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Alex, 27, é diretor de marketing. Ele foi diagnosticado aos 23 anos e fez aqui um relato franco e emotivo da vida antes do HIV, do terrível dia do diagnóstico e de como agora ele está vivendo uma vida normal.

 

Pré-HIV

Minha primeira experiência com o teste de HIV foi com um médico em Norfolk tirando meu sangue e dizendo “você é gay então você provavelmente tem HIV” e, em seguida, me entregando um folheto sobre ser soropositivo. Ninguém quer escutar isso com 16 anos! Mas ele estava errado: cinco dias depois eu recebi o resultado dizendo que eu era soronegativo. No entanto, a experiência foi tão ruim que eu não fiz o teste novamente por um bom tempo depois disso.

 

Os sinais

Passei alguns anos vivendo em Londres antes de voltar para Norwich, onde a vivia muito bem – mantinha uma dieta saudável e ia sempre à academia para perder peso. Foi então notei que a perda de peso foi realmente muito dramática e que eu constantemente ficava resfriado. Aliás, não fui só eu que percebeu — meu chefe, no trabalho, disse: “Alex, você é a pessoa mais em forma que eu conheço!”

Me sentindo cansado e com erupção cutânea por todo o meu corpo, fui a um clínica médica, onde me deram algumas doses de penicilina. Depois de mais alguns exames que não deram resultado, meu médico me pediu para fazer um teste de HIV. Voltei ao hospital onde fiz meu primeiro teste de HIV, um dia antes de começar em um novo emprego — e muito feliz por essa mudança.

Na segunda-feira, eu estava no meu primeiro dia no trabalho novo, quando recebi um telefonema. Era o resultado do meu teste, que veio positivo. Eu tinha HIV. O primeiro pensamento que atravessou minha mente foi que eu não poderia ter filhos. (Agora sei que não é verdade, que posso ter filhos.)

 

O diagnóstico

Em geral, um diagnóstico nunca é revelado pelo telefone. Mas meu diagnóstico era diferente da maioria. Recebi uma mensagem de texto do National Health Service, pedindo-me para ligar para um número específico por volta das 17:15h.

Quando liguei, pediram-me para ir visitá-los, mas expliquei que estava em Londres e que não poderia voltar naquela hora a Norwich, às 17h em plena segunda-feira!Eu me lembro que estava passando em frente ao Costa Coffee em Tottenham Court Road. A verdade é que, naquele momento, o pensamento de que eu era positivo sequer passou pela minha cabeça. Foi então que ele me disse:

“– Sinto muito por ter que lhe dizer isso, mas seu teste deu positivo.”

Levei um momento para processar essa informação. Então, caiu a ficha. Me lembro da sensação de meu coração pulsando e da minha mente girando fora de controle. Eu só queria era chegar em casa, estar em algum lugar seguro. Tentei ligar para meu namorado, mas ele não respondeu. Liguei novamente e ele atendeu. Meu namorado soube instantaneamente a razão da minha ligação (ele sabia que eu havia feito o teste de HIV) e disse apenas:

“– Vá pra casa. Eu estou saindo do trabalho agora.”

Durante minha viagem de metrô, eu não senti nada. Estava entorpecido. Comecei a ler o jornal, sem dar importância para as notícias. Ao chegar em casa, tentei fingir que estava tudo bem, fazendo tarefas quotidianas, como esvaziar a máquina de lavar louça. Foi quando meu namorado chegou que eu desabei, e chorei como nunca tinha chorado antes.

No dia seguinte ao diagnóstico, fui até o hospital durante o horário de almoço. Hoje, sei que ir ao hospital fazer exames é rotina, mas o que não era rotina era o médico me levar correndo para a emergência. Meu exame de sangue mostrou uma contagem de plaquetas tão baixa que eu estava com trombocitopenia. A contagem habitual de plaquetas no corpo humano é de 150.000 a 450.000 plaquetas por microlitro de sangue, a minha contagem estava em 7.000. Mais tarde, descobrimos que isso estava acontecendo porque o HIV estava atacando as plaquetas e matando-as, então as únicas plaquetas que havia no meu corpo eram muito novas. Se eu tivesse sofrido uma lesão nessas condições, poderia ter sido fatal.

Eu tinha aids avançada e estava em estado crítico. Tudo o que eu podia pensar na época era o fato de que eu estava apenas na minha pausa para o almoço do meu novo emprego e não parecia que eu poderia voltar para o escritório em breve.

 

A reação do meu parceiro

Ele entrou na porta e eu sabia que se eu olhasse para ele nos olhos, eu iria desabar. E foi o que aconteceu. Ele me deitou na cama e me segurou enquanto eu chorava. Eu não conseguia pensar no futuro. Hoje, não tenho idéia do que teria acontecido se ele não estivesse. Meu parceiro foi maravilhosamente solidário e protetor. Nós estávamos juntos há alguns meses e, depois disso, ficamos juntos por mais um ano, antes de terminar por razões em nada relacionadas com o HIV. Durante todo o processo, ele foi incrível. Quando me disseram que eu estava seriamente doente, ele sugeriu que eu fosse morar com ele.

 

Reação no trabalho

Todos me apoiaram muito quando voltei ao trabalho, mas eu havia mentindo para eles. Eu estava tão envergonhado que não queria correr o risco de que pensassem qualquer coisa ruim a meu respeito. Disse a eles que tinha uma “anomalia imunológica” — uma história que os médicos do hospital me ajudaram a criar. Como eu trabalhava para uma pequena empresa, sem um departamento de RH, meu chefe era a pessoa que eu teria de contar. E eu simplesmente não queria fazer isso. Não queria que ninguém soubesse.

Só fui contar sobre o HIV em meu novo emprego, onde recebi um apoio incrível. Eles me dão a flexibilidade que eu preciso para gerenciar minha condição, e sou muito grato por isso. Quem vive com HIV no Reino Unido pode se beneficiar da Equality Act 2010, porém, apenas se revelar sua condição sorológica. Ou seja, para ser protegido pela lei, você tem que revelar que tem HIV.

Passei uma semana no hospital e, por isso, tive que inventar uma história para meus pais, porque eu simplesmente não queria contar a eles que tinha sido diagnosticado com HIV. Felizmente eu me recuperei. Logo comecei o tratamento antirretroviral. Depois de apenas oito semanas eu estava indetectável.

 

Reação de minha mãe e meu pai

Eu contei a meus pais há cerca de um ano, quando me senti preparado para isso. Eu estava solteiro nesta altura e ainda estava reconstruindo minha vida com eles, depois de uma ruptura bastante grosseira. Embora trabalhando para o Terrence Higgins Trust, ainda sentia medo da rejeição, algo que é quase paralisante — eu ainda tinha dificuldade em contar às pessoas que tinha HIV.

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Alex agora trabalha como voluntário no Terrence Higgins Trust. (Imagem: Terrence Higgins Trust)

Divulgar o status é como sair do armário como gay, mas possivelmente dez vezes pior. Meus pais são pessoas incríveis, carinhosas e atenciosas, que têm me apoiado por toda minha vida. Mesmo assim, contar sobre o HIV foi assustador. Quando contei à minha mãe, ela ficou chocada. Então, fiz o que sempre faço, que é ir para o modo educacional. Como eu sei de todos os fatos, é difícil não começar a falar sobre ser indetectável e viver uma vida normal.

Minha mãe foi se deitar, dizendo que precisava de tempo para processar essa informação. No dia seguinte, discutimos: ela estava muito chateada por eu não ter lhe dito mais cedo, ter contado que eu estava em uma condição de risco de vida e que ela não sabia, que eu lutei tanto contra tudo isso sem ela ao lado.  A reação de meu pai foi muito semelhante. Ambos se sentiram magoados por não terem sido capazes de me proteger em um dos momentos mais difíceis da minha vida.

Se eu pudesse voltar atrás e fazer tudo de novo, meus pais saberiam desde o primeiro dia. Não tenho ideia de por que não pensei que eles poderiam dar apoio. Mas sei que o estigma em torno do HIV é forte e é assustador.

Por outro lado, fazer o teste não é assustador. Agora que eu sei que meu status de soropositivo, faço tratamento e estou indetectável, sinto um peso fora dos meus ombros, porque sei que não posso transmitir o vírus.

 

Viver com HIV

Dizer que é fácil viver com HIV seria uma mentira. Mas não é mais uma sentença de morte. Viver com HIV significa levar mais algumas em consideração. Com um novo emprego, por exemplo, tenho que considerar cuidadosamente se o novo empregador será simpático com a minha condição. Quando saio de férias para viajar, tenho que verificar e me certificar de que o país de destino aceita viajantes com HIV e levando a minha medicação. Há alguns países para os quais não posso ir, especialmente no Oriente Médio (o que já afetou meu trabalho). Eu tive que visitar um psicólogo para trabalhar com questões de autoestima associadas ao estigma. Tive que experimentar alguns tipos diferentes de medicação para encontrar aquelas com menos efeitos colaterais.

Sempre me lembrarei de alguém me dizendo: “Chega uma hora que você para de pensar no HIV todos os dias”, ao que minha resposta foi: “Mas as pílulas que eu tomo todos os dias são um lembrete diário do que eu tenho dentro de mim”. Porém, agora posso dizer com 100% de certeza que eles estavam certos. O HIV não é mais um fator importante em minha vida. Sim, os relacionamentos são difíceis, uma vez que ainda há muito medo entre as pessoas que são soronegativas e, sim, os relacionamentos nem sempre funcionam como esperado. Mas também é verdade que algumas vezes nos damos bem com caras soronegativos e algumas vezes com caras soropositivos. Só estou feliz por saber minha condição e oferece risco para mais ninguém.

Ser diagnosticado com HIV acabou sendo um momento real na minha vida, partir do qual eu comecei a tomar o controle dela. Me fez crescer muito rapidamente e assumir a responsabilidade pelas minhas ações. Comecei a me respeitar como um adulto e como profissional. Como fui diagnosticado aos 24 anos de idade, deu-me algo para lutar. Algo que vou continuar a fazer até vencer esta condição ou, pelo menos, até terminar o estigma.

 

Olhando para o futuro

Sou uma pessoa muito afortunada, que tem uma família surpreendente, amigos maravilhosos e um trabalho que amo. Estou prestes a me mudar de Londres novamente, desta vez para ir para Brighton, algo que estou realmente ansioso para fazer. Espero viver uma vida longa e feliz, fazendo o que amo ao lado das pessoas que amo.

Infelizmente, com o Brexit, não há mais clareza sobre cuidados de saúde universais. Posso ser limitado quanto a onde posso viver, mas eu não vou deixar que isso amorteça os meus sonhos de explorar o continente.

Em termos de futuro do HIV, quero viver em um mundo onde nós consigamos parar a propagação do HIV — e, espero, onde possamos ser curados dele. Se todos fossem testados e se pudéssemos garantir que todos os diagnosticasos positivos recebam medicação — e, portanto, tornem-se incapazes de transmitir –, seríamos capazes de interromper a propagação do HIV em questão de anos. Por isso, exorto todas as pessoas a fazerem o teste!

Em 21 de novembro de 2016 por  para o Metro.co.uk

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Mais de 2 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em 2015, sendo a transmissão sexual o principal canal de infecção. Pesquisadores do Grupo de Infecções do Trato Respiratório e Pacientes Imunocomprometidos do Instituto de Pesquisa Biomédica de Bellvitge (IDIBELL), liderados pelo Dr. Daniel Podzamczer, avaliaram a velocidade com que um novo medicamento antirretroviral, o Dolutegravir, é capaz de reduzir a carga viral no sêmen, uma área do corpo considerada um reservatório do vírus e os medicamentos têm mais dificuldade em chegar. Os resultados, publicados no Journal of Infectious Diseases, mostram o potencial desses novos tratamentos em reduzir as chances de transmissão sexual do vírus.

“No caso de casais sorodiscordantes, enquanto a carga viral do parceiro diminui, recomenda-se que a pessoa soronegativa tome profilaxia, além dos preservativos”

Os tratamentos antirretrovirais atuais são capazes de diminuir a carga viral do sangue e torná-la indetectável dentro de seis a nove meses do início do tratamento na maioria dos pacientes, embora se estime que cerca de 5 a 25% dos pacientes mantenham níveis detectáveis de vírus no sêmen após este período, devido a vários fatores que nem sempre são conhecidos. “Portanto, no caso de casais sorodiscordantes ,nos quais apenas um dos parceiros é portador do vírus, enquanto a carga viral do parceiro diminui tanto no sangue quanto nos reservatórios, recomenda-se que a pessoa soronegativa tome medicamentos antirretrovirais como profilaxia, além dos preservativos”, diz o Dr. Podzamczer.

No entanto, existem novos fármacos, conhecidos como inibidores da integrase, que podem agir muito mais rapidamente. “Neste estudo, nos concentramos em avaliar a taxa de queda da carga viral em pacientes que receberam esses novos tratamentos, em especial o Dolutegravir”, explica o Dr. Arkaitz Imaz, primeiro autor do estudo. “Medimos a carga viral no sangue e no sêmen antes de iniciar o tratamento, aos 3 dias, aos 7, aos 14, no primeiro mês, no terceiro mês e no sexto mês. Sabemos que a carga viral cai rapidamente durante os primeiros dias e semanas. Adaptando um modelo matemático-estatístico complexo aos nossos dados e às características dos nossos pacientes, foi possível obter um modelo cinético específico da carga viral para cada fluído, sangue e sêmen, sob este regime de tratamento.”

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Os pesquisadores observaram que, embora a taxa de queda na carga viral seja significativamente maior no sangue do que no sêmen durante os primeiros dias, ela é é igual durante a segunda fase de queda. No entanto, apesar da diferença de velocidade, a carga viral se torna indetectável mais rapidamente no sêmen do que no sangue porque os valores de base são muito mais elevados no sangue, ou seja, há muitos mais vírus a eliminar. “Esses resultados sugerem a possibilidade de reduzir o tempo de profilaxia ao usar esses novos tratamentos”, observam os pesquisadores.

“A concentração de Dolutegravir no sêmen é mais que suficiente para garantir a queda da carga viral neste reservatório”

Por outro lado, o padrão de queda é muito mais homogêneo no sangue do que no sêmen. A heterogeneidade no sêmen demonstra a natureza diferencial e mais imprevisível deste fluído como reservatório do vírus. Nesse sentido, é interessante notar que não existe uma correlação clara entre a concentração de medicamento no sêmen e a diminuição da carga viral: “a concentração de Dolutegravir no sêmen é mais que suficiente para garantir a queda da carga viral neste reservatório”, explica o Dr. Podzamczer, “porque mesmo que apenas 7 a 8% do medicamento do sangue chegue ao sêmen, a proporção de medicamento ativo no sêmen é muito maior do que a observada no sangue. Isso era algo que não sabíamos até agora.”

“Se reduzimos o tempo de queda da carga viral, reduzimos claramente a possibilidade de transmissão”

Atualmente, inibidores de integrase são recomendados por todas as diretrizes clínicas como a primeira linha de tratamento. “Nosso estudo reforça essa decisão, especialmente à luz do cenário atual de transmissão do HIV. Se reduzimos o tempo de queda da carga viral, reduzimos claramente a possibilidade de transmissão, especialmente entre os grupos de alta prevalência do HIV”, argumenta o Dr. Imaz. No editorial que o Journal of Infectious Diseases dedica ao artigo, ressalta-se a necessidade de replicar este estudo com outros novos fármacos atualmente em desenvolvimento, tal como os antirretrovirais de longa duração, para avaliar o potencial destas novas terapias e sua atividade neste reservatório viral.

O trabalho foi realizado em colaboração com o Dr. Jordi Niubó, também membro doGrupo de Infecções do Trato Respiratório e Pacientes Imunocomprometidos do IDIBELL, e com os grupos de pesquisa da Dra. Angela D. Kashuba, do Centro de Pesquisas sobre Aids da Carolina do Norte,  e o Dr. Javier Martínez-Picado, do IrsiCaixa Aids Research Institute.

Em 22 de novembro por IDIBELL

Fonte:  Imaz A, Martinez-Picado J, Niubó J, Kashuba AD, Ferrer E, Ouchi D, Sykes C, Rozas N, Acerete L, Curto J, Vila A, Podzamczer D. HIV-1-RNA Decay and Dolutegravir Concentrations in Semen of Patients Starting a First Antiretroviral Regimen. J Infect Dis. 201


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A autoridade nacional de medicamentos da China analisou nesta quarta-feira os resultados da última fase de uma pesquisa clínica sobre um medicamento anti-HIV produzido no país, antes de sua aprovação oficial.

Uma vez aprovado, o medicamento de nova geração, chamado Albuvirtide Injetável, deve ser a primeira injeção de longa duração do mundo para o tratamento do HIV. Desenvolvido pela Frontier Biotechnologies, sediada em Nanjing, o medicamento pode bloquear a fusão das membranas das células virais e hospedeiras, interrompendo o ciclo de vida do HIV em seu estágio inicial. O medicamento está em estudo clínico de fase III em 12 centros clínicos em todo o país desde fevereiro de 2014, segundo afirmou a Agência de Notícias Xinhua.

O medicamento é um inibidor de fusão que deve ser usado junto com antirretrovirais para tratar pessoas com HIV que fazem a terapia antirretroviral, afirma o site da Agência. Segundo este mesmo site, trata-se do primeiro medicamento anti-HIV de longa duração do mundo que entrou em estudos clínicos de fase III, o qual, com um mecanismo de ação molecular, é eficaz tanto contra o vírus HIV-1 como contra outros vírus resistentes.

“Os dados mostram que o estudo alcançou todas as expectativas”

Na quarta-feira, a China Food and Drug Administration verificou os dados experimentais de médio prazo do estudo clínico de fase III do medicamento no Hospital Beijing Youan, que se encarregou de conduzir os estudos clínicos nacionais deste medicamento. “Os dados experimentais de médio prazo mostram que o estudo alcançou todas as expectativas, com 80,4% da concentração de HIV dos pacientes nos grupos experimentais sendo reduzida para menos de 50 cópias por mililitro, que é o limite de detecção do HIV”, disse Wu Hao, decano do centro de doenças infecciosas do Hospital Beijing Youan, a Agência de Notícias Xinhua.

Wu disse que o medicamento, que é aplicado uma vez por semana, é muito mais eficaz e mais seguro do que os remédios atuais e que faz menos danos aos rins. Os dados foram coletados entre as semanas 24 e 48 dos estudos que incluem 83 grupos experimentais e 92 grupos de controle, segundo um documento enviado ao Global Times. Não houve qualquer relato de efeitos colaterais do medicamento. Li Dun, professor do Centro Universitário Tsinghua para Estudo da China Contemporânea, observou que, se houver efeitos colaterais, estes devem ser tornados públicos.

“Estamos dispostos a promover este medicamento no mercado o mais rapidamente possível”

“Uma vez aprovado, estamos dispostos a promover este medicamento no mercado o mais rapidamente possível”, disse o gerente de assuntos governamentais da empresa, de sobrenome Zhang. “Atualmente, os tratamentos do HIV usados na China são genéricos ou importados, foram desenvolvidos uma ou duas décadas atrás e são comparativamente ineficazes sob as condições atuais”, disse Zhang.

china

Seis em cada 10.000 pessoas na China estão afetadas pelo HIV/aids. Mais de 570.000 pessoas na China foram diagnosticadas com HIV até o final de 2015 e cerca de 32% dos soropositivos do país ainda não foram diagnosticados, disse Liang Xiaofeng, vice-diretor do CDC em um fórum realizado em outubro. Liang observou que a China tomou medidas, como a ampliação do escopo de exames médicos, para lidar com a doença.

“O país reduziu os custos do tratamento do HIV e expandiu o alcance do tratamento gratuito para apoiar as pessoas que vivem com HIV”, disse Peng Xiaohui, sexólogo da Universidade da China Central, em Wuhan. Peng disse que o custo médio para o tratamento de pessoas soropositivas foi reduzido de 30.000 yuan (4.337 dólares) para entre 3.000 e 5.000 yuan por ano.

A terapia atual de antirretrovirais. amplamente utilizada nos tratamentos contra o HIV, pode trazer o vírus HIV sob controle, mas não pode curar a doença. Especialistas disseram que uma vacina contra o HIV/aids foi desenvolvida por cientistas chineses, que concluíram sua fase de testes de segurança durante a Conferência Nacional sobre HIV/Aids, em Pequim, em outubro de 2014.

Por Leng Shumei em 24 de outubro de 2016 para Global Times


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O presidente eleito Donald Trump está de olho na Food and Drug Administration. Faz menos de um ano que o Dr. Robert Califf assumiu o cargo de chefe da FDA e a agência já está enfrentando uma reviravolta pós-eleitoral. Os defensores da saúde pública estão se preparando para uma mudança brusca: a renúncia às regras da agência para o desenvolvimento de medicamentos, importação de remédios de outros países e menos requisitos para estudos clínicos — o que há muito tempo é o padrão para determinar se os medicamentos são seguros e eficazes.

“A FDA é como uma guarda de trânsito impedindo mais velocidade em avanços na saúde”

“Com uma presidência Trump e um Congresso radicalmente pró-negócios, nos próximos anos poderemos ver a remoção de inúmeras proteções ao consumidor”, disse Michael Jacobson, cofundador e presidente do Centro para a Ciência do Interesse Público. Para Trump e seus conselheiros, incluindo Newt Gingrich, a FDA tem agido como uma barreira para a inovação médica há bastante tempo. Gingrich, ex-presidente da Câmara, já descreveu a FDA como a principal “assassina de empregos” da nação e pediu sua abolição. “A FDA é como uma guarda de trânsito impedindo mais velocidade em avanços na saúde”, escreveu ele na National Review, em 2013.

“A FDA carece de evidências necessárias para apoiar determinações reguladoras de segurança”

O ponto de equilíbrio da FDA entre a proteção do paciente e os avanços da indústria de medicamentos nunca foi fácil. Contudo, Califf, que já tinha proximidade com a indústria farmacêutica mesmo antes de sua carreira na FDA, disse que há uma boa razão para isso. “Infelizmente, muitas decisões tomadas hoje a respeito da saúde não são apoiadas por evidências científicas de qualidade, porque há uma quantidade disponível limitada delas”, disse ele em um discurso feito em maio passado no Food and Drug Law Institute. “O atual déficit de evidências tornou-se especialmente prejudicial para a FDA, que em muitas áreas carece de evidências vitais necessárias para apoiar determinações definitivas reguladoras de segurança, eficácia e indicações apropriadas para produtos médicos comercializados”, disse Califf ao grupo.

Ao longo dos últimos anos, estimulados por grupos de defesa de pacientes e por grande parte da indústria farmacêutica, os legisladores têm lutado por um pacote de leis que iria abrir caminho para uma grande mudança na forma como o país regula medicamentos prescritos e dispositivos médicos. Independentemente dessa legislação avançar, a presidência de Trump provavelmente permitirá que a indústria obtenha muito do que quer em termos de desregulamentação.

“Eu conversei com muitas pessoas do meio médico e da indústria farmacêutica nos últimos dias. Eles são, certamente, os que mais estão respirando aliviados”, disse o ex-representante republicano Mike Ferguson, que é diretor da política federal do BakerHostetler e é próximo da equipe de transição de Trump. “Eles estavam se preparando para ter de lutar contra um governo Clinton, que seria bastante hostil a eles.”

“No mínimo, o presidente eleito Trump apoiará permitir o acesso a medicamentos não aprovados”

Em um relatório para seus clientes, a Holland & Knight, uma firma de advocacia especializada em saúde, observou que funcionários da FDA estavam particularmente preocupados com a possibilidade de que Trump iria expandir as controversas regras do “Direito de Tentar”, as quais permitem que doentes terminais tenham acesso à terapias não aprovadas que passaram pelos testes básicos de segurança. “No mínimo, o presidente eleito Trump apoiará as regras do Direito de Tentar, que visam permitir o acesso a medicamentos não aprovados”, escreveram os autores. “O vice-presidente eleito Mike Pence apoia a lei do Direito de Tentar no estado de Indiana e defendeu isso durante sua campanha como governador.”

A FDA tem um programa conhecido como “uso compassivo”, que concede acesso a tratamentos não comprovados fora de um estudo clínico randomizado. Mas, embora a agência conceda a quase todos esses pedidos, também tem sido cautelosa sobre o movimento do Direito de Tentar, o qual tem sido bem sucedido em 31 estados e levanta questões sobre a autoridade dos estados americanos perante a FDA — uma perspectiva que agência não gosta. Um ex-funcionário da FDA, que falou sob a condição de anonimato, disse que o apoio ao movimento do Direito de Tentar sinaliza uma desaprovação mais ampla da regulamentação. “As pessoas que acreditam nisso acreditam que deveria a FDA não deveria existir”, disse o ex-funcionário.

Trump também prometeu remover as barreiras que impedem uma entrada mais facilitada nos Estados Unidos de medicamentos feitos em outros países — algo que seria difícil, uma vez que a FDA já está tendo problemas em monitorar os remédios atuais.

(Ilustração por Mike Reddy)

Grande parte do trabalho da FDA, naturalmente, centra-se sobre os alimentos. Logo no início da campanha, Trump expressou desdém com os regulamentos de segurança alimentar da FDA. “A Polícia de Alimentos da FDA dita como o governo federal espera que os agricultores produzam frutas e legumes e até dita o valor nutricional dos alimentos para cães”, disse Trump em um discurso de setembro. “As regras ditam como os fazendeiros devem usar solo, a higiene da produção agrícola e dos alimentos, a embalagem dos alimentos, a temperatura dos alimentos e até mesmo o quando e quanto os animais podem se movimentar.”

“É difícil saber o quanto devemos levar Trump a sério”

Jacobson, do Centro para a Ciência do Interesse Público, disse que “é difícil saber o quanto devemos levar Trump a sério”. Mas ele também disse que o Congresso poderia facilmente cortar o orçamento da FDA e, com isso, “cortar também os programas que prevenem infecções transmitidas por alimentos, evitar rótulos de alimentos desonestos e manter aditivos inseguros fora do suprimento de alimentos”.

Outros afirmam que, mesmo que Trump pretenda acabar com a FDA, ele pode se surpreender ao descobrir que há limites para o que de fato ele pode fazer. “Você pode estar contra toda a regulamentação que quiser, mas a Lei de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos não é algo maleável dentro das ordens executivas”, disse o Dr. Sidney Wolfe, fundador e consultor sênior do Public Citizen’s Health Research Group, uma agência que visa uma melhor protecção dos pacientes. “Há leis, várias leis, e demoramos muito tempo para consegui-las.”

Por Sheila Kaplan em 22 de novembro de 2016 para Stat


Cientistas dos National Institutes of Health (NIH) identificaram um anticorpo de uma pessoa infectada pelo HIV capaz de neutralizar 98% das cepas de HIV isoladas, incluindo 16 cepas, de um total de 20, resistentes a outros anticorpos da mesma classe. A notável amplitude e potência deste anticorpo, chamado N6, pode torná-lo um candidato atraente para o desenvolvimento futuro de formas de tratamento ou prevenção contra a infecção pelo HIV, dizem os pesquisadores.

Os cientistas, liderados por Mark Connors, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas do NIH (NIAID), também acompanharam a evolução do N6 ao longo do tempo, para entender como ele desenvolveu a habilidade de neutralizar tão potentemente quase todas as cepas do HIV. Esta informação ajudará a informar a concepção de vacinas para obter esses anticorpos amplamente neutralizantes.

A identificação de anticorpos amplamente neutralizantes contra o HIV tem sido difícil porque o vírus muda rapidamente suas proteínas de superfície para evitar o reconhecimento pelo sistema imunológico. Em 2010, cientistas do Centro de Pesquisa de Vacinas do NIAID descobriram um anticorpo chamado VRC01, capaz de evitar que até 90% das cepas de HIV infectem células humanas. Tal como o VRC01, o N6 bloqueia a infecção ligando-se à uma parte do invólucro do HIV, denominado local de ligação de CD4, impedindo que o vírus ligue-se às células do sistema imunológico.

anticorpo

Os resultados do estudo atual mostraram que o N6 desenvolveu um modo original de ligação, que depende menos de uma área variável do envelope do HIV conhecida como a região V5, e focaliza mais em regiões conservadas, as quais mudam relativamente pouco entre cada cepa do HIV. Isso permite que o N6 tolere mudanças no envelope do HIV, incluindo a fixação de açúcares na região V5, um importante mecanismo pelo qual o HIV desenvolve resistência a outros anticorpos da classe VRC01.

As novas descobertas sugerem que o N6 poderia apresentar vantagens sobre o VRC01, que atualmente está sendo avaliado para infusão intravenosa, em estudos clínicos que avaliam se ele pode prevenir com segurança a infecção pelo HIV em humanos. Devido à sua potência, o N6 pode oferecer benefícios de prevenção e de tratamento mais fortes e mais duráveis. Os pesquisadores podem ser capazes de administrá-lo subcutaneamente (na gordura sob a pele) em vez de aplicação intravenosa. Além disso, a sua capacidade para neutralizar quase todas as estirpes de HIV é vantajosa tanto para a prevenção como para as estratégias de tratamento.

Em 15 de novembro pelo NIH

Referência: J Huang, BH Kang, E Ishida, T Zhou et al. Identification of a CD4-binding site antibody to HIV that evolved near-pan neutralization breadth. Immunity DOI: 10.1016/j.immuni.2016.10.027 (2016).

“Olá, Jovem.

Não sei como iniciar esse assunto — nem mesmo se deveria fazer isso —, mas senti a necessidade de estabelecer esse contato contigo. Você nem deve ter o conhecimento da minha existência antes desse e-mail, mas você foi de fundamental importância para o meu bem-estar, hoje, 11 dias após meu diagnóstico de portador do vírus HIV. Creio que você receba inúmeras mensagens como essa, diariamente, e, por mais que essa seja apenas mais uma, a vontade de compartilhar com você essa gratidão após a leitura de todos os artigos e relatos pessoais foi maior — e aqui estou eu.

Vou começar falando de mim: me chamo M. e tenho 21 anos. Foi no dia 26 de outubro de 2016. Acho que esse acaba se tornando um dia inesquecível para qualquer um, até para os mais esquecidos ou desnaturados com datas. Mas, enfim, numa tarde após fazer o meu primeiro teste rápido de DSTs — que quis fazer por mera curiosidade —, recebi a notícia que mudou minha vida e tem me causado inúmeras sensações, sentimentos e incertezas, desde então.

Antes disso, já havia doado sangue algumas vezes e acabava acompanhando minha saúde por meio dos resultados disponibilizados ali. Sempre deu negativo para o HIV, como eu sempre esperava. Mesmo me expondo poucas vezes ao risco de contrair a doença, sempre esteve presente aquela sensação de imunidade, de que nunca acontecerá conosco, de que nossos parceiros não se encaixam nos perfis de quem é soropositivo. No entanto, aconteceu. Sem querer ficar preso aos motivos que levaram a isso, mas na minha caminhada desde que descobri o diagnóstico, escrevo essa mensagem.

A minha sexualidade já era um tabu aqui em casa — sou gay — e sempre senti que meus pais e irmã desconfiavam, até mesmo pela minha colaboração em deixar rastros, mensagens com um ex visualizadas pela minha irmã, por exemplo, que certamente reforçavam a suspeita deles. Essa foi uma das minhas maiores preocupações quando fui notificado do resultado do exame de HIV: não poderia dar mais essa decepção aos meus pais, que já não aceitavam a minha homossexualidade. Mas não consegui esconder a tristeza — e também o sentimento de culpa — depois da notícia. Por ainda morar com meus pais, pensei se deveria contar a alguém de mais confiança, minha mãe, pelo menos. Não conseguiria levar isso sozinho. Não dá! Ela merecia saber ao menos dessa vez o que se passava na minha vida, de verdade.

Foi então que, voltando ao posto de saúde no dia seguinte, conversei com a psicóloga e concluí que contar para a minha mãe seria a atitude mais madura, por mais que doesse e fosse a última coisa que desejaria fazer. E o fiz. Compartilhei com ela a notícia da minha sorologia no mesmo dia, à noite, quando disse que precisava explicar o motivo de estar tão triste. Ela desabou com o que ouviu. Chorou, chorou muito. Mas disse que me amava antes de tudo, e isso foi a melhor resposta para provar que fiz a coisa certa.

Após ler e reler vários, senão todos, os seus artigos, consegui me tranquilizar e ver que não seria o fim do mundo, como até então eu imaginava. Será possível, sim, ter uma vida normal e saudável daqui pra frente: só preciso me cuidar e aderir ao tratamento de forma responsável. A propósito, no dia de Halloween, dei início ao tratamento com o 3 em 1, recomendado pelo meu médico. Não senti nada além de uma leve tontura pela manhã seguinte e, talvez, uma sonolência durante os demais dias, que segue até hoje. Mas nada que me atrapalhe a ter a vida que já vinha tendo.

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Ainda me pego as vezes fazendo a clássica pergunta: ‘Por que eu?’. Mas logo caio em mim e percebo como não há respostas para situações como essa e que só me resta me cuidar e não me deixar abatido por isso. Essa é minha única opção. Eu sou maior, mais forte que esse vírus.

Abraços,
M.”


nature

Um grupo chinês tornou-se o primeiro a injetar células que contêm genes editados usando a revolucionária técnica CRISPR-Cas9 em uma pessoa. Em 28 de outubro, uma equipe liderada pelo oncologista Lu You, da Universidade de Sichuan, em Chengdu, aplicou as células modificadas em um paciente que sofre de câncer de pulmão agressivo, como parte de um estudo clínico feito pelo West China Hospital, também em Chengdu.

A edição de genes pode melhorar a capacidade das células do sistema imune de atacar o câncer.
A edição de genes pode melhorar a capacidade das células do sistema imune de atacar o câncer.

Estudos clínicos anteriores usando células editadas através de uma técnica diferente animaram os cientistas. A introdução da CRISPR, que é mais simples e mais eficiente do que outras técnicas, provavelmente acelerará a corrida para obter células editadas geneticamente em laboratórios clínicos em todo o mundo, diz Carl June, especialista em imunoterapia na Universidade da Pensilvânia, Filadélfia, e quem conduziu um dos estudos anteriores. “Acho que isso vai desencadear algo semelhante à corrida espacial: um duelo de progresso biomédico entre China e Estados Unidos. Isso é ótimo, uma vez que a concorrência geralmente melhora o produto final”, diz ele.

June é o conselheiro científico de um estudo americano que usará a CRISPR para modificar três genes nas células dos participantes, com o objetivo de tratar vários tipos de câncer. Ele espera que seu estudo comece no início de 2017. Enquanto isso, em março de 2017, um grupo na Universidade de Pequim espera iniciar três estudos clínicos usando a CRISPR contra o câncer de bexiga, próstata e de células renais. Esses estudos ainda não têm aprovação ou financiamento.

 

Proteína é o alvo

Em julho, o estudo de Lu recebeu aprovação ética do comitê do hospital. As injeções nos participantes deveriam ter começado em agosto, mas a data foi adiada, diz Lu, porque a cultura e a amplificação das células levaram mais tempo do que o esperado e, em seguida, a equipe saiu para as férias de outubro da China.

Os pesquisadores removeram as células imunológicas do sangue do receptor e, em seguida, desativaram um gene nelas usando a CRISPR-Cas9, que combina uma enzima de corte de DNA com um guia molecular que pode ser programado para dizer à enzima exatamente onde cortar. O gene desativado codificava a proteína PD-1, que normalmente põe os freios na resposta imune de uma célula — os cânceres aproveitam essa função para proliferar.

Em seguida, a equipe de Lu cultivou as células editadas, aumentando sua quantidade, e as injetou de volta no paciente, que tem câncer de pulmão metastático. A esperança é que, sem a PD-1, as células editadas irão atacar e derrotar o câncer.

 

Segurança em primeiro lugar

Lu diz que o tratamento correu bem e que o participante receberá uma segunda injeção, mas se recusou a dar detalhes por causa da confidencialidade do paciente. A equipe planeja tratar um total de dez pessoas: cada uma receberá duas, três ou quatro injeções. Este estudo é principalmente um teste de segurança e os participantes serão monitorados por seis meses para determinar se as injeções estão causando algum efeito colateral grave. A equipe de Lu também vai monitorá-los além desse período, para verificar se eles parecem estar se beneficiando do tratamento.

Outros oncologistas estão entusiasmados com a entrada da CRISPR na luta contra o câncer. “A tecnologia para ser capaz de fazer isso é incrível”, diz Naiyer Rizvi, da Centro Médico da Universidade de Columbia, em Nova York. Antonio Russo, da Universidade de Palermo, na Itália, observa que os anticorpos que neutralizam o PD-1 já se mostraram capazes de controlar o câncer de pulmão em outros estudos, o que é um bom presságio para um ataque ativado pela CRISPR. “É uma estratégia animadora”, diz ele. “A lógica é sólida.”

Ainda assim, Rizvi questiona se este estudo em particular terá sucesso. O processo de extração, modificação genética e multiplicação de células é “uma tarefa enorme e não muito escalável”, diz ele. “A menos que demonstre um grande ganho em eficácia, será difícil justificar prosseguir com esta técnica”. Ele duvida que esta técnica seja superior ao uso de anticorpos, os quais podem ser amplificados até quantidades ilimitadas, em laboratórios. Lu diz que esta questão está sendo avaliada no estudo, mas que é muito cedo para dizer qual abordagem é melhor.

Por David Cyranoski em 15 de novembro de 2016 para Nature


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Norman Garmezy, um psicólogo da Universidade de Minnesota, acompanhou milhares de crianças em suas quatro décadas de pesquisa. Mas um garoto em particular o marcou. Ele tinha nove anos, uma mãe alcoólatra e um pai ausente. Todos os dias, chegava à escola com o mesmo sanduíche: duas fatias de pão, sem nada dentro. Em sua casa, não havia outros alimentos e ninguém que pudesse preparar alguma coisa. Mesmo assim, conforme Garmezy se lembra, o garoto queria ter certeza de que “ninguém sentiria pena dele e de que ninguém saberia da inaptidão de sua mãe”. Todos os dias, sem falta, ele entrava com um sorriso no rosto e um “sanduíche de pão” guardado em sua lancheira.

“Você consegue identificar crianças que estão sob tensão mas que estão dando a volta por cima?”

O garoto com o sanduíche de pão fazia parte de um grupo especial de crianças. Ele pertencia a uma coorte de crianças — a primeira de muitas — a quem Garmezy iria identificar como tendo sucesso, até se superando, apesar de circunstâncias incrivelmente difíceis. Estas crianças exibiram um traço ao qual Garmezy mais tarde referiria como “resiliência”. (Ele é amplamente creditado como o primeiro a estudar este conceito em um ambiente experimental.) Durante muitos anos, Garmezy visitou escolas em todo o país, com foco em regiões economicamente deprimidas, onde seguiu um protocolo padrão. Ele organizava reuniões com o diretor da escola, ao lado de um assistente social ou uma enfermeira, e fazia a mesma pergunta: há aqui alguma criança cuja origem chamou atenção — uma criança que parecia estar no caminho de se tornar uma criança problemática —, mas a qual, em vez disso, tornou-se surpreendentemente uma fonte de orgulho? “O que eu estava perguntando era: ‘Você consegue identificar crianças que estão sob tensão mas que estão dando a volta por cima?'”, contou Garmezy, em uma entrevista concedida em 1999. “Havia sempre uma longa pausa depois da minha pergunta, antes que a resposta viesse. Se eu tivesse dito: ‘Há crianças nesta escola que parecem estar não estar bem?’, não haveria demora na resposta. Mas, ao perguntar por crianças que eram adaptáveis e boas cidadãs na escola, mesmo vindo de uma origem bastante perturbada, eu trazia uma pergunta complemente nova. Foi assim que comecei.”

Resiliência é um desafio para os psicólogos. Não é possível dizer se você a tem ou não a partir de um teste psicológico qualquer, mas pela forma como a sua vida se desenrola. Se você tiver a sorte de nunca experimentar qualquer tipo de adversidade, não saberemos se você é resiliente. É somente quando você se depara com obstáculos, estresse e outras ameaças ambientais que a resiliência, ou a falta dela, emerge: Você sucumbe ou você supera?

O estresse resultante da adversidade crônica pode ser menor, mas “exerce um impacto repetido e cumulativo”.

Ameaças ambientais podem vir de várias formas. Algumas são o resultado do baixo nível socioeconômico e de condições domésticas desafiadoras. (Essas são as ameaças estudadas no trabalho de Garmezy.) Muitas vezes, tais ameaças — pais com problemas psicológicos ou outros tipos de problemas, exposição à violência ou maus tratos, ser criança de um divórcio problemático — são crônicas. Outras ameaças são agudas: experimentar ou testemunhar um encontro violento e traumático, por exemplo, ou sofrer um acidente. O que importa é a intensidade e a duração do agente estressor. No caso de estressores agudos, a intensidade é geralmente alta. O estresse resultante da adversidade crônica, segundo Garmezy, pode ser menor, mas “exerce um impacto repetido e cumulativo sobre os recursos e sobre a adaptação e persiste por muitos meses, muitas vezes até por um tempo consideravelmente mais longo.”

Antes do trabalho de Garmezy a respeito da resiliência, a maioria das pesquisas sobre trauma e eventos negativos da vida tinham o foco inverso. Ao invés de olhar para as áreas de força, olhavam para as áreas de vulnerabilidade, investigando as experiências que tornam as pessoas suscetíveis a resultados ruins em suas vidas (aquilo que leva as crianças a serem “perturbadas”, segundo Garmezy). O trabalho de Garmezy abriu a porta para o estudo dos fatores protetores: os elementos de fundo ou da personalidade de um indivíduo que poderiam permitir o sucesso, apesar dos desafios que enfrentavam. Garmezy se aposentou da pesquisa antes de chegar a conclusões definitivas — sua carreira foi interrompida por Alzheimer de início precoce —, mas seus alunos e seguidores foram capazes de identificar elementos que se dividiam em dois grupos: fatores psicológicos individuais e fatores externos ambientais, a disposição de um lado e a sorte do outro.

(Ilustração por Gizem Vural)

Em 1989, uma psicóloga do desenvolvimento chamada Emmy Werner publicou os resultados de um projeto longitudinal de trinta e dois anos. Ela havia acompanhado um grupo de seiscentas e noventa e oito crianças, em Kauai, no Havaí, desde o nascimento até a terceira década de vida. Ao longo do caminho, ela os monitorou para qualquer exposição ao estresse: estresse materno no útero, pobreza, problemas na família e assim por diante. Dois terços das crianças tinham origens que eram, essencialmente, estáveis, bem-sucedidas e felizes; um terço era classificado como “em risco”. Assim como Garmezy, ela logo descobriu que nem todas as crianças em risco reagiam ao estresse da mesma maneira. Dois terços delas “desenvolveram sérios problemas de aprendizagem ou de comportamento aos dez anos de idade, ou tiveram registros de delinquência, problemas de saúde mental ou gravidez na adolescência, até os dezoito anos de idade”. Mas o terço restante se transformou em “jovens adultos competentes, confiantes e carinhosos”. “Eles haviam alcançado o sucesso acadêmico, doméstico e social — e estavam sempre prontos para capitalizar as novas oportunidades que surgiam.

O que tornava estas crianças resilientes? Uma vez que os indivíduos desta amostra tinham sido acompanhados e testados consistentemente por três décadas, Werner tinha um tesouro de dados à sua disposição. Ela descobriu que vários elementos previam a resiliência. Alguns elementos tinham a ver com sorte: uma criança resiliente poderia ter um forte vínculo com um cuidador, alguém que lhe oferecesse apoio, um pai, professor ou outra figura de mentor. Mas um outro conjunto bastante grande de elementos era psicológico e tinha a ver com a maneira como as crianças reagiam ao meio ambiente. Desde cedo, as crianças resilientes tendiam a “lidar com o mundo sob seus próprios termos”. Eram autônomas e independentes, buscavam novas experiências e tinham uma “orientação social positiva”. “Embora não fossem especialmente inteligentes, estas crianças usavam quaisquer habilidades que tivessem de maneira eficiente”, escreveu Werner. Talvez o mais importante, as crianças resilientes tinham aquilo que os psicólogos chamam de “locus interno de controle”: elas acreditam que são elas, e não as circunstâncias, que afetam suas realizações. As crianças resilientes tornam-se como orquestradores de seus próprios destinos. De fato, em uma escala que mediu o locus interno de controle, elas marcaram um desvio de mais de dois pontos acima do padrão.

Qual lado da equação pesa mais, da resiliência ou dos estressores? Os estressores podem se tornar tão intensos que a resiliência é esmagada.

Werner também descobriu que a resiliência poderia mudar ao longo do tempo. Algumas crianças resilientes foram especialmente azaradas: experimentaram fortes estressores múltiplos em pontos vulneráveis e sua resiliência evaporou. Resiliência, ela explicou, é como um cálculo constante: Qual lado da equação pesa mais, da resiliência ou dos estressores? Os estressores podem se tornar tão intensos que a resiliência é esmagada. A maioria das pessoas, em suma, tem um ponto de ruptura. Por outro lado, algumas pessoas que não eram resilientes quando eram crianças de alguma forma aprenderam as habilidades de resiliência. Elas foram capazes de superar adversidades mais tarde na vida e passaram a florescer tanto quanto aqueles que tinham sido resilientes o tempo todo. Isto, naturalmente, levanta a questão de como a resiliência pode ser aprendida.

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(Ilustração por Boyoun Kim)

George Bonanno é psicólogo clínico na Columbia University’s Teachers College; ele dirige o Laboratório de Perda, Trauma e Emoção e tem estudado a resiliência há quase vinte e cinco anos. Garmezy, Werner e outros mostraram que algumas pessoas são muito melhores do que outras em lidar com a adversidade; Bonanno, por sua vez, tem tentado descobrir de onde essa variação pode vir. A teoria da resiliência de Bonanno começa com uma observação: todos nós possuímos o mesmo sistema fundamental de resposta ao estresse, que evoluiu ao longo de milhões de anos e que compartilhamos com outros animais. A grande maioria das pessoas é muito boa em usar esse sistema para lidar com o estresse. Quando se trata de resiliência, a questão é: por que algumas pessoas usam o sistema com mais frequência ou eficácia do que outras?

“Os eventos não são traumáticos até que os vivenciemos como traumáticos.”

Um dos elementos centrais da resiliência, segundo Bonanno, é a percepção: você conceitua um evento como traumático ou como uma oportunidade de aprender e crescer? “Os eventos não são traumáticos até que os vivenciemos como traumáticos”, disse Bonanno, em dezembro. “Chamar algo de ‘evento traumático’ desmente esse fato.” Ele cunhou um termo diferente: EPT, ou evento potencialmente traumático, que ele argumenta ser mais preciso. A teoria é direta. Qualquer evento assustador, não importa o quão negativo possa parecer, tem o potencial de ser traumático ou não para a pessoa que o está experimentando. (Bonanno foca em eventos negativos agudos, nos quais podemos ser seriamente prejudicados, enquanto outros que estudam a resiliência, incluindo Garmezy e Werner, olham mais amplamente.) Considere algo terrível, como a morte repentina de um amigo próximo: você pode ficar triste, mas também pode encontrar uma maneira de interpretar esse evento como algo cheio de significado — talvez, isso leve a uma maior consciência sobre uma determinada doença, digamos, ou a laços mais estreitos com a comunidade —, fazendo com que este evento possa não ser visto como um trauma. (De fato, Werner descobriu que os indivíduos resilientes eram muito mais propensos a relatar ter fontes de apoio espiritual e religioso do que aqueles que não eram.) A experiência não é inerente ao evento, mas reside na interpretação psicológica do evento.

É por essa razão, segundo Bonanno, que os eventos “estressantes” ou “traumáticos” em si e por si mesmos não têm muito poder preditivo quando se trata de resultados da vida. “Os dados epidemiológicos prospectivos mostram que a exposição a eventos potencialmente traumáticos não prevê seu desdobramento posterior”, disse ele. “Só é preditivo se há uma resposta negativa.” Em outras palavras, viver a adversidade, seja ela endêmica ao seu ambiente ou em decorrência de um evento negativo agudo, não garante que você vai sofrer adiante. O que importa é se essa adversidade se torna traumatizante.

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(Ilustração por Rebekka Dunlap)

“Podemos nos tornar mais ou menos vulneráveis de acordo com a forma como pensamos sobre as coisas.”

A boa notícia é que a interpretação positiva pode ser ensinada. “Podemos nos tornar mais ou menos vulneráveis de acordo com a forma como pensamos sobre as coisas”, disse Bonanno. Em pesquisas feitas em Columbia, o neurocientista Kevin Ochsner mostrou que ensinar as pessoas a pensar com estímulos de maneiras diferentes — reestruturando-os em termos positivos quando a resposta inicial é negativa ou de forma menos emocional quando a resposta inicial é emocionalmente “intensa” — muda a maneira como eles experimentam e reagem ao estímulo. Você pode treinar as pessoas para melhor regular suas emoções, e este treinamento parece ter efeitos duradouros.

Um trabalho semelhante foi feito com relação aos estilos de explicação — as técnicas que usamos para explicar eventos que aconteceram conosco. Martin Seligman, psicólogo da Universidade da Pensilvânia foi pioneiro no campo da psicologia positiva: ele descobriu que treinar as pessoas a mudar seus estilos de explicação de interno para externo (“Eventos ruins não são minha culpa”), de global para específico (“Isso é uma coisa pequena, e não uma indicação maciça de que tudo está errado com a minha vida”) e de permanente para impermanente (“Eu posso mudar a situação, em vez de assumir que ela é fixa”), levou ao sucesso psicológico e a menor propensão à depressão. O mesmo vale para o locus de controle: um locus mais interno não está ligado somente à menor percepção de estresse e de melhor desempenho, mas também à mudanças positivas no bem-estar psicológico e no desempenho objetivo do trabalho. As habilidades cognitivas que sustentam a resiliência, portanto, parecem poder ser de fato aprendidas ao longo do tempo, criando resiliência onde não havia nenhuma.

“Nós podemos criar ou exagerar estressores muito facilmente em nossas próprias mentes. Esse é o perigo da condição humana.”

Infelizmente, o oposto também pode ser verdade. “Podemos nos tornar menos resilientes ou menos propensos a ser resilientes”, diz Bonanno. “Nós podemos criar ou exagerar estressores muito facilmente em nossas próprias mentes. Esse é o perigo da condição humana.” Os seres humanos são capazes de preocupação e ruminação: podemos pegar uma coisa pequena e explodi-la em nossas cabeças, revivê-la mais e mais, nos deixando loucos até o ponto em que aquela coisa pequena passa a ser a maior coisa que já aconteceu. Em certo sentido, é uma profecia autorrealizável.

Se você enquadrar a adversidade como um desafio, você se tornará mais flexível e capaz de lidar com ele, de seguir em frente, aprender com ele e crescer. Se você se concentrar na adversidade como uma ameaça, um evento potencialmente traumático, ela se tornará um problema duradouro e você se torna mais inflexível e mais propenso a ser afetado negativamente.

Em dezembro, a New York Times Magazine publicou um ensaio chamado “O Profundo Vazio da Resiliência”, o qual dizia que esta palavra é agora usada em todos os lugares, muitas vezes de forma a drená-la de seu significado e a ligá-la a conceitos vagos, como “caráter”. Mas a resiliência não tem de ser um conceito vazio ou vago. Na verdade, décadas de pesquisas revelaram muito sobre como ela funciona. Estas pesquisas mostram que a resiliência é, em última análise, um conjunto de habilidades que podem ser ensinadas. Nos últimos anos, adotamos esse termo negligentemente — mas nosso uso desleixado não significa que ele não tenha sido útil e definido com precisão. É hora de investir tempo e energia para entender o que significa realmente “resiliência”.

maria-konnikovaMaria Konnikova é uma escritora colaboradora do New Yorker, onde escreve regularmente sobre psicologia e ciência. Ela é a autora do best-seller do Times “Mastermind: How to Think Like Sherlock Holmes”, que foi nomeado para um Prêmio Agatha de Melhor Não-Ficção, e “The Confidence Game”, sobre a psicologia do contra.
Em 11 de fevereiro de 2016 por  para The New Yorker


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Cientistas desenvolveram um exame de HIV que pode ser feito através de um drive USB. O dispositivo, criado por cientistas do Imperial College London e da DNA Electronics, usa uma gota de sangue para detectar o HIV através de um sinal elétrico que pode ser lido por um computador, laptop ou por um dispositivo portátil. O exame descartável poderia ser usado para pacientes com HIV para monitorar seu próprio tratamento. Além disso, a tecnologia poderia permitir que pacientes com HIV que estão em locais remotos fossem monitorados de maneira mais eficiente.

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Este dispositivo USB pode medir a quantidade de HIV na corrente sanguínea.

Um novo estudo, publicado na revista Scientific Reports, mostra que o dispositivo não só é muito preciso, como pode produzir um resultado em menos de 30 minutos. A tecnologia mede a quantidade de vírus na corrente sanguínea, o que é crucial para monitorar o tratamento de um paciente com HIV. A quantidade de vírus no sangue não pode ser detectada pelos testes de HIV que usam anticorpos, pois estes só podem dizer se uma pessoa foi infectada ou não.

Os exames atuais para detectar a quantidade de vírus levam pelo menos três dias para ficar prontos, às vezes mais tempo, e envolvem o envio de uma amostra de sangue para um laboratório. Em muitas partes do mundo, em especial aquelas com número mais elevado de infecções pelo HIV, esses exames não estão disponíveis.

O tratamento atual para o HIV, a terapia antirretroviral, reduz os níveis de vírus no sangue para próximo de zero. No entanto, em alguns casos, a medicação pode parar de funcionar — eventualmente porque o HIV desenvolveu resistência aos medicamentos. A primeira indicação disso é um aumento dos níveis de vírus na corrente sanguínea. Além disso, a monitoração regular dos níveis de vírus permite que os profissionais de saúde verifiquem se o paciente está tomando a medicação corretamente. A interrupção da medicação aumenta as chances de resistência aos medicamentos contra o HIV.

 

Monitoração da carga viral é crucial

“Monitorar a carga viral é crucial para o sucesso do tratamento antirretroviral.”

O Dr. Graham Cooke, autor sênior dessa pesquisa do Departamento de Medicina do Imperial College London, explicou: “O tratamento para o HIV melhorou drasticamente nos últimos 20 anos — ao ponto de que muitos diagnosticados com a infecção agora têm uma expectativa de vida normal. No entanto, monitorar a carga viral é crucial para o sucesso do tratamento antirretroviral. Contudo, o exame muitas vezes requer equipamentos caros e complexos, que podem levar alguns dias para produzir um resultado. Mas agora nós simplificamos tudo isso: o aparelho que tinha o tamanho de uma fotocopiadora grande encolheu para a um pequeno drive USB.”

Dr. Cooke também disse que esta tecnologia, embora esteja nos estágios iniciais, pode vir a permitir que os pacientes monitorem regularmente seus níveis de vírus, da mesma forma que pessoas com diabetes verificam seus níveis de açúcar no sangue. A tecnologia pode ser particularmente importante em regiões remotas da África Subsaariana, que podem não ter acesso fácil à instalações de exames laboratoriais. Descobrir rapidamente se um paciente, particularmente um bebê, está infectado com o vírus é crucial para a sua saúde a longo prazo e para a sobrevivência.

O dispositivo produz o resultado do exame em menos de 30 minutos.

O dispositivo, que usa um chip de telefone celular, só precisa de pequena amostra de sangue. Essa amostra é colocada em um ponto no drive USB. Se houver algum vírus HIV na amostra, é desencadeada uma mudança na acidez a qual o chip transforma em um sinal elétrico. Este sinal é enviado para o USB, que produz o resultado em um programa de computador ou em algum aplicativo de um dispositivo eletrônico.

Nos últimos experimentos, a tecnologia analisou 991 amostras de sangue com 95% de precisão. O tempo médio para produzir um resultado foi de 20,8 minutos. A equipe também está pesquisando se o dispositivo pode ser usado para outros vírus, como o da hepatite. A tecnologia foi desenvolvida em conjunto com a empresa DNA Electronics, que também a está utilizando para desenvolver um dispositivo capaz de detectar sepse bacteriana e fúngica e resistência a antibióticos.

“Este é um ótimo exemplo de como uma nova tecnologia tem o potencial de transformar a maneira como os pacientes com HIV são tratados.”

Chris Toumazou, fundador da DNA Electronics, presidente executivo e professor do Departamento de Engenharia Elétrica e Eletrônica da Imperial College London, acrescentou: “Este é um ótimo exemplo de como uma nova tecnologia de análise tem o potencial de transformar para rápida, precisa e portátil a maneira como os pacientes com HIV são tratados. Na DNA Electronics, já estamos aplicando esta tecnologia altamente adaptável para enfrentar ameaças globais à saúde, onde o tratamento é crítico, o tempo é curto e precisa funcionar corretamente já na primeira vez.”

Por Kate Wighton em 10 de novembro para Imperial College London