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Carta de um leitor: sobre a impaciência pela cura

“Olá, Jovem! Tudo certo contigo? Fiquei mexido com a última postagem que tu publicaste, sobre a inflamação crônica e seus efeitos no longo prazo.

Olivetti

Me parece que, se nossa leitura fosse mais atenta, talvez o que poderíamos tirar da postagem é que: 1) a inflamação crônica não é uma disposição fisiológica devastadora, 2) que atua lentamente e só é perceptível quando o soropositivo chega em sua 6º ou 7º década de vida e, principalmente, 3) que existem meios para retardar, controlar ou até mesmo conviver muito bem com a inflamação persistente — inclusive, até os 88 anos de idade, assim como a Dona Olivetti, que esteve ao seu lado no livro Histórias da Aids, do infectologista Artur Timerman e da jornalista Naiara Magalhães.

Noutras palavras, é basicamente dizer que a inflamação persistente parece ser mais perceptível quando o paciente está próximo da idade em que as pessoas normalmente morrem, o que faz com que essa constatação seja até um pouco engraçada.

“Na mesma medida em que suas células CD4 aumentam, parece que a ansiedade cresce junto com sentimentos de impaciência.”

Contudo, o que mexeu comigo, confesso, foi a reação que percebi entre meus semelhantes, soropositivos. Ao que me parece, um estado de euforia generalizado pela previsão — ou, no máximo, pelo chute — que os cientistas deram de uma possível cura em três anos. Ou melhor, lendo mais atentamente, pela previsão para o começo de testes em humanos dessa abordagem que pode levar à cura. Isso me deixou preocupado porque os soropositivos estão ficando cada vez mais saudáveis, do ponto de vista de sua função imune, mas, na mesma medida em que suas células CD4 aumentam, parece que sua ansiedade cresce junto com seus sentimentos de impaciência. O que é compreensível, afinal, nenhum de nós escolheu ser soropositivo. Mas, talvez, isso seja um sinal de que não só precisamos tomar nossos remédios todos os dias, mas também buscar apoio, tratamento psicológico e, quem sabe, convivência com outros soropositivos.

“Nenhuma pesquisa experimental pode prever o ano em que a cura vai sair.”

Acho que o blog já insistiu muito sobre o estado de incerteza da ciência. O máximo que se pode fazer em um editorial é publicar os avanços e torcer para o melhor acontecer. Além do mais, só podemos contar com o que se publica em nosso tempo. Nenhuma pesquisa experimental pode prever com exatidão o ano em que a cura vai sair. Infelizmente. Às vezes, os homens que fazem ciência acertam, às vezes, não. Por exemplo: grande parte do projeto genoma humano, que teve uma previsão de duração de 15 anos, só foi concluído nos últimos anos do prazo estipulado. Isso porque as novas tecnologias foram viabilizando um crescimento exponencial no sequenciamento de nosso código genético. O que antes era caro e demorado, foi tornando-se mais barato e mais veloz com o passar do tempo. Hoje, se alguém quiser ter seu DNA mapeado vai pagar uma bagatela de 20 mil e poucos dólares, que é quase nada comparado ao orçamento bilionário que foi gasto para se produzir essa tecnologia.

Parece que isso só significa que o estigma continua talvez maior do que o HIV, ou, ainda, que ele causa mais problemas de ansiedade e depressão do que a dose diária de Efavirenz e mais taquicardia emocional do que algum possível estado interno debilitante. Mais impressionante é ver como uma reportagem que diz, basicamente, ‘gente, vai ter uma cura e quero explicar o que acontece com o corpo de vocês enquanto ela não vem’ é recepcionada como se tivéssemos retrocedido no tempo — e, também, como se quiséssemos ficar presos nesse passado, desejosos que o avanço científico se desse em linha reta e contínua, sem qualquer turbulência, trazendo a cura do jeito épico que um dia imaginamos.

AP595

Gostaria muito mesmo de ter podido acompanhar mais de perto o processo de desdobramento da cura da hepatite C, da descoberta do vírus até sua reta final. Gostaria de verificar se isso faz parte de um processo social, no qual a população infectada antevê um avanço científico que vai ter um impacto expressivo na forma de viverem suas vidas, ficando cada vez mais ansiosas a cada passo, a cada descoberta importante que a ciência é capaz de realizar.

Um dia, estava passando o olho pelas notícias e me deparei com uma entrevista com Pamela Anderson, a famosa atriz de seios fartos do seriado Baywatch, infectada pelo vírus da hepatite C por seu ex-marido, Thommy Lee, baterista dos Mötley Crüe, falando como é, aos 50 anos de idade, se ver curada da infecção, a princípio mortal. Impressionante como os processos são similares e de como o relato da atriz sobre a sua cura é a descrição tal qual reside no imaginário de (quase) todo soropositivo. Na entrevista, Pamela diz ter nascido novamente. Em um primeiro momento, nos anos 1990, os médicos haviam dito a ela que viveria uma década e que provavelmente iria morrer de uma fibrose grave no fígado.

Nos anos 2000, os médicos mudaram suas posições e avisaram a atriz que ela iria viver uma vida normal e provavelmente iria morrer de causas naturais. Entre 2013 e 2014, quando saiu o tratamento definitivo, ela se disse livre de um peso. A patogênese dos dois tipos de vírus, da aids e da hepatite, são claramente diferentes, mas é curioso como o processo social no qual o paciente infectado pelo vírus passa se assemelha assustadoramente.

Faço toda essa digressão pra te dizer o quanto eu fiquei mexido pela reação dos leitores do blog, os quais sempre me identifico como semelhantes, soropositivos, tal como eu. É quase como se suas esperanças tivessem sido retiradas à força, e é triste ver alguém sentir isso. Por isso, penso que o apoio farmacológico pode até estar surtindo efeitos, mas o nosso sistema de saúde ainda tem de oferecer um tratamento psicológico muito mais robusto. Realmente gostaria que, enquanto um tratamento definitivo não vem, pudéssemos viver melhor e mais tranquilos. Afinal, já podemos viver assim, não podemos?

Grande abraço,
V.”

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97 comentários

  1. Igor diz

    Tem algum grupo que se pode falar com pessoas na mesma condição?
    Tenho medo de me apaixonar por alguém que não entende!

  2. Gaúcha diz

    Extraordinária essa carta! Parabéns V. !!!
    É exatamente assim que eu penso e é assim que eu lido com relação à minha condição de soropositiva há mais de 10 anos.
    Sonho com a cura do HIV como todos, mas não deixo que isso tome lugar prioritário em minha vida diariamente. Prezo pelo meu bem-estar e não deixo me abalar psicologicamente.
    Depois que passei a entender que o HIV não tomará o curso da minha vida, passe a me sentir melhor!
    Se a cura virá em 10 ou 15 anos? não importa, o que importa é que eu esteja firme e forte para quando este momento chegar!

    Um fraterno abraço à todos.

  3. Bom dia, querido, V.!
    Venho somente externar exatamente a mesma sensação que você teve diante das duas últimas publicações.
    A condição psicológica do soropositivo é bastante frágil e está altamente ligada ao tratamento, portanto, a sensação foi como se tivesse “tirado o doce da boca de uma criança.”

  4. Incrível esse post. Muito bom. Parabéns!
    Infelizmente tem alguns soros que ficam preso na culpa ou mesmo têm o HIV como tema de suas vidas. Em vez de viver o presente ficam focado no passado, ´como seria minha vida se eu não tivesse HIV´? enfim.
    Como lemos no post, o Brasil fornece auxilio medicamentoso, médicos e eq de psicólogos, assistentes sociais, tudo.
    Sobre a cura? Claro que ela vai vir, mas enquanto ela não vem estamos muito bem obrigado!

    Fui diagnosticado a pouco mais de 04 meses e estou fazendo a minha parte – quem tem que saber já sabe, estou me cuidando, passando regularmente com meu médico e acompanhando minha CV, a cura vai vir. Vamos nos preocupar com o presente e viver da melhor forma nossa vida 🙂

  5. Luiz Carlos diz

    Hoje fui retirar minha TARV e…. Ritonavir em falta (eu tomo ATZ/r+TDF+3TC em Curitiba). Previsão de chegada na sexta-feira se tudo der certo, segundo o pessoal da dispensa. Meu médico pediu pra trocar para o Lopinavir/r +TDF+3TC… Estou preocupado em trocar pois estou indo viajar semana que vem :/

  6. Oi Luiz Carlos!

    Sugiro que você mantenha a retirada dos ARVs constante, a cada 20 dias. Desta forma, o problema de falta de medicamento não te afetará porque você sempre terá um frasco de reserva quando for solicitar a próxima receita ao seu médico, já que ela tem validade de 90 dias, mas vc pode retirar os medicamentos em 60 (uma retirada a cada 20 dias).

    Abraço

    • Luiz Carlos diz

      Aqui em curitiba eles permitem 1 semana antes, ou seja, a cada 23 a 24 dias… Eu sempre retirava antes, cheguei a fazer um estoque, mas era na época do Efavirenz. Mudei pra esse esquema há pouco tempo e acabei viajando, então meu estoque ficou lá embaixo. No final das contas meu médico possuía um frasco de Ritonavir guardado, eu voltei na dispensa e retirei só o ATZ e o TDF+3TC, mas já tinham perdido meu prontuário, não encontravam, enfim, dessa vez foi o escambau! Fora que durante a manhã fiquei mais de 1 hora esperando pra retirar…

  7. Alex diz

    Interessante o comparativo com a Hepatite C. Alguém sabe quando surgiu a cura ou qual foi o passo a passo até ela? Como era o início do tratamento, suas implicações, efeitos colaterais, como foi o desenvolvimento do tratamento, etc. Ou mesmo algum link que fale sobre isso? Pesquisei um pouco mas só achei informação sobre a identificação da doença, que se deu em 1989. Gostaria de saber mais.

    Depois do HIV comecei a ver um novo ponto de vista que até então não tinha acesso ou não tinha imaginado, que é como as pessoas com doenças crônicas em geral vivem, não somente quem possui HIV, este sim tem suas peculariedades, mas imagino que diabéticos ou pessoas com doenças degenerativas, por exemplo, também sofrem com questões semelhantes em alguns pontos, o sentimento de “ser diferente” em relação as outras pessoas tidas como “plenamente saudáveis”, dúvidas ou insegurança sobre o futuro, etc. Assim, de alguma forma me identifico com essas pessoas também. Felizmente, bom saber que para o HIV existe alguma perspectiva de que isso possa acabar daqui a alguns anos, quando/se isso ocorrer, talvez terá tido alguma validade ter participado dessa “experiência”.

  8. Ricardo Vasconcelos diz

    Sobre esse assunto eu tenho uma opinião que às vezes incomoda, e já tive que enfrentar pequenas guerras quando falo.

    Eu acho que a cura, apesar de necessária, não deve ser a prioridade no momento em que vivemos.

    Momento em que ainda temos mais de 1 milhão de pessoas se infectando a cada ano.

    O fato de uma DST ter cura não faz com que ela deixe de ser um problema. É só ver a sífilis, que tem cura desde que inventaram a penicilina na década de 40, e estamos vivendo um verdadeiro surto que só cresce nas últimas décadas.

    Acho que uma vez que o soropositivo já pode viver sua vida com saúde e qualidade, a meta deve ser uma prevenção eficaz.

    A urgência é zerar as novas infecções.

    E entenda que quando digo isso não quero nem de longe dizer que é fácil viver com HIV nem que as pesquisas para cura devem ser interrompidas.

    Ao contrário, eu vejo de perto como é ser um soropositivo e todas as dificuldades que isso acarreta.

    Mas acredito que, muito mais que a inflamação crônica, o preconceito fruto de desinformação que existe na cabeça das pessoas é quem torna a vida de uma pessoa que vive com HIV pior.

    Então, colocaria entre as urgências o combate ao estigma da década de 80, que insiste em não se dissipar, mesmo 35 anos depois.

    E aplaudo por isso atitudes e ações como o Projeto Boa Sorte do Gabriel Estrëla e a Projeto de formação de Jovens Lideranças do Ministério da Saúde com seu Programa Nacional de HIV.

    A cura vai chegar, não tenho dúvida. Não sei quando. Mas se isso acontecer num momento igual ao que vivemos agora, vai acabar mais atrapalhando do que ajudando tudo o que temos feito no campo da prevenção.

    E possivelmente seria o motivo de milhares de novas infecções, uma vez que poderia levar ao pensamento: se eu pegar, depois trato.

    Não me odeie, por favor, mas o mundo não está preparado para a cura do HIV.

    Vamos por enquanto continuar o que já sabemos fazer tão bem, cuidando da saúde dos soropositivos. Da física, mas também da mental, que é a parte difícil.

    Ricardo Vasconcelos
    Médico Infectologista

    • Alexandre diz

      Me desculpe, mas esse médico está pensando só no dele. Infeliz!

      • Cezar diz

        Eh claro! E tem gente que cai neste discurso pra boi dormir. Tudo eh grana! Tanta coisa pra fazer na medicina, por que lida com HIV? Ou serah que eh daqueles médicos que não trepam e gozam escutando a putaria dos clientes? Ou seja, goza com pau do outro? Quer ir pro céu?

      • D_Pr diz

        Alexandre, não chegou email nenhum seu…

        Ao Ricardo Vasconcellos:

        Não consigo acreditar no que eu li. É sério isso?

        Uma vez que o soropositivo consegue viver com saúde? Hã? Saúde dependente de medicação? Com efeitos colaterais nocivos e irreversíveis a longo prazo? Impostos pelo ministério da saúde que não libera um tratamento de primeira linha adequado?

        “…Então, colocaria entre as urgências o combate ao estigma da década de 80, que insiste em não se dissipar, mesmo 35 anos depois…” Cara, você quer continuar fazendo a mesma Receita financeira de 35 anos atrás que é ganhando dinheiro a custa dos soropositivos e quer que o preconceito e estigma acabem?

        “…Eu acho que a cura, apesar de necessária, não deve ser a prioridade no momento em que vivemos…” Infelizmente a indústria farmacêutica está com você.

        A cura é uma necessidade, seriam milhões de pessoas continuando suas vidas normalmente, seriam milhões que não morreriam por deixar de se tratar, milhões que estariam menos suscetíveis ao risco de infarto, alguns tipos de cânceres.

        Sua opinião não ME representa e acredito que 90% dos leitores daqui também não. HIV não deveria ser visto como uma concessão de pedágio aos infectologistas com contratos vitalícios e isso é o grande medo de vocês, PERDER A MAMATA e não venha dizer que fica triste com 1 milhão de pessoas se infectando. Se ficasse, desejaria a cura. A meta 90-90-90 é uma das maiores armações já estruturadas e é lógico que você sabe disso.

        E antes que venha o mimimi, não te odeio pela opinião, apenas DISCORDO com todas as forças que eu tenho.

        • Alexandre diz

          Dr. Ricardo, vc já conseguiu o que queria. Seu nome foi dito algumas vezes e está 1% mais famoso. Dr. Ricardo Mané Vasconcelos. kkkkkkkkk! Tentou escrever um texto bonito, sensibilizante, tocante e inspirador, e se fudeu. kkkkkkkkk! Deu tudo errado! kkkkkkkkkkk

      • Esse médico não é humano ele parece que viver em outro planeta vai na real médicpainho de quinta vc não faz noção como essa doença afeta o picicologico de uma pessoa q e humano de verdade que tem força de vontade de vencer e morrer quem sabe de velhice depois de conquistar tudo e ser feliz

    • Verdes Olhos diz

      Não sei quanto a você, Ricardo. Da minha parte, eu estou PREPARADíSSIMO para a cura!
      E existem outras doenças contaminando a população: Zika vírus, Chikungunya etc. Você acha que o mundo está preparado para a cura desses males?

    • Marcelo+ diz

      Fico imaginando esse suposto médico…no seu consultório dizendo aos seus pacientes que o mundo não está preparando para a cura.
      Quando fiquei sabendo da minha condição e quando minha médica disse que eu tinha que começar a tomar a medicação…
      Eu disse doutora vou ter que tomar essa medicação pra vida toda…ela respondeu…claro que não até a cura chegar.
      Neste momento percebi que não estava condenado a morte…Temos que nos cuidar e viver nossas vidas.

    • Alex diz

      Até entendi um pouco o raciocínio apresentado, mas, ele é falho. O que seria uma “população preparada” para uma cura? Pelo raciocínio, seria uma população conscientizada sobre a doença e que se preveni o bastante para não contrair a doença.

      Entretanto, se uma população está se prevenindo o bastante para uma determinada doença e evitando cada vez mais seu contágio, poderia até se dizer que não haveria tanta necessidade de cura, pois seria uma doença que em tese tenderia a ir desaparecendo ou diminuindo. Se for pegar as curas existentes para as demais doenças transmissíveis, como por exemplo, a Hepatite C, quando a cura surgiu, aparentemente a população não estava preparada para ela se for usar esse conceito de preparação. Por esse conceito de preparação talvez nenhuma geração nunca esteve preparada para a cura de uma doença. Pelo contrário, a cura justamente tende a surgir de maneira mais rápida (ou ao menos sua pesquisa) se a doença é cada vez mais persistente.

      Dessa forma, até considerei tentar entender o raciocínio falado, mas, possui essas grandes falhas.

    • Alex diz

      E só para complementar, antes de prosseguir, e usando também sua recomendação inicial “não me odeie, por favor”, mas dessa forma, com esse pensamento, você não está preparado para exercer a medicina. Não desmerecendo os possíveis anos de estudos que vc possa ter, hoje em dia a internet proporciona um grande compartilhamento de informações, o que resulta na possibilidade de que qualquer pessoa com algum interesse e razoável capacidade consiga absorver tanto ou até mais conteúdo que um acadêmico, sem nem mesmo precisar efetivamente cursar a graduação.

      De modo que mais do que o simples conteúdo material, é preciso ter o tato humano para entender e saber utilizar o que se sabe da melhor maneira, senão, será simplesmente um robô aplicando suposto conhecimento.

      • Verdes Olhos diz

        Exatamente, Alex. Na verdade, o mundo não está preparado é para as DOENÇAS, não para a cura delas. O Dr. Ricardo Vasconcelos parte do pressuposto de que a “normalidade” é existirem doenças incuráveis… E quem contraiu uma doença dessas, que “aceite” viver com isso pelo resto da vida. É um argumento com falhas, realmente, meio “sofismático”. Nós podemos utilizar essa linha de raciocínio para praticamente qualquer coisa: “O mundo não está preparado para o fim do terrorismo”, “o mundo não está preparado para o zika vírus”, “o mundo não está preparado para…etc etc”. Afinal de contas: o mundo está preparado para algo? E o que seria “o mundo”?
        Se formos esperar um consenso de cem por cento da população, bom, aí não vai haver avanço nenhum a respeito de nada.
        Outra coisa… Pelo raciocínio a respeito da sífilis e hepatite C – ambas doenças atualmente curáveis -, o Dr. Ricardo acharia mais “eficaz”, como forma de prevenção, que não existissem essas curas? A sífilis já matou muita gente ao longo da história – inclusive muitos artistas célebres em suas épocas, mais ou menos como a aids fez poucas décadas atrás. Será que os sifilíticos de então não esperavam ansiosamente por uma cura? Acho que sim. E será que “o mundo estava preparado” para a cura da sífilis?
        Eu entendo que talvez a intenção do Dr. tenha ficado um pouco distorcida no comentário que ele escreveu, mas acabou passando uma ideia de uma certa verticalização, como se O Médico soubesse o que é melhor para as outras pessoas do mundo.
        Menos, Dr. Menos.

        • Cezar diz

          Perfeito comentário! Se ficar esperando o ‘mundo estar preparado’, nada acontece. Afinal, é impossível estar totalmente preparado. Mas é possível fazer um gerenciamento de risco. Ah, Cezar, então você acha que a industria do HIV vai desaparecer? Não, ela será, sobretudo pós cura, anexada finalmente à Indústria do Sexo que, na verdade, é a única indústria que existe. As outras são subsidiárias da Indústria do Sexo. Estão ao seu serviço. O sexo sempre vence. O tesão não cessa. Ah, os soropositivos estão impacientes? Não, o que vejo é que, finalmente, estão mais questionadores, menos cordeirinhos e forçando uma solução para o caso. HIV não é vírus compatível com o século XXI. Já deu!

          • Verdes Olhos diz

            Concordo, Cezar. A gente NÃO TEM que se contentar em tomar remédios pelo resto da vida, por mais eficazes e – quase – inofensivos que sejam. Mesmo que seja uma mudança nas nossas mentalidades, um descontentamento no sentido de não aceitar o tratamento tal como está, já é um passo importante para mudar o estado das coisas.
            HIV tá caducando. Cai fora, vírus.

    • A cura só não vai ser boa pra você que vai ficar sem emprego!
      Louco!
      Te odeio por isso!
      Fala sério!
      Nem sei porque perdeu tanto tempo escrevendo essa baboseira!

    • Marcelo diz

      Muitas vezes perdemos uma grande chance de ficar calado e de amordaçar nossos pensamentos. Acontece com todo mundo, e aconteceu contigo agora, Dr.

      O que você escreveu tem apenas 1% de coerência, o resto é babaquice mesmo.

    • Ricardo diz

      Sr Ricardo vasconcelos

      Seu comentário foi muito infeliz. O Sr como Médico se esqueceu que além dos antiretrovirais, existe ainda o fator psicológico e todo o preconceito e stigma que ainda envolve a infecção do HIV. O Sr como Médico deveria saber que infelizmente, nem todos os pacientes conseguem tomar suas medicações de forma criteriosa e nos horários previstos. o Sr como Médico, deveria saber que existem pacientes que não tem condições financeiras nem para pagar o transporte público para poder pegar suas medicações. O Sr como Médico deveria saber, que as Medicações, apesar de controlar bem o HIV, ainda causam efeitos colaterais físicos e psicológicos gravíssimos. No meu caso, tomo Efavirenz já faz 3 (três) anos, no qual me causou uma Depressão gravíssima. O Sr como Médico deveria sair um pouco do seu consultório particular e ver a real condição da saúde pública brasileira. Faça o seguinte: A partir de hoje tome todos os dias os antiretrovirais e nos conte depois como é viver tomando medicações que mais cedo ou mais tarde causam efeitos colaterais. Depois faça seus exames e veja como vai estar seu lipidograma, glicemia, enzimas hepáticas, etc… sendo obrigado a fazer uma dieta por resto da vida para pelo menos para evitar uma menor alteração dos exames de rotina. Depois de passar por tudo isso, o Sr volte para fazer algum tipo de comentário. É muito fácil estar do outro lado da mesa, né mesmo?

  9. Anderl diz

    Diagnosticado desde agosto venho fazendo minha parte,porém minha vida não tem sido muito fácil após esta descoberta pois não tenho forças e ou coragem para dividir com alguém este acontecimento,nem amigos nem mesmo um familiar.
    Gostaria de saber se há algum grupo sobre este assunto entre outras coisas,não me vejo relacionado com pessoas soronegativas pois não tenho coragem de expor essa situação.

  10. Juli diz

    Esse mês faz 1 ano q descobri o meu diagnóstico,posso dizer q tenho meus altos e baixos como qualquer pessoa,tenho bons momentos e tbm tenho momentos ruins,mas meus momentos ruins vem bem antes de eu descobrir minha condição. Hoje parece q vivo melhor,trabalho com alegria,vou a igreja com imensa felicidade em saber q tem um Deus q me sustenta,curto muito os meus filhos e raramente me lembro q tenho o “bichinho”. Excelente texto,parabéns e muito obrigada!

  11. luana diz

    jovem,faça um texto sobre sorodiscordantes querendo um filho! pois quero ter um

  12. Ricardo diz

    Concordo em gênero,numero,grau e sentimentos………..excelente texto!

  13. RecentWave diz

    Ontem comecei a ler os comentários e me deparei com esta impaciência a respeito da cura e também no julgamento ao JS em relação aos textos que ele posta. Confesso que parei de ler tais comentários, pois achei aquilo tudo muito surreal. Fiquei muito triste com o julgamento que fizeram aqui sobre o JS. O rapaz se dispõe a fazer um canal de comunicação que ajuda a muitas pessoas, se dispõe a preparar reportagens e abordagens distintas sobre um tema que afeta a todos nós e é julgado por isso. Onde está o discernimento destes que o julgaram?
    Quando leio os temas borbulhantes do momento sobre política, já parto de convicções próprias, de experiências próprias, de materiais que leio a respeito do mesmo tema. Procuro me informar lendo desde a Carta Capital, Isto É, Veja (estas 3 me dão preguiça), Estadão, Uol, Folha, Jornal o Globo, Estado de Minas, Correio Braziliense, Gazeta. Assisto desde o Jornal Nacional, Roda Viva, Jornal da Band, do SBT, da Record. Ouço a Band News, a CBN… Sem contar as minhas experiências acadêmicas, meu conhecimento sobre história, sociologia, antropologia, história política. Sim, eu já Li “Casa Grande e Senzala” do Gilberto Freyre, e dele extrai tudo que achei relevante para a minha formação enquanto estudante (na época) e principalmente enquanto pessoa.
    Abri este parenteses para dizer que nossas experiências e nosso conhecimento é o que nos faz pessoas capazes de discernir o que devemos julgar como certo ou como errado. Se apoio a direita ou a esquerda é somente um detalhe. Devemos apoiar nossas convicções nas contradições, pois nenhuma unanimidade é capaz de esclarecer um todo. No momento em que o JS posta reportagens, visões opostas em relação a algo que nos permeia, ele o faz de acordo com o direito de informar. Como vamos receber estas reportagens já é outro papo. A revolta de quem o julgou por postar temas contraditórios só denota o que falaram aqui nesta carta do leitor, que a pessoa não está preparada emocionalmente para lidar com estas contradições. Pode ser que estes estejam sendo bem tratados com remédios, mas o emocional não esteja lá grandes coisas, pois estes culpam o JS talvez por suas frustrações e por ele não dizer o que eles queriam escutar.

  14. Matheus diz

    Lamentável ver um médico infectologista comentar que não estamos preparados para a cura…se vc tem uma doença Dr. qual é o seu primeiro desejo? Ser curado não é mesmo?Ou vc prefere ficar em tratamento o resto da vida? Ou a sua lógica é se vier a cura vai aumentar o número de infecções…faça-me o favor né…Dr. mesmo que vc não acredite na cura(ou prefere que ela não chegue logo) não tire a esperança das pessoas, guarde sua opinião só pra si se vc ver que vai machucar o outro…

  15. Matheus diz

    E em relação aos comentários sobre o JS…ele é uma pessoa que eu não o conheço mais q me ajudou muito mais que amigos e familiares,me fez um bem enorme e vem fazendo sem ganhar nada em troca…e espero que ele não desista desse trabalho lindo q ele faz,pq eu tenho certeza que o número de pessoas que ele ajuda com esse site é muito maior q esses que os questionam,muito obrigado JS!

  16. Gil diz

    Só pela doença AIDS ainda ser associada á doença adquirida por sexo, “doença de gay”, “doença de puta”, só pela AIDS não ser dissociada do HIV, só por sermos julgados se revelarmos (e já não escondo mais de ninguém, se entro no assunto, comento, como se dissesse a outro que sou diabético e pronto…falei!) a sorologia, já é um motivo para querermos nos curar…
    Fora que ela ameaça a saúde com um sofrimento horroroso e viver esta possibilidade assusta muito a quem está infectado, já é motivo para buscar a cura.
    Fora ainda que há os males, além desse estigma, há ainda o desejo de reverter o que não se consegue… Entendo o ponto de vista do médico acima. Acho que, do ponto de vista coletivo, o mundo não está preparado, mesmo. Mas do ponto de vista de cada, um, de cada angústia, precisamos da cura, sim. Mas não podemos viver achando que só veremos as cores da vida se tivermos o antídoto… o médico foi, a meu ver, incompleto na sua forma de expor.
    E sendo médico, a incomplitude é arriscada, ineficaz e mexe com nosso íntimo.

  17. Marcoz diz

    Gente não mudando de assunto… E esse grupo no kik? Eu até já pedi pro “hopealways” me add… Mas nada ainda. Haveria outro caminho?

  18. Juka diz

    Esse ridículo “médico” deve ser contra o impeachment de Dilma. Kkkkk

  19. Ricardo Vasconcelos diz

    Eu trabalho com HIV e prevenção há bastante tempo, e acompanho o trabalho do JS de perto.
    Nunca tinha comentado nada aqui, e só o fiz a pedido do próprio JS.
    Fiquei assustado com a reação a uma opinião diferente da maioria, mas acredito que era isso mesmo que ele queria.

    Uma pessoa não é ridícula por pensar diferente da maioria.
    Leiam o que escrevi mais 10 vezes e verão que não estou acabando com o sonho nem desejando o mal para ninguém.
    Muito menos estou “pensando só no meu”, ou querendo “ficar riquinho”.
    Ao contrário, tenho a opinião de quem trabalha com prevenção do HIV, e por isso estou pensando na maioria da população.
    Pensem que existe muito mais gente vulnerável ao HIV no mundo do que gente já vivendo com HIV.
    Diferente do que foi escrito aí em cima, a epidemia está longe de acabar. Todos os anos ainda temos em torno de 40.000 novos casos diagnosticados no Brasil, e entre os mais jovens esse número triplicou nos últimos 10 anos.
    Por outro lado, as mortes por HIV praticamente desapareceram desde a década de 90 entre aqueles que fazem seu acompanhamento e tratamento corretamente.
    Isso mostra que aprendemos a controlar a doença em quem já se infectou, mas não aprendemos ainda a controlar a epidemia.

    Está “pensando só no seu” a pessoa que acha que é mais importante que se descubra uma cura para ela do que o controle da doença em nível populacional.

    O exemplo da Hepatite C é bom e é ruim nessa comparação.
    É ruim porque tem transmissibilidade por via sexual menor que o HIV.
    É bom por que já tem cura desde o final dos anos 90, sendo que nos últimos anos foram desenvolvidas novas drogas que aumentam e muito as taxas de sucesso pós tratamento. Elas custam o olho da cara.
    E vejam só, novas drogas que foram desenvolvidas pela indústria farmacêutica, aquela mesmo que segundo alguns parece ser o diabo na terra.
    Exato! A indústria farmacêutica também lucrará, e muito, com o desenvolvimento de uma estratégia de cura para o HIV.
    Mas, paralelo a isso, acredito que a Hepatite C é um bom exemplo para o que estou querendo falar pois está nos mostrando o que acontece com uma cura plantada num mundo com prevenção falha: o problema não é resolvido.
    Um trabalho apresentado numa conferência recentemente mostrou que entre os mais vulneráveis à Hepatite C, após o tratamento e cura utilizando as novas (e caríssimas) drogas houve re-infecção em 25% dos pacientes.
    Isso mesmo. Um quarto dos curados voltaram a se infectar com vírus por continuarem não usando estratégias de prevenção adequadas.

    Já dei dois exemplos concretos e que já aconteceram do que estou querendo falar sobre a cura do HIV. Primeiro a Sífilis, que já tem cura desde a década de 40 e agora está na sua maior epidemia da história, e agora a Hepatite C.
    Então antes de me desrespeitar e desqualificar, procurem entender que não estou falando besteira.

    Eu também quero que a cura chegue para meus pacientes e para todos que vivem as dificuldades de ser um soropositivo.
    Mas precisamos arrumar a casa e a cabeça para que as coisas não tomem rumos não desejados.

    • Entendo seu ponto de vista, Doutor. E também o respeito.

      O afrouxamento na prevenção de novos casos com certeza vai acontecer, não só pela Hepatite C, como a Sífilis, como outras doenças sexualmente transmissíveis, inclusive o HIV.

      Concordo que haverão novas re-infeccoes e também novos gastos aos cofres públicos, mas, com todo o respeito, o que pegou mal não sua colocação foi o “não estar preparado” para a cura.

      Realmente, pode ser que não estejamos mesmo e tudo o que foi dito acima possa realmente acontecer. Mas, estamos lidando com enfrentamentos individuais de cada pessoa aqui, de cada família. E muitas pessoas sonham com o dia do anúncio dessa cura para se libertar da prisão interna que se submeteram. Se voltar a sorrir livremente, de não mais ter medo de ser rejeitado por um vírus que hoje está controlado e que não contaminará mais ninguém enquanto tivermos 100% de adesão ao nosso tratamento.

      Também respeito sua opinião, mas quando vemos um médico não botando fé que a cura trará esse alívio particular a cada pessoa aqui, é como perder fé nos profissionais que buscamos não só por seu arsenal técnico e profissional. Mas pelo amparo, pelo envolvimento e pela empatia dessa luta estigmatizante.

      Minha médica, Dra Raquel Muarrek que você já deve conhecer, sempre reforça que o papel dela é propiciar o melhor a mim no quesito clínico e que fará o seu melhor para que eu tenha uma vida completamente normal. Os demais profissionais que me assistem, como psicólogos, nutricionistas, endócrinos somam seus esforços naquilo que lhes competem para que minha vida continue sempre avante.

      Então, o que muitas pessoas aqui pedem é apenas uma forma de se confortarem. De buscarem um alívio pautado em trabalhos cientificos, informações e acima de tudo de companheirismo.

      Não te odiamos pela sua opinião. Não estamos aqui para isso. Só buscamos mais humanidade com cada dor particular que está aqui.

      Continuo te admirando pelo profissional que é. Adoro seus textos no AA. Um forte abraço.

    • Cezar diz

      Liberdade é uma pessoa não ser obrigada a ficar presa a uma indústria (como acontece atualmente com quem contrai o HIV), ter liberdade de escolha se entra ou sai, logo seu raciocínio eh tacanho e não me surpreende. Muitos infectos pensam desta maneira. A indústria vai lucrar com a cura, mas lucra muito mais com a doença crônica, pois existem a indústria secundária, terciária e assim vai. Você é muito ingênuo de achar que vai zerar novos casos de infecção. Isso é impossível, Nirvana não existe. Desconhece completamente o modo de funcionamento mental da espécie humana. A entropia, meu caro, sempre aumenta. Vah estudar Fisica, pois estah precisando. Antes de cuidar da saúde mental dos seus pacientes, eh bom cuidar da sua, porque está falando muita bobagem. Como foi falado acima, no fundo, não quer perder a mamata. Next!

    • Prezado Dr. Ricardo, respeito seu ponto de vista, mas discordo dele veementemente.
      É que se adotarmos seu raciocínio nunca estaremos prontos para a cura do HIV, simplesmente porque a falha humana sempre vai ocorrer. Não existe ninguém que vá usar preservativos em todos os atos sexuais, isso é impossível, já temos prova suficiente disso. Basta vermos o número de novas infecções que acontecem todo o ano e todas as pessoas novas, recém diagnosticadas, que aparecem neste blog a todo momento.
      Então, o fator prevenção já se mostrou ineficiente para controlar a propagação do vírus (e de outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis, por exemplo). Precisamo, isso sim, mais do que nunca, a cura para esse mal, que muito mais do que os nossos corpos, aflige as nossas almas, infelizmente.

      Um abraço a todos.

    • Pedro diz

      Pois, doutor! Eu venderia meu carro e pagaria o que for por essa cura se fosse possível, mesmo vivendo bem e entendendo também seu ponto de vista.

    • Fabio diz

      É preciso ser muito asqueroso pra vir sustentar para um grupo de HIVs positivos que a sociedade atual não está preparada para a cura do vírus, utilizando-se para tal de argumentos tão patéticos. Dizer que a sífilis hoje é curável e que enfrentamos atualmente uma das maiores epidemias da doença é um non sequitur, mesmo porque, logo após a descoberta da cura, na década de quarenta, houve expressiva redução no número de casos da doença, em virtude da larga disponibilização de penicilina realizada então. Hoje, grande parte dos especialistas percebe o agravamento da epidemia no Brasil pela redução no uso de preservativos, isso no mesmo contexto em que enfrentamos o HIV, incurável e também transmissível por sexo sem o uso de preservativos, portanto, não venha me insinuar que é a possibilidade de cura da sífilis que deixou as pessoas mais negligentes em relação à prevenção. Ainda mais se considerarmos inúmeros fatores, que, longe de posicionarem o tratamento e a cura de sífilis como fator contributivo para o alastramento da doença, poderiam sim, se corretamente compreendidos, situar a apontada cura como um elemento agregador na possibilidade de redução drástica dos casos de contaminação. Da mesma forma, a cura do HIV seria um avanço tremendo na contenção da doença, não só pela possibilidade de quebrar encadeamentos de transmissão, mas em muito mais que isso. A cura do vírus suscita o desenvolvimento de um conhecimento científico que se agrega ao desenvolvimento de um vacina preventiva, na medida em que envolve o aprofundamento da compreensão do “comportamento” virológico no organismo humano. E daí que a cura possa surgir excessivamente cara e pouco acessível à maioria, se esse é o primeiro e inevitável passo para que posteriormente se torne mais e mais acessível. Tenho certeza que muitos venderiam até a casa em que moram pela cura. O outro paralelo estabelecido, com o vírus da hepatite C foi tão estapafúrdio e vindo de alguém que inspira tão pouca credibilidade até gostaria das fontes que apontam a reinfecção nas porcentagens apontadas e o porque de tais fatos, se teriam realmente qualquer ligação com a possibilidade de cura. O triste é pensar que exista esse tipo de mentalidade no meio de infectologistas, o que certamente configura um ambiente retrógrado e de demência tal que se contrapõe ao contexto adequado para que a ciência avance a passos mais largos. Enfim, encerrar a mensagem com o recado “não me odeiem” é tão grotesco que chega a ser engraçado, não parece um médico falando, parece um troll sacaneando com a gente, as vezes chego a me perguntar se de fato não é isso. Aceitar numa boa e respeitar que um porco nojento desses venha sustentar um posicionamento tão radical com supedâneo em argumentos absolutamente estapafúrdios? Não vou mesmo.

  20. Marcelo+ diz

    Senhor Ricardo Vasconcelos…realmente a doença é tratável porém falta informação existe um preconceito grande da população em geral inclusive dos profissionais da saúde.
    Também sou da área da saúde…trabalho no hospital referência em doenças infecciosas e meus colegas preferem atender pacientes com outras infecções.
    Não vivo em função da cura…porém quero uma cura que venha daqui a 3..5…10 anos.
    Acho que todos nós merecemos…no meu caso fico angustiado toda vez que chega algum paciente não diagnosticado com suspeita de tb ou h1n1 enfim.
    Não é fácil viver assim porém só quem vive com essa doença sabe nossa luta.
    Vamos nos cuidar e esperar por dias melhores.

  21. Maxwell diz

    É tão difícil entender que o MAIOR problema do HIV para o soropositivo não está relacionado ao tratamento em si (que é chato, mas seguimos) mas o ESTIGMA que ser soropositivo nos carrega? O preconceito que ele traz à nossa vida e que faz muitos questionarem seu futuro por conta da discriminação? A cura vem em si mas para acalantar o coração de muitos e dá um alívio pra cabeça dos soropositivos.

  22. Rod diz

    Espero não ser mal interpretado, mas a minha ansiedade pela cura visa mais o social do que o fisiológico. Descobri minha sorologia em um exame de rotina há 1 ano, nada motivado por um mal estar ou algo mais sério. Fui ao médico e, mesmo com o CD4 alto (em torno de 800), comecei logo com a TARV e não tive nenhum efeito adverso. Acho que isso ajudou com que a infecção parecesse pra mim algo ainda distante no que tange à minha saúde. Agora, já não posso dizer o mesmo sobre minhas angústias sociais. Desde que descobri, não consigo (ou não me permito) me envolver com mais ninguém, ora por não estar pronto pra contar para outras pessoas, ora por não estar pronto pra sofrer uma rejeição de alguém que, infelizmente, ainda possa ser mal esclarecido (mesmo quase completando 30 anos, ainda tem muita coisa pra qual a vida não nos prepara). Anseio pela cura, como se isso fosse trazer de volta o meu Eu antigo, que no meio de muitas risadas, não inventava uma desculpa pra ir embora da roda de amigos quando percebia que algum novo membro estava começando a se interessar, e tal interesse era mútuo, ou que não olhava os mais diversos e intensos romances da ficção como algo agora mais distante do que o ex-ex-planeta, Plutão; ou que não evitava de se arrumar pra sair, tentando ser invisível pra não precisar fugir de alguma abordagem, ou, ainda, que não precisava enrolar os antigos e duradouros amigos, insistentes em apresentar novos amigos para que você saia do seu novo status de “encalhado”. Uma vida normal, saudável, com amigos e carreira não conseguem, a meu ver, compensar essas frustrações que ainda mexem conosco enquanto nossa condição ainda é guardada “em uma caixa que está dentro de muitas outras caixas (by ‘Tá no Ar: a TV na TV!’)”. Seja pro corpo ou pra alma, pra mente ou pro coração, respeitando as opiniões de cada um, acho que todos queremos que essa cura chegue logo, pois onde quer a dor atinja, ela sempre dói.

    • Well-Sp diz

      Nossa, descobri na semana passada minha situação tbm em um exame de rotina (fui acompanhar um amigo), e não estou com medo dos efeitos da doença no físico, mas temo pelo social e pelo social… A situação que você aponta em seu comentário mostra bem o que me aguarda no futuro…

      Sei que não vai ser fácil, estou no auge dos meus 24 anos, mas tentarei sobreviver… Quem saiba consiga esperar pela cura…

      Obrigado…

  23. Well-Sp diz

    Bom, hoje tive a confirmação do meu diagnóstico… Ainda não sei o que pensar, não comentei a ninguém e nem pretendo comentar… Não sinto medo por minha saúde, já li diversas informações, muitas encontradas aqui neste blog, e sei que se eu manter uma luta constante ficarei bem… Sinto vergonha por ter sido infectado, sinto raiva de mim mesmo por ter causado este grande mal, sinto medo de mesmo sem querer transmitir para terceiros, sinto medo da solidão, da rejeição e de tantas outras coisas que não me prolongarei para não me desanimar mais ainda…

    Ainda não comecei no coquetel, tenho muitos exames para fazer e só daqui a um mês voltarei a ver meu médico… Gostaria de ter mais algumas informações, conversar com pessoas que já estiveram ou estão passando pela mesma situação, pq ainda não tenho coragem de conversar com as pessoas mais próximas de mim sobre este assunto…

    Vi que há um grupo no kik, ainda não tenho este aplicativo, mas vou providenciar e deixar aqui meu link…

    Desde já muito obrigado a todos…

    • Well-Sp diz

      O meu user no kik é bewells91… Por favor, se alguém quiser conversar…

    • Gil diz

      OLÁ WELL
      Creio que todos nós passamos por este momento e pelos mesmos sentimentos e incertezas.
      Fique calmo, você não vai morrer e nem adoecer de AIDS. Não vai desfigurar, não vai mudar seu jeito. E se mudar, será para uma pessoa melhor ainda, mais observadora das coisas boas da vida, vai conseguir refletir mais, pensar mais sobre si e sua vida. Ainda vai ter vergonha, vai sentir o estigma, vai lidar com preconceito e ignorância, vai sentir medo de acabar medicação e o governo não repor…
      Mas você superará e, quando estiveres mais acostumado à vida seguir normal com um vírus inerte em seu corpo, eis que você usará medicações com menos riscos, usará medicações cada vez mais espaçadas entre as doses e, sem dúvida alguma, ainda sem sentir o peso de efeitos a longo prazo, você verá que a cura chegou.
      Agora é se tratar, fazer exames, cuidar da alimentação, se beber, usar menos bebia alcoólica ainda, fazer esportes, dormir bem, rir, ter amigos, fazer planos. Ou seja, busque o equilíbrio.
      Vá com calma, não se vitimize, não se condene: perdoe-se.
      Tudo vai correr bem e este vírus ficará lá, quietinho, até que alguém descubra como ele morre de vez. SUCESSO, ALEGRIA, SAÚDE E PAZ!

      • Positividade de Luz diz

        Nossa Gil,não te conheço cara,mas sinto como se fossemos grandes amigos,vc me parece ser um cara que emana uma luz tão forte,intensa e bonita!!!
        Parabéns querido por sempre acolher os novatos se assim podemos dizer né,eu ja estou em tratamento cerca de 11 meses super bem graças á Deus e sempre vivendo um dia de cada vez,afinal é vida que segue,mesmo com as intempéries da mesma,afinal todos seres humanos tem seus problemas para enfrentar e suas felicidades para se deleitar tmb!!!!
        Abração Gil à vc e à todos desse blog que sempre acompanho desde que me descobri com uma nova chance de viver minha realidade da forma mais natural possivel!!!

  24. Ombro Amigo diz

    Eu estava refletindo sobre a impaciência da cura depois que vi um documentário sobre o ator Rock Hudson. Quando ele morreu [1985] era tudo muito nebuloso, os cientistas não viam uma luz no fim do túnel. Se tentava de tudo, sem sucesso…eis que veio o AZT, que foi uma decepção inicial pelo tratamento agressivo…

    Podemos dizer com certeza que os anos 80 foram quase totalmente perdidos, mas a década seguinte começou a dar os primeiros frutos: o surgimento de ARVs cada vez mais aperfeiçoados, até chegarmos no coquetel em 1995-96, que representou a possibilidade de sobreviver aquela doença, que já aterrorizava há 15 anos!

    Aos trancos e barrancos, já se passaram 35 anos do surgimento da AIDS e 20 anos do surgimento do coquetel. Não é possível que, ao vermos a evolução cada vez mais rápida dos ARVs, não possamos vislumbrar um final feliz nessa sinfonia de horror que já dura tantos! E o mais importante, acabarmos com o estigma oitentista dos portadores de HIV.

    • É, o estigma dos 80’s é mesmo para f. Alô, alô produtores, façam filmes de agora. Tipo Soropositivo 2016 – A Missão. Bem que podia ser um filme de ação mesmo, com um cara atlético quebrando tudo, mas que no fim do dia toma medicação. Alguém conhece algum filme que retrate a vida de um sp hoje? Eis o listão “atual” que me vem a mente: Clube de Compras de Dallas, California, As Testemunhas, Filadélfia e Forrest Gump. Isso que não estou incluindo os filmes biográficos como Cazuza e Before Night Falls. Todos são do início da epidemia! Gostei de todos eles, mas… dificultam a nossa vida na hora de contar para um leigo. Concordo contigo, avançou depressa e oxalá continuará progredindo. Temos o dever de ter esperança. Abraço, tudo de bom!

  25. Neófito diz

    Pessoal, fiz um perfil no Kik, alguém poderia me incluir no grupo de discussão de lá?
    Meu nick é: fbny1000
    Muito obrigado!
    Paz a todos…

  26. Mas que comentário mesquinha, medilcre desse médico.
    Assim como teve reinfecção da Hepatite C, mas que pelo menos tem remédio pra curar-se de novo.
    Também prefiro que aconteça o mesmo com HIV, que tenha reinfecção mas tenha remédio para cirar-se novamente

  27. ss diz

    Boa tarde pessoal eu sempre peço a Deus pra ele permitir que algum cientista descubra logo a cura do hiv não e pra mim pois não tenho a doença pelo menos meus exames e sempre negativo .mais e pelas pessoas que estão infectadas.e agora esse medico comentou isso fiquei muito triste porque eu aqui torcendo .todos os dias eu peço a Deus pela a cura .nao tou pedindo pelos que não tem. Pois eles não sofrem . Eu quero sim ver pela televisão ou pela rede social que encontraram a cura pra mim vai ser uma grande vitoria .vou sim continuar pedindo a Deus pela cura .porque eu não sou egoísta penso tbem no ser humano ..independente se isso vai causar impacto em quem ainda nem esta doente. Bjs estou aqui na torcida. Que a curavemlogo.

  28. Paulo Roberto diz

    Só passei aqui para registrar o meu NOJO ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, que não vai depositar os pagamentos dos inativos este mês.
    Fiquei sem pagamento. O que mais falta acontecer?
    No mais, estou sumido porque estou resolvendo uma série de coisas. Mas fico feliz de ver que todos estão bem e focados em se manter saudáveis, sem jamais perder a esperança de uma cura para breve.
    Bjus a todos
    Paulo Roberto – indignado com o PT e com o PMDB, que quebraram definitivamente o Brasil.

  29. Blue diz

    Tô muito triste, não sei nem o que falar, explicar o sentimento que tem dentro de mim agora… É a pior fase da minha vida. Não tenho saído de casa, me isolei de tudo e de todos, tô muito mal, e ainda tem gente já falando sobre a minha vida, especulando coisas. Não consigo lidar. Nunca na minha vida achei que passaria por uma coisa dessas, sou muito novo pra ter esse “bombardeio” todo. Parei a escola no meu último ano, parei de sair, só fico no meu quarto… Nem chorar eu choro mais, porque sei que não vai adiantar de nada agora, mas é horrível isso que tá acontecendo, parece um pesadelo, não desejo para ninguém.

    Sei que tem pessoas com problemas mais sérios, mas só queria desabafar, e desculpa qualquer coisa.
    Obrigado

    • Blue, é normal sentir-se assim, não se sinta culpado por isso. Já temos problemas demais e a tristeza só vai piorar as coisas. Também estou atônita, descobri ontem. Sofro de depressão crônica, o que estás dizendo bate com quadro depressivo. Não sou da área da saúde, mas seria legal procurares um terapeuta, vai te ajudar bastante ter com quem conversar. Eu chamava o dia da terapia de dia de confessionário. Ele tinha me dado alta, mas agora com tudo isso pretendo voltar. Vale muito a pena. Melhoras para ti. Se quiser conversar meu mail é ametn29@gmail.com

  30. ss diz

    Blue não fique assim vce tem que pedir muita força a Deus .tem muita gente passando por isso tbem .procure ajuda das pessoas aqui . Não fique no quarto pensando so nisso .volta a estudar .sai faça exercício não precisa vce falar pra ninguém ..levanta a cabeça vce ainda tem muito pra fazer nessa vida .nao desanime .Deus vai te ajudar .tenha fe se vce quiser conversar .sandra 8747@hotmail.com

  31. LV Antônio diz

    Pessoal quero tanto conversar desabafar, meu namorado me culpa por ele estar soro antes mesmo de saber o resultado.

    Ele fez pep e está negativo, mas o pessoal do cta pediu mais 60 dias para confirmar (protocolo) mas ele está muito depressivo, assim como eu.

    Meu kik é lvantonio – me add nos grupos tb!

    Abs

  32. Grão da Noite diz

    Não cheguei a sofrer a ansiedade pela cura. Claro que quero muito que ela aconteça, mas não é um assunto em que penso muito. E percebo que quanto mais o tempo passa, e mais a TARV vai se incorporando a minha rotina e se tornando automática, menos penso no assunto, embora não a deseje menos por vir diminuindo a frequência com que penso nela. Talvez a cura não me deixe ansioso porque vi meu pai tomando remédio pra uma coisa ou outra durante anos. Era remédio pra isso, remédio pra aquilo… Precisou inclusive fazer tratamento pra hanseniase. Ele morreu ano passado com 83 anos, mas, até chegar o dia de ele ir, tomou seus remédios para os males crônicos de que sofria. Minha mãe está com 72 anos e também toma remédio pra uma coisa ou outra faz tempo. Meu irmão mais velho, que tem 53 anos, também já toma seus comprimidos (não, ele não tem HIV). Então não tenho nada contra tomar remédios. Acabei me acostumando com eles em razão da rotina de pessoas muito próximas. Claro que viver sem eles seria melhor, mas acho que, quanto mais o tempo passa, mais eles vão se tornando frequentes na vida de muita gente, e foi essa uma das razões por que a expectativa de vida da humanidade subiu, continua subindo e vai subir ainda mais. Acho que a ansiedade pela cura existe porque a necessidade dos remédios abala nossa ilusão de controle. A gente se ilude muito sobre a extensão do que podemos controlar. Mas, quanda a gente pára pra pensar, vê que controla tão pouca coisa na vida (e a morte a gente não controla nem um pouco)… Controlamos pouco até a nós mesmos. Não foi por falta de informação que acabei pegando HIV. Foi porque sou freudiano e não cartesiano; foi porque minha mente consciente é só a ponta do iceberg de uma grande montanha oculta até de mim mesmo em sua maior parte. Enfim, sou mais irracional e ilógico do que racional e lógico, e só me resta aprender a aceitar isso. Claro que tenho livre-arbítrio e responsabilidade por muita coisa. Mas não na extensão em que me iludo. E o HIV fez-me me desiludir um pouco mais. E essa desilusão me tornou mais tolerante e empático com muita coisa e com muita gente. Me adocicou um pouco. Melhor do que entender que tenho pouco controle sobre quase tudo é sentir isso. Nesse ponto o HIV vem me proporcionando um aprendizado inestimável.

  33. Beto diz

    Vou passar com o Dr. Ricardo no mes de março, aluem já teve algum contato como medico com ele, eu li a reportagem dele confesso que fiquei meio triste, mas o meu psicologo falou muito bem dele. alquqem pode falar algo dele?

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