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Um sonho impossível agora é promissor

Por Mary Engel para Fred Hutch News Service em 13 de agosto de 2015
Hope for a Cure

Na segunda Conferência sobre Células e Terapia Genética para a Cura do HIV que aconteceu no Fred Hutchinson Cancer Research Center, cientistas e ativistas tem um otimismo cauteloso diante da cura (de qualquer tipo) em um futuro não muito distante. (Ilustração de Kimberly Carney)

“Tome seus remédios e se cuide”, disse Jeff Sheehy — um experiente ativista do movimento civil LGBT de São Francisco — a um jovem de 23 anos de idade, que tinha acabado de receber seu diagnóstico positivo para o HIV. “Como um homem gay, você tem muitas possibilidades. Você pode ser casar. Pode ter uma família. Quando eu tinha sua idade, isso não era possível.” Ele também disse ao jovem: “Nós vamos poder curar você do HIV. Em seu tempo de vida, você será curado.”

Jeff Sheehy

Jeff Sheehy: ativista do movimento civil LGBT de São Francisco e de HIV/aids.

Sheehy, hoje com 58 anos de idade, não era tão esperançoso quando recebeu seu próprio diagnóstico, em março de 1997. “Naquela altura, eu torcia para que conseguisse sobreviver”, disse ele, durante uma entrevista por telefone, a partir de sua casa, em São Francisco, pouco antes de seguir para Seattle, onde participaria da Conferência sobre Terapia Celular e Genética para a Cura do HIV, que aconteceu nos dias 13 e 14 de agosto no Fred Hutchinson Cancer Research Center.

Seu diagnóstico se deu oito meses depois de estudos mostrarem que a combinação de antirretrovirais era capaz de controlar o HIV. O coquetel de medicamentos acabou por se tornar um dos maiores sucessos da medicina, transformando infecções como a de Sheehy, antes uma sentença de morte, em uma doença crônica e administrável.

A cura do HIV — que há menos de uma década era considerada tão improvável que sequer era candidata à pesquisas — hoje é o foco de uma conferência que atrai ativistas, estudantes e muitos dos principais cientistas que pesquisam o HIV. Entre eles, o Dr. David Baltimore, laureado Nobel que fez importantes contribuições para as pesquisas do câncer e do HIV e hoje trabalha no desenvolvimento de terapias de cura para ambos.

“Sendo realista: a cura vai demorar.”

Sheehy acredita que a cura pode chegar durante a vida do jovem recém diagnosticado. Mas ele é mais reticente quando se refere a si mesmo. “A ciência é animadora. O trabalho é gigantesco. A meta é viável”, ele diz. “Mas, sendo realista: a cura vai demorar.”

Timothy Ray Brown: a prova de que a cura é possível

B altimore, presidente emérito do Instituto de Tecnologia da Califórnia, abriu a conferência na última quarta-feira, 12 de agosto, à noite, com uma apresentação para uma plateia cheia de ativistas — entre eles, Timothy Ray Brown, que motivou diversas pesquisas depois te ter se tornado a única pessoa considerada curada do HIV.

Timothy Ray Brown

Timothy Ray Brown, a única pessoa considerada curada do HIV.

A primeira cura não foi fácil. Nascido em Seattle, Brown recebeu um transplante de células-tronco em Berlim, em 2007, para tratar leucemia mieloide aguda. Seu médico, o alemão Dr. Gero Hütter, decidiu tentar curar também a infecção pelo HIV de seu paciente, usando células de um doador que trazia duas cópias de uma mutação genética conhecida por oferecer resistência natural ao vírus. Desde o transplante, Brown não toma mais antirretrovirais.

As tentativas de replicar essa cura em dois pacientes soropositivos que sofriam de leucemia não chegaram aos mesmos resultados, em parte porque muitos dos pacientes morreram em decorrência do câncer ou do próprio transplante, antes que fosse possível determinar se o HIV havia desaparecido. Médicos concordam que o transplante de células tronco só é apropriado para pessoas portadoras do HIV que estão diante de um câncer que oferece risco de vida.

defeatHIV

Ainda assim, o caso de Brown, publicado no New England Journal of Medicine em 2009, mostrou que a cura é possível. Baltimore e outros cientistas, incluindo pesquisadores do consórcio defeatHIV, estão usando a cura de Brown como modelo para uma nova terapia que retira as células do próprio indivíduo infectado e então nocauteia ou desativa um gene, o CCR5, que funciona de porta para o HIV entrar nas células — imitando a genética daqueles que são naturalmente resistentes ao vírus –, antes de injetá-las de volta nos pacientes.

Times de cientistas estão pesquisando diferentes abordagens para alterar o CCR5. Alguns estão modificando as células T CD4 do sistema imune, que são alvo do HIV. Baltimore e o Dr. Hans-Peter Kiem, pesquisador de transplante de células tronco do Fred Hutch, estão trabalhando em modificar células tronco hematopoiéticas — as precursoras que geram todas as células especializadas do sangue e do sistema imune, incluindo as células T.

Kiem

Dr. Hans-Peter Kiem, oncologista e pesquisador de terapia celular e genética.

Kiem acaba de inaugurar um estudo clínico para pacientes que estão em quimioterapia para tratar linfoma relacionado à aids, um câncer comum em portadores do vírus que têm o sistema imune devastado em decorrência da infecção. Kiem vai coletar as células tronco dos pacientes, modificá-las para torná-las resistentes ao HIV para, então, injetá-las de volta, depois do último ciclo que de quimioterapia. O objetivo é fazer prosperar células resistentes ao HIV em número suficiente para montar uma resposta imune capaz de controlar o vírus sem a necessidade dos comprimidos diários.

Terapias celulares e genéticas já mostraram alguns benefícios intermediários. Um estudo clínico de 2010, feito em São Francisco, retirou, modificou e injetou novamente as células T num grupo de pessoas que eram capazes de controlar o vírus sem os medicamentos mas que estavam com o sistema imune enfraquecido. Como resultado, elas tiveram uma melhora duradoura, livrando-as de pneumonia e outras doenças oportunistas que os atormentavam regularmente. “Pode ser pouco, mas ainda vale”, observou Sheehy.

O que eles querem dizer quando falam em cura?

Quando a terapia antirretroviral foi introduzida, em 1996, muitos acreditavam que ela, sozinha, seria capaz de curar todo o mundo. Desde então, os cientistas aprenderam que os reservatórios latentes de células infectadas pelo HIV ainda se escondem no organismo, fora do alcance desses medicamentos. Basta interromper as pílulas diárias que o vírus volta com tudo.

Hoje, os cientistas falam em dois tipos de cura. A primeira — o Santo Graal das curas — é chamada de “cura esterilizante”, na qual o vírus é completamente erradicado do corpo. Acredita-se que este é o caso de Timothy Brown. Também fala-se da “cura funcional”, na qual o HIV latente continua no organismo, mas é mantido sob controle sem a necessidade medicamentos todos os dias.

Na última quarta-feira, durante a apresentação de Baltimore, Brown se levantou no meio da plateia para perguntar a posição do cientista diante da possibilidade de cura, e qual tipo de cura. “Eu gostaria de saber sua opinião: o HIV é curável?”, ele disse. “Eu acredito que você está curado”, respondeu Baltimore. No entanto, sobre a possibilidade da cura esterilizante ser aplicada mais amplamente, ele acrescentou: “Sou agnóstico.”

“A terapia genética pode ajudar a munir o sistema imune contra esse passageiro clandestino dentro do corpo e fazer voltar o relógio, para que o sistema imune fique tal como antes da infecção.”

Para a Dra. Paula Cannon, uma especialista em células tronco da Universidade do Sul da Califórnia que também se apresentou durante o evento, a cura funcional é suficiente, embora precise ir além da supressão do vírus sem a necessidade de uma pílula por dia. Segundo ela, a infecção pelo HIV é um ataque massivo contra o sistema imune e isso pode representar consequência ao longo da vida, mesmo sob antirretrovirais. “É isso o que a terapia celular e genética pode acrescentar”, ela disse. “Pode ajudar a munir o sistema imune contra esse passageiro clandestino dentro do corpo e fazer voltar o relógio, para que o sistema imune fique tal como antes da infecção. Podemos fazer isso com ou sem o vírus no organismo.”

Se você consegue curar o vírus, por que não fazê-lo?

Por que falar sobre a cura, qualquer que seja seu tipo, se a terapia antirretroviral é tão bem sucedida? Porque nem todos conseguem tolerar os medicamentos, nem todos têm acesso aos medicamentos ou a possibilidade de tomá-los regularmente. Mesmo nos Estados Unidos, menos de 40% das 1,2 milhão de pessoas infectadas pelo HIV estão sob tratamento antirretroviral e apenas 30% alcançaram a supressão viral, que leva à uma saúde melhor, vida mais longa e menos chance de transmissão do vírus, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Além disso, há o custo e o esforço de tratar pessoas com uma doença crônica para o resto de suas vidas. Por fim, mesmo aqueles com o HIV suprimido que estão, assim como Sheehy, sob antirretrovirais há anos, o vírus continua a causar danos, em decorrência da inflamação de base, que aumenta o risco de doença do coração e de câncer.


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78 comentários

    • Mansp32 diz

      Infelizmente vai, no fim das contas, desde q somos infectados ,por um erro “banal”, pois somos humanos, sofreremos pelo resto da vida com uma doença crônica,na qual por si só, trás as consequências dela e dos antiretrovirais.:(

      • PedroSC diz

        Descobri ha pouquíssimo tempo que estou infectado pelo vírus, em meio ao turbilhão que se tornou a minha vida, espero jamais perder as esperanças de que um dia todos estaremos livres da única doença que mata pelo preconceito. 😥

        • Lucas + diz

          Pedro,

          Só quero te dizer que vais ficar bem.

          Eu no início desse ano descobri que havia contraído o vírus, 19 anos, a um mês de completar 20 anos, um jovem universitário e sonhador, nada parecia mais ter sentido e, sabe o que aconteceu? Nada, pois é, aqui estou eu, ainda um jovem cheio de sonhos, a um ano de me formar, já indetectável, e com boa saúde. O preconceito existe e não devemos mentir sobre, mas precisamos nos aceitar, saber da nossa realidade, que afinal é igual a de todo mundo, cheia de lutas e conquistas,

          Meu amigo te desejo felicidades, sempre que precisar estamos aqui. 😉

          • PedroSC diz

            Lucas + muito obrigado pelas palavras. Espero ficar bem logo e poder falar com certa tranquilidade sobre. Paz e bem a todos nos

      • Rick diz

        Infelizmente também acho isso! Mas espero que estejamos enganados! E boas novas venham!

  1. DD+ diz

    Como já li por aki mesmo: a cura está dentro de nós. Deus é mais!

  2. gustavo diz

    Meio loko… ” a cura vai demorar” ” vc esta curado” rsrs continua mesma coisa… sem cura, rlcorremos sim riscos d doenças etc

      • Alessandro diz

        Estou totalmente convicto que até 2020 teremos a cura !! Jovem, quando vc descobriu sua sorologia, acredito que deva ter procurado bastante algo em relação a cura assim como eu e muitos aqui, e oque acha que mudou daquela data para a que estamos em relação a cura as notícias e etc?

        • Alessandro,

          Quando eu fui diagnosticado, Timothy Brown, o Paciente de Berlim, tinha acabado de ser curado. Nesse meio tempo, muita gente falou de outras curas, como os Pacientes de Boston, a Bebê do Mississippi, os pacientes da coorte Visconti… Quando isso tomou uma proporção muito grande e ganhou atenção na mídia, esclareceram melhor a definição entre remissão, cura esterilizante e cura funcional. Os pacientes de Boston e a Bebê no fim não estavam curados. Até onde se sabe hoje, só o Timothy.

          Hoje, vejo mais notícias sobre os reservatórios de vírus latente e nomes dos agentes estudados pra reverter a latência. Antes, parecia que os resultados dos estudos que indicassem que a cura era possível eram resultado de sorte. Agora, parece que é resultado de uma metodologia mais precisa. Acho que o discurso sobre a pesquisa da cura está muito mais claro. Os obstáculos até a possível cura estão muito melhor delineados.

      • Jotinha, quanto tempo!!! Que saudades do blog!! Preciso voltar a frequentar aqui …

        Por acaso você tem notícias do Barasa? Tenho saudades dele e de muitos outros frequentadores daqui .. muitos sumiram…

      • Salvador diz

        Que lindo esse video da amfaR. Uma baita injeção de ânimo. A contagem regressiva começou. Eu realmente acredito que somos a geração da cura. De uma “epidemy” para um “epic ending”. Aí vamos nós.

      • Brumo diz

        Que vídeo foda, JS!! Não teve como segurar as lágrimas kkk Vou parar pois nariz “entupido” ninguém merece kkk Muito obrigado por postá-lo, irmão. Abs.

    • Pedro diz

      Gustavo se você fizer o tratamento corretamente, se você se cuidar, alimentar bem, praticar esportes, ter uma pratica de sexo seguro, vc tera uma vida normal longe dos perigos das doenças comuns a pacientes soropositivos, você não esta livre de nenhum tipo de doeça, mas o fato de vc ter hiv não te torna mais vulneravel a partir do momento que vc manter o tratamento certo, se tornando indetectavel e seu cd4 elevado, bom assim penso eu

  3. DD+ diz

    “Em breve, poderemos controlar o HIV sem precisar tomar drogas diariamente”, diz cientista Frank Kirchhoff

    20/08/2015 – 14h45

    Diversos subtipos do vírus HIV podem causar a síndrome da imunodeficiência adquirida em humanos (aids), mas evidências científicas indicam que a pandemia que hoje afeta cerca de 35 milhões de pessoas no mundo esteja relacionada a um grupo viral específico: o HIV-1 M. Entender qual mecanismo evolutivo tornou essa linhagem tão mais bem-sucedida que as outras é o objetivo do cientista Frank Kirchhoff, diretor do Instituto de Virologia Molecular da Universidade de Ulm, na Alemanha. Para isso, há mais de duas décadas, ele vem comparando o HIV com vírus similares encontrados em macacos, a partir dos quais ele foi originado.
    O trabalho rendeu, em 2009, a indicação de Kirchhoff para o Prêmio Gottfried Wilheim Leibniz, considerado o Nobel alemão. Os vencedores recebem até € 2,5 milhões da Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG) para serem investidos em novos estudos ao longo de sete anos. Alguns dos principais resultados obtidos em suas investigações foram apresentados por Kirchhoff na palestra “Por que o HIV-1 foi capaz de causar a pandemia de aids?”, ministrada na sede da Fapesp no dia 17 de agosto .
    Segundo o pesquisador, o HIV-1 teria surgido em chimpanzés africanos ao sul de Camarões, há cerca de 10 mil anos, a partir de recombinações de vírus existentes em pequenos macacos, como os do gênero Cercopithecus. Dos chimpanzés, ele teria saltado para os gorilas e para os humanos. O fato de os grupos virais M, N, O e P apresentarem diferente distribuição geográfica no continente africano seria resultado de processos distintos e independentes de adaptação ao hospedeiro humano. Existe ainda o HIV-2, pouco comum e raramente encontrado em regiões fora do leste da África.
    Estima-se que o primeiro caso de transmissão de HIV-1 para humanos tenha ocorrido em 1920, na região do Congo, possivelmente para caçadores que tiveram contato com o sangue contaminado dos animais. O grupo M teria sido transmitido pela primeira vez por volta de 1940.
    Enquanto o HIV-1 P foi detectado em apenas dois indivíduos, o HIV-1 N infectou cerca de uma dezena de pessoas e, o HIV-1 O, milhares – praticamente todas na África. A explicação para o grupo M ter sido o único capaz de se tornar pandêmico, segundo Kirchhoff, está no fato de que somente ele é capaz de desarmar todas as defesas antivirais naturalmente encontradas no organismo humano.
    Em entrevista à Agência Fapesp, o pesquisador explicou quais são barreiras antivirais humanas e como o HIV-1 M conseguiu se tornar resistente a elas. Falou também sobre como aplicar o conhecimento dessas e de outras pesquisas que estão em andamento em novas estratégias de controle do vírus.
    Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
    Agência Fapesp – Por que somente o HIV-1 M se tornou pandêmico?
    Frank Kirchhoff – Ao longo de milhões de anos interagindo com retrovírus diversos, os humanos desenvolveram mecanismos de defesa antivirais. O problema é que o HIV-1 se tornou resistente a esses mecanismos, assim como a algumas drogas. Basicamente, o sucesso do HIV-1 do grupo M se deve ao fato de ser o único a ter desenvolvido fatores capazes de inativar todas as defesas humanas. Ele consegue se livrar de basicamente tudo o que lhe incomoda e que impede a infecção dentro da célula.
    Poderia citar exemplos?
    Um dos fatores antivirais humanos é a proteína TRIM5α ( tripartite motif-containing protein 5), que normalmente se liga ao capsídeo viral e o degrada. Mas a TRIM5α já não consegue mais se ligar ao HIV-1. Ela ainda é eficaz contra o SIV (vírus causador da imunodeficiência símia), mas não mais contra o vírus humano. Outro importante fator de restrição viral é a proteína APOBEC3G, que ataca o genoma do vírus e introduz tantas mutações que ele deixa de ser infeccioso. Mas o HIV-1 produz uma proteína chamada VIF ( virion infectivity fator), que consegue degradar a APOBEC3G e, dessa forma, aumentar drasticamente a patogenicidade do vírus. O HIV-1 conta ainda com a proteína VPU (viral protein U), que se liga à proteína humana teterina e induz sua degradação pelo proteassoma (complexo responsável por limpar a célula de proteínas danificadas). A teterina impede que o vírus, após usar o maquinário celular para se replicar, saia para infectar novas células. Os vírus do grupo M são os únicos que conseguem inativar de forma eficiente a teterina.
    Os outros grupos de HIV-1 continuam evoluindo. O senhor acredita que um dia podem se tornar tão perigosos quanto os do grupo M?
    Eles já são relativamente patogênicos. A grande diferença não é em relação à patogenicidade e sim quanto à sua capacidade de disseminação. As linhagens não pandêmicas já conseguem inativar a APOBEC3G e a TRIM5α, mas são menos eficazes contra a teterina. E nós pensamos que é justamente a teterina que impede a liberação do vírus nos fluidos corporais, como o sêmen ou o líquido vaginal. A teterina, no caso desses vírus não pandêmicos, talvez ainda consiga prevenir a transmissão de forma eficiente. No entanto, esta hipótese está baseada apenas em experimentos feitos in vitro, com culturas celulares. Ainda não foi provado em macacos ou humanos, mas penso que seja uma hipótese muito plausível.
    O conhecimento sobre o papel desses fatores virais e antivirais pode se traduzir em novas terapias ou estratégias de prevenção?
    É difícil dizer. Na teoria, há muitas formas de usar esse conhecimento, mas por razões éticas é difícil de implementar essas estratégias em humanos. Por exemplo, poderíamos modificar geneticamente os fatores antivirais de forma a deixá-los novamente ativos contra o HIV-1, mas isso significa manipular as células imunológicas humanas. Poderíamos manipular a TRIM5α humana ou a APOBEC3G. É tecnicamente possível, mas difícil de avaliar os riscos. Pode não afetar somente o alvo específico, mas também alvos secundários. Precisa ser muito bem avaliado em modelos animais e outros sistemas antes de sabermos se é uma abordagem segura. Houve um experimento no qual colocamos a proteína TRIM5α de macacos em gatos e eles ficaram completamente resistentes ao FIV (Vírus da Imunodeficiência Felina). Mas é uma tecnologia muito nova e é difícil prever se seria possível usá-la em humanos.
    Mas as proteínas virais como a VIF ou a VPU poderiam ser alvos de novos medicamentos?
    Elas são alvos, mas do ponto de vista farmacológico já existem outros alvos melhores. Penso que inibir o vírus, atualmente, não é o problema. Os inibidores da protease e da integrase fazem isso muito bem. Se você bloqueia a protease, mata completamente o vírus. Se você bloqueia a VPU, mata 90%. Então não é um alvo tão bom.
    Em um artigo publicado em 2010 na revista Science Translational Medicine o senhor descreveu um peptídeo encontrado no sangue humano que se mostrou promissor contra o HIV. Poderia contar como foi feita a pesquisa e como está o andamento?
    Tínhamos a hipótese de que, no sangue humano, poderia haver agentes capazes de afetar o HIV, então fizemos um screening. Testamos todos os pequenos peptídeos ou pequenas proteínas sanguíneas. Encontramos um fragmento muito pequeno de uma proteína chamada Alfa 1-antitripsina, presente em grandes quantidades, e observamos que ele bloqueia a entrada do vírus na célula. Para ocorrer a invasão, uma proteína existente no envelope viral penetra a membrana celular e funciona como mecanismo de ancoragem. O peptídeo que identificamos consegue se ligar a essa proteína viral e evitar que ela penetre na membrana celular. O peptídeo original não era muito ativo, mas fizemos algumas modificações e produzimos derivados 400 vezes mais potentes. Em colaboração com outros grupos, fizemos ensaios clínicos de fase 1 e conseguimos reduzir a carga viral em mais de 90%. Mas o problema é que, como é um peptídeo, a administração precisa ser intravenosa e são necessárias quantidades relativamente altas para o tratamento. Foi bem tolerado, não houve resistência cruzada com outros compostos, mas é um tratamento muito caro. É uma grande desvantagem não poder administrar por via oral.
    Ainda estão trabalhando para aperfeiçoar o composto?
    Sim. Agora estamos tentando gerar formas modificadas com maior estabilidade. Em colaboração com outros grupos, tentamos colocar o fármaco em nanopartículas. Na forma atual, não é um bom medicamento, mas penso que apresenta algumas vantagens que justificam o investimento. Primeiro porque tem um mecanismo diferente de todas as outras drogas hoje usadas contra o HIV e dificilmente haverá problema de resistência. Além disso, embora existam bons medicamentos contra o HIV, ainda há muitos outros vírus patogênicos para humanos que usam mecanismos similares de ancoragem e, se encontrarmos peptídeos com ação parecida com a da Alfa 1-antitripsina, poderia ser interessante para outras doenças.
    Caso consigam aperfeiçoar a droga para o combate ao HIV, a ideia seria usá-la junto com o coquetel atualmente prescrito?
    Sim, penso que a melhor estratégia é usar sempre de forma combinada e não a monoterapia. A resistência do vírus às drogas é ainda um grande problema. Não há muitas classes diferentes e as vezes o paciente é infectado com vírus multirresistentes. Nesses casos, esta seria uma arma ainda eficaz.
    O seu grupo também descreveu na revista Cell um fator existente no sêmen humano que favorece a infecção. Poderia contar como ele atua?
    A transmissão sexual do HIV nem sempre é eficiente e, por esse motivo, imaginamos que poderia haver no sêmen fatores inibitórios. O que fizemos foi separar todas as pequenas proteínas existentes no sêmen e olhar como cada uma delas afetava a capacidade infecciosa do HIV. Para nossa surpresa, não encontramos nenhum inibidor e sim um peptídeo que aumenta a capacidade de infecção. É um fragmento da proteína fosfatase ácida prostática (PAP, na sigla em inglês), que é secretada a partir da glândula da próstata. Esses fragmentos formam pequenas fibras amiloides com carga positiva. Normalmente, o vírus tem uma carga negativa. Como a superfície da célula também tem carga negativa, ela, geralmente, repele o vírus. Portanto, os vírus realmente têm dificuldade para se ligar às células. Essas fibras facilitam o processo. Podem aumentar em 100 mil vezes a capacidade de infecção.
    E essa descoberta pode abrir caminho para algum método de prevenir a transmissão?
    Sim. Algo inesperado é que atualmente usamos moléculas similares em terapias gênicas, pois nesses casos desejamos facilitar a infecção da célula por retrovírus. Nós também desenvolvemos agentes capazes de bloquear essa interação das fibras amiloides do sêmen com o HIV. Imaginamos que talvez essa inibição possa aumentar a eficácia de abordagens microbicidas [uso de compostos que, se ministrados no interior da vagina ou do reto, conseguem proteger o indivíduo contra diversas DSTs, inclusive o HIV], pois até agora elas não se mostraram bem-sucedidas. Uma das razões pelas quais não funcionam bem, possivelmente, é a presença dessas fibras. Por enquanto todos os testes com esses inibidores foram feitos in vitro, em modelos celulares. Os estudos com animais são muito caros e é difícil conseguir financiamento na Alemanha.
    O senhor acredita que algum dia os humanos conseguirão vencer a batalha contra o HIV?
    Já foi feito muito progresso. O número de casos novos de Aids e de infecções pelo HIV está caindo porque cada vez mais pessoas são tratadas. Mesmo na África. E penso que isso retarda o avanço do vírus. Não tenho certeza de que conseguiremos algum dia curar a infecção, mas penso que, no futuro, seremos capazes de controlar o vírus sem ter que tomar drogas diariamente. Estão surgindo drogas de longa duração, que só precisam ser tomadas com intervalos de meses. Isso será muito importante na África, onde muitos não têm condições de ir com frequência às clínicas.
    O senhor afirmou durante a palestra na Fapesp que considera a ampliação do tratamento mais importante para o controle do vírus do que uma vacina. Por quê?
    Com o tratamento adequado, a carga viral fica muito baixa e essa pessoa dificilmente vai transmitir o vírus para alguém. Penso que, atualmente, essa é a forma mais eficiente – além da camisinha – de evitar a transmissão do HIV. Se todos os portadores forem tratados, não transmitirão o vírus e isso será mais eficaz do que qualquer vacina que temos em vista até o momento.

    Fonte : Agência Fapesp
    http://agenciaaids.com.br/home/noticias/noticia_detalhe/23839#.VddmR7JVikp

    • Alexandre diz

      DD+, ele não disse “em breve poderemos controlar a infecção sem precisar tomar medicamentos diariamente”. Ele disse:” penso que, no futuro poderemos controlar…”
      Infelizmente ele acha que ainda vai demorar para chegar esse dia.

  4. Matheus diz

    No começo não havia tratamento…pessoas apenas esperavam a morte…depois surgiu o coquetel que no início o paciente tinha q tomar 54 comprimidos diários com terrivéis efeitos colaterais tirando assim sua qualidade de vida…hj em dia o tratamento se dá por 1 comprimido diário com pouco ou sem nenhum efeito colateral e o paciente vive normalmente…acredito que num futuro bastante próximo essa medicação vai ser semanal…depois mensal…depois trimestral…depois bimestral…anual e quem sabe não apareça uma cura funcional…

  5. Bruno diz

    Estava lendo as postagens e preciso dizer o quanto você, que faz este blog, é incrível. É necessário ser muito humano para tentar diminuir o drama e a aflição de outras pessoas. Tive um comportamento de risco, fiz o primeiro exame e o resultado foi negativo. Ainda estou no período da janela (23 dias do fato) e me sinto angustiado por não ter logo a certeza. Vi que é possível comprar um teste rápido em farmácias. Você aconselha esse teste? Ele é vendido em qualquer farmácia? Há algum nome especifico para ele?

  6. Cauã+ diz

    Notícias animadoras, no entanto, está na hora de algum dos estudos sair do estudo e avançar para a prática, seja cura funcional, ou esterilizante, até mesmo medicação semanal ou mensal com quase zero efeitos colaterais a médio ou longo prazo.

    Abraço!

    • Tonzinho diz

      Seria legal uma injeção tipo semanal ou semestral, anual rs… tipo vacina contra gripe.

  7. Digo diz

    O título é mais empolgante que o texto…rs.
    Lendo os comentários, me veio a seguinte dúvida:
    – Quais doenças são tratáveis com uso de medicamentos em grandes intervalos?
    Pergunto porque sempre vejo essa hipótese (medicação mensal, anual, etc), mas não me veio agora em mente nenhuma doença que é tratada assim…

    • Alexandre diz

      Leishmaniose, sífilis e em breve, HIV. Pro-140 tá na área! Se derrubar é pênalti! Sem falar o cabotegravir e a rilpivirina injetáveis.

      • Digo diz

        Alexandre, mas a Leishmaniose e a sífilis não são doenças curáveis? Pelo que entendi, o tratamento dessas doenças não necessita de doses periódicas de medicamento para controle, como seria se essa tese de medicação espaçada para o HIV se concretize.

  8. Beto diz

    Xii será que vai demorar quanto tempo?😕O importante é q as condições de tratamento sempre estão melhorando! 😊

  9. gustavo diz

    O fato q essa novela hiv ta um saco… nada e verdade, nada e certo…. tudo eestudo, baseado em algo, uma hora existe uma certeza de algo q nao passa e depois trasnfimite e por ae… sem saco… vivendo fingindo q n tenho nada e parando totalmente d ler sobre… VLw

  10. Beto diz

    O fato é que não podemos ficar triste com o parecer de um cientista, a final em 10 anos atrás nem havia possibilidades de cura e hj tem e pode ser q daqui uma semana descobrem e pronto!

  11. Triste + diz

    Quando tento me animar, achando que vai surgir logo algo para revolucionar, vem um balde de água fria e acaba com meus sonhos.

  12. Ricardo Guarulhos diz

    De fato o titulo é bem mais empolgante que o texto….mas tenhamos fé

  13. Lex diz

    Eu só penso na crise econômica e se vamos continuar recebendo nossos medicamentos certinho… Nessas horas eu gostaria de vê-los disponíveis nas farmácias pra vender..
    Isso, sim, me preocupa e tira meu sono.

    • Tonzinho diz

      Eu acho que estes medicamentos são prioridade para o governo. Senão pode causar muito mais gasto para este do que manter os remédios disponíveis. Imagina como vários positivos ficariam debilitados e usariam o SUS para tratar doenças graves. Economicamente não é viável para o governo parar com a distribuição.

    • PedroSC diz

      Prefiro nem pensar nessa hipótese, pois ja me apavoro. Não faço uso de medicação ainda, mas sou bem temeroso em relação a esta questao que vc levantou

    • Lex, não se preocupe !! Se isso acontecer certamente irão vender nas farmácias e aí é mais um motivo para os políticos lançarem uma nova bolsa e angariarem uns milhares de votos… o Bolsa ARV. 😛

  14. Tonzinho diz

    Oi galera, será que estou sendo enganado? No dia 30/08 que foi quando eu descobri minha sorologia, a mulher que me deu a notícia, disse que no posto não tinha mais vaga para tratamento. Marquei no convenio e com CV em 415.000 o medico não me passou nenhum tratamento. Ouvi dizer que tratamento é por lei IMEDIATO, e estou sendo ludibriado e tratado de forma incorreta pelo que percebo. O que está acontecendo, me digam o que fazer por favor. Já marquei outro médico, lembrando que uso CONVENIO.

    • Cezar diz

      Por que ele não passou o tratamento? O que o médico te disse,? Como estah seu cd4? Explique melhor

      • Tonzinho diz

        415.000 de cv e cd4 700. Não passou remédio, só exames para outubro, pois, segundo ele, vai baixar naturalmente a carga. Mas pra todo mundo que pergunto na net me dizem que já devia ter começado com o tratamento. To me sentindo mal com isso, enganado.

        • Cezar diz

          Teu CD 4 estah bom. Alguns meses atrás, o médico de fato apenas acompanharia a evolução do HIV, pq teu cd4 estah alto, acima de 500, o que eles consideram como normal, não havendo necessidade de começar a Tarv imediatamente. Soh que hj depois de alguns estudos (evitar inflamacao do seu corpo por conta da luta do seu sistema imunologico contra o vírus + impedir que o vírus forme reservatórios maior e de se esconder em ‘ santuários + tentar frear a epidemia + questão mercadológica) , a recomendação eh tratar todo mundo, mesmo aqueles com cd4 acima de 500 e fazer com que a carga viral fique ‘indetectavel’. Mas isso ainda varia de medico, apesar da recomendação. Alguns cientistas e médicos dizem que quanto mais cedo tratar, menor eh o reservatório e, no futuro, maior possibilidade de cura. Soh que aí entra os efeitos a médio e longo prazo do uso dos retrovirais.

    • MB+ diz

      Cezar,
      Perfeito na explicação é isso mesmo.

      Tonzinho,

      Primeiro não há uma lei que diga que os médicos devam iniciar o tratamento de imediato a todo soropositivo , mas sim recomendar o tratamento a todo soropositivo independente do numero do CD4 e CV como era antes.

      E outra o posto de saúde (SAE ou CTA) não pode simplesmente dispensar o paciente pelo motivo de não haver vagas , você foi encaminhado a outro? pois este deve ser o procedimento correto .

  15. D. diz

    Lendo e acompanhando as notícias sobre o assunto só consigo ter certeza de que muita coisa positiva ainda está por vir, acredito piamente na cura que virá por facilitadores no tratamento e melhores remédios que ainda estão por melhorar ou surgir, vai demorar mas não vejo a tão longo prazo assim e mesmo nesse longo período só teremos avanços nas medicações, o fato é já temos uma realidade fantásticamente positiva que não vai se retrair! É daqui pra melhor. Vou acompanhar e poder estar ao lado do meu grande amor q é soropositivo pra ver os avanços e a cura! Disso não tenho dúvidas.

  16. Paranaense no Rio diz

    “Inflamação de baixo nível que aumenta o risco de doença do coração e de câncer”… juro que fiquei bastante assustado com essa informação no final da matéria. Jovem, você poderia falar mais sobre esse risco, por gentileza?

    Saúde à todos.

  17. Joseph diz

    Achei essa notícia irrelevante. Não passou de uma mera opinião. A cura não é algo que pode ser previsto, ninguém fala assim “daqui uma semana já tem a cura” “daqui 50 anos”. Ela depende de estudos, não é da noite para o dia. E além de tudo, a generalização na notícia, eu achei ridícula: falando que mesmo em latência o vírus causa infecção. Não se tem capacidade para generalizar algo tão sério. Cada história é única. Cada organismo é único. A latência pode ser que dê probabilidade pra algo grave, mas em alguns casos, e depende do caso. Ainda é algo estudado. Isso falo com base em conversa com médicos e muita leitura. Esse tipo de notícia não me desmotiva, nem deve desmotivar ninguém!

  18. Beto diz

    Isso aí Joseph cada dia é uma coisa diferente não tem como dizer e ter certeza de nada!

  19. LC diz

    A certeza que tenho é que cura nenhuma interessa às farmacêuticas. Enquanto elas puderem nos encher de remédios, farão isso (ate pelo conformismo citado em “tome seus remédios e seja feliz” ou “portador tratado é bom porque não transmite, assim a gente abafa esse vírus nessa geração”. Institutos independentes, universidades e outros órgãos é que estão interessados em achar uma cura. Das grandes indústrias de fármacos só espero enriquecimento pra elas, um retorno do investimento.

  20. ¨”Por fim, mesmo aqueles com o HIV suprimido que estão, assim como Sheehy, sob antirretrovirais há anos, o vírus continua a causar danos, em decorrência da inflamação de base, que aumenta o risco de doença do coração e de câncer.”

    Que triste isso.

  21. Ainda sim Feliz diz

    Descobri meu status de HIV positivo há 2 semanas atrás. Fui em um médico público que me encaminhou para um Infectologista, no entanto, a consulta está marcada somente para daqui a duas semanas. Meu último exame negativo foi há dois anos, depois disso estive em situação de risco há 1 ano e 3 meses (deveria ter feito o exame pelo menos 6 meses após). O motivo por eu ter procurado um médico e ter feito o exame desta vez, foi por estar com uma dor de garganta que não sarava por 3 semanas além de ter alguns tipos de fungo no rosto parecido com caspa. Agora tenho tido algumas irritações na pele e tenho me sentido afadigado e febril em alguns momentos uns 37,6 graus. Estou com medo que o meu sistema imunológico esteja vulnerável e que eu contraia algo mais grave nesse período de duas semanas somado ao tempo que vai levar para eu fazer o exame de CD4 e carga viral e para começar o tratamento. Eu deveria insistir em uma assistência médica mais imediata?

    • Alex diz

      Como vc já deve ter pesquisado, atualmente o tratamento é sugerido de imediato, independente do cd4, porque pesquisam indicam que quanto mais cedo o tratamento melhor.
      Eu decidi pegar os remédios logo, marquei consulta com um médico infectologista particular e ele receitou, no mesmo dia peguei os remédios.
      Tbm tive alguns sintomas de imunidade baixa, durante esse período eu tentei fortalecer o sistema imunológico com meios naturais, como ingerindo vitaminas e extrato de própolis diluído em água, lembrando que esses meios não substituem o tratamento com antiretrovirais.

            • Pedro diz

              Ainda assim Feliz, mesmo que você insisti o medico só começa o tratamento a partir do momento que ele tem os resultados de carga viral e CD4 em mãos, é a partir dae que ele direciona o seu tratamento (ao menos foi assim comigo) penso que nesse período não há muito o que fazer a não ser esperar sua consulta, e vou ficar na torcida para que tudo de certo, se precisar trocar ideia meu e-mail é iphone33@bol.com.br

  22. M. diz

    ¨”Por fim, mesmo aqueles com o HIV suprimido que estão, assim como Sheehy, sob antirretrovirais há anos, o vírus continua a causar danos, em decorrência da inflamação de base, que aumenta o risco de doença do coração e de câncer.”

    Isso me entristeceu tbm 😦

  23. gustavo diz

    ¨”Por fim, mesmo aqueles com o HIV suprimido que estão, assim como Sheehy, sob antirretrovirais há anos, o vírus continua a causar danos, em decorrência da inflamação de base, que aumenta o risco de doença do coração e de câncer.”
    Acho q ja deu… apartir d agora n entro mais neste blog, n por ele em si, mas p n ter q ler estas coisas… queri fugir, fingir q n eciste nada e q esta tudo muito bem… chega d viver assim chateado e com medo… n tenho p aonde correr, mas posso me defender d ler tais coisas q me sa a certeza do mal q tenho… Boa sorte a todos.

      • Pedro diz

        Gustavo se você acredita em Deus, e tem ele na sua vida mau algum te infringira, creia nede e acalme seu coração amigo! Busque paz e viva sua vida sem pensar quem alguma infermidade será capaz de aproximar de você.

  24. Douglas.. diz

    Bom, descobrir à pouco tempo que sou soropositivo, no começo é difícil, hoje já aceito muito mas, mantenho esperança e espero nunca perde, tenho estilo de vida corrida, estudar, tarefas domésticas, exercícios, ler, sair e sempre que posso me divertir afinal estou vivo ainda..

    Gostaria de uma postagem falando sobre soropositivos vegetarianos, pois pouco se tem sobre o assunto…..

    “Não, não deixei de amar não, pois não é amor que causa a dor e sim a falta dele”

    • Pedro diz

      Douglas voce já e vegetariano ou esta querendo adotar esse metodo em funçao da nova descoberta????

  25. Luiz Carlos diz

    Faz algum tempo que não escrevo por aqui. Agora em Setembro completo 6 meses de tratamento, utilizando o 3 em 1 desde o começo. Tive alguns efeitos colaterais e me senti muito mais deprimido quando comecei a tomar o Efavirenz, porém estipulei um prazo de 6 meses para adaptação. Caso eu não me adaptasse em 6 meses, pediria para trocar a medicação.

    O fato é que não me adaptei. Tive que aumentar o meu anti-depressivo (acompanhado sempre pelo psiquiatra) e há cerca de um mês tive uma recaída e não consigo sair deste buraco. Estou completamente apático, sem ânimo para nada, com pensamentos estranhos e ainda tenho sonhos lúcidos.

    Daqui a 2 semanas vou no infecto, e com o prazo de 6 meses no seu fim, vou solicitar a troca da medicação. Não me importo com o pill burden (sair de 1 comprimido para 3 ou 4), pois caso minhas suspeitas e as do psiquiatra se confirmem, vou poder reduzir os anti-depressivos e remédios para dormir.

    O que me preocupa é que a mudança para a Nevirapina requer que eu tome comprimidos de 12 em 12 horas, estou correto? Isto é algo que não estou acostumado. Há alguma outra alternativa?

    • Alex diz

      Eu já li sobre remédios que já são usados nos EUA e Europa, mais avançados que o 3 em 1, que quase não dão efeitos colaterais, não me recordo agora os nomes, mas em pesquisa vc deve encontrar.
      Acho q vc poderia cogitar importar algum deles, obviamente pesquisando melhor e conversando com o médico, se for o caso poderia até tentar entrar na justiça para obrigar o Estado a pagar o tratamento, já que parece que não é oferecido ainda pelo SUS e vc tá dizendo q não se adaptou ao que é oferecido.

      • Luiz Carlos diz

        Alex, existe nos EUA o Dolutegravir, que inclusive o JS já postou sobre aqui no blog, e existem muitas pesquisas positivas e parecer favorável da Sociedade Brasileira de Infectologia sobre sua integração no SUS, porém é algo que leva tempo, pois depende de uma série de liberações da ANVISA, e mais que isso, depende de $. Da forma como anda nosso governo não imagino que isto seja prioritário, e entrar com pedidos na justiça para ter acesso ao medicamento é algo muito utópico.

        O preço dos ARVs é extremamente alto no exterior. Para se ter uma ideia, o ATRIPLA (atripla efavirenz, emtricitabina e tenofovir) sai por cerca de USD 50 o COMPRIMIDO no exterior, fora os riscos do medicamento não poder entrar no Brasil por não estar liberado pela ANVISA.

    • Luiz Carlos, já falou com seu psiquiatra sobre a possibilidade de mudar o antidepressivo? Veja o último post do blog, fala da interação de alguns ARV’s com, por exemplo, benzodiazepínicos. Pondere as duas possibilidades, pois, um novo ARV pode continuar interagindo com seu medicamento para SNC 😉

      Boa sorte e sucesso no escolha.

      • Luiz Carlos diz

        Olá Binho, obrigado pelo seu comentário. Meu psiquiatra sabe muito sobre o Efavirenz, sua tese de doutorado foi em efeitos dos ARVs no SNC. Tomo um antidepressivo bem moderno (R$$$ infelizmente) que não tem nenhuma interação com os ARVs (agomelatina). Pesquisei bastante antes mesmo de começar a tomar o anti-depressivo há cerca de 5 meses atrás, e realmente não há nenhum indício de interação medicamentosa.

        Tenho consulta com o infecto e com o psiquiatra semana que vem, e vou tomar alguma decisão sobre isso. Quero ver se consigo trocar de ARV sem o ônus de “perder” essa medicação, ou seja, podendo voltar para o Efavirenz caso depois de alguns meses eu perceba que não é o Efavirenz que tem me deixado no estado que estou… Mas tudo indica que sim, não vejo outra saída.

  26. Pedro diz

    Luiz carlos fico muito triste em perceber que você não se adaptou ao 3×1, eu fiquei com muito medo de ter reações alergicas, ter fortes efeitos colaterais com ele, porem graças a Deus hoje completando 40 dias que estou em tratamento já consigo tomar ele mesmo fora de casa qdo sei q vou chegar um pouco mais tarde, sem tanta preocupação com os efeitos, já que não tive nenhum até hoje. Quanto a questão de antidepressivos cara não sei em que vc acredita, mas posso lhes garantir que estar perto de Deus ir a uma igreja ou qualquer lugar que vc escute uma boa palavra, uma palavra de animo vai te ajudar muito, tenho feito isso e tem sido muito louvavel pra mim, penso que conversar com pessoas que te colocam pra cima, te faz sentir bem é o melhor remedio, se precisar conversar trocar ideia pode me enviar uma mensagem podemos conversar iphone33@bol.com.br

  27. SSM diz

    Olá pessoal,

    apenas para vos dizer que consegui realizar o meu sonho, vou voltar a ser mãe, estou grávida de poucas semanas ainda 🙂 mas foi uma benção de Deus! Iniciei o tratamento hoje, para que o meu bebé nasça sem o vírus.

    Deus é grande, apoiem-se nele e tudo será mais fácil. Beijos e coragem para todos!

  28. vida saudavel. diz

    Quero desabafa r um pouco sobre minha vida com hiv. Quando a gente fala o nome hiv, chega bate aquela tristeza no coração 😦

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