Mês: março 2015

Russia

Da Rússia com amor

Indivíduos estrangeiros que vivem legalmente na Rússia são considerados indesejados se “representarem uma ameaça real para a saúde pública”. No caso de diagnóstico de infecção por HIV, estrangeiros em território russo são deportados. Além disso, a autorização de permanência temporária naquele país é obtida somente após a apresentação do certificado de não infecção pelo HIV ao Serviço Federal de Migração (FMS, na sigla em russo). Mas, agora, isso deve mudar. “É inaceitável deportar um cidadão estrangeiro, negar-lhe a entrada no país ou não fornecer a ele a autorização de residência temporária.” De acordo com o jornal Gazeta Russa, o Tribunal Constitucional da Rússia entendeu que estrangeiros portadores do HIV não podem mais ser deportados e nem ter sua entrada proibida naquele país em razão da sorologia positiva. O Tribunal declarou que a prática de aplicação de normas estabelecidas em algumas leis que regem o estatuto jurídico dos estrangeiros na Rússia e que permitem a deportação de cidadãos estrangeiros ou apátridas soropositivos e cujos familiares residem permanentemente no país é inconstitucional. “É inaceitável deportar um cidadão estrangeiro, …

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O mais promissor

“– Então, doutor”, perguntei ao meu médico, Dr. Esper Kallás: “qual você acha que é hoje o estudo mais promissor em relação à cura?” “– Acho que é o estudo da Gilead Sciences, sobre o agonista de TLR7.” A Gilead Sciences anunciou hoje, em 25 de fevereiro de 2015, os resultados de um estudo pré-clínico realizado em colaboração com pesquisadores do Beth Israel Deaconess Medical Center, avaliando o receptor TLR7 e um agonista oral análogo, o GS-9620, como parte de uma estratégia de erradicação do HIV. Os dados demonstram que o tratamento com o agonista de TLR7 induziu o RNA do vírus da imunodeficiência símia (SIV) no sangue, bem como o DNA do SIV em macacos rhesus viralmente suprimidos que receberam terapia antirretroviral (TARV). Além disso, o estudo descobriu que, após a descontinuação da TARV, as cargas virais do SIV foram menores entre os macacos que receberam o agonista de TLR7 em comparação com o grupo sob placebo. Estes dados foram apresentados em uma sessão na 22ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), em …

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Cura funcional um passo mais perto

Por Dana Dovey em 10 de março de 2015 para o Medical Daily Uma possível “cura funcional” para o HIV recebeu aprovação da Food and Drug Administration (FDA) americana para começar mais testes em humanos. O método usa modificação genética para causar uma mutação específica nas células brancas de pacientes com HIV, imitando as pessoas que são naturalmente imunes ao vírus. Até agora, essa estratégia tem se mostrado receptiva e de efeito duradouro. A nova terapia retira células-tronco de pacientes soropositivos e, através de uma ferramenta de edição genética, faz as células brancas do sangue ganharem uma mutação específica. Essa mutação afeta a proteína CCR5 e interfere na habilidade do vírus de penetrar na células do sangue. É naturalmente presente numa pequena porcentagem da população mundial e faz com que estes indivíduos sejam resistentes à infecção pelo HIV pela vida toda. Embora o vírus possa permanecer no corpo, sem conseguir penetrar nas células T ele não é capaz de se replicar e, como consequência, permanece em pequena quantidade, a qual não compromete o sistema imune. …

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Jornalismo cientiífico

A notícia que não faz sentido

Não faz sentido o que tem sido noticiado sobre o “clube do carimbo”, os soropositivos que transmitem propositalmente o HIV, “carimbando” sua vítimas com o vírus e instruindo outros sobre como fazê-lo também, perfurando ou retirando a camisinha sem que seus parceiros percebam. Essa notícia já estampou a imprensa on-line, impressa e, agora, chegou também à tela das emissoras de televisão. Eu, como uma pessoa que vive com HIV, gostaria que notícias como essa destacassem que o perfil de transmissor intencional do HIV não é o perfil de todo o soropositivo. Não é o meu perfil e sei que não é o da esmagadora maioria das pessoas que vivem com HIV. Mas, se existem pessoas que transmitem propositalmente o HIV, é natural que virem notícia, mesmo que estes sejam uma minoria, um grupo extremamente restrito. Não é preciso que seja atitude de uma maioria para que algo vire notícia. Não é isso o que estabelece a relevância e a seleção dos editores para o que vai ou não para a capa dos jornais. Ao contrário: …

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IGT

Proteção sem vacina

Por Carl Zimmer em 9 de março de 2015 No mês passado, um grupo de cientistas anunciou aquilo que pode vir a ser um enorme passo na luta contra o HIV. Pesquisadores do Scripps Research Institute afirmam ter desenvolvido um anticorpo artificial que, uma vez no sangue, é capaz de se agarrar ao vírus e desativá-lo. A molécula foi capaz de eliminar o HIV de macacos infectados e protegê-los de futuras infecções. Esse tratamento não consiste numa vacina, em seu sentido comum. Ao levar genes sintéticos aos músculos dos macacos, os cientistas estão essencialmente reprogramando a genética dos animais para resistir à doença. Os pesquisadores estão testando essa nova abordagem não apenas contra o HIV, mas também o ebola, malária, influenza e hepatites. “É algo que pode revolucionar o modo como nos imunizaremos contra ameaças de saúde pública no futuro.” “O céu é o limite”, disse Michael Farzan, imunologista do Scripps e autor líder deste novo estudo. Farzan e outros cientistas estão cada vez mais esperançosos de que esta técnica possa servir como proteção duradoura …

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Camisinha

Prevenção sem preconceito

91,5% das 45 mil novas infecções em 2009, nos Estados Unidos, foram adquiridas a partir de pessoas que não sabiam ter HIV ou que não estavam em tratamento antirretroviral, de acordo com uma nova análise dos dados de transmissão daquele país, publicada no jornal JAMA Internal Medicine. Para efeito comparativo, em 2009 o Brasil teve 39.364 casos notificados de HIV/aids e acumulava aproximadamente 580 mil. Nos Estados Unidos, em 2009, havia 1.148.200 pessoas vivendo com HIV. 18,1% destas, não diagnosticadas. 45,2% eram diagnosticadas mas não estavam sob acompanhamento médico. 4,1% estavam sob cuidado médico mas não estavam em tratamento antirretroviral. 7,2% estavam sob tratamento antirretroviral mas não tinham supressão virológica, portanto tinham vírus detectável no sangue, enquanto 25,3% tinham o vírus suprimido, a carga viral indetectável — o que quer dizer que a quantidade de vírus no sangue é tão baixa que não pode ser detectada nos exames de laboratório e, consequentemente, o risco de transmissão do HIV a partir destas pessoas pode ser próximo de zero. Nesse estudo, comparadas com pessoas portadoras do HIV …

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HIV travel 2014

Quais são os países que ainda discriminam viajantes com HIV?

Domingo, 1º de março, foi o Dia da Discriminação Zero, data que começou a ser celebrada em 2014. Neste ano, a Unaids aproveitou a data para divulgar um novo balanço dos países ou territórios que ainda restringem o tempo de estadia, impedem a entrada ou deportam viajantes com HIV. Em 2008, eram 59 os países que impunham alguma restrição segregatória contra viajantes que vivem com HIV. Mas Austrália, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Mongólia e Uzbequistão, entre outros, abandonaram suas restrições e hoje esse número é menor, com 38 países. Entre aqueles que ainda discriminam viajantes com HIV estão, nas Américas: Belize, Cuba, o nosso vizinho Paraguai e a República Dominicana. Na Europa: Bielorrússia e Lituânia. Na África: Ilhas Maurício e Sudão. No Oriente Médio: as únicas exceções são Turquia e Irã, enquanto todos os demais países da região impõem algum tipo de restrição. Na Ásia: Brunei, Coreia do Norte, Malásia, Rússia, Singapura, Taiwan e Turcomenistão. Na Oceania: Ilhas Salomão, Nova Zelândia e Papua Nova Guiné, entre outros países e territórios insulares da região. …

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