Mês: junho 2016

Science and medical research sample analysis

Os novos tratamentos que estão a caminho

“Dependendo de quando testar positivo para o HIV, você pode estar diante de até oito décadas de tratamento”, diz Tim Horn, do Treatment Action Group. “Precisamos de medicamentos mais gentis, amáveis, melhores e mais baratos.” Novos tratamentos antirretrovirais que estão a caminho incluem: Medicamentos dois-em-um orais. A ViiV Healthcare e Janssen começaram estudos de fase III de um regime de dois medicamentos por via oral que incluem Dolutegravir e Rilpivirina. Tratamento de ação prolongada. Uma formulação injetável de ação prolongada de Cabotegravir da ViiV e Janssen se mostrou promissora em um estudo recente de fase IIb. A combinação, administrada a cada oito semanas, está entrando em estudo de fase III e pode chegar ao mercado em 2019. O Cabotegravir também está sob pesquisa como PrEP, também administrado a cada oito semanas, com uma possível aprovação em 2020. Mais atrás no camino está o MK-8591, da Merck, um antirretroviral que pode precisar apenas de administração oral semanal ou injetável mensal, e que pode funcionar como PrEP ou como parte de um regime de tratamento. Anticorpos monoclonais. Infusões de anticorpos monoclonais, ou clonados, podem tornar-se uma alternativa aos antirretrovirais. Um deles, chamado VRC01, tem …

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Carta de uma leitora: sobre um relacionamento sorodiscordante

“‘Você está louca?’ Esta foi a primeira frase que ouvi de algumas pessoas próximas quando contei que estava interessada por um soropositivo. Eu acabara de terminar um longo relacionamento e não tinha mais nenhuma prática em conhecer pessoas novas. Então, me cadastrei em um aplicativo de relacionamentos. Foi quando começamos a conversar. O que eu posso dizer? Éramos tão diferentes, mas tudo fluía de uma forma tão natural que logo a sua presença passou a fazer parte importante do meu dia. Ele era a primeira pessoa com quem falava assim que acordava e a última pessoa para quem eu mandava mensagem antes de dormir. Depois de dois meses conversando e nos conhecendo através de mensagens, áudios e telefonemas, a ideia de nos encontrarmos pessoalmente começava a tomar forma. Foi neste momento que ele me contou sobre a sua sorologia. Comentou sobre como tinha descoberto e mais um monte de detalhes. Não vou mentir e dizer que levei tudo numa boa e nem vou dizer que fiquei estarrecida e brava com o fato dele não ter me contado …

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A contradição entre o discurso sobre o fim da epidemia e a realidade

Este artigo reflete criticamente sobre a atual resposta brasileira à epidemia de HIV e aids a partir de três importantes provocações: Estamos realmente próximos ao “fim da aids” (ou de “uma geração livre da aids”)? Estamos vivendo uma nova era (de respostas biomédicas que substituem as respostas sociais e políticas)? Dentro deste quadro, a resposta comunitária frente à epidemia ainda importa (ainda vale a pena continuar nesta luta, principalmente se tudo estaria quase resolvido)? As reflexões que deram origem a este artigo foram apresentadas durante a abertura do 8° Encontro Estadual das ONGs/Aids do Rio de Janeiro, em agosto de 2015.

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WHO

OMS confirma benefícios da terapia antirretroviral

Adultos e crianças com HIV que iniciam a terapia antirretroviral o mais cedo possível reduzem o risco de desenvolver infecções graves relacionadas ao HIV, de acordo com a nova descoberta, publicada na revista Clinical Infectious Diseases, em 15 de Junho de 2016. Duas análises, apoiados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conduzidos em adultos e crianças, em colaboração com a Universidade de Columbia, a London School of Hygiene & Tropical Medicine e a Universidade McGill são as primeiras análises sistemáticas e abrangentes globais de dados sobre relacionados às infecções oportunistas decorrentes do HIV ao longo de um período de 20 anos, em 3 regiões do mundo: África, Ásia e América Latina. As duas análises compararam o risco de infecções graves relacionadas ao HIV antes e após o início do tratamento antirretroviral, estimado, assim, o número global de casos de infecção que teriam sido impedidos (usando dados de 2013) e os custos evitados, se a o tratamento tivesse sido iniciado mais cedo. “Infecções oportunistas e outras infecções são a principal causa de morte em adultos e crianças com HIV.” “Infecções oportunistas e …

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Tratamento antirretroviral reduz a transmissão em casais sul-africanos

O tratamento antirretroviral reduziu o risco de transmissão do HIV em 77% em casais sorodiscordantes na área rural da África do Sul, de acordo com um estudo de base populacional realizado na província sul-africana de KwaZulu-Natal. Os resultados foram publicados online no Clinical Infectious Diseases. Os pesquisadores dizem que suas descobertas fornecem uma estimativa do impacto do tratamento antirretroviral sobre a transmissão do HIV na vida real, em condições normais da comunidade. Os resultados do estudo vêm de um estudo longitudinal de base populacional que está sendo realizado no norte da província de KwaZulu-Natal pelo Africa Centre for Population Health. KwaZulu-Natal tem a maior prevalência de HIV na África do Sul (29%) e a incidência de HIV continua a ser elevado. O tratamento anti-retroviral começou a ser fornecido na província em 2004. Os pesquisadores queriam determinar se a transmissão do HIV estava sendo reduzida por conta da terapia antirretroviral e se correspondia ao HPTN 052. Os pesquisadores queriam determinar se a transmissão do HIV estava sendo reduzida por conta da terapia antirretroviral em KwaZulu-Natal, e se essa redução da transmissibilidade correspondia ao …

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A Grande Onda de Kanagawa

Carta de um leitor: sobre dois diagnósticos

“Olá, Jovem Soropositivo. Me desculpe a falta de ponto de exclamação no cumprimento, mas não é com alegria que alguém recebe esse resultado, positivo em alguns testes e reagente em outros. Sou mais um na estatística para o HIV. Mais um que dependerá do governo com as medicações e exames e mais um ser no estigma e na escuridão da doença. Mas não serei mais um na vida de minha família e amigos. Para eles, percebo que eu continuo sendo o mesmo — ainda que eles não saibam desse detalhe e eu nem pense em contar! “Aceitar o HIV parece levar mais tempo do que para assimilar qualquer outra doença.” Descobrir e aceitar o HIV parece levar mais tempo do que para assimilar qualquer outra doença. Eu descobri que era soropositivo numa sexta-feira, e minha simplesmente vida parou! Na sexta-feira seguinte, vim a descobrir que minha mãe está com um tumor no cérebro, que causa sintomas devastadores sobre todo o corpo dela. Como eu poderia achar que meu problema era maior que o dela? Minha mãe descobriu seu tumor da pior maneira: estava tão grande e desenvolvido …

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Sintomas neurológicos comuns na infecção aguda

Uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e Yale descobriu que metade das pessoas recém-infectadas pelo HIV experimentam problemas neurológicos. Estes efeitos neurológicos geralmente não são graves e desaparecem logo depois do início da terapia antirretroviral. “Nosso estudo reforça as recomendações para que as pessoas iniciem o tratamento antirretroviral imediatamente caso estejam infectadas.” “Ficamos surpresos com o fado dos sintomas neurológicos serem tão generalizados entre aqueles com diagnóstico de infecção recente pelo HIV”, disse a autora do estudo, Dra. Joanna Hellmuth, do Departamento de Neurologia da UCSF. “Embora os sintomas sejam leves, é claro que o HIV afeta o sistema nervoso dias após o começo da infecção. Uma vez que a maioria destes problemas neurológicos são resolvidos com o tratamento, nosso estudo reforça as recomendações para que as pessoas em situação de risco façam o teste de HIV e iniciem o tratamento antirretroviral imediatamente caso estejam infectadas.” A pesquisa foi publicada em 10 de junho de 2016 na edição de Neurology, o jornal médico da Academia Americana de Neurologia. A equipe examinou 139 participantes na coorte tailandesa RV254 que foram recentemente infectados com o HIV. O tempo de infecção …

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Melhorando o efeito dos antirretrovirais com a vacina Tat

Um estudo clínico de fase II realizado na África do Sul confirmou que a vacina terapêutica Tat contra o HIV/aids pode efetivamente melhorar a resposta aos medicamentos antirretrovirais em soropositivos. Os resultados foram publicados no jornal Retrovirology. A vacina foi desenvolvida no Istituto Superiore di Sanità (ISS) pelo National Aids Center (NAC) (NAC), sob a direção da Dra. Barbara Ensoli. O estudo, realizado no MeCRU, a unidade de pesquisa clínica da Universidade Makgatho Sefako, inscreveu 200 participantes em tratamento antirretroviral com níveis indetectáveis de HIV no sangue. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos “cegos” para receber três injeções intradérmicas de 30μg da vacina ou placebo, com um mês de intervalo. Após 48 semanas da vacinação, os grupos foram revelados: os participantes vacinados apresentaram aumento significativo de células T CD4 em relação ao grupo que tomou placebo. O ganho de células T CD4 foi particularmente significativo nos participantes com poucas células T CD4 no início do estudo. A vacina atua induzindo anticorpos protetores, capazes de neutralizar a proteína Tat do HIV de diferentes subtipos virais, incluindo os subtipos A, B e C que circula na …

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A Declaração Suíça, oito anos depois

Oito anos atrás, em 30 de janeiro de 2008, a Comissão Federal Suíça para Questões Relacionadas à Aids (atual Comissão Federal Suíça de Saúde Sexual) publicou uma declaração que, no campo dos assuntos envolvendo o vírus da imunodeficiência humana (HIV), rapidamente recebeu o nome de “A Declaração Suíça”. Essa declaração falava sobre a infecciosidade de uma pessoa soropositiva uma vez que o vírus foi suprimido de forma estável por pelo menos 6 meses sob terapia antirretroviral. Apesar da falta de resultados de grandes estudos randomizados, a Comissão considerou, com base em uma avaliação feita por especialistas, que o risco de transmissão do HIV sob tratamento e com carga viral indetectável é negligenciável. A publicação era primordialmente destinada a médicos suíços, informando-os de que já era hora de discutir sobre os novos dados a respeito da infecciosidade com seus pacientes. Diferenças problemáticas nas mensagens de prevenção já estavam sendo observadas pela Comissão: alguns médicos falavam abertamente com seus pacientes e reafirmavam sobre o baixíssimo risco de transmissão do HIV sob antirretrovirais e carga viral indetectável, quando estes pacientes diziam ter tido relações sexuais sem preservativo com seu parceiro fixo, enquanto outros diziam aos …

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