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Quando ocorre a maioria das transmissões?


Por Michael Carter em 5 de outubro de 2015 para o Aidsmap

Aidsmap

Grande parte das transmissões de HIV ocorrem durante a infecção recente ou em interrupções do tratamento antirretroviral, de acordo com o que foi relatado por pesquisadores suíços na revista Clinical Infectious Diseases. Em geral, 44% das transmissões foram associadas à infecção recente e 14% podiam ser atribuídas à interrupção do tratamento. Os autores acreditam que esses resultados representam um grande desafio para as estratégias de tratamento como prevenção (TasP, do inglês treatment as prevention).

“Os resultados indicam que medidas de tratamento como prevenção precisam ser acompanhadas de intervenções que abordem a continuidade do tratamento, adesão, acompanhamento médico, e, acima de tudo, o diagnóstico precoce”, comentam os pesquisadores.

Estudos anteriores demonstraram que entre 10% e 80% das transmissões são atribuíveis aos pacientes recentemente infectados com o vírus. Saber qual a proporção de transmissões durante a fase da infecção inicial é importante, especialmente levando em conta a ênfase que se tem dado ao tratamento como a prevenção do HIV.

Uma vez que a infecção recente está associada com uma carga viral muito elevada, os indivíduos em fase de infecção recente são, muitas vezes, altamente infecciosos. Afinal, uma elevada proporção desses pacientes não têm conhecimento do seu estado e, portanto, não podem se beneficiar da terapia antirretroviral. De fato, se uma elevada proporção de transmissões são originárias de indivíduos com infecção recente, o impacto do tratamento como prevenção na epidemia pode ser limitado.

Os pesquisadores do Swiss HIV Cohort Study realizaram uma análise retrospectiva das características genéticas de amostras de sangue armazenadas, obtidas de pacientes suíços com HIV. Usando uma técnica chamada análise filogenética, eles olharam para infecções com perfis genéticos semelhantes que eram passíveis de ser parte de um agrupamento de transmissão.

Um total de 19.604 sequências genéticas de aproximadamente 11.000 pacientes (59% dos participantes da coorte) foram analisadas. O ano de diagnóstico do HIV para os pacientes incluídos na análise variou entre 1984 a 2014. A maior parte (71%) eram homens, 77% eram brancos e 38% eram homens que fazem sexo com homens (HSH). A data de soroconversão para o HIV poderia ser estimada para 4.079 pacientes, e 82% destes indivíduos foram diagnosticados no primeiro ano após a soroconversão. Os pesquisadores identificaram entre 71 e 378 pares de transmissão. Cerca de dois terços (62% a 66%) envolviam HSH.

Definindo-se a infecção recente como dentro do primeiro ano após a infecção, a porcentagem média de transmissões atribuídas à infecção recente variou de um mínimo de 41% a um máximo de 44%. Usando seis meses desde a soroconversão como critério para a infecção recente, entre 28% a 42% das transmissões tiveram sua origem em pacientes com infecção recente.

Em seguida, os autores observaram as transmissões durante a fase de infecção crônica. Maior carga viral (p<0,001), menor contagem de CD4 (p=0,04) e mais tempo até o início do tratamento antirretroviral (p=0,005) foram associados com as transmissões.

Cerca de 54 dos 121 transmissores em fase crônica (54%) já tinham começado a terapia antirretroviral. Dados sobre a carga viral estavam disponíveis para 44 destes indivíduos, e pelo menos 35 apresentavam uma medição superior à 400 cópias/ml (a carga viral detectável mediana foi de 70.800 cópias/ml). Os autores sugerem outros nove pacientes poderiam representar pares de transmissão não-direta (por exemplo, com um transmissor intermediário), um falso positivo, ou a perda de uma medição de carga viral que estaria detectável.

“Esses indivíduos transmitiram brevemente antes ou brevemente após o início dos antirretrovirais.”

Dados adicionais foram obtidos para os 35 transmissores em fase de infecção crônica e com carga viral confirmada. Para 18 deles, a data estimada de transmissão era muito próximo da data em que a terapia antirretroviral foi iniciada. “Esses indivíduos transmitiram brevemente antes ou brevemente após o início dos antirretrovirais”, sugerem os autores.

Todos — exceto um dos outros 17 pacientes — tiveram documentada uma interrupção no tratamento antirretroviral. “No geral, estes resultados indicam que uma fração substancial das transmissões ocorreu durante a fase de infecção crônica — pelo menos 17 dos 121 (14%) e até 54 dos 121 (45%) — e logo após o início da terapia antirretroviral pelo transmissor”, comentam os pesquisadores. “Esta observação reforça a relevância das interrupções no tratamento e os períodos próximos ao início da terapia antirretroviral na transmissão do HIV.”

Os pesquisadores concluem: “o nosso trabalho destaca a alta porção de transmissões durante a fase de infecção recente e em casos de interrupção da terapia antirretroviral — dois grandes desafios para reduzir a incidência do HIV sob o tratamento como prevenção.”


Referência: Marzel A et al. HIV-1 transmission during recent infection and during treatment interruptions as major drivers of new infections in the Swiss HIV Cohort Study. Clin Infect Dis, online edition. DOI: 10.1093/cid/civ/732.
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61 comentários

  1. Ricardo - Guarulhos diz

    Realmente o texto traz um realidade, parece que antes do diagnóstico não temos a exata proporção dos cuidados e acabamos abrindo mão de algumas coisas. Eu mesmo, entrei em contato com o HIV em Fev/2014 e em Abril do mesmo ano (ainda sem saber do meu diagnóstico) acabei, acredito eu, transmitindo o vírus para uma outra pessoa através do sexo oral. Qdo comecei a sentir alguns sintomas me afastei desta pessoa. Falo isto pq eu descobri minha sorologia em Junho/14 e no começo deste ano esta mesma pessoa me mandou um e-mail “agradecendo” pelo presente que tinha dado para ele “para a vida toda”, nem respondi nada, afinal em algum lugar do passado ambos falharam. Infelizmente se eu soubesse mais sobre o assunto teria sido mais cauteloso, evitando adquiri e transmitir, deixaria de fazer algumas coisas. Mas agora já aconteceu, bobeira ficar chorando o leite derramado, ainda bem que hoje temos o medicamente como um grande aliado. Aqui vale aquela afamada frase: “A gente só fecha as portas depois que a casa foi assaltada.” Fato !

  2. farmacêutico diz

    Boa tarde!

    Faz algum tempos não entro aqui para fazer um comentário,mas hoje dando uma olhada nos blogs sobre o assunto que costumo ler , me depararei com o encerramento do blog prazeralexandre, não sei se todos aqui conheciam o blog mas era um dos mais antigos o blog refletia a visão particular de seu criador, uma pessoa que convive com o vírus a muito tempo,talvez tenha cansado deste mundo da internet, é uma pena , desejo a ele sorte e um forte abraço!

    • Alex diz

      Vi lá agora, ele apagou ou ocultou todas as postagens, por que não deixou? Por que será que acabou?

    • farmacêutico diz

      Bom dia !
      Para todos que gostam do Alexandre, do site prazeralexandre, hoje vi em seu site que ele esta mudando sua plataforma e o jeito do site, o novo endereço http://caicaradagema.blogspot.com.br/, fico feliz por ele.
      Desejo a ele boa sorte nesta nova jornada!!!

  3. Paciente e Otimista diz

    Boa Tarde Amigos…. estou triste e gostaria de saber se vcs já passaram por isso… fiz meu exame de CD 4 e carga viral, a carga viral continua indetectável mas o CD4 abaixo bastante ta em 507 estava em 890 pq será que isso acontece?

    • Amigo diz

      Paciente otimista ,eu também fiquei curioso pela razão dessa diminuição, vamos aguardar que alguém responda! Mais fique tranquilo ta! Forças amigo.

    • FG-PR diz

      Fica tranquilo, essas oscilações ocorrem o tempo todo, até o horário que é feita a coleta do sangue pode interferir. Eu mesmo fiz o último exame de baixou de 780 para 409, eu estava saindo de um resfriado, esperei 10 dias e refiz o exame e o resultado foi 798, no meu caso acredito que o resfriado interferiu. Mas o que realmente importa é estar indetectavel.

      • cariocarj diz

        Sim. Qualquer problema interfere no CD4. Resfriados, garganta inflamada, estresse entre outros o médico já me informou, é bom não realizar o exame com essas patologias no momento, esperar após e realizar o exame estando saudável.

  4. Alessandro diz

    Seu corpo está se recuperando, faz parte essas oscilações, demora um bom tempo até tudo estabilizar, tanto seu cd4 quanto a relação cd4/cd8 que seria meio que um “ajuste fino” no sistema imunológico. A propósito uma boa relação cd4/cd8 é contada a partir do valor 1.0, tbm estou em recuperação e a uns 4 meses atrás a minha relação ainda estava baixa, 0,45 se n me engano.

  5. Paciente e Otimista diz

    Obrigado pessoal pela força…. são obstáculos que a gente só vence com ajuda sincera de pessoas tão especiais como vcs!!!

    • Digo diz

      O CD4 é um marcador importante para acompanhamento clínico, mas não é um indicador definitivo. Tanto que os próprios protocolos atuais já indicam a diminuição de exames de CD4 quando a CV está sob controle. Antes eram feitos com mais frequências, mas os especialistas já concordam que ele traz mais estresse ao paciente, por causa das oscilações constantes, que benefícios para a terapia.
      Eu mesmo só faço CD4 duas vezes ao ano.

  6. Curioso diz

    O assunto me fez lembrar uma questão que as vezes penso sobre como foi meu contágio.

    Não sei se alguém aqui teria conhecimento para informar, mas antes de descobrir ter hiv eu tive uma relação desprotegida com uma pessoa, 30 dias depois eu fiz sexo desprotegido com outra pessoa tbm, 15 dias após esta segunda relação eu tive uma forte virose (incluindo rash, típicos sintomas da fase aguda do hiv) e imediatamente fiz o exame de hiv (fiz em um laboratório, não sei qual foi o método, mas não foi o teste rápido, foi um exame de sangue que demorou alguns dias para sair o resultado), que deu negativo (não reagente).

    Passado esse período, lendo sobre a janela imunológica fiquei preocupado e 3 meses depois do exame negativo eu fiz um outro exame que deu positivo.

    Minha dúvida é, é possível eu ter contraído o vírus na primeira relação citada? Achei estranho porque é a relação que acho que contraí o vírus, mas se for considerar que foi nessa relação que contraí, os sintomas da fase aguda do hiv apareceram somente 45 dias após, além do que nessa data o exame deu negativo, e pelo que já pesquisei de diversas fontes os sintomas da fase aguda aparecem entre 5 e 30 dias.

    • Curioso diz

      Sobre o exame que fiz negativo, vi agora que o método usado foi o quimioluminescencia.

      • Junior diz

        99% de probabilidade de q vc pegou o vírus no 2º contato, pois a infecção aguda dá entre o 7º ao 15º após o contágio. Tu fez o teste 15 dias após e deu negativo, normal. O organismo não fabricou anticorpos suficientes para a detecção. 90 dias após o contágio, sim, tempo suficiente para o teste.

        • Tati diz

          Os médicos dizem que em 30 dias todos os testes são eficientes, o site do ministério da saúde fala a mesma coisa, 30 dias, só queria entender tantas informações equivocadas, beiram o sadismo, num entendo viu affff

          • Tati, muitas vezes é informação desatualizada… com a evolução da tecnologia dos testes de HIV a janela imunológica foi reduzindo. Hoje é de 30 dias.

  7. Gregg diz

    Prezados,

    Acompanho o blog desde que descobri minha sorologia, em outubro de 2013. Foi um dos anos mais difíceis da minha vida em vários sentidos.
    Fui vítima de estupro em um sequestro relâmpago – estava ao telefone com meu companheiro quando, entrando no meu carro, fui abordado por 3 marginais. Me identificando como gay, fui espancado e violentado. Me deixaram nas margens de uma rodovia e fugiram com meu carro. Por vergonha, não contei que havia sido violentado sexualmente, e não me dei a chance de tentar a profilaxia.

    dois meses depois fiz o exame, e confirmei minhas suspeitas. Havia sido contaminado.

    Mas sou muito privilegiado. Tenho amigos e um parceiro maravilhoso, que é meu porto seguro, e me deu todo o apoio e acolhimento que precisei. Me lembra todos os dias da medicação, vai comigo às consultas, buscou toda a informação.

    Em menos de 3 meses minha carga viral se tornou indetectavel e o CD4 Sempre se manteve acima de 1.100. Meu infectologista diz que tenho um dos melhores quadros clínicos de todos os seus pacientes.

    Agradeço a Deus e a vocês, Jovem e leitores, pelo carinho e apoio anônimo. Um grande abraço!!!

    • Alex diz

      Que bom, bom saber tbm que seu companheiro ficou com vc, vc iniciou os remédios logo após o tratamento? Naquela época já permitiam tomar remédio quando o cd4 estava alto?

  8. Lucas diz

    Bom dia pessoal, estou no meu segundo dia de medicação, oq mais incomoda é essa tontura e essa sensação de como se vc estivesse bêbado, espero que passe logo pois é muito chato trabalhar assim.

    • Recente diz

      Fui diagnosticado ontem, fui fazer exames rotineiros para fazer um intercâmbio e descobri que sou soropositivo, no entanto, acredito que Deus está me fortalecendo, sempre disse que se um dia eu tivesse HIV me mataria. Hoje, diante está situação estou muito calmo. Estou aguardando um retorno para fazer exame da carga viral e CD4. Minha esperança é eu estar bem e ainda dar tempo de fazer o intercâmbio, médico disse que dependendo do resultado poderei ir, desde que faça um bom seguro de vida e faça o controle do CD4 lá nos EUA, e se ocorrer aa piora durante o período do intercambioeu voltar para o Brasil ou buscar ONGs nos EUA. Enfim, ainda tenho esperança de realizar meu sonho de fazer intercâmbio, mas a saúde deve sempre vir em primeiro lugar!

    • Gutan diz

      Lucas,
      Também tomo o 3×1 e no começo é assim msm, depois melhora. Evita tomar o remédio com o estômago vazio. No meu caso, com 12 dias tive uma ligeira alergia, que foi eliminada com antialérgico. Em um ano e meio sob medicação vida totalmente normal e zero de efeitos. Boa sorte!

    • Notini diz

      Lucas,

      Essa tontura costuma passar na primeira semana de medicação. Tomo a medicação a 8 meses e não sinto mais nada. Fica tranquilo que vai dá certo você 🙂 Abçs

      • Dinho diz

        O olho amarelo volta ao normal? Tá foda todos me perguntando o porquê de estar com olhos amarelos… Não pude iniciar o tratamento com o 3×1. Minha médica passou o atazanavir/norvir… Mas esse colateral, o único, tá crítico…

  9. Carlos diz

    Curioso
    Creio que se o contágio fosse da primeira relação, o exame teria dado positivo da primeira vez. Você fez o exame na fase aguda, onde o corpo ainda não produziu anticorpos, que são o que a maioria dos exames identifica. Mas converse com seu médico, é o mais indicado…

  10. Matheus diz

    Lucas fica calmo…esses sintomas vão passar…é assim quase com todo mundo q inicia com o 3×1.

  11. Matheus diz

    Curioso a maioria dos teste feitos são de terceira geração que com 30 dias já confirma a presença do vírus…e se for de quarta geração esse prazo cai para 22 dias…provavelmente vc contraiu o vírus na segunda relação…onde apresentou sintomas da fase aguda(geramente 5 a 30 dias após a exposição).

  12. Hans diz

    Gente, fiz sexo sem camisinha e 33 dias dps fizvum Teste rápido no CTA e deu não reagente. Agora já faz 2 meses q tranzei sem camisinha com essa pessoa!
    Não tive nenhum sintoma de fase aguda!
    Queria saber de vcs qual é a porcentagem de pessoas que quando exposta ao vírus vai ter a fase aguda, se é 30%, 40% ou 90% como já vi em algum sites. Preciso fazer outro teste pra ter certeza e se uma pessoa q contrai o vírus e não tem fase aguda, quer dizer q ela vai ser mais resistente??
    Mas eu to bem tranquilo dps de ler todos os relatos de vcs, ter HIV não é um mar de rosas, mas tbm não é o fim do mundo!
    Foda mesmo é quem não se testa e não descobre a tempo de trata!
    Parabéns a todos vcs que se tratam e tem mais saúde do que muitas pessoas soronegativas pensam que tem!

    • Leão diz

      Existem sites que afirmam o seguinte: 75% das pessoas tem sintomas durante a fase aguda. Bom, eu não tive sintoma algum e meu hemograma é bem normal. Isso mostra o quanto o vírus pode ser traiçoeiro. Existem teste mais precisos que já conseguem identificar a presença de anticorpos no sangue ou até mesmo o vírus ( o exame que procura pelo vírus é bem mais caro). Tudo isso vai depender da geração do ELISA que estão utilizando para testagem. Se você precisa de mais precisão quanto a seus resultados, sugiro que aguarde 60 dias contando a partir da data de exposição e faça um novo teste.
      Durante esse período de espera tente se tranquilizar, afinal de contas sofrer por antecedência pode te trazer outras complicações.

  13. Gui diz

    Em torno de 80% das pessoas tem alguma sintoma da fase aguda. Após a exposição, espere 30 dias para fazer o teste. E procure SEMPRE usar preservativo nas suas relações sexuais.

  14. Gil diz

    Toda esta conversa me deixou muito tenso… porque minha esposa fez o teste logo depois que eu descobri, cerca de 4 meses depois da minha infecção, através do ELISA, 4a geração. Deu negativo. Minha infecto disse que ela deve continuar fazendo outras vezes, porque nem sempre dá positivo e a pessoa já está contaminada. Sei que quanto mais cedo, mais fácil de tratar e não deixar a doença se desenvolver.
    Minha esposa não tem sintoma algum de doenças. Não teve nada parecido com rush, como eu tive, depois de 15 dias de infecção.
    Agora, pedi que ela fizesse. Ela não tinha medo, me deu forças, me ergueu, é otimista, racional. Mas eu a vi meio reticente de ir fazer, parece que a ficha caiu. Ela vai fazer, é lógico, porque somos conscientes dessa necessidade. Mas senti o medo no seu olhar e fiquei muito, muito mal, porque minha culpa será tê-la contaminado. Não descuidei, minha infecção foi proposital (criminosa) por mais que muitos aqui duvidem, consegui provar. Mas me sentirei muito mal de ter de conviver com esta situação, de tê-la contaminado, se der positivo.

    • Triste + diz

      Oi Gil boa noite. Não consigo aceitar de forma alguma essa sorologia pq a minha tbm foi proposital, foi um crime como vc mesmo escreveu. Nunca me descuidei, sempre fui precavido em tudo, mais infelizmente nem sempre o mundo é composto por pessoas de boas índoles. Força camarada. Deus está com vc e sua família.
      Abraços.

  15. Gil diz

    Fiquei triste com a saída do ar do blog do Alexandre. Será que ele está com saúde?
    Será que ele conseguiu emprego e está bem ocupado?
    Espero que sim, eu o admiro muito.

  16. Hans diz

    Leão, há quanto tempo vc foi diagnósticado?
    Qual os remédios q vc toma?
    E se vc não teve sintomas, como vc desconfiou a ponto de fazer o teste?

    • Leão diz

      Hans,
      Fui diagnosticado há 2 meses e desde então sob nova recomendação da OMS eu já faço uso do 3 em 1. Eu fui vítima de um assalto quando voltava para casa após a faculdade.
      A cidade que eu moro se tornou muito violenta nos últimos 5 anos. Durante o assalto me pediram dinheiro eu entreguei a carteira, então retiraram só cartões e cédulas jogando o resto no chão. Quando me pediram o celular eu disse que estava na mochila e puxei ela para retirar o aparelho, foi quando confundiram com alguma arma e eu levei 4 cortes seguidos de agressão. Dois no braço esquerdo e mais dois um pouco mais profundos na barriga. No mesmo dia minha mãe me levou ao pronto socorre e saí de lá com alguns pontos, vacina contra tétano e outras doenças. Era uma sexta feira. Na segunda fui com uma amiga até o CTA, fizeram teste rápido, deu negativo e me disseram que não poderia retirar remédios pelo SUS uma vez que fui vítima de assalto sem abuso sexual e não fazia parte de um grupo de risco da profissão como enfermeiros. Eu deveria ter mentido… deveria ter dito que tive contato sexual… Estava cheio de curativos pelo corpo… Voltei para casa e rezei… Nunca mais tive coragem de voltar e refazer o teste em 30 dias como me foi recomendado.
      Só depois de 4 meses, quando iniciei um novo relacionamento amoroso foi que tive coragem de fazer uma geral. Foram encontrados bactérias no meu antibiograma, valor para hepatite B um pouco alto, mas ainda não reagente, o valor era de 5,1 para uma escala em que 10,0 seria reagente e reagente para HIV. Repeti o exame em outro laboratório e deu a mesma coisa. Tive sorte por receber apoio de quem estou namorando até hoje. Mas ainda não contei a meus pais. Principalmente a minha mãe que viveu por 3 anos com depressão.
      Hoje eu tento não me prender mais a forma como contraí, pois lembro de toda violência, o rosto dos três rapazes ainda são fantasmas vivos pra mim. Passei 1 semana inteira tendo pesadelos logo após o assalto. A cada ligação da polícia no meu celular eu tremia, cheguei a ser chamado duas vezes para reconhecimento, mas não eram eles.
      Tenho mais maturidade nos dias atuais e sinceramente, espero que os prendam, mas eu não quero ver aqueles rostos outra vez. Só consegui me livrar porque um grupo de pessoas voltando para casa me socorreu. Ainda lembro que os 5 primeiros dias foram terríveis… Chorei muito me sentindo sujo e me perguntando qual a razão disso tudo ser comigo.
      Agora eu busco fé em mim mesmo para superar e continuar o meu sonho. Só tenho 26 anos e muita vida pela frente.

      • Paulo diz

        Leão, li e reli seu post e não entendi como vc foi contaminado…Foi pelos cortes? Mas de que maneira?Abraço

        • Leão diz

          Exatamente Paulo. Como já dito, eu levei 4 cortes. Os do braço não foram tão profundos, mas os da barriga foram sim. Eu não quero julgar ninguém, mas é meio impossível na minha situação… Acho que os rapazes eram usuários de drogas, ou já haviam cometido outro assalto anteriormente seguido de corte também. Foram algumas explicações que busquei sozinho tentando entender essa conta contaminação. Quando aconteceu o assalto faziam poucos meses que terminei um antigo relacionamento. Sempre faço uma bateria de exames incluindo HIV. 45 dias antes da fatalidade eu recebi resultado de exames de sangue, HIV negativo, Hepatite B com valores menores que 2 (para resultado reagente deve ser >10). Fiz teste rápido no CTA logo após os cortes e também deu negativo. Só quando me apaixonei novamente 4 meses depois da violência, foi que tive coragem de repetir o exame no CTA e também porque fui questionado neste novo relacionamento o motivo de evitar sexo. Foi então que eu li o resultado REAGENTE. Procurei laboratórios particulares pra fazer novamente o exame e outros mais. Foi quando descobri que além do HIV existia uma bactéria crescendo em mim, detectada pelo antibiograma, valores altos para Hepatite B, 5.1, mas ainda não reagente e claro, como já apontado no teste rápido, HIV reagente.
          Perdi o chão por alguns dias. Mas recebi total apoio de uma amiga e deste meu novo relacionamento.
          É muito difícil ainda, fazem pouco mais de dois meses. Sinto que cada dia é um novo desafio. Estou buscando forças para falar com meus pais, que não são pessoas tão esclarecidas como nós e ainda existe um agravante, minha mãe se recupera de uma forte depressão.

      • Confiante diz

        Olá! Pense assim, a vida nos prega peças… mas procure ver por outro prisma. Imagina aquelas pessoas saudáveis, casadas, tem filhos, uma familia linda, bem sucedidos na vida e de repente… pluft morrem, uns por assaltos, outros por desastres de carros, etc, etc, enfim, morre todo dia pessoas assim. E nós fomos agraciados pela vida em pelo menos continuarmos vivos, tomando nossos medicamentos e vivendo, estudando, trabalhando… pense assim, fomos premiados pela vida!

        • Leão diz

          Confiante,
          Hoje, eu penso exatamente assim meu amigo. Na verdade é uma grande sorte estar vivo, eu poderia facilmente morrer naquele assalto. Aquelas pessoas não tinham nada a perder. O sentimento que tenho é que tive uma segunda chance e sou muito grato a Deus ou aos Deuses (ninguém sabe qual crença é a certa). Sou jovem, continuo a minha faculdade e um dia terei filhos sim, caso não seja possível pelo método natural (SIM, eu acredito na cura), adotarei e todo meu amor lhes será oferecido. Tenho ainda mais sorte de receber o apoio dos poucos amigos que sabem e de quem namoro hoje. Vamos em frente guerreiro!

  17. Embriagado diz

    Gente, boa noite. Sei que devo perguntar ao meu infectologista o que irei perguntar aqui, mas talvez por vivência e experiência com o HIV vocês possam sanar a minha dúvida.
    Gostaria de saber se posso praticar exercícios como uma pessoa soronegativa? Se tenho limitações por conta do HIV e se terei dificuldades em crescimento muscular por causa também do vírus.
    Tomo o remédio há um mês e duas semanas, sem efeitos colaterais drásticos além da tontura normal do 3 em 1 é assintomático desde sempre.
    Grato!

    • Ombro Amigo diz

      Embriagado, seguindo o tratamento regularmente, você pode ter uma vida completamente normal como qualquer pessoa, incluindo atividades físicas com soronegativos e um crescimento muscular normal. Grande prova disso é o Magic Johnson, que mesmo sendo portador do vírus, competia no basquete profissional.

  18. Embriagado diz

    Gil e Triste+, acredito que meu caso de infecção também tenha sido proposital uma vez que nunca me descuidei. Quando falo pra minha infectologista, ela me diz que a probabilidade de ter sido por via oral é maior que através de algum criminoso. Eu, honestamente, não acredito nisso.

  19. Recente diz

    Alguém tem um grupo para conversar? Email? Skype? Preciso conversar sobre isso. Como disse fui diagnóstico e hj faz 2 dias apenas. Tenho dúvidas sobre os remedios, sobre qualidade de vida, enfim, vai ser tudo novo na minha vida agora. Criei um email pra eu comunicar soropositivo@outlook.com.br quem estiver disposto pode mandar email. Abraço

  20. Rick diz

    Minha gente alguém aqui tem uma relação sorodiscordante? Sendo indetectável há muito tempo? Alguém poderia me ajudar? Tenho medo dessa questão de indetectável não transmitir… Sei lá… Abraço a todos!

  21. Pedro diz

    Olá, tomo medicação há 6 meses e até hoje nao consegui parar de beber bebidas alcoólicas.
    Gostaria de ouvir relato de vocês sobre isso.

  22. Leo diz

    Olá, gostaria de partilhar uma experiência com vocês. Vivo em um relacionamento sorodiscordante em que eu sou positivo e meu namorado negativo. Isso já fazem 2 anos. Moro em uma grande capital e meus pais em outro estado. Ninguém da minha família sabe da minha sorologia. Ontem eu estava desenvolvendo uma sinusite que estava me deixando com muita febre, e eu não tinha nenhum remédio para tomar aqui em casa pois não me atento muito a isso. No meio da noite eu tremia que nem vara verde, foi quando vi meu namorado acendendo a luz e indo na cozinha. Nisso ele volta com compressas de água fria para baixar a febre e esperar amanhecer para irmos ao médico. Sinceramente eu nem sei se isso é eficaz mesmo, porém quando eu vi a atitude do meu companheiro negativo em querer aliviar a minha febre eu desabei em chorar que nem uma criança. Chorei de soluçar. Por acreditar que eu nunca seria amado de novo, por “expô-lo” a essa situação. É muito difícil manter esse segredo sozinho. No fim ouvir um “eu te amo”, é o gás que me encoraja nos dias difíceis. Acreditar que eu posso ser amado do jeito que sou me confirma a fé nas pessoas. De manhã fomos ao médico, estou medicado e vim pra casa. Meu namorado foi trabalhar. Enfim, que não percamos a esperança no amor e em dias melhores, pois pessoas boas existem em todos os lugares. Abraços.

    • Rick diz

      Oiii que legal sua história, torço por sua felicidade ( sorodiscordante mas vcs usam camisinha? me desculpa a indiscrição…) Tenho uma história mais ou menos parecida… Abraço!

  23. Jr Santos diz

    Boa tarde pessoal, gostaria da ajuda de vcs. Estou num relacionamento há 8 meses e descobri recentemente por acaso que ele é +. Ele me falou que ja vem tomando remédio há um bom tempo e que sua carga viral é indetectável. Falando que não teria riscos de eu estar contaminado. Isso procede meus queridos????

    • Rick diz

      Procede… Mas vcs usavam camisinha? Como foi sua reação ao descobrir? Mas existe sim risco viu! Baixíssimo mas existe! Grande abraço! Isso é muito complicado porque tipo assim a pessoa toma os remédios direitinho mas de repente sua carga viral pode subir entre um exame e outro… e vc não vai saber correndo assim o risco de transmissão, mas eu confio que isso não aconteça! Transo com meu namorado sem camisinha e sou indetectável há quase três anos! Abraço! Saúde a vcs!

  24. Francis Olive. diz

    Ola gente estou soropositivo a mais ou menos 4 meses, aceitei bem o fato de estar infectado; a uns 10 dias comecei o tratamento , ate então ia tudo bem fora as tonturas a insônia angustia, agora apareceu umas elegias, como se fosse uma intoxicação, a meu deus ia tudo tão bem ate que isso apareceu me deixando preocupado, além disso não tive uma boa noite de sono, passei a noite agitado, inquieto e com insônia uma angustia me bateu no peito ontem a noite. Fui ao medico aqui em minha cidade e ele entrou em contato com o medico que me acompanha que e em outra cidade, passou uns remédios e tou usando; por favor alguém me diga ate quando essas contra indicações do medicamento vai acontecer, será que um dia vai para definitivamente?

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