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Soropositivos superestimam suas chances de infectar alguém


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Em um grande estudo americano, o ACTG A5257, apresentado ontem na Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI 2016), apenas uma pequena proporção das pessoas soropositivas se reconheciam como não infecciosas depois de três anos de terapia antirretroviral, e um terço dos participantes consideravam que a sua chance de infectar um parceiro ainda era “alta”, embora apenas 10% dos participantes apresentassem carga viral detectável.

O estudo mostrou que não houve correlação entre a verdadeira carga viral de uma pessoa e sua crença sobre quão infecciosas ela de fato era, explicou o Dr. Raphael Landovitz, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, durante na conferência.

O ACTG A5257 foi um grande estudo de comparação farmacológica em que 1.809 participantes foram randomizados para receber Raltegravir, Atazanavir ou Darunavir reforçados com Tenofovir/Emtricitabina. Os resultados sobre 96 semanas do estudo foram apresentados na CROI 2014. O estudo incluiu participantes entre 2009 e 2011, os quais foram questionados sobre suas crenças a respeito de sua própria infecciosidade a cada um, dois e três anos após o início da terapia antirretroviral. Portanto, este estudo inclui as respostas fornecidas até 2014.

Um quarto da população estudada era composta por mulheres, com idade média de 37 anos, e a etnia foi distribuída de maneira bastante uniforme, com 34% brancos, 42% afro-americanos e 22% latino-americanos. A carga viral média no início do estudo era de 40.000 cópias/ml, e 30% dos participantes tinham uma carga viral acima de 100.000 cópias/ml. Os participantes foram convidados a responder à pergunta:

“Qual a probabilidade de você transmitir o HIV a alguém hoje, se praticasse sexo desprotegido?”

Os participantes então classificaram o quão infecciosos eles acreditavam ser, em uma escala visual analógica, que ia de “não infeccioso” (zero) até “altamente infeccioso” (100). Em seguida, foram divididos em quatro categorias: aqueles que achavam que não eram infecciosos, aqueles que pensavam que o risco de infectar outra pessoa era “baixo” (pontuação 1-33), “médio” (34-66) ou “alto” ( 67-100).

No início do estudo, 58% pensavam que eram altamente infecciosos e 26% se colocaram na categoria “média”. Enquanto isso, 16% pensavam — até então, erroneamente — que o seu risco de infectar outra pessoa era “baixo” (10%) ou zero (6%).

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Depois de um ano em terapia antirretroviral, uma proporção maior — pouco menos de um terço — pensou que seu risco de infectar alguém era baixo. Mas 38% ainda pensavam que sua infecciosidade era alta. A porcentagem dos que achavam que não eram nada infecciosos tinha aumentado ligeiramente, para 10%. (Aliás, 8,1% deste 10% — apenas oito pessoas — estavam na verdade errados em suas crenças a esse respeito, pois naquela altura tinham uma carga viral detectável, e, assim, eram, até certo ponto, infecciosos).

Esse cenário praticamente não mudou em nada nos dois anos seguintes. Na semana 96, quando 90% dos participantes do estudo tinham de fato alcançado a supressão viral, 36% ainda pensavam que eram altamente infecciosos e 19% se colocavam na categoria de “médio”. A proporção dos que pensavam que sua chance de infectar outras pessoas era baixa tinha subido apenas um ponto, para 33%, e a proporção dos que achavam que não eram infecciosas foi para 12%.

Na semana 144, depois de três anos em tratamento antirretroviral, 34% ainda pensavam que eram altamente infecciosos e uma maioria (52%) achavam que eram muito ou moderadamente infecciosos. A categoria “baixa” aumentou em dois pontos, para 35%, e os que se viam como não-infecciosos subiu dois pontos, para 14%.

Em outras palavras, depois de três anos em terapia antirretroviral, com a qual grande parte dos participantes alcançou carga viral indetectável, a proporção dos que pensavam que eram altamente infecciosos tinha caído pela metade, enquanto a proporção dos que acreditavam que não eram infecciosos tinha praticamente dobrado. No entanto, estes números não refletiam nem de perto as proporções reais dos que estavam de fato infecciosos, pois não tinham qualquer relação com a carga viral real dessas pessoas.

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Na semana 48, jovens com idade inferior a 30 anos se mostraram mais aptos do que a média a considerar a sua infecciosidade como tendo caído. Negros, pessoas com menores habilidades literárias e pessoas que entraram no estudo com uma contagem de células CD4 muito baixa se mostraram menos aptos a considerar sua infecciosidade como tendo caído. Mulheres e hispânicos se mostraram mais propensos a colocar-se na categoria “não infecciosa”, enquanto usuários de drogas e aqueles que no início do estudo se classificaram como altamente infecciosos passaram a reconhecer que eram menos prováveis de transmitir o vírus.

Agora, a equipe do estudo vai analisar mais dados, a fim de descobrir se as crenças das pessoas a respeito de sua infecciosidade teve algum impacto no seu comportamento sexual de risco e nas escolhas de parceiro.

Uma vez que as crenças das pessoas sobre a sua infecciosidade, embora tenha mudado pouco após o início do tratamento, teve pouca relação sua verdadeira infecciosidade, perguntaram ao Dr. Landovitz, durante a conferência, se os pacientes estariam sendo mais cautelosos em virtude das mensagens fornecidas por seus profissionais de saúde, ou se sentiram, devido ao estigma do HIV, que ainda tinham que declarar uma crença determinada a respeito da própria infecciosidade.

Em sua resposta, o Dr. Landovitz comentou que o ACTG A5257 atravessou um período durante o qual, em maio 2011, os resultados do estudo HPTN 052 foram divulgados — o qual confirmou que as pessoas com HIV que estavam em terapia antirretroviral e indetectáveis são quase nada infecciosas. Ainda assim, a divulgação desse estudo parece ter tido pouco impacto sobre os participantes do A5257 ACTG, que terminou bem na época em que um estudo ainda mais convincente, o PARTNER — que também não encontrou qualquer transmissão a partir de uma pessoa com uma carga viral indetectável —, anunciou suas conclusões provisórias. O Dr. Landovitz comentou que, se o ACTG A5257 fosse repetido hoje, ele acredita que as crenças das pessoas sobre sua infecciosidade seria diferente. Quando foi perguntado sobre qual mensagem devemos dar aos pacientes a respeito da carga viral e da infecciosidade, ele disse:

“Não devemos dar-lhes uma mensagem boba, mas falar em absolutos. Pela minha experiência, as pessoas querem informações detalhadas sobre o risco de infectar outras pessoas e, com isso, querem ser capazes de tirar suas próprias conclusões.”

 

Por Gus Cairns em 24 de fevereiro de 2016 para o Aidsmap.

Referências: Landovitz RJ et al. Perception of infectiousness in HIV-infected persons after initiating ART: ACTG A5257. Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, Boston, abstract #55, 2016. Veja um resumo do estudo no site da conferênciaAssista à apresentação do estudo no site da conferência.
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64 comentários

  1. O texto foi meio confuso pra mim! Afinal, qual a porcentagem de infectar alguém estando indetectável numa escala de 0 a 100?

  2. JOHN34 diz

    Se quem é soropositivo com carga indetectável se classifica como altamente infeccioso imagina qual é a visão de um soronegativo!!!

  3. Ruan diz

    Realmente não entendi as colocações do texto, deixa-nos confuso em relação a infecção, no que tange ser indetectável.Se a pessoa é indetectável em outras palavras, ela transmite ou não?isso que não entendi.Pois eu já sou indetectável há algum tempo, mas nunca relaxo de preservativo e tal e me cuido muito, sendo que meu parceiro não tem o vírus,Gostaria de mais detalhes sobre isso.Grato.

    • Erick Allan Bounean diz

      Concordo plenamente com voce Ruan. Faco minhas as suas palavras. Voce foi direto e correto em suas observacoes. Eu temo que este ponto de vista apresentado neste texto esteja afirmando que podemos transar sem camisinha e etc. Mas e aquela historia da re-contaminacao? Como é que fica levar mais uma carga viral de outra pessoa detectavel?

  4. Uma pessoa com HIV sem nenhuma outra DST e seguindo um tratamento antiretroviral (TAR) com uma viremia totalmente suprimida (condição doravante denominada “TAR eficaz”) não transmite o HIV pela via sexual, ou seja, que ela não transmite o vírus pelo meio dos contatos sexuais.
    Esta afirmação fica válida a condição de que:

    A pessoa com HIV aplique o tratamento antiretroviral ao pé da letra e seja acompanhado por um médico;
    A carga viral (CV) se situe em baixo do nível de detecção desde há pelo menos seis meses);
    A pessoa com HIV não tenha nenhuma outra DST.
    

    Alguns países na europa ja deram o grito de que os indetectáveis são os novos curados enquanto tomam os antiretrovirais e que não contagiam ninguém.

  5. Giovana Nogueira diz

    Fato é que todos os dias novos infectados vão surgindo.
    As pessoas estão com excesso de confiança.
    Confiam cegamente nos parceiros, confiam que com ele não vai acontecer mesmo vendo acontecer com o vizinho, confiam que o tratamento está avançado, confiam que a cura está próxima e confiam que o parceiro está indetectável. E com toda esta confiança acabam por deixar de lado o melhor de tudo que é a prevenção. Leio os comentários e percebo o quão angustiante e devastador é ter este diagnostico. E assim chego a conclusão de que nos dias de hoje dá pra viver bem com o HIV, mas ainda sim, viver sem ele é infinitamente melhor.
    Seria tão bom se as pessoas se conscientizassem e se cuidassem mais. Tudo bem que há casos de contagio por acidente, mas na grande maioria dos casos são por puro desleixo e também promiscuidade. E o problema é que não podem dizer que é por falta de informação pois hoje em dia até as crianças sabem como se evita uma DST. Cito o caso de um jovem colega que se descobriu soropositivo a pouco tempo. E um dia conversando ele me disse que frequentava umas “cabines” onde o sexo era praticado sem que os parceiros se vissem, era através de buracos na parede da cabine e segundo ele era praticado no “pelo” que depois vim a saber que no caso, sem camisinha. Eu perguntei se ele não tinha medo de contrair alguma doença e ele me disse que ia no embalo do momento e só pensava depois que já havia feito. Hoje ele vive numa angustia sem fim, vive dizendo que vai se matar, que a vida dele nunca será a mesma, que vai parar o tratamento por que não se aceita assim e com isto a família vai sofrendo junto.
    Me desculpem o desabafo.
    Abraços!

    • D_Pr diz

      Giovana, desabafa e mete pedrada em todos pelo teu senso de julgamento e conhecimento sobre o assunto?

      Fala pro teu amigo vir conversar aqui, existem muitas pessoas que não o julgarão e o receberão de braços abertos, esclarecendo dúvidas, como a vida dele permanece normal, deixe que quem sabe o que falar e PODE realmente ajudar, faça! Esse diagnóstico não muda em nada a vida dele, exceto algumas inclusões na rotina (como tomar 1 comprimido antes de dormir e exames periódicos).

      Força para seguir adiante, ele vai encontrar aqui.

      • Giovana Nogueira diz

        D, Já falei pra ele sobre o blog e ao contrário do que você pensa eu não o julguei como não julgo ninguém com este ou aquele diagnostico. Na semana do diagnostico foi em minha casa que ele encontrou apoio e abrigo. E sabe que poderá contar sempre. Mas isso não me tira a vontade de uma dia poder ver que as pessoas não estão mais se contaminando com uma doença que todos sabem como evitar. Não digo que as pessoas devam parar de praticar o sexo pois sexo faz parte da vida, e sim pratica-lo com segurança. Diante de tanta angustia que este diagnostico causa, seria pedir muito praticar sexo seguro e tb evitar outras formas de contágio, tipo compartilhamento de seringas e etc…?

        Eu sou soronegativo e nem por isso fico na zona de conforto, tipo foda-se para os soropositivos, o problemas é deles o importante é que eu não sou.

        Eu me preocupo sim, o que não quero pra mim, não quero para meu próximo. Em minha casa eu mantenho um estoque de preservativos pois tenho inúmeros amigos heteros e gays e vivo colocando camisinhas nos bolsos e mochilas deles. Este meu amigo recém diagnosticado me disse que nas poucas vezes que ele transou usando a camisinha era por que achava as que eu colocava pra ele, pois tinha preguiça de comprar ou retirar nos postos de distribuição.

        E não acho vantagem que este blog cresça em números de infectados, preferia que aumentassem em números de pessoas se informando melhor para ajudar a quem já está e também para evitar o contagio e que o números de novos infectados diminua casa vez mais.

        Abraço!

    • Dan diz

      Eita Giovana!

      Mas desde quando ter hiv é sinônimo de promiscuidade? Sou soronegativo e frequento lugares promíscuos, uso camisinha e sei que caso vacile um dia tenho a profilaxia.
      Tenho amigos que namoram há dez anos , só tem um parceiro e pegaram o vírus… Eai?
      Entendo seu desabafo , mas nem por isso podemos julgar a vida sexual de alguém, até porque hj não existem mais GRUPO DE RISCO e sim COMPORTAMENTO DE RISCO.

      Querer acusar alguém de ter pegado o vírus, só porque tinha comportamento sexual que vc julga promiscuo, é cruel.

      • Gio diz

        Olá Dan,
        Seguindo seu raciocínio acho bobagem as pessoas tentarem mudar seus comportamentos de risco para comportamentos responsáveis.
        E além da profilaxia, existe também a cura que dizem estar bem próxima.
        Ah, e enquanto isso é só interessante também torcermos para que um governo de merda não entre e acabe ou dificulte o fornecimento dos medicamentos de prevenção e tratamento.

        Muito boa sorte pra você, querido!

        • Dan diz

          Não preciso de sorte Giovana, preciso de responsabilidade… E isso eu tenho.

          E a você desejo um pouco de empatia pelo próximo. Abraços

    • Sou + e não me ofendi com nada q vc escreveu. Só não concordo sobre todos serem informados pelo assunto, eu não era é não conheço ninguém q antes fosse, digo antes pq agora faço questão de informa a todos q conheço,muito deles jovens e os mais maduros acreditavam não ter nada pelo fato de quase nunca ficar doente. Sim uns se infecta por acidente outros por confiar uns por não estar nem ai!, uns por pessoas de mal carácter, e sim tem aquelas q nem lembra q existe dst ou simplesmente nem sabem q existe. Eu conheço pessoas assim

  6. Matheus diz

    Pessoal até hj não foi confirmado nenhum caso de transmissão de alguém indetectável por mais de 6 meses…Porém existe um risco mínimo que não podemos negligenciar por enquanto.

  7. Paulo diz

    Existe janela par ao indectável? Digo, no ato do exame, ok. Mas e dali em diante até o próximo exame? Quem garante que a pessoa continuará e/ou que está tomando a medicação certinha etc. Não existe a garantia 100%, acho.

    • Erick Allan Bounean diz

      Um outro problema não é ou não se o indetectável não transmite o HIV, mas sim o risco de um indetectável ser NOVAMENTE contaminado pelo HIV. Alguém sabe o que acontece no caso de RE-contaminação? O indetectável está isento destes efeitos perversos ???

  8. Anjo Gabriel diz

    Também achei o texto bem confuso. E confesso que mesmo indetectavel desde o inicio do tratamento em junho/13, me sinto uma bomba relógio que a qualquer hora pode explodir e “ferir” alguém mesmo com preservativo.

    Preciso compartilhar com todos vocês.

    Hj recebi meus exames, fiquei feliz ao ver que depois de uma leve queda (há 6 meses), meu cd4 agora está em 805 e a carga viral continua indetectavel.

  9. Felipe diz

    Texto meio confuso mesmo.
    Não ser vetor de transmissão é tão importante quanto não ser reinfectado por outra cepa. Por isso é melhor usar camisinha e não dar nova chance e/ou colocar a vida do outro em risco.

    • Senhores,

      Pra quem achou o texto confuso:
      Essa notícia acima parte do pressuposto, já sabido pelos cientistas, de que o risco de transmissão do HIV a partir de um soropositivo em tratamento e indetectável é próximo de zero e então pergunta para os próprios soropositivos qual é o risco que eles imaginam que oferecem. A ideia desse estudo é averiguar se a percepção dos pacientes é a mesma dos cientistas e médicos mais bem informados.

      Entenderam?

      • André diz

        Jovem Soropositivo vc disse as palavras certas “cientistas e médicos mais bem informados”. A maioria dos médicos não são bem informados assim e passam para seus pacientes a desinformação que eles também têm, por isso da grande maioria dos positivos se acharem infecciosos mesmo estando indetectável.
        O seu Dr. Ésper é um dos poucos que tem a coragem de falar abertamente com os seus pacientes para os mesmos não terem medo de transarem sem camisinha sendo indetectável. Os outros médicos não tem a certeza sobre essas pesquisas ou preferem não se arriscar a serem processados caso dêem essa informação a um casal discordante e o negativo vim a se tornar positivo.
        PS: Já passei por três médicos e os três tem a mesma opinião: mesmo indetectável existe chances de transmitir, pequena, mas existe. E como camisinha pra mim não é problema, não vejo o pq de abandoná-la.

        • A própria notícia diz: “Uma vez que as crenças das pessoas sobre a sua infecciosidade, embora tenha mudado pouco após o início do tratamento, teve pouca relação sua verdadeira infecciosidade, perguntaram ao Dr. Landovitz, durante a conferência, se os pacientes estariam sendo mais cautelosos em virtude das mensagens fornecidas por seus profissionais de saúde…”

        • Meu médico me diz assim, que não aconselha ninguém ter relação sem camisinha. Msm q ambos seja injectáveis msm q sejam negativos ou + e -. Pq pra se saber q a pessoa não tem nenhuma dst tem q fazer exames e msm com eles isso só prova q a pessoa a tinha nada a 1 Mês atrás vai q em menos disso ela ou ele se colocou em risco, no nosso caso ele me disse q a CV pode ter picos e com isso aumenta as chances msm q ainda pequena. Palavras dele… Pra q se arriscar né eu q não tento a sorte cada caso é um caso.

  10. Boa noite pessoal, desculpe-me utilizar esse espaço para desabafar, quase não publico aqui, mas acho que hoje estou precisando. Tive o diagnóstico há 1 ano e 10 meses, iniciei tratamento rápido e não tenho nenhuma queixa física, porém ainda não consigo superar o diagnóstico, e as vezes acho q me falta força para prosseguir adiante. Sei que a forma de enfrentar o diagnóstico varia muito com a bagagem de vida da pessoa, e por ser um cara que nunca admitiu errar, por sempre tentar corresponder ao modelo de bom filho, bom amigo, bom namorado, bom profissional, minha falha adquiriu um peso quase insustentável para mim, não consigo me perdoar. Me sentenciei a uma vida de solidão, tornei prisioneiro dos meus preconceitos e julgamentos, nesses quase 2 anos, me afastei de todos os amigos, nunca me permiti paquerar, conhecer gente, vivo morrendo de medo de ser descoberto, faço de tudo para não ser notado, minha vida praticamente é trabalhar, comer, fazer uma atividade física e ir na minha psicóloga uma vez por semana. Como eu moro sozinho, passo todos os finais de semanas e feriados em casa assistindo filmes, séries e lendo, isolado do mundo. Datas que deveriam ser feitas para comemorar como natal, ano novo e aniversário, eu passo dentro de casa, submersos em pensamentos negativos. Além da psicoterapia também busquei ajuda psiquiatra que me prescreveu anti-depressivos, porém não consigo sair dessa, pois acho que não tenho depressão, meu problema é me aceitar nessa nova condição, é o medo da discriminação, é meu próprio preconceito, sou o meu próprio algoz, parece que minha vida perdeu completamente o sentido, e já não sei mais o que fazer para melhorar isso.
    Muitos de vcs podem estar pensando, que bobeira isso que esse cara está dizendo, mas de verdade, para mim não é fácil lidar com isso, admiro muito quem consegue lidar de uma forma menos conflituosa e consegue não se abalar. Mas para mim está demorando muito para me readaptar, para seguir em frente, não estou me vitimizando, porém viver sem esperanças perde totalmente o sentido e o brilho da vida, eu era um cara alegre, comunicativo, hoje não me lembro do meu próprio sorriso. Sempre que começo a esboçar um plano, o fantasma desse vírus volta a me atacar. Qd descobri o vírus contraído de uma relação sem preservativo anterior ao meu namorado (com ele nunca nos expomos), mesmo desmoronado, contei para ele, levei para fazer exame que deu negativo, tentei levá-lo para ter alguma orientação psicológica para entender a minha realidade, a resposta que eu tive foi um doloroso: “Desaparece da minha vida, não me procure”, isso me machucou tanto que eu prefiro não me relacionar com ninguém, após a pessoa que dizia me amar ter essa atitude, fechei todas as portas para conhecer outras pessoas. Sei que não posso generalizar por uma experiência traumatizante, porém tenho muito medo, muito medo de ser exposto e de ser machucado novamente, virei um ser assexuado e sem trocas afetivas. Mas sei que o problema não está no HIV, nem nessa situação que vivi, o problema está na minha forma de ver isso tudo e tenho consciência que me isolar e literalmente vegetar na vida não é o caminho, e que só depende de mim mudar, mas não sei como, gostaria muito de ser uma pessoa mais bem resolvida e espantar os fantasmas que me assombram.

    Gostaria de saber se mais alguém também passou por uma situação semelhante e o que fizeram para superar, se é natural tanto tempo.

    Desculpem-me pelo texto longo, mas estou precisando de uma luz, acho que ter contato com outras pessoas que viveram alguma situação parecida pode ajudar.

    Abraços

    • gablippe diz

      Lis4ndro me passa seu kik ou whatsapp pra gente conversar melhor cara, mantenha a calma e seja forte. Eu sofri muito e sei o que esta se passando. Um forte abraço.

      • Bom dia Gablippe: acabei de fazer o kik, acho q vc pode me pesquisar pelo user que é Lis4ndro . depois me add lá. Obrigado

        • gablippe diz

          Oi Lis4ndro te procurei e não encontrei me procure lá vidaquesesegue tudo minusculo vamos trocar uma ideia….

    • Salvador-Ba diz

      Passei mais ou menos pelo que vc passou em agosto de 2015, recebi o diagnostico e estava iniciando uma relaçao com um cara. Foi barra receber o diagnostico e foi super dificil contar, estavamos com 2 meses de namoro e ele nao suportou a pressao. O que é normal… Mas nao me abati, segui minha vida até hj, mas tenho uma certa resistencia tb em me relacionar novamente, talvez pelo medo de ter que contar a minha realidade e sofrer mais uma vez. O que posso te aconselhar é: continue sua terapia e tente fazer amizades com pessoas que passa pelo mesmo que vc, pois através disso, vc verá que tudo vai se resolvendo naturalmente e aos poucos… E nao pense megativamente, isso atrai coisas ruins e vc vai viver em circulos… Saia do habitual… Faço isso todos os dias e está funcionando pra mim.

      • Samir diz

        Amigo, também sou de Salvador e queria conhecer pessoas daqui pra conversar e trocar experiências. Acabei de ser diagnosticado e tudo ainda é muito novo pra mim. Se puder, quiser, me dá um alo. Meu email é theSpatient@outlook.com e minha conta no kik é theSpatient

      • Thiago diz

        Salvador-BA, também estou passando por um problema parecido ao seu, mais você já gostava muito da pessoa?

    • Juka diz

      Lisandro, a vida é só uma e curta, a parte melhor dela(a juventude) passa como flash, VC terá muito tempo para ficar em casa qdo tiver velhinho( sim, iremos chagar a velhice, a menos q outra coisa nos mate q não seja o HIV).sai do seu quarto, viaje, sacuda essa poeira e se jogue pra felicidade. Meu namorado estava embarcando nessa paranóia sua, mas eu não o deixei, eu fiz com q nossas vidas ficassem mais bela após esse maldito diagnóstico.. Ele tava reagindo igual a VC….não vale a pena, a vida é linda, linda e um dia seremos curados e o q VC fez até chegar esse dia? Deixar de viver não será uma boa opção, pois será mais um arrependimento seu futuro…..aquele beijo no fundo da sua alma

    • Gil diz

      Lis4andro, a psicoterapia deveria estar lhe ajudando de forma mais efetiva, quem sabe a abordagem da profissional não seja a mais adequada à sua dinâmica, à sua estrutura. Nem sempre o profissional da Psicologia oferece a abordagem adequada, o manejo técnico satisfatório para todos os perfis, para determinados casos.
      Mas se vc investe tempo e energia para superar algo que tanto te limita, é necessário perceber se há o resultado esperado ou a ele se encaminha, através desse processo.
      Eu discordo que depende só de você se mobilizar. Depende de muitas situações envolvidas na sua psicodinâmica, através de um bom trabalho da equipe ou dos profissionais que lhe atendem. Depende da psicóloga TAMBÉM.
      Se quiser trocar umas ideia, entre em contato pelo psicogilmar@gmail.com
      Abraço, força sempre!!

    • Ser+H diz

      Lisandro o texto é longo, o drama dolorido, a fase do luto permanece, mas vc tem a solução como bem diz que depende de vc. Veja dois aspectos objetivos nesse momento que vc precisa alcançar: CV indetectável e CD4 acima de 500. Chegando nisso não há mais razão para o medo te dominar. Vc é mais forte que esse virus. Mentalize isso toda noite antes de dormir. Um comprimido de R$ 1,00 é a sua cura diária. Há 30 anos caras milionários infectados dariam a fortuna deles para ter acesso ao 3×1, mas infelizmente ainda não existia. Na época o que havia era a certeza da morte iminente ao passo que hoje vivemos com a expectativa de vida igual a dos soronegativos. Bola pra frente. Vida que segue.

    • Anderson luiz diz

      Eu passei por um período semelhante, hoje aprendi a confiar nas pessoas e mudei o foco da minha vida para eu mesmo e não mais para o vírus . É claro que tem dias que me questiono, me culpo , mas procuro levar uma vida normal minha saúde graças a Deus vai muito bem , então tornou-se motivo de manutenção e não preocupação , no mais é vida que segue , não se pode mudar o passado mas podemos fazer um futuro mais leve . Eu faço minhas atividades físicas, curto minha casa, saio quando tenho vontade, bebo minha cerveja , como meu churrasco como qualquer outra pessoa. O dia mais chato é sempre o de ir buscar a medicação gostaria que entregassem para 3 meses ao menos , mas são as normas e eu não posso mudar isso. Avante rapaz levante a cabeça e siga em frente. Boa sorte !!

      • cariocarj diz

        È verdade, no meu caso só liberaram para 1 mês… Todo mês tenho que buscar… poderiam da pelo menos para 2 meses.

    • tiago baptista diz

      Li e reli seu texto e há vários aspectos a serem abordados.
      1 – seu namorado não te amava e pessoas como ele é melhor que se afaste.
      2 – tratamento com antidepressivos não havendo quadro de melhora deve se trocar de remédio, hoje há exames de sangue que comprovam sua eficiência no corpo, face seu estado de tristeza que dificulta notar atuação do remédio.
      3 – essa auto sentença deveria visar nova condição de vida mais cuidados e com o passar do tempo essa nova fase deve ser encarada como um tratamento de diabetes ( vc sabe que tem mas cuida e leva uma vida normal)
      4 – o fator mais importante é aceitar essa condição ou seja digerir o assunto cada pessoa tem seu tempo pra isso.
      5 – voltar aos poucos a saír de casa cinema teatro fazer testes com vc mesmo pra ter auto confiança de volta.
      6 – permitir se relacionar e ter amigos
      7 – olhar no espelho e fazer uma auto análise quem sou o que sou o que desejo de melhora ?identificar os pontos positivos que pelo que percebi são vários.
      8 – independente do credo, religião e algo que nos abranda nutre e revigora.
      9 – sou – mais já tive 4 parceiros positivos e pude acompanhar um a um até poderem trilhar essa nova etapa. Acompanho de perto pois tem 4 dias que meu namorado descobriu ser portador ele está desorientado estou junto com ele desde a abertura dos exames e ter alguém para dar a.mão e um colo ameniza um pouco.
      10 – gostaria de manter contato contigo pra te ouvir ajudar a até mesmo dar um abraço.

      • POSITIVIDADE SEMPRE diz

        Tiago Baptista você tem Kik ? Se você tiver KIK me adiciona ai vidaquesesegue um forte Abraço.

      • tiago, obrigado pela reflexão e palavras de apoio, é aquela velha montanha russa, tem dias q estamos nos sentindo melhor outros dias entramos no declive novamente, torcer para que os dias melhores se tornem mais frequentes. Abraco e mais uma vez obrigado

  11. Mike diz

    Ola, pessoas.

    Primeira vez que escrevo e o faço agora, para me tranquilizar, apensar de ser leitor do blog desde que descobri minha sorologia, há pouco mais de um ano. Desde que comecei a tomar ARV, em fev/2015, todos meus exames [que faço a cada quatro meses] sempre deram carga carga viral indetectável. Pois agora, em fev/16 o exame que fiz aponta uma carva viral de 83 cópias. Já li sobre os blips e conversei com meu infecto a respeito na última consulta, mas deu um certo frio na barriga ler no exame algo diferente de “indetectável”. Ainda não voltei ao meu infecto após esse último exame, pretendo fazê-lo na próxima semana, mas até lá, eu gostaria de ter, se possível, uma palavrinha de apoio, pra me tranquilizar, já q foi o primeiro exame que detectou cópias do vírus desde que comecei o tratamento.O CD-4, esse continua subindo. de 539 no penúltimo exame, em outubro, para 649 no exame mais recente.

    Abraço a todos.

  12. Rafa>> diz

    Olá, bom dia.
    Descobri a pouco tempo minha sorologia e adoraria conversar com alguém que tem sobre o assunto. Já iniciei o tratamento, tive bastante informação sobre como é viver com o HIV. Mas sabe como é, né? Conversar com alguém que está na mesma pele que eu é diferente. Quero alimentar mais minha esperança, tenho sede de viver muito muito muito.

    • Claudio Goss diz

      Meu amigo , não perca a esperança não se desespere, descobri o HIV tem 3 meses, pouco mais de um mês de tratamento e tenho me sentido ótimo. Querendo contato mande mensagem que passo skype ou Face. A vida continua e não a pararemos por causa disso ! Aguardemos a cura com força, confiantes, logo teremos o tratamento definitivo. Fé !

    • Edy diz

      Ola Rafa concordo com vc é bom agente conversar com alguem que ja passou ou esta passando pelas mesmas coisas se precisar conversar entra no meu e-mail edioedipo@yahoo.com se vc poder pode me add no whatzap amigos sempre é bem vindo 11 984534018 e boa sorte na sua caminhada vai haver muitas pedras e buracos mais nada que muita fé e força de vencer não o impeça

  13. Leo diz

    Oi Gente, alguem poderia só me dar uma informação? Comecei a TARV sexta. Estou tomando de manhã, até ai tudo bem. Só que hoje ao invés de tomar as 7( eu nao acordei) e tomei ás 10. Quero saber se eu errei, tomei de barriga vazia. me ajudem

    • Gustavo diz

      Relaxa, Leo. Nao tem problema algum trocar o horário algum dia, por eventual descuido. O importante é não deixar de tomar diariamente. Eu tomo sempre antes de dormir, mas um dia esqueci e tomei quando acordei. No começo do tratamento meu infecto chegou a dizer que se eu pudesse tomasse em jejum. Mas já conversei com o profissional de farmácia que me entrega mensalmente o antirretroviral e ela me disse que não precisa necessariamente ser em jejum. O importante é não deixar de tomar.

  14. Rafa>> diz

    Olá pessoal, bom dia.
    Descobri faz pouco tempo e adoraria conversar com alguém sobre. Já iniciei o tratamento e tenho dúvidas sobre o CD4, drogas, entre outros. Bom, estou naqueles dias de luto e conversar com pessoas que já superaram alimenta ainda mais minha esperança. Obrigado.

  15. stark diz

    olá pessoal, peguei meu segundo resultado dos exames. CV indetectável e CD4 de 984, o que me preocupa é que todos os resultados do hemograma, e inclusive plaquetas, são menores do que o primeiro resultado. só percebi agora, isso é normal? e se continuar caindo os números? estou preocupado. obrigado.

  16. Fernandinha diz

    Olá, boa noite!

    É minha primeira vez aqui e é super bacana conhecer um pouco da história de cada um de vocês, aprender e sanar dúvidas sobre o HIV.
    Fui contaminada em fevereiro de 2015 e, após descobrir o verdadeiro carácter do homem que me contaminou, fiz o exame em 24/04/2015 (sem imaginar a possibilidade de dar reagente) e descobrir dia 25/04/2015. Claro, foi um super choque! A princípio eu não acreditava, mas até que tenho encarado melhor do que eu poderia imaginar.
    O primeiro exame para saber como estava o vírus realizei no dia 04/05/2015 com o resultado CD4 494mm³, CD8 883mm³ e carga viral 20.890 cópias/ml e dia 08/05/2015 já iniciei o tratamento, eu exigir ao infectologista o início imediato, com o 3×1. Efeitos colaterais? Só no primeiro dia fiquei um pouco tonta (mas até hoje se eu não respeitar o período de pelo menos uma hora depois de comer para tomar o remédio ainda sinto tonteira) e em dezembro notei o aparecimento de uma mancha no meu rosto (tipo essas que as mulheres tem na gravidez), creio ser do remédio.
    Dia 10/08/2015 ,após 3 meses de tratamento, refiz os exames obtendo o seguinte resultado CD4 728mm³, CD8 804mm³ e carga viral indetectável. Em janeiro fiz novamente os exames CD4 855mm³, CD8 784mm³ e carga viral indetectável.
    Bem, só tenho que agradecer a Deus por ter descoberto tão precocemente o vírus e poder me tratar na fase saudável. Acho que isso deve ser importante, sei lá.
    Tenho muito apoio das 3 pessoas da minha família que sabem e 1 amiga. Falamos abertamente sobre isso de forma leve. Meu infectologista me aconselhou a não contar para mais ninguém, por causa do preconceito que eu poderia sofrer.
    Li aqui uma pessoa relacionando soropositivo com ser promíscuo e realmente pude perceber como tem gente com a mente pequena. Para essa pessoa digo: tive um relacionamento de 5 anos, estava há dois anos sozinha até conhecer esse cara que me contaminou e não creio que fui promíscua. Enfim, não importa! Bola pra frente!
    Tenho o cuidado de tomar o medicamento TODOS os dias, até hoje não falhei um dia sequer, mas fora isso não mudei nada na minha vida e realmente esqueço que sou soropositiva.
    Desejo à vocês força e fé, não deixe algo que não podemos ver mudarmos quem nós somos.
    Um beijo no coração de cada um.
    Fiquem com Deus.

    • LUTANDO SEMPRE diz

      Oi fernandinha tem um grupo no kik só de mulheres soropositivas vc gostaria de participar?? me adiciona ai vidaquesesegue um forte abraço…

      • Fernandinha diz

        Oi “LUTANDO SEMPRE”, Eu não sei o que é o “Kik”. Rsrs Como faço?

        • LUTANDO SEMPRE diz

          Você tem que baixar o aplicativo em seu celular esta disponivel no google paly chama KIK ai é só criar um usuário depois que criar vc pode procurar por mim vidaquesesegue… Um forte abraço.

        • LUTANDO SEMPRE diz

          Oi Fernandinha é só baixar o aplicativo no celular ele é parecido com o whatsapp porém não precisa colocar número de telefone foto. Ai vc cria um usuário e me procura lá vidaquesesegue..

          • Nah diz

            Olá! Tudo bem?
            Acompanho o blog e as trocas de ideias há um tempo e gostaria de participar do grupo. Eu vivo num relacionamento sorodiscordante, meu marido é soropositivo e eu não. Se eu puder conversar com vocês, agradeceria! Sinto falta de ter com quem conversar sobre nossa condição. Não por medo, mas para troca de experiências mesmo, já que em nosso círculo ninguém sabe. Acho válido e super positivo nos sentirmos inseridos num grupo e auxiliar um ao outro a ter uma vida feliz e tranquila. Beijos!

    • Kamila diz

      Meu caso é igual ao seu Fernandinha :/ É muito complicado pqe as pessoas associam o hiv a promiscuidade, fui contaminada pelo meu primeiro namorado com 16 anos e namoramos 2 anos

  17. Nando diz

    existe um grupo de SP capital que tem HIV no Kik….fiquei interessado em ter esse app, sou HIV desde 2011 e há 4 anos indetectável e desde então não consegui me relacionar com ninguém.
    abraços
    Nando

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