HIV aumentar o risco de infarto ainda não está completamente compreendido. O que se sabe é que o HIV pode alterar a flora intestinal e, com isso, algumas pequenas moléculas que são metabolizadas ou produzidas por este microbioma intestinal também são alteradas. Entre elas, o n-óxido de trimetilamina, uma molécula já associada ao infarto entre adultos sem HIV, a carnitina e a betaína, associadas à espessura da artéria carótida em indivíduos infectados pelo HIV. O objetivo do estudo era verificar a hipótese destas moléculas associadas à flora intestinal poderem de fato prever o risco de infarto em adultos infectados …

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Um anticorpo contra a inflamação crônica

Um estudo em fase inicial com dez voluntários, apresentado na CROI 2017, a Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, e publicado no Betablog, mostrou que o anticorpo monoclonal canakinumab pode ser a solução para a inflamação crônica — um dos problemas que pode persistir mesmo no organismo de soropositivos em tratamento e com carga viral indetectável. Todos os participantes do estudo viviam com HIV há mais de 20 anos e tinham bom controle viral, ou seja, estavam em antirretrovirais e com carga viral indetectável. O canakinumab bloqueia um receptor de IL-1β nas citocinas, moléculas que sinalizam às células e as conduzem a reagir à inflamação. Neste estudo, os dez participantes receberam uma dose única de 150 mg de canakinumab sob a pele. Exames de segurança foram feitos nas semanas 1, 2, 3, 4, 8 e 12. O canakinumab reduziu significativamente um marcador de inflamação, a interleucina-6 (IL-6), em 24%, após quatro semanas, e em 30%, após oito semanas. O tratamento também reduziu significativamente dois marcadores adicionais de inflamação: a proteína C-reativa — identificada em um exame comum que muitos infectologistas recomendam a seus pacientes — …

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Dez meses de supressão viral

Foi divulgada na CROI 2017, a Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, no mês passado, em Seattle, mais um caso de prolongada remissão viral. Depois de um transplante de medula óssea para tratar um câncer, um paciente soropositivo ficou quase 10 meses — mais tempo do que os chamados “Pacientes de Boston” — sem carga viral detectável, mesmo após interromper a terapia antirretroviral. Apesar de sua carga viral ter voltado depois disso, seus reservatórios de HIV parecem ter sido reduzidos, conforme relata o Aidsmap. O caso foi apresentado por Nathan Cummins, da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, e seus colegas. O paciente que recebeu este transplante foi um homem de 55 anos de idade, diagnosticado com HIV em 1990 e que começou a terapia antirretroviral em 1999 com uma contagem de CD4 de 300 células/mm³. Ele interrompeu o tratamento antirretroviral entre 2004 e 2009 por conta própria e, em seguida, reiniciou o tratamento com Ritonavir, Atazanavir, Tenofovir e Emtricitabina. Em abril de 2013, foi diagnosticado com leucemia linfoblástica aguda de células B. Em antecipação à quimioterapia, seu regime de antirretrovirais foi mudado para Raltegravir, Etravirina, Tenofovir e Emtricitabina. …

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Envelhecimento cerebral normal

Um estudo europeu parte da colaboração COBRA, CO-morBidity in Relation to Aids, divulgado na CROI 2017, Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, não encontrou evidências de envelhecimento cerebral acelerado em pessoas soropositivas sob tratamento antirretroviral. Neste estudo, cientistas reuniram imagens do cérebro obtidas por ressonância magnética e aplicaram testes cognitivos em 134 voluntários soropositivos sob tratamento antirretroviral e com carga viral indetectável, no Amsterdam Medical Centre e no Imperial College London. 79 pessoas soronegativas seviram de “grupo de controle”, isto é, foram usadas como comparação às pessoas soropositivas. A retenção ao longo do estudo foi boa, com resultados de acompanhamento disponíveis para 120 dos 134 participantes com HIV e para 76 dos 79 soronegativos ao longo de quase dois anos — mais precisamente: 1,9 ano. A idade média no início do estudo era de 57 anos, com variação de mais ou menos sete anos entre os participantes. No grupo com HIV, a contagem média de CD4 no começo do estudo era de 646 células/mm³, com variação de 213 células/mm³ entre os participantes. O ponto médio mais baixo de CD4 ao longo do estudo foi de 185 células/mm³, com variação de mais ou menos 144 …

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Ward 86

Ward 86 foi uma das primeiras clínicas de tratamento de aids nos Estados Unidos, inaugurada em 1º de janeiro de 1983, quando a epidemia começava a se espalhar por São Francisco, antes de seguir para o resto daquele país e, depois, para todo o mundo. Ganhou este nome porque ficava no 6º andar do edifício 80, um prédio de tijolos vermelhos desbotados, no campus do San Francisco General Hospital. Um dos responsáveis pela inauguração do Ward 86 foi o Dr. Paul Volberding, médico oncologista que atendeu o primeiro caso de aids em São Francisco, em 1º de julho de 1981 — um paciente que sofria com sarcoma de Kaposi, um tipo de câncer típico de sistemas imunes muito deprimidos e que veio a se tornar uma das principais doenças associadas ao diagnóstico de aids. Quando o Ward 86 abriu as portas, a maioria dos seus pacientes eram jovens homens gays que já estavam com aids. Muitos deles morreram. Mas alguns sobreviveram — e foi principalmente para estes que o Ward 86 inaugurou, recentemente, seu novo setor: uma clínica geriátrica. Os pacientes jovens que antes sofriam com doenças oportunistas típicas da …

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Sonho de infância

Em algum dia logo depois do Ano Novo, sonhei que voltava à casa onde passei a minha infância, para uma breve visita. Precisava ir lá agora, já adulto, buscar uma carta que, por alguma razão desconhecida, havia sido endereçada para mim ainda naquele tão antigo endereço. Como é comum em muitos sonhos, pelo menos nos meus, não me recordo de tudo: não sei, por exemplo, quem é que escreveu a carta e muito menos como é que fiquei sabendo que esta carta estava lá — mas isto também não é o mais importante. O fato é que, quando me dei por mim, já caminhava naquela rua, próxima à praça arredondada que tinha a enorme figueira ao canto. Cumprimentei o mesmo guarda da rua, que não havia envelhecido em nada, e cheguei diante do portão da casa, o qual já não era mais o mesmo: em seu lugar havia uma recepção moderna, que mais parecia com a entrada de um escritório, com um balcão de pedra escura e, atrás dele, uma secretária, sentada diante da tela de um computador e com monitores de …

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Os hábitos da felicidade

O que é felicidade, e como podemos ter um pouco dela? Matthieu Ricard, um bioquímico que virou monge budista, diz que podemos treinar nossas mentes em hábitos de bem-estar para gerar um verdadeiro sentimento de serenidade e realização. Matthieu Ricard Monge, autor, fotógrafo Às vezes chamado de “o homem mais feliz do mundo”, Matthieu Ricard é monge budista, autor e fotógrafo. Veja sua biografia completa.

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