Brasileiros criam nanopartículas que podem inativar o HIV


Fapesp

Para se reproduzir no organismo, um vírus passa por um processo de adsorção (ligação) das suas partículas às células infectadas, conectando-se a receptores da membrana celular.

Com o objetivo de impedir essa ligação e, consequentemente, a infecção, pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) desenvolveram uma estratégia que utiliza nanopartículas carregadas de grupos químicos capazes de atrair os vírus, ligando-se a eles e ocupando as vias de adsorção que seriam utilizadas nos receptores celulares.

Dessa forma, o vírus, já com sua superfície ocupada pelos grupos químicos carregados pelas nanopartículas, fica incapacitado de realizar ligações com as células do organismo. A estratégia inovadora de inativação viral foi desenvolvida no âmbito da pesquisa “Funcionalização de nanopartículas: aumentando a interação biológica”, realizada com o apoio da FAPESP e coordenada por Mateus Borba Cardoso.

“Esse mecanismo de inibição viral impede que o vírus chegue até as células.”

Trata-se do primeiro estudo que demonstra inativação viral baseada em química de superfície de nanopartículas funcionalizadas. “Esse mecanismo de inibição viral se dá por meio da modificação de nanopartículas em laboratório, atribuindo-se funções à sua superfície pela adição de grupos químicos capazes de atrair as partículas virais e se conectar a elas. Esse efeito estérico, relacionado ao fato de cada átomo dentro de uma molécula ocupar uma determinada quantidade de espaço na superfície, impede que o vírus chegue até o alvo, as células, e se ligue a ele, porque já está ‘ocupado’ pela nanopartícula”, explica Cardoso.

Os pesquisadores sintetizaram nanopartículas de sílica, componente químico de diversos minerais, com propriedades superficiais distintas e avaliaram sua biocompatibilidade com dois tipos de vírus. A eficácia antiviral foi avaliada em testes in vitro, com os vírus HIV e VSV-G – que causa estomatite vesicular – infectando células do tipo HEK 293, uma cultura celular originalmente composta de células de um rim pertencente a um embrião humano. As partículas virais foram preparadas para expressar uma proteína fluorescente que muda a coloração das células infectadas, permitindo que os pesquisadores “sigam” a infecção.

Resultados alcançados no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais podem levar a método para detecção de HIV e eliminação de diversos vírus em bolsas de sangue (Ilustração: Mateus Borba Cardoso)

A inovação segue a mesma estratégia já adotada pelos pesquisadores na funcionalização de nanopartículas que levam medicamentos quimioterápicos em altas concentrações até as células cancerígenas, evitando que as saudáveis sejam atingidas e minimizando os efeitos adversos da quimioterapia (leia mais em agencia.fapesp.br/23210).

As nanopartículas de sílica foram escolhidas mais uma vez por conta da sua porosidade, que permite uma boa funcionalização de sua superfície por meio da adição de grupos químicos em seus poros. Depois de sintetizadas, essas partículas passam por reações necessárias para que sua superfície seja funcionalizada de acordo com as afinidades químicas dos vírus. Grupos químicos específicos foram inseridos na superfície das partículas para que as proteínas virais sejam naturalmente atraídas por elas.

Após esse processo, os pesquisadores deram início à caracterização das nanopartículas, realizando medições de tamanho e checando se a funcionalização estava correta. Para isso, utilizam um arsenal de técnicas, desde microscopia a análises do potencial zeta – a carga superficial das partículas. De posse das informações sobre a carga foi possível correlacioná-la aos dados já conhecidos do envelope viral, a composição química do que está na superfície do vírus, aumentando as chances de as nanopartículas serem ancoradas em determinadas regiões dele.

Também foi utilizada a técnica de espalhamento de raios X a baixos ângulos (SAXS, na sigla em inglês). Por meio de radiação gerada pelo acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), integrante do CNPEM, os pesquisadores utilizam a técnica para enxergar e estudar a forma e a organização espacial de objetos em proporções nanométricas – no caso, as nanopartículas de sílica funcionalizadas.

“Quando existe muita atração, provocada na superfície das nanopartículas, a preferência do vírus é de se ligar a elas, não às células.”

“As nanopartículas devidamente funcionalizadas e as partículas virais passaram, então, por um tempo de incubação para que interagissem umas com as outras em função das propriedades de superfície de ambas. Quando existe muita atração, provocada pelos grupos químicos presentes na superfície das nanopartículas, a preferência do vírus é de se ligar a elas, não às células”, conta Cardoso.

Após a funcionalização das nanopartículas, os estudos sobre sua carga e outras propriedades e o período de incubação, os pesquisadores realizaram os testes in vitro infectando as células HEK 293 com os vírus HIV e VSV-G preparados para expressar a proteína fluorescente. Por meio de microscopia de fluorescência foi possível acompanhar a infecção e também as células que não foram atingidas por ela. Utilizando citometria de fluxo, tecnologia capaz de analisar simultaneamente diversos parâmetros de células ou partículas em suspensão, os pesquisadores puderam contar as células positivas e negativas frente à exposição ao vírus: as nanopartículas chegaram a reduzir a infecção viral em até 50%, demonstrando a eficiência da estratégia.

“Esse resultado poderia chegar a 100% se aumentássemos a quantidade de nanopartículas.”

“Esse resultado poderia chegar a 100% se aumentássemos a quantidade de nanopartículas funcionalizadas no período de incubação, mas os testes são realizados em uma faixa otimizada de inativação viral, para que possam ser observados os efeitos nas células atingidas pelos vírus, realçando as diferenças para fins de comparação”, diz o pesquisador. Os testes também permitiram verificar que durante o processo a morfologia celular foi mantida, sem que as nanopartículas a influenciassem.

De acordo com Cardoso, a estratégia poderia ser utilizada, por exemplo, na detecção e eliminação de vírus em bolsas de sangue antes de transfusões. Para isso, conta o pesquisador, estão sendo estudadas nanopartículas magnéticas que, uma vez dentro do meio sanguíneo contido na bolsa, se ligariam aos vírus, inativando-os e sendo posteriormente separadas do sangue por um ímã, levando consigo as partículas virais. A afinidade entre os grupos químicos carregados pelas nanopartículas e as partículas virais também poderia servir ao desenvolvimento de novas técnicas de detecção do HIV e de outros vírus.

Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico científico Applied Materials & Interfaces. O artigo Viral Inhibition Mechanism Mediated by Surface-Modified Silica Nanoparticles é assinado por Juliana Martins de Souza e Silva, Talita Diniz Melo Hanchuk, Murilo Izidoro Santos, Jörg Kobarg e Marcio Chaim Bajgelman, além de Cardoso, e pode ser acessado em pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/acsami.6b03342.

Publicado em 17 de agosto de 2016 por Agência FAPESP

Publicado por

Jovem Soropositivo

Jovem paulistano nascido em 1984, que descobriu ser portador do HIV em outubro de 2010. É colaborador do HuffPost Brasil e autor do blog Diário de um Jovem Soropositivo.

69 comentários em “Brasileiros criam nanopartículas que podem inativar o HIV”

  1. Pessoal, alguém que tenha tirado o efavirenz de suas vidas pode me relatar se foi bom ou ruim? Após 6 meses de medicamento tenho sentido fadiga intensa, letargias ainda, cansaço…Penso seriamente em pedir a troca. Alguém pode me relatar alguma experiência? joaopositivo30@gmail.com

    1. Então JV, eu troquei o efravirenz depois de usar por 3 meses, pois tive reação alérgica a ele, troquei por kaletra. realmente as tonturas passaram, mas meu triglicerídeos triplicaram em 3 anos… Mas creio que vou conseguir reverter, pois ainda está um pouco acima, nada que vá me matar… (espero rs)
      fui atleta a vida toda, e sempre malhei, meus exames sempre deram bem baixos… de uns tempos para cá eles vem aumentando consideravelmente… Espero ter ajudado

      1. Olá Beto! Pois é…tb malho muito mas ando muito fadigado e cansado. Esse Efavirenz acho que mexe muito com meu psicologico tb. Obrigado pela ajuda.

    2. JV eu não troquei o Efavirenz, mas desde o diagnóstico tomo a combinação Atazanavir+Ritonavit+Tenofovir/Lamivudina e posso dizer que não sinto absolutamente nada, apenas nos primeiros meses tive um leve ectiricia ( pele e olhos amarelados), mas nada tão perceptivo e se tomar 3 litros de água por dia esse efeito é diminuído. Hoje com 2 anos de tratamento estou com meus exames todos em ordem, nenhuma taxa alterada.
      Meu conselho é pra trocar, pois você não pode ficar sofrendo se existe outra opção. Eu não aconselho trocar por Kaletra, pois algumas pessoas têm efeitos terríveis com esse medicamento, outra alternativa é tentar com seu infectologista a combinação Raltegravir+Tenofovir/Lamivudina ou Raltegravir+Abacavir+Lamivudina, porém essas duas ultimas combinações são mais difíceis de serem liberadas. Mas não custa tentar.

        1. A combinação TDF, 3TC, ATZ/r é a mesma combinação usada na PEP. O 3×1 é a primeira escolha de tratamento. Essa escolha foi devido a 2 fatores: custo (o 3×1 é fabricado no Brasil mesmo. Sai mais barato) e a qtde de comprimidos (1x dia) que facilita o “não esquecimento”. No entanto, o EFV é o grande vilão dos 3: causa muita sonolência, depressão e pesadelos (em sua maioria dos casos, não para todos). Já o combinado que é o mesmo da PEP (citado inicialmente) pode provocar icterícia (pele e olhos amarelados e sintomas gástricos), mas todos facilmente controlados. Como essa combinação é igual a da PEP, o MS prioriza justamente essa combinação para a profilaxia, deixando as demais combinações para o tratamento. Outro vilão é o Kaletra (causador da diarreia para a maioria).

          1. Caio PE

            O 3×1 está sendo importado da Índia, não conseguiram produzir aqui. Os fabricantes são os laboratórios “Mylan e Hetero”. Quando as drogas fornecidas eram individuais produziam aqui.

      1. FG, te agredeço muito pelas dicas .Tentarei com meu médico essa troca. Creio que não seja difícil pois sou de particular (parece que assim conseguimos um pouco mais…infelizmente é assim…pagando se consegue mais). O efv MEXE MUITO COM MEU PSICOLOGICO E TEM ME DEIXADO MUUUUITO CANSADO. Estou com ele há 6 meses pois ainda é uma fase de adaptação, porém acho que não dá mais pra empurrar com a barriga.

    3. JV, eu troquei o Efavirenz pela mesma combinação do FG-PR já faz uns 3 meses. No meu caso, eu sou resistente ao Efavirenz, então a minha CV voltou a aumentar ao invés de continuar diminuindo, mesmo após 6 meses de tratamento. Eu tô avaliando agora se a nova combinação está ou não fazendo efeito. Mas, enfim, eu senti que tenho mais disposição e durmo muito melhor após ter parado de tomar o Efavirenz, particularmente pra mim foi bem melhor. No caso dessa combinação que eu e o FG-PR usamos, os olhos podem ficar um pouco amarelados. Os meus ficaram um pouquinho, e é constante; mas minha vida tá seguindo normalmente, e você vai ver que isso não vai te atrapalhar. Sucesso!

      1. Vou começar com essa combinação de Atazanavir+Ritonavit+Tenofovir/Lamivudina e estou com um medo terrível de me dar icterícia, muito pela curiosidade que despertaria nas pessoas no trabalho e familiares, mas, acima de tudo, por causa da minha mãe, que não sabe de nada e perceberia. Vou ter que inventar uma desculpa pra ela, se acontecer, vamos ver. Mas o que o médico me disse é que o único efeito dessa combinação é a icterícia e perda de massa muscular, causadas, eventualmente, pelo Atazanavir e problemas nos rins e nos ossos a longo prazo, eventualmente causados pelo Tenofovir. É uma combinação que não tem nenhum efeito neurológico.

        1. Jorgito, faço uso dessa combinação. Naturalmente cada organismo reage de um jeito, mas vamos lá…

          É boa, foi digamos assim: menos tóxica do que eu esperava.
          Icterícia é pesada nos primeiros “meses”(para alguns aqui no blog foi apenas dias), para mim foram uns dois anos…mas alternando: ora difícil de administrar, ora bem sutil.

          Contudo, não chega a ter um prejuízo estético, meu médico dizia que se alguém fosse muito chato em perguntar eu falasse em algo como Síndrome de Gilbert (pesquisa aí no google…), Cara foi uma boa saída…kkkk

          Hoje, 03 anos depois, está bem sutil…bem sutil mesmo…vejo várias pessoas com os olhos muito mais amarelados do que os meus…para queles que eram muito chatos nas perguntas eu dizia apenas que estava com bilirrubina elevada (Gilbert).

          Tem o lance de tomar muita água. Sinceramente não sei se funcionava. Só sei que quando tomo uma cervejinha a mais… o amarelo volta um pouco mais forte! Pelo sim, pelo não, tomo meu pesox35, o resultado que der é o quanto de água vc tem de tomar por dia, aprendi com uma renomada nutricionista aqui do meu estado. Exemplo: 70Kg x 35 = 2.450 (aproximadamente 2.5 litros/dia).

          A perda de massa muscular tb existe..num ganho peso de jeito nenhum…fazer o que…tinha antes 75kg hoje mal chego a 71kg, pra quem tem 1.79m é magrinho demais…

          Mas quer saber? Está longe de ser um problema…de médico e louco todo mundo tem um pouco! As pessoas vivem querendo se meter na vida da gente e ficam apenas procurando motivos, fingindo (na grande maioria das vezes, o que não se aplica a sua mãe – com certeza!) que querem nos fazer o bem…de boas intenções está calçado o caminho para o inferno, sabemos disso, né?

          Então, encare sua combinação (que não dá nem 1/3 dos efeitos relatados por alguns aqui com o Efavirenz, ou Kaletra, enfim…respeitando, obviamente, as diferenças de cada organismo).

          ABraço! Sucesso!

          1. De fato: essa combinação do ATZ/r é boa e a que menos apresenta efeitos tóxicos (pelo menos na maioria das pessoas). A icterícia é controlada ingerindo bastante água (conforme já foi citado aqui). O EFV e o Kaletra são terríveis (pelo menos para a maioria das pessoas). Cada caso é um caso!

            1. Galera, o Efavirenz é ruim no começo do diagnóstico por causar alguns efeitos neurológicos, como os sonhos vividos, a indisposição e uma certa letargia. Mas esses efeitos secundários normalmente desaparecem após o segundo mês em TARV. O que eu sugiro antes de trocar de esquema é adicionar algum medicamento regulador de sono, como Melatonina, Stilnox e alguns caso até um Rivotril em gotas nesse começo ajuda muito. Outra dica é sempre tomar o 3×1 com o estômago “semi cheio”, como um lanche leve à noite. Os efeitos são minimizados. Tenho um amigo que estava quase trocando de esquema e após seguir essas dicas, recomendadas pela minha medica, não precisou trocar. Enfim, acho que vale uma última tentativa, pois acredito na praticidade do 3×1.

              1. O 3×1 pode ser prático sim. Mas que esse EFV é o “cão” ele é. Agora, o ATZ/r pode dificultar um pouco o ganho de massa ao longo do tempo pois ele acelera o metabolismo e a icterícia (esse basta ingerir muita água ao longo do dia). No resto, ele é bom.

                  1. Icterícia: tomar, no mínimo, 2 litros de água por dia (claro que não tudo de uma vez só). Pode haver aceleração do metabolismo (dificuldade em ganhar peso). Para isso, dieta saudável (nada de comer porcaria) e exercícios físicos regulares. No mais, o ATZ-rit é legal.

            2. Na verdade nem tenho essa coisa de tontura, de sonhos vívidos e dificuldade de dormir não. O que tem me incomodado é LETARGIA, FADIGA E FALTA DE FOCO. Há momentos que estou ótimo, outros que fico meio aéreo. Visão levemente turva. Sou aula e às vezes me perco nas palavras. A fadiga é bem ruim.

              1. JV, tomo 3×1 há quase um ano e hoje não sinto mais nada. No início, primeiros 3 meses, eu tomava e já morria de sono. Hoje, graças à Deus aprendi a controlar a sensação sonolenta que me causa e que dura cerca de meia hora a 40 minutos, depois disso viro a noite estudando numa boa. Acho válido as dicas de dar um insistida nele, viu. Mas, assim como vc, venho sentindo um cansaço absurdo, principalmente no começo da manhã e no fim da tarde…coisa do tipo sem forças até para me mexer. Passei em consulta com médica ortomomecular, que me pediu alguns exames para verificarmos os neurotransmissores (dopamina, cortisol…). Provavelmente minha dopamina está deficiente me causando o esgotamento, a falta de foco. Tudo pelo período de estresse e correria que estou vivendo (estudando pra OAB dia e noite). Amanhã começo um esquema manipulado para melhorar isso até que saia os resultados dos exames. Pense nisso, TALVEZ ESSE CANSAÇO E FALTA DE FOCO não seja proveniente da medicação.
                Bjs

                1. Sarah, que bacana sua atenção. Bom sou Engenheiro e tb andei estudando pra concursos. Sinto mesmo muita fadiga e cansaço. É suportável, mas ás vezes irritante me sentir mal. Não achei um equilíbrio do remédio ainda. Tb estou buscando ajuda ortomolecular para equilibrar e melhorar o corpo e saúde como um todo. Medicina anti envelhecimento é o que há para nós, afinal a oxidação é intensa rs. Mas vamos ver no que vai dar… vamos manter contato. Meu email é joaopositivo30@gmail.com. Falo do interior do RJ.

      2. Obrigado P+. Talvez tente essa combinação. O 3×1 é ótimo pela praticidade, porém acho que vou preferir tomar mais comprimidos do que me sentir cansado, sem energia, fraco , sem foco. O vírus não representa mais nada pra mim. É muito pequeno diante da minha vida. Estou feliz no meu relacionamento sorodiscordante, minha vida profissional vai se ajeitando…mas me sentir mal não admito rs. Já havia ouvido falar da icterícia, mas dizem que passa com muita água né. Obrigado pela ajuda.

    4. JV, tenta trocar o horário que vc toma o 3×1 antes de trocar de tratamento. Eu tomava antes de dormir que é quando geralmente recomendam no início do tratamento e sempre sentia muita fadiga, cansaço, falta de disposição, etc pela manhã, além de muitos pesadelos durante a noite.
      Só pra deixar claro, eu tb NÃO gosto do EFV mas já pesquisei mto e até hoje não acho que tenha outro substituto viável.
      Há um mês, tomo o 3×1 na hora da janta (umas 5 horas antes de dormir), fui no psiquiatra e ele me receitou um ansiolítico antes de dormir e um antidepressivo “leve” na hora do almoço. Ainda não estou 100% mas os efeitos colaterais do EFV diminuíram MUITO! Abraços!

    5. Obrigado, Mutatis Mutandis. Vejo que é da área do direito. Legal, somos colegas de área. Bom saber de todas essas informações. Mas 3 anos é muito tempo, cara. Tomara que não me dê essa parada. Pior que sou muito vaidoso, sempre fui. Mas, enfim, tenho que encarar o que é preciso encarar. A parte da perda de massa muscular também me deixou um pouco chateado, porque sempre fui muito ligado ao físico e sempre malhei, mas o principal é zerar a carga viral e aderir ao tratamento. Só a expectativa de levar uma vida normal, já é bom demais.

      JV, pelo que já pesquisei a icterícia pode ser leve, acentuada, ou nem se manifestar, vai depender do organismo. Perguntei pro meu médico esse lance da água, ele falou que não tem muito a ver. Que se tiver que dar icterícia, vai dar e se não for pra dar, não vai aparecer, independentemente desse lance de tomar muita água. O médico me falou também que é mais comum não se manifestar a icterícia e eu li que ela se manifesta em um em cada cinco pessoas que tomam a medicação. Mas não li isso na bula, li em algum artigo da internet, então não sei se é realmente assim.

      Will, não entendi porque você diz que não existe outro substituto viável para o Efavirenz. Essa droga já quase nem é utilizada em diversos países desenvolvidos, inclusive nos EUA. Existem inúmeras opções de tratamento, a questão é a qual o organismo de cada um irá se adaptar melhor.

      1. Jorgito, obrigado pela sua atenção! Me preocupo muito com a estética tb. Af…como sou vaidoso kkkkk. Por isso estou buscando ajuda ortomolecular como falei com a Sarah ali em cima. Quero prevenir possíveis problemas em vários sentidos: estéticos e funcionais.

    6. Jorgito, realmente há alguns países que já vêm substituindo o EFV pelo DTG (dolutagrevir) como primeira linha de tratamento. O DTG é o único substituto comprovadamente mais eficaz e com menos efeitos colaterais que o EFV. A própra Organização Mundial da Saúde ainda recomenda o 3×1 como primeira linha, OU outra combinação do DTG (sem o EFV).
      O problema: ele ainda é muito caro por ser um medicamento recente. Por isso, o SUS só vai fornecê-lo por aqui para os pacientes que não responderem ao tratamento de primeira e segunda linhas.
      Quanto ao ATZ/r que alguns citaram nos comentários, pra mim particularmente não é viável pela perda de massa muscular. tenho 1,72m e 56 kg, aí acho que eu “sumiria de vez” hehe…

      1. Realmente o ATZ/r pode sim causar perda de massa muscular e dificuldade em ganhar massa. Para isso, a recomendação é alimentação saudável (incluindo proteínas de boa qualidade) e atividade física.

        1. Tomo o 3×1 e mesmo assim tenho medo em relação a ganho de massa. Como usei whey no início do tratamento e minhas enzimas hepáticas subiram demais, não utilizo nenhum tipo de suplementação. Procuro ter uma alimentação saudável, com uma dieta prescrita por nutricionista e continuo a atividade física sem muitas cobranças. positivosempre@outlook.com

          1. Quando eu falo proteína de boa qualidade não falo em suplementação. Falo em proteína animal de qualidade: salmão, ovo, etc. Suplementação tipo whey não é indicado por poder potencializar a sobrecarga renal já que os ARVs podem causar.

        2. Pessoal tomo ATZ/r a dois anos e não tive nenhuma perda de massa, pelo contrário, passei de 67 Kg para 72 Kg. E sobre a Ectericia a água não evita que ela apareça, porém beber bastante água faz com que a Bilirrubina que é responsável pela ectiricia seja eliminada mais rapidamente.
          Outra vantagem desta combinação é que ela não eleva os níveis de triglicérides ou colesterol, em dois anos de tratamento meu colesterol está em 110 e meus triglicerídeos em 76.
          Sobre a comodidade do 3X1 eu não vejo diferença de colocar 1 ou 3 comprimidos na boca e mandar pra dentro, quando saio de casa coloco os 3 comprimidos no bolso da calça e quando chega a hora coloco os 3 compridos de uma vez na boca e pronto. Pra mim comodidade é se sentir bem e não passar mal com vários efeitos colaterais e continuar porque é só um comprimido, agora que não sente nada com o Efavirenz não tem porque trocar.

          1. De fato. Cada organismo reage de uma forma diferente. A combinação ATZ/r, pessoalmente, acho muito interessante. Mas cada um é cada um.

  2. Esse é o ano do corre corre! Vamos. Apostem suas fichas! Quem vai chegar primeiro?
    Deus abençoe todos esses cientistas para que continuem pensando em nós !

  3. Pessoal, eu aposto nessa estratégia como a mais promissora, RÁPIDA e eficaz. Do que tenho lido sobre tratamento de doenças, como Alzheimer e outras síndromes degenerativas, pesquisas em neurociência aplicada á epilepsia de múltiplas convulsões diárias, as nanopartículas são a aposta mais promissora, além da famosa engenharia genética.
    É neste caminho. Não creio que demore mais de dez anos para a cura.
    Ainda assim, tenho esperança, mas o importante é viver um dia de cada vez. estamos bem, podemos melhorar, muitos ainda se acostumando com a medicação, outros trocando esquemas, mas temos como nos manter vivos e com saúde mais estes anos.
    E o que nos mantém vivos? Metas, objetivos, sonhos, planos concretos de fazer estes sonhos se realizarem. Isto é vida, isto é manter a mente a nosso serviço, com ou sem HIV.
    Viver e se perceber como funcional, produtivo e importante para si e para quem lhe é importante tira a perspectiva de se definir como soropositivo antes de tudo, o que é um veneno pra alma.
    Um abraço!

  4. Pelo que entendi essa técnica é apenas para uso em bolsas de sangue/hemocentros e em testes diagnósticos. Não há aplicação prática no tratamento.

  5. Barcelona – Cientistas do Instituto de Pesquisa da Aids IrsiCaixa identificaram uma mutação genética em pessoas com Aids que bloqueia a entrada do vírus HIV em células do sistema imunológico, ao impedir a produção de uma proteína que facilita sua penetração no organismo.

    O estudo, publicado na revista “Nature Communications”, demonstra que esta mutação genética impede a produção da proteína Siglec-1, que facilita a penetração do Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV) nas células mieloides, o que abre a porta para desenvolver fármacos complementares aos atuais que bloqueiem esta proteína sem efeitos colaterais.

    O trabalho foi realizado por pesquisadores do IrsiCaixa, entidade espanhola de parceria público-privada, e da Universidade de Lausanne, da Suíça, junto com dois grupos de estudo.

    “O estudo da genética humana e das pessoas que carecem de um receptor de maneira natural nos forneceu muita informação sobre futuros tratamentos a desenvolver”, destacou Nuria Izquierdo-Useros, pesquisadora do IrsiCaixa que co-lidera o estudo junto com Amalio Telenti, do Instituto Craig Venter, na Califórnia.

    Um mecanismo-chave no processo de disseminação do HIV no organismo é a infecção de suas células-alvo, os linfócitos T-CD4, através das células denominadas mieloides.

    Este processo, conhecido como transfecção, ocorre quando o vírus penetra nas células mielóides, fica em seu interior e de lá infecta os linfócitos T-CD4.

    O estudo dos cientistas identifica pela primeira vez em pessoas infectadas pelo HIV uma variante genética que impede a produção do Siglec-1, o receptor que permite esta entrada do vírus nas células mieloides e sua subsequente transfecção aos linfócitos T-CD4.

    Os pesquisadores concluem que esta variante confirma a possibilidade de utilizar o Siglec-1 como possível alvo terapêutico de novos medicamentos, já que sua ausência não tem qualquer consequência clínica aparente nos pacientes.

    A presença da mutação genética detectada neste estudo é muito pouco frequente. Estima-se que apenas 1,3% da população europeia a possui em pelo menos uma de suas duas cópias de 23 cromossomos, e aproximadamente 0,05% tem nas duas.

    Apesar desta frequência tão baixa, o estudo permite identificar pela primeira vez que existem pacientes infectados que, de maneira natural, carecem desta via de dispersão viral.

    Os pesquisadores conseguiram localizar 97 pessoas que tinham a mutação em uma de suas duas cópias de cromossomos e duas que a tinham em ambas.

    Após estudar no laboratório o efeito destas alterações em células extraídas dos pacientes, os cientistas comprovaram que a mutação reduz a capacidade das células mieloide de capturar o vírus e transferi-lo aos linfócitos T-CD4.

    O trabalho averiguou em dois grandes grupos de pacientes com HIV, na Suíça e nos Estados Unidos, se a presença desta mutação pode ser associada a uma determinada evolução da doença, mas terá que continuar realizando estudos que identifiquem mais portadores da mutação genética para poder tirar conclusões.

    http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/descoberta-mutacao-que-bloqueia-entrada-do-hiv-em-organismo

  6. Isso aí, espero que dentro de 15 anos tenhamos várias formas de curar o HIV, pois o danado adora uma mutação e tendo todas essas abordagens fico feliz que o futuro será livre do hiv.

      1. Minhas apostas giram em torno de 10 anos. Mas até lá os medicamentos evoluirão no sentido de causarem menos colaterais. Creio que todos ficaremos bem. O negócio é segurar a onda até lá e ir vivendo uma vida normal.

  7. Um milhão de estudos e nenhum que é claro ou que realmente mostra a eficácia do mesmo. Creio que se passará 10 anos e vamos continuar com esses milhões de estudos sem um retorno eficiente para nós portadores. Estou cansado de ler tantas coisas, coisas ate mesmo que foram publicadas a 5 anos atrás e que ate hj não evoluiu para algo satisfatório. Acredito que as pessoas que possuem o virus e que já são soropositivos a mais de 10 anos, ja cansaram de ler artigos e etc e decidiram levar a vida pois criar esperanças em estudos e pesquisas frusta demais.

  8. Victor! Tah atrasado amigo. Pesquisadores da Holanda se não me engano, já conseguiram driblar o HIV em mais pontos e ele não conseguiu se modificar.

  9. Conentri em um outro post da possibilidade das pessoas desse blog delas se reunirem, em uma espécie de encontro, em uma cidade que seja de mais fácil acesso e logística para todos do país (SP, RJ ou BsB). Seria um grande encontro presencial com trocas de experiências, histórias de vida, momentos de lazer. O que vcs acham ?

  10. COMENTEI em um outro post da possibilidade das pessoas desse blog delas se reunirem, em uma espécie de encontro, em uma cidade que seja de mais fácil acesso e logística para todos do país (SP, RJ ou BsB). Seria um grande encontro presencial com trocas de experiências, histórias de vida, momentos de lazer. O que vcs acham ?

  11. Gentemmm, me ajudem.

    Meu próximos exames só serão em novembro, apareceu uma feridinha na minha língua mas sem aspecto de ferida. Não sangra, não dói, não tem coloração de ferida nem pus.apenas uma craterazinha. Apareceu tbem uma minúsculas bolhinhas vermelhas na minha vida direita. Suspeito de sífilis. Alguém já teve sífilis? Será sífilis? Em sendo o tratamento é simples e eficaz?
    Aguardo notícias de vcs.

    1. Juka, suposições nesse caso não resolve. Vá em um clínico geral e peça exames.

      Sífilis tem cura, se realmente for teu caso.

  12. ***Onde se lê vida, leia-se coxa. Eu vou sim ao médico…mas a gente fica ancioso e já quer ouvir alguma coisa logo..

    1. Sífilis é absolutamente curável. Absolutamente. Cuide-se o quanto antes. Exame de sangue simples dá o diagnóstico.

  13. Poxa, hoje saiu o resultado do meu CD4, e continuo desanimando. Em relação ao CD8, é a segunda vez (períodos de 6 meses) que minha porcentagem cai. Estava com 31,2% em 28/09/2015, depois 30,8% em 11/02/2016, e hoje 27,8%. CV sempre indetectável. Estou bem preocupado :/

    1. O mais importante são valores absolutos (valores totais) e não valores relativos (percentuais). Qto foi o valor absoluto do cd4?
      Qual foi a relação cd4/cd8? CV indetectável é um bom sinal. Leve todas essas questões ao seu infecto.

    2. Amigo, se o vírus está indetectavel em seu sangue, então a baixa da sua porcentagem pode ter sido causada por até mesmo uma gripe, o importante é que o vírus está controlado e não sofreu mutação. Fica triste não, continua se cuidando. To torcendo por vc. Abraço!

  14. Eu tomo o Efavirenz e afora que meus sonhos têm parecido filmes de Hollywood, não sinto mais nada. Alguém mais?

    1. Hahahaha, os meus eram tipo filmes de terror de Hollywood >.<
      Hj em dia tomo o 3×1 na hora da janta e um ansiolítico receitado pelo psiquiatra antes de dormir que ajuda a regular o sono e não tenho mais sonhos vívidos!

  15. Meu cd4 de 1522 foi para 1365 e cd8 1229 foi 1050 relaçao 1.30 a medica disse que o mais importante e esta indetectavel e que exames sempre ocila .falou que a relaçao cd4/8 esta otima.

    1. Até 0,7 (relação cd4-cd8) é considerada normal. Abaixo disso aí as coisas começam a se complicar. Como a sua está 1,30 (está excelente). Aliás, todos os seus valores está excelentes. Qual a combinação que tu tomas e qto tempo ?

  16. Eu tomo o 3×1, desde dezembro de 2015. De la para cá, o único efeito do medicamento são os sonhos intensos mesmo. Não chegam a ser pesadelos. Acordo com o coração bem acelerado. Fora isso, meus exames estão todos bons. Colesterol total de 269, mas o HDL está pra la de bom, acima de 70. Triglicerídeos baixíssimo, em 68. CV indetectável e CD4 ta melhorando, ja ta em 309. Vou continuar com o 3 em 1 ate qdo der.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.