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Antirretroviral de ação prolongada pode mudar tudo


Aidsmap

Um antirretroviral experimental, que mantém os níveis de medicamentos capazes de inibir o HIV até seis meses após sua administração, pode representar uma “mudança de paradigma” no tratamento para o HIV e na profilaxia, de acordo com pesquisa apresentada na Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI 2016) em Boston, Estados Unidos.

Uma única dose oral do MK-8591 suprimiu a carga viral do vírus da imunodeficiência símia (SIV) em macacos e se manteve eficaz uma semana após a administração. Os pesquisadores também avaliaram uma dose oral do fármaco em indivíduos soronegativos e encontraram que níveis celulares suficientes para inibir o HIV foram mantidos a longo prazo. Resultados de pesquisa preliminar envolvendo pessoas com HIV também foram encorajadores. Uma formulação injetada da droga alcançou excelentes níveis celulares por mais de seis meses, quando administrado a roedores.

O desenvolvimento de agentes antirretrovirais que requerem dosagem menos frequente têm o potencial de melhorar a adesão tanto ao tratamento de HIV como ao uso de medicamentos anti-HIV como prevenção. O MK-8591 é um inibidor nucleosídeo da transcriptase reversa em fase inicial de desenvolvimento. As propriedades do fármaco sugerem que ele tem persistência prolongada em células mononucleares do sangue periférico e nos macrófagos. Estudos laboratoriais mostraram que tais células foram protegidas da infecção pelo HIV, mesmo na ausência de exposição contínua ao antirretroviral.

Os pesquisadores agora apresentaram os resultados de um estudo em que infectados macacos rhesus infectados com SIV receberam a terapia de MK-8591 por via oral semanalmente, com doses variando entre 1,3 a 18.2mg/kg. A carga viral do plasma sanguíneo foi medida por meio de pré-dosagem 42 dias após a administração do medicamento. As concentrações de MK-8591 também foram avaliadas neste período. Os pesquisadores utilizaram os resultados do estudo com animais para seleccionar uma dose oral uma vez por semana para avaliação em pessoas soronegativas.

A carga viral basal de SIV nos macacos foi de 106 a 108 cópias/ml. Após administração de MK-8591, macacos rhesus com uma carga viral abaixo de 108 cópias/ml experimentaram uma queda de até 2 log na carga viral, com supressão sustentada por pelo menos sete dias. As concentrações do agente sob investigação em células mononucleares do sangue periférico foram de 0.53pml/106 ou acima estavam associadas à quedas máximas na carga viral, uma semana após a administração.

APASL4

No estudo envolvendo indivíduos soronegativos, as doses de 10 mg foram capazes de alcançar níveis ideais de medicamento, necessário para a supressão viral prolongada. O medicamento foi bem tolerado. Os pesquisadores também apresentaram dados de um estudo clínico inicial envolvendo pessoas com HIV. Estes mostraram que uma única dose oral de 10 mg resultou numa queda de 1,6 log na carga viral por sete a dez dias. Os níveis de medicamento intracelular eram bons e não havia sinais de resistência.

A fórmula de ação prolongada injetável de MK-8591 teve liberação contínua e prolongada do medicamento em roedores. Os níveis no plasma sanguíneo foram semelhantes aos observados em macacos e em seres humanos, com a libertação do fármaco durante um período superior a seis meses.

Os pesquisadores acreditam que estes resultados mostram potencial para administração oral semanal de MK-8591. “A formulação de MK-8591 parentérico por via oral e de ação prolongada com potencial de seis meses ou mais de duração representa uma possível mudança de paradigma para um único agente de prevenção da infecção pelo HIV ou como um componente de um regime de dosagem prolongada para o tratamento do HIV”, concluem os pesquisadores. A pesquisa em curso sugere que uma dose única pode ser capaz de atingir concentrações eficazes durante até um ano.

Por Michael Carter em 1º de abril de 2016 para Aidsmap.

Referências: Grobler J et al. Long-acting oral and parenteral dosing of MK-8591 for HIV treatment or prophylaxis. Conference on Retroviruses and Opportunistic infections, abstract 98, 2016. Veja o resumo no site da conferência. Veja o webcast da sessão no site da conferência.
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57 comentários

  1. Marc diz

    Estudar é fascinante, ainda mais quando pessoas seriamente se dedicam a isso. Desejo que a cura completa seja encontrada.

  2. Matheus diz

    Agora sim um estudo que não fica com desvaneios…teste em humanos por via oral com eficácia de 7 a 10 dias e teste em roedores por via parenteral com 6 meses de eficácia…que venha a monoterapia injetável de longa duração!

  3. Caio diz

    Os arvs com ação prolongada vai ajudar as pessoas a esconderem melhor sua condição soropositiva. A pessoa fica indetectável por um grande tempo e não corre o risco do namorado (a) sorodiscordante descobrir os remédios que a pessoa usa e poderão guardar o segredo pra si próprio sem se preocupar ter que passar por uma possível rejeição causada pelo preconceito do parceiro que não conhece muito sobre a doença.
    Sem contar claro, a aderência à medicação que vai ser muito melhor.

      • Alexandre diz

        Idiota porra nenhuma. Roberto, vc pode ser (duvido) 1 em 1 milhão que conta a condição para Deus e o mundo. Mas a grande maioria esconde de quase todos os que o rodeiam. O comentário do Caio foi prático, não foi demagogo como vários aqui. Resumindo, comentário idiota foi o seu, Roberto.

    • Hiago diz

      Isso mesmo, canso de ter que ir em casa de familiares e ter que me preocupar em alguém ver os remédios, ou receber visitas e ter que esconder os remédios, tomar os remédios quando o celular desperta sem que ninguém perceba.. Essa medicação com ação prolongada iria ser um adianto, pelo menos para mim.

    • AN diz

      Discordo contigo. Você parece estar mais preocupado com uma aceitação num relacionamento do que uma melhora na sua qualidade de vida com a possível nova terapia. Quem gostar de ti, terá que gostar com ou sem HIV, quem gosta gosta de qualquer jeito.

    • André diz

      Concordo com vc. Minha sorologia só deve importar a MIM e a ninguém mais. Se eu ficar indetectável e permanecer assim não vejo necessidade de ter que passar pelo constrangimento de ter que contar a qualquer pessoa e ser descriminado por tal fato. Muitas pessoas são levadas pela ignorância sobre a doença então não quero e não vou passar pela situação de ser discriminado.
      Alguns poucos aqui podem ter tido a felicidade de ter um parceiro sorodiscordante que tem uma cabeça mais aberta e tenha aceitado numa boa, mas isso é uma EXCEÇÃO no nosso mundo. E não quero ter que me restringir a me relacionar só com soropositivos. Já namorei com alguns positivos e percebi o drama que faziam quando eu terminei. Sempre se mostravam era que queria ter alguém ao lado não importa se não amasse. E não é isso que quero pra mim. Se for pra esconder pra evitar a ignorância da pessoa amada, eu farei sim, com certeza.

      • Rick diz

        Concordo contigo! A melhor coisa que eu acho é discrição! Não precisa sair por aí dizendo porque nem todo mundo aceita ou tem informações suficientes para saber das atualidades sobre HIV. Tenho para mim que se muita gente fosse optar entre se relacionar com um + ou -, escolheriam um soronegativo. Não sejamos hipócritas! Paz e Deus abençoe a todos!

    • Curiosa diz

      Por isso que o adequado é que se você quiser ter um relacionamento duradouro e com intimidade com a pessoa é pedir os exames de DST, porque vc já começar um relacionamento sério com mentiras e omissões é muito triste, é lógico que o indetectável tem baixíssimas chances de transmitir o vírus, mas como vimos aqui e em alguns relatos, estar indetectável por um período não significa que estará a vida toda, a pessoa pode ter algum problema com remédio, esquecer um dia e sua carga viral aumentar… daí se a camisinha estourar, você vai ficar ali olhando pra pessoa que confia em vc torcendo pra ela não pegar nada ou vai levá-la pra fazer a PEP? sabemos que a ignorância afasta, seria muito bom ter algum programa, alguém mostrar a cara aproveitando essa onda de youtuber e explicar o dia a dia, como fazer num diagnóstico, o que significa carga viral, a necessidade de usar camisinha sempre, as mulheres que irão se relacionar num casamento pedir exames antes de abrir mão de preservativo… etc

      • Caio diz

        Curiosa, eu tento seguir o que meu primeiro médico me disse na minha primeira consulta: “Você não é um leproso, com o uso do coquetel vc se tornará indetectável e as chances de transmissão serão praticamente nulas”.
        A pessoa se esquecer UM DIA de tomar a medicação não irá fazer com que o vírus volte a circular já que a medicação que tomamos tem uma sobrevida maior de tempo. E mesmo que voltasse para que haja transmissão a pessoa tem que está com um nível grande de vírus circulante, caso que só aconteceria se eu abandonasse o tratamento, o que não vou fazer nunca. O uso da PEP não é necessário para pessoas que se relaciona com positivos INDETECTÁVEIS. Conheço casais sorodiscordantes e que não fazem uso de camisinha e o negativo CONTINUA negativo.
        O que quero evitar é a descriminação pela “ignorância” de pessoas negativas sobre nossa condição. Não os julgo pela ignorância pois eles não são obrigados a se inteirar de nossa condição como nós positivos. Mas quero evitar casos de pessoas que já ouvi, por exemplo, de quando a pessoa relatou sobre sua condição o negativo correu para pegar álcool e passar em seu corpo todo para se “DESINFECTAR” na frente do positivo, de casos de negativos que passaram a chantagear o positivo, de ter minha condição revelada para outras pessoas como amigos e parentes, ou até de casos bem mais extremos que lemos por aí.

        E ao AN a questão sobre a “qualidade de vida” foi colocada no meu post quando falo sobre à aderência ao uso da medicação mas ressalvo que isso não é uma problemática pra mim, tomar a medicação todo dia. É apenas algo que se tornará mais prático PRA MIM, mas não que interfira muito em minha qualidade de vida que sempre foi boa nesses 2 anos de ARVS: indetectável já depois de 2 meses de medicação e nenhum problema ocorrido comigo desde então.

    • Primeira coisa que um casal faz quando começa a namorar é fazer exames para transar sem camisinha. Como fica isso?

      • Erradissimo!
        Camisinha deve ser usada sempre…O jovem pontuou ali acima que conhece casais soronegativos, onde o positivo é indetectável e, mesmo transando sem camisinha o negativo continua negativo.
        A PERGUNTA É: ATÉ QUANDO ELE CONTINUARÁ NEGATIVO??
        Muita hipocrisia dizer que alguém INDETECTÁVEL (porém soropositivo) deve ficar de mente tranquila quando ocorrer acidentes como estouro de preservativo ou sexo desprotegido sendo que até as mais sérias pesquisas NÃO DESCARTAM TOTALMENTE AS CHANCES DE CONTAMINAÇÃO!
        Ou vão me dizer que vcs nunca enxergaram, ou leram nestes textos as palavras ‘QUASE IMPOSSÍVEL’ , ‘PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL’, PRÓXIMO A ZERO’, ‘ QUASE NULAS’.
        As chances de transmissão são mínimas MAS NÃO DEIXAM DE EXISTIR!
        Resumindo: Quando vc passa por alguma situação de risco e não toma ou não orienta o soronegativo para que tome a PEP, você não estará poupando-a ( o soronegativo) das máximas chances de contaminação e sim expondo-a às chances mínimas!
        ENTÃO CAMISINHA SEMPRE!!
        EM TODOS OS TIPOS DE RELAÇÃO.
        Sou soropositivo a 2 anos e um mês e atualmente namoro um soronegativo que me aceita, me entende e me respeita como sou…E isso me faz querer cuida-lo e protege-lo de todo e qualquer risco!

  4. Bruna diz

    Bom dia! Tenho uma duvida que nao tem relacao com o post, mas estou paranoica e queria saber a opiniao de alguem.
    Tive uma relacao desprotegida e comecei a tomar PEP. Eu conheço a pessoas mas nao somos parceiros fixos um do outro. Como estou sentindo muitos efeitos colaterais pedi pra ele fazer o exame de hiv, e veio negativo. Meu medico disse que posso parar a PEP e depois fazer um exame “pra garantir”, mas estou com medo. Será que continuo a PEP ou paro? Fico lendo sobre soroconversao tardia, janela imunologica etc e nao sei o que pensar…
    Obrigada!

    • Freed diz

      Bruna,

      Ja que começou, termine.
      Melhor nao arriscar, se você pode evitar.

      boa sorte e depois volte pra contar

    • Espanho diz

      Bruna tambem estou fazendo PEP, e entendo perfeitamente o que voce esta sentindo, o que voce decidiu?
      EspanholSP

      • Bruna diz

        Continuo tomando mas me perguntando todo dia se devo ou nao…
        Nao sei se é noia demais, mas sempre fica aquela pulga atras da orelha né….

        • Espanho diz

          Bruna voce tem kik? esse aplicativo que o pessoal usa pra conversar, é bem discreto. tambem estou fazendo PEP meu nick la é espanhoVS, gostaria de conversar sobre esse s efeitos e as duvidas que surgem.

    • André diz

      Uma coisa é certa. Mal ao seu organismo não vai fazer. A PEP é só por 28 dias. Nós positivos tomamos indefinidamente e muitos tem ANOS de uso e sem problemas algum com os medicamentos.
      Se tá com a “pulga atrás da orelha” continue a tomar e boa sorte.

  5. J.B+ diz

    Pessoal de Belém do Pará, por favor me indiquem Infectologistas e suas clínicas… descobri recente minha sorologia, como ainda não tenho plano, quero iniciar o acompanhamento na rede particular.

  6. Ju diz

    Nada a ver com a matérias, mas tá chegando o dia da divulgação dos finalistas do Top Blog 2015. Vamos torcer!

  7. Zen diz

    SENSACIONAL! O arcenal de medicamentos promissões só aumentam. Dolutegravir como monoterapia 2-3x por semana, Pro140 em injeções mensalmente e agora o MK-8591! Continuo a acreditar que a melhor coisa é ter as pessoas que foram infectadas indetectáveis sob tratamentos de fácil adesão. Com isso as chances de novas infecções são minimas, mesmo no sexo desprotegido. Ter medicamentos de ação prolongada será muito bom para o controle da epidemia. Além disso, a qualidade de vida será outra. Que chegue logo ao SUS e que cada vez mais os medicamentos melhorem. Isso pra mim já é cura funcional!

  8. Riquinho Rico diz

    Alguém saberia informar se a vacina de prevenção à gripe H1N1 tem alguma restrição à quem ainda não está indetectavel porém com cd4 acima de 500?

    • Pequena + diz

      Riquinho Rico

      Como já disse aqui, a melhor coisa a fazer é vc ir no CTA que vc faz seu tratamento e perguntar ao pessoal que te acompanha.
      Outra coisa, normalmente o CTA irá oferecer a vacina da gripe H1N1, caso não ofereçam, irão te encaminhar para um posto de saúde com a requisição necessária para toma-la.
      Pergunte por lá no dia que vc for pegar sua medicação ok 😉
      A campanha de vacinação se inicia dia 30 de abril.
      Espero ter ajudado 🙂
      Um forte abraço Pequena + ❤

  9. Rafa ansiosa diz

    Oi à todos. Alguém que está fazendo ou fez Pep e usou o esquema com
    Atazanavir teve uma alergia de pele com bastante coceira e teve que trocar? Alguém em Pep que tenha que trocar ou suspender um IP (que já li conferir barreira de proteção até aos vírus resistentes)? A troca ou retirada de um inibidor de protease (IP) ou troca de qualquer remédio no meio da Pep reduz a eficácia da Pep? Estou com medo de ter sofrido com as reações adversas e ainda assim positivar (caso seja necessário retirar o IP). Alguém que já usou o esquema Lamivudina + Tenofovir com Atazanavir e Ritonavir teve esse rash com bastante coceira e espalhado pelo corpo? Tiveram que suspender ou trocar? Estou indo ao hospital mostrar ao infectologista, mas gostaria de acompanhar quem tiver tudo essa exp ou souber esse dado. Bom dom a todos!

    • Bruna diz

      Eu tive uma reacao bem forte ao atazanavir e o medico trocou por kaletra + tanofovir e lamivudina…..nao tive as reacoes do kaletra (so um gosto ruim na boca e um pouco de indisposicao).

      • Rafa ansiosa diz

        Bruna, qual foi a reação mais forte a qual se refere? Pergunto pq além da pele amrelada, tive um rash em mtaspartes do corpo e com coceira.
        Abraços vai dar tudo certo p vc. Aliás, já deu!

    • Espanho diz

      tambem estou fazendo PEP, tive reacoes ao atazanavir, pele amarela, coceira. o MEDICO madou trocar tambem por Caletra, igual a Bruna, tambem nao senti nada advorso do caletra(como diarreia) apenas gosto amargo na boca. nao infui em nada a troca, se foi recomendada pelo medico.

      • Rafa ansiosa diz

        Então, mas tive uma alergia mto grande (pernas e braços, começando a pegar mãos, pés, tronco e barriga). Disseram não saber de quais eles eran a alergia e resolveram suspender até clarear o rash. Estava com Lamivudina, Tenofovir, Atazanavir e outro com Ritonavir. Como foi teu rash? Limitado a um lugar ou em vários lugares do corpo?

  10. Dreamer7 diz

    Boa tarde a todos,
    De fato ótima esta noticia. Somente comentando sobre a ideia de se relacionar com soronegativo. Descobri minha sorologia quando estávamos nos conhecendo ainda ( 3 semanas) mas já em algo serio entre mim e ele. Obviamente falei a ele sobre e começamos essa empreitada juntos. Eu tentei terminar mesmo, pois, pensei que seria melhor ele se relacionar com alguém negativo também. O tratamento com PEP foi desgastante para ele e ficamos numa situação delicada. Graças a Deus ele esta negativo e estamos com 6 meses de namoro. Não são somente flores: ele ainda tem muitas duvidas e estou em tratamento desde dezembro/2015. Posso garantir que nos amamos mas tem momentos de descrença de ambos os lados. Tenho muito receio de infecta-lo pois mesmo eu sendo saudável não quero contribuir de forma quaisquer para que a estatista quanto a numero de casos continue aumentando. Concordo com os que tem receio quanto a falar sobre isso para quaisquer outros. Contudo, precisamos de nos colocar no lugar desses cônjuges e/ou parceiros por mais difícil que isso seja. Ainda choro muito pois minha vida por ora perdeu um pouco de sentido pela forma com a qual se deu minha exposição. Eu poderia não ter falado nada com ele , mas como olhar para a face de quem você ama todos os dias e ter um “segredo” tão serio escondido; que interfere não somente na minha vida mas na vida dele também??? De fato é mais fácil não revelar mas não é por ser mais fácil que devamos colocar nossos valores em cheque. EU SINCERAMENTE ENTENDO os que não contam pois, não é algo muito tolerado pelos demais. Tive sorte de ter um parceiro tão brother. Mas existem muitos problemas, muitas coisas que magoam, que se não nos separar somente nos fortalecerá. TUDO é novo para nos dois e dói por vezes ele não querer me beijar por estar sentindo algo , entendem? Ele é muito racional e precisa de um medico que explique em minúcias todas as dúvidas vinculadas em artigos internacionais. Adaptação é necessária e ficamos os dois meses iniciais sem prática sexual por medo!!! Quero muito respirar mais aliviado na próxima consulta e que ele fique mais tranquilo…..ficarei no aguardo ansiando por um desfecho bom para nós dois! Não somos seres humanos piores , incorremos em um dado momento e penso que já pagamos caro por isso…o outro não tem culpa…..e se ele não entende a ideia eh engolir o choro e tentar em outro momento com outra pessoa.

    • Caio diz

      Dreamer7 eu entendo sua posição e a da Curiosa mas percebo que vocês ainda não acreditam 100% nos estudos sobre a não-transmissão quando o indivíduo está indetectável. Por isso que vocês levantam esses medos de transmitir à pessoa que ama. Poucos são os médicos que tem a coragem de levantar essa bandeira aqui no Brasil. O meu médico é um desses e baseados também em várias leituras (aqui no próprio blog do Jovem) não tenho mais esse medo, por isso acho que esse segredo só interfere em MINHA vida. Por isso ao olhar meu futuro parceiro não vou me preocupar pq EU acredito nos estudos PARTNER e outros já realizados com casais sorodiscordantes.
      Infelizmente é pela “ignorância” sobre nossa doença que atos como esse de seu namorado algumas vezes não querer lhe beijar, de ter que caçar no lixo a camisinha usada para mostrar a parceira (como o Jovem infelizmente teve que fazer) que eu não quero passar por esses constrangimentos desnecessários. A omissão pra mim nesse caso é benéfica pois estou evitando discussões desnecessárias na relação sobre algo que eu entendo e a outra pessoa não entenda (e possa nem querer entender) .

    • theSPatient diz

      Cara, acho que se o seu namorado te transmitiu intencionalmente e vem escondendo isso de você há um certo tempo, você tem um problema muito sério, porque está num relacionamento com um egoísta louco.

  11. MA diz

    Para mim, CRISPR se mostra realmente capaz de curar não somente o HIV, mas também uma gama de outras doenças. Isso porque, essa técnica que, não por acaso, foi eleita o maior avanço científico de 2015 pela revista “Science”, da AAAS (Associação Americana para Avanço da Ciência).

    A enzima CRISPR, descoberta por produtores de iogurte em uma bactéria em 2007 acabou se revelando como uma versátil ferramenta para ‘editar’ DNA. Após cientistas conseguirem aprimorá-la para uso prático em 2012, em 2015 sua popularidade explodiu e seus usos são incontáveis. Já foi usada para alterar o genoma de embriões humanos, criar cães extramusculosos, porcos que não contraem viroses, amendoins antialérgicos e trigo resistente a pragas.

    Sobre essa técnica, para quem não acompanha, há uma briga acirrada por sua patente nos EUA. Além de que explode, por lá, a fundação de empresas de biotecnologia cujo objetivo é o uso de CRISPR.

    Essas empresas tem conseguido captar milhões de dólares no mercado financeiro para o início e aplicação nos estudos para a cura de diversas doenças.

    O que há por trás desse avanço científico e do enorme interesse por sua aplicação e apropriação?

    • Matheus diz

      Se tá rolando uma briga de patentes é que o negócio é promissor mesmo…o melhor de tudo é que já está rolando estudos do uso da CRISPR em combate ao HIV, vamos torcer para q não demore muito para termos resultados.

  12. Grão da Noite diz

    Notícia muito boa. Mas acabou de me acontecer uma coisa que me deixou meio anestesiado, inclusive pra essa notícia. Acho que pra tudo. Sei lá, estou me sentindo esquisito, meu pescoço está tremendo um pouco e minhas mãos estão geladas como se eu as tivesse tirado da geladeira. Já contei noutros comentários que fiz aqui no blog do Jovem Soropostivo que fui diagnosticado em agosto do ano passado. Já contei, também, que tinha quase 100% de certeza de que peguei do meu namorado. Bom, agora não tenho mais quase 100% de certeza, tenho os 100%. Ano passado, uma noite, isso já depois do meu diagnóstico, aconteceu de ele estar no banheiro e eu querer escovar os dentes. Como sabia que tinha creme dental na mochila dele, resolvi pegar um pouco. Mas encontrei na necessaire dele alguns antirretrovirais. Reconheci porque alguns deles eram parecidos com os meus. Se eu ainda não tivesse tomando os remédios nem saberia que eram antirretrovirais, pois ele tinha tirado os rótulos dos frascos. Quando ela saiu do banheiro pedi uma explicação e ele me disse que os remédios eram de um amigo dele. Que ele os guardava porque o amigo tinha medo de que alguém na casa dele visse os medicamentos. Ele também me disse que só havia feito o teste de HIV em 2003, mas, na época, não tinha tido coragem pra buscar o resultado. Falou que até podia ser soropositivo, mas não sabia se era ou não, por ter pavor de fazer o exame. Eu ouvi as coisas que ele me disse e acreditei 50%. Hoje ele saiu pra ir a um shopping que fica aqui perto de casa. Deixou a mochila. Lá fui eu investigar… Encontrei de novo os antirretrovirais. Dessa vez contei os comprimidos. Minha intenção era contar de novo na madrugada, quando ele já tivesse dormido, pra ver se havia diminuído a quantidade. Se tivesse diminuído, pronto, eu não precisaria mais ter dúvidas. Mas mexi mais um pouco nas coisas dele e encontrei o formulário, no nome dele, com a prescrição dos antirretrovirais que ele toma. Ele toma um 2 em 1 e um outro remédio (eu tomo o 3 em 1). Estou meio sem saber o que fazer. Não sei se desculpo, não sei se termino o relacionamento. Tudo o que a gente fez entre 4 paredes foi consentido. Ele tinha muita resistência a dispensar a camisinha. Só cedeu porque eu insisti… Eu o via tão assíduo no uso da camisinha que achava que ele não teria o vírus. Ou seja, eu não fui vítima na minha infecção. O que está me incomodando é que ele sabia que é soropositivo quando cedeu a minha insistência pra transarmos sem preservativo. Omitiu a informação de mim, e uma informação importantíssima. E depois mentiu dizendo que os remédios que eu havia encontrado na mochila dele eram de um amigo. Contudo, sei que ele omitiu e mentiu por medo de me perder. Não tenho a menor dúvida de que ele me ama. E eu o amo também. Mas agora estou confuso pois não sei como vou elaborar a descoberta de hoje. Não sei se vou conseguir levar nosso relacionamento adiante. Agora, neste instante, estou tentando ser racional. Mas, quando tiver elaborado o que estou sentindo, não sei se vou conseguir continuar sendo namorado dele. Também não sei se vou querer prosseguir com nossa história. Acho que minha noite hoje vai ser em claro… Tenho muito o que pensar. Depois de um tempo vou poder ficar contente com a notícia que o Jovem Soropositivo publicou ontem.

  13. Grão da noite, então essa história de que indetectável não transmite é pura balela.
    Ou você já tinha o vírus e não sabia?
    Tem que ser averiguado melhor antes de culpa-lo. Afinal de contas foi você quem pediu pra ele não usar camisinha. Rejeva os antecedentes primeiro e abra o jogo com seu namorado.
    Estou aqui na torcida.
    Um abraço!

    • Grão da Noite diz

      Em fevereiro do ano passado fiz um exame e deu negativo. E fiz esse exame em fevereiro do ano passado porque num relacionamento de quase 4 anos, que acabou em julho de 2013, eu e o namorado de então havíamos feito sexo sem camisinha algumas vezes. Ou seja, não tinha como esse exame de fevereiro ser um falso negativo. Desde meu último relacionamento sério, esse que acabou na manhã do dia 31 de julho de 2013, até junho de 2015, eu não tinha feito sexo de risco com ninguém, só com ele. Eu e ele começamos a fazer sexo sem camisinha no final de junho de 2015. Acontece que, em agosto do ano passado, descobri que estava com HIV e também com sífilis. Outra coisa, ainda, é que não conheço a carga viral dele. Não sei se ele estava indetectável quando eu fui infectado. Não sei se ele está indetectável agora. Fiquei desapontado nem tanto por ter sido infectado, já que, como eu falei, ele não queria fazer sem camisinha. Ele acabou aceitando fazer sem camisinha porque eu insisti. Acontece que quando fui diagnosticado eu perguntei se ele sabia se tinha HIV ou não. Ele disse que não sabia se tinha. Além de dizer que não sabia, disse que morria de medo de saber. E de lá pra cá perguntei outras vezes e ele sempre disse que não sabia… Ainda inventou a mentira de que os antivirais que eu encontrei na mochila dele ano passado eram de um amigo. Tenho certeza de que ele pensava que por estar em tratamento não me transmitiria. Mas estar em tratamento não é a única condição para evitar a transmissão. Outras condições são necessárias, como a inexistência de outra DST e a carga viral indetectável. Antes de aceitar dispensar a camisinha ele tinha a obrigação de me dizer que tem HIV. Do jeito como aconteceu, ele avaliou o risco sozinho. Eu errei, não tenho a menor dúvida. Por isso não me vitimizo. Mas ele errou mais do que eu. No final não tem importância quem errou mais ou quem errou menos. O meu diagnóstico vai continuar o mesmo. Claro que depois de todos esses erros nós vamos ter que conversar. E vai ser uma conversa difícil. Quero continuar meu relacionamento com ele. Mas ao mesmo tempo quero acabar. Gosto muito dele, mas não sei se isso vai ser suficiente pra levar as coisas adiante. Pelo menos agora não preciso mais me preocupar com como está a saúde dele. Ele já está em tratamento. Um dos meus grandes medos era de que ele só descobrisse o HIV quando já estivesse com AIDS. Mas felizmente não vai chegar a tanto. Pra mim já é muita coisa. A gente faria, ou fará, não sei mais, um ano de namoro no dia 23 de maio. Ele é um ótimo sujeito. Sei que ele nunca me faria mal por querer. O HIV gera muito medo da rejeição. Sei que foi por isso que ele não me disse. E a gente tem tantos planos juntos. Tem ou tinha, sei lá. Apesar de estarmos juntos há pouco tempo, vivemos muita coisa juntos. Relógio de namorado não é igual a relógio de pulso, relógio de mesa ou relógio de parede. O nosso relógio é muito diferente. Queria conseguir dormir. São 3:05 e até agora nada. Aconteça o que acontecer, já sei que minha manhã vai ser péssima.

      • RecentWave diz

        Calma meu caro. Seja racional, mas será impossível evitar a D.R que vocês dois terão. Eu teria o mais rápido possível, mas sem está vulnerável emocionalmente. Reúnas as provas que você tem, faça uma lista sobre os assuntos que você gostaria de esclarecer com ele e depois de tudo isso analise se o sentimento será capaz de passar por cima de tudo isso. Mas tome esta decisão sem pressa, pois com toda certeza esta é inimiga da perfeição. Ninguém além de você é capaz de refletir sobre o que é melhor pra você. Tenha certeza disso.

        Também tenho um relacionamento sorodiscordante e tenho a maior sorte do mundo. Na cabeça do meu namorado é como se nada tivesse mudado. Chega ser impressionante o quanto ele não liga pra eu ser soropositivo. Olha que ele nunca teve amigos que ele tivesse conhecimento desta situação, eu tenho. Eu sempre li muito sobre o assunto. Ele não é muito curioso sobre estas coisas. Graças a Deus no dia que descobri ele estava do meu lado e me deu todo apoio do mundo. Além de que, depois do meu diagnóstico ele obriguei ele a fazer 4 exames e todos deram negativos.

  14. Luz diz

    Gente, tenho 20 anos e faso uso da TARV há mais ou menos 5 meses, gostaria de saber se o 3×1 tem muitas chances de causar lipodistrofia, e se sim em quanto tempo os efeitos podem ser sentidos.
    Obrigado pela atenção e boa noite a todos.

  15. Tom diz

    Olá pessoal,
    Quando vcs viajam, como fazem com o horario de tomar o medicamento? Adaptam ao fuso do destino? vou começar a tarv agora e em poucos meses vou p Tailandia..estou meio apreensivo com isso…

    • Zen diz

      Parece que a atuação do remédio chega a 36 horas. Então não teria problema vc fazer essa adaptação. Dai só continuar com a rotina normal na Tailandia. Aproveite para meditar com os monges. O budismo tibetano é lindo. rsrs

    • Grão da Noite diz

      Antes de viajar perguntei tudo ao seu infectologista. Melhor deixar todo “achismo” de lado quando o assunto é HIV. Eu não quero achar mais nada, só faço o que meu médico mandar e não acho mais nada. Agora só me oriento pelo médico e pelos resultados objetivos dos meus exames. Se eu fosse menos “achista” hoje eu não teria HIV.

  16. rogerio diz

    Grão da Noite eu nao entendi nada… alias vc pegou hiv do primeiro ou segundo namorado… primeiro tava negativo e depois positivo ??? como assim ?? explique se melhor pra ve se entendemos

  17. Perla diz

    Boa noite, eu vivo um relacionamento sorodiscordante e só descobri por que engravidei ,no dia q fiz o teste de gravidez e deu positivo ele me falou,nos relacionamos sem camisinha a pelo menos uns nove meses,qndo ele me falou fiquei desesperada, estava grávida, e a minha alegria de ser mãe naquele momento se transformou em medo. Fui com ele ao hospital no outro dia e fiz o teste ,deu negativo,refiz dois meses depois e refiz mais uma vez no final de janeiro e deu negativo,devido estar grávida a equipe do hospital falou q tenho q fazer com nove meses de gravidez para nao correr risco de algum erro,amanhã irei ao hospital para refazer e confesso q ainda fico um pouco anciosa, mas durante este período da gravidez tomei todos os cuidados e vou continuar tomando,gostaria de conversar com casais sorodiscordante para partilharmos experiência, se alguém se interessar podemos trocar email…

  18. JP-POA diz

    Não há dúvidas que tivemos muitos avanços no tratamento tanto que hoje tomamos um único comprimido diário ao invés dos famosos coqueteis de décadas atrás. Além da diminuição dos efeitos colaterais dos primeiros medicamentos que hoje são bem menos prejudiciais. No entanto, estes avanços são bastante lentos e a maioria destes estudos não chega a fase final. Já perdi a conta de estudos sobre vacinas e medicamentos visando cura funcional ou de tratamento de longa duração que me deram bastante esperança, mas que nunca mais ouvi falar. Hoje em dia, só levo a sério quando se trata de pesquisa na última fase, com um grupo grande de humanos.

  19. Kurupi diz

    É uma noticia boa, mas infelizmente já existem vários medicamentos mais avançados que não são distribuídos no Brasil devido ao alto custo, o 3×1 é mais prescrito devido ao baixo custo e aos efeitos colaterais reduzidos (apesar de depressão e cansaço afetarem boa parte das pessoas medicadas com o efa).
    Eu não consigo dar pulinhos com essa notícia, porque sei que provavelmente não terei acesso a esses medicamentos antes de muitos, muitos, muitos anos…

    As vezes tenho a impressão que todas essas notícias em torno do HIV (novo caminho para cura, nova medicação, etc…) são feitos somente para nos dar esperança, e nos permitir de viver a vida numa ilusão de que um dia estaremos livres dessa doença, como uma cenoura motivadora.

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