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Anticorpo “cura” infecção semelhante ao HIV em macacos


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“Fascinante.” “Impressionante.” “Pioneiro.”  “Incrível demais para ser real.” Essas são algumas das reações que os pesquisadores estão tendo diante de um provocativo e surpreendente estudo realizado em macacos, que sugere que um anticorpo monoclonal utilizado para tratar uma doença inflamatória do intestino em humanos pode levar a uma cura “funcional” da infecção pelo vírus da aids.

As terapias de tratamento para o HIV melhoraram a ponto das combinações de medicamentos antirretrovirais rotineiramente derrubarem o vírus de forma tão eficaz que os testes comuns não são capazes de detectá-lo no sangue. Há algum tempo os  pesquisadores têm buscado estratégias que permitam que as pessoas parem de tomar seus antirretrovirais sem deixar o vírus se recuperar — o que seria uma cura funcional, em vez de uma cura completa, uma vez que os pacientes ainda abrigariam o vírus, que integra seus genes no DNA das células do hospedeiro. No entanto, salvo algumas notáveis exceções, quase todo mundo que para de tomar os antirretrovirais sofre com o retorno do vírus, de volta para níveis elevados dentro de apenas algumas semanas. Por isso, para manter o vírus sob controle, as pessoas infectadas pelo HIV devem tomar antirretrovirais por toda a vida.

Partículas de HIV (em rosa) brotando de uma célula imunológica (em azul).

“Os resultados são muito impressionantes”

Uma equipe liderada pelo imunologista Aftab Ansari da Emory University School of Medicine, em Atlanta, contou a Science que infectou oito macacos com SIV, a versão símia do HIV, tratou-os com antirretrovirais e, em seguida, aplicou neles um anticorpo semelhante a um medicamento aprovado para tratar doença de Crohn e colite ulcerativa, o qual se dirige ao receptor da superfície das células imunes conhecido como α4ß7. Mais de 9 meses depois dos tratamentos antirretrovirais e com anticorpos serem interrompidos, todos os oito animais tinham níveis baixos ou indetectáveis de SIV no sangue. Em sete animais infectados com SIV que receberam um anticorpo placebo, o vírus voltou para níveis elevados dentro de 2 semanas da interrupção do tratamento antirretroviral. “Os resultados nos surpreenderam, eles são muito impressionantes”, diz o coautor do estudo Anthony Fauci, imunologista que dirige o U.S. National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), em Bethesda, Maryland.

Ansari salienta que os animais tratados com anti-α4ß7 permanecem infectados. “Eles não estão curados — longe disso”, diz Ansari. Além disso, ele e Fauci não sabem como o tratamento funcionou. “Nos fez pensar sem parar: ‘Que diabos está acontecendo?'”, conta Ansari. “É de fato um quebra-cabeça.”

Ele, Fauci e outros pesquisadores da aids se interessaram pela α4ß7 porque ela se encontra na superfície das células CD4, as células do sistema imunológico que são o alvo principal do HIV. A proteína ajuda as células CD4 a se alojarem no intestino, onde se reúnem em grande número. Infelizmente, a α4ß7 também liga-se à proteína de superfície do HIV, o que torna as células CD4 muito mais susceptíveis à infecção e explica porque o vírus destrói estas células no intestino no início da infecção. Ansari e Fauci também ficaram interessados pelos resultados de um estudo anterior que eles conduziram em macacos, o qual mostrou que o anticorpo α4ß7 poderia impedir a infecção pelo SIV. Eles propuseram um mecanismo simples de proteção: o anticorpo reduzia a tendência das células CD4 se acumularem no intestino, diminuindo o número de alvos para qualquer vírus da aids que estivesse por lá.

Estranhamente, os macacos do novo experimento tinham níveis mais elevados de células CD4 cravejadas de α4ß7 em suas entranhas. Uma nova tomografia computadorizada de emissão de pósitrons, que é capaz de mostrar o vírus nos macacos, revelou que os animais tratados com anti-α4ß7 tinham níveis mais elevados de SIV em algumas partes do corpo, tal como o intestino delgado, do que os animais de controle. Os macacos tratados de fato mostraram sinais de respostas imunes que poderiam ter ajudado a controlar o SIV, mas nenhum destes sinais foi particularmente forte.

Este macaco infectado com SIV mostra muito menos vírus (vermelho-amarelo) após o tratamento com um anticorpo para α4ß7 (à direita).

Este macaco infectado com SIV mostra muito menos vírus (vermelho-amarelo) após o tratamento com um anticorpo para α4ß7 (à direita).

“Tudo o que deveria acontecer não aconteceu, mas o que aconteceu foi interessante”

“Tudo o que deveria acontecer não aconteceu, mas o que aconteceu foi interessante”, diz Steven Deeks, médico que realiza estudos para a cura do HIV na Universidade da Califórnia, em São Francisco. “O sistema imunológico é incognoscível, dinâmico, complicado e sempre nos surpreende.”

Apesar da falta de conhecimento sobre o mecanismo, o imunologista Rafick-Pierre Sekaly, da Case Western Reserve University, em Cleveland, Ohio, prediz que o sucesso do estudo irá desencadear um bando de novos estudos. “Esse estudo vai orientar a pesquisa em uma direção completamente nova”, diz ele. Sharon Lewin, uma das principais pesquisadoras da cura do HIV no Peter Doherty Institute for Infection and Immunity, em Melbourne, na Austrália, diz que o trabalho “tem dados muito convincentes” e que é “uma descoberta realmente impressionante”. Mas Lewin acrescenta uma palavra de cautela ecoada por muitos, incluindo os autores do estudo: “Não sabemos se é uma peculiaridade dos macacos”, diz ela.

É possível, também, que o anti-α4ß7 tenha funcionado porque o projeto experimental fez pender a balança em direção ao sucesso, de uma forma que não reflete uma infecção típica pelo HIV. Ansari e a equipe de Fauci iniciaram os macacos nos antirretrovirais 5 semanas após a infecção, o que é muito mais cedo do que a maioria das pessoas iniciam o tratamento. Louis Picker, imunologista que desenvolve vacinas contra a aids na Oregon Health & Science University, em Beaverton, também se pergunta se o SIV utilizado pode ter sido enfraquecido, uma vez que suas próprias experiências com a mesma estirpe produziram níveis mais elevados de vírus no sangue nos animais não tratados.

Picker suspeita que alguma resposta imune ainda indefinida explique o controle viral. “O que esta experiência parece estar fazendo é cutucando o equilíbrio viral e imunológico em favor do hospedeiro, em vez do vírus”, diz ele. “Suspeito que se você tomasse um anticorpo para o CD4 e fizesse a mesma experiência, você veria a mesma coisa.”

“Em breve nós vamos descobrir se tudo isso é um monte de bobagens ou se realmente funciona”

Mas Picker admite que nenhum outro grupo ainda publicou resultados semelhantes. E, talvez o mais importante, ao contrário do anticorpo monoclonal do CD4, o α4ß7 já tem uma versão humana, chamada Vedolizumab, e já aprovada para utilização clínica. De fato, o NIAID já iniciou estudos em pessoas infectadas pelo HIV, há 3 semanas. O estudo, que espera inscrever 20 pessoas, é uma avaliação de segurança, na qual os participantes vão interromper os antirretrovirais e, em seguida, os pesquisadores vão monitorar de perto para ver se os seus níveis de HIV aumentam ou permanecem suprimidos. “Muito em breve nós vamos descobrir se tudo isso é um monte de bobagens ou se realmente funciona”, diz Fauci.

Por Jon Cohen em 13 de outubro de 2016 para Science

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50 comentários

  1. Luana diz

    Eu venho insistindo nessa idéia de administração de anticorpos há 20 anos, ESSA É A GRANDE IDÉIA, ESSE É OPLULO DO GATO, primeiro produzir o SORO ANTI HIV, semelhante aos SOROS ANTITETÂNICO, ANTI RÁBICO e SORO ANTI OFÍDIO. Como o virus HIV entra no DNA das células humanas, primeiro os cientistas terão que pesquisar e produzir um soro polivalente (para várias cepas virais do HIV), aplicar o soro em pessoas voluntárias soropositivas, oque promoverá o combate aos virus HIV e consequentemente a CURA. Ocorrendo a cura aí sim, o sangue desses indivíduos passarão à ter o virus HIV inativado no sangue. Com o sangue desses individuos, poderá facilmente ser fabricada a vacina anti HIV polivalente e eficiente, pois já que o virus foi inativado pelo SORO ANTI HIV, o vírus perderá sua capacidade infectante, o que poderá ser usado na fabricação de vacinas e posteriormente serão inoculados, ou seja, aplicados em pessoas soronegativas que ficariam naturalmente imunes, ou seja com anticorpos no sangue resistentes aos virus HIV.. Nota-se portanto que, A cura para pessoas soropositivas, somente será possível com a pesquisa e desenvolvimento de um SORO ANTI HIV, já para os soronegativos, esses usarão a vacina, já que nunca tiveram contato com o virus HIV. Futuramente com o desenvolvimento do SORO ANTI HIV e da VACINA ANTI HIV, todos se tornarão soropositivos, pois terão os anticorpos ANTI HIV no seu sangue, mas como a cura já foi descoberta, ninguem mais se importará em ser taxado de soropositivo para o virus HIV.
    Estamos chegando lá pessoal, se preparem, pois a cura para HIV\ AIDS finalmente esta perto.

  2. Matheus diz

    É nós acidentes que surgem as grandes descorbetas, vamos torcer q em humanos o efeito seja o mesmo q em macacos.

  3. Rock Hudson diz

    Com a palavra as pessoas que falam que não existe interesse na cura, somente no lucro com a venda de remédios.

  4. Santos diz

    Concordo luana.o cerco esta se fechando para o hiv .nunca houvi tantas pesquisas otimistas igual estou vendo agora.vamos continuar nos cuidando e orar para q Deus ilumine esses cientistas e com certeza seremos a geraçao da cura .abraços fiquem com Deus.

  5. Alessandro diz

    Desculpe os pecimistas, mas nem vai precisar chegar 2020 para a amfar anunciar como será feita a cura do HIV, vamos começar a nos preocupar com outros males, pois o HIV em minha percepção já está praticamente derrotado, esse papo deles anunciar, “calma. Estamos longe de uma cura efetiva” esse blá blá blá n me compra mais, e em contrapartida já tem pessoas em teste do medicamento, ué perai, n estão tão longe, pq a pressa ? Sei kkkkk, esses caras estão a muitos passo a nossa frente, tenham certeza, as notícias que nos são repassadas, são filtradas por eles, não vão dizer tudo que tem em mãos, mas é isso aí, vamos que vamos, continuar nos tratando e nos cuidando, abraço.

  6. Rodrigo 10 diz

    Eu concordo em parte com o Alessandro, as instituições tem um certo cuidado ao divulgar uma notícia dessa magnitude sem ter absoluta certeza de que não podem voltar atrás. Os testes foram positivos mas daí a fazer o medicamento estar acessível nas prateleiras leva tempo e os órgãos legais exigem mais pesquisas. Não sei se vai ser Amfar ou outro grupo de pesquisa mas com certeza as boas notícias são muitas e alguém vai divulgar essa cura definitiva gente. Digo definitiva porquê curados e saudáveis todos aqui estão, indetectáveis, vivendo de bem com a vida, escrevendo coisas legais nos seus gadgets 🙂
    Graças a Deus!
    Boa semana a todos!
    Abraços!

  7. Positividade diz

    Comecei o tratamento em abril desse ano e tinha carga viral de 11000 e cd4 de 420. Em quatro meses passei pra indetectável e cd4 de 770. Hj estou me sentindo muito bem e me acostumei com o 3×1. Me deu mais ânimo esperar pela cura sabendo q novos medicamentos menos toxicos estão chegando para nós pelo SUS aqui no Brasil e tb pelas notícias das últimas semanas, são bem animadores. Enquanto isso vou levando a vida. Até agora ninguém da minha família sabe q sou positivo e nem pretendo passar mais uma preocupação desnecessária nesse momento. Espero q todos consigam o mesmo sucesso no tratamento. Abraço

  8. Paulo diz

    Bem, eu sou soropositivo desde 2003, data em que comecei o acompanhamento médico.Quando a minha imunidade baixou significativamente, CD4 200 comecei a tomar três antirretrovirais. Era o ano de 2006. Desde lá o vírus se tornou indetectável e levo uma vida normal, Hoje, tomo o combo que reúne os três medicamentos. Considero a soropositividade como uma doença crônica comparável a diabetes em que o paciente tem que se cuidar, tomar a medicação e manter uma vida saudável e construtiva. Acredito que a disposição mental de ver as coisas como realmente são, enxergar o lado bom de todas as situações, cultivar o otimismo e uma espiritualidade mais abrangente independente da religião é importante. Devemos também considerar que somos privilegiados por termos acesso gratuito aos medicamentos enquanto em muitos lugares do mundo o tratamento é caro e o acesso complicado. Acredito que a cura virá um dia, e que também serão descobertos tratamentos mais eficazes e menos nocivos, principalmente quando a medicina tentar tratar o ser humano em sua totalidade, de uma forma holística e não apenas materialmente. Para os recém diagnosticados digo que não tenham medo e que sigam em frente, pois a vida é bem maior do que um diagnóstico. Abraço fraterno.

    • RoDigo diz

      Paulo, só a título de curiosidade, vc diz que começou o tratamento com Cd4 quase em 200, qual sua taxa de Cd4 atual agora , após esses 10anos?
      Pois comecei com Cd4 de 236 há oito meses, ele aumentou somente 10. As vezes fico meio apreensivo de a taxa demorar a subir.

      Obrigado

      • luquinha diz

        RODRIGO O KEFIR ME AJDOU MUITO , QUANDO DESCOBRI ERA DE 51 AGORA QUASE DE 1 HOMEM NORMAL , SEM CONTAR QUE PRESSÃO , DIARREIA , REFLUXO FOI TUDO PRO ESPAÇO , EU TENHO CURIOSIDADE SE O KEFIR DE AGUA FAZ O MESMO EFEITO QUE O KEFIR DE LEITE .

  9. luquinha diz

    Muito legal a matéria acima , alguém sabe dizer se caso eu adote uma criança eu tenha que informar a justiça ? Pois nas cervejada que frequento conheci uma pessoa jurídica que me disse que tem 3 meninos para adoção , e claro que nunca vou fazer esta pergunta a ela. vi a foto dos moleques e eu posso dar uma boa criação para eles .

    • Anjo terapeuta diz

      Ola eu e meu noivo ja temos uma barriga de aluguel para o ano q vem, mas estas crianças nao estao na listra para adoçao? Mesmo tendo o nosso de sangue queremos adotar um(a) , tenho uma amiga promotora q vai ajudar no processo caso decidirmos tbm pela adoçao mas ela n informou q precisa informar soro+

    • Herivaldo Virulato diz

      Luquinha,
      Minha mulher soronegativa esta grávida E nós estamos na fila de adoção. Teremos um filho de cada “fonte”.
      Não contamos para a obstetra da minha condição. Quem acompanha essa parte é meu infecto.
      Quando pleiteei adoção essa pergunta nem foi feita. Zero problema.
      Pq vc não adota uma criança soropositiva? Estou pensando em fazer isso…

    • Alex diz

      A depender, é realizado um estudo social do adotante, no caso, você, nesse estudo podem ver vários aspectos sociais subjetivos, tais como história afetiva, motivação para adotar, ambiente familiar, etc. Dentre a possível pesquisa pode ser q perguntem se tem alguma doença, como existe uma lei que diz que garante o direito ao sigilo sobre sua sorologia, ao menos se estiver colocando em risco alguém, não há porque ser obrigado a dizer, considerando que você não está colocando em risco os adotantes.
      Boa sorte.

      • luquinha diz

        Boa Alex , eu estou com quase 40 anos e sei que vou viver no mínimo mais uns 30 , mesmo que futuramente eu venha ser pai de uma forma natural , eu já vou adiantando com os moleques , que tem idade de 5 há 10 anos , a principio eu vou ser um pai Social .

  10. Rodrigo10 diz

    Luquinha,
    Não sou advogado, sou administrador, mas posso afirmar que sua sorologia não impede você de adotar uma criança. Ninguém vai te pedir exame de HIV pra adotar uma criança. Isso seria um absurdo.
    Leia mais sobre as leis e regras de adoção no Brasil, se você quer, vá atrás, estude, se informe. E primeiro de tudo, tenha certeza absoluta que você quer e pode adotar uma criança pois é uma responsabilidade eterna.

    Quanto a você contar sobre a sua sorologia, isso é decisão de cada um, mas na minha opinião pessoal, já que pediu uma opinião aqui no grupo, acho é que é desnecessário falar sobre a sua sorologia. Não há nada de mais em ser soropositivo, porém pela falta de informação, boa parte da sociedade ainda não está preparada para entender o que significa ser soropositivo.

    Não ache que tudo na sua vida deve começar pelo fato de ser soropositivo.. tipo..
    Queria aquele trabalho mas sou soropositivo e vou ter que contar na entrevista e não vão me contratar…
    Queria ir numa festa.. ah mas sou soropositivo e vão me olhar diferente..
    Queria adotar uma criança.. ter um filho.. etc.

    Esquece, desencana, ser soropositivo não faz você diferente ou com menos direitos que ninguém é você não é obrigado a informar que é soropositivo.
    Ninguém precisa saber se você não quiser que saibam, toca sua vida normalmente, seu tratamento é assunto seu e do médico e ponto final.
    Conte para as pessoas de sua extrema confiança, família, se você se sentir à vontade pra isso. As pessoas gostam muito é de fazer fofocas e alimentar discriminação de todas as formas, mas ajudar mesmo, poucos querem.

    Esse é o meu ponto de vista, espero que ajude. Abraços

    • RecentWave diz

      Parabéns pelo comentário rapaz. Sintetiza tudo o que eu penso.

  11. luquinha diz

    Rodrigo só em ver a sua escrita da vontade de te adotar isso sim , nossa perfeito você , deve ser um ótimo profissional ,deve ter feito Letras também nossa e muito esclarecedor ,você ajudou muito ,obrigado .

  12. ensinaprender diz

    Vocês são lindos de mais . Toda vez que eu leio as matérias e os comentários, lágrimas caem. Talvez também pq estou em uma fase mais emotiva, somado ao fato que sou muito chorão.
    Mas de todos os modos, vou falar o que eu realmente penso, lá vai: muitas vezes quando coisas desse nível acontecem com a gente, nos perguntamos PQ EU? Hoje em dia eu pergunto PQ NÃO EU? Sim, acredito que nada é por acaso, hj eu me vejo obrigado a ser melhor a cada dia, sinto uma vontade infinita de fazer o bem.
    Não que ser acometido de algo grave seja necessário acontecer para eu ter que fazer o bem. Porém; como uma forma de evolução do meu ser e da minha consciência, ter mais sensibilidade e amor pelo próprio. Da mesma forma que vejo todos os dias nas mais belas palavras de apoio entre os usuários dessa página. Vocês tem noção da beleza que é isso? Fico extremamente feliz, tenho vontade de sair abraçando todo mundo.

    Parabéns para todos nós que queremos e desejamos o bem.

    Força a todos nós.

    Reni

  13. wcurioso diz

    Essa semana completei um ano na condição de soro+, desde o momento da descoberta venho me fazendo várias perguntas e acompanho o diário. Ao fazer retrospectiva das minhas atitudes fica ainda a pergunta, como aconteceu? Sempre usei camisinha e namoro a mais de 2 anos. Em um episódio de briga, seguida de separação nesse relacionamento, sai com um cara e a camisinha rasgou, no dia seguinte procurei um médico para saber sobre a prep, mesmo tendo conversado com o carinha, que me garantiu n ser soro+. O médico descartou o uso da prep, por alegar que apenas agentes de saúde em caso de acidentes de trabalho poderiam ter acesso. Então, só pude contar com minha sorte, um mês depois reatei o namoro, e como de costume, sexo só com camisinha, afinal meu medo era grande. 5 meses após tive zika, e na mesma semana resolvi fazer exames completos, onde deu positivo pra HIV, meu namorado tb fez e deu negativo. Fiz o blot que confirmou ser soro+, eu estava com 40mil copias e com mais de 700CD4, iniciei o tratando 3×1 imediatamente, com 2 meses já estava indetectavel. Não voltei pra falar c o carinha que possivelmente tenha me passado e mto menos com o médico desinformado, resolvi viver, continuar na “normalidade”, porém, duas coisas me perturbam. Primeiro, fiz exames em apenas um lugar e logo depois comecei o tratamento. Segundo, o Zika. Pq Zika ? percebi que no último ano o número de pessoas que descobriram ser soro+ foi descomunal, só aqui no diário a maioria relata de um ano pra cá. Levando em consideração o quadro clínico, a forma de transmissão e o tempo de permanência do vírus da zika no corpo, inclusive no sêmen, com cerca de 6 meses em média, será que não pode ter aí uma sobreposição de diagnóstico? Será que em muitos dos casos n se tá detectando em cargas virais de HIV em vez do zika, levando em consideração o desconhecimento que temos em relação a essa nova doença? Alguém aqui teve zika antes do diagnóstico do HIV? Alguem ja leu alguma relação sobre as doenças? Fico pesquisando algo, mas acho estranho n ter nenhum relato sobre o índice do HIV após o aumento dos casos de zika … O diário já achou algo que fale sobre?

    • Umombroamigo diz

      Olá Wcurioso,

      As análises nos testes e quantificações de HIV são bastante modernas e os vírus têm características distintas. O quadro clínico, etc… são basicamente os mesmos para várias outras infecções. Não sei se compreendi bem seu raciocínio mas penso que “sobreposição de diagnóstico” não exista principalmente porque o Blot pesquisa especificamente proteínas/partículas do HIV para confirmação.
      Quanto aos seus outros relatos e questionamentos penso que, não obrigatoriamente:
      -não teve sintomas agudos pós sua exposição com “o carinha”, teve Zika 05 meses depois.
      -seus exames iniciais caracterizam um quadro de infecção nesses 05 meses?
      -perguntou isso ao seu médico?
      -pensou na possibilidade de que já poderia estar com o vírus, por algum outro meio ou acidente já q se recorda de antes fazer uso do preservativo?
      -e por último conversar c o “carinha”? não sei o contato de vcs e que tipo de gente o percebe, mas se ele garantiu, pode estar doente sem saber.

      Abr e espero ter ajudado.

      • Marcus Vinicius diz

        Pela sua carga viral a infecção era bem recente, no primeiro mês chega a milhões e vai baixando até ficar ali entre 1000 e 2000 e depois vai aumentando gradativamente. Fazendo um retrospecto eu tive duas situações de risco, três na verdade: uma camisinha que estourou com um cara que não sei da condição sorológica, sendo que tinha pre-semen nessa caminha, esperei um mês, fiz teste, deu negativo; passado um mês novamente rasgou a camisinha com outro cara, aparentemente não havia vazado, mas vai saber em que momento estourou… Esperei uns 45 dias, qse 2 meses, deu uma sombra, repetiram o teste e deu negativo, ficou como resultado inconclusivo e não tive coragem de fazer o terceiro. 4 meses depois tive relação com o mesmo cara, dessa vez não estourou, mas eu pela primeira vez abdiquei da camisinha no oral e ele ejaculou na boca. Nesse dia esse cara me relatou que tinha ficado preso 18 anos, que não tinha usado camisinha com várias pessoas, que tinha feito o ultimo teste em 2002, enfim, desmentindo td que tinha me dito antes. Tive medo e esperei fim de ano, carnaval, sempre uma data pra protelar. Em abril desse ano o cara apareceu na tv sendo preso por assalto, estava bem magro, debilitado, diferente do cara todo forte, sarado e enérgico que tava no meu quarto 6 meses antes. Em entrevista a polícia, a vítima disse que ele relatou na abordagem que era “aidético” e não tinha nada a perder… Era uma sexta não tinha um CTA aberto, posto de saúde só com agendamento, corri pra um laboratório e fiz o teste pago, no outro dia de manhã me ligaram que tinha repetir e nao disseram pq, mas já dava pra saber… O domingo foi de luto e na segunda, batata – reagente! Enfim, 1 mês depois, fiz o primeiro exame, cd4 894 e carga viral de 2400, pela carga viral o medico disse que eu ja devia estar com o virus ha mais de 6 meses ou qse um ano, então acho que foi qdo rasgou a camisinha… Pela sua carga deve ter sido do menino mesmo. Mas fica tranquilo, hj 7 meses depois carga viral tão indetectável e cd4 foi pra 1400 pq entrei na academia e melhorei a alimentação, vida que segue e logo a cura ta aí. Dói muito, mas é pela depressão que ja havia antes e piorou e pelo estigma e preconceito, mas tamo na luta, so sufoca que ninguem sabe, mas tamos ai

    • GF-SP diz

      Nao acho que tenha relação. Acontece que saiu uma portaria do CFM solicitando a todos os médicos que pedissem exames de sorologia a todos seus pacientes, independente da especialidade. Claro que é facultativo mas no ultimo ano muita gente fez, mais que o normal. E com a epidemia de zika, muita gente foi ao médico. Entao conforme a estatistica previa, muita gente ficou sabendo.

  14. Lia diz

    Vai fazer um ano que tomo o medicamento. Estou indetectável desde o segundo mês de tratamento.
    Fiz um hemograma essa semana e meus leucócitos e monócitos cairam.
    Leucócitos tá 3.300. Não estou entendendo. Alguém já passou por isso ? Eles podem cair, mesmo estando indetectável ?

  15. Matheusfgf diz

    Lia se seus leucócitos estão dentro do padrão de normalidade não tem pelo o que se preocupar

    • Alexandre diz

      Sobre o estudo, bom, entendi que foi um super tratamento na fase aguda e que isso liquidou qualquer chance dos reservatórios se estabelecerem. Meu medo é justamente esse, servir tão somente para os recém infectados, que é o que o estudo indica. Aliás, os mais recentes estudos de cura ou remissão são todos nessa linha de raciocínio. Quem começou a se tratar nas primeiras semanas de infecção poderão ser curados por esses estudos que tanto apareceram nos últimos meses mas que dão a entender que os que começaram depois de 6 meses de infecção não serão contemplados. Quero estar errado!

  16. Maycon diz

    E está Alexandre! As pesquisas não estão se somando. Mendel estudou ervilha de cheiro e descobriu os fatores da hereditariedade, pela simplicidade do seu estudo. Ficou em apenas uma característica é depois foi aumentando.
    É difícil para um cientista ter conclusões se unir muitas variáveis ao mesmo tempo.
    O que quero dizer, é que por exemplo: vários estudos com revertores de latência estão sendo feitos, mas com agentes de forma isolada. E cada um tem mostrado resultado, mas não se sabe o que vai ocorrer quando unir todas as estratégias, mas a tendência é uma maior quantidade de células expurgando seus vírus.
    Quando começarem a estudar tudo simultaneamente, provavelmente não fará muita diferença quando foi infectado ou quantas células reservatório você possui. No caso de uma vacina que consiga demonstrar ao corpo onde e como destruir essas células, talvez não faça muita diferença, dependendo da potência do produto!

  17. Clayton diz

    ABRAM OS OLHOS COM os Americanos…..a verdadeira cura foi descoberta pelos ingleses…..eles estão querendo abafar a cura descoberta pelos ingleses…..

  18. Discordante diz

    Olá. Não sei nem como começar , mas preciso conversar e vcs são as únicas pessoas que me sinto bem. Abro esse blog todos os dias no mínimo três vezes …. não para somente ler as notícias Boas, mas principalmente para ler os comentários. Vcs são demais. Bom, minha historia…Somos um casal soro discordante e aí que tenho alguns questionamentos como o wcurioso.. Somos casados há 25anos temos dois lindos filhos e nunca usamos preservativos. Em janeiro deste ano meu esposo foi diagnosticado com HIV positivo .Mas ele somente realizou um teste Elisa e nenhum um outro de contraprova. O médico já solicitou o de carga viral imediatamente e o de CD4 . Ele ficou indetectavel já no primeiro trimestre. Ele teve dengue no ano de 2015. Eu já fiz vários exames e não apresento nada. A minha maior dúvida é como posso não ter o vírus sendo este tão facilmente transmissível pela relação sexual uma vez que nunca usamos preservativos. E o meu maior medo se ele está tomando remédio sem necessidade. O meu relacionamento com ele nada mudou acredito que estamos mais próximos…. eu quem vou buscar os remédios mensalmente , levo a água todos os dias , fazemos atividade física juntos etc…. de acordo com o médico e normal casais discordantes. Que dúvida…

  19. Dário diz

    Tinha sido diagnosticado em julho, em agosto fiz todos os exames, incluindo carga viral e cd4. Hoje fui buscar os resultados, e está tudo ok comigo, e minha carga viral tá em 430 e cd4 960, além do cd8 que tá em 1118. A médica falou que eu ficasse tranquilo, pois apesar do vírus, eu estou muito bem, e ela falou que daqui pra frente só tenho a melhorar. Ela tbm falou na hipótese de eu só começar a tomar a medicação quando o Dolutegravir estiver sendo distribuído. Acho que vou fazer isso.

  20. Paraense+ diz

    Eu não acredito em cura…nem daqui há 100 anos. Portanto vou torcendo por um tratamento mensal…semestral…anual…ou o caraca a quatro. Vamo que vamo. Tô sentindo dores fortes na região dos rins…espero que não seja causada pelos ARVs.

  21. M H + diz

    oi Paraense+ tdbm com você ? espero q sim. qual é a sua medicação ? sou paraense tbm e minha medica infectologista disse e essa nova medicação com o Dolutegravir não vai chegar tao cedo e que é ilusão esperar até janeiro para começar o meu tratamento, fiquei muito triste porque ela nao quis medicar nem o raltegravir pq é só para pessoas q estão com problemas sérios de saúde q nao foi o meu caso graças a Deus. fiquei imaginado, será q é só aqui no estado do pará esse protocolo ???? alguém sabe me dizer qual é o melhor estado para seguir o meu tratamento ? onde eu posso comprar o raltegravir ?

    • Paraense+ diz

      Olha MH…eu tomo Atazanavir, Ritonavir + Lamivudina e Tenoforvir. No começo tentei o 3em1, mas não me dei bem com o Efa…pedi pra trocar vom 5 meses de uso. Já estou há mais de um ano com esse esquema. A única coisa que sinto é essa dor na costa e mais nada.

  22. Dean diz

    Acompanho as publicações deste blog e observo o quão desesperados por uma cura nós jovens, diagnosticados a pouco tempo, estamos! Farei um comentário diferente; NÃO ESTOU PRONTO PARA SER CURADO! Aos 25 anos, dois meses de diagnóstico e menos de um mês de tratamento com ARV, ainda não pude desmembrar a informação na minha cabeça! Tudo vem a tona o tempo todo, enfrento os efeitos colaterais em silêncio, e sei que existe algo a ser tirado desta “experiência”. Me recuso a sair disso tudo sem uma mudança definitiva na minha vida. Com relação a tudo! Hábitos, comportamentos, abusos que eu venho cometendo com o meu organismo desde muito cedo, relações tóxicas e visão de mundo. Cheguei a conclusão que eu quero VIVER o HIV, como meu melhor amigo! Sem medo, sem me preocupar com o peso destas 3 letrinhas. As coisas são tão horríveis quanto desejamos que elas sejam! Nenhum vírus pode me fazer baixar a cabeça, porque eu conheço o meu valor.Que este seja, então, meu novo desafio!

    • A C diz

      Meu amigo Dean, tenho 28 anos e te entendo em alguns aspectos. Um diagnóstico como o HIV é algo que nos faz repensar nossos comportamentos e até em nós mesmos como ser humanos. É incrível como somos tão suscetíveis a coisas tão pequenas como o HIV, quando sempre nos achamos tão grandes. Quando descobri minha sorologia, faz +/- 2 anos a minha vida virou de ponta cabeça e mesmo nunca sendo um homem de excessos eu me vi muito fragilizado. Qdo iniciei o tratamento foi bem difícil, sobretudo pela lembrança contínua que a administração dos remédios nos dão de presente. Mas não seja tão duro com você mesmo! Ser soropositivo é condição é não normalidade. Tem um vírus tentando se multiplicar em nós amigão. Se vier a cura, espero que até lá você esteja pronto pra perceber que é uma oportunidade de por em prática tudo aquilo que o HIV te ensinou!
      Sou do sul do RJ e adoro trocar experiências de como é ser +. Um grande abraço!

  23. Jorgito diz

    Eu estou totalmente pronto para ser curado! Tomara que essa porra dessa cura surja logo.

    • Marcus Vinicius diz

      Eu tb, se a cura sair amanhã. já vou dormir na fila hoje, mas uma coisa pelo menos eu estou tirando de vantagem: desde muito pequeno fui condicionado e ter fobia do hiv, da aids, e vivi minha vida nesse medo patológico até que a vida muito engraçadinha fundamentou meu medo tornando-o real. Agora aproveito essa fase entre viver com hiv e esperar a cura pra viver e transar sem medo do vírus (mas uso camisinha pra proteger os parceiros mesmo estando indetectável), transo sem medo mesmo principalmente o oral que era meu terror (e acredito que foi como peguei), enquanto a cura nao vem, me trato e tiro férias da fobia, vamos tirar proveito da nossa condição positiva em vez de só lamentar né… Mas quero a cura, hiv não é meu amigo não, é um intruso escondido isso sim, rs

      • Daniel Lemos diz

        eu estou pronto pra sair disso desde o dia seguinte do diagnostico.

        Ha muitas maneiras de aprender a viver, sem ter que lidar com efeitos toxicos de remedios

  24. Anderson diz

    Gostaria de saber…. sou indetectável a 1 ano,faco o uso do 3×1 ,se eu fizer um exame hiv convencional aparece REATIVO ou NAO reativo para hiv?

    • Paraense+ diz

      Claro que aparecerá Reagente Anderson. O teste acusa os anticorpos produzidos pelo teu organismo , e não o vírus propriamente dito. O que detecta o vírus é o exame de carga viral , e esse está indetectável por que você está com pouquíssimo vírus no organismo. Espero ter sido útil !!!.

  25. wcurioso diz

    E se aparecer não-reagente? Pq tb já estou na mesma condição, 1 ano indetectavel. “Umombroamigo”, concordo com vc sobre a modernidade dos testes para HIV, porém, há de se considerar o novo, sabe-se poucas coisas sobre o Zika. De qualquer forma, hj vivo tranquilo, nada mudou na minha vida, os amigos são os mesmos e o namorado também. Quanto a sua pergunta sobre ter o vírus antes, não, não tinha, pois havia feito um exame para HIV e era negativo, fazia periodicamente de 6 em 6 meses, agora faço de 2 em 2 meses para acompanhar carga viral, que já não aparece a mais de 10 meses. Agora acredito que o carinha n deva saber caso esteja infectado, e em minha conclusão,quando tem-se que passar por algo é inevitável, pq eu me cuidava e houve acidente com camisinha, acho bem provável, afinal tem gente que engravida qdo usa camisinha e a mesma fura e mais a proteção com camisinha n é 100%. Vip vivendo em paz hj…valeu pela resposta. Abraço

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