Feliz aniversário, Elisa!

Brasil Post

Foi em março de 1985 que a Food and Drug Administration (FDA) licenciou, nos Estados Unidos, o primeiro teste de anticorpos para o HIV, o Elisa. Faz 30 anos. O nome vem do termo em inglês enzyme-linked immunosorbent assay, ou imunoensaio absorvente ligado à enzima, um procedimento que detecta anticorpos ou antígenos numa amostra. No Brasil, esse teste também é chamado de “sorologia para o HIV” ou, mais simplesmente, é o teste de HIV.

No começo da epidemia, antes do desenvolvimento do Elisa para o HIV, o diagnóstico de aids se dava pelo aparecimento de doenças típicas de sistemas imunes deprimidos, senão totalmente devastados, como as lesões na pele causadas por sarcoma de Kaposi. Sem um teste que identificasse a presença do vírus no organismo, ninguém sabia se estava contaminado, se poderia transmitir a doença e se desenvolveria ou não a aids. O alívio que o teste proporciona para quem recebe resultado negativo, claro, nunca foi o mesmo de quem — assim como eu — leu “positivo” no papel do laboratório. Mas naquela época era pior. Receber o diagnóstico nos anos 80, que levava cerca de uma semana para ficar pronto, era uma sentença de morte certa e provavelmente muito sofrida.

“Fazer ou não fazer o teste era uma decisão torturante. A maioria das pessoas entendia que não havia nada que os médicos pudessem fazer para quem era diagnosticado positivo.”

“Fazer ou não fazer o teste era uma decisão torturante, uma vez que a maioria das pessoas entendia que não havia nada que os médicos pudessem fazer para quem era diagnosticado positivo”, lembra Laura Pinsky, assistente social cofundadora do primeiro local de testagem num campus universitário do mundo, em 1985, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, e ainda hoje dirigente da organização Gay Health Advocacy Project (GHAP). Num artigo publicado na Poz Magazine sobre o aniversário do Elisa, ela lembra que a única alternativa que poderia ser oferecida aos diagnosticados positivos era o Bactrim, um antibiótico eficaz contra pneumonia, doença oportunista que tirava a vida de muitos soropositivos. Sem grandes perspectivas de tratamento, muitos preferiam não saber sua condição sorológica para o HIV e, mesmo com o surgimento do Elisa, não faziam o teste.

O surgimento do Elisa permitiu identificar os estoques em bancos de sangue que eram positivos para o HIV e, assim, reduzir o número de infecções decorrentes de transfusões sanguíneas. Foi um passo muito importante porque, naquela altura, 9 mil pessoas haviam contraído o vírus por transfusão de sangue nos Estados Unidos. Entre 1980 e 2001, o Brasil teve 2178 casos notificados de transmissão de HIV por meio de transfusão. Se você também tem mais ou menos a mesma idade que o Elisa, deve se lembrar de Herbert de Souza, o Betinho, hemofílico, contaminado por transfusão. Ele lutava por um tratamento digno para os soropositivos. Faleceu em 1997, por complicações decorrentes da aids.

Em 2014 foram registrados no País apenas dois casos de transmissão por transfusão de sangue. Esse número decresceu acompanhando a melhora na precisão do Elisa. Hoje, um resultado positivo ou negativo num teste de HIV é um resultado seguro, desde que seja respeitado o período chamado de “janela imunológica”. Esse período diz respeito ao tempo entre o contágio, quando o vírus entra no organismo e estabelece a infecção, e o resultado diagnóstico seguro. Uma vez que o Elisa é um teste que detecta anticorpos e antígenos, é preciso que o organismo já tenha reagido à presença do vírus, produzindo os anticorpos contra ele, ou que o antígeno, que nada mais é que um pedacinho do vírus, seja encontrado. Conforme explica meu médico, o infectologista Dr. Esper Kallás, hoje o período da janela imunológica para o teste de HIV é de 30 dias, contados a partir da última relação sexual sem camisinha. (Então, se esqueceu da camisinha no Carnaval, você deve fazer ou repetir o teste de HIV no dia 18 de março.)

Esse período só é maior para quem fez profilaxia pós-exposição (PEP), uma alternativa de prevenção ao HIV após uma possível exposição ao vírus, adotada em casos de estupro, acidentes médicos e laboratoriais com material contaminado ou em alguns casos de falha no uso da camisinha. Consiste no uso de antirretrovirais que devem ser iniciados em até 72 horas a contar da possível exposição e mantidos rigorosamente ao longo de um mês. Nesse caso, os 30 dias da janela imunológica devem ser contados a partir do término da PEP.

“Não adianta aceitar como definitivo o resultado de um teste feito logo após a relação desprotegida”

“Não adianta aceitar como definitivo o resultado de um teste feito logo após a relação desprotegida”, afirma o Dr. Esper. “A quantidade de vírus pode ser insuficiente para apresentar um resultado preciso.” Uma pessoa só pode ser considerada soropositiva ou soronegativa se fizer o teste de HIV respeitando a janela imunológica. Se você fizer o teste antes disso, não é possível ter certeza se tem ou não HIV. Se fizer depois, pode estar plenamente seguro quanto ao resultado — desde que não tenha transado novamente sem camisinha! “Hoje, casos de falsos positivo e negativo são extremamente raros. Representam, em média, menos que 0,1% dos testes, em ambos os casos. Essa taxa é um pouco maior em situações de gravidez, infecção positiva para sífilis ou nos raríssimos casos de doenças reumatológicas e imunes.”

Aids cake

Diferentemente das primeiras décadas de aids, hoje quem recebe um diagnóstico positivo tem uma perspectiva de tratamento muito boa. Claro, não é a mesma coisa do que não ter o vírus. “Ainda há diferenças importantes entre alguém com HIV bem controlado e alguém sem HIV — se não houvesse diferença, nós não estaríamos buscando a cura”, explica o Dr. Joel Gallant, médico que cuida de pacientes com HIV em Santa Fé, Novo México, nos Estados Unidos, e tem um blog em que responde à perguntas de pacientes soropositivos. “Mesmo com o HIV bem controlado, você tem uma condição de saúde que é onerosa de ser tratada, que aumenta a inflamação crônica e a ativação imune. Você ainda tem DNA viral integrado no seu próprio genoma.”

Qualquer pessoa sã que vive com HIV gostaria de viver sem o HIV. Mas é possível, sim, viver muito bem com o vírus, normalmente, de maneira saudável e tomando apenas um comprimido por dia. Esse avanço é resultado da terapia antirretroviral combinada, o “coquetel”, uma das maiores conquistas da medicina na atualidade. “Com o tratamento antirretroviral, que veio em 1996, houve uma revolução. Passamos a ver o controle da multiplicação do vírus e o sistema imune se recuperando. O que parecia ser inexorável, cedeu. As longas filas de macas de pacientes com aids nos prontos-socorros foram reduzindo drasticamente. A qualidade de vida das pessoas que viviam com o vírus voltou”, conta o Dr. Esper.

Com o tratamento, a quantidade de vírus no sangue — chamada de “carga viral” –, que pode chegar aos milhões no começo da infecção, cai para um nível indetectável. Enquanto for mantido o tratamento, o vírus não consegue se multiplicar e morre, persistindo apenas de maneira dormente, inativa, escondido no material genético das células de memória do sistema imune. É o meu caso e de 78% das pessoas que fazem tratamento para o HIV no Brasil: temos carga viral indetectável.

“Do ponto de vista do prognóstico e expectativa de vida, pessoas com carga viral indetectável e contagem normal de CD4 têm mais em comum com soronegativos do que com pessoas com uma infecção não tratada de HIV”

“Do ponto de vista do prognóstico e expectativa de vida, pessoas com carga viral indetectável e contagem normal de CD4 têm mais em comum com soronegativos do que com pessoas com uma infecção não tratada de HIV”, afirma o Dr. Gallant. Sem a presença do vírus no sangue e nos fluídos corporais, o organismo pode restaurar a saúde, restabelecendo as células CD4 do sistema de defesa, as mais afetadas pela infecção do HIV. Nos últimos anos, a expectativa de vida de quem vive com HIV e faz tratamento praticamente se igualou à de pessoas soronegativas. Adultos infectados pelo HIV e que cuidam da saúde têm doenças relacionadas ao envelhecimento em idades semelhantes aos adultos não infectados. Nada disso seria possível sem que as pessoas tomassem consciência da sua saúde, fazendo o teste de HIV.

Hoje, não é preciso mais temer tanto o teste. Pelo menos, não tanto quanto no começo da epidemia. O teste rápido, nacionalizado no Brasil em 2008, permite obter o resultado em minutos. Em breve, o teste rápido por fluído oral, que pode ser feito em casa, deve chegar nas farmácias de todo o País. É preciso ter consciência que fazer o teste é bom para a sua saúde e ajuda a controlar a epidemia no mundo.

Atitude Abril

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Herivaldo Virulato
Visitante
Herivaldo Virulato

Toda essa luta para que as pessoas se encoragem a fazer o teste… E uma nova onda de segregação parece estar nascendo. A notícia do momento é a suposta transmissão intencional do vírus. A mim parece tão improvável que isso seja verdade… Quem sabe que é positivo, trata-se e não transmite. Quem não sabe não pode estar transmitindo nada de modo intencional. Alguns dos amigos homossexuais sabe dizer se é verdade que há grupos “carimbadores”? Acho mais provável que isso seja uma brincadeira idiota entre algumas pessoas que a polícia está levando longe demais por falta de informação. O mundo… Ler mais »

Herivaldo Virulato
Visitante
Herivaldo Virulato

A minha idéia é: nós só teremos uma ampla busca pelo teste entre os brasileiros quando todos tiverem a certeza de que, se der positivo, não serão para sempre segregados da sociedade. E é exatamente isso que a imprensa parece não compreender. Com isso, continuaremos uma nação de sorointerrogativos transmitindo o vírus, e uma nação de indetectáveis levando a culpa.
E o mais cruel: por causa do preconceito, preferimos nos esconder e nem podemos ir à rua lutar por nossos direitos. É muito difícil isso tudo…

D_Pr
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D_Pr

O homem (ser humano) é capaz de atos abomináveis, é bem provável que quem nos transmitiu o vírus o fez de maneira intencional!

Alexandre
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Alexandre

A mulher que me transmitiu fez de propósito.

binhomais
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Herivaldo Virulato, sei de três conhecidos de meu companheiro, um é transexual se cuida e deve ser, creio, indetectável (colocou silicone nos glúteos e teve recuperação ótima, sem nenhum contratempo). O outro também vai bem, após uns três anos de diagnóstico esta bombado de tanta academia e se cuida muito bem. O terceiro faleceu um mês antes de eu iniciar a TARV, me foi um choque, mas ele não se cuidava e dizia que passaram pra ele de propósito, por isso ele fazia igual. Este terceiro me fez surtar, fiquei morrendo de medo de “não dar tempo” de eu ficar… Ler mais »

desbravador
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desbravador

Você está desfocalizando o assunto ao usar essa linguagem generalista. O que estão sendo investigado são determinados grupos que se comunicam pela internet passando “macetes”–funcionais ou não– de como expor seus parceiros à chance de contaminação,à revelia deles.Frisando em letras garrafais: DETERMINADOS grupos. Ninguém está, como nas tuas palavras, “acusando os soropositivos de tentativa de homicídio”. Você usou a palavra “soropositivo” de forma muito emocional e não se ateve ao caso descrito propriamente dito. A segregação factual é inadmissível,nisso concordamos,mas tergiversar em cima do fato concreto só contribui para substituirmos a tentativa e se fazer justiça por declarações difusas, sem… Ler mais »

Madamemin
Visitante
Madamemin

Herivaldo,

Infelizmente eu acho que é bem possível que algumas pessoas tentem transmitir HIV propositalmente. Eu já cheguei a pensar que a pessoa que possivelmente me contaminou esteja fazendo isso (embora eu não queira acreditar que isso seja verdade), em razão de alguns comentários que ele faz.
É triste demais, mas possível.
E um agravante é que pessoas como nós, que nos cuidamos e tentamos levar uma vida saudável e normal, que nos punidos só de pensar na possibilidade de contaminar alguém, acabamos por sofrer mais preconceito em razão de atitudes como essas.

Herivaldo Virulato
Visitante
Herivaldo Virulato

Sei lá, na minha cabeça quem me transmitiu fui eu mesmo, ao não tomar as precauções necessárias. Mas compreendo que é um assunto difícil. Desbravador, peço desculpas se dei a impressão de desfocar a questão. Essa não foi minha intenção. Só me assusto com reações desproporcionais a riscos pequenos, como parece ser o caso, porque elas aumentam o preconceito. Já foi dito neste blog: soropositivos não monstros malvados. A reação que houve nas redes sociais a essa notícia do inquérito foi de profunda indignação e de retração. Mesmo sem ser essa a intenção da policia, isso afeta a todos os… Ler mais »

Herivaldo Virulato
Visitante

Vejam, eu procuro encarar assim: eu, soropositivo, tenho sorte de não ser diabético, porque diabetes é uma doença muito difícil de controlar e com consequências severas pra saúde no longo prazo. Sendo assim, eu inevitavelmente penso: por que eu sempre morri de medo do Elisa e nunca tive medo da glicerina jejum? Esse é o ponto. Temos de combater a percepção de risco, para que as pessoas se testem mais. Temos de celebrar que os mais jovens achem que o HIV não é nada de mais. Ele não é mesmo! Com “test and treat” podemos vencer essa doença! Reproduzindo as… Ler mais »

Madamemin
Visitante
Madamemin

Absolutamente concordo com vc.
Só penso que o medo ainda gera mais cuidado e prevenção. Então, penso eu, ser um mal um pouco necessário.
Todos nós aqui fomos descuidados e somos responsáveis pelos nossos atos. Além de estarmos pagando um preço elevado.

Bjao

Madamemin
Visitante
Madamemin

Faltou uma parte…
Mas o medo a que me refiro é o medo do antes, de ser contaminado.
Medo de fazer o teste nao tem fundamento.

CARA +
Visitante
CARA +

Madamemin

na realidade, o que percebo é que o medo está diretamente ligado ao ter feito algo que pode, veja bem, pode ter sido um “comportamento de risco”, ou melhor, o que é entendido, efetivamente pelas pessoas, como um comportamento de risco?

me lembro que as três vezes que fiz o teste (e deu negativo), o fiz após um comportamento que julgava poder ser de risco. Deixei passar, quando isso englobou uma relação que julgava ser saudável, que eu entendia que havia amor, cuidado, cumplicidade. E ai é que mora o vilão da história.

Madamemin
Visitante
Madamemin

Cara +

Exato.
A tua negligência ou imprudência foi igual a minha, em uma relação julgada (erradamente) livre de riscos.
Bom, eu estava tão tranquila do meu julgamento que devo ter ficado meses ou anos como soropositiva sem saber.
Mas percebo que muitas pessoas tem o comportamento de risco mencionado por vc sem qualquer medo, talvez pq achem (como eu tb achei) que o HIV tem cara ainda.
E sabemos que nao.
Claro, no final das contas o comportamento é exatamente o mesmo.
Por isso penso que um pouco de medo poderia proteger muita gente.
Sei lá, eu acho.
Bjo

Novato
Visitante
Novato

Passei por isso, há três dias, mas acho q foi vítima da carimbada, vou ser sincero, ontem tentei me matar. Ainda estou assimilando as coisas. Queria ajuda, mas ajuda com palavras, pra semana vou fazer os exames mais detalhados e começarei o meu tratamento…

CARA +
Visitante
CARA +

Novato

se te ajuda, anota ai meu email/skype e podemos trocar idéias por lá: carapositivo@outlook.com

cara, esse primeiro “baque” é complicado mesmo, mas tenha certeza que a vida segue seu rumo normal….manda email e conversamos!

caradobemsampa2
Visitante
caradobemsampa2

Novato
imagino o que sente… creio que muitos passam por isso
é só uma fase…..
O passado já foi…. ligue-se no seu futuro, busque ajuda medica e viva.
a vida nao acabou
ando sumido, mas as vezes online no skype
se precisar conversar.. estamos aí
caradobemsampa2@hotmail.com
abraçao

novato
Visitante
novato

obrigado

binhomais
Visitante

novato, a gente só tem uma agenda nova, depois de um tempo em TARV a ficamos como antes.

Na verdade visitar médico regularmente, se exercitar e comer adequadamente é o que todo ser humano devia fazer.

Segura a onda aí, logo estará nos contando que vc tb está indetectável e nem se lembra que tem o “bostinha”.

zack
Visitante
zack

ola novato tudo bem ? espero que sim se vc quiser conversar desabafar, eu estou passando pela mesma situação,se vc quiser me manda um E-mail que te passo o numero do meu cel do wats ou vc passa o seu, abraçosss ótimo dia
Zackvianna@icloud.com

D_Pr
Visitante
D_Pr

Considerando a insalubridade, os ótimos serviços prestados, gostaríamos de estar lhe aposentando o quanto antes, entretanto, sabemos que será impossível nos dias de hoje, pois é…só queremos a cura, não vamos procriar igual coelhos!

D_Pr
Visitante
D_Pr

Jovem, não tão jovem, mais mesmo assim um jovem sábio, que consegue acalmar nossos ânimos, faltou mencionar o criador do teste!

luquinha
Visitante
luquinha

Parabéns pra você nesta data maldita , muitas infelicidades nesta data maldita , sai de mim , sai de mim sai de mim sai de mim sai de mim agora , agora , agora ,agora , agora
vírus vírus vírus vírus
Elisa kd você , eu vim aqui para comer seu bolo

D_Pr
Visitante
D_Pr

Olha aí Luquinha, está chegando amigos! Que você seja um bom profeta e 2015 seja o ano da cura!!!

“These data demonstrate that, given alongside ART, the TLR7 agonist may have the potential to both stimulate virus production and eliminate latently infected cells – an eradication strategy being explored today.”

http://www.marketwatch.com/story/gilead-announces-preclinical-data-for-an-investigational-tlr7-agonist-in-siv-infected-virally-suppressed-monkeys-2015-02-25

luquinha
Visitante
luquinha

Vai ser sim , você vai ver

rcpalmas
Visitante
rcpalmas

realenteo impacto tanto em dias atuais como no passado éo mesmo e a gente fica atordoado.Mas hoje a coisa é diferente, asó se tratar, se cuidar.A ùnica coisa que ta me incomodando é se relacionar com alguém, sou homo e agora fico com medo de ter alguém serio, se antes já era dificl, agora que será, mas ninguém sabe de minha sorologia descoberta recentemente, to na fase de exames para iniciar o tratamento.abraços

Cara do Bem Sampa
Visitante
Cara do Bem Sampa

Existem seres humanos de todos os tipos no mundo.
Não seria diferente entre os soropositivos. O importante é cada um ter consciência e fazer o que acha correto.
Contar antes? Contar depois? Como gostaria que fosse com você?
Minhas perguntas não possuem julgamentos… mas vale a reflexão.
Não creio que generalizar seja o melhor caminho.
Tenho certeza que aqui existem pessoas do bem e que desejam o bem, e acredito que muitos como nós estão por aí.
Grande abraço

sampapoa
Visitante
sampapoa

1- cedo ou tarde as pessoas em tratamento se tornam indetectáveis… logo, dificilmente seriam transmissoras… e acredito que a maioria das pessoas que descobrem ser soropositivas escolhem aderir ao tratamento. e é um tanto estranho imaginar que não adeririam apenas para sair transmitindo… portanto… vejo pitadas de sensacionalismo nessa notícia…

D_Pr
Visitante
D_Pr

Como você acha que as infecções continuam aumentando ano após ano? Resultado de sexo com “soro-interrogativos”? Duro de acreditar! A linha entre a razão e a loucura, pode romper após um diagnóstico “reagente”! Quem não tem apoio familiar, julgado o tempo inteiro como promíscuo (coisa que a grande maioria aqui não é), está pouco se importando se vai continuar a viver, muitas pessoas desejam isso…desejam um fim! A grande mídia precisa ter acessos, não vão colocar que é um “perfil” psicológico doentio… Foi como a reportagem “enfim, a cura da AIDS” Já chegou por acaso? Revistas venderam aos montes! E… Ler mais »

Herivaldo Virulato
Visitante

D_Pr, eu não tenho dados, mas acho que a progressão da doença se deve a sorointerrogativos recém infectados. Nos seis primeiros meses, a pessoa fica altamente infectante, com carga viral superior a 1 milhão. Depois a carga se estabiliza num patamar bem mais baixo. Li em algum lugar que uma pessoa solteira recém infectada que não sabe de sua condição transmite para em média cinco (parece-me) pessoas. Se o nr não for esse é próximo. Ou seja, é possível que o grande vilão seja o medo do teste. Esse medo que precisamos combater.

D_Pr
Visitante
D_Pr

É duro não ter medo Herivaldo, nós temos medo sendo portadores!

Fênix
Visitante
Fênix

Catania ease Lúcio viaja de mais. Interpreta dados de forma totalmente pretensiosa para justificar suas ideias e ignora tudo o que é contra suas crenças. Amigo um único teste de hiv reagente não e suficiente pra dizer se a pessoa está infectada, os testes serão repetidos com outra metodologia. Dois testes Elisa e wb se forem positivo então fazem carga vira, sendo esse último feito regularmente para acompanhar tratamento então não tem como alguém sem hiv ser submetido a tratamento. Ademais a possibilidade de falha não se confunde com probabilidade de falhas. Essas falhas são possiveis mas são raras e… Ler mais »

Guerreiro Azul
Visitante
Guerreiro Azul

Bom dia,

Na sexta feira inicio o tratamento com 3×1, como havia dito em outra oportunidade tive que adiar esse início por um período.

Confesso que estou com medo de algo dar errado, preocupado em ter alguma reação que exponha minha nova condição.

Herivaldo Virulato
Visitante

Guerreiro, já vimos essa história. Confie em mim, daqui a alguns meses você estará celebrando conosco os resultados dos seus exames! Vai dar tudo certo!

Santos
Visitante
Santos

Concordo com JS quando fala na matéria que é importante fazer o teste, pois é bom para a saúde e para o controle da epidemia. Mas infelizmente ainda existem muitas pessoas que temem fazer o teste mesmo depois de uma relação desprotegida e preferem serem soro interrogativos, acredito que muitos de nós inicialmente tivemos esse medo, e somos considerados corajosos por termos tomado a atitude de fazer o teste e estarmos cuidando de nossa saúde. A recusa de muitas pessoas ao teste é muito simples, e se chama medo, sim mesmo com os avanços no tratamento, o medo ainda circunda… Ler mais »

Lucius de Roma
Visitante
Lucius de Roma

Se a pessoa que me contaminou o fêz de maneira intencional ou não, não me importa, mas o que eu tenho plena certeza é que não me protegi, não exige proteção e daí o resultado que se podia esperar de um ato suicida é de minha inteira e total responsabilidade. Nunca “joguei” e nunca “jogarei” em cima de alguém a culpa pela minha soropositividade, ela é fruto da minha promiscuidade e da minha insensatez.

sampapoa
Visitante
sampapoa

“promiscuidade” soa um tanto estranho e preconceituoso, visto que muitas pessoas nasceram soropositivas, contraíram o vírus em pouquíssimas transas desprotegidas ou mesmo se contaminaram com parceiro fixo (confiando e amando) e até mesmo acidentalmente…

as palavras são navalhas, meu caro lucius… e SEMPRE estão carregadas de alto teor ideológico, lembre-se sempre disso… 😉

Lucius de Roma
Visitante
Lucius de Roma

Caro sampapoa! O meu texto se refere única e exclusivamente à minha pessoa, não fiz e nunca farei referências a outros soropositivos, pois não conheço seus históricos e não estou aqui para julgar ninguém.

suzana
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suzana

Eh! amigo existe muita gente fria e calculista por ai,as vezes erramos em acreditar que as pessoas não são más.

D_Pr
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D_Pr

Será mais uma matéria sensacionalista pró BIG PHARMA…Infelizmente, não! Ela menciona que o HIV controlado com boa adesão a terapia antirretroviral, os cânceres, metade deles são evitados, entretanto, AS REPORTAGENS ABAIXO DIZEM: é 50% maior entre as pessoas com HIV.. É galera, não está fácil pra ninguém! Mas não se desesperem, de AIDS ninguém vai morrer…HIV MALDITO! Todo dia eu mato seus filhinhos, saia da toca pra ver se eu não acabo de uma vez por todas com você, covarde! Não desejo que ninguém se assuste com a reportagem, é apenas em caráter informativo, pra revermos alguns hábitos e melhorarmos… Ler mais »

The Faithfullness
Visitante
The Faithfullness

Boa noite a todos. Acompanho este blog a algumas semanas e hoje decidi escrever. Descobri que fui contaminado com o HIV exatamente em Setembro de 2014, digo exatamente pois fiz o teste em agosto de 2014 e deu negativo (não reagente). Fiz o exame pois meu parceiro descobriu estar com o vírus. No próximo mês, passada a janela imunológica, deu o “reagente”. Enfim, após toda a fase do inconformismo, da auto-culpa, da vergonha, do “e agora?”, enfim, passei a estudar como deveria me comportar daqui pra frente. Em meu primeiro e ultimo exame, em Dezembro consta: CD4=789 mm, CD8=937 mm… Ler mais »

D_Pr
Visitante
D_Pr

Amigo, a fé pode ajudar com essa situação! Resolver ela, tá aí uma coisa que não vi ninguém, já vi gente ser curado de câncer pela fé, do HIV nunca! A decisão de entrar com a medicação é sua e caso não queira entrar com ela agora, procure um segundo infectologista! No seu lugar, pode ser interessante uma outra opinião sobre iniciar ou não!

binhomais
Visitante

The Faihfullness, após a fase aguda (início da infecção), a carga viral reduz e depois volta a subir gradativamente. Tenho fé que a cura virá, mas ela se espontânea ou pela religião, aí eu não creio. Meu infecto, se minha CV ou CD4 fossem baixos, iria esperar, mas eu pediria para começar a TARV, pois, sem ela pode-se criar/ampliar reservatórios latentes. A sugestão do D_Pr é a melhor, visite um segundo infecto.

D_Pr
Visitante
D_Pr

Grande Binhomais!

Me lembrei de você esses dias, já parou de fumar? Você sabe que é o único problema de saúde que temos hoje não sabe?

Quanto a formação de reservatórios latentes Binho, iniciar ou não a medicação não vai mudar… Como foi dito pelo Alexandre e pelo Sérgio, é só lembrar do bebe em Mississípi…30 horas após seu nascimento, medicação e após interrupção da terapia, rebote viral!

Eu com a carga viral dele não iniciaria…mas aí é de cada um…

binhomais
Visitante

D_Pr, e se o vírus muta e cria um novo local de latência (é duvida mesmo)?
Não, não parei de fumar. Meus exames deram uma leve redução no CD4, de repente o cigarro não ajuda a permitir que suba. O ar-condicionado na empresa e tb o stress no trabalho, com esta crise e redução de pessoal, anda pesando. Mas tô tocando a vida.
Abraço!

D_Pr
Visitante
D_Pr

O corpo dele responde bem a infecção, digamos que se ele cuidar bem da alimentação, exercícios (não práticas extremas, aí o efeito é contrário), consegue reduzir a perda de células CD4 de 50/ano para perdas de 12/ano, depende de cada organismo, claro! Segundo as novas pesquisas do Dr Louis Picker, o santuário de latência é localizado nos folículos das células B, gânglios linfáticos e tecidos linfóides…onde fabricam-se os anticorpos (HIV MALDITO) rsrsrs, por essa razão as células T assassinas de inimigos “não podem entrar ali pra matar ele” simploriamente falando. Os outros locais que li, são intestino, rins, tecido cerebral.… Ler mais »

Secret Guy
Visitante
Secret Guy

The Faithfullness,

O impacto da mudança de vida do seu ex gerou uma melhora no quadro imunológico. Isso é ciência. Não é fé.

É só você se cuidar melhor que seu corpo sofrerá menos agressões e assim seu sistema imunológico terá mais capacidade de combater o HIV. Por isso que os médicos indicam boa alimentação, bom sono, o não-uso de drogas, exercícios físicos e etc.

Herivaldo Virulato
Visitante
Herivaldo Virulato

Nos fomos infectados na mesma época. Estou indetectável, com a saúde ótima e praticamente sem sequelas no sistema imunológico. Quanto mais cedo o tratamento, melhor, quando se trata de infecções recentes.
Quanto à fé, ela pertence a cada um. O remédio não exige que você abdique da fé. Não deixe que a fé te faça abdicar do remédio.

Julio
Visitante
Julio

Boa notícia! amfAR anuncia investimento de 100 milhões de dólares para a cura do HIV. A amfAR, Fundação para pesquisa da AIDS, anuncia a criação de uma estratégia de investimento de 100 milhões de dólares para a sua iniciativa “Contagem Regressiva para a Cura da AIDS”, lançada no ano passado com o objetivo de desenvolver uma base científica para uma cura até 2020. O foco dessa estratégia será a criação do amfAR Institute for HIV Cure Research dentro de uma grande instituição de pesquisa acadêmica, com um financiamento de 20 milhões de dólares. “Isso representa a maior expansão de financiamento… Ler mais »

The Faithfullness
Visitante
The Faithfullness

Olho todos os dias para caixa de remédio e me pergunto: começo ou não?

Cara do Bem Sampa
Visitante
Cara do Bem Sampa

Fé e Ciência, sempre em debate.
Pq não unir as duas?
grande abraço

Lucas
Visitante
Lucas

Uma dúvida: qual a diferença entre o teste rápido vendido na internet e feitos tb em postos de saúde, pro Elisa?

Um teste rápido com resultado negativo, respeitando a janela de 30 dias, é considerado seguro, podendo assim, descartar o teste Elisa?

Obrigado desde já!

Lucas
Visitante
Lucas

Ninguém sabe me dizer? Abraços!

D_Pr
Visitante
D_Pr

Bom dia, a eficácia e segurança dos testes estão em um patamar de precisão muito elevado, 30 dias é um período bem seguro, repita após 3 meses da exposição o mesmo teste rápido, negativo outra vez! E se realmente não confiar no resultado, quiser sair da dúvida, ou outro exame para comparar, faça o teste laboratorial, é barato, rápido e confiável.

Tem esse poste aqui, bem explicativo!

http://jovemsoropositivo.com/2013/08/18/mas/

D_Pr
Visitante
D_Pr

Post*** bem explicativo! E não POSTE!

Lucas
Visitante
Lucas

Obrigado por esclarecer, D_Pr! Eu fiz desse teste rápido mesmo igual do posto de saúde, vendido na net, com 55 dias depois de uma transa ai que me deixou encucado, e deu negativo. Se com esse tempo deu negativo e vc disse ser um tempo seguro e um resultado seguro tb, não tenho motivos pra repetir então! Não fiquei na dúvida do resultado, só queria saber se a eficácia era a mesma do Elisa!

Obrigado, meu caro, pela excelente explicação!

D_Pr
Visitante
D_Pr

Lucas, agradeça ao Jovem Soropositivo! Ele é quem conduz sabiamente esse blog e compartilha conosco as informações mais atualizadas acerca do assunto!

Um abraço, e fico realmente FELIZ por seu resultado ser “não reagente”. Mesmo sabendo que hoje o HIV deixou de ser o monstro feio que ele costumava ser…cada não infecção é motivo pra ser comemorada!!! Bacana sua atitude em fazer o teste, quanto mais pessoas fizerem o teste, logo encerramos a epidemia! Um pouco utópico, mas quero acreditar que isso tudo, vai acabar, logo!

Alex
Visitante
Alex

É muito importante fazer o teste o quanto antes. No dia 24 de agosto agora de 2015 recebi uma ligação da médica do laboratório onde eu havia feito uma 1ª coleta pedindo para ser retirada uma 2ª amostra de sangue. O Western Blot deu positivo também… Tenho quase certeza de que fui infectado pelo meu namorado. Não tenho certeza absoluta porque ele, por medo, ainda não fez o exame. Mas tenho quase certeza de que peguei dele porque só me expus a risco de contágio com ele, de maio, quando começamos a namorar, até a notícia do diagnóstico. Antes do… Ler mais »