Artigos
Comentários 19

Como as pessoas se tornam resilientes?


the-new-yorker-logo

Norman Garmezy, um psicólogo da Universidade de Minnesota, acompanhou milhares de crianças em suas quatro décadas de pesquisa. Mas um garoto em particular o marcou. Ele tinha nove anos, uma mãe alcoólatra e um pai ausente. Todos os dias, chegava à escola com o mesmo sanduíche: duas fatias de pão, sem nada dentro. Em sua casa, não havia outros alimentos e ninguém que pudesse preparar alguma coisa. Mesmo assim, conforme Garmezy se lembra, o garoto queria ter certeza de que “ninguém sentiria pena dele e de que ninguém saberia da inaptidão de sua mãe”. Todos os dias, sem falta, ele entrava com um sorriso no rosto e um “sanduíche de pão” guardado em sua lancheira.

“Você consegue identificar crianças que estão sob tensão mas que estão dando a volta por cima?”

O garoto com o sanduíche de pão fazia parte de um grupo especial de crianças. Ele pertencia a uma coorte de crianças — a primeira de muitas — a quem Garmezy iria identificar como tendo sucesso, até se superando, apesar de circunstâncias incrivelmente difíceis. Estas crianças exibiram um traço ao qual Garmezy mais tarde referiria como “resiliência”. (Ele é amplamente creditado como o primeiro a estudar este conceito em um ambiente experimental.) Durante muitos anos, Garmezy visitou escolas em todo o país, com foco em regiões economicamente deprimidas, onde seguiu um protocolo padrão. Ele organizava reuniões com o diretor da escola, ao lado de um assistente social ou uma enfermeira, e fazia a mesma pergunta: há aqui alguma criança cuja origem chamou atenção — uma criança que parecia estar no caminho de se tornar uma criança problemática —, mas a qual, em vez disso, tornou-se surpreendentemente uma fonte de orgulho? “O que eu estava perguntando era: ‘Você consegue identificar crianças que estão sob tensão mas que estão dando a volta por cima?'”, contou Garmezy, em uma entrevista concedida em 1999. “Havia sempre uma longa pausa depois da minha pergunta, antes que a resposta viesse. Se eu tivesse dito: ‘Há crianças nesta escola que parecem estar não estar bem?’, não haveria demora na resposta. Mas, ao perguntar por crianças que eram adaptáveis e boas cidadãs na escola, mesmo vindo de uma origem bastante perturbada, eu trazia uma pergunta complemente nova. Foi assim que comecei.”

Resiliência é um desafio para os psicólogos. Não é possível dizer se você a tem ou não a partir de um teste psicológico qualquer, mas pela forma como a sua vida se desenrola. Se você tiver a sorte de nunca experimentar qualquer tipo de adversidade, não saberemos se você é resiliente. É somente quando você se depara com obstáculos, estresse e outras ameaças ambientais que a resiliência, ou a falta dela, emerge: Você sucumbe ou você supera?

O estresse resultante da adversidade crônica pode ser menor, mas “exerce um impacto repetido e cumulativo”.

Ameaças ambientais podem vir de várias formas. Algumas são o resultado do baixo nível socioeconômico e de condições domésticas desafiadoras. (Essas são as ameaças estudadas no trabalho de Garmezy.) Muitas vezes, tais ameaças — pais com problemas psicológicos ou outros tipos de problemas, exposição à violência ou maus tratos, ser criança de um divórcio problemático — são crônicas. Outras ameaças são agudas: experimentar ou testemunhar um encontro violento e traumático, por exemplo, ou sofrer um acidente. O que importa é a intensidade e a duração do agente estressor. No caso de estressores agudos, a intensidade é geralmente alta. O estresse resultante da adversidade crônica, segundo Garmezy, pode ser menor, mas “exerce um impacto repetido e cumulativo sobre os recursos e sobre a adaptação e persiste por muitos meses, muitas vezes até por um tempo consideravelmente mais longo.”

Antes do trabalho de Garmezy a respeito da resiliência, a maioria das pesquisas sobre trauma e eventos negativos da vida tinham o foco inverso. Ao invés de olhar para as áreas de força, olhavam para as áreas de vulnerabilidade, investigando as experiências que tornam as pessoas suscetíveis a resultados ruins em suas vidas (aquilo que leva as crianças a serem “perturbadas”, segundo Garmezy). O trabalho de Garmezy abriu a porta para o estudo dos fatores protetores: os elementos de fundo ou da personalidade de um indivíduo que poderiam permitir o sucesso, apesar dos desafios que enfrentavam. Garmezy se aposentou da pesquisa antes de chegar a conclusões definitivas — sua carreira foi interrompida por Alzheimer de início precoce —, mas seus alunos e seguidores foram capazes de identificar elementos que se dividiam em dois grupos: fatores psicológicos individuais e fatores externos ambientais, a disposição de um lado e a sorte do outro.

(Ilustração por Gizem Vural)

Em 1989, uma psicóloga do desenvolvimento chamada Emmy Werner publicou os resultados de um projeto longitudinal de trinta e dois anos. Ela havia acompanhado um grupo de seiscentas e noventa e oito crianças, em Kauai, no Havaí, desde o nascimento até a terceira década de vida. Ao longo do caminho, ela os monitorou para qualquer exposição ao estresse: estresse materno no útero, pobreza, problemas na família e assim por diante. Dois terços das crianças tinham origens que eram, essencialmente, estáveis, bem-sucedidas e felizes; um terço era classificado como “em risco”. Assim como Garmezy, ela logo descobriu que nem todas as crianças em risco reagiam ao estresse da mesma maneira. Dois terços delas “desenvolveram sérios problemas de aprendizagem ou de comportamento aos dez anos de idade, ou tiveram registros de delinquência, problemas de saúde mental ou gravidez na adolescência, até os dezoito anos de idade”. Mas o terço restante se transformou em “jovens adultos competentes, confiantes e carinhosos”. “Eles haviam alcançado o sucesso acadêmico, doméstico e social — e estavam sempre prontos para capitalizar as novas oportunidades que surgiam.

O que tornava estas crianças resilientes? Uma vez que os indivíduos desta amostra tinham sido acompanhados e testados consistentemente por três décadas, Werner tinha um tesouro de dados à sua disposição. Ela descobriu que vários elementos previam a resiliência. Alguns elementos tinham a ver com sorte: uma criança resiliente poderia ter um forte vínculo com um cuidador, alguém que lhe oferecesse apoio, um pai, professor ou outra figura de mentor. Mas um outro conjunto bastante grande de elementos era psicológico e tinha a ver com a maneira como as crianças reagiam ao meio ambiente. Desde cedo, as crianças resilientes tendiam a “lidar com o mundo sob seus próprios termos”. Eram autônomas e independentes, buscavam novas experiências e tinham uma “orientação social positiva”. “Embora não fossem especialmente inteligentes, estas crianças usavam quaisquer habilidades que tivessem de maneira eficiente”, escreveu Werner. Talvez o mais importante, as crianças resilientes tinham aquilo que os psicólogos chamam de “locus interno de controle”: elas acreditam que são elas, e não as circunstâncias, que afetam suas realizações. As crianças resilientes tornam-se como orquestradores de seus próprios destinos. De fato, em uma escala que mediu o locus interno de controle, elas marcaram um desvio de mais de dois pontos acima do padrão.

Qual lado da equação pesa mais, da resiliência ou dos estressores? Os estressores podem se tornar tão intensos que a resiliência é esmagada.

Werner também descobriu que a resiliência poderia mudar ao longo do tempo. Algumas crianças resilientes foram especialmente azaradas: experimentaram fortes estressores múltiplos em pontos vulneráveis e sua resiliência evaporou. Resiliência, ela explicou, é como um cálculo constante: Qual lado da equação pesa mais, da resiliência ou dos estressores? Os estressores podem se tornar tão intensos que a resiliência é esmagada. A maioria das pessoas, em suma, tem um ponto de ruptura. Por outro lado, algumas pessoas que não eram resilientes quando eram crianças de alguma forma aprenderam as habilidades de resiliência. Elas foram capazes de superar adversidades mais tarde na vida e passaram a florescer tanto quanto aqueles que tinham sido resilientes o tempo todo. Isto, naturalmente, levanta a questão de como a resiliência pode ser aprendida.

konnikova-how-minds-deceive-1200

(Ilustração por Boyoun Kim)

George Bonanno é psicólogo clínico na Columbia University’s Teachers College; ele dirige o Laboratório de Perda, Trauma e Emoção e tem estudado a resiliência há quase vinte e cinco anos. Garmezy, Werner e outros mostraram que algumas pessoas são muito melhores do que outras em lidar com a adversidade; Bonanno, por sua vez, tem tentado descobrir de onde essa variação pode vir. A teoria da resiliência de Bonanno começa com uma observação: todos nós possuímos o mesmo sistema fundamental de resposta ao estresse, que evoluiu ao longo de milhões de anos e que compartilhamos com outros animais. A grande maioria das pessoas é muito boa em usar esse sistema para lidar com o estresse. Quando se trata de resiliência, a questão é: por que algumas pessoas usam o sistema com mais frequência ou eficácia do que outras?

“Os eventos não são traumáticos até que os vivenciemos como traumáticos.”

Um dos elementos centrais da resiliência, segundo Bonanno, é a percepção: você conceitua um evento como traumático ou como uma oportunidade de aprender e crescer? “Os eventos não são traumáticos até que os vivenciemos como traumáticos”, disse Bonanno, em dezembro. “Chamar algo de ‘evento traumático’ desmente esse fato.” Ele cunhou um termo diferente: EPT, ou evento potencialmente traumático, que ele argumenta ser mais preciso. A teoria é direta. Qualquer evento assustador, não importa o quão negativo possa parecer, tem o potencial de ser traumático ou não para a pessoa que o está experimentando. (Bonanno foca em eventos negativos agudos, nos quais podemos ser seriamente prejudicados, enquanto outros que estudam a resiliência, incluindo Garmezy e Werner, olham mais amplamente.) Considere algo terrível, como a morte repentina de um amigo próximo: você pode ficar triste, mas também pode encontrar uma maneira de interpretar esse evento como algo cheio de significado — talvez, isso leve a uma maior consciência sobre uma determinada doença, digamos, ou a laços mais estreitos com a comunidade —, fazendo com que este evento possa não ser visto como um trauma. (De fato, Werner descobriu que os indivíduos resilientes eram muito mais propensos a relatar ter fontes de apoio espiritual e religioso do que aqueles que não eram.) A experiência não é inerente ao evento, mas reside na interpretação psicológica do evento.

É por essa razão, segundo Bonanno, que os eventos “estressantes” ou “traumáticos” em si e por si mesmos não têm muito poder preditivo quando se trata de resultados da vida. “Os dados epidemiológicos prospectivos mostram que a exposição a eventos potencialmente traumáticos não prevê seu desdobramento posterior”, disse ele. “Só é preditivo se há uma resposta negativa.” Em outras palavras, viver a adversidade, seja ela endêmica ao seu ambiente ou em decorrência de um evento negativo agudo, não garante que você vai sofrer adiante. O que importa é se essa adversidade se torna traumatizante.

konnikova-pain-1200

(Ilustração por Rebekka Dunlap)

“Podemos nos tornar mais ou menos vulneráveis de acordo com a forma como pensamos sobre as coisas.”

A boa notícia é que a interpretação positiva pode ser ensinada. “Podemos nos tornar mais ou menos vulneráveis de acordo com a forma como pensamos sobre as coisas”, disse Bonanno. Em pesquisas feitas em Columbia, o neurocientista Kevin Ochsner mostrou que ensinar as pessoas a pensar com estímulos de maneiras diferentes — reestruturando-os em termos positivos quando a resposta inicial é negativa ou de forma menos emocional quando a resposta inicial é emocionalmente “intensa” — muda a maneira como eles experimentam e reagem ao estímulo. Você pode treinar as pessoas para melhor regular suas emoções, e este treinamento parece ter efeitos duradouros.

Um trabalho semelhante foi feito com relação aos estilos de explicação — as técnicas que usamos para explicar eventos que aconteceram conosco. Martin Seligman, psicólogo da Universidade da Pensilvânia foi pioneiro no campo da psicologia positiva: ele descobriu que treinar as pessoas a mudar seus estilos de explicação de interno para externo (“Eventos ruins não são minha culpa”), de global para específico (“Isso é uma coisa pequena, e não uma indicação maciça de que tudo está errado com a minha vida”) e de permanente para impermanente (“Eu posso mudar a situação, em vez de assumir que ela é fixa”), levou ao sucesso psicológico e a menor propensão à depressão. O mesmo vale para o locus de controle: um locus mais interno não está ligado somente à menor percepção de estresse e de melhor desempenho, mas também à mudanças positivas no bem-estar psicológico e no desempenho objetivo do trabalho. As habilidades cognitivas que sustentam a resiliência, portanto, parecem poder ser de fato aprendidas ao longo do tempo, criando resiliência onde não havia nenhuma.

“Nós podemos criar ou exagerar estressores muito facilmente em nossas próprias mentes. Esse é o perigo da condição humana.”

Infelizmente, o oposto também pode ser verdade. “Podemos nos tornar menos resilientes ou menos propensos a ser resilientes”, diz Bonanno. “Nós podemos criar ou exagerar estressores muito facilmente em nossas próprias mentes. Esse é o perigo da condição humana.” Os seres humanos são capazes de preocupação e ruminação: podemos pegar uma coisa pequena e explodi-la em nossas cabeças, revivê-la mais e mais, nos deixando loucos até o ponto em que aquela coisa pequena passa a ser a maior coisa que já aconteceu. Em certo sentido, é uma profecia autorrealizável.

Se você enquadrar a adversidade como um desafio, você se tornará mais flexível e capaz de lidar com ele, de seguir em frente, aprender com ele e crescer. Se você se concentrar na adversidade como uma ameaça, um evento potencialmente traumático, ela se tornará um problema duradouro e você se torna mais inflexível e mais propenso a ser afetado negativamente.

Em dezembro, a New York Times Magazine publicou um ensaio chamado “O Profundo Vazio da Resiliência”, o qual dizia que esta palavra é agora usada em todos os lugares, muitas vezes de forma a drená-la de seu significado e a ligá-la a conceitos vagos, como “caráter”. Mas a resiliência não tem de ser um conceito vazio ou vago. Na verdade, décadas de pesquisas revelaram muito sobre como ela funciona. Estas pesquisas mostram que a resiliência é, em última análise, um conjunto de habilidades que podem ser ensinadas. Nos últimos anos, adotamos esse termo negligentemente — mas nosso uso desleixado não significa que ele não tenha sido útil e definido com precisão. É hora de investir tempo e energia para entender o que significa realmente “resiliência”.

maria-konnikovaMaria Konnikova é uma escritora colaboradora do New Yorker, onde escreve regularmente sobre psicologia e ciência. Ela é a autora do best-seller do Times “Mastermind: How to Think Like Sherlock Holmes”, que foi nomeado para um Prêmio Agatha de Melhor Não-Ficção, e “The Confidence Game”, sobre a psicologia do contra.
Em 11 de fevereiro de 2016 por  para The New Yorker

Anúncios
Este post foi publicado em: Artigos
Etiquetado como: , ,

por

Jovem paulistano nascido em 1984, que descobriu ser portador do HIV em outubro de 2010. É colaborador do HuffPost Brasil e autor do blog Diário de um Jovem Soropositivo.

19 comentários

  1. Luiz Carlos diz

    Pessoal, como andam as espectativas de vocês para a integração do Dolutegravir no tratamento de primeira linha? Será que irão fazer meio “na surdina” para novos pacientes, para evitar uma grande massa mudando para esse esquema da noite para o dia?

    Pergunto porque já saí do 3×1 no passado por conta de uma depressão profunda, mas em Setembro desse ano decidi junto ao meu médico a voltar com o 3×1, já que estava em um momento melhor e mais definido da minha vida e queria avaliar se o 3×1 realmente estava influenciando negativamente no quadro de depressão que eu apresentava.

    Pois bem, passados dois meses, tenho notado que os sintomas têm voltado. Agora não sei se tento segurar a onda no 3×1 até ano que vem ou se volto pro Atazanavir como eu vinha tomando. Só tenho consulta em Fevereiro, e até lá espero que o Dolutegravir já esteja sendo aplicado em primeira linha para pacientes virgens de tratamento e que migrar para ele seja uma possibilidade dentro do meu quadro.

    Abraços

    • Alex diz

      Mas o que te faz pensar q mudando para o dolutegravir esses supostos efeitos irão acabar? Ao q li esse remédio tb tem como efeitos colaterais sintomas neurológicos, tais como tontura, depressão, etc.

    • Paraense+ diz

      Luiz Carlos, eu tive depressão quando comecei o tratamento. E na época não havia, ainda, o 3×1. Os medicamentos eram separados. Quando o 3×1 foi disponibilizado para todos, foi que eu notei que o “vilão” da História era o Efa…ele mesmo !… O Efavirenz estava me deixando doido e, até, com pensamentos suicidas. Li, aqui no JS, comentários de pessoas que haviam migrado para o Esquema que ultiliza o Atazanavir e resolvi mudar. Hoje já não apresento aquele quadro depressivo de dantes, e nem fui acometido de icterícia, graças à Deus. A única sequela que me restou dessa experiência foi a insônia, que eu combato com 10 gotas de Rivotril toda noite. O que são 10 gotas de Rivotril toda noite, pra quem vai passar uns bons anos tomando 3 comprimidos pela manhã, não é mesmo Luiz ?.

      • Luiz Carlos diz

        Olá Paraense, obrigado pelo seu comentário. Realmente é muito parecido com o que venho passsando. O motivo pelo qual eu (e meus médicos, tanto o infecto quanto o psiquiatra) decidimos voltar para o 3×1 mesmo após eu ter apresentado quadro depressivo (e até suicida algumas vezes), é que na época eu tinha perdido minha mãe e terminado um relacionamento longo, tudo ao mesmo tempo. Já estava tomando diversos outros antidepressivos, então não conseguimos avaliar se o Efavirenz realmente prejudicava mais ainda ou não.

        Eu fiquei no Atazanavir por um tempo e houve melhora, mas também não sei dizer se foi por conta do passar do tempo (e de outros motivos, como uma melhor estabilidade financeira), que me fizeram sair dos outros antidepressivos. Enfim, fato é que estou em uma situação estressante novamente, e consigo sentir minha mente entrando no mesmo estado depressivo em que eu estava ao longo das semanas que passam.

        O que mais pesou pra mim no Atazanavir foi a falta de medicação. Por duas vezes consecutivas houve falta do Ritonavir e tive que emprestar de um amigo. Isto causou uma insegurança e uma ansiedade enorme em mim, por isso voltei pro Efavirenz.

        Agora me sinto meio sem saída, a não ser esperar…

        • Paraense+ diz

          Olha Luiz, eu também já fiquei algumas vezes sem o Ritonavir, por poucos dias é claro, mas depois que fiquei sabendo que ele é, apenas, um booster, um medicamento que, salvo o engano pois sou leigo, serve apenas para potencializar os outros componentes do conjunto. Portanto, caso você retorne ao Atazanavir, fique tranquilo caso fique alguns dias sem o ritonavir. Agora claro que ele é necessário. No meu caso prefiro O Atazanavir ao Efavirenz, pois só de não sentir aquela tontura chata já justifica a troca, sem contar que é menos tóxico. Um abraço e fique com Deus !.

          • Luiz Carlos diz

            Paraense, eu voltei para o 3×1 por conta da falta do Ritonavir, da indisponibilidade dos medicamentos (pelo fato do Ritonavir volta e meia estar em falta, só liberavam medicamento para um mês – e isto me deixava extremamente ansioso, pois não conseguia criar uma “reserva”) e pelo pill burden do ATZ combinado com outras drogas que eu tomava (antidepressivos). No total tomava, por dia, 9 comprimidos.

            Vou fazer o máximo para ficar com o 3×1 por enquanto e mudar para o DTG assim que disponível e possível (meu médico sabe de todos os meus problemas com depressão). Se o DTG demorar muito para aparecer, o jeito vai ser voltar para o ATZ mesmo.

            Obrigado pelo carinho em responder, um forte abraço!

  2. Maxwell diz

    Luiz eu acredito que diante do cenário econômico que o Brasil está passando acredito que eles irão fazer na “surdina”. Conversei com a farmacêutica do posto onde pego esse mês e a mesma informa que não tem conhecimento dessa medicação. Resumindo: lá eles não tem essa medicação nem como terceira linha imagine ter para primeira linha. Mas claro, acredito que isso vai de estado para estado. Aqui no Nordeste as coisas tendem a ser mais lentas do que no Sul, por exemplo.

    • Luiz Carlos diz

      Maxwell, de fato. Eu morei em Curitiba e depois me mudei para Vitória e, para você ter uma noção, em Curitiba raramente eu conseguia pegar medicação para 3 meses, mesmo sendo o 3×1. Não sei quais são os critérios, mas normalmente era para 1 mês e, poucas vezes, liberavam para 2 meses. Sempre digitando todos os dados direto pelo computador, me obrigando a levar a receita branca (desde meados deste ano).

      Em Vitória a coisa é bem diferente. Sempre liberam para 3 meses, só preciso levar a receita padrão, e eles só entram com os dados no sistema no final de semana (pelo que me contou a farmacêutica e a auxiliar dela).

      Tudo varia muito de cidade para cidade. Estou citando duas capitais, uma no Sul e uma no Sudeste, em que a situação já é totalmente diferente uma da outra. Imagino que no Nordeste a mesma aleatoriedade se aplique.

  3. Carioca+ diz

    Alguem aqui que mora em outro país pode me contar como faz pra continuar o tratamento com medicaçao retirada no Brasil? Vem aqui 2x ao ano retirar? Alguém envia pelos correios (como conseguem a receita?). Obrigado!

    • cariocarj diz

      Não sei informar sobre o procedimento, mas acredito que tem que alguém de sua indicação cadastrado no sistema para retirar os ARVs na farmácia que você retirava anteriormente.

    • Luiz Carlos diz

      Você precisa de alguém de sua confiança que possa retirar os ARVs. Algumas cidades solicitam que a pessoa seja cadastrada no sistema, outras só pedem que a pessoa leve sua identidade, vai variar muito de farmácia para farmácia.

      A pessoa precisa levar a receita e sua identidade, retirar os medicamentos e postar, preferencialmente, por serviços mais “seguros” como DHL e UPS. Também recomendo que:

      1) você tenha um estoque do seu ARV antes de viajar;

      2) as postagens sejam sempre feitas em pacotes diferentes (1 para cada mês), e não agrupados. Se o pacote se perder, você perde um mês de medicação, e não três, por exemplo. Aí neste caso fica mais fácil usar um mês do seu “estoque” do que ter que ter estoque para três meses. O custo do envio pela DHL era em torno de R$ 80 em 2014, saindo do Sul do país;

      3) sempre que postados, os medicamentos devem conter a receita (em inglês) emitida pelo seu infectologista aqui do Brasil.

      Sobre ter que vir ao Brasil, varia muito de onde você vai morar, qual seu plano de saúde, e sua relação com seu médico no Brasil. Eu já morei fora por 2 anos e meu infecto é incrível. Ele me deu uma receita em inglês com todo meu histórico e informações sobre como funcionava a liberação de ARVs no Brasil. Quando cheguei no meu destino, logo procurei um infecto e entreguei a carta. O infecto então solicitava os exames de CD4 e CV, eu fazia, enviava por Whats para o meu infecto do Brasil, ele deixava as receitas prontas e meu ex buscava a medicação e enviava o medicamento para mim.

      No começo foi bem estressante, sempre pensava que algo poderia dar errado, mas no final das contas não tive nenhum problema. Tudo vai de você organizar a “logística” e ter alguém de confiança para retirar e enviar os ARVs para você.

      É importante verificar também a legislação vigente do país onde você vai morar, para garantir que seus ARVs cheguem sem problemas. Dependendo do país, fazer exame de CD4 e CV sem plano de saúde sai tão caro que compensa mais voltar ao Brasil 2x por ano.

      • Gustavo diz

        Boa tarde Luiz Carlos!
        Estou no processo de seleção para um mestrado na França. Você sabe como funciona por lá a questão de recebimento da medicação?
        A questão dos exames?

        Em qual país vc morou?

        Muito obrigado 🙂

        • Luiz Carlos diz

          Gustavo, eu morei nos EUA por 1 ano e meio e depois no Canadá. Não sei exatamente o processo na França mas um amigo soropositivo já morou lá e, se não me engano, com a carteirinha de estudante de lá é possível ter acesso gratuito aos medicamentos lá mesmo (pelo menos para quem descobre a sorologia quando está morando lá, que foi o caso dele). O melhor é se informar pela internet, e verificar qual plano de saúde que está disponível no caso de mestrado (sei que estudantes tem direito a plano de saúde do governo Francês). Abraços!

          • LVTENSO diz

            Luiz, morou nesses países por esse tempo inteiro fazendo intercâmbio? Estou passando pela fase de não saber o diagnóstico, ainda. Amanhã faço um exame com 60 dias de exposição e 30 pós PEP, ando esperançoso quanto ao resultado, apesar de estar tendo vários problemas com o meu corpo rs. Acontece que tenho me tornado um leitor ávido aqui do blog e acabei vendo estes comentários sobre morar fora aqui e, caso o resultado não venha como o esperado, quero manter meus sonhos vivos. Ouvi dizer que um soropositivo pode ter o visto negado para o Canadá caso ele seja de mais de 6 meses. morou por quanto tempo lá?

  4. Alex diz

    Não sei se a autoria é verdadeira, mas acabei de ler essa frase atribuída a Chico Xavier, que lembrei desse texto: “Agradeço todas as dificuldades que enfrentei, não fosse por elas não teria saído do lugar.”.

  5. Texto interessante… só não entendi muito bem, não ficou ‘cravado’, como se treinar a resiliência! Mas, maneiro… Queremos ser mais resilientes!? Acho que sim…

Deixe um comentário.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s