sky_blog_trans_1O Diário de um Jovem Soropositivo está participando de um concurso entre blogs voltados ao público brasileiro: o Prêmio Top Blog 2015, na editoria Saúde e Bem-estar, direcionada a temas como alimentação, atividade física, medicina, entre outros relacionados. Vote aqui!

De acordo com o regulamento dessa competição, o período de votação do Primeiro Turno pelo Júri Popular, representado pelos internautas por meio de voto eletrônico, vai até o dia 18/12/2015, às 18h (horário de Brasília).

No dia 11/01/2016, será divulgada a lista dos 100 blogs mais votados em cada editoria, que passam para o Segundo Turno da votação pelo Júri Popular. Os votos do Primeiro Turno não serão computados para o Segundo Turno. Os blogs que não se classificarem entre os 100 blogs mais votados de cada editoria ainda podem concorrer no Segundo Turno à premiação pelo Júri Técnico, formado por profissionais atuantes nos segmentos relacionados às editorias.

A divulgação dos finalistas será no dia 20/04/2016. Os três blogs vencedores pela votação do Júri Popular e os três blogs vencedores pela avaliação do Júri Técnico serão premiados assim:

  • Primeiro colocado recebe 12.000 pontos Multiplus, badge digital, certificado e troféu;
  • Segundo colocado recebe 6.000 pontos Multiplus, badge digital e certificado;
  • Terceiro colocado recebe 3.000 pontos Multiplus, badge digital e certificado.
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Além do Diário de um Jovem Soropositivo, outros blog brasileiros com o tema HIV/aids também estão participando: Prazer, Alexandre! e Soropositivo.org. Vamos torcer para que o HIV/aids esteja entre os finalistas!

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Por Roger Pebody em 24 de agosto de 2015 para o Aidsmap

Aidsmap

Os dois medicamentos envolvidos no tratamento do HIV que têm mais chances de apresentar interação com drogas recreativas e estimulantes sexuais não têm diretamente efeito anti-HIV: são os medicamentos de reforço, usados para impulsionar os antirretrovirais — Ritonavir e Cobicistat. [Segundo o Dr. Esper Kallás, professor associado da Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da USP, os medicamentos de reforço inibem a enzima do sistema citocromo P450, ou CYP3A4, e podem aumentar o nível de toxicidade com outras drogas.]

O Cobicistat é um dos componentes do Stribild (com Elvitegravir, Tenofovir e Emtricitabina), Darunavir e Atazanavir. Em geral, o Ritonavir é prescrito junto com inibidores de protease. É parte do Kaletra, junto com Lopinavir, e do tratamento para hepatite C, Viekira Pak.

As chances de interação entre os medicamentos de ação direta anti-HIV com drogas recreativas também pode potencialmente existir, mas não é objeto de tanta preocupação, se comparado aos medicamentos de reforço. Além disso, nem todas as drogas têm interações com medicamentos anti-HIV.

De acordo com os autores de uma revisão especializada, publicada na edição de 24 da agosto do jornal Aids, os médicos precisam estar atentos aos detalhes desta informação, para que possam dar recomendações úteis aos seus pacientes. Muitos indivíduos continuarão a usar drogas recreativas apesar de recomendações médicas contrárias e, em casos como este, os médicos deveriam considerar a troca do tratamento antirretroviral nestes pacientes, para regimes com menor disco de interação com drogas, de acordo com os autores.

Sobre interações com drogas

Mephedrone

Quando uma droga é tomada junto com outra, sua interação pode aumentar ou diminuir a eficácia e/ou os efeitos colaterais de uma delas ou de ambas as drogas. Isso acontece tanto com drogas lícitas, prescritas por um médico, como com ilícitas, as drogas recreativas. No entanto, existem menos pesquisas sobre interações com drogas ilícitas.

Crystal Meth

Há muito tempo existe preocupação sobre a interação entre antirretrovirais e drogas recreativas. Entretanto, recentemente foram introduzidos novos medicamentos, como o Cobicistat — e, nesse último período, o padrão de uso de drogas recreativas entre homens gays que vivem com HIV no Reino Unido também mudou. Metanfetamina e mefedrona são agora muito mais populares do que no passado e cada vez mais usadas em contexto sexual, dentro das casas dos usuários. Isso pode envolver o uso de diversas substâncias ao mesmo tempo e, muitas vezes, por um longo período de tempo. Além disso, muitos homens agora injetam as drogas recreativas, aumentando rapidamente sua concentração na corrente sanguínea e, assim, aumentando também o potencial para efeitos adversos.

“Dados sobre a interação entre o uso de drogas e antirretrovirais são escassos, mas o conhecimento sobre as implicações potenciais destas interações pode ser de grande importância para aqueles que cuidam de pacientes com HIV.”

Um grupo de pesquisadores, que incluiu médicos, farmacologistas, um farmacêutico e um especialista em drogas, conduziu uma revisão da literatura e reuniu opiniões de especialistas, a fim de fornecer um sumário atualizado a respeito das evidências sobre interações com drogas. Ao invés de cobrir todas as interações teoricamente possíveis, eles preferiam que sua revisão fosse prática e pudesse guiar os médicos diante das interações que, em sua próprias palavras, “são mais importantes”. O foco está nas drogas usadas em festas, comumente tomadas por homens gays que vivem com HIV no Reino Unido. “Dados sobre a interação entre o uso de drogas e antirretrovirais são escassos, mas o conhecimento sobre as implicações potenciais destas interações pode ser de grande importância para aqueles que cuidam de pacientes com HIV”, afirmam os pesquisadores.

Ritonavir e Cobicistat

A mensagem mais importante para ser aprendida desta revisão é que os dois medicamentos prescritos que são os mais propensos a resultar em interações prejudiciais com drogas recreativas são o Ritonavir e o Cobicistat.

Ambos são agentes de reforço, tomados para aumentar os níveis de outros medicamentos antirretrovirais. Adicionar uma pequena dose de um destes agentes em um medicamento, faz com que o fígado decomponha a droga mais lentamente, o que quer dizer que ela permanece no organismo por um período de tempo maior ou em quantidade maior. Sem o agente de reforço, a dose prescrita do medicamento principal seria ineficaz.

Em geral, os agentes de reforço são mais usados em conjunto com os inibidores de protease, como o Lopinavir (parte do Kaletra), Darunavir, Atazanavir, Fosamprenavir e Tipranavir, mas também com o inibidores de integrase Elvitegravir (parte do Stribild) e de drogas para o tratamento da hepatite C, como Ombitasvir and Pariteprevir, parte do Viekira Pak.

O mecanismo de reforço também afeta algumas drogas recreativas. O Ritonavir e o Cobicistat são metabolizados por enzimas do fígado conhecidas como CYP2D6 e CYP3A4. Várias drogas recreativas são metabolizadas por estas mesmas enzimas, o que pode potencialmente resultar em interações. Os agentes de reforço fazem com o fígado processe as drogas recreativas mais lentamente, o que faz com que a droga recreativa permaneça no corpo por mais tempo ou em concentrações mais altas. Algumas vezes, isso pode resultar em efeitos colaterais severos ou overdose.

Drogas recreativas preocupantes

Várias drogas recreativas são metabolizadas pelas enzimas CYP2D6 ou CYP3A4, as mesmas enzimas que metabolizam o Ritonavir e o Cobicistat. São elas:

ecstasy

  • Metanfetamina (também conhecida como “cristal”)
  • MDMA (ecstasy, bala)
  • Mefedrona (miau-miau, MC)
  • Ketamina (K, vitamina K, special K)
  • Drogas para disfunção erétil (Viagra, Cialis, Levitra)
  • Benzodiazepinas (Rivotril, Diazepan, Lexotan, Frontal e outros)

Os autores julgam que o potencial para interações com as primeiras três drogas listadas é “moderado”, enquanto das três últimas é “alto”. As drogas para disfunção erétil e Benzodiazepinas podem ser prescritas com segurança por um médico, mas, quando obtidas através de canais informais, os autores afirmam que não existe controle na dosagem e, nesse caso, as doses altas não serão acompanhadas de monitoramento dos efeitos colaterais.

Com cada droga recreativa, a interação com Ritonavir e o Cobicistat pode aumentar a intensidade do efeito da droga ilícita, muitas vezes para níveis desagradáveis e perigosos. Há casos reportados de morte de pessoas em decorrência da interação entre metanfetamina e Ritonavir e de MDMA e Ritonavir. Autópsias mostraram que o nível das drogas recreativas no sangue destes indivíduos estava muito acima do que seria normalmente esperado. Há também casos reportados de efeitos colaterais agudos e graves em pessoas que usaram Ketamina e Ritonavir. Os autores reconhecem que somente poucos destes casos foram documentados.

GHB

Overdoses em decorrência de drogas para disfunção erétil são perigosas para o coração. Uma overdose de Benzodiazepina pode resultar em desmaios ou redução perigosa da respiração. Em relação ao GHB (ácido gama-hidroxibutírico) e GBL (ácido gama-butirolactona), os autores dizem que os riscos de interação são “desconhecidos”.

Inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa e drogas recreativas

Uma interação particular entre antirretrovirais e drogas recreativas pode acontecer no caso de medicamentos inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa com drogas recreativas, uma vez que estes medicamentos são metabolizados de maneira diferente. A interação pode resultar em uma quantidade da droga recreativa menor do que o que seria normalmente esperado.

cocaina

Isso se aplica ao Efavirenz, Neviparina e Etravirina — exceto com Rilpivirina, a qual acredita-se que não interaja com drogas recreativas. A interação pode ocorrer com cocaína, ketamina, e medicamentos para disfunção erétil.

Os inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa fazem com que o fígado processe as drogas ilícitas de maneira mais rápida, o que quer dizer que a droga fica no organismo em menor quantidade ou por menos tempo. Embora possa parecer que isso seja menos prejudicial, os autores advertem que, se as drogas não atingem o efeito desejado, muitos usuários costumam aumentar a dosagem ou utilizá-las através de injeção, o que traz riscos imprevisíveis.

Medicamentos sem interações significativas

maconha

O potencial de interações com diversas outras substâncias e drogas recreativas é considerado baixo pelos autores. Isso inclui álcool, maconha, poppers, heroína e outros opióides.

Da mesma forma, acredita-se que outros medicamentos antirretrovirais não apresentem problemas com interações. São estes:

  • Inibidores nucleosídeos da transcriptase reversa
  • Rilpivirina, um não nucleosídeos da transcriptase reversa
  • Raltegravir e Dolutegravir, ambos inibidores da integrase
  • Maraviroc, um inibidor do CCR5

Recomendações

“Médicos devem ser proativos em solicitar o histórico de uso de drogas de seus pacientes e oferecer aconselhamento a respeito de sua toxicidade, efeitos adversos comuns decorrentes do uso de drogas e sobre o as possíveis interações entre as drogas com os antirretrovirais, a fim de evitar sobredosagem ou toxicidade fatal”, concluem os pesquisadores.

“Entretanto, mesmo sob o melhor aconselhamento, muitos pacientes persistem no uso de drogas. Nesses casos, a troca da combinação da terapia antirretroviral para uma com menor propensão a interação com drogas deve ser considerada.”


Referências:
Bracchi M et al. Increasing use of ‘party drugs’ in people living with HIV on antiretrovirals: a concern for patient safety. AIDS 29: 1585-1592, 2015.
The University of Liverpool’s HIV Drug Interactions website publishes a table summarising the interactions between antiretrovirals and recreational drugs.

Brasil Post

amfAR

A amfAR, uma organização sem fins lucrativos sediada em Nova York, começou sua Contagem Regressiva para a Cura da Aids, uma campanha que quer intensificar o programa de pesquisa da organização focado na cura do HIV. A amfAR não espera curar a todos os soropositivos até 2020, mas alcançar os fundamentos científicos necessários para a cura até esta data, para que, em seguida, ela seja exaustivamente testada e então colocada em produção.

Por que a amfAR acredita que a cura é possível até 2020?
“Pela primeira vez na história, os obstáculos científicos diante da cura foram claramente iluminados. Com um esforço de pesquisa dirigido, colaborativo e agressivo, acreditamos que estes desafios podem ser superados, se fizermos os investimentos certos agora.”
amfAR

A história da amfAR data dos anos 80. Naquela altura, a epidemia estava no começo. Muitos dos ativistas, que poderiam falar em nome das pessoas com HIV/aids ou em apoio dos fundos federais americanos para pesquisa e prevenção da doença, não sobreviveram ao vírus. Foi para ajudar a preencher essa lacuna de vozes e levantar fundos privados para apoio à pesquisa médica e científica sobre o HIV/aids, que foi fundada a Aids Medical Foundation (AMF), em Nova York. Suas primeiras bolsas de pesquisa foram concedidas em 1984. Em setembro de 1985, a AMF se juntou à National Aids Research Foundation, dando luz à American Foundation for Aids Research — a amfAR, fundada e então presidida por Elizabeth Taylor.

Elizabeth Taylor
Elizabeth Taylor

Ativista da aids, Elizabeth se esforçou para tornar reconhecido o nome da fundação dentro os Estados Unidos e, depois, no mundo todo. “A fama não é algo que vem sem responsabilidade”, disse ela. “Se eu puder ajudar ainda mais uma causa importante simplesmente emprestando a minha voz, eu sinto que devo fazê-lo.” Grande parte de seu trabalho inicial na amfAR consistia em falar sobre as realidades da doença, numa época em que muito pouco era conhecido sobre o HIV. Para refletir o escopo cada vez mais internacional dos programas amfAR, em 2005 a organização se rebatizou para The Foundation for Aids Research.

A fonte de recursos da amfAR vem de doações oriundas de empresas, fundações, e, principalmente, indivíduos. Desde 1985, a amfAR já investiu mais de 388 milhões de dólares em seus programas e já distribuiu mais de 3.300 subsídios a times de pesquisadores do mundo todo. Com esse dinheiro, a fundação apoiou a primeira pesquisa que levou ao uso de antirretrovirais com o objetivo de bloquear a transmissão vertical — da mãe para o bebê –, os primeiros estudos que levaram ao desenvolvimento dos antirretrovirais inibidores de protease, a pesquisa inicial que resultou no Fuzeon — o primeiro antirretroviral da classe dos inibidores de fusão –, os estudos que levaram à identificação da importância da proteína CCR5 na infecção pelo HIV, programas de troca de seringas para usuários de drogas injetáveis, o primeiro estudo a demonstrar o potencial de uma vacina de DNA em retardar a progressão do vírus e uma pesquisa que trouxe as primeiras imagens tridimensionais do HIV enquanto ele faz o contato inicial com células suscetíveis, entre outras iniciativas. Agora, o plano é investir 100 milhões de dólares na pesquisa da cura do HIV, ao longo dos próximos seis anos.

O que mudou desde o início da epidemia, há mais de 30 anos, que tornou a cura uma ideia plausível?
“Talvez, o avanço mais importante tenha sido o caso do Paciente de Berlim, a primeira pessoa a ser curada do HIV, relatado em 2008. O caso forneceu uma prova de que uma cura é possível. Até aquele momento, a pesquisa da aids foi, em grande parte, um processo de descoberta. Agora, sabendo quais as questões científicas importantes que precisam ser respondidas, nós estamos entrando em uma nova fase da pesquisa: resolver os problemas que são um desafio tecnológico.”
amfAR

Nunca estivemos em um momento de tanto otimismo na pesquisa da aids. Os avanços obtidos nos últimos anos trouxeram à comunidade científica uma nova compreensão a respeito dos desafios que devem ser superados para chegar a uma cura. O caso de Timothy Brown, o Paciente de Berlim, a primeira pessoa a ser curada do HIV no mundo, foi um divisor de águas no campo da pesquisa do HIV/aids e uma prova de que uma cura é possível: em 2007, ele recebeu um transplante de células-tronco, em Berlim, para tratar uma leucemia. Seu médico, o alemão Dr. Gero Hütter, decidiu tentar curar também a infecção pelo HIV de seu paciente, usando células de um doador que trazia duas cópias de uma mutação genética conhecida por oferecer uma resistência natural ao HIV — porém, um procedimento arriscado demais para ser replicado em larga escala. Desde o transplante, Timothy não toma mais antirretrovirais e não tem sinais do HIV em seu organismo. Em 2013, depois de iniciar o tratamento antirretroviral precocemente, foi relatado que um grupo de pacientes franceses entrou para o rol dos “controladores pós-tratamento”, o que quer dizer que eles ainda têm o vírus, mas em quantidade tão pequena que seus organismos se mostraram capazes de controlar naturalmente a infecção.

Para alcançar a meta ambiciosa de uma cura até 2020, a amfAR resolveu mudar a maneira que financia a pesquisa, afastando-se de uma estratégia de investimento passivo para uma mais agressiva, além de focar em abordagens colaborativas, analisando as questões não respondidas no campo da pesquisa do HIV. A fundação criou também um “roteiro de pesquisa”, que enumera os quatro principais desafios científicos que representam as principais barreiras para a cura. Primeiro, mapear as localizações precisas dos reservatórios virais que ainda persistem de maneira latente no corpo, fora do alcance dos antirretrovirais atuais. Em segundo, entender como o HIV persiste nesses reservatórios. Depois, identificar a quantidade de vírus em estado latente. E, por último, eliminar o HIV. Para ajudar a dirigir a pesquisa e garantir que os investimentos serão feitos nas áreas mais promissoras, a amfAR criou seu “Conselho de Cura”: um grupo de voluntários que reúne alguns dos principais especialistas em HIV/aids do mundo.

Em geral, estudos clínicos levam entre oito a dez anos para ser concluídos. Alcançar uma cura para o HIV em 2020 é mesmo viável?
“Nosso objetivo é alcançar os fundamentos científicos para uma cura até 2020. A probabilidade é que, quando soubermos como a cura se parece, levará algum tempo até ela ser exaustivamente testada e, em seguida, colocada em produção. É difícil saber quanto tempo esse processo vai demorar.”
amfAR

É preciso lembrar que o prazo de uma cura para 2020 não é uma estimativa que é consenso entre médicos e cientistas. “Timothy Brown é a prova de que a cura é possível”, concorda o Dr. Esper Kallás, professor associado da Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da USP. “Entretanto, agora a cura precisa se tornar viável para todos. E isso é uma questão de tempo. Quem der um prazo estará especulando — e isso não é ciência. Precisamos sempre esperar pelos resultados.”

Talvez, o prazo de 2020 seja mesmo ousado. Na pior das hipóteses, um chute arriscado. Afinal de contas, o futuro é em grande parte imprevisível. Todavia, também é verdade que essa é uma estimativa que faz parte de uma campanha robusta de investimento na pesquisa da cura e que vem de uma organização que esteve ao lado de quem vive com HIV desde o começo da epidemia, acompanhando e incentivando o avanço das pesquisas. Nesse sentido, mesmo que este prazo venha a se mostrar equivocado no futuro, já temos hoje alguém de peso que se sente à vontade em começar a arriscar uma data — e isso, por si só, é uma boa notícia.

Atitude Abril


Declaração de esforços do National Institutes of Health em concentrar as pesquisas para acabar com a pandemia de aids

NIH

Um progresso extraordinário tem sido feito na pesquisa de HIV/aids nos últimos 34 anos, transformando uma doença quase inevitavelmente fatal em uma condição tratável. Hoje, pessoas com HIV/aids podem experimentar uma expectativa vida quase próxima do normal, se os antirretrovirais são iniciados de imediato e continuados por toda a vida. Contudo, a doença ainda permanece como uma significativa preocupação de saúde pública, com aproximadamente 50 mil novas infecções a cada ano nos Estados Unidos e 2 milhões de novas infecções no mundo todo. Os custos humanos e econômicos continuam impressionantes.

“Precisamos focar os escassos recursos em prioridades de pesquisa que ajudem a acabar com a pandemia de aids no menor tempo possível.”

Agora, estamos numa conjuntura crítica na pesquisa do HIV/aids, na qual novas oportunidades de pesquisa estão emergindo e apontado para a possibilidade de acabar com a pandemia. Avanços muito disputados na pesquisa básica e clínica trazem nova esperança para o desenvolvimento de uma vacina e até mesmo uma possível cura. Hoje, mais do que nunca, precisamos focar os escassos recursos em prioridades de pesquisa que ajudem a acabar com a pandemia de aids no menor tempo possível. Com esse objetivo em mente, decidi implementar vários novos processos que assegurem que os dólares do National Institutes of Health (NIH) estejam concentrados mais intensivamente do que nunca em áreas da mais alta prioridade para a pesquisa do HIV/aids. Para me ajudar nessa tarefa, um grupo de trabalho externo do Conselho Consultivo do Escritório do NIH para Pesquisa de Aids, sob a coordenação de sua equipe científica e do Institutos e Centros NIH, recentemente esboçou diretrizes que determinam as áreas de alta prioridade da pesquisa de HIV/aids. Com essa orientação, minha equipe e eu definimos as prioridades que visam especificamente acelerar a nossa capacidade de prevenir e curar o HIV/aids, e acabar com a pandemia global de aids.

As áreas de pesquisa de HIV/aids que são alta prioridade para o NIH são aquelas que:

  • almejam reduzir a incidência de HIV/aids, incluindo o desenvolvimento de vacinas seguras e eficazes
  • desenvolvam a nova geração de terapias para tratar o HIV, com maior segurança a mais facilidade de uso
  • desenvolvam a cura para o HIV/aids
  • melhorem a prevenção ou o tratamento de comorbidades associadas ao HIV e coinfecções

Estas novas áreas de alta prioridade são consistentes com as principais prioridades científicas esboçadas no Plano para Pesquisa do HIV do Escritório do NIH para Pesquisa de Aids. As diretrizes também informam sobre os novos processos que serão implementados e aplicados pelo NIH a todas as concessões de subsídios ocorridas no ano fiscal de 2016, para ajudar a garantir que somente os projetos de pesquisa no âmbito das áreas científicas prioritárias para o HIV/aids sejam considerados para apoio com os preciosos recursos do HIV/aids. Estas diretrizes são descritas na Guia de Aviso do NIH.

Francis S. Collins, diretor do National Institutes of Health.
Francis S. Collins, diretor do National Institutes of Health.

Estas medidas enfatizam o forte compromisso do NIH com a gestão responsável dos recursos que recebemos do povo americano. Estou confiante de que as medidas que estamos tomando vão avançar e acelerar os esforços mundiais para acabar com a pandemia de aids.

Dr. Francis S. Collins, Ph.D.
Diretor do National Institutes of Health
12 de agosto de 2015


Por Mary Engel para Fred Hutch News Service em 13 de agosto de 2015
Hope for a Cure
Na segunda Conferência sobre Células e Terapia Genética para a Cura do HIV que aconteceu no Fred Hutchinson Cancer Research Center, cientistas e ativistas tem um otimismo cauteloso diante da cura (de qualquer tipo) em um futuro não muito distante. (Ilustração de Kimberly Carney)

“Tome seus remédios e se cuide”, disse Jeff Sheehy — um experiente ativista do movimento civil LGBT de São Francisco — a um jovem de 23 anos de idade, que tinha acabado de receber seu diagnóstico positivo para o HIV. “Como um homem gay, você tem muitas possibilidades. Você pode ser casar. Pode ter uma família. Quando eu tinha sua idade, isso não era possível.” Ele também disse ao jovem: “Nós vamos poder curar você do HIV. Em seu tempo de vida, você será curado.”

Jeff Sheehy
Jeff Sheehy: ativista do movimento civil LGBT de São Francisco e de HIV/aids.

Sheehy, hoje com 58 anos de idade, não era tão esperançoso quando recebeu seu próprio diagnóstico, em março de 1997. “Naquela altura, eu torcia para que conseguisse sobreviver”, disse ele, durante uma entrevista por telefone, a partir de sua casa, em São Francisco, pouco antes de seguir para Seattle, onde participaria da Conferência sobre Terapia Celular e Genética para a Cura do HIV, que aconteceu nos dias 13 e 14 de agosto no Fred Hutchinson Cancer Research Center.

Seu diagnóstico se deu oito meses depois de estudos mostrarem que a combinação de antirretrovirais era capaz de controlar o HIV. O coquetel de medicamentos acabou por se tornar um dos maiores sucessos da medicina, transformando infecções como a de Sheehy, antes uma sentença de morte, em uma doença crônica e administrável.

A cura do HIV — que há menos de uma década era considerada tão improvável que sequer era candidata à pesquisas — hoje é o foco de uma conferência que atrai ativistas, estudantes e muitos dos principais cientistas que pesquisam o HIV. Entre eles, o Dr. David Baltimore, laureado Nobel que fez importantes contribuições para as pesquisas do câncer e do HIV e hoje trabalha no desenvolvimento de terapias de cura para ambos.

“Sendo realista: a cura vai demorar.”

Sheehy acredita que a cura pode chegar durante a vida do jovem recém diagnosticado. Mas ele é mais reticente quando se refere a si mesmo. “A ciência é animadora. O trabalho é gigantesco. A meta é viável”, ele diz. “Mas, sendo realista: a cura vai demorar.”

Timothy Ray Brown: a prova de que a cura é possível

B altimore, presidente emérito do Instituto de Tecnologia da Califórnia, abriu a conferência na última quarta-feira, 12 de agosto, à noite, com uma apresentação para uma plateia cheia de ativistas — entre eles, Timothy Ray Brown, que motivou diversas pesquisas depois te ter se tornado a única pessoa considerada curada do HIV.

Timothy Ray Brown
Timothy Ray Brown, a única pessoa considerada curada do HIV.

A primeira cura não foi fácil. Nascido em Seattle, Brown recebeu um transplante de células-tronco em Berlim, em 2007, para tratar leucemia mieloide aguda. Seu médico, o alemão Dr. Gero Hütter, decidiu tentar curar também a infecção pelo HIV de seu paciente, usando células de um doador que trazia duas cópias de uma mutação genética conhecida por oferecer resistência natural ao vírus. Desde o transplante, Brown não toma mais antirretrovirais.

As tentativas de replicar essa cura em dois pacientes soropositivos que sofriam de leucemia não chegaram aos mesmos resultados, em parte porque muitos dos pacientes morreram em decorrência do câncer ou do próprio transplante, antes que fosse possível determinar se o HIV havia desaparecido. Médicos concordam que o transplante de células tronco só é apropriado para pessoas portadoras do HIV que estão diante de um câncer que oferece risco de vida.

defeatHIV

Ainda assim, o caso de Brown, publicado no New England Journal of Medicine em 2009, mostrou que a cura é possível. Baltimore e outros cientistas, incluindo pesquisadores do consórcio defeatHIV, estão usando a cura de Brown como modelo para uma nova terapia que retira as células do próprio indivíduo infectado e então nocauteia ou desativa um gene, o CCR5, que funciona de porta para o HIV entrar nas células — imitando a genética daqueles que são naturalmente resistentes ao vírus –, antes de injetá-las de volta nos pacientes.

Times de cientistas estão pesquisando diferentes abordagens para alterar o CCR5. Alguns estão modificando as células T CD4 do sistema imune, que são alvo do HIV. Baltimore e o Dr. Hans-Peter Kiem, pesquisador de transplante de células tronco do Fred Hutch, estão trabalhando em modificar células tronco hematopoiéticas — as precursoras que geram todas as células especializadas do sangue e do sistema imune, incluindo as células T.

Kiem
Dr. Hans-Peter Kiem, oncologista e pesquisador de terapia celular e genética.

Kiem acaba de inaugurar um estudo clínico para pacientes que estão em quimioterapia para tratar linfoma relacionado à aids, um câncer comum em portadores do vírus que têm o sistema imune devastado em decorrência da infecção. Kiem vai coletar as células tronco dos pacientes, modificá-las para torná-las resistentes ao HIV para, então, injetá-las de volta, depois do último ciclo que de quimioterapia. O objetivo é fazer prosperar células resistentes ao HIV em número suficiente para montar uma resposta imune capaz de controlar o vírus sem a necessidade dos comprimidos diários.

Terapias celulares e genéticas já mostraram alguns benefícios intermediários. Um estudo clínico de 2010, feito em São Francisco, retirou, modificou e injetou novamente as células T num grupo de pessoas que eram capazes de controlar o vírus sem os medicamentos mas que estavam com o sistema imune enfraquecido. Como resultado, elas tiveram uma melhora duradoura, livrando-as de pneumonia e outras doenças oportunistas que os atormentavam regularmente. “Pode ser pouco, mas ainda vale”, observou Sheehy.

O que eles querem dizer quando falam em cura?

Quando a terapia antirretroviral foi introduzida, em 1996, muitos acreditavam que ela, sozinha, seria capaz de curar todo o mundo. Desde então, os cientistas aprenderam que os reservatórios latentes de células infectadas pelo HIV ainda se escondem no organismo, fora do alcance desses medicamentos. Basta interromper as pílulas diárias que o vírus volta com tudo.

Hoje, os cientistas falam em dois tipos de cura. A primeira — o Santo Graal das curas — é chamada de “cura esterilizante”, na qual o vírus é completamente erradicado do corpo. Acredita-se que este é o caso de Timothy Brown. Também fala-se da “cura funcional”, na qual o HIV latente continua no organismo, mas é mantido sob controle sem a necessidade medicamentos todos os dias.

Na última quarta-feira, durante a apresentação de Baltimore, Brown se levantou no meio da plateia para perguntar a posição do cientista diante da possibilidade de cura, e qual tipo de cura. “Eu gostaria de saber sua opinião: o HIV é curável?”, ele disse. “Eu acredito que você está curado”, respondeu Baltimore. No entanto, sobre a possibilidade da cura esterilizante ser aplicada mais amplamente, ele acrescentou: “Sou agnóstico.”

“A terapia genética pode ajudar a munir o sistema imune contra esse passageiro clandestino dentro do corpo e fazer voltar o relógio, para que o sistema imune fique tal como antes da infecção.”

Para a Dra. Paula Cannon, uma especialista em células tronco da Universidade do Sul da Califórnia que também se apresentou durante o evento, a cura funcional é suficiente, embora precise ir além da supressão do vírus sem a necessidade de uma pílula por dia. Segundo ela, a infecção pelo HIV é um ataque massivo contra o sistema imune e isso pode representar consequência ao longo da vida, mesmo sob antirretrovirais. “É isso o que a terapia celular e genética pode acrescentar”, ela disse. “Pode ajudar a munir o sistema imune contra esse passageiro clandestino dentro do corpo e fazer voltar o relógio, para que o sistema imune fique tal como antes da infecção. Podemos fazer isso com ou sem o vírus no organismo.”

Se você consegue curar o vírus, por que não fazê-lo?

Por que falar sobre a cura, qualquer que seja seu tipo, se a terapia antirretroviral é tão bem sucedida? Porque nem todos conseguem tolerar os medicamentos, nem todos têm acesso aos medicamentos ou a possibilidade de tomá-los regularmente. Mesmo nos Estados Unidos, menos de 40% das 1,2 milhão de pessoas infectadas pelo HIV estão sob tratamento antirretroviral e apenas 30% alcançaram a supressão viral, que leva à uma saúde melhor, vida mais longa e menos chance de transmissão do vírus, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Além disso, há o custo e o esforço de tratar pessoas com uma doença crônica para o resto de suas vidas. Por fim, mesmo aqueles com o HIV suprimido que estão, assim como Sheehy, sob antirretrovirais há anos, o vírus continua a causar danos, em decorrência da inflamação de base, que aumenta o risco de doença do coração e de câncer.


pilulas azuis

Uma história em quadrinhos autobiográfica, vencedora do prêmio Polish Jury Prize. Frederik Peeters, um dos quadrinistas mais celebrados da Europa, traduz com delicadeza sua vivência real e complexa em um relacionamento assombrado pelo HIV.

Foi em uma noite festiva de verão que Fred conheceu Cati. Anos depois, eles se reencontram e vivem uma conexão instantânea, que os levam a embarcar em uma comovente e verdadeira história de amor. Nesse momento, Cati encara a árdua tarefa de revelar ao seu parceiro ser soropositiva, assim como o fato de ter um filho de três anos. É quando Frederik Peeters escolhe amar mesmo em face a grandes desafios.


 

Com ilustrações em preto e branco, Peeters narra o desenvolvimento da intimidade do casal, a maneira como assume seu enteado, o preconceito, as surpresas e sua reveladora relação com um médico cuja afeição e franqueza o permite encontrar meios para quebrar todas as barreiras que ainda existem na sua relação.

A história mergulha nas angústias, dificuldades e realizações de um casal que vive um misto de amor e medo causado pela doença. Visitas regulares ao médico, o sexo com camisinha, livre de transmissão do vírus, e o uso dos medicamentos para controlar o avanço da doença são alguns dos assuntos relatados por Peeters, um autor que, na história e na realidade, questiona o sentido da vida — representado numa passagem na qual o personagem apresenta sua vulnerabilidade em um diálogo socrático com um mamute. A discussão com o animal imaginário o ajuda a perceber que conviver com a doença é completamente possível, deixando-o livre para desfrutar a vida ao lado de Cati.

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Páginas: 208 • Formato: 17 x 24 cm • Acabamento: brochura • Título original: Pilules bleues • ISBN: 9788582861592 • Editora Nemo • Data de publicação: 19/06/2015


Por Liz Highleyman para o Beta em 11 de agosto de 2015

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Uma adolescente francesa com HIV que tem conseguido manter sua carga viral indetectável há 12 anos sem tratamento antirretroviral foi o principal assunto durante a 8ª Conferência Internacional da Aids Society, que aconteceu no mês passado, em Vancouver. Embora ninguém esteja se referindo ao seu caso como uma cura, ele certamente levanta questões interessantes sobre o “controle pós-tratamento” e pode oferecer pistas a respeito da cura funcional e da remissão do HIV a longo prazo.

Asier Saez-Cirion
Asier Saez-Cirion

Asier Saez-Cirion, do Instituto Pasteur de Paris, descreveu o caso durante uma coletiva de imprensa que aconteceu antes da conferência, no simpósio “A Caminho da Cura”. A jovem, que agora tem 18 anos de idade, foi infectada pelo HIV durante ou antes do parto. Sua mãe, que recebeu os primeiros cuidados médicos somente no final da gravidez, apresentava carga viral alta no momento do parto e, por isso, a bebê recebeu preventivamente doses de Zidovudina (AZT) logo após o nascimento. Depois de seis semanas sob AZT, sua carga viral aumentou a um nível alto, comprovando que ela de fato estava infectada. O tratamento com a terapia antirretroviral foi então iniciado, aos três meses de idade.

Com aproximadamente seis anos idade, a criança foi retirada do acompanhamento médico e do tratamento. Quando retornou, um ano depois, a carga viral em seu sangue estava indetectável, apesar da criança não estar sob terapia antirretroviral. Assim, ela foi mantida sem tratamento. Aos 12 anos de idade ela apresentou um “blip” significativo de replicação viral, que alcançou 500 cópias/ml, e então novamente retornou a níveis indetectáveis.

Hoje, a jovem contabiliza 12 anos sem tratamento e com carga viral indetectável no plasma sanguíneo, de acordo com testes ultrassensíveis, capazes de medir 4 cópias/ml. Sua contagem de células T CD4 se mantém alta e estável. Contudo, os pesquisadores conseguem detectar o DNA do HIV (o material genético viral) em suas células — e células isoladas podem ser reativadas e produzir vírus em laboratório –, mostrando que ela não foi curada.

“Precisamos deixar claro que esse caso é bastante excepcional.”

“Precisamos deixar claro que esse caso é bastante excepcional”, alertou Saez-Cirion durante a coletiva. “A maioria dos pacientes soropositivos, crianças ou adultos, perdem o controle da infecção sempre que interrompem o tratamento, mesmo que este tenha sido iniciado cedo.”

“Esta jovem continua infectada pelo HIV e é impossível prever como seu estado de saúde se comportará com o passar do tempo”, explicou Jean-François Delfraissy, diretor da Agence Nationale de Recherche sur le Sida (ANRS). “O caso dela, contudo, constitui mais um forte argumento a favor do início imediato da terapia antirretroviral em todas as crianças nascidas de mães soropositivas.”

O que esse caso nos diz?

No ano passado, nós tivemos notícias decepcionantes na busca pela cura do HIV. Em julho de 2014, cientistas anunciaram que a “Bebê do Mississippi” — uma criança que muitos especialistas acreditavam estar curada do HIV — ainda tinha o vírus. Além disso, dois pacientes em Boston que receberam transplantes de medula óssea e que não mostravam qualquer sinal do HIV em seu sangue e nas células brancas, tiveram um rebote alguns meses depois da interrupção do tratamento antirretroviral.

Com isso, Timothy Brown, o “Paciente de Berlim”, continua a ser a única pessoa aparentemente curada do HIV. Quase há uma década, Brown recebeu transplantes de medula óssea para tratar leucemia, usando as células de um doador com uma mutação natural (CCR5-delta-32) que protege as células T da infecção pelo HIV. Embora Brown tenha interrompido o tratamento antirretroviral, o HIV não voltou. Depois de mais de sete anos de testes, os cientistas não foram capazes de detectar vírus competente a replicação em seu plasma sanguíneo, nas células do sangue periférico ou em qualquer outro lugar pesquisado.

A jovem francesa não entra para o rol das pessoas curadas pelo HIV, mas faz parte de um pequeno grupo chamado de “controladores pós-tratamento”, (assim como os franceses da Coorte Visconti) os quais aparentam ser capazes de controlar o vírus mesmo depois de interromper o tratamento antirretroviral.


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Pela Agência FAPESP em 13 de agosto de 2015

Fapesp

A FAPESP e a Fundação de Pesquisa Alemã (DFG) realizam em 17 de agosto, às 15h, na sede da FAPESP, a palestra “Por que o HIV-1 foi capaz de causar a pandemia de aids?”, pelo professor Frank Kirchhoff, diretor do Instituto de Virologia Molecular da Universidade de Ulm, na Alemanha, e ganhador do Prêmio Leibniz em 2009.

O virologista Kirchhoff é um dos principais pesquisadores no mundo sobre a aids. Nos últimos 20 anos ele contribuiu para a melhoria da compreensão sobre o desenvolvimento da doença e sobre a evolução do HIV. Sua pesquisa tem se concentrado em proteínas responsáveis pela patogenicidade do vírus em seres humanos, apontando novos caminhos para prevenir a transmissão da doença.

Em sua palestra, o pesquisador irá descrever a origem e a evolução do HIV-1 grupo M, responsável pela maior parte dos casos de aids, e discutir propriedades específicas desse vírus que contribuem para a sua alta virulência e expressiva propagação.

Concedido desde 1986 pelo Programa Gottfried Wilhelm Leibniz, da DFG, o Prêmio Leibniz é o mais importante da Alemanha na área científica, reconhecendo importantes descobertas de cientistas e pesquisadores no país. A palestra faz parte da Leibniz Lectures (Palestras Leibniz), uma iniciativa da DFG para estimular o diálogo entre os premiados e a comunidade científica internacional.

O pesquisador irá descrever a origem e a evolução do HIV-1 grupo M e discutir propriedades específicas desse vírus que contribuem para a sua alta virulência e expressiva propagação (foto: DFG)
O pesquisador irá descrever a origem e a evolução do HIV-1 grupo M e discutir propriedades específicas desse vírus que contribuem para a sua alta virulência e expressiva propagação (foto: DFG)

Frank Kirchhoff estudou biologia na Universidade de Göttingen, na Alemanha, e obteve o doutorado no Centro Alemão de Primatas com uma tese sobre o novo vírus HIV-2 clone. Como pós-doutorando na Harvard Medical School, em Boston, Estados Unidos, ele tratou pela primeira vez da proteína Nef, do HIV, que favorece a replicação do vírus –, na qual focou seu trabalho quando retornou em 1994 à Alemanha. No país ele trabalhou como assistente, professor associado e professor na Universidade Erlangen-Nürnberg, antes de ser chamado para trabalhar na Universidade de Ulm, em 2001, onde assumiu o cargo de diretor do Instituto de Virologia Molecular, em 2009.

Clique aqui e inscreva-se para a palestra.
A conferência será proferida em inglês.
Data: 17 de agosto de 2015
Horário: 14h30
Local: FAPESP
Rua Pio XI, 1500 – Alto da Lapa
São Paulo – SP

 

“Estamos unificando os protocolos para qualquer tipo de acidente com risco de exposição ao HIV.”

O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, concedeu entrevista na tarde desta terça-feira (11/08) ao programa Repórter DF, da TV Brasil, sobre as mudanças no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Profilaxia Pós-Exposição (PEP) de Risco à Infecção pelo HIV, que unificou os três tipos de PEP até então existentes (acidente ocupacional, violência sexual e falha no uso do preservativo). Segundo ele, o Ministério quer facilitar o acesso a este tipo de tratamento preventivo ao HIV. “Estamos unificando os protocolos para qualquer tipo de acidente com risco de exposição ao HIV”, afirmou Mesquita na entrevista. O tratamento com a PEP ainda deve ser iniciado em até 72h após a exposição ao vírus em mantido por 28 dias.

O novo protocolo vem depois de uma consulta pública, cujo texto original assinado pelo Ministério da Saúde, além de sugerir um tratamento único para todos os tipos de exposição, também recomendava que a PEP não fosse indicada quando, “apesar da pessoa fonte ser  infectada pelo HIV, estiver em uso regular de terapia antirretroviral, com carga viral recente indetectável” — no entanto, depois da consulta pública, esta última parte foi suprimida na versão final do novo protocolo. Em seu lugar, o novo texto afirma que “existem casos, contudo, em que a PEP não está indicada, em função do risco insignificante de transmissão do HIV” e recomenda que, diante de qualquer exposição de risco com uma fonte de sorologia desconhecida ou sabidamente positiva para o HIV, a PEP sempre deve ser indicada. E ressalta:

“Na escolha do esquema profilático em exposições, envolvendo fonte sabidamente infectada pelo HIV, deve-se sempre avaliar a história de uso dos antirretrovirais (ARV) e os parâmetros que podem sugerir a presença de cepas virais resistentes. A exposição prévia da pessoa fonte a diversos esquemas antirretrovirais, assim como evidências de falha virológica (carga viral detectável após seis meses de início ou troca de ARV) podem indicar a presernça de cepas virais resistentes.

Assim, quando a pessoa fonte está em falha virológica, uma avaliação criteriosa deve ser feita por médicos experientes no manejo de casos de resistência viral, para indicação do esquema de PEP, sempre que possível baseada na genotipagem do paciente fonte. Ressalta-se que, na ausência de um médico especialista ou em caso de indisponibilidade de ARV de terceira linha no momento do atendimento pós-exposição, a profilaxia deve ser iniciada com o esquema preferencial deste Protocolo (TDF + 3TC + ATV/r). Nesses casos, recomenda-se que a pessoa exposta seja reavaliada com urgência em serviços de referência para adequação do esquema, se necessário.

A indicação do teste de genotipagem na pessoa fonte no momento da exposição para definição do esquema não é recomendada, já que os resultados não estariam disponíveis em tempo hábil para o início da PEP. Quando a pessoa fonte possui um teste de genotipagem recente (últimos 12 meses), este poderá ser utilizado para a adequação da escolha do esquema de profilaxia antirretroviral.”


mapsA PEP deve estar disponível nos Serviços de Atenção Especializada em HIV/aids (SAE), segundo recomendação do Ministério da Saúde. Clique aqui e veja os endereços e telefones dos SAE, em todo o país. Informe-se nesses serviços, sobre os locais disponíveis na sua cidade para o atendimento de urgência à noite e nos finais de semana.