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Verme filarial duplica o risco de infecção pelo HIV


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Desde o início da epidemia de HIV/aids, há especulações a respeito da razão da doença ter se espalhado muito mais na África do que em outros países do mundo. Agora, cientistas do Centro Alemão de Pesquisas sobre Infecção, pela primeira vez, confirmaram uma razão para isso: em um estudo de coorte realizado na Tanzânia, descobriram que a infecção pelo nemátodo filarial Wuchereria bancrofti aumenta o risco de infecção pelo HIV em duas a três vezes. O estudo foi recentemente publicado no Lancet. “Os adolescentes e adultos jovens são particularmente mais afetados: eles apresentam um aumento de aproximadamente três vezes do risco de infecção pelo HIV quando já infectados pelo Wuchereria bancrofti”, explica o Dr. Inge Kroidl, do Departamento de Doenças Infecciosas e Medicina Tropical do Centro Médico da Universidade de Munique (LMU). Os pesquisadores conduziram este estudo de coorte ao longo de 5 anos, juntamente com cientistas do Hospital Universitário de Bonn, assim como com instituições parceiras africanas na Tanzânia.

Infecções com o verme Wuchereria bancrofti causam filariose linfática. Para ver: a prole worms. Créditos: Achim Hoerauf/Uniklinik Bonn

Infecções peloo verme Wuchereria bancrofti causam filariose linfática. Nesta foto: a prole dos vermes. Créditos: Achim Hoerauf/Uniklinik Bonn

 

Wuchereria bancrofti: um verme que causa graves consequências

Infecções com a lombriga filiforme Wuchereria bancrofti causam filariose linfática, uma doença dos vasos linfáticos que, na pior das hipóteses, leva à elefantíase. Imagens de membros deformados parecidos com os elefantes não são incomuns nestas regiões endêmicas da África. As combinações de medicamentos usados para tratar essas infecções nas comunidades africanas só são eficazes contra microfilárias, uma prole vermes que entra na corrente sanguínea e de lá são transmitidos por mais vetores, mosquitos. Em contraste, os vermes adultos frequentemente residem no sistema linfático dos hospedeiros e podem sobreviver durante muitos anos. Infecções por lombriga filiforme nos participantes do estudo publicado no Lancet foram diagnosticados através de um teste de antígeno filarial.

 

Estudo confirma ligação entre a infecção filarial e o risco de infecção pelo HIV

Este estudo foi desenhado para identificar fatores de risco para a infecção pelo HIV na população comum do sudoeste da Tanzânia. Um subgrupo de 1.055 pessoas foi posteriormente testado para infecção por lombriga filiforme (filariose). Ao longo do período de estudo, foram descritos um total de 32 novas infecções pelo HIV. Pessoas com filariose, em comparação com aqueles que não têm filariose, apresentaram um risco aumentado 3,2 vezes maior de infecção pelo HIV, na faixa etária de 14 a 25 anos de idade, e um risco aumentado em 2,4 vezes, no grupo etário de 25 a 45 anos. Aqueles com mais de 45 anos mostraram um risco aumentado em 1,2 vez.

“Agora, depois desta teoria antiga ter sido confirmada, o trabalho é está apenas começando”, explica o Prof. Michael Hoelscher, diretor do Instituto Tropical em Munique e quem começou os estudos de coorte, em 2006. Outros estudos estão sendo planejados em conjunto com pesquisadores do Hospital Universitário de Bonn. “O que é importante agora é encontrar terapias que também eliminem rapidamente os vermes W. bancrofti adutos”, enfatiza o Prof. Achim Hoerauf, cuja carreira tem girado em torno de pesquisa sobre filariose e que se esforça para desenvolver novos medicamentos para tratar estes vermes.

“Os resultados deste estudo são interessantes, também do ponto de vista imunológico. Eles podem nos ajudar a compreender melhor os fatores que facilitam a infecção e, consequentemente, ajudar a encontrar abordagens preventivas e terapêuticas”, diz o professor Hans-Georg Kraeusslich, Director de Virologia na Universidade de Heidelberg e coordenador da área de pesquisa DZIF “HIV”.

 

Financiamento da pesquisa de longo prazo na África

O financiamento da Comissão Europeia tem tornado possíveis esses estudos. Há dez anos, juntamente com o Ministério da Saúde da Tanzânia, a Comissão Europeia iniciou reforços no potencial de pesquisa do sistema de saúde da Tanzânia. O Ministério Federal da Educação e Pesquisa (BMBF) também contribuiu para esta evolução, dedicando-se a reforçar ainda mais a pesquisa em saúde na África, em 2011. Entre outras coisas, cinco redes de pesquisa para inovação em saúde na África subsaariana têm um orçamento total de financiamento de cerca de € 50.000.000 a partir deste ano. TAKE-OFF, uma das cinco redes, é dedicada à pesquisa de filariose. Nesta rede, o Prof. Hoerauf e o Dr. Kroidl vão continuar a sua pesquisa na luta contra a filariose, com colaboradores em três países africanos. Klaus Rudischhauser, diretor-geral adjunto da Direção Geral para a Cooperação e Desenvolvimento Internacional compartilhou seu entusiasmo: “Este sucesso demonstrou claramente como o financiamento a longo prazo pode contribuir para o desenvolvimento de novas intervenções para doenças graves, como o HIV.”

Por German Center for Infection Research em em 3 de agosto de 2016 para EurekAlert!

Referência: Kroidl I, Saathof E, Maganga L, et al. Effect of Wuchereria bancrofti infection on HIV incidence in southwest Tanzania: a prospective cohort study. Lancet 2016; published online August 2, 2016. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)31252-1
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Jovem paulistano nascido em 1984, que descobriu ser portador do HIV em outubro de 2010. É colaborador do HuffPost Brasil e autor do blog Diário de um Jovem Soropositivo.

22 comentários

  1. Augusto diz

    alguém tem noticias daquele estudo da USP sobre o efeito do yakult no aumento do CD4?

  2. Matheus diz

    Legal…passaram 5 anos pra confirmarem que quem tem lombriga tem 3x mais chances de contrair Hiv…tem tanta coisa melhor pra estudar em relação ao vírus

  3. rude diz

    Agora eles vao fazer antiretroviral para lombrigakkkk.e uma coisa muito idiota…

  4. Guilherme diz

    E o contrário, quem tem hiv é mais propenso a contrair elefantíase? Conhecia um rapaz que tinha os dois.

  5. RecentWave diz

    Pessoal. Pesquisadores fazem estudos e estudos requerem tempo. estes estudos demandam observação empírica, demandam técnica, demandam recolher amostras, demandam fazer comparações de caso a caso, demandam essencialmente dinheiro, para só depois de todo esse processo obter um resultado. Não vejo motivo algum para desacreditar o trabalho de pessoas que se dedicam para uma causa. Pelo que entendi, a incidência maior desta enfermidade na Africa Subsariana, pode ajudar a explicar os maiores índices de HIV. Claro que é uma visão bem preliminar minha e este não é o único fator que contribui, mas pode ser levado como um motivo maior para investir em saneamento básico.

  6. Luiz Carlos diz

    Não quero envolver política aqui, mas não sei até que ponto é apenas “coincidência” o Ritonavir ter faltatado nas dispensas aqui de Curitiba 2 vezes nos últimos 4 meses. Na terça, quando fui retirar o Ritonavir (já tinha retirado o resto do meu coquetel na semana anterior, quando me informaram novamente que o RTV estava em falta), bati um papo com a farmacêutica da dispensa e ela me informou que estão sem estoque para mais de 30 dias de todos os medicamentos, com exceção do 3×1. A falta do Ritonavir tem sido recorrente e vem acontecendo a cada duas ou três semanas, demorando mais de uma semana para ocorrer a reposição.

    Diante destes fatos, em consulta com o meu infecto ontem, decidi voltar para o 3×1. Eu tinha saído do 3×1 quando estava em um período bem complicado da minha vida, com o falecimento do meu pai e o término de um relacionamento ao mesmo tempo. Tomava vários antidepressivos e o EFZ não colaborava com a depressão.

    Vou passar novamente por todos os efeitos do 3×1 que já tive no início do tratamento, mas no momento atual é a única maneira que eu vi de ficar um pouco mais tranquilo quanto a distribuição de medicamentos.

    • Jorgito diz

      Que loucura. E quem tem um vírus resistente ao Efavirenz, igual a mim? Não tem essa opção. Absurda essa situação.

    • Caio PE diz

      O RTV faz parte da PEP. Acredito que, como a PEP está sendo muito procurada, ele esteja mais escasso ultimamente. Outro ponto pode ser que o governo “empurre” o 3×1 “goela abaixo” à população mesmo.

    • Revoltado diz

      Luiz Carlos, também me trato em Curitiba e comigo dispensaram medicação pra 3 meses. Atazanavir, ritonavir, tenofovir e lamivudina. Não tem sentido liberar pra um paciente essa quantidade e deixarem faltar pra outros pacientes. No meu caso, mesmo não tendo culpa, fiquei chateado por você precisar retornar com uma medicação que te prejudica em outros aspectos e realmente sem entender a lógica disso. Em momento algum nenhuma atendente chegou a mencionar a falta de medicação e sempre nesse padrão de retirada de 3 meses há dois anos.

      • Luiz Carlos diz

        Revoltado, não se sinta culpado, pois a culpa certamente é do governo. Eu nunca consegui retirar para mais de 2 meses, e já sofro com a falta de Ritonavir há alguns meses. Creio que deve ser pela localização onde você retira os medicamentos. Eu retiro os meus no COA, mas já pensei em mudar de região, até porque lá é muito “exposto”.

  7. Dani diz

    Pessoa, sei que meu questionamento foge completamente do tema, mas alguém saberia informar se o exame de HiV é solicitado pra quem tem intenção de ingressar em carreira de comissário de voo? Abraço e muita luz para todos!

  8. Ombro Amigo diz

    Independente de quem esteja no poder, existe uma lei federal que garante a distribuição gratuita da medicação antirretroviral. Se você não estiver recebendo a medicação que melhor se adapta ao seu organismo, garanta seus direitos na Justiça. E ainda que essa lei seja derrubada, existe uma cláusula pétrea na Constituição que garante o direito à saúde como necessidade básica do indivíduo. O brasileiro perde por não ir atrás dos seus direitos e aceitar tudo passivamente.

    P.s. 1: Acho muito díficil acabarem com a lei federal que garante acesso gratuito e universal às medicações antirretrovirais para os portadores de HIV. O Brasil conseguiu uma credibilidade ímpar com tal projeto e se alguém acabasse com essa lei poeria provocar uma reação muito negativa em território nacional e prejudicaria as aspirações do país em organismos internacionais e poderia manchar a imagem da nação lá fora.

    P.s. 2: Cláusula pétrea é a parte constitucional que não pode ser modificada por projeto de emenda à Constituição. A única forma de muda-la seria chamar uma nova assembleia constituinte e criar uma nova carta magna. Por isso que o fim do SUS não passa de boato, já que ela é garantida por cláusula pétrea constitucional.

  9. Matheus diz

    Dani nenhum teste de admissão pode pedir a sorologia para hiv…existe uma lei sobre isso.

    • Dani diz

      Obrigado, Matheus, é que a informação que eu tinha era que essa lei era válida apenas para concursos PÚBLICOS e não para admissão em empresas privadas (como uma companhia aérea, por exemplo)! De todo modo, valeu!

  10. Oliveira diz

    👍👍👍😉 OLA PESSOAL !!!!
    Preciso de uma informacao por gentileza!! a 1 ano e 8 meses iniciei o tratamento com 3×1 …..Porem essa semana fiz exames de densidade Ossea e o TENOFOVIR , esta causando perda de fosforo e de massa ossea de forma altamente consideravel 😢😢😢 Meu infecto pediu a troca de meu esquema , e chegamos a conclusao que meu novo esquema sera :- ABACAVIR + LAMI UDINA + EFAVIRENZ 👍👍👍👍 Aguem aqui toma esse esquema??? ou teve que trocar do 3×1 para esse esquema??? Queria saber quais efeitos colaterais deles???? qto tempo durou ? etc !!! SE PUDEREM ME AJUDAR COM ALGUMA INFORMACAO AGRADECO 💝

    OBRIGADO E FIQUDM.COM.DEUS GALETA 💞💘💝💗

    • Cal diz

      Oliveira, como seu médico percebeu a necessidade de passar o exame de denssiometria óssea? Algum sintoma? Abç.

      • Oliveira diz

        Cal

        esse medico e particular…. nao e a mesma que cuida de mim no CTA.
        Ele me pediu varios exames que geralmente no CTA os medicos dos sus nao pedem (alguns por serem caros).
        um deles foi a Denssiometria ossea , pois o TENOFOVIR com tempo causa petda de massa ossea . 🌟Foi onde ele viu a necessidade da minha troca de esquema.

        • Cal diz

          Eu me trato pelo plano e vou pedir urgentemente esse exame, mas temo pelos meus colegas de sorologia que não podem diagnosticar esse problema ósseo com mais antecedência por conta desse atendimento, digamos, mais “enxuto” dos SUS! 😦

  11. Se a gente pensar na África, o local onde há mais soropositivos no mundo, qualquer parcela do risco de aquisição do HIV que possa ser reduzida é extremamente relevante. Então, se a tentativa de reduzir a prevalência de infecção pela Wuchereria bancrofti se mostrar frutífera em diminuir o risco da infecção pelo HIV, essa pesquisa terá sido muito relevante. Só clareando mesmo pra quem achou que a pesquisa não tem valor algum. Tudo bem que não sirva para a gente, mas olhar o outro é legal de vez em quando.

    Abs

  12. Oliveira diz

    OLA PESSOAL !!!!
    Preciso de uma informacao por gentileza!! a 1 ano e 8 meses iniciei o tratamento com 3×1 …..Porem essa semana fiz exames de densidade Ossea e o TENOFOVIR , esta causando perda de fosforo e de massa ossea de forma altamente consideravel 😢😢😢 Meu infecto pediu a troca de meu esquema , e chegamos a conclusao que meu novo esquema sera :- ABACAVIR + LAMI UDINA + EFAVIRENZ 👍👍👍👍 Aguem aqui toma esse esquema??? ou teve que trocar do 3×1 para esse esquema??? Queria saber quais efeitos colaterais deles???? qto tempo durou ? etc !!! SE PUDEREM ME AJUDAR COM ALGUMA INFORMACAO AGRADECO 💝
    OBRIGADO E FIQUDM.COM.DEUS GALETA 💞💘💝💗

  13. Oliveira diz

    ALGUEM AQUI TOMA ( ABACAVIR + LAMIVUDINA + EFAVIRENZ) ???

    QUAIS EFEITOS COLATERAIS ????

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