Mês: março 2016

Órgãos de doador soropositivo são transplantados pela primeira vez

No primeiro transplante que dá a pacientes infectados pelo HIV ainda outra chance de uma vida longa, os cirurgiões do Johns Hopkins University Medical Center transplantaram um rim e um fígado de uma doadora falecida que era soropositiva para dois receptores soropositivos. As cirurgias de transplante, que utilizaram os órgãos doados pela família da mulher soropositiva, encerram um período de 25 anos em que órgãos de pessoas infectadas pelo HIV dispostas a doá-los eram rejeitados para uso em transplantes. “Este é um dia muito importante para os pacientes que vivem com o HIV.” O procedimento experimental segue a resolução de 2013 do HIV Organ Policy Equity Act, ou HOPE, que revogou a proibição de utilizar órgãos soropositivos para transplante. “Este é um dia muito importante para nosso hospital e para nossa equipe, mas mais importante para os pacientes que vivem com o HIV e doenças de órgãos em estágio terminal”, disse o Dr. Dorry L. Segev, cirurgião do Johns Hopkins que realizou as cirurgias. “Para estes indivíduos, isso pode significar uma nova chance de vida.” Segev, professor de cirurgia da Escola de Medicina da Johns Hopkins University, também teve um papel …

Avalie isto:

Idosos com HIV enfrentam diferentes desafios de saúde a longo prazo

No Canadá e em outros países desenvolvidos, cada vez mais pessoas soropositivas vivem mais tempo, graças à terapia anti-HIV. O poder dos antirretrovirais é tão profundo que os pesquisadores estimam que um jovem adulto que é infectado hoje, diagnosticado pouco depois e que logo começa o tratamento deve ter uma expectativa de vida próxima do normal. Esta previsão otimista depende adesão ao tratamento, todos os dias, exatamente como prescrito, e da ausência de outras doenças ou condições graves de saúde pré-existentes. À medida em que mais pessoas soropositivas vivem mais, numa era de uso generalizado da antirretrovirais, os serviços de saúde terão de ser adaptados para essa população que está mudando as necessidades de cuidados de saúde. Pesquisadores da Universidade de Waterloo, em Ontário, junto com a Agência de Saúde Pública do Canadá (PHAC, do inglês Public Health Agency of Canada), colaboraram em um projeto de análise de dados em massa que recolheu informação relacionada à saúde de mais de um milhão de pessoas, das quais, uma pequena fração (menos de 1%), tinha HIV. Os participantes foram avaliados no contexto …

Avalie isto:

Por que fazemos sexo?

Pergunte a qualquer biólogo — sexo parece ser um desperdício. É caro: pense na enorme energia usada na produção da espetacular cauda em forma de leque de um pavão, destinada para atrair uma fêmea para o acasalamento. E parece ineficiente: o sexo nos permite passar apenas metade dos nossos genes e metade da espécie (os machos) não pode ter filhos. A evolução não é sentimental, então estes custos devem ter algum benefício. A resposta comum é que, pelo remanejamento de genes a cada geração, o sexo cria novas combinações genéticas, seleciona mutações benéficas no lugar das nocivas e dá um certo grau de flexibilidade evolutiva. Mantém alguns genes guardados, que podem não ter uso hoje, mas podem salvar os descendentes das pragas, pestes e parasitas. Tudo isso é provavelmente verdade, mas esta tese tem uma falha. Embora os benefícios da reprodução sexual tendam a ser sutis e só se tornem evidentes ao longo de muitas gerações, os seus custos são grandes ​​e imediatos. Para entender o sexo por completo, precisamos de uma explicação que volta aos organismos complexos primordiais e às pressões de sobrevivência imediata que eles sofriam. Damian Dowling, …

Avalie isto:

Antirretrovirais melhoram o fígado

O início da terapia antirretroviral está associado à melhorias na função do fígado em homens soropositivos com e sem coinfecção com hepatite viral, segundo relatório publicado no Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes. Os pacientes inscritos no Multicenter Aids Cohort Study (MACS) tiveram sua função hepática monitorizada de acordo com o índice de relação entre aspartato aminotransferase e plaquetas (APRI, do inglês aspartate aminotransferase to platelet ratio index), antes e após o início da terapia para o HIV. A função hepática diminuiu significativamente em ambos os homens mono e coinfectados, no período anterior ao início da terapia antirretroviral. A iniciação de antirretrovirais foi associada à uma melhora no APRI, e isto foi associado à carga viral. Os efeitos benéficos da terapia antirretroviral diminuíram depois de dois anos nos homens mono-infectados, possivelmente por causa das toxicidades associadas aos antigos medicamentos anti-HIV. “Efeitos hepáticos benéficos da terapia antirretroviral são mediados através da supressão da replicação do HIV.” “Nós demonstramos que a terapia antirretroviral está associada à melhora do APRI em homens infectados pelo HIV com e sem hepatite viral”, disseram os pesquisadores. “Observamos que homens com RNA do HIV indetectável tiveram maiores diminuições no APRI e que …

Avalie isto:

Astrologia (e mitologia) da superação de obstáculos e da vontade de viver

Desde a descoberta de Quíron, em 1977, astrólogos têm experimentado e explorado suas temáticas, ouvindo novos contos que ressoam da sua mitologia e chegam a algum entendimento sobre o seu impacto arquetípico. Agora, anos depois, o astrólogo Liz Greene vê Quíron como elemento essencial no aprofundamento da nossa compreensão a respeito consciência solar: para poder escolher viver a vida ao máximo, temos que enfrentar aquela parte em nós que prefere buscar a morte. “A vontade de viver é um grande mistério.” A vontade de viver é um grande mistério. Qualquer médico com alguma experiência em doenças com risco de vida sabe que a vontade de viver pode afetar o bem-estar físico, bem como psicológico. E a sobrevivência, muitas vezes, depende mais do desejo da pessoa doente de viver do que da ajuda do médico. Mas nem sempre a vontade de viver é necessariamente o que de fato sentimos. Podemos dizer por aí que queremos a vida, mas, em algum lugar lá dentro, queremos mesmo é ir para casa — e este anseio por cair em esquecimento pode ser mais poderoso do que qualquer declaração consciente da intenção de melhorar. …

Avalie isto:

XI Curso Avançado de Patogênse do HIV

Data: 13 a 20 de abril de 2016 Local: Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) — Av. Dr. Arnaldo, 455, São Paulo/SP Algumas palestras são ministradas em inglês e sem tradução simultânea. O Curso Avançado de Patogênese do HIV vem sendo realizado desde 2006. Partiu de uma iniciativa de colaboração entre o grupo do Dr. Esper Kallás e o Prof. Dr. David I. Watkins, da Univesidade de Wisconsin, Madison, EUA. Nessa ocasião, achou-se que os estudantes, professores e cientistas brasileiros que tinham dificuldade de ir a eventos internacionais poderiam se beneficiar da realização de um curso em São Paulo, que revisaria os mais novos aspectos da patogênese da infecção, estreitando os laços entre tais profissionais e o avanço do conhecimento. A primeira edição, realizada em 2006, contou com a participação do Prof. Watkins da Universidade de Wisconsin e do Prof. Dr. Mario Stevenson, então da Universidade de Massachussets, EUA. Juntamente com pesquisadores do Brasil, notadamente da Universidade São Paulo e da Universidade Federal de São Paulo, foram realizadas uma série de conferências, que abordaram temas básicos e …

Avalie isto:

Bactérias e vírus no intestino ligados à gravidade da infecção pelo HIV

O advento da terapia antirretroviral — uma combinação de medicamentos utilizados para retardar a progressão do HIV — permitiu muitas pessoas infectadas com o vírus a viver vidas longas e produtivas. Mas a terapia não os cura e mesmo aqueles que tomam esses medicamentos ainda têm um risco maior de doença cardiovascular, câncer, doença renal e hepática, entre outros distúrbios observados em pacientes com HIV. A infecção pelo HIV também pode levar à doenças que afetam os intestinos, como o aumento da inflamação gastrointestinal, diarreia e problemas com a absorção de nutrientes. O papel dos micróbios do intestino nessas questões ainda não é completamente compreendido, mas, agora, em dois estudos conduzidos por pesquisadores da Washington University School of Medicine, em St. Louis, os cientistas identificaram bactérias e vírus intestinais como possíveis fontes de inflamação e doenças. A identificação dessa origem pode abrir a porta para as estratégias que limitem os danos no trato gastrointestinal, reduzam a inflamação e problemas afins, que afetam os pacientes com HIV. Os dois estudos — um em pessoas e outro em primatas — foram publicados na revista Cell Host & …

Avalie isto:

Caio Fernando Abreu: uma ponte entre dois séculos

Por Alexandre Nunes em 29 de fevereiro de 2016 para Revista Cariri Denominado por Lygia Fagundes Telles como um “encantador de serpentes” e um “biógrafo das emoções contemporâneas”, Caio Fernando Abreu tem sido redescoberto por uma geração que não o conheceu presencialmente, mas que consome ávida seus textos mais diversos. Tal fenômeno parece não acontecer por acaso, pois além de fornecer um retrato do país e da geração do final do século XX, Caio é o escritor brasileiro que, em companhia da poeta Ana Cristina Cesar, antecipou muito da dicção dos modos de escrita contemporâneos. Ambos já apresentavam em seus textos de 1980 uma linguagem confessional, supostamente “ligeira”, sem pedantismos ou academicismos. Características marcantes das formas presentes hoje nos blogs e hipertextos elaborados em especial pela juventude no ciberespaço. Não é à toa o imenso sucesso deles nas redes sociais. Seus textos antecipavam modos de expressão já naquela época quando não existia nem mesmo e-mail e onde computador pessoal era artigo de luxo. Nestes 20 anos da morte do escritor gaúcho, ousamos mexer no material …

Avalie isto: