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Ômega-3 melhora inflamação crônica


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O uso prolongado de suplementos de ácidos graxos ômega-3 foi associado a níveis reduzidos de triglicérides e de proteína C reativa, um dos biomarcadores da inflamação em pessoas soropositivas com carga viral suprimida, de acordo com uma pesquisa apresentada na semana passada na IDWeek 2016 in New Orleans.

Com as pessoas com HIV vivendo mais tempo graças à terapia antirretroviral, doenças crônicas, como doenças cardiovasculares e câncer são uma preocupação crescente. Pesquisas sugerem que a inflamação crônica e a ativação imune excessiva contribuem para o aumento do risco de condições não-relacionadas à aids nessa população, mesmo quando se o tratamento antirretroviral é eficaz.

Gretchen Volpe da Tufts University School of Medicine e seus colegas realizaram um estudo randomizado, controlado por placebo — o mais longo feito até hoje — de alta dose de ácidos graxos ômega-3 em pessoas com HIV, avaliando seus efeitos a longo prazo sobre os níveis de lipídios no sangue, inflamação e função vascular. Ácidos graxos ômega-3 — encontrados no óleo de peixe — são muitas vezes tomados para reduzir os triglicérides.

O estudo incluiu 117 participantes em tratamento antirretroviral estável com triglicérides elevados (em jejum o nível estava entre 150 e 2500mg/dl ou em nível aleatório >200mg/dl). Cerca de 80% eram homens e a idade média era de 51 anos. A contagem média de CD4 foi de 648 células/mm³ e 95% apresentaram carga viral indetectável. Fatores metabólicos, tabagismo, uso de álcool, status do HIV, lipídios basais e função vascular foram semelhantes em ambos os grupos. Cerca de 30% em ambos os grupos usaram estatinas, mas as pessoas que já usavam regularmente óleo de peixe foram excluídas.

omega-3

Os participantes foram aleatoriamente designados para receber 4 gramas diárias de ácidos gordos ômega-3 ou placebo durante 24 meses. Eles usaram a formulação Lovaza, que contém uma combinação de ésteres etílicos de ácido ômega-3, principalmente ácido eicosapentaenóico e ácido docosahexaenóico (465mg e 375mg, respectivamente, por cápsula de 1 grama). A formulação é aprovada para reduzir os níveis de triglicérides em pessoas com hipertrigliceridemia grave. Todos os participantes também foram aconselhados a mudar para uma dieta com redução de lipídios e a manter um peso estável.

Após 33 pessoas perderem as consultas de acompanhamento (um número semelhante em ambos os braços), os pesquisadores analisaram 43 pessoas randomizadas do braço ômega-3 e 40 do braço do placebo. Os resultados primários foram alterações nos triglicérides, colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL) e marcador de inflamação proteína C reativa. Os pesquisadores também analisaram o colesterol total e a lipoproteína de baixa densidade (LDL), bem como indicadores de função vascular, incluindo a reatividade da artéria braquial e a rigidez arterial medida pela velocidade da onda de pulso.

Aos 24 meses, os níveis médios de triglicérides diminuíram significativamente mais no braço ômega-3 em comparação com o braço placebo (-68 contra -22mg/dl). Os triglicérides diminuíram ao longo de 12 meses em ambos os braços, mas continuaram a diminuir entre os meses 12 e 24 no braço ômega-3, enquanto atingiam um patamar no braço do placebo. A proteína C reativa diminuiu significativamente no braço ômega-3 por 24 meses, mas não no braço placebo (-0,3 vs +0,6 mg/l). Em ambos os braços, a proteína C reativa diminuiu nos primeiros 12 meses, mas depois aumentou entre os 12 e os 24 meses. A proteína C reativa permaneceu abaixo do nível basal no braço ômega-3, mas subiu acima do grupo placebo.

Não houve diferença significativa nos níveis de HDL entre os dois grupos de tratamento. Também não houve diferença significativa nos níveis de colesterol total ou LDL a qualquer momento, porém houve uma tendência para uma maior redução do colesterol total no grupo ômega-3 em 24 meses (-9,2 vs +3,9 mg/dl). A reatividade da artéria braquial não diferiu significativamente entre os dois grupos. Houve uma tendência para redução da rigidez arterial carótida-femoral durante 24 meses no braço ômega-3, mas a diferença não atingiu significância estatística (-46 vs +18 ms-1).

Os ácidos graxos ômega-3 se mostraram em geral seguros e bem tolerados, enquanto os eventos adversos graves não diferiram entre os dois grupos de tratamento, segundo Volpe. Verificou-se que a adesão foi “viável” durante o período de dois anos. A suplementação prolongada de ácidos graxos ômega-3 parece benéfica para as pessoas com HIV e sua eficácia pode aumentar ao longo do tempo, concluíram os pesquisadores.

Ácidos graxos ômega-3 “podem reduzir a inflamação, medida pela proteína C reativa, mesmo para aqueles cuja proteína C reativa está dentro da faixa normal na linha de base. Tendo em vista o nosso sucesso na gestão da infecção pelo HIV, estamos agora com o objetivo de otimizar a duração e a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/aids, para quem estas intervenções, como os ácidos gordos ômega-3, podem ser benéficas”, escreveram os autores.

Por Liz Highleyman em 9 de novembro para Aidsmap

Referência: Volpe G et al. A randomized controlled trial of omega-3 fatty acids in HIV: long term effects on lipids and vascular function. IDWeek, New Orleans, abstract 951, 2016.
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46 comentários

  1. Gil diz

    Eu uso diariamente duas cápsulas de Ômega 3 e uma cápsula de óleo de linhaça, rica em ômega 3,6 e 9. Não tomo mais porque a tabuada de 3 acaba por ali.
    Minhas taxas melhoraram muito desde então.
    Tomo pela manhã junto com um comprimido de ciprofibrato, para reduzir os triglicérides, uma pílula de vitamina D e um polivitamínico com minerais, Mando pra dentro com um yakult ou um chamyto (é difícil achar yakult em JP).
    Isso me ajuda muito a ter energia e disposição e manter minhas taxas, inclusive de proteína C reativa em níveis normais, conforme os exames. E as Tarv´S à noite.
    É muito? É, mas garante a saúde, então vamos nessa!

    • JJ diz

      Olá Gil, qual esquema de arv vc usa? Sem pre tive tendencia a engordar, mas msm acima do peso (1,63 altura e 83kg) meus exames sempre deram normais. No q iniciei o Kaletra, meus níveis de triglicerídeos aumentaram, comecei ciprofibrato, então, em julho troquei de arv, do kaletra p 3×1 e parei o cipro, e em agosto do 3×1 p atazanavir. Após 2 meses sem o kaletra e sem cipro repeti os exames e meus triglicerídeos estavam normais. Então, os arvs podem aumentar essas taxas e aí a gente tem q ficar se entupindo de tantos outros medicamentos alem dos arvs.

      • Gil diz

        Olá. Tomo atazanavir, ritonavir e lamivudina com tenofovir. São 3 pílulas todas as noites.

          • Gil diz

            Eu fui infectado também com hepatite B, e a médica disse que este esquema era menos agressivo ao fígado.

        • Rick diz

          Gil eu também tomo esse esquema também, mas você acha que melhorou mesmo tomando o ômega 3? Seus níveis de triglicérides estavam alterados? Quanto tempo de TARV?Eu nunca tive minhas taxas alteradas… mas fico preocupado né?

      • Gil diz

        Não, porque são vitaminas e o fibrato não afeta em nada na TARV. Eu estou indetectável desde o segundo mês da TARV, Marcos.

  2. Alexandre diz

    Conheço uma pessoa que seus níveis melhoraram demais mas sem tomar nada. Ela simplesmente fez uma cirurgia bariátrica.

    • Gil diz

      Quem tem dislipidimia, precisa, Alexandre, tomar ciprofibrato. Menos que antes da bariátrica. E os ácidos graxos fazem bem, aconselho!
      Mas, no seu caso, ômega 3 com fubarin (ou racumin) seria a alegria da galera!!
      Mas não tome nada, não precisa… seu nível não sobe…

  3. cariocarj diz

    Já fazia uso de ômega 3 e aveia, mesmo antes de soro+. Sempre tive tendência a ter níveis aumentados de triglicerídeos, tudo melhorou, HDL e LDL e claro uma alimentação saudável também tem muita influência e exercícios físicos, ou seja é o conjunto que faz o sucesso e a melhora na qualidade de vida, mesmo sendo soro.

  4. Ricardo diz

    Estranho… já ouvi dizer que esses ômega são venenos. Vou pesquisar melhor sobre isso.

  5. Alex diz

    Meus triglicerídeos são bem baixos, cerca de 50. Agora o exame de proteína C acho que nunca fiz, geralmente ele segue equiparado aos níveis dos triglicerídeos?

    • Maxwell diz

      Também Alex. Dois anos e meio de medicação e nunca fiz esse exame de proteína C. Sei nem pra que serve.

  6. Cabral diz

    Posso fazer uso dessas vitaminas pro resto da vida ?! Ou tem intervalos ?!

    • Antonio diz

      Pode tomar sempre, o nosso organismo sempre elimina o que não precisa, o efeito colateral em doses razoável é zero!

  7. Matheus diz

    A proteína C reativa, também conhecida pela sigla PCR, é uma proteína produzida no fígado, cuja concentração sanguínea se eleva radicalmente quando há um processo inflamatório em curso, como infecções, neoplasias, doenças reumáticas ou traumatismos.

    • Caio PE diz

      Verdade. Mas ela é inespecífica ao saber a causa determinante da inflamação.

  8. Gomes diz

    Ola gostaria.bde tirar uma dúvida ,estou pensando em me mudar do Brasil ,penso em ir morar em Barcelona Espanha ,alguem aqui sabe me dizer como obter tratamento lá , estou no esquema 3×1 indetecvel ,e hj isso é oq mais me empedi de tomar uma decisão .Alguem pode me ajudar com isso ,e me esclarecer oq devo fazer ?

    • Melhor vc informar na embaixada, mas não durante alguma entrevista. Veja o que tem lá de informação.

  9. Tonzinho diz

    Pessoal revejam sua alimentação, animais sofrem já com os testes de nossos remédios, não merecem servir de remédio em cápsula. Busquemos alternativas melhores e que não transformem animais em cápsulas de ômega 3.

    EXISTE ÔMEGA 3 VEGETAL, pesquisem.

    • Tonzinho diz

      Podem negativar, mas a verdade é quanto mais egoísta somos com relação ao sofrimento dos animais o mundo continuará “doente”, sabe por que? Quando não nos importamos com o impacto que causamos à eles demonstramos insensibilidade. Isso por que eu apenas sugeri omega 3 vegetal, ou seja, algo que faz bem a nós e consequentemente aos peixes (que são animais, pra quem não sabe). Então parem de ser egoístas e revejam seus conceitos.

  10. Batista diz

    Pessoal li que o ator Charlie Sheen faz o tratamento de monoterapia (Pro 140), temo que o tratamento fique restrito e elitizado.

    • Victor diz

      Batista. Você está sem tratamento? O Pro-140 nem foi liberado pelo FDA. Além disso, ele não funciona para todas as pessoas. Ele está sendo desenvolvido por um laboratório americano (Cytodyn). Como tudo na indústria farmacêutica é movido a lucro (se não fosse, essas pesquisas e novas medicações provavelmente nem existiriam) e a tecnologia de anticorpos (caso do pro-140) é extremamente cara, obviamente que ficará restrito para casos bem específicos caso em algum momento venha para o Brasil. Não entendo o teu temor. Temos medicações disponíveis . Em 2017 o Dolutegravir desembarca por aqui. Medo de que rapaz?

  11. marcos diz

    Gente eu tomo muito polen ( eu ja lhe que ela ajuda em muito no sistema imunologico) e espremo limao em jejum com agua todos os dias, e as vezes a propolis verde, e estou consumindo agora quinoa em flocos com iogurte desnatado. O que voces acham???

    • Antonio diz

      Na minha opinião como prof de Bioquímica, mal não vai fazer. Estes tratamento alternativo desde de que não sejam substituídos pelo os tradicionais, são vem vindo sim. Agora eu tenho muita desconfiança de qualquer coisa desnatada. Lembre que as vitaminas são solúveis na sua maioria somente na gordura e não na água, assim o leite desnatado e seus derivados tem poucos vitaminas. Eu ƒaço uso de alguns chás e vitaminas e suplementos e etc.

  12. Batista diz

    Victor
    O tratamento de monoterapia é o mais avançado da atualidade, devido a sua não toxidade. Enquanto não houver mobilização política por parte dos soropositivos, ficaremos a margem de alguns comprimidos diários na incerteza dos efeitos colaterais a longo prazo. O Dolutegravir, por exemplo, só chegará ao Brasil em 2017, após alguns países já terem adotado como tratamento de primeira linha. Reconheço os avanços da Medicina, mas a causa precisa de mobilização social.

    • Daniel Lemos diz

      eu ontem fui na consulta do sus. faço acompanhamento no emilio ribas e tb particular.
      mantenho meu vinculo publico pois sei que tem um aparato bom multidiscipolinar, mas esperei de proposito a consulta passar. a medica nem se quer abordou nova medicacao para conversarmos.
      dai eu a provoquei educadamente no final.

      temos que tirar os medicos da zona de conforto. o interesse é nosso, nao deles.

  13. Rodrigo10 diz

    Batista,
    Se você está sem tratamento te aconselho a procurar o seu médico, fazer genotipagem, conversar com ele sobre a melhor opção. Os medicamentos de primeira linha são bons sim, não são ideais mas são bons! É melhor tomar 3×1 do que ficar sem tratamento sonhando com monoterapia que não está ão nosso alcance amigo.
    É melhor um batista indetectável tomando 3×1 do que um Charlie Sheen voando e tomando monoterapia haha desculpe a piada tá é pra descontrair não leva a mal broe. Abraço

  14. TC-MR diz

    Desculpa pela pergunta. Podem puxar minha orelha. Vocês acreditam que a cura chegará em 2020? Estou as 5 meses fazendo o tratamento com o 3×1 (Não tive nenhum efeito colateral). Esse mês de novembro comecei a pensar, questionar e pesquisar. Estou em uma fase da minha vida que os meus sonhos, pelo qual batalhei muito estao se tornando reliadade. Tenho medo de no conseguir desfrutar de tudo que está acontecendo. Tenho medo, já passei em psicólogo, mas sei lá, tenho a impressão que eles estão me enganando. Uma dor de cabeça já me deixa com medo. Alguém já passou por isso ? Pode me ajudar?

    • Olhe eu sou muito otimista, mas acredito que se não sair em 2020, uma hora sai. Eu estou muito bem, e sigo a vida na boa.
      Se quiser tc comigo via e-mail pode me escrever (antonio_almeica@gmail.com)

  15. Batista diz

    Rodrigo10

    Reitero que o tratamento atual é muito melhor que os anteriores, mas ainda não é o ideal. O Dolutegravir é super bem vindo, apesar da promessa dos seus benefícios ainda há pouca informação na prática, “seremos cobaias a longo prazo”. Não me interpretem mal, não tenho a intenção de transparecer uma visão egoística ou pessimista, sei que existem doenças mais complexas e que tem países que as pessoas morrem de Aids por falta de acesso aos medicamentos.
    O comentário de Daniel Lemos, sintetiza a minha opinião sobre o programa HIV/Aids quando destaca o termo “zona de conforto”. Completo que por parte de todos, pacientes, médicos, representantes governamentais, salvo as exceções. Só para se ter uma ideia, quando o coquetel se estabilizou como tratamento cerca de 80% das pesquisas em busca da cura reduziram. Por que isso ocorreu? Faltou engajamento político por parte dos soropositivos. Muitos criticam a inescrupulosidade da indústria farmacêutica, mas qual é o nosso papel nesse sentido? Já que é a nossa saúde que está em jogo. Não temos sequer um representante direto no Congresso que albergue a causa e muitas ONG’s já fecharam. Se a Medicina a passos lentos faz a sua parte, o que define um Charlie Sheen ter acesso a um tratamento mais moderno enquanto o resto do mundo tem que lidar com os efeitos colaterais a curto ou a longo prazo do tratamento convencional? Qual foi o critério utilizado? É justo? Essas barreiras só serão vencidas quando houver ativismo, não esperemos milagres. Não só quanto o HIV/Aids, mas muitos problemas mundiais não são resolvidos ou amenizados por falta de mobilização social. Espero que me entendam!

    • Paraense+ diz

      Como vamos nos mobilizar, se vivemos escondidos na “Zona de conforto” do anonimato e sob as cobertas de pseudônimos ?. Várias vezes quando eu compartilhei algumas matérias do JS no facebook, fui repreendido e criticado por amigos soropositivos que diziam que eu estava me expondo muito e consequentemente expondo-os por tabela etc… Hoje já não posto nem compartilho nada, inclusive, já exclui meu face. Hoje tenho um face conjunto com minha esposa e só. O anonimato venceu, mas se precisar eu dou minha cara ao tapa e revelo que tenho HIV.

  16. Victor diz

    Batista. Você tem idéia de quando custa um anticorpo monoclonal? Pode chegar a 50.000 dólares por ano por pessoa. Sabe quanto custa o 3×1? 100 dólares por ano por pessoa. Ou seja, o tratamento de 1 pessoa em uso de pro-140 financia o tratamento de 500 pessoas em TARV. Você sabia que apenas 40% dos soropositivos no planeta tem acesso aos remédios? E que em nuitos países ainda se usa estavudina como primeira linha? Então não é simplesmente uma questão de “pressionar politicamente”. É uma questão de matemática financeira também. Existem pessoas com câncer, pessoas com diabetes, com outras doenças cronicas. E os recursos não são ilimitados. Pelo menos no nosso país. Você falou que existem poucos estudos sobre o dolutegravir. Existem ainda menos estudos sobre o PRO-140. Lutar por melhor acesso aos tratamentos é extremamente válido! Você disse que os soropositivos perderam sua militância. Como você acha que o Dolutegravir chegou ao Brasil apenas 3 anos depois de ser lançado? Existem muitos soropositivos por trás disso! Acredite! Nos EUA, país que está desenvolvendo o PRO-140, cada um compra seu medicamento! Seja um efavirenz, seja o PRO-140. O Charlie Sheen compra o dele! Ou você acha que o governo americano distribui os remédios? Por fim, sejamos racionais e gratos por vivermos em um país que nos fornece medicamentos. Um abraço.

  17. Batista diz

    Victor

    Não estou sendo irracional por defender o meu ponto de vista. Acima de tudo, sou grato pelo tratamento atual mas não fico na ilusão como muitos de que ter HIV é apenas tomar alguns comprimidos ao dia.
    Porque ninguém fala que muitos soropositivos precisam de outras drogas para manter o tratamento devido aos efeitos colaterais? Muitos vão dizer que não sentem nada, mas a longo prazo o organismo dará sinais. Mas vai ter gente que vai falar: “deixa de ser pessimista, a cura não passa de 2020” e se ela não chegar? E se não for acessível a todos? Há pelo menos uma década se fala em cura e até agora nada. Só para constar, eu acredito na cura mas não da forma meteórica como alguns pregam aqui no blog. Fora as pesquisas científicas controvérsias que em vez de passar segurança geram mais confusão. Você falou que muitas pessoas tem câncer, mas somos mais propensos a desenvolver essa doença, inclusive diabetes, fora as outras relacionadas a infecção em conjunto da TARV.
    Para justificar o fato do tratamento de monoterapia está restrito a uns poucos você comparou a discrepância de valores. Mas no começo da epidemia com a chegada do coquetel, os valores dos medicamentos eram muito altos e se não houvesse engajamento dos soropositivos para terem acesso gratuito aos medicamentos, até hoje estaríamos pagando. A luta deles era pela sobrevivência, a nossa é pela qualidade. De qualquer forma, acredito que a questão é política sim, porque se o poder econômico freia o progresso visando lucros é porque não há intervenção social.

    • Victor diz

      A luta inicial era num cenário totalmente diferente do que temos hoje. Não havia nenhuma medicação e milhares de pessoas morriam rapidamente de AIDS. Hoje temos medicações disponíveis que tornam o HIV uma doença crônica. Se fizermos o tratamento da forma adequada, não morreremos de AIDS. Como eu disse, nos EUA (local em que a militância começou e teve mais força) e em alguns países da Europa, as pessoas continuam pagando pelos seus antirretrovirais. Como vamos lutar por monoterapia com uma droga que ainda nem teve seu estudo finalizado? Charlie Sheen disse que não tem nenhum efeito colateral. Isso não significa que eles não existam. Vide medicações semelhantes utilizadas em lúpus, artrite reumatóide e outras doenças auto-imunes. Inicialmente vendidas como “isentas de efeitos colaterais”. Hoje sabe-se que esses efeitos existem e não são poucos. Vamos esperar a fase 3 do pro-140 ser finalizada, ele ir para a fase 4, ser distribuído para uma grande população e ter sua eficácia comprovada e efeitos colaterais bem estabelecidos. Depois podemos ficar temerosos. E por último, sinto muito se te desaponto, mas o lucro, e o “poder econômico” é o que move a indústria farmacêutica. Se quisermos derrubar isso, ótimo. Eles vão parar de investir dinheiro nisso e começar a investir em cremes anti-rugas.

  18. Batista diz

    Victor

    Em nenhum momento eu subestimei o poder econômico como fator gerador de investimentos em pesquisas/estudos e de concorrência na busca por tratamentos melhores ou pela própria cura. O que eu quis dizer é que o foco deve/deveria ser o progresso em benefício de todos, quando há uma banalização do mesmo em torno de lucros além do necessário ficamos a mercê do puro capitalismo selvagem. Ou você me explica de forma contundente por que com a estabilização do coquetel como tratamento cerca de 80% das pesquisas em busca da cura reduziram? É mais rentável para indústria farmacêutica manter soropositivos em tratamento no mundo ou encontrar uma cura? Você pode responder que a cura é o melhor caminho, porque acabaria com as despesas governamentais, será? Sabemos que muitos governos são eleitos com financiamento eleitoral (seja direta ou indiretamente) de grandes laboratórios e que alguns líderes mundiais tem uma relação profícua de poder capital com os “barões dos fármacos”.
    Quero deixar bem claro, que não sou simpático a teorias da conspiração, mas é importante refletir sobre os dilemas da doença e o programa HIV/Aids no mundo.
    Em outro momento você disse: “Se fizermos o tratamento da forma adequada, não morreremos de AIDS.” Mas poderemos ter doenças relacionadas aos efeitos colaterais do tratamento a longo prazo ou geradas pela própria inflamação do HIV no organismo, sem contar que existem pesquisas científicas controvérsias acerca da expectativa de vida de um soropositivo.
    Apesar de que ter HIV hoje em dia não ser uma sentença de morte e a qualidade de vida ter melhorado, a Ciência tem dúvidas sobre o uso vitalício da TARV, mesmo com diversos estudos teóricos, na prática é diferente, até porque a Aids é uma doença relativamente nova.
    Pessoal não tenho a intenção de desanimar ninguém, sejamos gratos com os recursos que dispomos e por estar em um país que apesar dos problemas é referência no tratamento de HIV/Aids no mundo, entretanto não nos acomodemos achando que ser soropositivo se reduz a tomar alguns comprimidos ao dia, temos que lutar por dias melhores. Lembro de uma entrevista que vi sobre o ativista Beto Volpe que precisou ir até a Brasília defender a inclusão de preenchimento facial no SUS, devido a lipodistrofia (efeito colateral causada por drogas antigas/ pesadas), porque houve um tempo em que se pensava “estando vivo está de bom tamanho”, mas e a qualidade? Não se considerava outros fatores, que incluem a autoestima do portador. Se ele não tivesse reivindicado esse direito? O Ministério da Saúde certamente continuaria na zona de conforto. Uma dia que o tratamento de monoterapia chegar ao Brasil, ficaremos de braços cruzados perante a possível decisão do governo em restringir o acesso a casos específicos ou aqueles que podem pagar? Muitos vão interpretar esse questionamento como uma “ansiedade descabida” ou uma “preocupação desnecessária”, porém não custa nada fomentar o senso crítico inerente a todo cidadão. Bom sábado a todos!

  19. Victor diz

    Batista, você realmente está com uma ansiedade descabida. Achando que usando o pro-140 os problemas acabaram! Adeus HIV! Adeus efeitos colaterais. O aumento da chance de câncer e outras doenças crônicas está relacionado á presença do vírus integrado ao DNA celular e á ativação imunologica persistente que isso provoca no organismo. Tanto que mesmo indetectáveis, temos risco aumentado. O pro-140 não vai eliminar o vírus, portanto a ativação imunológica persistente continuará acontecendo. Ninguém aqui está dizendo para ficarmos de braços cruzados. A questão é… Ficar temeroso por não ter acesso a um medicamento que funciona em aproximadamente 40% dos pacientes e que nem teve seus estudos finalizados? Prefiro não criar expectativas em relação ao incerto. Em relação á cura, nunca na história do HIV houveram tantos estudos e notícias boas nesse campo. Hoje a indústria dispõe de tecnologia infinitamente mais avançada. Até poucos anos atrás a possibilidade de cura sequer era considerada amigo. Os estudos falavam, nas entrelinhas, que jamais haveria cura. Não se compreendia a fisiologia e os mecanismos do vírus como se compreende hoje. O HIV é o vírus mais estudado da história. Mesmo que essa tua informação de que os estudos sobre a cura tenham diminuído 80% seja verdade, os 20% restantes sobrepujam de longe os estudos do passado, tanto em tecnologia quanto em dinheiro investido. Todos queremos não ter que ingerir drogas diariamente e torcemos pelo desenvolvimento de medicações menos tóxicas. Mas, á luz da ciência atual, nós teremos em breve o que há de mais moderno nos países desenvolvidos, que é o Dolutegravir. Menos ansiedade amigo. Bom final de semana.

  20. cariocarj diz

    Batista

    É negócio da indústria farmacêutica não querer a “Cura” do HIV é lenda urbana.

    É só ir em qualquer congresso de infectologia ou de HIV os próprios médicos já falaram isso que verá que as coisas não são bem assim.

    As pesquisas estão muito avançadas, eu acredito que vai ter cura sim e será possível curar os infectados, mas eliminar o vírus do planeta, isso não ele sempre vai existir igual às hepatites que são virais e outras tão antigas DST Bacterianas como: Sífilis, Gonorreia. Sempre vai ter pessoas se infectando. Claro que um dia quem já foi soro +, nunca mais vai querer ser um…

    • Antonio diz

      Concordo plenamente com vc. Até por que o grupo farmacêutico que chegar a cura ganhara muito dinheiro, além de ter o valor da empresa aumentado em muitos zeros e terão credibilidade no mercado para levantar bilhões para buscar a cura de outras doenças similares a HIV.

  21. Gabriel diz

    Interessante. Ontem tive consulta e no exame deu um leve aumento no trigliceridios pq exagerei nas massas e dei uma pausa na atividade física, então foi indicado o Ômega 3.

    No mais, tudo indo bem. Consulta somente em maio. Quem é o soronegativo que vai ao médico a cada 6 meses? Acho que uma minoria. Nós temos a segurança do monitoramento.

    Então um recado aos recém chegados ao blog/condição: cabeça no lugar, tomem seus remédios e façam os exames de rotina. O restante a gente tira de letra.

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