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Carta de uma leitora: sobre um relacionamento sorodiscordante

“‘Você está louca?’ Esta foi a primeira frase que ouvi de algumas pessoas próximas quando contei que estava interessada por um soropositivo.

Eu acabara de terminar um longo relacionamento e não tinha mais nenhuma prática em conhecer pessoas novas. Então, me cadastrei em um aplicativo de relacionamentos. Foi quando começamos a conversar. O que eu posso dizer? Éramos tão diferentes, mas tudo fluía de uma forma tão natural que logo a sua presença passou a fazer parte importante do meu dia. Ele era a primeira pessoa com quem falava assim que acordava e a última pessoa para quem eu mandava mensagem antes de dormir.

Depois de dois meses conversando e nos conhecendo através de mensagens, áudios e telefonemas, a ideia de nos encontrarmos pessoalmente começava a tomar forma. Foi neste momento que ele me contou sobre a sua sorologia. Comentou sobre como tinha descoberto e mais um monte de detalhes.

Cazuza

Não vou mentir e dizer que levei tudo numa boa e nem vou dizer que fiquei estarrecida e brava com o fato dele não ter me contado antes. Eu apenas ouvi a história dele e a aceitei. Em momento algum pensei em afastá-lo, mas também não sabia como proceder e não tinha nenhum conhecimento específico sobre o HIV. Só conseguia lembrar de uma capa da Revista Veja, onde aparecia o Cazuza já debilitado pela aids — e essa imagem de uma pessoa doente em nada tinha de semelhante com as fotos e vídeos que recebia do rapaz pelo qual estava interessada. Ele era igual a qualquer outra pessoa, com ou sem HIV.

 

‘Você tem que deixar isso de lado, procure outra pessoa, você é bonita, vai encontrar alguém saudável.’ Este foi um dos vários conselhos que recebi enquanto dividia os meus anseios com alguns de meus melhores amigos. E também foi o que mais me marcou. Afinal de contas, o que as pessoas queriam dizer com ‘ser saudável’? Em que sentido eu deveria procurar alguém ‘saudável’? As pessoas que possuem HIV positivo não podem ser ‘saudáveis’?

Em parte, me senti ofendida com a imputação do termo ‘saudável’ neste conselho e fiquei me questionando que, se por acaso eu me descobrisse soropositiva, automaticamente deixaria de ser  ‘saudável’. Foi bem esquisito saber que algumas pessoas pensavam desta maneira. Afinal, sob esse raciocínio, quer dizer que, caso eu fosse soropositiva, deveria me afastar do convívio com os soronegativos, simplesmente para poupá-los de minha condição? Me pareceu que, se fosse portadora do HIV, seria como se carregasse, em meu corpo, uma gigantesca bomba relógio, prestes à explodir e afetar todos à minha volta. Também me pareceu que, por ter feito alguma escolha errada — como fazer sexo sem preservativo — eu deveria então me culpar, talvez me mutilar psicologicamente e me excluir socialmente do convívio com os considerados ‘saudáveis’.

Mas logo coloquei em prática algo que aprendi desde muito cedo e que procuro carregar comigo nos mais diversos aspectos da minha vida: a informação para a quebra do preconceito. percebi que precisava conhecer o que era o HIV. Optei por me informar e assisti a muitos filmes, documentários e li muito na internet. Precisava tentar entender o que é ser soropositivo hoje, em 2016.

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Aprendi muito sobre o surgimento da doença com filmes de documentário, como: ‘How to Survive a Plague’, ‘Estávamos Aqui’, ‘Larry Kramer: In Love and Anger’, ‘The Normal Heart’, entre muitos outros. Fiquei indignada em algumas situações, chocada em outras e chorei em uma boa parte delas. Este primeiro contato com a história da aids, do anúncio diário de mortes das pessoas que possuíam a doença, do preconceito enfrentado pelas mesmas, do medo do desconhecido, da falta de posição e incentivo à pesquisas pelo governo americano nos anos 80, a maneira como o então presidente Ronald Reagan ignorava a epidemia que estava matando pessoas aos montes, a luta de grupos de ativistas, como o Act Up, para que as medicações fossem desenvolvidas, etc., tudo isso me fez perceber que, ainda hoje, muitas das pessoas com quem conversei, acreditam que o HIV ainda é tão mortífero e feroz quanto a aids no final dos anos 80.

Acho que uma das partes que mais me marcou nesses documentários foi o fato de que, enquanto estavam internados, na fase terminal da doença, muitos pacientes não recebiam nem alimentação, pois muitos dos profissionais de saúde que deveriam cuidar deles se recusavam a entrar nos quartos desses pacientes. Muitas vezes, esse trabalho era feito por pessoas voluntárias, como parentes, amigos e algumas homossexuais femininas que se revezavam para ajudar a cuidar destes pacientes.

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E foi assim que comecei a entender porque muitos soropositivos optam por esconder sua condição ou sua identidade: mesmo 35 anos depois do início da epidemia, percebo que ainda existe o estigma da doença e que o preconceito ainda é muito forte e cruel.

Contudo, foi graças a este primeiro interesse que tive pela história da aids e do HIV que pude fazer um paralelo e perceber que hoje as coisas são bem diferentes. As pessoas que possuem o vírus muitas vezes são mais saudáveis do que soronegativos que estão à nossa volta. Ora, existe diabetes, pressão alta, colesterol, sedentarismo, tabagismo, câncer, obesidade, etc., então, por que eu deveria considerar que um vírus controlável através de medicações deixaria uma pessoa automaticamente doente, como se fosse uma bomba relógio?

Não estamos mais nos anos 80. Atualmente, a cada dia, um novo estudo ou uma nova forma de tratamento vem à tona. Hoje, há muito mais esperança de cura do que no passado, quando a aids ainda era rotulada como o ‘câncer gay’.

 

‘Mas você tem um filho pequeno, ele tem só 5 anos, você deixaria ele conviver com alguém soropositivo?’ Sim, e por que não deixaria? Até onde eu sei, o HIV não se pega respirando, nem tocando, nem beijando. As demonstrações de afeto não transmitem HIV. As pessoas soropositivas têm filhos — aliás, a transmissão vertical já foi extinta em alguns países. Então, qual é o problema? Nenhum. A verdade é que não existe problema aqui. O que existe é preconceito.

Eu não só deixaria meu filho ter essa convivência, como explicaria para ele, como sempre fiz, que o amor é o que basta. Ora, se eu o crio para não fazer distinção entre o que é feminino e o que é masculino, se eu o crio para respeitar as diversidades, se eu quero que ele seja um bom cidadão, para que ele afaste o machismo de seus conceitos, por que seria preconceituosa com uma questão bem mais simples, como é, ao meu ver, a questão do HIV? Nada disso! Eu não faço parte da ‘família tradicional’, fui mãe solteira e ensino para o meu filho a linguagem do amor: ela envolve aceitação e respeito.

camisinha

Depois de pensar e pensar mais um pouco sobre as opiniões de pessoas próximas, tentar perceber se eu mesma tinha ou não algum preconceito, ir aos CTAs sanar algumas dúvidas, fazer o meu próprio teste de HIV, entender que o vírus não é uma sentença de morte que transforma uma pessoa ‘saudável’ em doente de uma hora para outra, é que percebi que tudo o que precisava fazer para continuar com meu interesse por aquela pessoa é, na hora do sexo, simplesmente usar preservativo, como eu faria em qualquer outra relação.

 

Mas nem tudo acontece do jeito que a gente deseja ou do jeito que a gente quer. Tive quatro meses ótimos de convivência e cumplicidade com ele. Nosso primeiro encontro pessoal foi ótimo: a conversa fluía de uma maneira que há muito tempo não acontecia comigo com qualquer outra pessoa. Eu estava interessada de verdade e muito disposta a ficar com ele, a manter um relacionamento, a criar expectativas, a dividir e a somar. Ele era como qualquer outra pessoa: não era diferente em nada e, na maioria das vezes, eu nem lembrava que ele tinha HIV.

Mas ele, sim. Ele ainda se lembrava com uma frequência muito maior do que eu de que ele era soropositivo. Aliás, fazia questão de lembrar disso todos os dias. Chego a pensar que, na verdade, ele é que deveria me achar louca por querer ficar com ele, como se me colocasse em risco, por ter um relacionamento com alguém que carregava uma grande culpa — quase ‘a culpa do mundo’ nas costas, como ele mesmo disse em uma de nossas últimas conversas.

Ele me disse que eu não merecia isso. Eu o aceitava, mas ele ainda não. E isso foi o que me deixou frustrada. Como pode ele decidir o que eu mereço e o que eu não mereço? Como pode ele se julgar inferior aos outros, diante de tudo o que sabemos hoje sobre o HIV? Fiquei, sim, muito brava com ele. Fiquei brava porque ele decidiu por mim. Fiquei brava porque ele não foi capaz de enxergar o quão especial ele era. Ele não era o HIV, mas deixou que o HIV tomasse conta de quem era. E assim acabou. Infelizmente. Ainda acho que vida é bela, e que, às vezes, só preciso ajustar um pouco o foco.

Com amor,
C.”

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76 comentários

  1. JD8377 diz

    Além do preconceito dos outros existe o preconceito dos próprios positivos que em alguns casos se limitam no que diz respeito a informação sobre assunto infelizmente.

  2. recem+ diz

    Boa noite, descobri que sou soropositivo há, exatamente, uma semana. Ao contrário de muitos comentários aqui, eu não fiquei deprimido, nem triste, porque simplesmente botei na minha cabeça que não há nada que eu possa fazer.
    Fiz todos os exames e devo começar a TARV já nessa quarta-feira.
    Gostaria de saber de vocês se o 3×1 não for efetivo e se meu vírus for o HIV-2, eu terei que, necessariamente, tomar AZT? Quero evitar esse maldito de todas as formas possíveis, pois li que é o medicamento antirretroviral mais danoso ao organismo.
    Obrigado.

    • Ricardo - Gru diz

      Olá, pelo que tenho estudado e ouvido o “HIV-2” é bem raro…então canalize suas forças em iniciar o tratamento e não sofrer antes com o “e se”…Quanto ao 3×1 falo por experiência própria é bem eficaz e aconselho sim iniciar o mais rápido possível. Gostei tbm da sua serenidade inicial, tá bem certo em pensar desta forma. Abração.

    • Diego Godoy diz

      Olha…aí vc vai ter que conversar com seu medico sobre o assunto, na maioria das vezes o 3×1 é bem eficaz. Eu tomo Tenofovir, Lamivudina e Ritonavir, me dou super bem com a medicação, mas inicialmente não tive muito adaptação com o Efavirenz, me deu alergia, mimha médica trocou por esses que eu mencionei.

      Mas vai dar tudo certo, confie sempre no seu médico, ele vai ser seu melhor parceiro nessa nova jornada.

      Grande abraço.

    • LAFM diz

      Pra mim esse tratamento foi ótimo !

      Em 3 semana estava praticamente totalmente sem reações.

  3. Ruthe diz

    Amigos, preciso da opinião de vocês…

    Meu intestino sempre funcionou muito bem (costumava ir uma vez ao banheiro ao dia), porém, desde o diagnóstico percebo que a frequência de idas ao banheiro aumentou, inclusive com muitos gases durante o dia, chegando a doer a barriga… alguém já passou por isso? Pode ser a medicação? (Iniciei faz 3 semanas).

    Outra dúvida, alguém usufruir do bilhete único aqui em São Paulo? Como funciona? Vale para metro e ônibus? Temos que nos expor todas as vezes que pegar o meio de transporte ou funciona como um cartão normal?

    Obrigada.

    • no inicio meu intestino parece que deu uma “atrapalhada” depois eu adicionei mais folha na minha alimentação e agora esta como antes. Perfeito.

    • Kiss diz

      Percebi uma mudança tbem no meu intestino! Gases que causam um desconforto horrível….Isso varia muito de pessoa para pessoa….

  4. Life diz

    Me identifiquei com sua história C, sou casado, minha esposa me perdoou pelo meu erro e a culpa do erro que me fez pegar o vírus me machuca todos os dias, é algo que não consigo esquecer, deixar passar e seguir a vida com minha família.

    Como superar isso?

    • Xavier diz

      Tocamos em frente e lembramos, convivo com a mesma situação, e realmente sou grato que depois de anos de um casamento morno, minha sorologia trouxe novamente o companheirismo que perdemos ao longo dos anos.

      • Jonas diz

        Life e Xavier, também cai nas garras do hiv por ter traído minha esposa. A verdade me libertou e obtive o perdão de Deus, da minha esposa e o mais importante, de mim mesmo. Eu nasci de novo e meu relacionamento veio junto, ressurgiu. Hoje somos cúmplices, parceiros no amor. E nada de ficar maquinando o hiv. Damos lugar a vida, ao amor. Perdão é perdão. Portanto, Life, perdoe-se primeiramente. Somos humanos e passíveis dos mais temíveis erros. Avante!

    • Gil diz

      Posso ser repetitivo, mas trabalhar a “culpa”, superar o suposto “erro”, entender as questões implícitas na sua condição e, de fato, viver em plenitude, a psicoterapia te ajudará.
      Procure um profissional qualificado, referendado e que confie e inicie seu processo terapêutico com psicólogo. Cuidado com “terapeutas” que oferecem consultas similares, não psicólogos e psicanalistas não-psicólogos , exija número do CRP.

    • Kiss diz

      Para ser perdoado, é necessário se perdoar primeiro! Isso torna o fardo mais leve! Ficar se culpando não vai modificar a situação…Sei que não é fácil, cada um tem uma história por trás desse diagnóstico…Mas já basta o peso do estigma, das mudanças…Então precisamos de alguém que nos ajude, nos dê apoio e esperança….Mas precisamos nos ajudar tbem!!! Vida precisa prosseguir!!!

  5. Fabio diz

    Tenho uma dúvida e gostaria que se algum de vocês tivesse conhecimento a respeito me esclarecesse. Contraí o vírus há pouco tempo e ainda não iniciei o tratamento. Pretendo fazê-lo a partir da próxima semana. O remédio, segundo o médico, será o 3 em 1. Se o vírus for resistente, os medicamentos opcionais são muito tóxicos? Existe a possibilidade de um vírus resistente a todos os medicamentos?

    • Herivaldo Virulato diz

      Fabio, em primeiro lugar, o 3 em 1 vai funcionar, não se preocupe. Em segundo lugar, por incrível que pareça, algumas alternativas são menos tóxicas que o tratamento covencional. Os inibidores de integrase, por exemplo, são oferecidos como tratamento inicial em muitos países, mas no Brasil só estão disponíveis como terapia de resgate (não sei o motivo, coisas do Brasil). Eles são muito pouco tóxicos e ñ têm efeitos colaterais. Eu tomo um deles – tive a sorte de detectar a doença muito cedo e recebi inibidores de integrase em regime de exceção, porque são mais velozes na redução da carga viral.
      Em resumo: não se preocupe, está tudo bem.

      • Fabio diz

        Muito obrigado, Herivaldo. Esse é o tipo de colocação que ajuda muito. Me sinto mais tranquilo.

      • FG-PR diz

        Herivaldo é possível iniciar o tratamento com inibidores de protease, eu mesmo iniciei com Atazanavir+Ritonavir+Tenofovir/Lamivudina, esse esquema é mesmo tóxico que o 3X1, porém quando ao invés do Atazanavir é usado o Liponavir a história é outra, geralmente diversos efeitos são sentidos.

        Fábio fique tranquilo, se possível converse com seu infecto, existe outras possibilidades além do velho 3X1.

        • Fabio diz

          Meu infecto disse que o 3×1 é o menos tóxico e que se não houver aderência a coisa começa a complicar porque as opções são muito tóxicas. Eu questionei sobre a possibilidade do vírus ser resistente ao 3×1 e ele falou pra não pensarmos nisso agora, pra sermos otimistas. Mas não sei se ele falou isso apenas pra inculcar a aderência pelo medo ou se foi porque ele pensou em esquemas de resgate mais complexos e tóxicos, enfim… eu jamais deixarei de aderir, independentemente de qualquer terrorismo psicológico, pois isso é a coisa mais importante da minha vida agora, nesse momento. Se alguma informação não me foi passada corretamente por ele, em virtude de motivo relacionado à adesão, acho que foi totalmente desnecessário. Mas não sei o que rolou. Uma coisa que achei muito errada e que questionei dele é não ser realizado nenhum exame para testar a sensibilidade do vírus à medicação antes de escolher a combinação utilizada. Ele me disse que isso não é feito, que para fazer esse exame é necessário o paciente já estar tomando a medicação 3×1. Eu disse que estava disposto a fazer o exame particular, mas ele alegou que além do exame ser uma fortuna, não é realizado se o infectado não estiver tomando ARV. Achei estranho isso. Não acho uma boa começar a tomar um esquema ao qual eu não sei se o vírus é sensível, mas, enfim, se é assim que a banda toca…

          • FG-PR diz

            Fábio na minha opinião você deveria procurar outro infecto, pois pelo que você relatou ele é um tremendo de um mentiroso.
            Primeiro: o 3X1 só é indicado como tratamento de primeiro linha por causa do baixo custo e não pela sua suposta não toxidade
            Segundo: no SUS pode até que ser que você não consigo fazer a genotipagem do vírus pra ver se a cepa de do vírus que te infectou é resistente a algum dos medicamentos, porém na rede particular você pode fazer quando quiser, basta pagar e não custa mais que 1000 reais, se não for menos.
            Terceiro: pra fazer genotipagem você deve ter virus circulante na sangue, logo não tem cabimento ele alegar que você teria que estar tomando antirretroviral para fazer o exame.
            Quarto: a escolha de um bom infecto é um ponto essência para a aderência ao tratamento, afinal você terá contato com ele por muito tempo e ele será quem te orientará.

            Bem essa é minha opinião.

          • Xavier diz

            Fábio, relaxa, o máximo que vai acontecer contigo nos primeiros dias é ter um sono agitado. Sua vida depois de uns meses volta integralmente ao normal.

            Não deixe somatizar na sua cabeça algo que é tão remoto…

            • Fábio diz

              Vc está certo Xavier, preciso ser mais positivo. Obrigado pelas palavras.

              FG-PR, também estava pensando nisso e já marquei com outro infectologista. Obrigado pela atenção e pela recomendação. Concordo com você que as informações passadas pelo médico não fazem sentido algum, principalmente no que se refere ao exame de genotipagem do vírus.

          • Ricardo-Gru diz

            Fabio vc so vai saber a eficacia ou não do medicamento se tomar ele da forma que é orientada pelo infecto. Assim, o lance e aderir ao tratamento e acompanhar a eficácia, caso seja necessário, o que é bem raro, mude para outro esquema. Abração.

  6. Querida C: muito obrigado por suas palavras tocantes e humanas. Ah se houvesse no mundo mais pessoas comom você, se houvesse pessoas com essa forma de sentir e enxergar a vida: viveríamos num mundo mais solidário e mais amoroso. Me descubri soropositivo há pouco tempo, em março, há um mês tomando o remédio e sem maiores problemas com efeitos colaterais. Probleminhas de saúde aqui e ali que já tinha quando negativo. Quero passar dos 60 anos (hoje tenho 33). Fique bem e paz! Que seu filho cresça com sua sabedoria e generosidade! 🙏🏽

  7. Barroso diz

    Que história gostei muito pois tenho esperança de encontrar uma pessoa que me olhe dessa forma tbm sou soropositivo no começo quase fiquei louco mais agora levo minha vida normal como se não estivesse nada no meu sangue e assim vivo minha vida feliz.

  8. MP diz

    C.
    Muito obrigado por compartilhar sua história conosco, talvez, nos ajude a avaliar melhor os soros negativos.
    E mais do que tudo, nos respeitar entendendo que não existe uma relação feita apenas por um lado e sim, feito de dois lados. . .
    Amei cada letra sua e só me fez perceber que não posso continuar me humilhando aos olhos de ninguém.

  9. Bruno diz

    Carta cheia de emoção. Sinto muito pelo desfecho. Mas entendo o lado dele, aceitar-se e assumir a doença não é fácil.

  10. Ricardo - Gru diz

    De fato a carta foi recheada de emoções e demonstrou que a autora é uma pessoa de uma sensibilidade ímpar e até desconhecida nos dias atuais por muitos. Mil vezes PARABÉNS ! Qto a decisão do rapaz, acredito que não seja somente o fato “HIV” que o fez pensar sobre a continuidade ou não do relacionamento, não querendo fazer pré julgamento, mas tenho certeza que existam outros fatores que fizeram decidir em não continuar neste relacionamento, talvez duvidas em relação a sexualidade, ou um sentimento ainda preso a relacionamento antigo…enfim, pelo que li, “você é pra casar !” Mas ele ainda não está preparado para isto. Eu aceito minha condição, vivo num relacionamento sorodiscordante e confesso que as vezes me culpo por trazer este diagnostico para dentro de minha família, mas tbm não rola ficar se culpando o tempo todo, tento distrair a mente com outras coisas, embora este fator já tenha sido até motivo de uma breve separação conjugal, agora estamos mais engajados num único propósito, qual seja, viver bem e melhor, um dia de cada vez !!!! Afinal é VIDA QUE SEGUE !!!! Abraços a todos. Ah, só pra lembrar : AMO ESTE SITE !!!!!!!!

    • Kiss diz

      Pensei a mesma coisa da carta….Linda história, + tem algo por trás das entrelinhas….Ele precisa pensar, repensar e se aceitar! Já envolve muito sofrimento a problemática em sí! Então ficar se julgando não vai modificar a situação! Cada um tem uma forma de ver a vida após esse diagnóstico…As coisas mudam sim, precisamos buscar forças para tentar encarar com mais naturalidade o que não pode ser modificado! Parabéns Ricardo

  11. JV diz

    Olá , pessoal! Que carta bacana! Bom, vivo atualmente uma relação sorodivergente e realmente temos que lutar para não deixarmos essa condição tomar as rédeas de nossas vidas. Como meu namorado disse, ” Você não é 100% isso. Você é especial e poderia ser amado por qualquer pessoa mas eu tive o privilégio de te achar! Não seja grato por eu estar com você. Apenas me ame!”.

    • Kiss diz

      Nossa que maravilha se todo mundo tivesse oportunidade de ouvir isso!! Então JV apenas ame e não se questione…..kkkkk Aproveite esse momento lindo! Acho que esse é um momento que poucas pessoas merecem nossa atenção, nosso amor, nossa dedicação, até pq não somos um vírus….e Julgamentos não nos convém!! Viva a vida!!!

  12. Verdes Olhos diz

    Percebo que mesmo em posicionamentos bem-intencionados e “progressistas”, ainda existe a disseminação de uma importante informação equivocada. Não que seja por maldade ou preconceito, evidentemente que não, mas apenas por falta de conhecimento (muitas vezes por conta de informações erradas dadas por médicos desatualizados). Portanto, acho sempre bom repetir: SEU SEXO SORODISCORDANTE NÃO PRECISA SER SEMPRE FEITO COM PRESERVATIVO. Basta que seu(sua) companheiro(a) se mantenha indetectável – e como faz isso? É simples: tomando todo santo dia os remédios anti-retrovirais.
    Eu inventei isso? Não. Meus médicos me dizem – o que também me surpreendeu, na primeira vez que me foi dito.
    Bora se informar e gozar sem medo.

    • FG-PR diz

      Amigo me desculpe mas não acho prudente ficar incentivando o pessoal a transar sem camisinha, por dois motivos: primeiro porque a camisinha não proteje só que é soronegativo e segundo porque mesmo que a chance seja pequena ainda pode acontecer, afinal vai que justamente em um blip viral a pessoa transe sem camisinha.

      Minha esposa é soronegativa, mesmo ouvindo esse discurso do Dr. Ésper que é uma autoridade nesse assunto eu não tenho coragem de transar com minha esposa sim camisinha, afinal não desejo o que passei no inicio a ninguém. Hoje estou muito bem, mas no início foi bravo e não desejo isso a ninguém.

      • Jonas diz

        FG-PR, penso o mesmo. Todos os dias agradeço a Deus por não ter passado essa condição para minha esposa. E que assim seja! Não arrisco as probabilidades, mesmo que mínimas. E quer saber? Camisinha não é um bicho de sete cabeças. Só inclausura uma, rs rs rs.

      • Verdes Olhos diz

        Olá, FG-PR.
        Não acho que é questão de ser ou não prudente. É questão de passar a informação correta e, com isso, diminuir esse terrível estigma que paira – quase sempre injustamente – sobre quem possui o vírus.
        Agora, se a pessoa quer transar com ou sem camisinha, para isso tem mil motivos. Só penso ser importante, sim, ressaltar que não existe a OBRIGATORIEDADE do sexo com preservativo, se estiver indetectável e com total adesão ao tratamento.
        Já temos encucações demais, não acha? Agora, cada um que decida por si – de posse da informação mais atual possível.

        Eu não sou paciente do Dr. Ésper. Consulto com dois infectologistas aqui no Rio Grande do Sul, e ambos me falaram a mesma coisa sobre a intransmissibilidade do vírus por quem está indetectável. E essa questão a respeito do blip: em alguns estudos, pesquisadores acompanharam casais sorodiscordantes por cerca de dez anos. Não foi verificado nenhum contágio em quem estava indetectável e com total adesão ao tratamento. Você acha mesmo que, se durante um blip houvesse transmissão do vírus, isso não teria sido verificado nesses estudos?

        Em resumo, o que quero dizer é: você é muito menos contagioso do que acredita ser, estando indetectável.

        Abraço!

        • Lima diz

          Pois é, mas suponhamos que faço hoje meu exame de carga viral, e que está indetectável (há 6 meses, vamos dizer) e quem me garante que daqui a um mês, minha carga estará no mesmo nível, mesmo eu tomando os anti-retrovirais? Meu medo seria esse, não temos controle de como nosso organismo reage aos medicamentos e de repente podemos desenvolver uma resistência ou algo do tipo, e a carga viral aumentar, daí ocorrer a transmissão… Ate mais!

          • Lima,

            Não existe garantia. Existe a observação médica e científica, desde o começo da epidemia, de que, com tratamento antirretroviral e carga viral indetectável, não houve até hoje uma única transmissão a partir de um soropositivo nessas condições. Isso faz com que, em uma população, o antirretroviral bem utilizado, com adesão, seja mais seguro do que camisinha.

            Os blips são possíveis, mas os exames de rotina que incluem carga viral, a cada três ou quatro meses, têm se mostrado capazes de identificá-los antes que apresentem risco de transmissão. Isso acontece porque, em geral, os blips são muito pontuais e não são desproporcionais à carga viral indetectável: são pequenos. Hoje, a resistência em quem mantém adesão é praticamente nula: não acontece.

            A partir desse conhecimento, eu penso cabe ao casal, junto, decidir sobre o uso do preservativo.

  13. LA diz

    Que linda historia !

    Tenho um relacionamento soro diferente, tudo que vc viveu o meu namorado viveu comigo !

    A diferença que eu não me deixei levar pelo medo. Eu apenas me permiti viver o AMOR que ele tem me oferecido todo os dias |!

  14. Acreboy diz

    Enquanto todos ficaram emocionados com a história da moça, um detalhe saltou-me os olhos: que direito ela tinha de revelar a condição sorológica do rapaz para os amigos? Será que ela não consegue compreender o quanto este é um assunto delicado e somente o portador deve escolher quem ele quer que saiba?
    Desculpe-me “C” mas você foi totalmente imprudente e, percebo nas entrelinhas que se, foi tão descuidada com um assunto tão sério – algo que nem te dizia respeito diretamente – certamente, deve-se ter descuidado em outros pontos e, por causa disto o relacionamento de vocês foi por água baixo.
    Seja mais sensata da próxima vez e aprenda uma coisa muito importante: segredo a gente guarda, não o expõe.
    Um abraço.

    • Cristina diz

      Acreboy, eu sou a Cris, que escreveu a carta. Entendo a sua colocação. Eu, em nenhum momento, identifiquei para os meus amigos quem era ou quem deixava de ser determinada pessoa. Essa foi uma conversa que tivemos enquanto eu ainda nem o conhecia pessoalmente. Eu não revelei identidade e não o expus e, além do mais, ele, em momento algum, me pediu segredo, como se fosse algo inconfessável. A questão é que precisava conversar com alguém e, sinceramente, confio a um grupo de poucos amigos de infância os meus maiores segredos e dilemas. A nossa amizade funciona como uma espécie de terapia, nós nos questionamos, levantamos hipóteses e falamos dos mais variados assuntos, enfim, sobre o que nos aflige.

      Não é como se eu levantasse uma placa no meio da rua para fazer uma pesquisa de opinião ou mostrasse a foto e endereço dele para qualquer pessoa que conhecesse. Eu conversei com pessoas de minha inteira confiança, porque às vezes, sozinhos, não conseguimos pensar direito.

      Eu não tinha noção do que era o HIV e, por isso, procurei conversar. Eu fiz certo? Não sei. Talvez não. Mas foi justamente por procurar conversar é que eu busquei entender melhor o que acontecia com ele e também o peso do preconceito. Até então, eu não compreendia muita coisa, não fazia parte do meu dia-a-dia.

      Você tem o direito de achar o que quiser e sinceramente respeito a sua opinião. Você tem o direito de ler nas entrelinhas e achar que eu agi com ele da maneira errada, que eu fui uma péssima pessoa, visto que meu depoimento está aí, publicado e sujeito as mais diversas opiniões.

      Eu só acho uma pena o seu tipo de postura. Você fez comigo exatamente o que a maioria das pessoas fazem com quem é soropositivo. Você me julgou com base em uns 7 parágrafos da minha vida e ainda concluiu que eu não merecia o relacionamento com o rapaz. Você teve preconceito. E é justamente isso que eu acho bem irresponsável.

      Fique em paz.

      • Lima diz

        Cristina você tem todo o meu respeito… Que legal essa carta sua publicada aqui no blog, parabéns! E você por sinal escreve muito bem… Me vi na pele no seu “ex namorado” digamos… O problema as vezes é a gente se aceitar e não se sentir diferente ou pior que os outros, pois mesmo tendo um namorado que me aceite e as vezes me sentia e me sinto assim, é uma condição que estigmatiza a gente (as vezes)…. Mas vamos viver… Grande abraço,

      • Acreboy diz

        Cris, entendo seu ponto de vista, porém, algumas coisas são um tanto quanto óbvias e é muito fácil somar 1+1. Caso não seja, já é um indício de levantar suspeitas, enfim, você mesmo deixa claro na “carta” o incômodo do rapaz com o diagnóstico e – mesmo ele não tendo solicitado segredo – o mínimo que deveria ter tido era discernimento em entender que se o assunto gerava desconforto (refiro-me a ele), logo, a sorologia dele deveria ser assunto exclusivo do casal.
        Quanto a saber opiniões de terceiros, mesmo estes sendo bem próximos a você, em algum momento parou para pensar em como ele se sentiria se soubesse que comentou sobre algo a respeito com alguém?
        Se estavas interessada em um rapaz soro positivo, subentende-se que, uma hora ou outra, ele iria aparecer, então, a dúvida e a suspeita seriam levantadas.
        Você me acusa de preconceito, por ter julgado a sua atitude como errada e seus argumentos acima não me convenceram como os meus, certamente, não te convencerão. porém, penso que pense sobre a ótica do rapaz. Pense em como você se sentiria se, um assunto delicado deste, fosse posto na roda na presença dele.
        Não estou te julgando e sequer falei por mal, minha intenção foi abrir-te os olhos, somente. Até porque, minha sorologia também é positiva, como haveria de ter preconceito com os meus páreas?
        Eu, diferentemente de você, coloco-me no lugar dele. Coloco-me no sentido de que expôs algo particular, privado da vida dele para alguém que, em algum momento, ele se sentiu confortável em partilhar uma informação tão pesada. Alguém que ele confiou mesmo que ele não tenha dito “é segredo”, mas tenhamos que ter bom senso para tudo.
        A vida é um eterno aprendizado e espero, do fundo do meu coração, que tire boas conclusões com o que falo e que entenda o principal: não estou te atacando, muito pelo contrário, quero que veja por uma outra ótica, quero que passe a se sentir e a pensar como um terceiro reagiria quando nossas ações são postas em prática.
        Abraço fraternal.

      • Kiss diz

        Cristina parabéns! Em nenhum momento achei que vc expôs a vida do rapaz! Linda sua atitude de não aderir a opinião mesmo dos seus melhores amigos! Vc foi sensata e prudente, pois admitiu não saber nada do assunto, buscou, se informou, refletiu e por fim usou alteridade! Se metade das pessoas fizessem isso, o mundo seria diferente!! Agora se não deu certo, tudo bem, mas vc fez sua parte de forma brilhante!!! Amei sua história! Se quiser trocar ideia. Meu e-mail: neurifreires@yahoo.com.br

    • LV Antônio diz

      Uau! Acreboy falou pouco e falou bem.

      Realmente é muito complicado vivenciarmos essa situação. Me descobri positivo e meu namoro acabou, mesmo nos gostando. O medo falou mais alto. Uma pena.

      Hj, venho conhecendo uma pessoa e estou muito feliz, pois ser amado é a melhor coisa desse mundo. Estou indetectavel e não tenho a menor vontade de fazer sexo sem preservativo. Não faz sentido algum. Na verdade, o que eu busco é companheirismo, é amor, é abraço, é beijo.

      E tudo isso vem do coração. Se engrenar um namoro, aí eu conto, mas confesso que ainda não sei como.

      Amor a todos,

  15. Garoto Positivo diz

    Bom, semanas atrás perguntei o que vcs achavam de eu contar ou nao da minha sorologia ao meu parceiro. Estamos à alguns meses juntos, sexo seguro, saúde em dia (cv indetec e cd4 alto), e a um passo de assumir um namoro. Até agora não consegui. Tenho muito medo da rejeição. Ele trabalha em outra cidade e conversando no whatsapp eu acabei tentando me abrir. Disse que estava com medo de magoá-lo, que o problema não está com ele. Ele perguntou se eu estou com medo, e de que. E que ele gosta muito de mim e quer me fazer feliz. Viver uma história nova. Eu só fazia chorar na frente do celular, sem saber o que responder. Acabei dizendo que se por algum momento eu dei a entender que não gosto dele, que me desculpe. Ele disse que tudo bem, mas que não estava entendendo nada. Vou terminar o que nem oficializamos. O hiv me ganhou nesse quesito. Estou sem chão. Temos amigos em comum e morro de medo de uma reação ruim dele ao saber que sou positivo, e que isso “viralize”. Um dia quem sabe as coisas mudem nesse sentido. Por ora é só tristeza e frustração. Desculpem o desabafo.

    • Antonio diz

      Cara para ver!!!
      Já tentou tocar no assunto para ver o que ele pensa? da uma sondada

    • RecentWave diz

      Tenha calma rapaz. Vai jogar fora um relacionamento com alguém que você gosta por causa de um virus? Ainda acho que vc deva fazer como o rapaz acima, dá uma sondada nele. Conta uma história e veja o que ele vai achar do assunto. Aos poucos você saber onde está pisando.

    • Kiss diz

      Vc desistiu antes de tentar! Entenda que quem quer estar ao seu lado vai ter que te aceitar com toda sua bagagem de problemas! Não deixe esse vírus te vencer, vc não é o vírus, ele precisa do seu corpo para viver, mas os remédios deixam ele quietinho….Tudo é questão de buscar, esclarecer a situação…Paciência….Calma!!

  16. Vircetti diz

    Essa pro 140 pode servir como monoterapia é? Tipo injeções bimestrais

  17. Eu quero deixar meu contraponto. Eu assumi minha sorologia positiva uma semana depois de tê-la revelada. Certo, eu passei um mal pedaço e, dentre outras coisas, fui escorraçado do “meu metier” sob a pecha de “lixo aidético. E fui,, ao longo dos anos, “perdendo amigos.” São vinte e dois anos já e, se alguém se importa em saber, não havia nada que nos desse “esperança” e eu vivia cada dia como se fosse o último ou, talvez, nem isso. Curiosamente, encontrei outros que pensavam como eu.
    Não cometemo nenhum crime. Na atual conjuntura há muita gente muito mais reprochável do que eu e algumas pessoas como Bia Pacheco, Beto Volpe, Paulo Giacomini, Ray Rainha Arruda, Sílvia Almeida e mesmo eu Claudio S. Souza, que somos figurinhas fáceis de sermos encontrados no Facebook. No meu site, meu zap é público. Minha foto (minhas fotos) estão espalhadas por toda a Internet e eu tenho um agrande frustração com uma equipe de reportagem que gerou um video no “contra-luz e meu rosto não apareceu”.

    O que ganhamos ao nos escondermos? Nada, e perdemos muitas coisas. Eu diria que, hoje, tenho uma roda de amigos bem mais selela e que mesmo uma de minhas filhas se afastou de mim por conta da minha postura e, sinceramente, I don’t give a damn…

    Eu faço aquilo que eu chamo de meu trabalho e, muitas vezes pago com ônus emocional que eu deixo na sala da analista, que já me viu chorar inúmeras vezes e, parece, está se acostumando a isso. O HIV é um excelente instrutor e orientador pedagógico que nos instrui muito bem sobre como separar o joio do trigo e eu sou feliz por ter isdo privado da falsidade de meu irmão e de minhas duas irmãs. Estes tres espeços estão abertos para pessoas que mereçam a minha consideração, do que eles, que não mereciam nada. Maurício, Sandra e Cecília estão mortos para mim e, no entanto, eu estou vivo. Se um deles passar por mim e eu os reconhecer, atravesso a rua. Antes só do que mais acompanhado. Trazendo para cá um debate que eu entretenho por ai, 22 anos depois, eu ainda sou a mesma pesoa, só que ligeiramente melhorada e sem esta fixação em cura. Eu não penso em cura, não me preocupo com efeitos colaterais, eventos adversos, lipodistrofia… whatever. Eu busco viver, cada dia, da melhor forma possível e, tanto quanto possível, amar… Hoje é um dia de crise para mim, estou em profunda dor emocional e não sei se haverá lenitivo para a dor. Se não houver, para hoje, quem poderá me dizer que amanha não será um dia melhor? Muitos poderão dizer, e verdade, mas a questão, aí, é de crença e eu creio sempre que tudo pode melhorar e, mesmo assim, eu não penso em cura.
    penso em viver. Porque uma coisa é certa: TODOS NÓS, QUER QUEIRAMOS OU NÃO, PASSAREMOS DESTE ESTADO VIBRATÓRIO PARA UM DIFERENTE. E é assim que, com a devida vência do proprietário do site, eu os convido à leitura destre texto: http://wp.me/s5jmXx-cura

    • Coralina diz

      Texto emocionante 😢 dessa pessoa q o JS publicou. E também um comentário muito interessante e não menos importante (que li é abri o link ao final) do Cláudio Souza.

      • Obrigado Carol. Se vc quiser ver “a minha frustração, está na primeira página do site, descendo, quase ao final. Eu fiz manifesta a minha opinião e os dos “estudantes de propaganda e marketing” foram convidados a ler o que eu penso do que ele fizeram (Covardia, com meu de eu processá-los algum dia) – eu não o faria – Resultado? Ao invém de buscar remendar o erro – porque eu tenho uma câmera – eles disseram (mentira) que as câmeras eram da ESPM – Fuga. Não gosto de lidar com gente deste jaez (naipe se preferir) e deixei isso bem claro lá. Eu preciso, agora, receber o tripé e encontrar uma pessoa que me ponha à vontade diante da câmera, para fazer, outra vez, o que já poderia estar pronto. Emboara eu discorde da postura do JS, sou forçadoa respeitar e conto com a boa vontade deele em deixar este textoo passar.

        Quando nós escondemos o rosto, escondemos quem somos e o que somos.
        E o que somos? Advogados (minha esposa, soropositiva ha 28 anos) é advogada. Fotógrafos, garçons, motoristas de ônibus etc e todos nos, colando o Raul Seixas “cumprimos a nossa parte neste belo quadro social”.

        E ninguém sabe disso!

        Veja só. Tenho uma amiga Cris Montini (eu tenho autorização expresa para usar estes nomes, que foi convidada a dar uma palestra e, antes dela começar a palestra suoube que um dos alunos da escola tinha dito que não queria assistir a palestra, porque “não gosta de ver gente chorar” e, na infeliz ignorância dele, nós, pessoas vivendo com HIV ou AIDS (I don’t give a damn shit for the difference) devíaos ser pessoas que deveriam viver chorando (…)… Deixo estas reticências para que cada um pense por si, porque eu sei que eu chorei quando recebi o diagnóstico e sei que a maioria de nós chorou. Quem não chorarria? Precisaríamos não ser humanos… Mas, depis, como disse uma amiga que a AIDS levu a vida foi mais ou menos assim: “Fé na Tábua. Pé em Deus”! Ela viveu quase 30 anos co AIDS e fora diagnosticada na década de 80 (…). Enbtão é isso
        []´s
        Claudio

  18. Joana diz

    Meus queridos, depois de muito ler (na verdade de forma picada), indo e vindo com a negação da minha sorologia..tomei coragem em escrever. Bem, sei exatamente qdo fui infectada (abril/2014), devido ter apresentado sintomas agudos, mas fui tratad como “uma possível dengue”, enfim, só tive o HD fechado em dezembro de 2014. Onde passei possivelmente por tudo que vcs, devam ter passado tbem.
    Sou separada há seis anos e mãe de uma menina especial e apesar de ter trabalhado na saúde por alguns anos, minha unica ideia com o resultado foi a sentença ” de morte eminente” e o ” preconceito”, visto que já o enfrento esse há 11 anos, desde o nascimento da minha filha.
    Enfim..depois de realizar todos os exames e estar acompanhando com uma infecto muito humana, ainda permaneço com a CV indetectável, mas meu CD4 vem diminuindo consideravelmente e minha CV aumentando, mesmo tendo uma vida mais saudável, com alimentação rica em alimentos naturais e com atividade física a um ano( jan/16=cd4 1200 CV 19.000 / Maio/16=cd4 800 CV 41.000 ), apesar de ter passado por uns meses muito deprimida e sem Fé em nada o que acarretou a falta de apetite e todas as somatizações que sabemos q ocorre, estou muito propensa em iniciar o tratamento, q me é sempre oferecido pela infecto….mas agora eis as duvidas… principalmente com a Lipodistrofia, o excesso de sono que a medica diz ocorrer com o Efavirenz” que seria sua indicação.
    Li tbem em alguns relatos casos de depressão e agitação noturna com o uso deste, algo que me perturba, pois já possuo grande propensão para esta condição.
    Moro sozinha com a pequena que é cardiopata e pregressa de dois AVCI e apesar de mante-la numa vida e com rotinas normais, tenho sempre um sono mais leve para uma necessidade noturna dela e seus cuidados tbem. Por isso ficaria imensamente agradecida se vcs puderem partilhar comigo seus conhecimentos e suas reações com os seus tratamentos. Visto que muitos medicos iram considerar a indicação da portaria, mas li tbem sobre “Os inibidores de integrase”” que possui menos agressividade, alguém poderia me explicar melhor sobre ou me indicar uma leitura simples e o nome deste medicamento?
    Contei minha situação para três amigas, duas se afastaram, sendo q uma delas permeia minha condição pela seus conhecidos. Por isso, minha grande dificuldade em partilhar minha condição, mas fico de coração acalentado com as historias de superação e coragem de muitos !!

    • Marina diz

      Joana, minha amada, não adie o início do seu tratamento. Converse com o seu médico sobre uma segunda combinação de medicamentos, caso vc já tenha propensão à depressão. Todos apresentam, em alguma medida, efeitos colaterais, mas pior do que eles é continuar permitindo que o vírus se replique no seu corpo e diminua seu cd4. Se vc quiser e puder, crie uma conta no Kik Messenger e deixe seu nick aqui; lá existe um grupo de apoio formado pelos participantes aqui do blog, e você será certamente muito bem acolhida e poderá esclarecer muitas das suas dúvidas com um monte de gente simpática e informada. Um abraço fraterno e muita força sempre.

    • Com Fé diz

      Olha, tomo os medicamentos há 3 anos e nunca tive sinal de lipodistrofia. Os remédios mais recentes raramente causam tal problema.

    • Xavier diz

      Joana, acho que não vou ser muito lógico pois acabo de chegar de um casamento e teve muito vinho rs…. há exatos 6 meses descobri que tenho o hiv como inquilino assíduo do meu corpo. Em 02 de janeiro ao receber o diagnostico fui extremamente mal acompanhado, os médicos falavam abertamente a todos, as enfermeiras não espetavam nenhuma agulha pelo medo idiota de uma infecção, brinco que durante um tempo acreditei que meu pinto transmitia hiv por wifi …. tinha familiares trabalhando no hospital; atestando o fato que eu era um bom amaldiçoado como sempre. E é verdade, eu dormi com tudo que tinha duas pernas durante muito tempo; não sei exatamente quando fui infectado, e hoje não me interessa; não chorei quando soube, chorei quando sai do coma provocado pela pneumonia somente por medo de não poder prover sustento de meu filho e mulher caso não sobrevivesse.

      Mas, ninguém liga os pontos olhando pra frente, e sim pra trás, percebo agora que (e não estou fazendo “mea culpa”) estou mais sereno com a vida, essa depressão iminente passa, eu realmente espero que passe pra vc… e olhando pra trás, essa sorologia, ou qualquer outro termo que usem.. promiscuo, aidético, fadado a morte…. não aflige depois de certo tempo, pq mais que preconceituoso, isto é discriminatório e ultrapassado.

      Sobre partilhar sua condição, é algo seu, somente seu, o meu maior terror era voltar a ter uma boa vida sexual. Nós sempre voltamos, e sempre prosseguimos.

      Joana, o hiv, pode nos gerar descrença, revolta, uma afinidade compassiva com a morte. Ou pode ser o inverso. Hoje, ainda casado, criando um filho pequeno, percebo que o hiv me fez o inverso do que eu era, o inverso do ruim.

      Um beijo pra vc. boa noite!

      • Joana diz

        Muito Obrigada Xavier!
        Sua forma clara e simples de expor me mostrou (até com um sorriso no canto da boca) q nada é impossível…msm depois do diagnostico

  19. Lilian diz

    Bom, há muito tempo não namorava e nem conhecia rapazes … quando entrei para faculdade e um tempo depois conheci então o meu atual namorado , que há dois dias me revelou ser positivo, ele relutou muito para me contar isso … no momento pensei que fosse uma brincadeira de mal gosto essa revelação, logo após ele foi me contando a história da morte da mãe dele da qual eu desconhecia o motivo e não perguntava pois seria indelicado de minha parte tocar nesse assunto..me revelou que sua mãe o contaminou na amamentação e que mais tarde descobriu da pior forma que estava demasiadamente doente e veio a falecer de aids . Bom, ainda estou um pouco em choque , isto seria a última coisa que eu imaginaria do meu namorado, não que isso seja algo fim do mundo, mas que ele é uma pessoa tão alegre e sorridente ao meu lado e até certo momento não demonstrava ter algo a mais em seu sangue …. certo dia ele me disse : você acha que minha vida é fácil? Mas ela não é, você não sabe como sofro … e isso me deixou preocupada e com a pulga atrás da orelha .. eu o pressionei para contar o que era e foi uma longa jornada até ele ceder e dizer em entrelinhas que esse era o seu segredo . Até agora ele não conseguiu dizer com todos as letras que é soropositivo . Foi com ele que tive minha primeira experiência sexual, e que o mesmo também era virgem, ,usamos preservativo , porém ele fez sexo oral em mim, quando ele disse o segredo eu tive um turbilhão de pensamentos e como qualquer outra pessoa tive medo , não sou hipócrita tive medo de estar contaminada … mas ele foi me explicar que existe tratamento e que o faz há muitos anos e que se encontra indetectavel sempre , andei pesquisando muito sobre o assunto e aqui fazendo o mesmo … Gostaria de saber mais sobre a relação sorodiscordante , se alguém puder me orientar ou compartilhar suas palavras comigo …
    Eu o amo , é um ser humano incrível . Me doeu muito as palavras dele , dizendo que se eu o deixasse ele entenderia , que eu merecia alguém melhor que ele, que ele era não podia ter ninguém, que não tinha culpa de nada pela mãe ter o feito …
    Enfim, todo esse processo envolveu muitas lágrimas, dele e minhas … em nenhum momento pensei em deixa-lo e nem agora . Apenas quero saber lidar com essa peculiaridade e faze-lo feliz assim como ele me faz … Quero poder deixa-lo à vontade , lhe dar coragem de viver … a auto estima dele é baixa e tem momentos que ele fica triste , mas agora sei o porquê … Não encontrei muitas informações na Internet sobre esse tipo de relação . Porém prefiro acreditar na bela realidade de pessoas belas e não de médicos que somente julgam essas pessoas e dizem só usem camisinha .

    • Xavier diz

      sinceramente, quase ninguem usa camisinha, pq eh chato… incomoda; satisfaz parcialmente. Se vc não é detectável no sangue ou esperma ou secreção… não transmite, obviamente se sua ou seu parceiro eh fixo, as chances são tão minimas que senão nulas, porém ainda estamos fadados a crer que somos uma bomba infecciosa.

      Talvez eu esteja errado, acredito que não.

  20. Iago diz

    Longe de mim querer influenciar o sexo desprotegido,mas eu me relacionei durante 3 anos sem preservativo (sem saber que era positivo) e graças a Deus não transmiti para meu parceiro. Indetectavel,então, acredito que seja quase impossível. É uma decisão do casal mesmo. Cada organismo se comporta de uma forma.

  21. Bina diz

    Olá, li o seu relato por estar procurando por assuntos relacionados a soro discordantes.
    Sou soropositiva, já estou a 10 meses em tratamento. Contrai do meu ex marido, e mesmo com o diagnóstico decidimos ficar juntos e nos apoiar naquele momento, no entanto outras situações adversas levou ao fim do nosso relacionamento. Meu maior medo do fim era me sentir sozinha nesse mundo, de nunca mais conseguir me relacionar com ngm, e pensava com quem iria compartilhar isso? Até hj nem meus pais sabem disso, somente meu ex.
    No entanto, com o fim deste racionamento me reaproximei de uma pessoa que me relacionei na adolescência, a uns 15 anos atrás para se ter idéia, fomos namorados na época. No entanto estamos tendo um contato virtual, considerando que no momento ele vive em outro país, mas por saber que estou solteira no.momento está alimentando esperanças que nos encontremos e fiquemos juntos, já fala de me levar para lá onde ele vive, muitas expectativa.
    No entanto, eu ainda não consegui contar a ele minha condição como soropositiva, estou completamente envolvida por ele, e já não sei mais oq fazer!! Medo de contar e ele não aceitar, e como contar a a uma pessoa oq eu não tive coragem nem de contar a minha mãe, me identifiquei muito em sua carta, pois acho que ele não merece isso para a vida dele, que ele eh jovem bonito e saudável. Tenho medo do preconceito dele, tenho medo dele se preocupar com a opinião dos outros que venham a ficar sabendo. Sei que tenho.que contar o quanto antes, não posso viver nessa pressão de alimentar expectativa minhas e dele, só. Mas confesso, sinto mais vontade de me afastar, sumir da vida dele doq falar isso. Qual a experiência de vcs sobre o.momento de contar? Muitas vezes foram recebidos com preconceito pela pessoa que amam ou o preconceito está mais em mim noq nos outros? Acho que nem eu me aceito, não espero que ele também aceite.

  22. Lady diz

    Boa noite! 🙂
    Namoro um soropositivo a 6 anos,sou soronegativa.
    Decidimos ter um filho,já fomos encaminhados para o processo,mas estou preocupada pois tenho pressão alta que é considerada de risco numa gravidez.
    Será que vão barra a inseminação?
    Alguém sabe sobre algo?
    Desde já agradeço! !!

  23. Daniel diz

    Parabens, pelo seu modo de pensar e pela sua postura!
    Estou numa situacao parecida, conheci numa balada um rapaz, com quem me afeicoei e ja cheguei ate a conhecer seus pais, amigos, trabalho e tal…
    Mesmo c seus defeitos de ser um pouco individualista e irritadinho, comecei a perceber algo maior q afeicao, comecamos a namorar; percebia algo um pouco misterioso, mas q n fosse consideravel; certo dia eu fiz um download e na pasta tinham alguns outros arquivos, cm sou curioso, os abri…..
    ………….
    Era um teste de Hiv, resultado Reagente, na hora fiquei meio sem acreditar, mas era uma coisa clinica, comprovada, entrei em estado lunar, fora de orbita, mas consciente.

    Ele chegou 10m depois, eu agi normalmente, saimos de carro e n aguentei, soltei a pergunta: tem algo q vc gostaria ou q devia me contar, ele disse que depende, que existem coisas relativas e eu tranquilamente disse: entao ta bom; ele parou o carro e disse: fala, o que aconteceu, dai falei q vi no pc e tal.. ele respirou e disse: Bom, é verdade, aconteceu tal epoca, c tal pessoa….

    Minha reacao…. chorei, pois vi que algo podia me tirar o unico cara q realmente gostei e que sentia q tinha o mesmo sentimento; claro q preservar minha integridade passou pela minha mente, mas ver o rosto q eu adorava acariciar me dizer: se vc quiser terminar, eu vou entender, me partiu o coracao…..

    Respondi:
    Claro que nao, meu querido, eu so n quero te perder. E dos seus labios eu ouvi o mais lindo e sincero: ‘Eu te amo’ da minha vida;
    *so de lembrar, ja choro

    Decidimos continuar, mas ele tem medo de m passar e tal, eu digo q é so nos previnirmos e ele tomar certo os remedios; uma vez tive de recorrer a Pep; no primeiro dia: vomitei a noite e tive muitissimo enjoo, estes efeitos colateraia sao fortes, mas no segundo dia tomei Plasil e nao senti mais nada, GRACAS A DEUS!!!

    Enfim, estamos juntos, tomando todos cuidados e vivendo o maia proximo da naturalidade.

    Espero ter ajudado a outros c esse depoimento

  24. lua diz

    Bom dia!
    Namoro um soropositivo a 6 anos, estamos pretendendo ter um filho, já fomos encaminhados …
    Minha duvida é!
    Eu tenho pressão alta,será que eles vão autorizar a inseminação?
    Estou preocupada pois seria uma gravidez de risco devido a minha pressão!
    Quero muito dar ele um filho, pois ele é louco pra ser pai e eu o amo muito…
    Obs:Os exames dele estão ótimos!

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