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Os próximos “pacientes de Berlim”


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O “Paciente de Berlim”, Timothy Ray Brown, já está há sete anos fora da terapia antirretroviral e sem nenhum sinal do HIV em seu corpo. Com o passar do tempo, sua posição de “pessoa curada do HIV” torna-se mais firme.

Médicos e pesquisadores estão documentando pacientes com HIV que receberam transplantes de células-tronco.

No simpósio A Caminho da Cura, realizado antes da conferência Aids 2016, no entanto, ouviu-se falar do trabalho de um consórcio de médicos e pesquisadores que estão procurando e documentando o destino de pacientes com HIV que, assim como Timothy Brown, receberam transplantes de células-tronco, em um esforço para tirar de Brown o título de única pessoa curada do HIV.

Houve decepções ao longo do caminho: em 2013, parecia que poderíamos ter mais dois receptores de transplante de células-tronco que estavam controlando o HIV sem tratamento, mas houve decepção em 2014, quando foi revelado que, em ambos os casos, a carga viral deles havia voltado.

O transplante de células-tronco nunca será uma opção de cura para a maioria das pessoas com HIV.

É quase certo que o transplante de células-tronco nunca será uma opção de cura para a maioria das pessoas com HIV. Em si, este é um procedimento de alto risco, uma vez que envolve eliminar totalmente ou parcialmente o sistema imunológico do paciente, através de radioterapia e quimioterapia. É apenas uma última opção em pacientes com câncer do sistema imune, como linfoma e leucemia. Brown quase morreu neste procedimento.

Com a ablação das células do sistema imunológico do paciente, as células estaminais doadas que as substituem são as progenitoras de todas as novas células do sistema imunológico. Estas células doadas podem vir a partir de células de medula óssea de doadores adultos ou a partir de células-tronco encontradas no sangue retirado do cordão umbilical de recém-nascidos, que as têm em abundância. A vantagem das células de sangue do cordão umbilical é que elas não têm de ser adaptadas geneticamente aos seus receptores, enquanto as células dos adultos devem ser adaptadas para evitar a rejeição.

Em alguns casos, incluindo o de Brown, as células do doador precisam vir dos 1% a 1,5% de pessoas do norte da Europa (e menos de 0,2% em outros lugares), as quais têm uma mutação chamada CCR5 delta 32, homozigoto, que confere resistência à infecção pelo HIV. Essas pessoas não têm o receptor CCR5 em suas células T, a qual a grande maioria dos vírus HIV usam para agarrar-se e infectar a célula. Algumas pessoas também podem ter a mutação em sua forma heterozigota, que não confere imunidade ao HIV, mas leva a uma taxa mais lenta de progressão da doença em pessoas com HIV não tratadas com antirretrovirais.

Não é certo que se esta é uma condição necessária para uma cura do HIV: outra teoria é que pode ser necessário um fenômeno chamado de doença do enxerto contra hospedeiro, na qual as células do enxerto destróem as células do hospedeiro, normalmente uma complicação indesejada dos transplantes.

Timothy_1

O consórcio EPISTEM reúne um grupo de pesquisadores europeus sediados em sete clínicas em cinco países. Annemaire Wensing, da Universidade de Utrecht, na Holanda, disse que o EPISTEM foi criado com quatro objectivos principais.

Em primeiro lugar, para orientar os médicos sobre os procedimentos clínicos para se aplicar nos receptores soropositivos de medula óssea, compartilhar os ensaios hipersensíveis utilizados na pesquisa da cura e explorar as questões éticas envolvidas em procedimentos que poderiam curar o HIV — porém, em situações muito arriscadas, executadas em pacientes muito doentes –, além de procurar os doadores e selecioná-los pela mutação CCR5 delta 32. Cerca de 30.000 unidades de sangue de cordão umbilical de vários bancos de sangue europeus e mais de 1.000.000 doadores adultos foram genotipados para o CCR5, afim de gerar um registro doadores disponíveis.

Outro objetivo é estudar pacientes que receberam ou estão a sendo considerados para o transplante de células-tronco, e então avaliar suas respostas virais. O EPISTEM identificou 24 pacientes até agora, 15 dos quais receberam transplantes. Eles são do Canadá, Reino Unido, Espanha, Holanda, Bélgica, Alemanha e Itália, com outros possíveis pacientes identificados no Brasil, Sérvia e Suécia.

Apenas 6 destes 15 pacientes continuam vivos.

Para sublinhar quão doentes esses pacientes estão e a gravidade da decisão de fazer um transplante: apenas 6 destes 15 pacientes continuam vivos. Oito morreram no prazo de quatro meses após a recepção do transplante e outro 2,5 anos depois. Os pacientes morreram diretamente em decorrência do câncer ou por descontrole das infecções oportunistas provocadas pela supressão imune pré e pós-transplante. Dos seis que não estão mortos, um está vivo há 5 meses, um há 14 meses, três há cerca de 3 anos e uma há 5 anos após o transplante. Todos eles mostram sinais muito baixos de DNA de HIV em suas células, assim como a maioria dos pacientes que não sobreviveram.

Pacientes soropositivos típicos vêem um declínio no DNA do HIV nos seus linfócitos do sangue (a classe de células que inclui as células T) assim que iniciam a terapia antirretroviral, de uma média de 900 a cerca de 400 cópias por milhão de células durante os primeiros anos, mas isso em breve nivela e deixa de declinar.

Em cada indivíduo há grande variabilidade natural na quantidade de DNA de HIV “semeado” nas células. Nos 15 pacientes do EPISTEM, a quantidade de RNA no primeiro dia variou de 2 a 2.000 cópias por milhão de células. No entanto, três meses após o transplante (a maioria ainda estava viva nesta altura), quase todos não tinha DNA de HIV mensurável em suas células (ou seja, menos do que uma cópia por milhão de células). Depois de 200 dias, houve apenas uma leitura detectável de DNA em um paciente. Apenas dois destes seis pacientes tiveram transplantes de células com a mutação CCR5 delta 32, enquanto os outros quatro eram “tipo selvagem”.

O Dr. Wensing reexaminou em detalhe cada um dos três pacientes sobreviventes há mais tempo, dois que sobreviveram há mais de três anos após o transplante e um há mais de cinco anos. Um deles recebeu células-tronco do sangue de cordão umbilical e dois de células da medula óssea de um doador compatível. Somente um deles recebeu células com a mutação CCR5 delta 32, enquanto os outros dois receberam do tipo selvagem. Os dois receptores de células de doador compatível, um deles com a mutação e um com células do tipo selvagem, têm DNA de HIV indetectável em todas as amostras.

Nenhum deles foi retirado da terapia antirretroviral.

No entanto, até agora, nenhum deles foi retirado da terapia antirretroviral. Assim como em outro estudo apresentado no simpósio da cura, sobre mulheres tratadas na infecção aguda, a retirada dos medicamentos será o momento crucial em que descobriremos se os pacientes podem controlar o HIV sem antirretrovirais ou mesmo se eles ainda têm HIV.

Evidentemente, nós esperamos outro Timothy Ray Brown. Seria ainda mais emocionante se o destinatário do tipo selvagem ficasse indetectável após a interrupção do tratamento. Contudo, os pesquisadores ainda não têm critérios definidos para determinar quando interromper o tratamento antirretroviral.

Por Gus Cairns em 1 de agosto de 2016 para o Aidsmap

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72 comentários

  1. Will diz

    Excelente artigo! Pela primeira vez consegui entender de forma mais clara sobre o “Paciente de Berlim”, bem como alguns estudos e testes que estão em andamento para uma possível cura em maior escala.
    De qualquer forma, prefiro ter uma vida (quase) normal tomando meus medicamentos pelo resto da vida do que ter um câncer e, apenas talvez, ser curado do HIV rs!

  2. Dário diz

    Fico feliz com essas notícias, apesar de ter descoberto há apenas duas semanas a minha situação, tou muito tranquilo, minha reação foi de choque apenas no momento do resultado do exame, e fiquei feliz de não ter transmitido pra meu parceiro, com o qual estou há um ano e sete meses e que por várias vezes transamos sem preservativos. Ainda não entendo o pq de eu não ter transmitido pra ele, mas agradeço muitota Deus por isso. Minha família toda está me apoiando, acho que foi isso que não me fez surtar. Agradeço tbm a todos vcs, pois suas pastagens me faz querer lutar cada vez mais. Sou de Recife, Pernambuco, tenho 24 anos.

  3. Rodrigo diz

    Algumas observações que obtive do meu infecto na última consulta, feita hoje de manhã:
    1) Como meus exames estão ótimos há quase 5 anos, inclusive sem nenhum efeito colateral, passarei a fazer CD4 uma vez ao ano. Segundo ele, o mais importante agora é monitorar a CV e, enquanto ela estiver indetectável, o CD4 é um fator menos importante.
    2) O dolutegravir poderá ser incorporado como primeira linha de tratamento no início do ano que vem. No momento, a discussão gira em torno de valor (o governo negocia com o fabricante) e se ele será oferecido a todos ou apenas aos “virgens” de tratamento. O dolutegravir substituirá o Efavirenz e, assim, quem toma a minha combinação (EFA+AZT+Lamivudina) terá de trocá-la.
    3) Além das vantagens de ser menos tóxico, o dolutegravir, segundo o meu infecto, simplificaria minha combinação, que passaria a ter dois comprimidos diário e não três, como hoje.
    Vou parando aqui pro post não ficar muito longo. Amanhã eu comento o que ele disse sobre a conferência já citada em posts anteriores do JS.

    • Will diz

      Interessante, Rodrigo!
      Mas acho que pra quem toma o “3 em 1” como eu, a medicação deve continuar a mesma né?!
      Digo isso pq pra mim seria ótimo um substituto melhor pro Efavirenz… depois de quase 7 meses que comecei o tratamento, ainda tenho um pouco de efeitos colaterais por causa dele (fadiga, cansaço, falta de disposição, pesadelos).
      Vou pesquisar mais sobre esse dolutegravir e comentar com minha infecto sobre ele, isso se eu não esquecer (próxima consulta é só em Outubro hehe)

    • Fabio diz

      Será mesmo que vai integrar a primeira linha de tratamento? Porque o que tinha sido anunciado a princípio foi que integraria a terceira linha. Ainda mais com manifestando que o dolutegravir costuma ser eficiente contra vírus que apresenta mutação e resistência.

      • Rodrigo diz

        Fabio, pelo que ele me explicou, o dolutegravir já é usado como primeira linha em outros países. No Brasil, está em discussão. Pelas conversas que ele tem com outros especialistas, está esperançoso de que o mesmo ocorra por aqui. Pra nós, o jeito é esperar.

    • Will diz

      Rodrigo, fiz uma pesquisa mais extensa sobre o dolutegravir (DTG) e creio que há algumas incorreções a respeito do que vc comentou:

      1 – No Brasil, o DTG será/está sendo incorporado pelo SUS apenas como terceira linha de tratamento e apenas como substituto do Raltegravir (RAL) e não do Efavirenz (EFV). O próprio (e único) fabricante do DTG, a indústria farmacêutica GSK, que vende o medicamento com o nome comercial de “Tivicay”, negociou no ano passado a aquisição dele pelo SUS somente como substituto do RAL (e, mesmo assim, conseguiu a aprovação com muito custo somente após consulta pública).
      2 – A discussão sobre o valor de aquisição do DTG pelo SUS já foi concluída: o DTG custará R$ 840,00 por tratamento mensal, o que é mais barato do que o custo atual por tratamento mensal do RAL, que é de R$ 920,16. No entanto, pelo que eu entendi, por enquanto não tem nem como comparar o preço do DTG com o EFV, pq o EFV já é bem antigo, já teve sua patente expirada (ou seja, já há diversos genéricos do EFV no mercado, com preço muito mais acessível, e são esses que o SUS normalmente adquire, inclusive as combinações “3×1” importadas da Índia que a maioria aqui toma).
      3 – O DTG realmente parece ser menos tóxico que o EFV (isso a curto-médio prazo; a longo prazo ainda não dá pa saber pq o DTG é muito recente). Apesar disso, a própria bula do Tivicay cita como efeitos colaterais “muito comuns”: diarreia, náusea e dor de cabeça.

      Fontes:
      http://agenciaaids.com.br/home/noticias/noticia_detalhe/23763
      https://consultaremedios.com.br/tivicay/p
      http://www.aids.gov.br/noticia/2015/antirretroviral-dolutegravir-e-incorporado-ao-sus

    • Will diz

      Rodrigo e Fabio, tinha escrito outro comentário mas acho que ficou mto grande e acabou não sendo postado rs
      Acho improvável o dolutegravir (DTG) ser incorporado como primeira linha pelo SUS a curto prazo, pelo que andei pesquisando. Basicamente pq o EFV, por ser mais antigo e ter sua patente quebrada, já existem diversos genéricos dele a preços bem mais acessíveis. A GSK é ainda a única que produz o DTG e detém sua patente. O preço dele sem imposto nenhum é de R$ 820 por tratamento mensal, ou seja, só compensa se comparado ao Raltegravir (RAL), que é usado só como terceira linha.

  4. Thomas diz

    Acho que não procede esta informação.
    Primeiro que o uso de somente duas drogas ainda não esta completamente testado.
    Segundo que, ouvi dizer do meu infecto…

    • D_Pr diz

      Thomas, são três drogas e dois comprimidos (dolutegravir + 2 em 1 (tenofovir e lamivudina), segundo o relato acima e não duas drogas. Se ocorrer, ótimo. Mas vou esperar acontecer.

      • Rodrigo diz

        D_Pr, é exatamente isso. São três medicamentos. Bom, eu confio no meu infecto, ele trabalhado com isso desde o primeiro caso registrado em meu Estado e sempre me deu dicas que se comprovaram (por exemplo, falou do 3×1 muito antes dele ser colocado em prática). Mas, como ele mesmo disse, o assunto ainda está em discussão – e, em se tratando do Brasil, tudo pode acontecer, inclusive nada.

  5. Dário diz

    Quarta feira começo meu tratamento, e agora a tarde tive uma notícia de que um amigo meu que morreu em fevereiro, morreu de uma tuberculose causada pela ação do HIV no organismo dele. Bateu uma tristeza, um aperto no coração, um medo tão grande. Eu tava até tranquilo, mas tou com medo, muito medo depois dessa notícia.

  6. Dário diz

    Pelo que eu fiquei sabendo, não, pois descobriu quando já tava com a doença, e muito avançada, mas mesmo assim bateu o medo 😦

    • Ricardo - Gru diz

      Dário, mas em qual planeta este seu amigo vivia ? Caramba meu, é muito relaxo pessoal, porque o vírus meio que “comunica” com a pessoa dizendo: “Olha estou aqui !”, pelo menos comigo foi assim, tive uma diarréia interminável e falta de apetite descomunal que me fez perder 6kg em 2 meses, impossível que com ele não tenha ocorrido nada e e do nada “paaá” uma tuberculose fatal. Fiquei pensando se ele, com ele mesmo, não se cuidou, não querendo fazer mas já fazendo um pré-julgamento, imagina as possibilidades dele ter sido um agente transmissor em potencial…Por isto que na dúvida a melhor saída é encarar de frente, fazer o exame e se positivo, iniciar o tratamento de imediato. Forte abraço.

  7. Leo diz

    É mais fácil cair um raio na sua cabeça, do que contrair tuberculose estando em tratamento com arvs (indetectável e cd4 estável).

    • Luiz Carlos diz

      (E olha que o Brasil é o país com maior incidência de descargas elétricas no mundo)

  8. Juka diz

    Gentemmm, tomo o 3×1 há 11 meses.comecei o tratamento 10 meses após ser contaminado. Eu acho q tenho dificuldade em ganhar peso.nao perco peso mas tbem não ganho.pretendo ganhar peso mas de massa e não gordura. Tenho uma alimentação regrada e nao saio do mesmo peso há um ano.

    • Alex diz

      Tbm tomo o 3×1 e só comecei a ganhar algum peso relevante após 1 ano de tomar os remédios, não sei se coincidência, mas pelo menos foi o período q senti ausência ou diminuição de diarréia, q contribuía pra demora em ganhar peso.

  9. Lucas diz

    Juka, como vc sabe qdo foi infectado? Acho meio impossível saber nao? Ou estou errado gente?

    • Ricardo - Gru diz

      Lucas, se tomar por exemplo meu caso, está errado sim: eu sei exatamente o dia, a hora, o local e a pessoa que me transmitiu o malfadado virus.

      • Rafael diz

        Oi Ricardo,
        Também sou de Guarulhos. Despois desta exposição de risco, voce fez testagens e quanto tempo veio o resultado positivo?

        Desejo força e saúde sempre para todos aqui.

        Abraço

        • Ricardo - Gru diz

          Rafael, eu entrei em contato com o vírus em Fev/2014 quando fui numa sauna e infelizmente me relacionei com um rapaz, aqueles denominados “carimbadores”. Por ser fora do meio, confesso que fui meio vacilão neste aspecto. Em Abril comecei com uma diarréia cumulada com falta de apetite, pensei que poderia ser algo da minha cabeça, final de Maio/14 fui fazer o exame e em Junho tive a confirmação. Foi tudo muito rápido, iniciei minha terapia em Agosto do mesmo ano (após 6 meses) ; CV passando de 1milhão por ml3 e CD4 bem baixo (262 pra ser exato). Por pouco eu passaria para o quadro de Aidético. Assim que comecei com a TARV em dois meses estava indetectável e hoje graças a Deus e a medicina, meu CD4 está acima de 700 !!!! Se tiver a fim de trocar bater um papo manda um salve lá no meu e-mail : rick_vade@hotmail.com. Abração.

          • Fabio diz

            Mas em apenas 6 meses você chegou perto de desenvolver AIDS? Foi algo completamente atípico. Porque o que se diz é que demora em média 10 anos.

            • Ricardo - Gru diz

              Pois é Fabio, pode ser que eu tenha descoberto na fase aguda da doença, mas a minha infecto na epoca ficou abismada por ver meu CD4 tão baixo, talvez fatores externos, como alimentaçao irregular, estresse, problemas pessoais e financeiros, possam ter colaborado para esta apresentação de uma quadro tão preocupante. Hj mudei tudo, inclusive meu modo de ver a vida… como diz a biblia, cada dia ja tem seu mal, eu nao levo nada de mal pra amanhã, a cada manhã só me recarrego de coisas boas.

      • Rafael diz

        Eu sei que cada caso é um caso , mas se puder me responder agradeço!

    • Juka diz

      Pois eu sei precisar até o dia.eu sempre fui neurótico e tinha pânico dessa doença. Só transação de camisinha e eu doava sangue de três em três meses. Um dia um maldito carimbador me carimbou( ele tirou a camisinha já qse na hora de gozar….) Fiquei louco, sabia do coquetel pós exposição, fui até a um posto e não tive coragem de entrar e procurar o coquetel que talvez me salvaria.fiquei com vergonha e quis apostar na sorte….então em uma semana e meia veio os sintomas da fase aguda e eu fiquei apavorado….como um mês antes eu doei sangue e deu ok e logo após esse incidente eu fui doar sangue e então veio a notícia fatídica…..sei o dia e o miserável ainda eu irei encontrar ele por este mundo….

  10. Dei diz

    Pois é juka … Tbm percebi essa dificuldade em questão de massa magra.
    Dieta- OK
    Treinos- OK

    Mas continuo… Me cuidando sempre….
    Desde meu primeiro dia diagnosticado não tenho falho um dia nos meus treinos… Foco força e fé SEMPRE.

  11. Fersp diz

    Amigos bom dia, do inicio do tratamento até agora, ganhei mais de 8 quilos, dieta e treino, e olha que minha alimentação é boa, e não é das melhores. Além de academia, corro sem exagero.

    Abraços e força a todos

  12. Dei diz

    Sim FerSp. Cada caso é um caso… Nem estou falado sobre o tratamento se é responsável ou não apenas me indentifiquei com oque Juka mencionou em seu comentário…
    Abrass.

  13. Dei diz

    Sim FerSp. Cada caso é um caso… Nem estou falado sobre o tratamento se é responsável ou não apenas me indentifiquei com oque Juka mencionou em seu comentário…
    Abrass….

    • Fersp diz

      Sim caso concreto, existe variações. Apenas disse para ter paciência e manter o foco que ganhará peso (massa magra) normalmente. Para não se preocupar, cuidar da mente ajuda bastante, o psicológico ajuda muito também, principalmente nós que passamos por momentos de pressão e depressão e auto-questionamentos .

      Abraços

  14. Dário diz

    Oi Ricardo-GRU, pelo que fiquei sabendo ele tava nos EUA, aí lá ele teve diagnóstico da tuberculose que já tava muito agravada. Aí chegou aqui e já tava bastante mal, aí os médicos fizeram exames e constatou que ele já estava com aids. Se ele sabia eu não sei, possa ser que ele queria esconder, ou realmente não sabia, pois sendo assim, ele teria iniciado o tratamento. Morreu aos 24 anos, muito novo, e o pior, eu tbm estou com 24 anos, mas vou me cuidar e espero viver bem, terminar minha faculdade e exercer meu papel de engenheiro, pelo menos é isso que eu quero.

  15. Rodrigo diz

    Bom, voltando às informações do meu infecto, dessa vez em relação à Conferência de Durban (África). Pra quem acompanha o blog, ele apenas confirmou o que se fala aqui há algum tempo:
    1) A Conferência foi histórica pois foi exatamente na África que, há dez anos, uma outra conferência lançou novamente esperanças de cura.
    2) Muitos dados reforçaram a tese de que o tratamento precoce é uma arma poderosa para prevenção de novas infecções. O avanço do tratamento na África e a consequente diminuição de novos casos naquele continente reforçaram todos os estudos que já indicavam isso.
    3) Testes com vacinas terapêuticas mostraram que esse é um caminho viável para tratamentos espaçados, como aplicações de 2 em 2 meses.
    4) Pesquisas mostraram que doses 50% menores de Efavirenz podem ser tão eficazes como a dosagem atual. Assim, diminuindo os efeitos colaterais.
    5) Outras pesquisas também indicaram a possibilidade de que algumas das atuais combinações teriam a mesma eficácia se tomadas apenas 3 vezes por semana e não diariamente. Ou seja: menos medicamentos, menos efeitos colaterais. Faltam mais estudos para comprovar essa tese. O obstáculo, aqui, é que as mesmas pesquisas indicam que essas pausas favorecem o esquecimento e a adesão, sendo um risco para quem não é disciplinado.
    Em resumo, se a conferência não trouxe esperança para a cura em curto prazo, pelo menos sinalizou que novas abordagens terapêuticas podem melhorar muito a qualidade de vida dos soropositivos.

    • Will diz

      Poxa, bacana Rodrigo!!
      Doses menores de Efavirenz viriam muito a calhar, pq tomar 600 mg de EFV todo dia é de lascar… ontem mesmo fiquei umas 2 horas “dopado” por causa dessa m**** de EFV hehe

      O que me deixou preocupado na pesquisa que fiz ontem é que menos da metade (44%) das pessoas com HIV no Brasil estão em TARV. Nesse cenário é difícil imaginar uma diminuição de novos casos de pessoas infectadas por aqui…

  16. Leonardo diz

    Oi pessoal. Venho notando a presença as vzs nos meu braços de manchas roxas, que aparecem e somem do nada. Não doem, e eu não bati nenhum dos braços e tal. Alguém já passou por isso? 😔

  17. Cesar diz

    Pessoal boa noite.
    Me tirem uma dúvida por favor. Controladores de elite são pessoas que mantém o vírus do HIV indetectável correto?
    Nesse caso uma pessoa que é controlador de elite, não vai geram anticorpos e os exames não vai conseguir detectam que a pessoa é soropositivo?
    Obrigado

    • Amigo Sp diz

      Oi Cesar!!
      Controladores de elite são positivos para o HIV nos testes porém têm carga viral indetectável ou quase que indetectável. Mas sempre será acusado como HIV+ nos testes.
      Isso se dá pelo fato de que as análises clínicas têm uma limitação na faixa de detecção do HIV, por exemplo : um controlador de elite pode ter em seu sangue 10 cópias de HIV/ml, nesse caso o laboratório não consegue quantificar essa carga viral por ser extremamente pequena. Controladores de elite são pessoas que controlam o vírus espontaneamente por mais de 3 anos consecutivos.
      Lembrando que um controlador de elite pode ter a indicação de ARVS ou não. Se um controlador de elite por exemplo tem carga viral indetectável mas tem seus índices que marcam a inflamação (como a Proteína Relativa C) aumentada, esse paciente tem indicação para início dos ARVS

      • Cesar diz

        Obrigado amigo SP.
        Na minha cabeça eu tinha essa grande dúvida.
        Que os controladores de elitem conseguem manter a carga viral do HIV baixo, então o corpo não iria produzir anticorpos e os exames q procuram pelos anticorpos iam negativar e o mesmo ia acontecer com os exames que procuram o vírus HIV, ou seja, a pessoa ia estar infectada e os exames trariam o resultado como negativo.
        Mas pelo que entendi na sua explicação, isso não vai acontecer, mesmo a pessoa sendo controladora de elite e fazendo os exames, eles sempre vão dar HIV+.
        Obrigado.

        • Cesar diz

          Amigo SP. 2°postagem.
          Foi muito boa sua explicação, muito obrigado, entendi de forma clara.
          Você separou a explicação em duas partes.
          1° os exames sempre vão dar positivos para controladores de elite, mesmo que tenham carga viral pequena os exames para saber se a pessoa é HIV vai positivar.
          2° controladores de elite são pessoas que mantém a carga viral baixa (esses exames de carga viral são para pessoas que já tem o resultado como positivo para saber a quantidade do vírus presente do sangue e nos controladores os laboratórios podem não conseguir quantificar essa carga viral.
          Obrigado pelo esclarecimento.

  18. Eu de novo. Eu não vou além deste ponto: O procedimento de transplante de medula é um ato desesperado quando n~~ao se há mais nada a ser feito em pacientes com leucemia e, de cada cinco procedimento, um sobrevive mais que cinco anos.
    Eu gostaria de saber se eu vos convidasse a irem a um “parque de diversoes’ onde sua chance de sair de lá com vida seriam de 20% se vocês iriam… Além disso, embora minha médica na Casa da AIDS tivesse me dito que poderia haver “cultivo” de medula, nem sempre seria possível encontrar compatíveis sempre, o que já se revela um procedimento relativamente eugenista, haja visto que esta mutação existe apenas em um por cento da populaçãoeufemicamente chamada de “caucasiana”. Ou seja: Brancos. Enquanto isso a AIDS grassa como fogo sob a tundra na Ásia, na África e no Oriente Médio. Sinceramente, eu não sei como se pode dormir tranquilo com um quadro destes, que poe em xeque a solução de continuidade da espécie humana no planeta.

    • Dário diz

      Alguém de Recife-PE que está na mesma situação que eu a mais tempo para que eu possa conversar e tirar dúvidas sobre o tratamento?

  19. pedroks399 diz

    César. Pelo pouco que eu entendo é que se são controladores de elite é porque o próprio sistema não deixa o vírus se espalhar. Ou seja por meios de anti-corpos. O exame não detecta o vírus e sim o anti-corpo do vírus. Posso estar enganado. Mas pela lógica é isso. Abraço espero ter ajudado.

  20. Amigo Sp diz

    Oi Cesar!!
    Controladores de elite são positivos para o HIV nos testes porém têm carga viral indetectável ou quase que indetectável. Mas sempre será acusado como HIV+ nos testes.
    Isso se dá pelo fato de que as análises clínicas têm uma limitação na faixa de detecção do HIV, por exemplo : um controlador de elite pode ter em seu sangue 10 cópias de HIV/ml, nesse caso o laboratório não consegue quantificar essa carga viral por ser extremamente pequena. Controladores de elite são pessoas que controlam o vírus espontaneamente por mais de 3 anos consecutivos.
    Lembrando que um controlador de elite pode ter a indicação de ARVS ou não. Se um controlador de elite por exemplo tem carga viral indetectável mas tem seus índices que marcam a inflamação (como a Proteína Relativa C) aumentada, esse paciente tem indicação para início dos ARVS.

    • Controlado diz

      Minha médica diz que eu sou um controlador, pq eu testei positivo em 2011 e até hj não tive carga viral suficiente para ser detectada. Meu cd4 oscilou algumas vezes durante esses anos, o mais baixo foi de 900 e o último que fiz estava em 1400. Ela me pediu para refazer o Elisa e western blot na próxima vez pq ela quer ter certeza que eu sou positivo. Na real nem sei o que pensar. Mas pelo que vc disse ele vai testar positivo independente da carga viral e do cd4

  21. Xavier diz

    Sobre o truvada, vocês acreditam que o SUS, também irá distribuir para casais sorodiscordantes?

  22. Cari diz

    Tenho uma pessoa que esta residindo na Alemanha e descobriu lá ser soropositiva, existe acesso ao tratamento gratuito na Alemanha ? O governo federal Brasileiro ajuda aos brasileiros residentes no exterior?

  23. Caio diz

    Dário,

    Sou do Recife mas ainda não sei minha condição sorológica. Estou fazendo uso da PEP, porém com uns sintomas estranhos. Iniciei 24h. Não sei se ela vai surtir efeito.

  24. Caio diz

    Dário,

    Sou do Recife mas ainda não sei minha condição sorológica. Estou fazendo uso da PEP, porém com uns sintomas estranhos. Iniciei 24h depois a PEP. Não sei se ela vai surtir efeito.

  25. Caio PE diz

    Controladores de elite são pessoas cuja CV é indetectável por muito tempo. Isso ocorre devido à alterações na superfície de seus CD4 que não possuem receptores CCR5 de maneira regular. Traduzindo, é como a superfície dos seus CD4 não possuem fechaduras adequadas às chaves (epítopos gp72 que o hiv usa para entrar na célula). Mas mesmo assim a sorologia para eles é positiva pois uma vez tendo contato com o vírus no sangue, o organismo produz anticorpos específicos, embora sua CV seja indetectável (o que significa que podem ter vírus circulantes) mas em quantidade muito pesquena. Os testes de CV atuais só detectam cópias de RNA acima de 20 ou 40 unidades por mm3 de sangue (depende do fabricante da máquina).

  26. Rafael diz

    Amigos me tirem uma dúvida, quanto tempo depois de tomar a Tarv eu posso comer? Geralmente, eu faço minha refeição às 21h., depois eu tomo meu remédio as 23h, na maioria das
    vezes, durmo nesse horário e já estou com fome

  27. Dário diz

    Eu ia começar o tratamento na quarta feira, mas pelo que minha infecto falou, sou um controlador de elite, meu primeiro exame deu carga indetectável, aí em outubro vou fazer outro pra confirmar se tá tudo ok. Fiquei feliz por isso.

  28. Dário diz

    O nome dela é Yvana, faço tratamento na policlínica Lessa de Andrade no bairro da Madalena.

    • Caio PE diz

      Dário

      Estou acompanhado por uma particular, do plano mesmo. Mas tenho um amigo que está na Lessa de Andrade e ele acha muito bom lá.

  29. Dário diz

    É bom mesmo, eu ia ficar pelo plano de saúde tbm, mas como fui bem atendido lá na Lessa de Andrade, aí vou eliminar os atendimentos pelo plano pra esse fim.

  30. RecentWave diz

    Olá pessoal. Uma dúvida que tenho a respeito da troca de um esquema de medicação. Em casos onde você tem excelentes respostas nos exames clínicos mas os efeitos colaterais não te trazem uma boa qualidade de vida, nestes casos é possível a troca de esquema?
    Pergunto isso porque estou há quase 1 ano fazendo uso do 3×1 e tenho muitos problemas. Dores de barriga são comuns, acredito que estou desenvolvendo algum tipo de bruxismo, meu sono é péssimo e estou quase sempre cansado. Sem falar nos delírios e sonhos noturno que ao meu ver são a pior coisa possível. Sempre acordo cansado e com um dos olhos muito vermelho, meio trémulo. Tenho boa alimentação, malho, mas grande dificuldade de ganhar peso. Acredito que boa parte seja pela minha genética e neste ponto nem estou muito encanado. Tenho uma consulta após 6 meses da última agora no início de Setembro e não gostaria de trocar o esquema por agora, mas gostaria de me informar a respeito, pois caso seja incorporado um esquema melhor no próximo ano, se eu poderia vir a ter acesso a ele nestas condições.

    • Caio Pe diz

      A pessoa mais indicada para responder essa questão seria um médico infectologista. Mas eu suponho que o EFV é que esteja causando isso. Existem várias opções ao EFV. Talvez o ATZ+RIT seja o mais indicado ao seu caso.

  31. Ricardo diz

    Estou tomando o 3×1 a 7 meses, tempo que faz que descobri que estou com o virus do Hiv .As vezes penso em desistir. Espero que essa vontade passe

    • Caio PE diz

      Continue tomando. Jamais desista.
      E procure ter uma vida saudável: exercícios físicos, alimentação equilibrada, lazer. Se sentir necessidade seria bom buscar uma ajuda psicológica também. Ninguém quer ter esse vírus instalado, mas é bom dar graças a Deus e a medicina atual que existem medicamentos que controlam a doença. Na época do Cazuza ele não teve a mesma sorte.

    • D_Pr diz

      Ricardo, observe as coisas, se não é a própria medicação que está estimulando esses pensamentos depressivos (comuns em quem utiliza o efavirenz), caso necessário, troque a medicação e como bem disse o rapaz acima, jamais desista. Existem outras boas combinações.

  32. Caio PE diz

    Conforme mensionado acima, o EFV é capaz de causar efeitos depressivos em algumas pessoas. Sugiro conversar com seu infecto e ver a possibilidade de substitui-lo. Talvez pelo ATZ/r ou pela NVP. Mas apenas seu infecto vai saber qual o melhor.

  33. Luana diz

    Oi crianças, voces parecem muito assustados com os ARVs, eu tomo ARVs durante 20 anos, quando tive pneumocitose e meu CD4 estava com 17 cels\ mm3 de sangue. Já tomei a terapia antiga que era terrível, os ARVs atuais são bem mais leves do que as bombas de antigamente. Estou na terceira terapia ainda, só fiquei resistente ao Efavirenz, e ainda tenho varias opções de tratamento; portanto parem de se preocupar tanto com os ARVs, eu cheguei com CD4 704 e vivi com CV indetectável durante 19 anos. Tambem faço a autovacina ou hemoterapia, que é muito usada em animais com imunodeficiência (cães, gatos, bovinos, ovinos, etc) na medicina veterinaria e como tratamento em pessoas imunossuprimidas soronegativas e contra alergias. É uma tecnica muito simples,cada um pode fazer em si mesmo, onde é coletado o seu sangue em laboratório, feito o seu plasma e depois o plasma é injetado via subcutânea ou intramuscular em voce mesmo, repete o procedimento de 2 em 2 meses, assim voce avisa o seu sistema imunológico o que esta ocorrendo no seu organismo e ativa todo o seu sistema imune B, para multiplicar e combater todos os microorganismos presente no seu organismo, inclusive o HIV. Com isso eu decidi parar de tomar os ARVs (dei um descanso para o meu organismo deles) por 6 anos, não tomo desde 2010. Depois de 6 anos sem tomar os ARVs, retomei o tratamento novamente, pois meus CD4 em 6 anos, caiu para 300 cels\mm3 de sangue e a CV aumentou somente para 1500 copias\ mm3 de sangue. Em apenas 2 semanas que retornei ao tratamento com os ARVs a CV ficou indetectável novamente e meu CD4 já começou a subir. Já foi provado cientificamente, que com o uso dos ARVs e com o passar dos anos o virus HIV vai enfraquecendo e ficando mais fácil de ser combatido, o que teoricamente fará que ele passe a ser inofensivo ou seja inativado para os portadores (e como virus inativado é vacina), os portadores do virus HIV serão naturalmente resistentes à ele, isso chama-se seleção natural, ou seja, é uma forma de adaptação do ser humano ao virus HIV. O GRANDE SEGREDO É SE CUIDAR PARA NÃO PEGAR OUTRA CEPA DE VIRUS OU SEJA SE REINFECTAR NOVAMENTE.

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