Pela Vidda RJ

A manutenção do Sistema Único de Saúde e mais investimento e qualidade para a saúde pública no Brasil. Foi isso que reivindicou o Grupo Pela Vidda-RJ, em ato realizado no último dia 23, em frente à Igreja da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro. Com palavras de ordem, como “Um SUS melhor para o Brasil” e “O SUS é do povo brasileiro”, faixas com artigos da Declaração dos Direitos Fundamentais da Pessoa que Vive com HIV e aids, placas, cartazes, velas e apitos, cerca de 50 participantes se manifestaram em defesa do SUS, da democracia, do respeito e pelo fim do preconceito e do estigma.

“Onde eu vou fazer meu tratamento e meus exames, se o SUS acabar ou sua qualidade diminuir?”

Durante o ato, os manifestantes destacaram a importância do Sistema Único de Saúde para a população brasileira e sua importância para a luta contra a aids. Pessoas que vivem com HIV estiveram na manifestação e perguntaram: “onde eu vou fazer meu tratamento e meus exames, se o SUS acabar ou sua qualidade diminuir?”.

“Nós do movimento de luta contra aids ficamos muito preocupados com essas falas, que colocam em dúvida a continuidade do serviço.”

“Esse ato é contra todos que estão pensando em privatizar, terceirizar e acabar com o SUS. Estamos próximos de completar 30 anos de uma luta por direitos e por inclusão. O SUS não é só saúde, ele incluiu a população. Quase 80% da população brasileira tem atendimento no SUS, em um dos três níveis: atenção básica, secundária ou terciária. E nós do movimento de luta contra aids ficamos muito preocupados com essas falas, que colocam em dúvida a continuidade do serviço. Esse ato quer chamar a atenção da população, pois nós não podemos permitir que uma conquista do povo brasileiro seja sucateada. Saúde é direito, saúde não é mercadoria. A gente tem que chamar todos para que se conscientizem do que está acontecendo no país, independente de partido, ideologia, de convicções, nós temos que defender a sociedade e os nossos direitos”, destacou Marcio Villard, coordenador do Pela Vidda-RJ.

Foto: Larissa Cargnin
Foto: Larissa Cargnin

“Precisamos estar unidos para não deixar acontecer esse levante contra a cidadania.”

Representantes da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids – ABIA, também estiveram presentes. A escolha da Candelária para o ato não foi a toa: “a Candelária é um símbolo de luta, palco de uma das maiores chacinas dessa país, e nós precisamos usar esse espaço como espaço de luta e de busca por cidadania. Precisamos estar unidos para não deixar acontecer esse levante contra a cidadania, contra os direitos individuais, coletivos e difusos. Porque a gente precisa de um Brasil livre, diverso, autônomo e inclusivo para todos e todas”, completa Marcio.

A manifestação é um dos eventos que marcam os 27 anos do Grupo Pela Vidda-RJ, celebrado hoje (24). Durante o ato, as drag queens do Mix da Prevenção distribuíram kits de prevenção. Cerca de 10 drags distribuíram 5 mil kits para as pessoas que passavam a pé e de carro pela Avenida Presidente Vargas, uma das principais vias da cidade.

Pela Assessoria de Imprensa do Grupo Pela Vidda-RJ

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Fábio Mesquita anunciou, em sua página pessoal no Facebook, que renunciou à direção do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A notícia também foi publicada pela Folha de S. Paulo, Correio Braziliense e Agência Aids.


https://www.facebook.com/fabio.mesquita.372019/posts/1792186264336107?pnref=story


agenciaaids

Morreu, neste sábado (21), aos 39 anos, Jucimara Moreira (foto abaixo), uma das ativistas mais importantes na luta contra a aids no Brasil. Mara, como era conhecida, fazia parte do Grupo Pela Vidda Rio, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas e da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids. Há mais de um mês, estava internada em estado grave e não resistiu. Os ativistas, que com ela lutaram por respeito, contra o preconceito e por melhorias na saúde para as pessoas vivendo com HIV/aids, amanheceram de luto, neste domingo (22).

“Mara praticamente encerra um ciclo de ativistas na luta contra a aids que fizeram de suas histórias uma pauta de ativismo.”

Mara fez muitos amigos, por quem foi muito querida. Sua morte causou manifestações de afeto e sentimentos nas redes sociais: “Mara praticamente encerra um ciclo de ativistas na luta contra a aids que fizeram de suas histórias uma pauta de ativismo, protagonismo e utopia. Mara em muitos momentos era um peixe fora d’água no GPV-RJ [Grupo Pela Vidda Rio], mas sempre resistia e não desistia. Às vezes, o estresse entre nós era brabo, mas fizemos muitas ações e projetos com muito êxito. Mara estará em paz, com certeza, pois ela plantou e colheu bons frutos. Mara presente!”, escreveu Márcio Villard, do Grupo Pela Vidda Rio, em sua página no Facebook.

Jucimara Moreira
Jucimara Moreira

Silvia Almeida, do GIV (Grupo de Incentivo à Vida), lembra com doçura o momento em que a conheceu e também lamenta a perda: “Conheci a Mara num encontro das Cidadãs Posithivas. Era sua primeira participação e tudo era novidade para ela. Carioca, trazida ao movimento por Aninha, outra companheira do Rio, Mara se encantou! Em pouco tempo, já era secretária do Movimento das Cidadãs, assim como atuante do Pela Vidda Rio, dando seu melhor. Riso largo e fácil… Posso fechar os olhos e ouvir sua risada alta e contagiante. Vai fazer falta, mas o céu ganhou uma guerreira”.

Sobre Mara:

Soropositiva desde os 18 anos, Jucimara cursou teologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e começou o tratamento com os medicamentos antirretrovirais em 8 de agosto de 1995, 1 ano e 3 meses antes de ser aprovada a lei (nº 9.313/96) que garantiu o acesso universal a todas as pessoas vivendo com aids.

Além das lutas que enfrentava por todas as pessoas com HIV, a ativista batalhava contra a falência terapêutica e a lipodistrofia. Mara também teve parte de sua história relatada em uma das novelas da “Globo”, “Páginas da Vida”, que foi ao ar em 2007.

“Precisamos cada vez mais de médicos como estes: competentes, sem preconceito, valorosos nesta luta tão árdua e militantes nesta causa que não é só nossa e sim de todos nós.”

Em 2014, em uma das homenagens que a Agência de Notícias da Aids fez no Dia do Médico, Mara, demonstrando a importância de sua militância, também deu seu depoimento: “Existem vários médicos que gostaria de homenagear neste dia tão especial, como Leonardo Maia, Brenda Hoagland, Sandra Wagner, Valdiléia Veloso, entre outros que, com seus esforços na luta contra esta epidemia, nos encorajam a continuar na luta. E que eles nunca desistam de nós, pois precisamos cada vez mais de médicos como estes: competentes, sem preconceito, valorosos nesta luta tão árdua e militantes nesta causa que não é só nossa e sim de todos nós. Precisamos cada dia mais de novos médicos que sejam infectados com o vírus da militância contra esta epidemia”.

Fonte : Redação da Agência de Notícias da Aids em 22/05/2016


Aidsmap

Um estudo realizado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles e pelo Hospital Universitário de Copenhagen traz a primeira evidência inequívoca da ligação entre altas taxas de supressão viral em homens homossexuais e a queda na incidência de novos casos de HIV — a proporção de homens que pegam HIV a cada ano.

Os pesquisadores dizem que a incidência de HIV entre homens homossexuais, uma taxa de 0,14% ao ano, ou um em cada 700 homens homossexuais infectados anualmente, é atualmente tão baixa que se aproxima da taxa de incidência anual de um por 1000 que a Organização Mundial de Saúde definiu como meta para, assim, acabar com a epidemia de HIV. Eles calculam que a percentagem de homens gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) na Dinamarca que têm HIV, fazem tratamento antirretroviral e têm carga viral indetectável é atualmente de 72,1% — muito perto dos 72,9% que a meta 90/90/90 do Unaids estabelece para acabar com a epidemia de HIV.

Na Dinamarca, a epidemia de HIV tem se concentrado em HSH e, em particular, tem tido prevalência muito baixa de HIV em pessoas que injetam drogas, devido aos programas de redução de danos que estão disponíveis há décadas. A redução de HIV entre HSH, portanto, permitiria reduzir a incidência do vírus em todo o país.

Os pesquisadores acham que a redução na incidência do HIV não foi impulsionada pelas alterações nos limites de CD4 para iniciar o tratamento, uma vez que começou a cair antes que essas orientações fossem alteradas. Em vez disso, o aumento das taxas de testes atraiu mais pessoas diretamente para o atendimento médico, fazendo com que fossem diagnosticadas mais cedo, com contagens de células CD4 ainda altas.

Eles também acham que, apesar da incidência estar em queda, a taxa de transmissão — o número de pessoas infectadas por um homem com carga viral não-suprimida — quase duplicou durante o período do estudo. Eles comentam que isso provavelmente se deu devido ao aumento do comportamento de risco; contudo, o aumento do número de pessoas em terapia antirretroviral tem mais do que compensado. Acrescentam, no entanto, que será necessário utilizar outras intervenções de eficácia comprovada, tal como a profilaxia pré-exposição (PrEP), a fim de reduzir as taxas de transmissão e infecção entre os não-diagnosticados e aqueles com alto risco de contrair HIV.

 

Detalhes dos resultados

A Dinamarca mantém uma base de dados nacional sobre HIV desde 1995, que inclui todas as pessoas diagnosticadas com HIV no país e um estudo de coorte nacional, que incluiu a maioria das pessoas diagnosticadas desde 1991. Este registro mostra que o número de novos diagnósticos de HIV por ano entre HSH caiu de 152 em 1991 para 68 no ano 2000. Em seguida, subiu novamente para um pico de 139, em 2007. Em seguida, voltou a diminuir, para 76 diagnósticos em 2013 e apenas 58 em 2012.

A Dinamarca instituiu rapidamente a terapia antirretroviral no país e quase três quartos dos HSH diagnosticados estavam em tratamento em 1998; mais de 50% dos HSH diagnosticados tinham conseguido cargas virais indetectáveis até 2001.

O aumento dos testes levou a uma rápida queda na proporção de HSH diagnosticados com contagens de células CD4 abaixo de 200 células/mm³, de cerca de 40% antes do ano 2000 para menos de 20% após 2003. A proporção de diagnosticados com contagens de CD4 acima de 500 células/mm³ aumentou paralelamente a estes, embora um pouco mais gradualmente, a partir de cerca de 20% antes de 2000 à cerca de 40% depois de 2005. O ano de 2002 foi crucial, depois que mais HSH foram diagnosticados com contagens elevadas de CD4 e isso coincidiu com um salto repentino na contagem média de CD4 no momento do diagnóstico, de cerca de 230 células/mm³ para cerca de 400 células/mm³ (com discrepantes 560 células/mm³ em 2012).

Tomando como denominador a estimativa da população de HSH na Dinamarca, de 55.000 indivíduos, os pesquisadores estimaram que o número de HSH com HIV que não são diagnosticados caiu de cerca de 1400 em 1995 para apenas pouco mais de 600 em 2013, enquanto o número de indivíduos com CD4 abaixo de 200 células/mm³ caiu de 190 a 40. Esses 600 representam 20% de todos os HSH com HIV no país.

Os pesquisadores calcularam que o número de homens homossexuais na população que, em qualquer ano, são soropositivos e não tem carga viral indetectável e, portanto, são infecciosos, caiu de pouco mais de 2200 em 1996 para pouco mais de 800, atualmente. Em 1996, metade desses potenciais transmissores foram diagnosticados, os quais não estavam em tratamento ou o tratamento não estava sendo bem sucedido. Em 2013, apenas um terço (cerca de 230 homens) estava nessa categoria, e um pequeno número — cerca de apenas 35 homens — estava com falha no tratamento.

Os números obtidos até agora referem-se aos diagnósticos anuais e não à verdadeira taxa de incidência e nem a outros fatores, como o aumento nas taxas de testes. No entanto, fazendo uma estimativa grosseira do tempo desde a infecção, com base na contagem média de CD4 no momento do diagnóstico, os pesquisadores foram capazes de calcular que o número absoluto de HSH infectados na Dinamarca por ano diminuiu de 117 em 1994 para 70 em 2013 (o número diagnosticados nesse ano foi de 76).

Os pesquisadores notaram então uma variante: eles observaram que a incidência só começou a diminuir quando a proporção de todos os HSH soropositivos (incluindo os não-diagnosticados) que estavam sob tratamento subiu para mais de 35%.

Um achado importante é que, embora a incidência tenha caído, ela não caiu tanto quanto os diagnósticos. E a taxa de transmissão — o número de vezes que cada HSH viralmente não-suprimido e, portanto, potencial transmissor, transmitiu HIV — aumentou. Em 1996, os pesquisadores calcularam que pouco mais de cinco em cada 100 HSH soropositivos viralmente não-suprimidos transmitiam HIV a outro parceiro (0,05 ao ano). Em 2012, este número quase dobrou, para nove em cada 100. Isto provavelmente é devido ao aumento dos níveis de comportamento de risco e também à concentração do comportamento de risco em um conjunto cada vez menor de homens homossexuais com alta prevalência de HIV.

 

Conclusões

Esta pode ser a explicação para uma outra variante que os pesquisadores mostram num gráfico, mas não fazem referência. A incidência permaneceu estável em 80 infecções por ano assim que a proporção de HSH soropositivos em tratamento subiu para mais de 55%. Em seguida, ela começou a diminuir ainda mais quando a proporção subiu para mais de 70%. Já observamos que os diagnósticos aumentaram temporariamente entre 2000 e 2007, antes de cair novamente. Isto pode demonstrar que, em uma população com alto nível de comportamento de risco e de vulnerabilidade biológica, uma proporção maior de pessoas precisa atingir a supressão viral antes da incidência começar a cair.

Isso poderia explicar porque em KwaZulu-Natal, na África do Sul, num dos poucos outros estudos feitos para demonstrar uma correlação direta entre a proporção de pessoas com supressão viral e a incidência de HIV, os novos casos de infecção começaram a cair quando a cobertura do tratamento chegou a 30%, enquanto a incidência continuou a aumentar em países como o Reino Unido, que têm as mesmas taxas de supressão viral que a Dinamarca. Alguns pesquisadores estimam que as taxas de supressão viral precisariam ser de 90% para que a incidência comece a cair no Reino Unido, na ausência de PrEP ou de mudança no comportamento de risco.

Os pesquisadores salientam que tudo isso só foi possível na Dinamarca porque “há acesso universal a cuidados de saúde na Dinamarca, com tratamento gratuito para o HIV e muitas clínicas de fácil acesso que oferecem testes de HIV.”

Por Gus Cairns em 18 de maio de 2016 para o Aidsmap

Referência: Okano JT et al. Testing the hypothesis that treatment can eliminate HIV: a nationwide population-based study of the Danish HIV epidemic in men who have sex with men. The Lancet Infectious Diseases, early online publication. http://dx.doi.org/10.1016/S1473-3099(16)30022-6. Maio de 2016.

Probioticos_FMUSPA última edição do estudo sobre flora intestinal e imunidade, conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), ainda precisa de um(a) voluntário(a).

A pesquisa vai avaliar se a ingestão de um produto probiótico composto por lactobacilos, ingerido uma vez ao dia e durante três meses, é capaz de promover melhora na flora intestinal e aumento da contagem de células CD4 em indivíduos soropositivos para o HIV.

Pode participar:

  • homem ou mulher de 18 a 60 anos;
  • residente na região metropolitana de São Paulo, SP;
  • soropositivo(a) para o HIV;
  • em tratamento com o mesmo esquema antirretroviral pelo menos pelos últimos seis meses;
  • com CD4 menor que 500 e carga viral indetectável há pelo menos seis meses.
Entre em contato de 2ª à 6ª feira, das 10h às 17h pelos telefones: (11) 2661-7214  |  2661-3344  |  2661-8236  |  2661-7845, pelo WhatsApp: (11) 9-5289-9886 ou através do e-mail: pesquisaclinica.ichc@hc.fm.usp.br


Atlantic

Religião é saudável. Pelo menos, é isso que uma série de estudos têm sugerido: frequentar igrejas e outras práticas religiosas estão associadas à taxas mais baixas de mortalidade, junto com outros comportamentos saudáveis, como não fumar ou beber.

Um novo estudo, publicado esta semana no Journal of General Internal Medicine, leva estas conclusões um passo adiante: por mais de 17 anos, pesquisadores acompanharam homens e mulheres que vivem com HIV e que já estavam em estágio intermediário da doença quando o estudo começou. Eles descobriram que as pessoas que se envolveram em práticas e pensamentos espirituais tiveram uma maior taxa de sobrevivência do que as pessoas que não o fizeram — de duas a quatro vezes maior.

Entre outras coisas, os pesquisadores perguntaram aos participantes se eles rezavam, meditavam ou participavam de cultos religiosos; se eram gratos a Deus pelo que tinham; se tinham superado sentimentos de “culpa espiritual”, acreditando que Deus iria perdoá-los por seus erros. O estudo deixa em aberto uma série de questões, mas os resultados são provocantes. Eles sugerem que a forma como as pessoas pensam sobre o significado de suas vidas e seu relacionamento com Deus pode ter um efeito positivo sobre a sua saúde, mesmo quando estão vivendo com uma doença crônica e progressiva.

No final dos anos 90, o medicamento usado para tratar pacientes soropositivos melhorou significativamente, com a introdução de um novo “coquetel” de medicamentos utilizados para interromper o desenvolvimento da doença. Isso abriu o caminho para novas pesquisas: pouco depois deste novo tipo de tratamento antirretroviral tornar-se disponível, Gail Ironson, professora de psicologia na Universidade de Miami, recrutou pacientes para um estudo longitudinal sobre o HIV, e mais tarde foi acompanhada por Heidemarie Kremer, uma ex-ativista e pesquisadora da Universidade Internacional da Flórida. A cada seis meses, durante a primeira metade do estudo, os participantes respondiam à perguntas, escreviam ensaios e participavam de entrevistas. A maioria deles fazia uso da medicação quando o estudo começou e esse número subiu enquanto o estudo prosseguiu. Ironson disse que ela e sua equipe atentaram para este tipo de variação, juntamente com outros fatores, como a demografia e uso de drogas.

“Ela se sentiu escolhida por Deus, acreditando ter contraído o HIV para ajudar os outros.”

Os pesquisadores procuraram por sinais qualitativos dentro do que os participantes pensavam e agiam em relação à religião ou espiritualidade — menções sobre Deus ou orações, por exemplo. Um paciente “falou em voltar para a igreja para ajudar outras pessoas que tinham HIV que não revelavam sua sorologia”, disse Ironson. “Ela se sentiu escolhida por Deus e encontrou sentido no HIV, acreditando ter contraído o HIV para ajudar os outros.” Outro disse que se sentia “ter contraído o HIV para que Deus pudesse levá-lo a prestar mais atenção e mudar seu estilo de vida”. Estes são exemplos do que Ironson chamou de “reformulação espiritual positiva” — pessoas encontram uma maneira de pensar sobre a sua situação de forma mais positiva, usando a linguagem da espiritualidade. Cerca de um quinto das pessoas no estudo pareciam usar esta técnica e a taxa de sobrevida entre essas pessoas foi cerca de quatro vezes maior do que os outros participantes. Esta foi apenas uma dentre as 17 formas diferentes de espiritualidade e religiosidade que os pesquisadores observaram.

Uma vez que este é um estudo qualitativo, muitas interpretações estavam envolvidas na obtenção dos resultados, como ouvir certas frases e codificá-las de uma determinada maneira. Para a reformulação espiritual ser codificada, por exemplo, as razões dos participantes tinham que envolver Deus ou o divino; eles não poderiam ser apenas genericamente positivos. Essa é uma grande limitação do estudo: não está claro se a mentalidade não-espiritual, não-teísta, mas igualmente positiva, levaria às mesmas taxas de sobrevivência.

“A verdadeira natureza de Deus está claramente além do escopo deste artigo.”

Também é difícil afirmar que certos pontos de vista e práticas espirituais levam as pessoas a viver mais tempo. Em um estudo anterior, Ironson e seus colegas analisaram a forma como os pacientes soropositivos enxergavam Deus — como benevolente, amoroso e misericordioso, ou como duro, julgador e punitivo. Embora os pesquisadores tenham descoberto que as pessoas com uma visão positiva de Deus tinham uma progressão da doença significativamente mais lenta, “a verdadeira natureza de Deus está claramente além do escopo deste artigo”, escreveu Ironson. “Embora tenhamos concluído que o ponto de vista a respeito de Deus prediz a progressão da doença e é digno de nota, isso não implica que a visão de Deus causa progressão da doença.”

O mesmo é verdade aqui. Estas descobertas são fascinantes, mas não está claro como elas poderiam efetivamente ser incorporadas no tratamento. É incerto o que iria acontecer “se pedirmos às pessoas para mudar sua espiritualidade, para tornarem-se mais religiosas ou espirituais ou se envolverem em práticas espirituais”, disse Ironson. “A partir deste estudo, nós realmente não sabemos se isso iria aumentar a sua sobrevivência.”

Além disso, os médicos não podem prescrever religião, juntamente com um coquetel antirretroviral. As pessoas podem não se sentir confortáveis em falar sobre religião e espiritualidade com seus médicos, ou podem ter preocupações sobre discriminação religiosa. Ironson sugeriu que médicos poderiam iniciar conversas com seus pacientes sobre como lidar e ver se eles mostram quaisquer sinais de interesse em espiritualidade. Mas o tema tem de ser abordado com cautela. “É uma área controversa”, disse ela. “Eu acho que é importante divulgar essa informação para que as pessoas saibam sobre isso. Se vai entrar para o ambiente médico, está aberto ao debate.”

O estigma e a condenação social pode ter levado as pessoas mais rapidamente em direção à morte.

Embora este estudo possa inspirar pesquisas e servir de forro para conversas sobre a melhor maneira de misturar espiritualidade e saúde, também é indiretamente relevante para a história do HIV/aids. Obliquamente, e assustadoramente, os resultados podem ser interpretados como uma acusação aos políticos, profissionais de saúde e cidadãos que condenaram ou ignoraram, no começo da epidemia, aqueles que tinham a doença. Se “superar a culpa espiritual” é um fator que ajuda as pessoas soropositivas a permanecerem saudáveis, o estigma generalizado e a condenação social pode ter levado as pessoas mais rapidamente em direção à morte.

Por Emma Green em 6 de maio de 2016 para o Atlantic


Aidsmap

HIV é indetectável também no líquido pré-ejaculatório de homens que fazem uso da terapia antirretroviral supressiva, afirmam pesquisadores na edição online americana da revista Aids. Cerca de um quinto dos homens com carga viral indetectável no sangue, tinham baixo nível de replicação do HIV no sêmen e nenhum vírus no líquido pré-ejaculatório.

“Secreções sexuais pré-ejaculatórias em homens em tratamento antirretroviral não contém HIV detectável.”

“Nosso estudo fornece a primeira evidência científica de que as secreções sexuais pré-ejaculatórias em homens em tratamento antirretroviral não contém HIV detectável, ao contrário do líquido pré-ejaculatório dos homens não tratados”, comentam os pesquisadores. Agora há provas irrefutáveis de que os homens e as mulheres que estão tomando antirretrovirais com adesão, o qual suprime o HIV no sangue a níveis indetectáveis, são extremamente improváveis de transmitir o vírus a seus parceiros sexuais. No entanto, a replicação do HIV persistente foi detectada no sêmen de homens que fazem uso do tratamento mesmo com a carga viral no sangue suprimida.

O HIV foi detectado no fluído pré-ejaculatório de homens infectados pelo HIV que não fazem uso de terapia antirretroviral e também em amostras de líquido pré-ejaculatório obtidos de macacos expostos a antirretrovirais. Acredita-se que o líquido pré-ejaculatório é uma possível fonte de transmissão do HIV.

Pesquisadores em Boston queriam ver se a replicação do HIV persiste no fluído pré-ejaculatório no contexto de tratamento antirretroviral que suprime a carga viral no sangue e também para determinar se existe uma relação entre a carga viral detectável no sêmen e no fluído pré-ejaculatório. A amostragem foi composta por 60 homens. Todos eram sexualmente ativos e estavam sob regime antirretroviral estável há pelo menos três meses. Amostras de pré-ejaculação, do sêmen e do sangue foram fornecidas para a quantificação da carga viral. Os homens também foram selecionados para amostras uretrais de infecções sexualmente transmissíveis (DSTs), uretrite e infecções por HSV.

Oito dos homens tinham carga viral detectável no sangue (80-640.000 cópias/ml) e foram excluídos da análise final. Todos os 52 homens restantes tinham carga viral abaixo do limite de detecção (40 cópias/ml). A idade média dos participantes era de 43 anos, a contagem média de células CD4 era de 518 células/mm³, 96% relataram fazer sexo com outros homens e 44% disseram ter praticado sexo anal insertivo desprotegido nos últimos três meses. Nenhum dos pacientes apresentou infecção bacteriana na uretra, um tinha uretrite e um tinha HSV-2 no sêmen.

Quatro dos homens com HIV detectável no sangue também tinham vírus no sêmen, com a carga viral variando entre 40 e 96.000 cópias/ml. Um homem neste grupo tinha também vírus detectável no líquido pré-ejaculatório (2.400 cópias/ml). Dos 52 homens com carga viral indetectável no sangue, dez (19%) apresentaram baixo nível de replicação do HIV no sêmen (59 a 800 cópias/ml). No entanto, nenhum tinha o vírus no líquido pré-ejaculatório. Ambos os pacientes com uretrite e o indivíduo com HSV-2 no sêmen tinham HIV detectável no sêmen.

“O líquido pré-ejaculatório não contribui para a transmissão do HIV em homens em tratamento antirretroviral.”

“Embora o RNA do HIV-1 tenha sido detectado no sêmen dos homens em tratamento antirretroviral estável e com carga viral indetectável, ele não foi detectado nas secreções pré-ejaculatórias”, concluem os autores. “Esses dados indicam que o líquido pré-ejaculatório não contribui para a transmissão do HIV em homens em tratamento antirretroviral, pelo menos em homens sem infecções genitais.”

Por Michael Carter em 11 de maio de 2016 para o Aidsmap

Referência: Politch JA et al. HIV-1 in pre-ejaculatory secretions from HIV-1 infected me on suppressive ART. Aids, online edition. DOI: 10.1097/QAD. 000000000001130 (2016).


GNT

Nesse episódio do Boas-Vindas, vamos conhecer histórias de casais que encararam de frente as reviravoltas que surgiram. Vitor nunca colocou seu amor por Bruna em questão. Foi com essa certeza, que ele recebeu a notícia de que ela tinha sido diagnosticada com HIV. Para eles, isso não os impedia de sonhar com uma gravidez, preparando-se com todo cuidado para a chegada de Benício. Júnior encarou seus primeiros obstáculos ainda na barriga de sua mãe. O pai, caminhoneiro, sofreu um acidente que lhe tirou a vida. Agora, ao lado de Deborah, se viu surpreendido pela vinda inesperada de Alice, embarcando na paternidade com apenas seis meses de namoro e quase revendo o que aconteceu com seu pai: com Deborah grávida da menina, ele e a irmã sofreram um grave acidente de moto e Júnior só pensava em conseguir ver a filha nascer.

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Episódio 9 de Boas Vindas (Foto: GNT)
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Perdeu algum episódio? Assista quando quiser no Now ou no GNT Play.

Sexta-feira, 22:30h

Sábado, 07:00h

Domingo, 11:00h

Segunda-feira, 08:00h

Terça-feira 18:00h

Quarta-feira, 15:00h


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O que é que perderíamos ao nos libertar da palavra “aids” — ou o que ganharíamos? É uma questão provocada pelos avanços no tratamento do HIV e nos cuidados e mudanças na forma como as pessoas vivem com HIV e aids.

“Um diagnóstico de aids em 2016 não é o mesmo que um diagnóstico de aids em 1986.”

“Eu acho que o diagnóstico de aids, e o que ele significa, é, em muitas maneiras, histórico”, disse o Dr. Hyman Scott, médico infectologista especializado em HIV no Departamento de Saúde Pública de São Francisco. “Um diagnóstico de aids em 2016 não é o mesmo que um diagnóstico de aids em 1986, se essa pessoa começa o tratamento imediatamente.”

“O CDC não está mais acompanhando os casos ‘aids’.”

No ano passado, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) mudaram a terminologia utilizada na vigilância epidemiológica de HIV e aids, substituindo “aids” por “HIV Fase 3”, adicionando a nova “Fase 0” para classificar a infecção recente pelo HIV. “Essa foi, para mim, uma espécie de prova fundamental de que o CDC não está mais acompanhando os casos ‘aids'”, disse o Dr. Christopher Pilcher, durante uma grande apresentação sobre aids no San Francisco General Hospital.

Embora o sistema de vigilância do CDC seja destinado principalmente à monitorar e reportar casos de HIV na população — e não como base para decisões clínicas —, esta alteração no relatório destaca uma questão interessante. Concretamente, diz sobre como especialistas em saúde pública, entre outros, estão pensando a respeito do que um diagnóstico de aids realmente significa e se há algum valor em desenhar uma linha divisória entre o HIV e a aids.

 

Qual é a relevância clínica de um diagnóstico de “aids”?

Independentemente do estágio da doença, há relevância em fazer distinção entre os estágios da infecção pelo HIV para a saúde pública ou por motivos clínicos. Fazer isso cria uma ferramenta para especialistas em saúde pública definir e medir quantas pessoas são diagnosticadas tardiamente em sua infecção e a rapidez com que o HIV progride de um estágio para o próximo.

Para os médicos, um diagnóstico de aids significa que a contagem de células CD4 de uma pessoa caiu para abaixo de 200 células/mm³ ou que houve uma infecção oportunista — um indicador importante de que, se retirada dos antirretrovirais, sua contagem de CD4 pode rapidamente diminuir novamente. O estágio avançado da infecção pelo HIV que um diagnóstico de aids é capaz de identificar é especialmente importante, segundo Scott, para as pessoas que são diagnosticadas tardiamente, com infecção avançada.

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Dr. Hyman Scott

“Embora em declínio, aproximadamente 18% das pessoas diagnosticadas com HIV em São Francisco são diagnosticadas com aids no prazo de três meses — um sinal de infecção pelo HIV de longa data não diagnosticada. Nós ainda vemos pessoas com pneumonia [uma infecção oportunista], que são diagnosticadas com aids. Os médicos ainda usam o termo ‘aids’ para descrever um estágio de HIV. Pode ser útil para descrever o quão doente alguém está”, disse ele.

Normalmente, as pessoas que recebem um diagnóstico de aids carregam esse diagnóstico para o resto de suas vidas, mesmo se a sua contagem de CD4 se recuperar ou se eles suprimirem suas cargas virais e ficarem saudáveis.

 

“Aids” pode não refletir o quão bem uma pessoa se sente e nem em quanto tempo ela pode morrer

Atualmente, o tratamento para o HIV, melhor tolerado e mais potente, permite que pessoas que são diagnosticadas com aids respondam bem à terapia antirretroviral, recuperem seu sistema imunológico e vivam muitos anos.

“Aids não é mais uma sentença de morte.”

“Antes, na ausência de tratamento antirretroviral, um diagnóstico de aids era associado à mortalidade muito alta em curto prazo. Mas, agora, embora um diagnóstico de aids esteja associado a um maior risco de mortalidade, com o início imediato da terapia antirretroviral e uma boa adesão ao tratamento, as pessoas podem ter uma recuperação extraordinária. Aids não é mais uma sentença de morte, de modo algum”, disse Scott.

Vince Crisostomo
Vince Crisostomo

Vince Crisostomo, gerente da Elizabeth Taylor 50-Plus Network na San Francisco Aids Foundation, vive com aids há mais de vinte anos. “Lembro-me de estar em minha mesa de trabalho quando recebi o meu diagnóstico de aids, em 1995. Eu pensei: o que o que devo fazer agora? Ir para casa? De ‘vivendo com o HIV’ fui para para ‘vivendo com aids’ e, de repente, as pessoas pensavam de mim como alguém morrendo. Hoje, eu tecnicamente ainda tenho aids, mas já passou mais de vinte anos desde o diagnóstico e eu estou em boa saúde. Em certa altura, abandonei meu adesivo de deficiente no carro que dá direito a estacionamento especial [um direito de quem vive com HIV/aids nos Estados Unidos], porque eu estava ouvindo comentários de pessoas, como: ‘por que você usa isso?'”

Jonathon, nome fictício de um habitante de São Francisco, diagnosticado com aids em 2007, disse que sempre tem que dar uma explicação mais longa se ele diz a alguém que tem um diagnóstico clínico de aids. “Eu digo às pessoas que eu tenho um diagnóstico clínico de aids porque eu tenho sarcoma de Kaposi. Então, eu tenho que seguir dizendo que sou indetectável, que tenho uma contagem muito elevada de células T e que espero estar vivo ainda por muito tempo. Não estou à beira da morte e meu sarcoma de Kaposi não é como em 1991. Mas não há nenhum jeito fácil de explicar isso.”

 

Tirar aids da mesa pode reduzir o estigma

“Aids é uma palavra que, por muitos anos, nenhum de nós queria ouvir”, disse Matt Sharp, sobrevivente e ativista do HIV em São Francisco. “Era uma palavra tão temida, horrível. Em alguma altura, eu quase pensei: ‘não seria ótimo se não tivéssemos que usar mais essa palavra?'”

“Acabar com o diagnóstico de ‘aids’ iria mostrar o progresso no tratamento do HIV.”

Um benefício de largar o termo “aids” é a possibilidade dele mudar a forma como as pessoas pensam sobre o HIV em geral. “Há tanto estigma associado à palavra ‘aids'”, disse Crisostomo. “Devido à forma como falamos de coisas como ‘a epidemia da aids’, em termos de redução do estigma, pode ser útil unir todos os que vivem com HIV numa única população. De muitas maneiras, acabar com o diagnóstico de ‘aids’ iria mostrar o progresso que estamos fazendo no tratamento do HIV.”

“Acho que chegou o momento”, disse Sharp. “Pois o padrão de tratamento mudou. E, com isso, às vezes, os nomes das coisas também mudam. “

 

Sem ‘aids’, perdemos nossa história?

“As pessoas perderam o emprego, perderam suas moradias, perderam suas identidades.”

Pessoas que viveram o começo da epidemia podem ser particularmente sensíveis à mudanças na linguagem que sentem como marginalizadoras, disse Crisostomo. “A epidemia de aids não era apenas sobre a perda de pessoas. As pessoas perderam o emprego, as pessoas perderam suas moradias, as pessoas perderam suas identidades. Decidir simplesmente se livrar do termo ‘aids’ também pode soar como uma perda. As pessoas podem equiparar o ‘vamos nos livrar da aids’ com ‘vamos nos livrar de mim’. Algumas pessoas podem pensar: ‘eu não importo, mais uma vez’.”

Um diagnóstico de “aids” pode ser simbólico, disse Sharp. “Pode haver algumas pessoas que agarram-no como uma espécie de distintivo de honra.” Segundo Crisostomo, “há história e identidade embrulhados na palavra ‘aids’. Como uma questão emocional, algumas pessoas vêem como um sinal de coragem carregar o diagnóstico. É um indicador de que você viveu durante o começo da epidemia.”

“Eu preciso de um novo termo, que reflita onde estamos agora.”

“Acho que, talvez, subconscientemente, sinto que a aids é parte da minha identidade. Certamente é parte da ansiedade que eu sinto. A aids me amarra à história, que não é boa, se estamos falando de algum tempo atrás”, disse Jonathan. “Quando eu digo que tenho aids, as pessoas olham para mim e não há nenhuma compreensão por parte delas de como isso é possível. Elas estão segurando a imagem do que essa palavra significava em 1980 e 1990. Eu preciso de um novo termo, que reflita onde estamos agora. Eu não quero tirar a gravidade do que estou lidando, e sobre algo que ainda há muito a aprender.”

Por Emily Newman em 5 de maio de 2016 para o Beta