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A Declaração Suíça, oito anos depois


Swiss Medical Weekly

Oito anos atrás, em 30 de janeiro de 2008, a Comissão Federal Suíça para Questões Relacionadas à Aids (atual Comissão Federal Suíça de Saúde Sexual) publicou uma declaração que, no campo dos assuntos envolvendo o vírus da imunodeficiência humana (HIV), rapidamente recebeu o nome de “A Declaração Suíça”. Essa declaração falava sobre a infecciosidade de uma pessoa soropositiva uma vez que o vírus foi suprimido de forma estável por pelo menos 6 meses sob terapia antirretroviral. Apesar da falta de resultados de grandes estudos randomizados, a Comissão considerou, com base em uma avaliação feita por especialistas, que o risco de transmissão do HIV sob tratamento e com carga viral indetectável é negligenciável.

A publicação era primordialmente destinada a médicos suíços, informando-os de que já era hora de discutir sobre os novos dados a respeito da infecciosidade com seus pacientes. Diferenças problemáticas nas mensagens de prevenção já estavam sendo observadas pela Comissão: alguns médicos falavam abertamente com seus pacientes e reafirmavam sobre o baixíssimo risco de transmissão do HIV sob antirretrovirais e carga viral indetectável, quando estes pacientes diziam ter tido relações sexuais sem preservativo com seu parceiro fixo, enquanto outros diziam aos seus pacientes soropositivos sob terapia antirretroviral que qualquer prática sexual sem preservativo — mesmo com um outro parceiro soropositivo — era arriscada.

Naquela época, já estava claro que a terapia antirretroviral de fato reduzia a probabilidade de transmissão, mas a estimativa da Comissão sobre a magnitude deste risco não era discutida com os pacientes e nem comunicada amplamente. A Comissão resumiu o conhecimento epidemiológico e biológico conhecido na época e concluiu que o risco de transmissão do HIV entra casais sorodiscordantes, onde o parceiro positivo estava em tratamento antirretroviral e com carga viral indetectável, pode ser considerado negligenciável. O foco da Comissão era sobre como divulgar esta informação para um casal em que um dos parceiros era soropositivo.

 

As primeiras reações à Declaração Suíça

Reações à Declaração Suíça vieram de muito mais longe e com muito mais agressividade do que jamais antecipado. Embora a publicação tenha sido apenas em alemão e francês, e formulada como fonte de informação para os médicos suíços sobre a maneira de informar seus pacientes e seus parceiros, foi imediatamente republicada em inglês e, em seguida, atraiu atenção da mídia internacional.

“A terapia antirretroviral tem o potencial de aliviar as pessoas que vivem com HIV do ônus da culpa.”

As reações positivas vieram principalmente de grupos de soropositivos, que observaram que a Declaração “favorece a qualidade de vida e — acima de tudo — a integração social das pessoas com HIV”. Outra reação destacou que a Declaração trazia a primeira informação clara de que “a terapia antirretroviral tem o potencial de aliviar as pessoas que vivem com o HIV do ônus da culpa, ansiedade e medo de responsabilidade criminal diante da possibilidade de transmitir o HIV para outras pessoas”.

No entanto, no início, houve também muitas reações negativas, que vieram principalmente dos campos médicos e de saúde pública. Curiosamente, havia dois tipos principais de crítica que, aparentemente, contradiziam uma à outra: um grupo alegava que, embora a afirmação fosse verdadeira, não deveria ser tornada pública, por causa do medo da compensação de risco e/ou desinibição comportamental, que acabaria por aumentar a epidemia de HIV e os riscos de transmissão de outras doenças sexualmente transmissíveis (DST). Outro grupo argumentava que o risco de transmissão do HIV através relações sexuais com um parceiro com carga viral suprimida não era negligenciável (especialmente no sexo anal).

Basear mensagens de prevenção ao HIV dentro de informações falsas ou desatualizadas pode ter consequências graves.

É ético reter informações dos pacientes por causa de (injustificado) temor de que a epidemia possa piorar como resultado de informá-los? A Comissão acreditou que a informação sobre a prevenção do HIV precisava ser bem ponderada e individualizada. Por um lado, é importante considerar as consequências indesejáveis, tais como a compensação do risco e/ou desinibição comportamental. Por outro lado, basear mensagens de prevenção ao HIV dentro de informações falsas ou desatualizadas também pode ter consequências graves para a credibilidade daqueles que as divulgam, prejudicando a confiança entre os órgãos públicos de saúde e o público, médicos e pacientes.

Antes da Declaração ser publicada, a Comissão tentou encontrar provas de consequências negativas causadas pela compensação do risco e/ou desinibição comportamental. Ficou claro que a desinibição comportamental já estava acontecendo, como demonstrado por pesquisas de uso do preservativo e do rápido aumento da incidência de sífilis entre homens que fazem sexo com homens (HSH) na década anterior. Enquanto isso, em São Francisco, onde havia bons dados sobre a epidemiologia do HIV e outras DSTs, não havia sido observado qualquer aumento paralelo da incidência de HIV, apesar de um aumento de outras DSTs.

No entanto, os críticos da Declaração raramente consideravam o vasto potencial de uma série de efeitos positivos decorrentes da informação de que o tratamento do HIV também é prevenção. Um desses efeitos foi na adesão ao tratamento. A adesão altruísta — tomar os antirretrovirais regularmente para que meu parceiro não seja infectado — é resultado do conhecimento da não-infecciosidade perante o tratamento antirretroviral totalmente supressivo. Isso foi relatado por muitos pacientes e, recentemente, foi proposto como uma base relevante para o aumento da adesão.

A adesão individual e o número de pessoas fazendo tratamento aumentaram após a publicação do comunicado na Suíça.

De fato, tanto a adesão individual quanto o número de pessoas fazendo tratamento aumentaram imediatamente após a publicação do comunicado na Suíça, em 2008. Embora não possa ser demonstrado que isso é resultado de discutir abertamente sobre o risco limitado de transmissão do HIV durante o uso dos antirretrovirais e com carga viral indetectável, é intuitivo conceber que o conhecimento dessas informações adicionais sobre a não-infecciosidade sob o uso de antirretrovirais ajudou pacientes a se motivarem para iniciar e/ou aderir ao tratamento. Notavelmente, na Suíça, a taxa de tratamento supressivo entre aqueles com diagnóstico de HIV foi de 85% em 2012. Esse percentual é um dos mais altos em todo o mundo, o que sugere um efeito benéfico potencial da Declaração Suíça sobre a adesão ao tratamento.

 

Por que a Declaração Suíça alega “risco negligenciável de transmissão”?

Um dos equívocos mais comuns sobre a Declaração se refere ao método utilizado para estimar o risco de transmissão do HIV sob antirretrovirais. A falta de dados de estudos randomizados levou alguns especialistas a afirmar que a Declaração foi baseada em absolutamente nenhum dado sequer. Embora a Declaração tenha sido baseada em uma análise clara de todos os dados disponíveis, ela partiu de um exemplo de conhecimento limitado. Em meados dos anos 80, o público foi informado de que o HIV não poderia ser transmitido por beijo ou através de contato domiciliar não-sexual, apesar de limitados dados prospectivos para apoiar esta afirmação — na verdade, apenas um estudo avaliou corretamente essa questão, com base em 100 contatos domiciliares.

Estamos todos de acordo de que a observação de que não há casos documentados é o argumento mais forte para nos fazer acreditar que o beijo é seguro.

A razão pela qual estávamos confiantes o suficiente naquele momento para dizer que não havia risco de beijar ou de viver com um parceiro soropositivo era simplesmente porque não foram observados tais casos de transmissão. Se esses dados fossem tratados tão rigorosamente como a questão da transmissão sexual sob antirretrovirais, teríamos que usar o nível de confiança de 95% para expressar a margem superior de risco. O fato de haver zero caso entre contatos domiciliares teria que ser expresso com um intervalo de confiança de 95% entre 0-30%. Curiosamente, não há estudos adicionais realizados para demonstrar o risco de beijar, apesar do limite superior de 95% de confiança (com taxa de transmissão de 30%) a partir deste pequeno estudo individual. Estamos todos de acordo de que a observação global de que não há casos documentados é o argumento mais forte para nos fazer acreditar que o beijo é seguro.

Não havia absolutamente nenhuma indicação de que uma única pessoa com uma carga viral indetectável tivesse transmitido o vírus.

No entanto, a mesma “evidência” da não-observação também estava disponível em 2008 para o caso da transmissão do HIV a partir de uma pessoa com carga viral totalmente suprimida sobantirretrovirais. Não havia absolutamente nenhuma indicação — nem de relatos individuais e nem dos poucos estudos observacionais — de que uma única pessoa com uma carga viral indetectável tivesse transmitido o vírus. Na verdade, se a transmissão tivesse ocorrido a uma taxa superior a 1:100.000 atos sexuais, teríamos esperado pelo menos um evento documentado na época. Essa estimativa foi baseada na frequência do sexo sem preservativo reportado entre casais de diferente sorologia para o HIV (25% em questionários anônimos) e do grande número de pacientes sob tratamento (>400.000 na Europa e EUA durante os últimos 5 anos) e uma média de frequência de três atos sexuais por mês com um parceiro fixo (aproximadamente 30% da população) e em uma probabilidade de apenas 1% de documentação do ocorrido. O fato de que nenhum caso foi relatado em todo o mundo era provavelmente o argumento mais forte a Comissão tinha.

É importante salientar que a Comissão resumiu também a evidência dos estudos publicados ou prospectivos apresentados, mas apenas alguns estudos prospectivos que avaliavam o risco de transmissão sob antirretrovirais estavam disponíveis na época. Embora esses estudos fossem resumidos a menos de 200 anos de observação sob antirretrovirais, eles demonstravam claramente que não havia qualquer transmissão neste cenário. No entanto, com o número limitado de parceiros, o intervalo superior de confiança de 95%  de zero transmissão foi apenas na faixa de 1 por 100 pacientes-ano. Contudo, todas as evidências desses estudos eram muito menos convincente do que o simples fato de que nenhum caso de transmissão no cenário descrito havia sido observado ou documentado.

Na época em que a Declaração Suíça foi publicada sabia-se que o importante estudo HPTN 052, que tem como objetivo abordar o efeito dos antirretrovirais sobre o risco de transmissão de uma forma randomizada controlada, estava em andamento. No entanto, com base nos planos originais do estudo, os resultados não eram esperados até 2016. Pelas razões descritas abaixo, a Comissão decidiu não esperar com sua Declaração até que os resultados HPTN 052 estivessem disponíveis. A partir do protocolo do HPTN 052 era também sabido que o estudo iria ser antecipado se uma certa diferença nas taxas de transmissão fosse observada, o que tornaria a continuação dos dois braços do estudo antiéticas. Assim, o HPTN 052 levou a concluir (no caso de não transmissão observada durante terapia antirretroviral supressora) que o intervalo de confiança de 95% para o risco de transmissão seria inferior a 0,3 a cada 100 parceiros-ano (menos do que 1 em 300 parceiros-ano). Já em 2008 estava claro que, no melhor dos casos de zero transmissão dentro do estudo HPTN 052, este só seria capaz de demonstrar um nível de confiança superior de 95%  para a transmissão (1 em 300 parceiros-ano), que era ainda menor do que a Comissão havia antecipado com “nenhum caso documentado”.

 

Alguns sinais de urgência para publicar a Declaração Suíça

Mas por que a Comissão não aguardou os resultados do estudo randomizado controlado? Ela foi confrontada com uma série de circunstâncias que considerava tão importante que seus membros sentiram que era impossível, talvez mesmo antiético, para aguardar os resultados do HPTN 052. Três questões foram de maior preocupação:

Primeiro e mais importante, na Suíça houve numerosos casos de condenações penais injustas de indivíduos que estavam em tratamento antirretroviral supressivo e que tiveram relações sexuais sem preservativo com um parceiro soronegativo. Algumas destas condenações ocorreram mesmo quando o parceiro soronegativo estava ciente do status positivo para o HIV de seu parceiro e tinham consentido em não usar o preservativo. Estes processos, que seguiam como “exposição ao HIV”, enquadravam-se nos termos do artigo §231 do Código Penal Suíço (sobre propagação de doenças perigosas), com penas de prisão que variam entre 18 meses e 4 anos, além de uma multa de até 80.000 francos suíços [o equivalente a R$ 284.344,00, de acordo com o UOL Economia em 10 de junho de 2016] — penas estas muito mais mais duras do que para outros “crimes” não-relacionados ao HIV. Consequentemente, os especialistas jurídicos da Comissão votaram por uma declaração clara, a fim de impedir que estes processos injustos prosseguissem.

Com base na percepção de risco excessivamente elevada, casais optaram por uma intervenção mais onerosa e que teve taxa de sucesso menor do que a concepção natural.

Em segundo lugar, a Comissão tinha observado um número crescente de casais sorodiscordantes (quando só um dos parceiros é positivo para o HIV) que queriam conceber um filho, mas não eram capazes de alcançar esse objetivo com sexo sem preservativo, devido ao medo sobrevalorizado de transmissão. Em 1996, em St. Gallen, começamos a colaborar com centros europeus, oferecendo assistência reprodutiva para casais sorodiscordantes. Tal como em outros lugares de todo o mundo, a inseminação intrauterina com sêmen processado era oferecida às parceiras soronegativas de homens soropositivos. Com aconselhamento contínuo nesta população, começamos a perceber, no início de 2000, que todos os parceiros do sexo masculino estavam sob tratamento antirretroviral totalmente supressivo e, em seguida, que o risco percebido (pelos parceiros) era de magnitude maior do que as nossas próprias estimativas. Com base na percepção de risco excessivamente elevada, esses casais optaram por uma intervenção mais onerosa e que teve uma taxa de sucesso significativamente menor do que a concepção natural.

Em outras partes do mundo, o debate público sobre os riscos de transmissão mais baixos do que eram percebidos não estava ocorrendo.

Em 2013, quando começamos a informar esses casais sobre o baixo risco de transmissão (1/100 parceiros-ano ou inferior), todos os parceiros (com exceção de um único casal) optaram pela concepção natural (com garantias adicionais, como a relação sexual cronometrada e profilaxia pré-exposição) como sua modalidade preferida para concepção. Essa experiência demonstrou que os indivíduos soropositivos (e seus parceiros) puderam, de fato, decidir de forma diferente depois de um aconselhamento abrangente e que abordou todos os fatos a respeito do risco de transmissão conhecidos naquela época. Nós ainda não tínhamos publicado a Declaração, a qual veio a ser a fonte de informações que acabou de fazer uma grande diferença na vida dos nossos pacientes. Infelizmente, em outras partes do mundo, o debate público sobre os riscos de transmissão mais baixos do que eram percebidos não estava ocorrendo. Algumas autoridades (e médicos) em todo o mundo ainda não estavam divulgando essa informação, apesar da obrigação ética de fazê-lo.

O terceiro argumento que motivou o grupo a publicar a Declaração Suíça e, assim, promover a tomada de decisão compartilhada (em vez de colocar a responsabilidade da prevenção do HIV unicamente na pessoa que vive com HIV), foi a consideração desequilibrada sobre os diferentes riscos que se dava no debate público. Já mencionamos a diferença marcante entre a percepção dos riscos de transmissão do HIV através do beijo em oposição à práticas sexuais sem preservativo sob tratamento antirretroviral, quando os dados disponíveis para comprová-los são comparados. Mas mais surpreendente é a diferença na comunicação a respeito do risco para a transmissão sexual vírus da hepatite C (HCV) a parceiros heterossexuais estáveis. Sabemos que a transmissão sexual do HCV é rara, embora a transmissão heterossexual já tenha sido claramente relatada. No entanto, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirmam: “pessoas positivas para o HCV com o parceiro sexual estável de longo prazo não precisam mudar suas práticas sexuais”.

 

Oito anos mais tarde, nenhuma evidência surpreendente

Agora, oito anos mais tarde, muito pouco mudou em nossas estimativas de risco de transmissão do HIV. É importante salientar que a evidência mais convincente — o fato de que não há qualquer transmissão documentada sob tratamento antirretroviral e carga viral indetectável — continua a ser o argumento mais forte a apoiar a Declaração Suíça. Na verdade, esse período acrescido de oito anos ainda sem qualquer caso documentado, aumenta significativamente a força da argumentação inicial, pelo menos, duplicando da evidência.

Mais importante ainda, a Declaração Suíça era provocante e alimentou a pesquisa científica para tais casos. Apesar da publicação do “Caso Frankfurt”, em que foi observada uma transmissão de HIV sob terapia antirretroviral, anos antes da Declaração Suíça, nenhum outro caso foi documentado desde então. Notavelmente, o Caso Frankfurt envolveu um casal com transmissão documentada, porém, a transmissão se deu durante o tempo anterior ou logo após o início do tratamento antirretroviral, o que impede de comprovar ou descartar o ocorrido.

Se apenas transmissões após os primeiros seis meses de tratamento forem consideradas, a eficácia seria de 100% com risco zero de transmissão.

Como mencionado acima, o estudo HPTN 052 só observou casos de transmissão durante a terapia antirretroviral que ocorreram pouco depois (dias) depois do início do tratamento. Se apenas transmissões após os primeiros seis meses de tratamento forem consideradas (conforme estipulado na Declaração Suíça), a eficácia seria de 100% com risco zero de transmissão. Neste caso, o tempo de observação teria de ser reduzido para o período de seis meses, o que também afeta a estimativa superior de risco de transmissão de 95% para “zero”. Esta modificação da avaliação de risco em um limite de confiança superior de 95% resulta num “risco zero” de 0,3/100 parceiros-ano. Este nível superior do intervalo de confiança é de 3 a 4 vezes menor do que a evidência disponível a partir dos estudos que a Comissão dispunha em 2008. Além disso, o estudo prospectivo e estudo em andamento PARTNER, o qual recrutou casais sorodiscordantes que têm relações sexuais sem preservativo, incluindo 40% de casais HSH, apoiou a evidência de zero transmissões com 894 parceiros anos adicionais de acompanhamento, aumentando ainda mais a nossa confiança de que o verdadeiro risco está perto — se não for mesmo zero.

No entanto, alguns autores ainda usam limites de confiança maiores e extrapolam os riscos de 10 anos e concluem estimativas implausíveis de alto risco cumulativo. Usando essa estratégia, Lasry et al. postularam riscos extremamente elevados de transmissão cumulativos para alguns tipos de exposições [24], como um risco de 2% após 10 anos de exposição entre parceiros heterossexuais sorodiscordantes — um risco que já deveria ter resultado em vários casos de transmissão observado no estudo Swiss HIV Cohort, o que ainda não ocorreu. A melhor interpretação de tais exercícios matemáticos é concluir que os esses limites de confiança maiores são demasiado elevados para refletir a vida real.

Vários grupos têm aceitado as informações de estudos como o HPTN 052 e PARTNER para dar confiança suficiente de que o sexo sem preservativo, sob terapia antirretroviral e carga viral indetectável é seguro entre casais heterossexuais, mas continuam a questionar a segurança dos antirretrovirais para prevenir a transmissão sexual entre HSH. No entanto, o argumento da não-documentação que foi usado na Declaração Suíço, e se tornou ainda mais forte depois de mais de oito anos de observação, também se aplica aos HSH — talvez mais ainda, uma vez que HSH ainda são o grupo mais afetado pelo HIV em todo o mundo e, portanto, contribuem substancialmente para o resultado de “não-documentação”. Além disso, nos dois anos de análise preliminar dos estudo Opposite Attracts, como esperado, também não foi observada qualquer transmissão do HIV.

Apesar do aumento de práticas sexuais sem preservativo, temos observado uma diminuição nas novas infecções por HIV na Suíça.

O receio do aumento nas infecções por HIV devido a um efeito desinibidor da Declaração Suíça se cumpriu? A partir do estudo Swiss HIV Cohort sabemos que o sexo sem preservativo tornou-se muito mais prevalente após a publicação da Declaração. Mas, apesar do aumento de práticas sexuais sem preservativo, temos observado uma diminuição constante nas novas infecções por HIV na Suíça desde 2008. A Declaração Suíça tentou identificar ainda a situação de maior confiança para a afirmação de “ausência de risco”, com base nas evidências disponíveis. Por conseguinte, verificou-se que um efeito negativo da interferência de outras DSTs não poderia ser excluída. No entanto, as evidências mais recentes sugerem que esta medida de segurança adicional é menos importante. O estudo randomizado HPTN 052 e o prospectivo PARTNER não viram tal efeito. Kelly et al. também documentaram a supressão estável da carga viral do HIV no reto na presença de DSTs bacteriana.

 

Apesar de evidência crescente, nenhuma aceitação global

Em resumo, nos últimos oito anos, um estudo randomizado e dois estudos observacionais em andamento continuam a apoiar a hipótese de “ausência de risco” da Declaração Suíça, Além disso, a base para a Declaração — a ausência de casos observados — aumentou ainda mais ao longo do tempo. Uma vez que este foi um tema quente desde sua publicação, pode-se esperar um grau ainda maior de escrutínio entre os médicos para investigar e publicar casos suspeitos, em comparação aos anos anteriores a 2008. Portanto, mais uma vez, a falta de casos documentados deve ser ainda mais convincente do que era em 2008.

Ainda assim, algumas autoridades, como o CDC, continuam relutantes em considerar o sexo sem preservativo com um parceiro sob tratamento antirretroviral totalmente supressivo como seguro o suficiente para recomendar que os médicos discutam abertamente essa opção com seus pacientes. Na verdade, o CDC chegou a propor que os indivíduos soronegativos com parceiros fixos soropositivos não só devessem usar preservativos, mas também fazer uso de profilaxia pré-exposição (PrEP), como uma salvaguarda adicional. A recomendação vem sem um cálculo do número e custo para prevenir um único caso de infecção pelo HIV.

 

Não há mais processos por exposição ao HIV na Suíça

Havia três questões fundamentais que motivaram a publicação da Declaração Suíça em 2008, ao invés de esperar a evidência do HPTN 052: criminalização, concepção e a convicção de que era ético envolver os pacientes na tomada de decisão compartilhada. Os efeitos positivos da Declaração excederam as expectativas da Comissão, tanto em termos de geografia e como de impacto.

Até 2008, a Suíça era um dos países com o maior número de condenações por exposição percebida ou potencial do HIV. O efeito da Declaração foi tão convincente que o procurador-adjunto de Genebra, Yves Bertossa, pediu uma revisão de uma acusação exposição ao HIV depois de ler a Declaração Suíça. O Tribunal de Justiça de Genebra posteriormente anulou a condenação e não houve mais relatos de processos por exposição ao HIV, uma vez a decisão.

Além disso, a Declaração Suíça influenciou outros grupos de especialistas a elaborar outras declarações, as quais têm impactado a política de direito penal em algumas jurisdições, incluindo Canadá, Inglaterra, Escócia e Suécia. Apesar disso, o número de jurisdições que reconhecem o benefício do tratamento como prevenção no contexto do direito penal ainda é frustrantemente baixo. Esperamos que outros especialistas em ciência do HIV, da saúde pública e de legislação em todo o mundo que cumpram responsabilidades profissionais e éticas para ajudar aqueles no sistema de justiça criminal a compreender e interpretar as evidências médicas e científicas atuais sobre o HIV e, assim, tomar medidas semelhantes.

 

Não há necessidade de inseminação artificial na Suíça

Inúmeros casais sorodiscordantes já conceberam filhos naturalmente.

A segunda consequência positiva na Suíça após a Declaração foi a “normalização” da concepção entre casais sorodiscordantes. Pacientes suíços e seus parceiros aprenderam rapidamente que não havia nenhum risco relevante de transmissão sob o abrigo tratamento antirretroviral com carga viral indetectável e, portanto, a necessidade de tecnologia de reprodução artificial para conceber uma criança não era mais um problema para os casais férteis. Como consequência, a assistência reprodutiva não foi mais utilizada na Suíça após a Declaração, o que foi bem apoiado por médicos e especialistas na prevenção do HIV na Suíça. Inúmeros casais sorodiscordantes já conceberam filhos naturalmente na Suíça. Em contraste, nos países vizinhos, onde ainda falta uma declaração oficial sobre o risco de transmissão, os centros reprodutivos ainda oferecem inseminação com sêmen processado, por vezes, a um custo elevado, o que significa que os direitos reprodutivos das pessoas que vivem com HIV, por vezes, não são alcançados.

 

Empoderamento de médicos e de pessoas vivendo com HIV

A Declaração Suíça também encoraja médicos e outros profissionais de saúde em todo o mundo a falar honesta e abertamente com seus pacientes sobre o benefício do tratamento antirretroviral como prevenção. Em 2013, as diretrizes consolidadas da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tratamento como prevenção reconheceram pela primeira vez o efeito adicional de prevenção do HIV graças aos antirretrovirais. Posteriormente, a Sociedade Internacional de Aids produziu uma orientação influenciada pelo pragmatismo e honestidade da Declaração Suíça, a fim de ajudar os profissionais de saúde a aconselhar seus pacientes sobre uma melhor compreensão e uma maior clareza sobre os benefícios do tratamento como prevenção.

O legado mais importante da Declaração Suíça foi o empoderamento das pessoas que vivem com o HIV.

Muito provavelmente, o legado mais importante da Declaração Suíça foi o empoderamento das pessoas que vivem com o HIV. Em 2009, a uma consulta técnica internacional sobre “prevenção positiva” convocada pela Rede Global de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (GNP+) e Unaids, um programa baseado nos novos direitos novos foi concebido: “Saúde Positiva, Dignidade e Prevenção”. Antes disso, muitos programas de “prevenção positiva” vinham colocando um peso indevido da responsabilidade da transmissão do HIV sobre as pessoas soropositivas. O novo foco da prevenção da transmissão do HIV é de uma responsabilidade compartilhada de todos os indivíduos, independentemente da sua condição para o HIV.

Políticas e programas baseados em direitos humanos e sustentados em evidências suportam as pessoas que vivem com HIV a fazer escolhas que atendam suas necessidades e lhes permitam viver uma vida saudável, livre de estigma e discriminação, tal como aquelas implementadas na Suíça em sequência à Declaração Suíça. Estes benefícios positivos nunca devem ser subestimados como parte do esforço para acabar a duplas epidemia: de HIV e de estigma relacionado ao HIV.

Por Pietro L. Vernazza, Infektiologie/Spitalhygiene, Kantonspital St. Gallen, Suíça, e Edwin J. Bernard, HIV Justice Network, Brighton, Reino Unido, para o Swiss Medical Weekly em 29 de janeiro de 2016.

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60 comentários

  1. Curioso diz

    Existe algum risco o sexo sem preservativo entre duas pessoas soropositivas, ambas com CV indetectável há mais de 6 meses e sem nenhuma outra DST?

  2. Gil diz

    Um texto longo para um final de semana onde trabalhei com temas cascudos nas aulas de pós, mas valeu muito a pena refletir.
    Também pensar que muitas vezes, ao descobrir a sorologia, ou ao se pensar na condição de portador do HIV a pessoa se sente como aquele personagem mordido por um zumbi e que sabe o que lhe acontecerá. E negligencia que pode ter vida normal, que pode fecundar, que não contaminará ninguém. Assim como não adoeceremos, mesmo sem livrar-nos ainda do vírus, se mantivermos o tratamento. Precisamos lembrar de botar mais fé e mais importância na ciência no nosso dia-a-dia.

  3. Alguém aqui é indetectável e paciente do Ésper? O que ele diz sobre isso? Faz MUITO tempo que não vou lá…

    • FG-PR diz

      Barasa eu fui ano passado no Ésper, ele foi muito claro que se eu quiser ter um filho com minha esposa que é soronegativa eu poderia ter por vias normais desde que estivesse indetectável a mais de 6 meses. Eu também acredito nisso.

        • Herivaldo Virulato diz

          Também sou paciente do Esper e ele deixa clara a ausência de risco. Inclusive para minha esposa, que não toma PreP

          • O Esper me falou a mesma coisa, inclusive afirmou tudo isso a minha esposa, e ainda disse que alcançaremos a cura em vida.

            • Alexandre diz

              De acordo com o JS, o Dr. Ésper acredita na cura para daqui 3 anos. Falar que teremos a cura ainda em vida é um pouco confuso. Tem gente aqui no fórum que tem 18 anos e tem gente que tem 60, e aí? Se a cura vier daqui 50 anos a pessoa de 18 tem grandes chances de ver a cura, mas o de 60 anos tem pouquíssima ou nenhuma chance, sacou, EGC?

              • Certo Alexandre, o meu comentario foi mal postado, em meu caso na consulta ele falou que eu presenciarei a cura, as vezes acredito, as vezes não, mais vou seguindo.

                • Alexandre diz

                  Relaxa, EGC. Vc verá a cura, sim. Como escrevi, o JS disse que o Dr. Ésper aposta em 3 anos. Acho uma aposta ousada, mas quem sou eu para discordar do Dr. Ésper.
                  Grande abraço, EGC!

                    • Alexandre diz

                      Barasão, o JS postou uma matéria dizendo que a cura será possível em breve e poucos dias depois postou uma outra matéria dizendo que a maioria dos cientistas concordam que estamos a décadas de distância. Daí eu o questionei e ele se justificou falando que tem muito cuidado ao postar determinadas matérias aqui, e que esse cuidado envolve uma conversa prévia com o Dr. Ésper.
                      https://jovemsoropositivo.com/2016/04/09/o-que-e-inflamacao-cronica/#comments
                      Olha aí. Vai rolando a tela até chegar nos meus comentários e tire suas conclusões. Pra mim ficou muito claro.

                  • Mutatis Mutandis diz

                    Poxa, num post só encontrar colocações de Barasa, EGC, Herivaldo e Alexandre é muito gratificante.

                    Gosto muito dos Senhores: são sempre colocações pertinentes, inteligentes, trazendo inovações, perguntas diretas e muita lucidez nesse processo de vivência/espera da cura.

                    Apareçam sempre. Esse blog tem muito, e bom, conteúdo e informação nos artigos e posts do JS, mas ganha vida mesmo é nos comentários, assim penso eu!

                    Certamente temos outros membros nesse blog que tb contribuem nesses aspectos, não dá pra lembrar de todo mundo (faltou o D-Pr, por exemplo, rsrsrs)

                    JS, nem vou rasgar seda contigo….brilhante informação! Parabéns,garoto!

                    Mutatis Mutandis

  4. Alanpos diz

    Não entendi nada. Texto muito confuso.

    Indetectáveis transmitem ou não no sexo sem preservativo com sorodiscordante?

    • Acreboy diz

      Alanpos, o texto é longo, porém, não é confuso e ele deixa claro que, após 8 anos da declaração da Suíça não houve registros de infecção de HIV por seres com carga viral indetectável há mais de seis meses.
      Uma prova disto foi o aumento de outras DST’s durante o mesmo período, ou seja, carga viral indetectável não transmite, ou melhor, tem poucas chances de contaminação, todavia, ela não exclui o risco que temos de sermos contaminados por uma sífilis, hepatite, etc, logo, camisinha no bilau sempre meu caro

      😉

  5. Diego diz

    Rapaz, que texto lindo. Por curiosidade acabei de ler a carta de declaração da Suíça (por ser profissional de saúde, pesquisador e portador, fiz questão de ir atrás da fonte original, e de algumas das fontes citadas no artigo original da Declaração Suíça), posso dizer que me abriu os olhos para tantas questões que vc não faz ideia, muitas das quais ligadas ao porquê isso não é – e possivelmente não será – divulgado em amplidão. Lidar com temáticas como estas exigem um certo discernimento e compreensão de aspectos ligados a educação em saúde, o que é raro de se ver em boa parcela da população brasileira. As pessoas não saberiam lidar com isso, achariam que o fato de não transmitir desse modo seria um viés para “liberdade sexual”, logo, o número de outras DST aumentariam significantemente, tal como, possivelmente, o número de infectados que não seguissem as recomendações. Acompanharei mais a fundo estes estudos e os comentários no blog. Parabéns e obrigado pela troca.

  6. Sputnik diz

    Ótimo artigo. Eu geralmente uso esta Factsheet do Aidsmap pra educar meus parceiros soronegativos: http://www.aidsmap.com/Viral-load-and-transmission-a-factsheet-for-HIV-negative-people/page/2989764/.

    Pra mim, o importante tem sido me apegar aos fatos e à aplicabilidade dos números na vida real. Dificilmente os estudos apresentados darão 0% de probabilidade de infecção por parceiros indetectáveis. Isto talvez seja devido à representatividade das amostras com relação à população soropositiva mundial e ao intervalo de confiança resultante deste fato.

    Por exemplo, como resultado do estudo PARTNER, tem se falado muito em uma diminuição de 96% na probabilidade de infecção. Este número me incomoda; é como se eu estivesse submetendo meu parceiro a 4% de risco. Os investigadores comentam: mas o risco provável é 0%.

    Na verdade, eu acredito que esse risco teórico e estatístico tende a diminuir à medida que mais evidências sejam coletadas. O fato: nos estudos apresentados, nunca houve um caso registrado de transmissão de HIV por parceiros soropositivos que estejam com a carga viral indetectável.

    Minhas dúvidas: há alguma evidência de transmissão devido a outras ISTs (infecções sexualmente transmissívies) por parceiros soropositivos? Com medicamentos contemporâneos como o Triumeq, Genvoya (e mesmo o Stribild e Atripla), há ainda o risco dos chamados “viral blips”? Como estes 2 fatos influenciam a probabilidade / o risco de infecção?

    • não é bem isso, é uma redução de 96% na taxa de risco, não sendo o numero inicial 100% . Por exemplo, num risco normal de 1.5% de transmissão, tem de reduzir ele em 96%… é uma matemática. Se o risco normal era de 1% … o risco cai para 0,04% ( queda de 96% em cima do 1%, não dos 100%.

  7. cariocarj diz

    TRADUÇÃO:

    mmunotherapy atinge Breakthrough na eliminação de HIV
    INFECCIOSA DISEASERESEARCHUNITED UNIDO
    13/06/2016

    Immunocore publicou os resultados-chave para o seu novo candidato pré-clínico para o HIV, ImmTAV. Este imunoterapia baseada em TCR foi bem sucedida na segmentação células T onde a infecção por HIV, muitas vezes ‘peles’ de drogas.

    immunocore_hiv_t-cell_tcr_immtavJust depois de apresentar resultados promissores de seu principal candidato na ASCO 2016 (leia nossa cobertura aqui), Immunocore está fazendo manchetes em outra área – doenças infecciosas.

    O Biotech baseada no Reino Unido publicou principais resultados da sua investigação HIV na publicação da natureza Molecular Therapy. Realizado em colaboração com a Universidade de Oxford, o trabalho descreve a aplicação de TCR (uma espécie de irmão do CAR-T) para tentar curar o HIV.

    immtav_hiv_cd4 + _immunocore_oxford
    Visualização de matar ImmTAV-redirecionada de células T infectadas pelo HIV. (Fonte: Jenner Institute / Universidade de Oxford)
    Enquanto anti-retrovirais têm melhorado muito a gestão do HIV, cura total ainda está fora do alcance para os 37 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo.

    Um grande obstáculo na busca de uma cura é para apagar todas as cópias do HIV no corpo (reservatórios de vírus). Estas cópias persistem em + células-T CD4 longa vida, que muitas vezes mostram muito poucos sinais de infecção – como epítopos de HIV em sua superfície celular. Desta forma, eles podem escapar ao sistema imune.

    Em seu novo trabalho, Immunocore está mostrando o sucesso nesta frente. Seu candidato TCR para a doença infecciosa (ImmTAV) foi capaz de redirecionar o sistema imunológico para matar as células infectadas pelo HIV, mesmo aqueles ‘que estabelece baixo “, como as células T CD4 +.

    hiv_reservoir_latent_cd4 + _t-célula
    FIG. 1: A formação de descanso de células T CD4 + de memória em células saudáveis ​​e em células infectadas com VIH, em que o vírus HIV se integrados.
    O estudo foi realizado em células de pacientes infectados, que já tinham sido tratados com terapia anti-retroviral – assim ImmTAV tem potencial para melhorar a saúde das pessoas que têm a infecção pelo HIV sob controle.

    terapia de Immunocore trabalhou de forma mais eficiente do que a resposta imune natural do paciente de HIV uma vez que foi concebido para detectar níveis muito baixos de proteínas virais.

    hiv_latency_mechanism_reservoir_cure_strategy
    Visão geral dos mecanismos de latência do HIV (e papel essencial das células T CD4 +), bem como por que o sistema imunitário falha na limpeza de células T infectadas.
    Este tipo de estratégias de segmentação do reservatório já havia sido descrito como uma prioridade pelos figurões como Gilead.

    O sucesso da Immunocore nesta área foi fora do radar público (a sua informação divulgada é altamente focada em seus programas de câncer), mas talvez ele possa ajudar ainda mais a explicar a € 300M maciça que acumulou no ano passado de investidores privados.

    Em suma, esta é uma grande notícia na pesquisa do HIV. Poderia a velocidade Immunocore bem financiada passado outros candidatos para curar o HIV (como vacina lentivírus Theravectys “ou InnaVirVax anti-CD4 + anticorpo) que já estão em desenvolvimento clínico?

    Característica de Crédito Image: Pixabay
    Figura 1 Crédito: Han et ai. (2007) Experimental abordagens para o estudo do HIV-1 latência. Nature Reviews Microbiology (doi: 10.1038 / nrmicro1580)
    Figura 2 Crédito: Deeks et al. (2012) Rumo a uma cura de HIV: uma estratégia científica global. Nature Reviews

  8. Antonio diz

    Este é um artigo que descreve a importância de atividade física para a população em geral contra o envelhecimento. E claro que para o portador é mais intenso ainda. Se alguém quiser o artigo completo eu passo mandar.

    Aging May Impair Cells Ability to Respond to Exercise

    June 7, 2016 bcarney@carneycommunications.com Free Radical Biology and Medicine, Research, SFRBM

    If you’re an older adult, a 30-minute workout may not be as effective, even at the cellular level, as it was when you were younger. According to a new study, age may play a significant role in cell’s ability to respond to that activity.

    The study, led by Dr. Tinna Traustadóttir of Northern Arizona University, was recently published in Free Radical Biology and Medicine, a journal of the Society for Redox Biology and Medicine (SFRBM).

    In the study, a group of men age 18-30 were tested against a group of older men 55 years of age and older. Study participants were generally healthy, non-smokers, who were not taking antioxidant supplements in excess of a multivitamin, or any non-steroidal anti-inflammatory drugs for two weeks leading up to their study visit.

    The two groups cycled for 30-minutes, with blood being drawn at six time points to test cell function and antioxidant response. For this study, the exercise intensity was set relative to the individual’s maximal aerobic capacity as determined by a maximal oxygen consumption test during screening. It is known that older adults have a reduced aerobic capacity compared to young, thus this allowed the group to maintain the same relative workloads between young and old test groups.

    “Through this study we were able to determine that an individual’s antioxidant response to exercise becomes suppressed with age,” said Dr. Traustadóttir an Associate Professor at Northern Arizona University and SFRBM Member. “Exercise is effective and critical for people of all ages, but this study shows that older adults do not achieve the same beneficial cellular responses as younger adults from a single bout of moderate exercise.”

    The findings indicate a single session of submaximal aerobic exercise is sufficient to activate a important group of antioxidant genes at the whole cell level in both young and older adults. However, nuclear import of Nrf2, the regulator for this group of antioxidant genes, is impaired with aging. Nuclear import is required for Nrf2 to access the antioxidant gene targets. Together these data demonstrate for the first time the weakening of Nrf2 activity in response to exercise in older adults.

    Traustadóttir’s ongoing research aims to identify molecular processes responsible for age-related cellular changes. By better understanding the molecular signals promoting beneficial effects of exercise, definitive recommendations could be made for improving the body’s reaction to oxidative stress, which could lower the risk for many chronic diseases.

  9. Andre diz

    Olá a todos. Alguém já ouviu, leu ou faz tratamento com LDN (Low Dose Nalrexone)? e ozonioterapia?

  10. maxwell diz

    O que eu aprendi com o HIV:
    1: Que eu estando indetectável à mais de 6 meses e sem nenhuma outra DST eu não corro o risco de transmitir o vírus HIV.
    2: Que independente de não transmitir o vírus HIV a camisinha sempre será minha companheira pois foi por não usá-la que a contrai, portanto, não darei espaço para adquirir outra DST ou um HIV mais resistente. Só podemos responder por nós mesmo. Não podemos responder pelo nosso parceiro(a).

    • Goiano + diz

      O que eu aprendi com o HIV:
      3: eu estando indetectável por mais de 6 meses, posso engravidar uma mulher por vias normais.
      4: Aprendi que o HIV, não mata a não ser que eu tome a medicação regularmente.
      5: aprendi que não vou envelhecer tão rápido assim, como diziam antes.
      6: Aprendi que posso ser saudável, como qualquer uma outra pessoa.

  11. Gledson diz

    Olá pessoal, estou meio preocupado. Alguém daqui NÃO tomou a vacina contra a influenza? Somos do grupo de risco, mas n consegui toma-la de feito nenhuma! E agora, me parece que estou ficando gripado. Como os sintomas são praticamente os mesmos da gripe normal, ainda n fui médico.

    Alguém passou por isso? Abs.

    • Positividade de luz diz

      Olá querido,eu não tomei por opção,pois meu infecto que trata de portadores de H.I.V a mais de 18 anos me disse que ficava a meu critério tomar ou não,desde que a saúde estivesse bem,pois meu cd4 está 1090,tive um resfriado algumas semanas atrás curriqueiro,curado com remédios de gripe normal em 3 dias,estou ótimo graças à Deus e não pretendo tomar tal vacina,mas isso é a minha opinião,ok?

  12. Vircetti diz

    E a opinião dos infectologistas sobre tratamentos com tempo mais espaçados?
    Eles estipulam algum prazo pra q chegue no mercado?
    O q o esper kallas fala sobre isso?

  13. Amigo+ diz

    Oi amigos, sou portador desde fev/16, sou paciente do Esper e na minha última consulta o Esper me afirmou que em 2017 teremos disponibilizadas no SUS os novos medicamentos para o HIV, segundo ele, esses medicamentos já estão disponíveis na Europa e outros lugares do mundo.
    Hoje, se algum brasileiro quiser tomar esses medicamentos novos terá que desembolsar em torno de &2500,00/mês, mas segundo o Esper em 2017 receberemos de graça no Brasil esses medicamentos. Segundo ele, a grande novidade é que esses medicamentos novos causam pouquíssimos ef colaterais.
    Como minha carga viral é por natureza bem baixa e meu cd4/cd8 está bom ele disse que posso esperar até o ano que vem para iniciar o tratamento com os novos arvs.
    Vamos ver.
    Abraço a todos!

    • Tom diz

      Olá Amigo+,
      Meu infecto não me falou sobre isso.
      Mas na última consulta, mês passado, quando falaríamos sobre o início da tarv, ele olhou todos os exames.. e como falei sobre minha dificuldade pessoal em iniciar o tratamento, ele falou que posso esperar mais um pouco… tenho carga viral baixa, CD4 normal, não me relaciono com ninguém….
      Acho que os efeitos do efavirenz, pelas histórias que o pessoal conta por aqui, são os mais difíceis…..

      • Bahiuno diz

        Tom

        Meu diagnóstico foi novembro, e meu infecto deixou também de livre escolha iniciar o tratamento uma vez que a CV estava baixa e cd4 600. Demorei 6 meses para iniciar o tratamento por medo do efeito do efavirez porém já estou tomando o 3×1 e nem as tonturas eu tive. Na verdade meu maior medo é o efeito do tenofovir nos rins a longo prazo.

    • Bahiuno diz

      JS,

      Esper já falou sobre esses novos medicamentos com você. ? Quais serão? As pessoas que já fazem uso do 3×1 com boa adesão ao tratamento poderão trocar. ? Amigo + obrigado pela informação.

      • O mais provável é que o Dolutegravir, já incorporado ao SUS, venha em breve para a primeira linha. Se isso acontecer, todos que quiserem poderão trocar. Caso contrário, podem trocar aqueles se tiverem algum efeito colateral intolerável com o coquetel atual.

        • Marcos diz

          Jovem o Dolutegravir é tomado “sozinho” ou em conjunto com mais algum medicamento?

    • Alexandre diz

      O que mais me alegra na notícia de que no ano que vem os melhores ARV’s hj, em circulação na Europa e América do Norte, estarão disponíveis aqui no Brasil no ano que vem, é que provavelmente outros melhores ainda estarão disponíveis lá fora, tais como as injeções trimestrais. Estou considerando a hipótese de que tudo chega aqui por último, logo, isso é sinal que quando for primeira linha aqui nem é mais usado lá fora!

  14. Sol diz

    Eu também não consegui tomar a vacina,apesar da minha médica ter me receitado por escrito

    • Thiago diz

      Não consegui tomar também a vacina, acabou tudo, ia todo dia e nunca tinha .. aqui faz -4° essa noite, seja o que deus quiser

  15. Brumo diz

    Seria bacana se quem é soro negativo soubesse mais sobre o que é ser indetectável. O preconceito poderia diminuir (principalmente no que tange relacionamento). Tomei a vacina influenza na rede particular. Na minha cidade a temperatura está em torno de 15 graus. Imagina no inverno…

  16. Gente por favor preciso desabafar. Contar… Anteontem descobri, isso mesmo “descobri” q meu namorado é soropositivo. Conheci ele pela internet e iremos fazer cinco anos de namoro mês q vem. Eu morava na cidade vizinha e há sete meses me mudei p mesmo bairro e a gente é quase q casados agora. Tenho uma filha de quinze anos. Ele sempre foi uma pessoa maravilhosa p nós. Faz o q pode pela gente. Mas como já sofri demais nessa vida sempre desconfiei q príncipes não existem e q eu estava feliz demais p ser vdd. Pois bem. Eu sou um tanto ciumenta. E anteontem (dia dos namorados) inventei de olhar o e-mail dele e descobri em emails antigos (2009) q ele é soropositivo. Entrei em pânico! A gente só usou camisinha no primeiro ano. Me senti enganada! Ele disse q nunca contou pq todas as namoradas q ele arrumava caia fora quando ele falava e q ele estava indetectável. Eu na minha ignorância no assunto nem sabia o q era isso.Quase surtei! Esperei o dia amanhecer acordada e rezando. Fomos fazer o teste rápido. Foi os 40 min mais tenso da minha vida. Deu negativo e ele ajoelhou no chão ali mesmo, chorou o caminho todo dizendo q não contou com medo de me perder. Não passou pela minha cabeça abandona lo por isso. Isso é coisa de gente monstruosa, mas sim pela mentira. To me sentindo muito enganada. Eu queria uma pessoa p casar e ter um filho e ele sempre me enrolando. Nesses anos todos ele nunca tocou no assunto nada nadinha. O amo muito e não paro de chorar. Imagino o quanto ele sofreu e pode ainda sofrer, o q será do futuro? Eu sou 12 anos mais nova. Ontem a noite ele disse q não sabe se chega a envelhecer. Já perdi meu pai e dois irmãos de acidente em épocas diferentes. Sou uma pessoa sofrida com perdas. To com medo de não aguentar viver uma vida imaginando q posso perde-lo. To a fim de sumir

    • não é enganada não… não jogue fora um super cara por isso. Claro que ele chega a envelhecer e pela estatística vive mais que você. Estude mais sobre isso. HIV sob controle é mais inofensivo que diabetes…muito mais inofensivo… cuidado com as impressões dos anos 80… estigma e preconceito. Você teve medo pelo que sabia do HIV… sabendo o que é hoje, a coisa é diferente.
      Eu já chorei, ja fiz de tudo , sou a positiva..ele negativo. Pelo exame você ja teve a resposta… em tratamento ele não transmite. Agora, para, respira. e caia na realidade. Esqueça o que você sabia pois muita coisa ja não é verdade. Busque informações novas e atualizadas .hIV nao mata mais. nem de longe. Mata a opinião. Pense …voce esta sendo guiada pelo que sabia. Pelo que saberá é que será diferente, ai sim tera condições de pensar com conhecimento. Agora o que você tem é informação de 30 anos atras. LEmbre-se que muita coisa ha 100 anos matava. E hoje nem se fala mais nisso…pois é… estamos entrando nesta fase com o HIV. Quem tem não é errado ou sujo. Lembre-se que se você tivesse teria por amor. MAs não vai ter nunca… não se preocupe. É mais seguro estar com ele em tratamento do que passar por isso de novo… confie, se aqueça e abrace ele. Não sabe como é viver guardando algo. Apoie ele. Ele não deixa de ser o homem maravilhoso que era… e teve medo de ter perder. MAs seja maior e entenda.

      • Saiba que ele pode ter um filho com vc e você e a criança terem muita saúde. Em tratamento , não há transmissão nem pra vc nem pra criança. Por favor se de uma chance e busque informação nova. Real, não estes sentimentos de medo.

        • Olha…voltando novamente depois de ler….se ele diz que não chega a envelhecer pelamor né… leva ele em um bom infecto pra dar a real pra ele. Ele mesmo vive na sombra do antigamente. Nada a ver e se ele pensa assim ele ta completamente desinformado. Vai viver muito , vai morrer com 70,80, 90 anos. Nada a ver mesmo este pensamento dele. É o que dá pensar sem atualizar as informações. Cuidado somente com médicos de interior e desazados. Paguem um bom na capital… como o Esper Kallas e batam uma hora de papo com ele… VOCES VAO SAIR OUTRAS PESSOAS DISSO E ESTE FANTASMA VAI EMBORA, QUEIRAM VOCES OU NÃO! rs

          • Pequena + diz

            Olá Jessica Tamires Rios

            Boa tarde 😉
            Por favor não generalize os médicos por serem do interior, isso pode assustar as pessoas que estão chegando aqui.
            Muitas pessoas, assim como eu não vamos ter oportunidade de se consultar com médicos particulares como Dr Esper entre outros.
            Moro no interior do Paraná e meu médico é do SUS e muito bem informado, não tem idéias ultrapassadas sobre o assunto.
            Confio muito nele e batemos altos papos sobre o avanço do tratamento.
            Um forte abraço Pequena + ❤

            • FG-PR diz

              Pequena+ também sou do interior do Paraná. Também compartilho da sua opinião, meu infecto tem uma cabeça muito aberta.

      • Jessica. Obrigada por suas palavras. A cada hora q passa me acalmo mais. Ele disse isso pq estava triste. Agora a noite conversamos melhor. Ele me explicou seu tratamento,seus exames e que hoje dá p viver como qualquer pessoa. Eu usei palavras equivocadas aqui e com ele. To lendo muito sobre o assunto nessas últimas 48h e por isso vim parar aqui. Quero entender tudo. Quero ir nas consultas com ele. Não vou deixá-lo. O amo demais. Obrigada por suas palavras. Deus a abençoe grandemente.

        • Antonio diz

          Se acalme, faça como a Jessica disse, converse com um bom médico, tipo o dr Kallas ou o dr Ricardo Dias que eles são cientistas também e vão passar informações precisas para vc.

  17. Bruno Machado diz

    JS / Barasa
    Discussão de Alto nivel aqui no blog. Cheguei a pouco tempo, descobri sorologia a um pouco mais de um mês e meio, mesmo tendo informação, tenho me atualizado com os artigos aqui postados.
    Quanto ao artigo, acho justo e necessário sabermos que não transmitimos o Virus enquanto indetectaveis a mais de 6 meses.
    Mas e quanto ao preconceito, carma e estigma que a doença nos três? Quando vamos vencer essa luta? Porque e tão difícil assumir a doença sem ser julgado?
    Obrigado
    Bruno

  18. GoianoVHIVO diz

    Alguém pode ajudar a indicar um infecto, em Goiânia/GO, que coadune com tais pesquisas: HPTN 52 e PARTNER?
    Parabéns a tantas pessoas esclatecidas. Um dia TODA sociedade tbm o será.

  19. eu diz

    tem vários em Goiani: Luiz Carlos Silva e Cristiane Kobal ambos atendem na climipe

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