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Imunoterapia pode curar o HIV?


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Pesquisadores e defensores da cura do HIV se encontraram no Fred Hutchinson Cancer Research Center, na semana passada, para debater se a imunoterapia — tratamento que utiliza o sistema imunológico para combater o câncer — pode desempenhar um papel na concretização de uma cura ou remissão de longo prazo para o HIV, o vírus que causa a aids.

“As células CAR-T têm o potencial de matar as células infectadas pelo HIV”, disse o Dr. Larry Corey, virologista do Fred Hutch e veterano há 35 anos na pesquisa do HIV, em seu discurso de apresentação para a terceira Conferência sobre Terapia Celular e Genética para a Cura do HIV. “Vinte anos atrás, testamos essas células para agir contra o HIV. Elas não funcionaram muito, mas agora sabemos como fazê-las melhorar.”

Dra. Rowena Johnston, vice-presidente e diretora de pesquisa na Foundation for Aids Research, participa da Conferência sobre Terapia Celular e Genética para a Cura do HIV no Fred Hutch. (Foto por Robert Hood / Fred Hutch News Service)

Corey estava se referindo a um tipo de imunoterapia ainda experimental, no qual as próprias células T dos pacientes — um tipo de glóbulo branco que procura e destrói os patógenos — são geneticamente reprogramadas, com receptores sintéticos chamados receptores de antígeno quiméricos, ou CARs, a fim de matar células cancerosas que carreguem um marcador específico. Hoje, existem dezenas de estudos clínicos em andamento no Fred Hutch, e em outros lugares, que analisam as células CAR-T para tratar leucemia e linfoma, com resultados preliminares promissores.

Anos atrás, segundo Corey, os cientistas experimentaram usar terapias de células T contra o HIV sem muito sucesso. Agora, com base nos avanços feitos contra o câncer e outras doenças, ele quer revisitar estas e outras abordagens que envolvem o sistema imunológico para ir atrás do HIV. DefeatHIV, o grupo de pesquisa da cura do HIV do Fred Hutch e que sediou conferência da semana passada, acaba de receber uma segunda rodada de cinco anos de financiamento federal para explorar as CAR-T e outras imunoterapias contra o HIV, incluindo impulsionar o sistema imunológico através de uma vacina terapêutica e geneticamente modificada para a produção de anticorpos amplamente neutralizantes sintéticos.

“Somos um grande centro para a terapia com CAR-T. Temos muita experiência aqui, usando essa tecnologia contra o câncer, especialmente leucemia e linfoma”, disse o codiretor do DefeatHIV, Dr. Hans-Peter Kiem, pesquisador de transplante de células-tronco e terapia genética no Fred Hutch. “Combinamos o conhecimento que adquirimos na terapia genética para melhorar a imunoterapia.” Como disse outro orador, Dr. James Riley, microbiólogo da Universidade da Pensilvânia: “Para curar o HIV, vamos precisar de um sistema imunológico melhor.”

 

Quando o corpo de bombeiros pega fogo

Dr. Larry Corey

Dr. Larry Corey

No início de sua carreira, o trabalho de Corey em criar o primeiro tratamento antiviral contra herpes abriu o caminho para as terapias contra o HIV que, em 1996, fizeram este vírus deixar de ser uma sentença de morte, para virar uma doença crônica. Contudo, embora que os medicamentos antirretrovirais baixem o nível de HIV para níveis indetectáveis, elas não são uma cura. O vírus persiste em um estado dormente nos “reservatórios” que estão em todo o corpo. Se a terapia é interrompida, o HIV volta. Um dos desafios para conseguir estimular o sistema imunológico para atacar esse reservatório HIV é o fato de que o HIV ataca o próprio sistema imunológico. Ele centra-se num tipo de célula T “auxiliar”, responsável pela iniciação de uma resposta imune.

“O HIV mata as células humanas que normalmente controlam as infecções”, explicou o Dr. Thor Wagner, da Universidade de Washington e do Hospital Infantil de Seattle, que, junto com Corey, está trabalhando no projeto de células CAR-T do DefeatHIV. “É como um quartel do corpo de bombeiros que pega fogo. É difícil vencer esse fogo — ou essa infecção.” Ainda assim, segundo Wagner, é viável projetar as células T, que são capazes de matar as células infectadas pelo HIV, a serem resistentes à infecção pelo HIV. Além disso, as tais células CAR-T, em combinação com outras estratégias, podem ajudar a atingir a remissão do HIV.

Os cientistas já tem a prova de que o sistema imunológico pode curar o HIV ou pelo menos dirigi-lo à remissão de longo prazo. O transplante de medula óssea já trouxe o primeiro exemplo definitivo do poder do sistema imunológico humano para domar — e até mesmo curar — o câncer, além de levar o primeiro — e até agora o único — homem a se tornar curado do HIV: Timothy Ray Brown.

Em 2007 e novamente em 2008, Brown, nascido em Seattle e então vivendo em Berlim, passou por dois transplantes completos de medula óssea para tratar uma leucemia mieloide aguda. Como ele também tinha HIV, seu médico alemão procurou um doador de células-tronco que possuísse duas cópias de uma mutação genética rara, que confere resistência natural ao vírus. Brown parou de tomar medicamentos antirretrovirais após o primeiro transplante, em 2007, e continua até hoje a não mostrar qualquer sinal do HIV.

Até agora, as tentativas para duplicar a cura de Brown em outras pessoas com HIV que também precisavam de um transplante de medula óssea para tratar câncer não foram bem sucedidas. A maioria dos pacientes estava muito doente e morreram em decorrência do câncer ou do transplante. Mas novas informações apresentadas nesta Conferência em Seattle e, no mês passado, na grande conferência sobre aids em Durban, na África do Sul, trouxeram esperança de que a cura de Brown pode ser repetida.

 

“Você transformou minha tristeza em orgulho”

Um transplante, que por si só é um procedimento de alto risco para pacientes com câncer, é ainda mais arriscado para as pessoas que também têm HIV, com taxas de mortalidade que se aproximam de 60%, de acordo com a Dra. Annemarie Wensing, virologista clínica no Centro Médico da Universidade de Utrecht, na Holanda .

É por isso que Wensing e outros, incluindo o Dr. Gero Hütter, oncologista que curou Brown, formaram um projeto colaborativo chamado EpiStem, a fim de orientar os médicos em toda a Europa a fazer transplantes de células-tronco em pessoas que têm ambos câncer e HIV.

O projeto também estuda o efeito do transplante de medula óssea sobre o HIV. Em Durban e novamente em Seattle, Wensing relatou que três pacientes que sobreviveram ao câncer e ao transplante. Agora, dois deles não mostram mais sinais do HIV, mesmo após extensos testes sensíveis, e um outro apresenta apenas traços do vírus. Uma vez que apenas um paciente teve um doador resistente ao HIV, Wensing sugere que a doença do enxerto contra hospedeiro possa ter ajudado a pelo menos reduzir o reservatório de HIV, da mesma forma que o efeito do enxerto contra a leucemia é fundamental para alcançar a cura ou remissão do câncer.

Embora o HIV dos três pacientes do EpiStem possa ter sido curado ou estar em remissão, a única maneira de saber com certeza é tirá-los de sua medicação antirretroviral, como foi o caso com Brown. Contudo, isso ainda não foi feito, em parte devido às lições aprendidas sobre os efeitos físicos e emocionais decorrentes da interrupção dos medicamentos anti-HIV.

Em março de 2013, como parte de um estudo de pesquisa cuidadosamente monitorizada no Boston’s Brigham and Women’s Hospital, Gary Steinkohl saiu da terapia antirretroviral três anos depois de receber um transplante de medula óssea para tratar um câncer. Sua esperança de se tornar a segunda pessoa no mundo curada do HIV, depois de Brown, foi frustrada, quando o vírus voltou, oito meses depois.

Timothy Henrich

Dr. Timothy Henrich, encarregado do estudo com os “Pacientes de Boston”. (Foto por Bo Jungmayer / Fred Hutch News Service)

“Quando o vírus voltou, fui para o fundo do poço”, contou Steinkohl, que participou da Conferência ao lado do cientista-chefe desse estudo, Dr. Tim Henrich, agora da Universidade da Califórnia, em São Francisco. Henrich tinha se esforçado para não atiçar falsa esperança em Steinkohl e no outro participante do estudo, conhecido apenas como “Paciente A”. Ali, Henrich confessou a Steinkohl: “A coisa mais difícil que eu já tive de fazer em minha vida profissional foi dizer a você e ao Paciente A que seus vírus tinham voltado.” Steinkohl reconheceu que foi duro, mas disse: “Você disse que minha contribuição para a ciência foi inestimável. Você transformou minha tristeza em orgulho por ter ajudado você. Em ajudar você, eu estava nos ajudando”, disse ele, se referindo a todos com HIV.

 

O desafio de curar o HIV

Transplantes de células estaminais são algo muito arriscado e caro para ser considerado em grande escala para a cura do HIV. Mas, como Henrich assinalou, estudar pessoas como Steinkohl e os novos pacientes do EpiStem traz informações importantes sobre o papel do sistema imunológico, que podem ser aplicáveis a outras imunoterapias.

Uma das lições aprendidas foi como poucas células infectadas pelo HIV são necessárias para a infecção de voltar. “Nós fomos capazes de reduzir o seu reservatório a um ponto tão baixo que, quando ele voltou depois que você saiu do tratamento, parecia ter vindo de apenas 20 ou 40 células”, disse Henrich para Steinkohl. “Só precisou disso. É algo deprimente cientificamente, mas também altamente informativo.”

Não é de se admirar que, na conferência do mês passado, em Durban, a Dra. Françoise Barré-Sinoussi, uma das descobridoras do vírus, disse: “Alcançar a cura é um dos maiores desafios científicos a serem realizados.” Também em Durban, o Dr. Anthony Fauci, diretor de longa data do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, parte do National Institutes of Health americano, também falou sobre esse desafio: “Esta não é como qualquer outra infecção que temos enfrentado”, disse ele.

“Em praticamente todos os vírus que atacam o corpo, como a varíola, o corpo sempre mostra que, no fim das contas, é capaz de limpar o vírus e mostra imunidade sustentada contra o vírus. Com o HIV isso não acontece. Temos que fazer algo que a natureza nunca fez.” Acenando para Barré-Sinoussi e para outros especialistas em HIV que estavam na conferência, Fauci acrescentou: “Eu não acho que alguém nesta sala pode dizer que vamos ter uma cura para o HIV. Mas o que você está vendo neste palco é um compromisso de tentar este desafio.”

Os esforços para encontrar uma cura para o HIV, apesar dos imensos desafios, não passam despercebidos pelas pessoas a quem isso mais importa. “Você não receberam agradecimentos o suficiente por este trabalho árduo que estão fazendo”, disse Steinkohl aos pesquisadores reunidos em Seattle.

 

“Nós queremos mesmo escutar suas ideias”

Outras abordagens de imunoterapia discutidas na conferência em Durban incluíam o uso de inibidores de controle, que bloqueiam um mecanismo que as células cancerosas usam para desativar o sistema imunológico. Medicamentos desenvolvidos para “desbloquear” estes inibidores já foram licenciados para uso contra melanoma avançado. Vários estudos observacionais estão em andamento com pacientes com HIV e melanoma, que estão recebendo esses medicamentos, de acordo a Dra. Sharon Lewin, da Universidade de Melbourne, que co-presidiu o simpósio sobre a cura ao lado de Barré-Sinoussi.

Dr. Chris Peterson

Dr. Chris Peterson apresenta sua pesquisa na Aids 2016, em Durban, África do Sul. Uma foto de “Paciente de Berlim”, Timothy Ray Brown, é projetada na tela atrás dele. (Foto por Robert Capa / Fred Hutch News Service)

Também em Durban e novamente em Seattle, o Dr. Chris Peterson, cientista no laboratório de Kiem, no Fred Hutch, falou sobre os esforços bem sucedidos em modelos pré-clínicos para modificar as células estaminais do sangue, usando uma técnica de edição genética que emprega moléculas chamadas “nucleases de dedos de zinco” e então devolve as células-tronco resistentes para repovoar o sistema imunológico do paciente. Seu trabalho é parte de um esforço de usar a cura de Brown como um modelo para o desenvolvimento de uma terapia menos tóxica, procurando criar resistência genética nas próprias células do sistema imunológico de uma pessoa infectada. “Estamos tentando tornar o caso de Timothy Ray Brown aplicável a mais pessoas”, disse Peterson.

Isso é o que a Dra. Rowena Johnston, vice-presidente da amfAR, queria ouvir. Ela disse aos participantes da conferência que seu grupo planeja gastar US$ 100 milhões nos próximos cinco anos para desenvolver uma base científica para a cura do HIV. A AmfAR, co-fundada pela atriz e ativista da aids Elizabeth Taylor, foi uma das primeiras financiadoras não-governamentais na pesquisa do HIV, a primeira a apreciar a importância de um painel científico, apresentado em uma conferência de 2008 e com pouca atenção de outros pesquisadores, revistas científicas e imprensa popular, sobre o primeiro relatório de Brown, até então conhecido apenas como o “Paciente de Berlim”.

“Meu objetivo é voltar a amfAR com pelo menos cinco ideias sólidas sobre as quais queremos trabalhar,” disse Johnston ao auditório repelto de cientistas, pós-doutorados e estudantes de pós-graduação. “Nós queremos mesmo escutar suas ideias.”

Por Mary Engel em 8 de agosto de 2016 para Fred Hutch News Service

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42 comentários

  1. Alessandro diz

    Essa é a idéia, todos eles devem acreditar na cura, e todos trabalhando juntos, trocando informações, dessa forma me sinto feliz em pensar que estão fazendo algo por nós.

  2. Alex diz

    Já há 1 ano que possuo o vírus, e já naquela época, no início, lia a amfAR falar em arrecadar 100 milhões para pesquisas nos próximos 5 anos, agora, segundo a matéria, diz a mesma coisa. Fica parecendo que daqui uns 2 ou 3 anos estarão falando a mesma coisa ainda.

  3. Jonas diz

    Gente, a notícia é boa, mas quando leio notícias sobre a cura do HIV há 3, 5 anos atrás chego a constatação que é tudo especulação, muitas vezes não por má vontade, nem má fé, mas estão em busca de patrocínio. Sinceramente, quem está no caminho da cura, do “eureka” não vai divulgar com riqueza de detalhes e oferecer o atalho para outros cientistas. Não estou sendo pessimista. Isso não quer dizer que eu não tenha esperança na cura. Tenho e muita, mas verão que será divulgada como de supetão e nada de ir divulgando os “caminhos”. Afinal, cientista não é bobo. Outra questão que me intriga aqui no blog, que gosto muito, aliás, este espaço é quase a minha terapia, afinal, não conheço ninguém na mesma condição que a minha, porém, a questão é que os que se pronunciam neste blog, ou pelo menos, em sua maioria, são pessoas que como eu foram recém diagnosticadas. Se fala muito em efeitos colaterais em 5, 10, 15 anos de tratamento em Tarv, mas pelo menos por aqui não se pronunciam pessoas com diagnósticos acima dos 10 anos. Desculpa, mas fico intrigado com isso. Pode até ser impressão minha, mas até os que consolam uns aos outros foram diagnosticados a no máximo 2 anos. Isso não é um problema, mas é uma observação que faço e que confesso, me intriga bastante. Um cara, que dispensa comentário, há pouco falou do temor do fígado virar “pasta” e os que contestaram foram pessoas como eu em início de tratamento. Também tenho minhas incertezas a respeito do tempo de tratamento. É claro que em 1, 2 até 5 anos a terapia é bem tolerada, mas e depois? Por isso, peço que aqueles que acompanham o blog e se tratam há mais de 10 anos, vez por outras, apareçam por aqui e deem seus depoimentos. Obrigado a todos vocês pela força, que nem sabem que me dão.

    • ricardo costa diz

      Velho você falou tudo. Vc é o único que ainda tem razão e coerência por aqui. Tudo não passa de especulação, mentiras para sempre ganharem milhões de dólares de doações. Essa é uma grande estratégias desses laboratórios para morder mais granas e investimentos que ja chegam a bilhões. São 35 anos de hiv e a cada 2 anos se fala numa nova estratégia e cura kkkk e quando vence os 2 anos kkk aparece mais uma descoberta dizendo que teremos a cura em 5,10 15 anos. Quando vence esse tempo… eles engavetam kkkkk 35 anos ja é o suficiente para percebermos que o hiv veio para ficar e ser crônico. Acredito em novas medicações mais espaçadas. Mas, uma cura com certeza é impossível.

    • Leandro diz

      As pessoas que são positivas a mais de 5, 10 anos estão ocupadas vivendo. Diferente de muitos de nós, que vivemos aqui chorando as mágoas e mendigando a tão sonhada cura.

    • diz

      Caro Jonas muito legal a sua reflexão e o seu questionamento a respeito das pessoas com mais tempo de diagnóstico não se manifestarem. A justificativa para tal é que essas pessoas com mais tempo de diagnóstico, ou já superaram essa fase de sofrimento e lamentações ou já estão vivendo “bem” com os novos remédios a ponto de não estarem mais preocupadas com a cura ou a ausência dela, com expectativas tão intensas como os recém dignosticados. Uns já se acostumaram com sua condição, outros já focaram suas vidas em objetivos mais sólidos e outros ainda nem sabem da existência desse blog ou coisa do gênero. Os manifestos aqui apresentados são de pessoas como você, como eu e de tantos que a pouco tempo fomos infectados por uma doença crônica e ainda estamos na sua grande “maioria” tristes, pesarosos, questionadores, porém também esperançosos e atônitos diante dessa realidade nova.

      • Jonas diz

        Zé, obrigado pelo retorno. Embora ache o mesmo que você. Novamente são hipóteses nossas. Eles “já estão vivendo bem com os novos remédios”; “já se acostumaram com sua condições”; “outros nem sabem da existência desse blog” etc. Espero que estejamos certos quanto a isso. Mas, viva a diversidade! Torço que o blog chegue a este público também, sou recém diagnosticado, mas não sou jovem, estou caminhado para os 50 anos e gosto de interatividade.

    • Mutatis Mutandis diz

      Jonas, coisa boa é opinião diferente. A sua tem de ser levada em conta, necessariamente não vou mudar a minha (pelo menos ainda não), mas não desprezo o que vc disse.

      Não se assuste! Estou nesse blog há 03 anos, tinha uma moça aqui que não lembro o nome que tinha 15 anos de tarv, outro camarda que tinha11 anos, enfim…as pessoas vêm e vão aqui nesse blog.

      Tem outros com 08, com 05, e os recém-chegados…quero apenas lhe dizer que isso não é parâmetro, as pessoas às vezes são mais frequentes aqui, às vezes não.

      Na minha ignorância sobre o assunto fico com o seguinte raciocínio: a ciência sempre viveu do impossível! Tudo que temos hoje foi impossível um dia! A hepatite matava, mas a cura chegou a menos de 02 anos.

      A do HIV vai chegar tb. Até lá eu vou vivendo, como qualquer ser humano…dias bons, dias ruins, períodos eufóricos, períodos depressivos, etc…quando a cura chegar quero estar apto a recebê-la!

      Sucesso e muita paz!

      Valeu!

    • Gil diz

      Jaque, mulher trans, do documentário É TUDO VERDADE – MEU NIME É JAQUE é positiva há mais de 15 anos. Meu amigo que conheci aqui em João Pessoa tem 47 anos, é positivo há 23 anos, saudável hoje em dia e passou por momentos ruins no início, teve lipodistrofia pernas e bundas, tudo recuperado.
      Ele tem amigos positivos de longa data, no Recife, há mais de 20anos e eu os conheci recentemente.

  4. MB+ diz

    Bem ..
    Se quer um cara que está nesta condição a mais de 13 anos …prazer mb+.
    Vivo …saudável …e cheio de amor para dar.

  5. Pascal diz

    Oi, Jonas, entendo sua maneira de pensar, mas se quiser dar uma olhada em quem vive com o vírus a mais de 2 décadas, procure por pessoas como Silvia Almeida no Google. Procure também no Youtube pela campanha do Departamento de HIV da Prefeitura de Porto Alegre, os vídeos contêm depoimentos de pessoas que vivem há mais de 1 década com o vírus. Ou simplesmente veja o MB+ aí em cima dizendo que vive com o vírus há mais de 13 anos, chame-o pro KIK e troque uma ideia. Abraço e seja feliz! 🙂

  6. Matheus diz

    Acredito eu que as pessoas que já convivem a mais de uma década com o vírus já meio que “desencanou” e não ficam buscando informações diariamente como os recém diagnósticados…só vc pesquisar direitinho que tá cheio de “hivós e hivôs” vivendo bem e saudáveis…e olha q muitos desses passaram pelo tratamento inicial que não era nada fácil e muito mais “tóxico” comparado ao de hj.

    • D_Pr diz

      Luquinha, como vai?

      Tá sabendo algo sobre “a quantificação do tamanho do reservatório viral”? Li uma reportagem sobre isso hoje e lembrei de uma postagem sua…

  7. MB+ diz

    Tenho 13 anos mas não sou hivo não

    Kkkkkk….nem hivtio…

    Mas é isso mesmo …esqueci do vírus ele esqueceu de mim. ..lembro da vida para que ela não se esqueça de mim.

  8. Lipe diz

    Neste ponto, acredito que estou curado; tangemos ao indetectável, que me parece ser melhor do que o soro interrogativo. Durmo com a mulher que amo, não uso preservativo. Ela não dá sorologia positiva pelos anticorpos.

    Tomo o mesmo vinho de sempre, trabalho, obviamente sofro um tipo de preconceito embutido de quem sabe, e acredita que sou um tanto filho da puta por ser hiv.

    Mas meus amigos, a discriminação não é novidade.

    • Mutatis Mutandis diz

      Gostei, belo comentário!

      Também durmo com a mulher que amo, só não rompemos ainda com o preservativo…mas quem sabe um dia…Valeu e Sucesso!

    • Anjo terapeuta diz

      Concordo cm vc eu durmo cm o homem q amo e tbm nao usamos presevativos e ele tbm nao da sorologia positiva.

  9. Pablo diz

    Amigos, no no meu hemograma os linfócitos deram um pouco acima da média. Teria que estar entre 20 e 40%, e o meu deu 53%. O que pode ser?

  10. Jonas diz

    Amigos(as), confio que a cura chegará um dia, só não sabemos quando e estou sendo bem sincero, quem está a caminho da cura via pesquisa científica não vai sair divulgando. Isso para mim é incoerente. Isso não quer dizer que a cura não virá, veja como interpretam o que se escreve. Tem muita gente pesquisando na surdina. Tem muita gente na pesquisa. Quem não quer ficar milionário com uma droga que cura uma doença que atinge milhões de pessoas em todos os países do mundo, sejam de primeiro mundo ou não? Quem alardeia divulgando hipóteses está buscando simplesmente mais recursos e isto não é exatamente ruim. É uma grande contribuição à ciência também. Mostra atalhos evitando-se que se comece pelo quilometro zero. Porém, não somos ratos nem nosso organismo resume-se a uma pipeta de laboratório. Somos complexos. Sou pesquisador social e nas minhas duas pesquisas, trabalhei tentando não divulgar até que tivesse os resultados, a conclusão, os dados. Mas talvez seja esse o meu perfil. De modo geral, qualquer pesquisador busca o ineditismo e evita-se o plágio a qualquer custo. Mas acho mesmo que não é de bom tom gerar expectativas numa população que sonha com a cura para infecção tão medonha. Talvez nem percebam isso. Quando se pesquisa no google encontra-se as maiores expectativas de pesquisadores, até mesmo brasileiros que mostraram estar a 10% da cura. Melhor seria divulgar cientificamente os fracassos da pesquisas para que novos não enveredem pelo mesmo caminho. Isso é ético, isso é ciência. Mas, confesso, não conheço cientificamente a área de saúde, nem suas intenções. Quanto a questão de não “ver” por aqui depoimentos de pessoas em Tarv por mais de 10 anos é apenas uma observação. Não estou dizendo que não há pessoas no Brasil em tratamento prologando, já vi sim, em campanhas, no youtube, na net, em livros, etc. Apenas, peço que se estiverem acompanhando o blog em certas situações se pronunciem, nos passe suas experiências, como fez agora o MB+. Não permitam que se diga que nosso fígado se transformará em “pasta” em poucos tempo, como fez o rico preconceituoso do nosso blog. Não façam profecia, mas falem de vocês, de suas experiências, que devem ser muito ricas, fracassos, sucessos etc. Não esqueçam que podem ser pessoas inspiradoras para todos nós, recém diagnosticado. Sem dúvida que o blog me parece predominante de pessoas em tratamento há menos de 2 anos. É apenas uma observação. Se assim for, que assim seja! Amém!

    • Rodrigo diz

      Jonas, estou em tratamento há seis anos. Posso dizer que me adaptei bem ao tratamento. Não tenho qualquer efeito danoso ao organismo decorrente dos ARVs (e olha que minha combinação tem AZT e EFZ): fígado, rins, musculatura, vitaminas, tudo ok.
      No início, era um rato de internet. Ficava o dia inteiro fuçando em busca de notícias, até que um dia topei com esse blog. E isso, chega um momento, cansa. Pois as notícias, que às vezes parecem novidades, são apenas variações sobre o mesmo tema e, se são significativas para a comunidade científica, ainda estão longe de se concretizar em nossas vidas. Talvez por isso nós, soroexperientes, comentemos menos por aqui.
      Pra ser sincero, na maioria das vezes só leio os títulos dos textos e logo vou para os comentários, pois nesse momento me é muito mais rica as experiências dos outros soropositivos que essa ansiedade pela manchete “ENCONTRADA A CURA DA AIDS” no alto do blog

  11. Olá pessoal, faz muito tempo que não posto nada, mas leio o blog quase diariamente.

    Em relação ao questionamento do amigo Jonas sobre pessoas há mais tempo com HIV, posso dizer que conheço três portadores que foram infectados na década de oitenta e ainda e estão vivos. Por óbvio, são pessoas sexagenárias hoje, que possuem as complicações de saúde comuns a todos que vão envelhecendo.

    Mas todos os três pegaram os primeiros medicamentos desenvolvidos e estão aí, vivinhos da silva, lépidos e fagueiros. Inclusive um é fumante e diz que não vai parar e pronto!

    Então, acho que como os amigos acima falaram, as pessoas se acostumam com a situação, desencanam e vão viver a vida, não ficam esperando pela cura e nem pesquisando na internet ininterruptamente. Aliás, até mesmo pela idade dessas pessoas, elas não tem o hábito de viver conectadas como muitos aqui (inclusive eu).

    Quanto às últimas pesquisas noticiadas, penso que são ótimas, uma hora vai chegar a tão sonhada cura. Até lá, vamos viver.

    Um abraço a todos e muita saúde!!!

  12. MB+ diz

    Só para descontrair
    Quando estou com a mulher que amo a última coisa que faço é dormir…
    Kkkkkkkk

  13. Sampa26 diz

    Enquanto o Brasil não investir pesado em políticas públicas voltadas em difundir informações sobre o HIV (começando pela educação básica, correspondente aos primeiros anos de educação escolar), ainda teremos 40 mil novos casos diagnosticados anualmente.

    Eu particularmente comecei a viver agora ”desencanei” e a maior parte do dia me esqueço do vírus isso depois de mais de um ano de diagnóstico. Os dias de luto passaram, hoje vivo melhor que antes aproveito cada segundo do meu dia, meus fds, um adendo insanamente. Hoje eu vivo a vida antigamente ela passava e eu nem percebia…

    Cheguei a conclusão que no final do filme a gente morre ”todos” com aids, hiv ou sem e que se o preconceito é uma doença, a informação é a cura!!!

  14. Gil diz

    Recebi deste meu amigo, positivo há mais de 20 anos uma postagem no Facebook. Na revista Exame, versão on line: descoberta mutação que impede a entrada do HIV nas células. Estou no celular, parado no trânsito, não abri outra pagina, mas verifiquem no site ou no google, pra achar, sou meio burrinho pra compartilhar, dirigir e pensar no que dizer na aula, eheheh. Abraço a (quase) todos e bom final de semana!!

  15. Gledson diz

    Ainda sobre o comentário de Jonas, que rendeu bastante.. houve um falecimento recentemente de uma portadora do vírus que JS colocou aqui no blog. Todos na época ficaram assustados e queriam saber o real motivo do falecimento dela. Com o não tenho acompanhando muito o blog, não sei se foi informado isso aqui. Alguém sabe se foi por conta do HIV realmente?

    Agora uma dúvida que gostaria de tirar com vocês.. as vezes sinto gosto de sangue na boca (talvez por conta da gengiva, não sei) estou indetectável no momento, porém tem algum risco de transmissão se eu beijar alguém? Pode ser uma pergunta boba, mas fico meio receoso as vezes.

    Obrigado!

    • Caio PE diz

      A morte citada foi da Mara. Era uma ativista que lutava contra o preconceito que esse vírus causa e pela atenção a ser dada aos pacientes que tinham vírus resistentes em seu organismo. Poucos sabem, mas Mara estava na terceira (ou quarta) terapia de resgate. Ela tinha um vírus muito resistente (não sei o motivo disso). Em relação a sua pergunta se você está indetectável a mais de 6 meses acredito que não tenha problema. Mas o ideal é perguntar isso a um infecto.

  16. inocencia sofia maia cachivevela diz

    quero fazer parte do blog o faço para me cadastrar?

  17. Karlos diz

    Olá pessoal. Sou positivo há 1 ano e faço o tratamento desde o diagnostico com o 3×1. Tive poucos efeitos colaterais, praticamente só aquelas “alucinações” no início da terapia por causa do efavirenz. De lá para cá, tudo muito tranquilo e sem drama. Não tive problemas em aceitar o diagnóstico por conta de já ter amigo positivo e saber como são as coisas. Minhas preocupações sempre foram com os efeitos colaterais da medicação. Meus exames laboratoriais são sempre muito bons. Nada de colesterol, glicemia, distúrbio dos rins ou fígado nem de hormônios. Carga viral indetectavel e cd4 sempre acima de 500.
    Apesar disso, surgiu um achado clínico nas minha mama direita. Fiz exames e deu ginecomastia. Apareceu cerca de 10 meses após início da terapia com o 3×1. Percebi também que tenho algumas reações (passageira) na pele quando tomo banho de mar ou rio (água gelada). Isso nunca me ocorreu antes de iniciar a terapia.
    Pesquisei muito sobre ginecomastia relacionado ao hiv e aos tratamentos e achei vários estudos nos EUA, Europa e África do Sul relacionando a ginecomastia ao EFAVIRENZ.
    Gostaria de saber de vcs que fazem o uso do efavirenz se alguém também desenvolveu a ginecomastia e se possível dizer qual foi a medida tomada pelo seu médico. Estou pensando em mudar o tratamento por causa disso. Minha ginecomastia é bem pequena, mas eu percebo a diferença de tamanho entre as mamas e isso me incomoda muito.
    Aguardo comentários com as experiências de vcs! Quem preferir pode me mandar um email : kb842015@gmail.com

  18. Herico diz

    Por favor alguém de Fortaleza. Preciso de informações sobre locais da retirada de medicamentos que não seja o hospital São José. Qualquer coisa Chama no kik: Herico_Antunes
    Ou email: hericoantunes@hotmail.com

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