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Podemos dizer adeus à palavra “aids”?


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O que é que perderíamos ao nos libertar da palavra “aids” — ou o que ganharíamos? É uma questão provocada pelos avanços no tratamento do HIV e nos cuidados e mudanças na forma como as pessoas vivem com HIV e aids.

“Um diagnóstico de aids em 2016 não é o mesmo que um diagnóstico de aids em 1986.”

“Eu acho que o diagnóstico de aids, e o que ele significa, é, em muitas maneiras, histórico”, disse o Dr. Hyman Scott, médico infectologista especializado em HIV no Departamento de Saúde Pública de São Francisco. “Um diagnóstico de aids em 2016 não é o mesmo que um diagnóstico de aids em 1986, se essa pessoa começa o tratamento imediatamente.”

“O CDC não está mais acompanhando os casos ‘aids’.”

No ano passado, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) mudaram a terminologia utilizada na vigilância epidemiológica de HIV e aids, substituindo “aids” por “HIV Fase 3”, adicionando a nova “Fase 0” para classificar a infecção recente pelo HIV. “Essa foi, para mim, uma espécie de prova fundamental de que o CDC não está mais acompanhando os casos ‘aids'”, disse o Dr. Christopher Pilcher, durante uma grande apresentação sobre aids no San Francisco General Hospital.

Embora o sistema de vigilância do CDC seja destinado principalmente à monitorar e reportar casos de HIV na população — e não como base para decisões clínicas —, esta alteração no relatório destaca uma questão interessante. Concretamente, diz sobre como especialistas em saúde pública, entre outros, estão pensando a respeito do que um diagnóstico de aids realmente significa e se há algum valor em desenhar uma linha divisória entre o HIV e a aids.

 

Qual é a relevância clínica de um diagnóstico de “aids”?

Independentemente do estágio da doença, há relevância em fazer distinção entre os estágios da infecção pelo HIV para a saúde pública ou por motivos clínicos. Fazer isso cria uma ferramenta para especialistas em saúde pública definir e medir quantas pessoas são diagnosticadas tardiamente em sua infecção e a rapidez com que o HIV progride de um estágio para o próximo.

Para os médicos, um diagnóstico de aids significa que a contagem de células CD4 de uma pessoa caiu para abaixo de 200 células/mm³ ou que houve uma infecção oportunista — um indicador importante de que, se retirada dos antirretrovirais, sua contagem de CD4 pode rapidamente diminuir novamente. O estágio avançado da infecção pelo HIV que um diagnóstico de aids é capaz de identificar é especialmente importante, segundo Scott, para as pessoas que são diagnosticadas tardiamente, com infecção avançada.

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Dr. Hyman Scott

“Embora em declínio, aproximadamente 18% das pessoas diagnosticadas com HIV em São Francisco são diagnosticadas com aids no prazo de três meses — um sinal de infecção pelo HIV de longa data não diagnosticada. Nós ainda vemos pessoas com pneumonia [uma infecção oportunista], que são diagnosticadas com aids. Os médicos ainda usam o termo ‘aids’ para descrever um estágio de HIV. Pode ser útil para descrever o quão doente alguém está”, disse ele.

Normalmente, as pessoas que recebem um diagnóstico de aids carregam esse diagnóstico para o resto de suas vidas, mesmo se a sua contagem de CD4 se recuperar ou se eles suprimirem suas cargas virais e ficarem saudáveis.

 

“Aids” pode não refletir o quão bem uma pessoa se sente e nem em quanto tempo ela pode morrer

Atualmente, o tratamento para o HIV, melhor tolerado e mais potente, permite que pessoas que são diagnosticadas com aids respondam bem à terapia antirretroviral, recuperem seu sistema imunológico e vivam muitos anos.

“Aids não é mais uma sentença de morte.”

“Antes, na ausência de tratamento antirretroviral, um diagnóstico de aids era associado à mortalidade muito alta em curto prazo. Mas, agora, embora um diagnóstico de aids esteja associado a um maior risco de mortalidade, com o início imediato da terapia antirretroviral e uma boa adesão ao tratamento, as pessoas podem ter uma recuperação extraordinária. Aids não é mais uma sentença de morte, de modo algum”, disse Scott.

Vince Crisostomo

Vince Crisostomo

Vince Crisostomo, gerente da Elizabeth Taylor 50-Plus Network na San Francisco Aids Foundation, vive com aids há mais de vinte anos. “Lembro-me de estar em minha mesa de trabalho quando recebi o meu diagnóstico de aids, em 1995. Eu pensei: o que o que devo fazer agora? Ir para casa? De ‘vivendo com o HIV’ fui para para ‘vivendo com aids’ e, de repente, as pessoas pensavam de mim como alguém morrendo. Hoje, eu tecnicamente ainda tenho aids, mas já passou mais de vinte anos desde o diagnóstico e eu estou em boa saúde. Em certa altura, abandonei meu adesivo de deficiente no carro que dá direito a estacionamento especial [um direito de quem vive com HIV/aids nos Estados Unidos], porque eu estava ouvindo comentários de pessoas, como: ‘por que você usa isso?'”

Jonathon, nome fictício de um habitante de São Francisco, diagnosticado com aids em 2007, disse que sempre tem que dar uma explicação mais longa se ele diz a alguém que tem um diagnóstico clínico de aids. “Eu digo às pessoas que eu tenho um diagnóstico clínico de aids porque eu tenho sarcoma de Kaposi. Então, eu tenho que seguir dizendo que sou indetectável, que tenho uma contagem muito elevada de células T e que espero estar vivo ainda por muito tempo. Não estou à beira da morte e meu sarcoma de Kaposi não é como em 1991. Mas não há nenhum jeito fácil de explicar isso.”

 

Tirar aids da mesa pode reduzir o estigma

“Aids é uma palavra que, por muitos anos, nenhum de nós queria ouvir”, disse Matt Sharp, sobrevivente e ativista do HIV em São Francisco. “Era uma palavra tão temida, horrível. Em alguma altura, eu quase pensei: ‘não seria ótimo se não tivéssemos que usar mais essa palavra?'”

“Acabar com o diagnóstico de ‘aids’ iria mostrar o progresso no tratamento do HIV.”

Um benefício de largar o termo “aids” é a possibilidade dele mudar a forma como as pessoas pensam sobre o HIV em geral. “Há tanto estigma associado à palavra ‘aids'”, disse Crisostomo. “Devido à forma como falamos de coisas como ‘a epidemia da aids’, em termos de redução do estigma, pode ser útil unir todos os que vivem com HIV numa única população. De muitas maneiras, acabar com o diagnóstico de ‘aids’ iria mostrar o progresso que estamos fazendo no tratamento do HIV.”

“Acho que chegou o momento”, disse Sharp. “Pois o padrão de tratamento mudou. E, com isso, às vezes, os nomes das coisas também mudam. “

 

Sem ‘aids’, perdemos nossa história?

“As pessoas perderam o emprego, perderam suas moradias, perderam suas identidades.”

Pessoas que viveram o começo da epidemia podem ser particularmente sensíveis à mudanças na linguagem que sentem como marginalizadoras, disse Crisostomo. “A epidemia de aids não era apenas sobre a perda de pessoas. As pessoas perderam o emprego, as pessoas perderam suas moradias, as pessoas perderam suas identidades. Decidir simplesmente se livrar do termo ‘aids’ também pode soar como uma perda. As pessoas podem equiparar o ‘vamos nos livrar da aids’ com ‘vamos nos livrar de mim’. Algumas pessoas podem pensar: ‘eu não importo, mais uma vez’.”

Um diagnóstico de “aids” pode ser simbólico, disse Sharp. “Pode haver algumas pessoas que agarram-no como uma espécie de distintivo de honra.” Segundo Crisostomo, “há história e identidade embrulhados na palavra ‘aids’. Como uma questão emocional, algumas pessoas vêem como um sinal de coragem carregar o diagnóstico. É um indicador de que você viveu durante o começo da epidemia.”

“Eu preciso de um novo termo, que reflita onde estamos agora.”

“Acho que, talvez, subconscientemente, sinto que a aids é parte da minha identidade. Certamente é parte da ansiedade que eu sinto. A aids me amarra à história, que não é boa, se estamos falando de algum tempo atrás”, disse Jonathan. “Quando eu digo que tenho aids, as pessoas olham para mim e não há nenhuma compreensão por parte delas de como isso é possível. Elas estão segurando a imagem do que essa palavra significava em 1980 e 1990. Eu preciso de um novo termo, que reflita onde estamos agora. Eu não quero tirar a gravidade do que estou lidando, e sobre algo que ainda há muito a aprender.”

Por Emily Newman em 5 de maio de 2016 para o Beta

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59 comentários

  1. Rotulo dos medicamentos diz

    A primeira coisa que poderiam fazer é remover do rótulo dos anti-retrovirais aquela mensagem de lembrete: “ATENÇÃO – O USO INCORRETO CAUSA RESISTÊNCIA DO VÍRUS DA AIDS E
    FALHA NO TRATAMENTO.”
    Sério, porque fazem isso até hoje? Vírus da AIDS? Por favor!!!

    • Lima diz

      Concordo! Nunca gostei não deixa de ser mais um rótulo né ? Como se fosse medicamento de aidetico! Sei lá… Acho que o laboratório deveria repensar! Gente me add no kik: feliz.11

    • Pedro Dias diz

      Eu sinceramente nem sabia, nunca li afundo aquele rótulo, troco sempre que posso de frasco e sigo a vida sem ficar me prendendo à esses detalhes. Verifico apenas o nome do medicamento pra saber se está correto e bola pre frente.

    • Gil diz

      Eu raspo a advertência, passo a faca em cima, para que meus filhos não leiam, já que são pré-adolescentes e se souberem e contarem aos amigos, na fase de segredinhos aos confidentes, não sejam discriminados ou ofendidos.

  2. Alex diz

    Sobre o texto, em um determinado momento dá a entender que se pode ter doenças oportunistas sem necessariamente ter aids, é isso?

    Outra dúvida é sobre o sarcoma de Kaposi, ele pode existir mesmo se a pessoa tem um CD4 alto e CV indetectável? E, tem cura?

  3. Edbyington30@gmail.com diz

    Vivemos no mundo daa rotulaçoes instantâneas. Homem, mulher, rico , pobre…
    O virus me fez aguçar algo que já tinha em mim: questionar!!!!
    Só que com o rótulo de positivo: me calei socialmente. É como se tivesse um teto de vidro e isso me angústia muito.
    Talvez esteja dando muita importância ao diagnóstico. No sentido de auto preconceito. Vou tentar trabalhar isso.
    Pena que a auto reflexão dos nossos atos estão cada vez mais mesquinhos e egoistas .
    Enquanto tratarmos essa doença com fulcro na culpa agiremos assim . Lembrei esses dias da zica e gravidez.
    A taxa de natalidade caiu ( vai cair), geavidez na adolescência também.
    Tudo engodo!
    Crianças continuam engravidando e mulheres tendo filhos, mas um olhar “severo ” de : você sabe o que isso implica para seu futuro?
    Não é observado. E essa contradição que realmente me deixa muito pensativo, pois me considero injustiçado.
    Precisamos naturalizar o hiv e isso não significa desresponsabilizar quem não Nao se preveniu, mas algo que acontece dentro de uma relação estável ou de de um sexo casual. Embor, todos ou 90% q conversei pegou de um parceiro fixo. Caramba! É muita gente escolhendo namorad@s de forma errada ou não se protegendo fora de casa. Mas saber que pegou do “amado” insconscientemente alivia a culpa . Queria ser um nefelibata.

  4. Ricardo - Guarulhos diz

    Excelente matéria, melhor será o dia em que iremos dizer adeus as palavras HIV e AIDS !

  5. Júlio/ Guarulhos diz

    Acabo de descobrir e ainda não sei mto como lídar com tudo. Mais acredito em um avanço para a cura.

    Ricardo -Guarulhos. Que lugar aqui de Guarulhos poderiamos conversar fazer uma amizade…

    • Ricardo-Guarulhos diz

      Julio, fique calmo em relaçao ao seu diagnóstico…no início é mto ruim, mas depois as coisas se ajeitam e fazendo a adesão correta da TARV daqui a pouco vc se lembrara do virus somente nos dias das consultas ou não…. Meu email rick_vade@hotmail.com manda um salve la pra gente trocar ideia. Alias quem quiser trocar ideias e experiências tmj neste caminho, so mandar uma msg. Abraçao para todos.

  6. P.H.G. diz

    Podia ser tudo diferente. Muito diferente. Mas não foi. Não é. Me pego pensando se não me dei o devido valor, ou onde foi que me desrespeitei. Não encontrei respostas. Me sinto fraco e fracassado. Vivia a proximidade de um carreira profissional plena e uma vida plena. Sonhava e buscava um alto cargo público. Hoje já não sei o que fazer. Tudo parece sem razão, sem sentido. Nublado. Sim, é assim que me sinto hoje, perdido. Tenho um mês de diagnóstico. Nesse mês não consegui me concentrar nos meus livros. Tudo se resume a viver a doença. Os melhores dias nesse período foram os dias de consulta com o infectologista. Ele me acalmou bastante e me disse que gosta de tratar seus pacientes para terem uma boa vida. Cada palavra me animava, mas de todas as consultas a última foi a mais difícil. Analisando meu Cd4 e a carga viral ele sugeriu e prescreveu os ARVs. No mesmo dia fui no hospital e retirei a medicação. Depois de três dias de medo, iniciei o 3×1 no final de semana, também por causa dos possíveis efeitos colaterais. Espero vencer esse medo que me consome e que dê tudo certo. Sinceramente, uma coisa eu posso falar com tranquilidade: eu não tive culpa. Talvez, responsabilidade. Mas culpa, não. Sempre me protegi e exigia a proteção do outro. Nunca fui adepto do sexo sem camisinha, acredito que o vacilo foi em alguma vez no sexo oral, esse sim já fiz desprotegido. Vejo que não se pode ter uma culpabilização do portador do vírus. O que, infelizmente, é o que acontece. Talvez aí entre um ponto que considerei importante na matéria. Muita gente ainda liga a imagem do portador do HIV ao contexto dos anos 80, apesar de não ter vivido tal época, tenho 22 anos. Pensei muito do porque eu? Se eu era tão cuidadoso e medroso com essas coisas, porque comigo? Mas já consigo ver que eu tinha que ter me perguntado porque não eu? Ninguém está livre disso. Não mesmo. Jamais pensei que teria, não por me achar melhor que alguém, longe de mim pensar assim, mas agora tenho e preciso aprender a lidar logo com tudo isso.De fato, o vírus não tem nenhum preconceito, atinge a qualquer um e de maneira alguma está ligado com a promiscuidade. Não mesmo. O lado profissional tá pesando bastante na minha dor. Fiz muitas renúncias, entre elas abandonar um ótimo emprego pra estudar pra um concurso dos meus sonhos, pra alcançar o sucesso profissional e agora não sei se ele estará lá me esperando como eu imaginava. Não sei o que fazer agora nesse aspecto da minha vida. Volto a estudar?..a trabalhar? Perguntas que espero que o tempo me ajude a responder. Tenho medo de como a medicação afetará meu rendimento, já que a tenho tomado somente há 3 dias. Medo, mas sei que só ela pode me dar mais tempo pra desfrutar de quem eu amo. Só consegui contar pra um familiar até agora.Felizmente recebi apoio, mas percebi que meu familiar tá sofrendo muito por isso tudo. Estou com medo do preconceito dos outros, mas o maior deles é o que eu ainda nutro sobre mim, mas vai passar. Confesso que o medo da morte também está bem próximo de mim nesses dias. A aceitação é difícil. Irei alcança-lá, tenho fé. Queria ter a coragem de um Gabriel Comicholi ou do Gabriel Estrela de assumir publicamente, mas ainda me falta muito pra isso. Espero chegar num dia em que conseguirei enxergar que todas as minhas interrogações (de que tudo que fiz na vida foi em vão por causa da doença) era uma falsa ideia e que valeu sim a pena ter passado por tudo isso. Eu posso ser maior que esse vírus e sei, la no fundo, que sou. Isso não faz de mim pior que ninguém. Mas que dói, dói. Muito aprendizado pra um mês de vida nova. Tento me manter com bons pensamentos porque sei que eles influenciam na saúde corporal e mental, mas nem todos os dias são iguais. Me apego a Deus e espero por dias melhores.

    • Julio Santiago diz

      Prezado P.H.G, Greg Louganis, grande atleta olímpico, é soropositivo desde 1988, ele confessou depois dos jogos olímpicos de 1988, hoje ele está muito bem com 55 anos, acho bom você se espelhar nele. Basta tomar o remédio, praticar exercícios e ter uma alimentação saudável. Veja no google as fotos dos soropositivos com mais de 20 anos com HIV. Então sorria e curta a vida já que não tem mais jeito de voltar ao passado. Sorria, e tenha atitude mental positiva, em breve você aceitará seu fardo e viverá bem.

      • P.H.G. diz

        Obrigado pelas palavras, Julio Santiago. Achei um filme autobiográfico dele, assistirei. A auto aceitação é difícil, mas necessária. Uma hora compreenderei tudo isso melhor.

      • JV diz

        Nossa, que bacana…não conhecia a história desse atleta. Acabei de ver vários vídeos sobre ele no youtube. Que máximo!!!! Devemos nos espelhar nessa imagem firme, forte…e olha que ele é de um tempo onde o hiv tinha uma “face” bem pior! Vamos nos cuidar, treinar, correr, nadar, abandonar velhos hábitos. Vamos nos preparar para um GRANDE E VITORIOSO DIA!

    • Desesperada diz

      Descobri a 2 anos,hj estou com 34 anos,e tudo q vc falou me identifiquei e me identifico ainda! Estou morando hj com qm me infectou,pois depois q descobri achei q eu n tinha o DIREITO de mede relacionar com mais ninguem,por medo de infectar alguem q n tenha a doença,n tenho filhos e n quero e nem penso mais em ter,se protejo um eventual parceiro o q dizer de um filho. Estou com quem me infectou,uma pessoa q as vezes é muito grossa,hj me peguei pensando… Antes
      de eu descobri a doença fiquei por 45 dias na casa dos pais dele,nenhum deles JAMAIS me alertoi da doença,mas a uns 6meses atras ele sofreu um acidente de moto,no socorro um amigo do pai dele foi ajudar no salvaento

      • anjo (terapeuta) diz

        Olha o virus vai condicionar sua vida? Vc ama esse cara? Vc nao teve escolha em relacao ao video mas com quem vc vai ficar pode ser escolha

    • Positivo Positivo diz

      P.H.G,, boa noite!
      Todos nós passamos por isso, temos exatamente as mesmas dúvidas e, muitas vezes, jogamos por terra os sonhos, o que não deveria ser feito de forma alguma. Sabe por que? Porque a vida continua, com os altos e baixos de antes, com os mesmos problemas (familiares, de relacionamentos, sociais, políticos, etc.) de antes… Óbvio é que seria melhor não ter acontecido, assim como seria muito melhor ao indivíduo que possui diabetes, hipertensão, lupus, artrite reumatóide, câncer nas mais variadas formas, etc, etc. também não ter essas doenças. No entanto, não há como voltar atrás. Portanto, há duas opções: ou se lastimar e se deixar levar por tudo o que há de ruim (e aqui incluo o estigma que, sem dúvida, é inerente à condição); ou viver a vida como tem que ser vivida, ou seja, como ela é. Portanto, meu conselho a você; continue estudando para o concurso, viaje bastante, namore, ria, aprecie uma refeição gostosa, saia com seus amigos, assista os filmes e ouça as músicas prediletas, e nunca perca a fé em Deus e no futuro!

      • P.H.G diz

        Boa noite, Positivo Positivo!
        Seguirei seu conselho. Sem dúvidas é a melhor opção.
        Fé e força sempre.
        Abraço.

    • Fe diz

      Lindo seu depoimento, me vi nele. Tenho a mesma idade que a sua, e passo pelos mesmo anseios de como irar ser daqui pra frente.

    • Jonas diz

      Oi P.H.G, legal o seu depoimento cheio de verdades. Sabe, tenho 45 anos, uma carreira consolidada, quando descobri a sorologia tive dúvidas como qualquer um. Contar ao mundo? tornar-me militante da causa? Poder ajudar a tantos outros a superarem seus medos como eu consegui superar os meus. Mas, cada um tem a sua história. O Gabriel Estrela tem a sua própria história e trajetória, o que é bom para um pode não ser bom para o outro. Na verdade, venci o primeiro ímpeto de contar para todo mundo e comecei contando a quem de fato era importante, a minha companheira, que dentro de um processo de dor e amor, aceitou a minha condição. Daí, pude compartilhar com ela, decidir com ela sobre o assunto. Decidimos que íamos manter isso sobre sigilo até quando fosse possível. Não suportaríamos o estigma e julgamentos da família e amigos. Na verdade decidi poupar meus filhos e meus pais desta dor. Porém, o meu conselho para você é que deixe para pensar nisso um pouco depois, primeiro amadureça a ideia. Você ainda não passou nem mesmo pela fase de aceitação de si mesmo. Compartilhe com no máximo uma pessoa da sua família, de sua extrema confiança. Vá trabalhado o seu processo até o momento em que se sentir mais a vontade para assumir as consequência do ato de contar. Quanto ao seu futuro, não esmoreça. Aos poucos, o sentimento de autopiedade o deixará e quando isso acontecer peça licença e vá à luta. Conquistar seus sonhos profissionais agora para a ser uma necessidade muito mais importante para você. Ajudará na autoestima e autossuficiência. Portanto, o vírus pode ser um aliado. A medicação tomo a menos de 40 dias, não tive efeitos colaterais imediatos, quanto ao futuro? Não sei. Mas essa condição tem me ensinado a viver o agora com uma força enorme. Vamos lá! Estude, dedique-se, gere metas possíveis em sua vida. Elas podem demorar um pouco, mas comece hoje. Boa sorte amigo!

      • P.H.G diz

        Obrigado pelas palavras, Jonas.
        Com absoluta certeza o tempo se encarregará de trazer esse amadurecimento.
        Ótima sorte pra você também!
        Abraço

      • Carlos diz

        Olá Jonas. Achei incrível seu comentário. Tbm tenho 43 anos e fui diagnosticado recentemente. E não está sendo nem um pouco fácil pra mim. Mas comentários como os seus tem muito me ajudado. Si vc tiver um e-mail para trocarmos ideias, eu gostaria. Um abraço querido.

    • Quando fui diagnosticado, minha médica, na verdade era a clinica geral que eu ia e em um exame de rotina pediu para incluir HIV é deu positivo, disse o seguinte e nunca esqueço: Nunca abra mão de nada na sua vida por isso. Tome os remédios e se cuide. Hoje cuido muito mais do que antes…e vivo tudo profissionalmente e pessoalmente (embora faz tempo que estou solteiro) de forma plena e intensa!

  7. Paulo Roberto diz

    O artigo é excelente… Mas só podemos nos esquecer da palavra AIDS quando vier a tão sonhada CURA…
    Não vamos tapar o Sol com a peneira: esta palavra ainda é um tabu.

    • Julio Santiago diz

      Sim, é um grande tabu ainda, e como é grande….. infelizmente.

  8. Antonio diz

    Acho que o que todos tem que fazer é: Tenho, não posso mudar mais nada. Não interessa de quem foi a culpa. O que posso fazer para melhorar minha vida deste momento para frente. Vou viver até o fim de melhor forma possível e lutar contra o problema. Pronto assim tudo vai ficar melhor.

  9. Soulpositiva diz

    Eu gostaria muito que isso acontecesse! Realmente, tá na hora de mudar as imagem que se tem do hiv, até como forma de reduzir a epidemia. Acho que a desmitificação faria mais gente se examinar e consequentemente se tratar e até avisar os outros. O tabuzão é um problema, não deixa os adolescentes, por exemplo, encararem o problema de frente, como uma condição médica.
    Sei lá, parece que querem que a gente se retrate, para queimar numa fogueira moralista pseudo-cristã. Não basta se examinar e se tratar, tem que pedir perdão e avisar toda a cadeia reprodutiva. A banalização do exame seria um upgrade na humanidade. (Note que eu falei “exame”, por favor)
    Eu fico louca com esses lances de todo mundo bater na tecla de “como”, “por que”, “quando” fora de consultório. É uma doença como qualquer outra e isso é indiferente para o tratamento. Já vi pessoas falecendo de enfisema e nunca vi ninguém perguntar qual era a marca do cigarro, quantos por dia, por que se viciou. Foda-se, com o perdão da palavra.
    Enfim, deixar a “aids” e sua automaticamente acoplada imagem de “aidéticos” das propagandas e filmes, no momento histórico a que pertenceram não é algo que faria bem não só aos milhões de positivos em tratamento mundo afora, mas também aos que tem medo de saber se tem “sida”.

  10. Cris diz

    Pessoal, desculpem fugir ao tema, mas tenho uma dúvida. Há alguma relação entre HIV (no caso, carga viral indetectavel) e emagrecimento rápido?

    • Ser Feliz diz

      Esta matéria foi divulgada há 2 horas , da Dinamarca , rsrsrs Alexandre alguma novidade nesta matéria ou tudo na mesma ?

      • D_Pr diz

        Ser Feliz, sei que a pergunta é direcionada ao Alexandre, mas apenas retrata o que sabemos, pacientes em tratamento com carga viral indetectável não transmite HIV. Apenas isso. Lá o tratamento é universal, como relata a matéria.

        No meu entendimento, vi que eles falam de acabar com novas infecções e assim acabar com o HIV lá, e que isso é dispendioso de recursos, entretanto, viável em países ricos. Também relata a questão da África Subsaariana, onde existe os 25 milhões de infectados, com sistema de saúdes sobrecarregados e escassez de recursos onde o mesmo modelo, dificilmente será adotado, diagnosticar todos, tratar os mesmos e fazer que esses pacientes se mantenham aderantes ao tratamento e com sua carga viral indetectável.

        É isso?

      • Alexandre diz

        Fala, Ser Feliz,
        Não cara, tudo na mesma. CV indetectável não transmite.
        Grande abraço!

  11. Luna diz

    Boa noite galera!
    Sabe, eu estava aqui pensando a respeito dessa questão de tabu, estigma e tal…
    Conclui que esse sofrimento diante de um resultado positivo provém sim, do preconceito.
    No inicio, é auto-preconceito.
    Digo isso, baseada na minha própria experiência, pois só depois de um tempo eu me aceitei, mesmo ouvindo nas sessões de terapia que isso não era o monstro que parecia, eu não conseguia digerir, sentia nojo de mim mesma,me culpava, me achava indigna.
    Aos poucos, eu percebi que esse preconceito partia de mim. Esse blog me ajudou muito no processo de auto-aceitação.
    É dificil esperar que as pessoas nos vejam da maneira que realmente somos, seres humanos saudáveis, que tão somente alojam um virus. Quantos de nós tinham ciência disso antes de nos tornarmos positivos? Eu mesma, desconhecia a diferença entre portadores de HIV e de Aids, mesmo me considerando uma pessoa esclarecida… Somente quem está de alguma forma envolvida com isso sabe as coisas que nós sabemos.
    Eu espero sim que um dia esse estigma seja quebrado, da mesma forma que os usuários de cannabis esperam pelo dia em que não sejam tachados de bandidos, os homossexuais de promiscuos e assim por diante. Enquanto esse dia não chega, vou mantendo o malfadado “reagente” em segredo,abrir somente para quem mereça, afinal é uma condição minha, desde que eu não coloque ninguém em risco, acho desnecessário expor isso para o mundo. Não vou dar a cara a tapas para hipócritas.
    Abraços em todos.

  12. joey diz

    Pessoal, o que preciso pra tomar vacina da gripe?
    E alem disso, no caso da meningite/pneomunia onde eu vacino? Como é o procedimento? So devo ir la com a receita medica?
    To meio perdido
    Obgdao abraços

  13. Joey diz

    Como faço pra vacinar pra gripe, meningite e pneumonia?? E onde??
    Me ajudem

  14. Pedro Dias diz

    Para os novos diagnosticados e para aqueles que sofrem demais ainda por conta da condição de ser um soropositivo, posso dizer que a cura está na alma, está dentro de nós e da forma que passamos a aceitar e enxergar as demandas do mundo. Quando buscamos mais leveza no dia a dia, quando buscamos elevar ainda mais nossas almas aqui na terra mesmo e se libertar de muitos preconceitos que temos com nós mesmos, não só em relação ao HIV, mas em relação à tudo que difere do que você julga normal, precisamos entender que o que é normal pra gente pode não ser pro outro e vice versa, mas o que não podemos esquecer é o respeito. A vida é uma grande montanha russa com grandes emoções, mas nem alguns desses caminhos são divertidos ou do jeito que a gente imaginava, o caminho está na aceitação e na busca de se reinventar nas horas difíceis…A fé que me mantem de pé todos os dias, antes de depois do diagnostico positivo sempre foi assim, agora ainda mais, passei a não ter tanta pressa para o amanhã, mas também não deixei de ansiá-lo, passei a não procurar mais tantas informações sobre a cura definitiva, mas não deixei de desejar que ela chegue para todos nós, mas enquanto isso vou me preparando para esse grande dia, vou vivendo, vou sonhando, vou suavizando e entendendo que todo mundo tem um calo no sapato que aperta, a gente só não sabe quais são os calos alheios, por isso tenho buscado viver com mais compreensão, amadurecimento e gratidão por estar vivo através desse santo medicamento diário. Fácil todos nós sabemos que não é, o caminho é árduo, mas também não a sentença de morte que tantos temíamos lá no inicio do diagnóstico. Existe preconceito e hipocrisia pra tudo nessa vida, existe sempre o dedo para apontar o outro, por isso é tão importante que a gente olho mais para os nossos umbigos e cuidemos mais dele. Fé e saúde para todos! Beijos e um cheiro

  15. luiz diz

    P.H.G, eu comecei ler o seu comentario, e infelizmente nao consegui segurar as lagrimas…. choreii muito, sabe, é uma coisa que eu nao desejo pra ninguem, eu ainda nao sou diagnosticado, meu caso ainda é pior tive uma relação de risco com uma pessoa sabidamente positiva, e descobri depois, e ainda por cima creio q ela nao faz o uso do medicamento, estou em janela imunologica… mais de verdade, li seu comentarios e as lagrimas foram ao chão… eu sei que nao é facil… mais tento me preparar para o diagnostico, sempre fui medroso, e nao me preservei, sim, eu errei mais que a pessoa… mais enfim que Deus esteja olhando para nós, e de alguma forma de sentido a nossa vida… infelizmente isso afeta os familiares, pois eu nao sou mais a mesma pessoa de sempre, era sempre sorridente, 24 hrs por dia sorrindo e bricando, dava bom dia ate pros objetos, e hoje me encontro solidario, solidario nao, pois sei que Deus não me abandonou… está cmg e vai me reerguer… mais se quiser conversar me passa seu kik…

    • P.H.G diz

      Oi, Luiz.
      Sei que é difícil, mas tente manter a calma.
      Espero, de coração, que tenha boas notícias após a janela imunológica.
      E Deus nunca nos abandona.
      Meu kik é pbbrasil.
      Abraço

    • Grão da Noite diz

      Entendo sua preocupação e sua ansiedade, mas é possível que você não tenha sido infectado. A chance de você ter sido infectado não é de 100%. Mas, caso tenha sido, não vai ser o fim da sua vida. Sim, é verdade, é um recomeço, uma espécie de renascimento. Algo muda mesmo, mas não necessariamente para pior. E, com o tempo, a repetição de tomar os remédios torna o gesto automático. Indiferente como escovar os dentes ou colocar aquele velho pijama antes de dormir. Hoje em dia pra mim tem sido assim, inércia pura. No começo eu tinha muito medo dos possíveis efeitos colaterais. Mas o tempo foi passado, veio o primeiro exame das CD4 de depois do início do tratamento (até agora só fiz esse primeiro exame. Antes de começar a TARV fiz um, pra servir de referência. No final de janeiro fiz esse outro. Em agosto devo fazer o segundo…). No mesmo dia fiz o 1º exame de carga viral (de depois do início do tratamento). Deu tudo bem. Meu triglicérides não subiu, a glicemia não subiu. Hoje em dia tomo o 3 em 1 e não sinto nada. No começo houve umas alterações no humor, mas passou com uns 10 dias/2 semanas. Às vezes chego a me perguntar: “Será que esses remédios estão funcionando mesmo?”. Mas já tive a prova de que estão. E vou renovar essa prova daqui a uns dois meses. Bom, chegou a hora de tomar banho, escovar os dentes, colocar meu velho pijama de sempre e tomar o comprido gordinho que faz o controle populacional dessa criatura intrigante que está instalada no meu bioma interior. Tenho mais uma noite pela frente. E talvez mais um dia (como diz uma música, o amanhã pertence a alguns – não vai nascer para todos…). Será assim até quando Deus quiser. E já era desse jeito antes de eu ter HIV.

  16. ss diz

    Oi Luis. A minha historia e um pouco parecida com a sua. Conheci um cara ele não me falou que tinha hiv.e eu não me proteji e ele sabia que tinha .eu fiz vários exames que deram negativos..hoje faz 11 anos que aconteceu isso tem horas que fico pensando se preciso fazer mais exames fico com duvidas pois o cara já morreu. Espero que seu exame de negativo. Deus sempre nos dar força pra levantar a cabeça e seguir em frente..tem que ter forca .pois a vida nos dar cada rasteira mais precisamos esta com a cabeça erguida para nada nos colocar pra baixo..devemos lutar todos os dias não pensando no futuro mais no agora. O futuro pertence a Deus.ele vai dar força todos os dias para levantar com a cabeça erguida e falar mais um dia obrigado meu Deus.

  17. RoDIgo diz

    Realmente a palavra AIDS carrega um peso grande…
    No Brasil , o próprio Ministério da Saúde lança o boletim epidemeologico com “casos de AIDS” mesmo quando Cd4 alto e nenhuma doença manifestada. Na propria notificação compulsória do SINAN que é obrigatória para infecção por HIV, o agravo é Aids CID B24 , mesmo que seja recém diagnosticado, não existe uma ficha somente com Hiv assintomático ..
    Na indicação de algumas vacinas especiais para nos , como a Pneumo23 ,que pedem doença e CID , o medico coloca AIDS b24 .
    As campanhas dizem “Tire o peso da dúvida, faça o teste de AIDS” ..

    Acho que a distinção de HIV e aids deveria vir do próprio Ministério da Saúde na prática , não somente em alguns casos como a explicação dos termos no site oficial do governo…

  18. Jorge /Mogi das Cruzes diz

    Descobri que sou soro positivo faz 6 meses e ainda não sei lidar com isso, me culpo muito por isso ter acontecido. As vzs perco noite de sono uma angústia muito grande dentro de mim. Tenho medo de falar pra minha família e amigos e ser rejeitado. Minha mãe q me da força.

    • Aconselho ter muito cuidado com que vai falar. Eu acho que a melhor situação e não contar. Pensa no que vc pode mudar hoje e no futuro. Ficar perguntando por que, por que, de nada adianta.
      Vc tem vida sim e de qualidade, Basta correr atrás, Se for preciso peça ajuda profissional etc.
      Temos direito a tudo, nada mudou na nossa vida em termos do que somos capazes. Só temos que lutar mais…

  19. GF-SP diz

    Prezados, boa noite.

    Gostaria de falar um pouco de mim antes de mais nada: Tive câncer com 20 anos e sofri com os efeitos da quimioterapia. Estava no auge da minha vida sexual. A partir dali tripliquei meus cuidados e passei a ter mais fé na vida. Sou bissexual, já sai com homens e mulheres e até hoje eu saí com 15 pessoas diferentes (tenho 37 anos). Utilizei camisinha 100% das vezes, nunca fiz sexo passivo, recebi sexo oral de todas elas e fiz sexo oral em poucas, sendo sincero se não me falha a memória, em 5 delas. Uma mulher e 4 homens. Nunca deixei ninguém gozar na minha boca e sempre observei se existia alguma coisa diferente, e apesar de nenhuma das vezes terem sido, digamos, intensa (eu não sei fazer, tenho “nojinho” e nunca faço “bem”) tive pelo menos dois com secreção (pré seminal) que no momento no qual percebi (sim é salgado) eu cuspi e cessei o ato. Há pelo menos 4 anos, eu entrei em uma depressão profunda, abandonei meus exercícios físicos, passei a beber incontrolavelmente por conta de um relacionamento que não deu certo (tomei o pé de um cara, que apesar de ficarmos quase um ano juntos, todas as vezes foram com camisinha exceto quando ele fazia sexo oral em mim. Nunca fiz sexo oral nele.) e o resultado disso é que estou com gordura no fígado, colesterol alto e tive que retirar a vesícula. Tem um ano que retirei mas não consegui tirar a gordura do fígado (constatados nos meus últimos exames de rotina) e meu colesterol ainda está alto. Porém, minhas enzimas do fígado deram alterações (cortei a bebida mas ainda continuei bebendo socialmente) e a minha oncologista (na qual vou todo o ano) disse que por esta alteração ela deveria solicitar a sorologia para hepatites. Junto a isso ela disse que existe uma portaria do governo para que os médicos solicitassem toda a sorologia para seus pacientes e ela estava recomendando para todos. Eu concordei, mesmo sabendo que sou hipocondríaco e tenho TODAS as doenças do mundo todos os dias (sim, sou sequelado).

    Daí fui pesquisar a respeito de sexo oral e vi que existe um risco teórico. Conversei com um amigo que é médico, expus toda a minha pratica sexual, e ele disse que dificilmente eu teria contraído alguma coisa. Conversei também com um amigo enfermeiro que me disse a mesma coisa. E em uma outra consulta conversei com um terceiro médico e ele me disse que eu precisava fazer tratamento psicológico. Cogitei até ter pegado alguma coisa no salão de cabelereiros (já que usam a gilete pra raspar o cabelo).

    E destas minhas pesquisas eu caí aqui neste blog. Li muitos testemunhos interessantes e pesquisei mais a fundo sobre o vírus e qual o estágio e esforço da medicina em encontrar uma resolução para esta condição. Claro que isso me tranquiliza MUITO, pois o meu maior medo, na verdade, é o de contaminar alguém.

    Enfim fiz o exame e estou esperando o resultado. Pra medirem o nível da minha demência a respeito disso, minha ultima relação (com camisinha e sem sexo oral – tanto em mim quanto na pessoa) foi no ano passado e eu fico imaginando se a camisinha estourou sem eu ter percebido – mesmo que eu tenha verificado e a própria pessoa também pediu pra ver. Eu sou assim, infelizmente. E acabo me privando de tudo quando estou em um relacionamento (por isso que eles não duram).

    Mas o que eu gostaria mesmo de deixar de mensagem para vocês é que eu considero que ninguém é melhor ou pior do que ninguém por ter uma doença, por ter uma condição física, por ter mais ou menos dinheiro, por sua raça, credo ou opção sexual. Todos nós somos iguais, independente de qualquer coisa e vocês, que estão lutando todos os dias (assim como qualquer pessoa) também são vencedores. E tenho um enorme pressentimento que, conforme os estudos avançam, teremos a cura mais cedo do que imaginam. Como gosto de pensar em prazos eu acho (acho, pois todo mês tem uma novidade) que em uns belos 5 anos isso será passado na vida de todos.

    Um forte abraço a todos e que Deus abençoe todos nós com vidas longas e prósperas (e me desculpem pelo texto enorme)

  20. mamae babona positiva diz

    hiv?aids?o que é isso rs é assim que vivo!descobri minha sorologia a mais o menos dois anos e uns meses foi um choque,chorei tanto lembro que peguei o resultado na hra do meu almoço veio como uma bomba e ainda tive que por um sorriso no rosto e volta a trabalhar!questionei tanto a Deus o pq,o pq comigo que pecado eu havia comitido?!dificil!mais graças a Deus superei é superei,no mesmo dia que eu soube Deus falou comigo,me disse pra me acalmar que ele iria me da um anjo dele aquele que estava ali com ele sempre ele iria enviar ate mim!e dito e feito nao havia posibilidade d eu estar gravida,como eu gravida mais deus fez o impossivel e cumpriu sua promessa,o anjo que ele me envio hj esta com um ano e meio cheio de saude e sem o virus,nasceu enorme ate a pediatra quando viu se emociona com tamanha bençao,digo a vcs tudo tem um pq tudo!se Deus nos deu este fardo é pq somos capacitados fortes!ngm sabe da minha condiçao ngm msm a nao ser o pai do meu filho infelizmente nao estamos mais juntos e ele tbm nao tem o virus e as veze ele ainda me pergunta Dani vc tem msm ou menti p mim kkk!a unica resposta que do a ele é que escondo isso de mim msm pois me tortura por pouca coisa é bobagem!e eu estava indetectavel tem 6 meses que nao tomo o medicamento passei a esquecer e quando dei por mim tinha parado!agra vou passa com o medico p ver se posso tomar esse msm sera que volto a ser indetectavel?

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