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Feliz aniversário, Elisa!

Brasil Post

Foi em março de 1985 que a Food and Drug Administration (FDA) licenciou, nos Estados Unidos, o primeiro teste de anticorpos para o HIV, o Elisa. Faz 30 anos. O nome vem do termo em inglês enzyme-linked immunosorbent assay, ou imunoensaio absorvente ligado à enzima, um procedimento que detecta anticorpos ou antígenos numa amostra. No Brasil, esse teste também é chamado de “sorologia para o HIV” ou, mais simplesmente, é o teste de HIV.

No começo da epidemia, antes do desenvolvimento do Elisa para o HIV, o diagnóstico de aids se dava pelo aparecimento de doenças típicas de sistemas imunes deprimidos, senão totalmente devastados, como as lesões na pele causadas por sarcoma de Kaposi. Sem um teste que identificasse a presença do vírus no organismo, ninguém sabia se estava contaminado, se poderia transmitir a doença e se desenvolveria ou não a aids. O alívio que o teste proporciona para quem recebe resultado negativo, claro, nunca foi o mesmo de quem — assim como eu — leu “positivo” no papel do laboratório. Mas naquela época era pior. Receber o diagnóstico nos anos 80, que levava cerca de uma semana para ficar pronto, era uma sentença de morte certa e provavelmente muito sofrida.

“Fazer ou não fazer o teste era uma decisão torturante. A maioria das pessoas entendia que não havia nada que os médicos pudessem fazer para quem era diagnosticado positivo.”

“Fazer ou não fazer o teste era uma decisão torturante, uma vez que a maioria das pessoas entendia que não havia nada que os médicos pudessem fazer para quem era diagnosticado positivo”, lembra Laura Pinsky, assistente social cofundadora do primeiro local de testagem num campus universitário do mundo, em 1985, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, e ainda hoje dirigente da organização Gay Health Advocacy Project (GHAP). Num artigo publicado na Poz Magazine sobre o aniversário do Elisa, ela lembra que a única alternativa que poderia ser oferecida aos diagnosticados positivos era o Bactrim, um antibiótico eficaz contra pneumonia, doença oportunista que tirava a vida de muitos soropositivos. Sem grandes perspectivas de tratamento, muitos preferiam não saber sua condição sorológica para o HIV e, mesmo com o surgimento do Elisa, não faziam o teste.

O surgimento do Elisa permitiu identificar os estoques em bancos de sangue que eram positivos para o HIV e, assim, reduzir o número de infecções decorrentes de transfusões sanguíneas. Foi um passo muito importante porque, naquela altura, 9 mil pessoas haviam contraído o vírus por transfusão de sangue nos Estados Unidos. Entre 1980 e 2001, o Brasil teve 2178 casos notificados de transmissão de HIV por meio de transfusão. Se você também tem mais ou menos a mesma idade que o Elisa, deve se lembrar de Herbert de Souza, o Betinho, hemofílico, contaminado por transfusão. Ele lutava por um tratamento digno para os soropositivos. Faleceu em 1997, por complicações decorrentes da aids.

Em 2014 foram registrados no País apenas dois casos de transmissão por transfusão de sangue. Esse número decresceu acompanhando a melhora na precisão do Elisa. Hoje, um resultado positivo ou negativo num teste de HIV é um resultado seguro, desde que seja respeitado o período chamado de “janela imunológica”. Esse período diz respeito ao tempo entre o contágio, quando o vírus entra no organismo e estabelece a infecção, e o resultado diagnóstico seguro. Uma vez que o Elisa é um teste que detecta anticorpos e antígenos, é preciso que o organismo já tenha reagido à presença do vírus, produzindo os anticorpos contra ele, ou que o antígeno, que nada mais é que um pedacinho do vírus, seja encontrado. Conforme explica meu médico, o infectologista Dr. Esper Kallás, hoje o período da janela imunológica para o teste de HIV é de 30 dias, contados a partir da última relação sexual sem camisinha. (Então, se esqueceu da camisinha no Carnaval, você deve fazer ou repetir o teste de HIV no dia 18 de março.)

Esse período só é maior para quem fez profilaxia pós-exposição (PEP), uma alternativa de prevenção ao HIV após uma possível exposição ao vírus, adotada em casos de estupro, acidentes médicos e laboratoriais com material contaminado ou em alguns casos de falha no uso da camisinha. Consiste no uso de antirretrovirais que devem ser iniciados em até 72 horas a contar da possível exposição e mantidos rigorosamente ao longo de um mês. Nesse caso, os 30 dias da janela imunológica devem ser contados a partir do término da PEP.

“Não adianta aceitar como definitivo o resultado de um teste feito logo após a relação desprotegida”

“Não adianta aceitar como definitivo o resultado de um teste feito logo após a relação desprotegida”, afirma o Dr. Esper. “A quantidade de vírus pode ser insuficiente para apresentar um resultado preciso.” Uma pessoa só pode ser considerada soropositiva ou soronegativa se fizer o teste de HIV respeitando a janela imunológica. Se você fizer o teste antes disso, não é possível ter certeza se tem ou não HIV. Se fizer depois, pode estar plenamente seguro quanto ao resultado — desde que não tenha transado novamente sem camisinha! “Hoje, casos de falsos positivo e negativo são extremamente raros. Representam, em média, menos que 0,1% dos testes, em ambos os casos. Essa taxa é um pouco maior em situações de gravidez, infecção positiva para sífilis ou nos raríssimos casos de doenças reumatológicas e imunes.”

Aids cake

Diferentemente das primeiras décadas de aids, hoje quem recebe um diagnóstico positivo tem uma perspectiva de tratamento muito boa. Claro, não é a mesma coisa do que não ter o vírus. “Ainda há diferenças importantes entre alguém com HIV bem controlado e alguém sem HIV — se não houvesse diferença, nós não estaríamos buscando a cura”, explica o Dr. Joel Gallant, médico que cuida de pacientes com HIV em Santa Fé, Novo México, nos Estados Unidos, e tem um blog em que responde à perguntas de pacientes soropositivos. “Mesmo com o HIV bem controlado, você tem uma condição de saúde que é onerosa de ser tratada, que aumenta a inflamação crônica e a ativação imune. Você ainda tem DNA viral integrado no seu próprio genoma.”

Qualquer pessoa sã que vive com HIV gostaria de viver sem o HIV. Mas é possível, sim, viver muito bem com o vírus, normalmente, de maneira saudável e tomando apenas um comprimido por dia. Esse avanço é resultado da terapia antirretroviral combinada, o “coquetel”, uma das maiores conquistas da medicina na atualidade. “Com o tratamento antirretroviral, que veio em 1996, houve uma revolução. Passamos a ver o controle da multiplicação do vírus e o sistema imune se recuperando. O que parecia ser inexorável, cedeu. As longas filas de macas de pacientes com aids nos prontos-socorros foram reduzindo drasticamente. A qualidade de vida das pessoas que viviam com o vírus voltou”, conta o Dr. Esper.

Com o tratamento, a quantidade de vírus no sangue — chamada de “carga viral” –, que pode chegar aos milhões no começo da infecção, cai para um nível indetectável. Enquanto for mantido o tratamento, o vírus não consegue se multiplicar e morre, persistindo apenas de maneira dormente, inativa, escondido no material genético das células de memória do sistema imune. É o meu caso e de 78% das pessoas que fazem tratamento para o HIV no Brasil: temos carga viral indetectável.

“Do ponto de vista do prognóstico e expectativa de vida, pessoas com carga viral indetectável e contagem normal de CD4 têm mais em comum com soronegativos do que com pessoas com uma infecção não tratada de HIV”

“Do ponto de vista do prognóstico e expectativa de vida, pessoas com carga viral indetectável e contagem normal de CD4 têm mais em comum com soronegativos do que com pessoas com uma infecção não tratada de HIV”, afirma o Dr. Gallant. Sem a presença do vírus no sangue e nos fluídos corporais, o organismo pode restaurar a saúde, restabelecendo as células CD4 do sistema de defesa, as mais afetadas pela infecção do HIV. Nos últimos anos, a expectativa de vida de quem vive com HIV e faz tratamento praticamente se igualou à de pessoas soronegativas. Adultos infectados pelo HIV e que cuidam da saúde têm doenças relacionadas ao envelhecimento em idades semelhantes aos adultos não infectados. Nada disso seria possível sem que as pessoas tomassem consciência da sua saúde, fazendo o teste de HIV.

Hoje, não é preciso mais temer tanto o teste. Pelo menos, não tanto quanto no começo da epidemia. O teste rápido, nacionalizado no Brasil em 2008, permite obter o resultado em minutos. Em breve, o teste rápido por fluído oral, que pode ser feito em casa, deve chegar nas farmácias de todo o País. É preciso ter consciência que fazer o teste é bom para a sua saúde e ajuda a controlar a epidemia no mundo.

Atitude Abril

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58 comentários

  1. Herivaldo Virulato diz

    Toda essa luta para que as pessoas se encoragem a fazer o teste… E uma nova onda de segregação parece estar nascendo. A notícia do momento é a suposta transmissão intencional do vírus. A mim parece tão improvável que isso seja verdade… Quem sabe que é positivo, trata-se e não transmite. Quem não sabe não pode estar transmitindo nada de modo intencional.
    Alguns dos amigos homossexuais sabe dizer se é verdade que há grupos “carimbadores”? Acho mais provável que isso seja uma brincadeira idiota entre algumas pessoas que a polícia está levando longe demais por falta de informação. O mundo inteiro lutando para a revogação das leis que criminalizam o soropositivo. E o Brasil, na contramão do mundo, quer acusar os soropositivos de tentativa de homicídio… Onde fica a responsabilidade do soronegativo que consente em fazer sexo sem camisinha? O Brasil às vezes me parece um país de fantasia, dividido entre duas caricaturas opostas que não existem na vida real: os extremamente malvados, maquiavélicos e que querem fazer o mal sem motivo, e os pobres inocentes que não sabem o que fazem e estão inapelavelmente à mercê dos crápulas. Assim não chegaremos a lugar nenhum…
    Falo desta notícia: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,policia-investigara-homens-que-transmitem-hiv-de-proposito,1638495

    • Herivaldo Virulato diz

      A minha idéia é: nós só teremos uma ampla busca pelo teste entre os brasileiros quando todos tiverem a certeza de que, se der positivo, não serão para sempre segregados da sociedade. E é exatamente isso que a imprensa parece não compreender. Com isso, continuaremos uma nação de sorointerrogativos transmitindo o vírus, e uma nação de indetectáveis levando a culpa.
      E o mais cruel: por causa do preconceito, preferimos nos esconder e nem podemos ir à rua lutar por nossos direitos. É muito difícil isso tudo…

      • D_Pr diz

        O homem (ser humano) é capaz de atos abomináveis, é bem provável que quem nos transmitiu o vírus o fez de maneira intencional!

      • Herivaldo Virulato, sei de três conhecidos de meu companheiro, um é transexual se cuida e deve ser, creio, indetectável (colocou silicone nos glúteos e teve recuperação ótima, sem nenhum contratempo). O outro também vai bem, após uns três anos de diagnóstico esta bombado de tanta academia e se cuida muito bem. O terceiro faleceu um mês antes de eu iniciar a TARV, me foi um choque, mas ele não se cuidava e dizia que passaram pra ele de propósito, por isso ele fazia igual. Este terceiro me fez surtar, fiquei morrendo de medo de “não dar tempo” de eu ficar bem… Mas nesta semana pego meus exames, são três meses e meio de TARV e estou muito bem e confiante de que estarei indetectável. Tem doido pra tudo.

    • desbravador diz

      Você está desfocalizando o assunto ao usar essa linguagem generalista. O que estão sendo investigado são determinados grupos que se comunicam pela internet passando “macetes”–funcionais ou não– de como expor seus parceiros à chance de contaminação,à revelia deles.Frisando em letras garrafais: DETERMINADOS grupos. Ninguém está, como nas tuas palavras, “acusando os soropositivos de tentativa de homicídio”. Você usou a palavra “soropositivo” de forma muito emocional e não se ateve ao caso descrito propriamente dito. A segregação factual é inadmissível,nisso concordamos,mas tergiversar em cima do fato concreto só contribui para substituirmos a tentativa e se fazer justiça por declarações difusas, sem alvo definido, e um tanto oportunistas. Os “carimbadores”, se existem, são deploráveis, tanto quanto os segregadores…

    • Madamemin diz

      Herivaldo,

      Infelizmente eu acho que é bem possível que algumas pessoas tentem transmitir HIV propositalmente. Eu já cheguei a pensar que a pessoa que possivelmente me contaminou esteja fazendo isso (embora eu não queira acreditar que isso seja verdade), em razão de alguns comentários que ele faz.
      É triste demais, mas possível.
      E um agravante é que pessoas como nós, que nos cuidamos e tentamos levar uma vida saudável e normal, que nos punidos só de pensar na possibilidade de contaminar alguém, acabamos por sofrer mais preconceito em razão de atitudes como essas.

      • Herivaldo Virulato diz

        Sei lá, na minha cabeça quem me transmitiu fui eu mesmo, ao não tomar as precauções necessárias. Mas compreendo que é um assunto difícil.
        Desbravador, peço desculpas se dei a impressão de desfocar a questão. Essa não foi minha intenção. Só me assusto com reações desproporcionais a riscos pequenos, como parece ser o caso, porque elas aumentam o preconceito. Já foi dito neste blog: soropositivos não monstros malvados. A reação que houve nas redes sociais a essa notícia do inquérito foi de profunda indignação e de retração. Mesmo sem ser essa a intenção da policia, isso afeta a todos os soropositivos, porque retorna aquele medo desproporcional do HIV.
        Eu não acho errado que as pessoas tenham perdido o medo da doença. Não acho mesmo. Acho que a estratégia de prevenção não deve passar pelo medo.
        Enfim, essa é minha opinião.

        • Vejam, eu procuro encarar assim: eu, soropositivo, tenho sorte de não ser diabético, porque diabetes é uma doença muito difícil de controlar e com consequências severas pra saúde no longo prazo.
          Sendo assim, eu inevitavelmente penso: por que eu sempre morri de medo do Elisa e nunca tive medo da glicerina jejum? Esse é o ponto.
          Temos de combater a percepção de risco, para que as pessoas se testem mais. Temos de celebrar que os mais jovens achem que o HIV não é nada de mais. Ele não é mesmo! Com “test and treat” podemos vencer essa doença!
          Reproduzindo as palavras do JS, continuamos não sendo objetivos quanto ao HIV.

        • Madamemin diz

          Absolutamente concordo com vc.
          Só penso que o medo ainda gera mais cuidado e prevenção. Então, penso eu, ser um mal um pouco necessário.
          Todos nós aqui fomos descuidados e somos responsáveis pelos nossos atos. Além de estarmos pagando um preço elevado.

          Bjao

          • Madamemin diz

            Faltou uma parte…
            Mas o medo a que me refiro é o medo do antes, de ser contaminado.
            Medo de fazer o teste nao tem fundamento.

            • CARA + diz

              Madamemin

              na realidade, o que percebo é que o medo está diretamente ligado ao ter feito algo que pode, veja bem, pode ter sido um “comportamento de risco”, ou melhor, o que é entendido, efetivamente pelas pessoas, como um comportamento de risco?

              me lembro que as três vezes que fiz o teste (e deu negativo), o fiz após um comportamento que julgava poder ser de risco. Deixei passar, quando isso englobou uma relação que julgava ser saudável, que eu entendia que havia amor, cuidado, cumplicidade. E ai é que mora o vilão da história.

              • Madamemin diz

                Cara +

                Exato.
                A tua negligência ou imprudência foi igual a minha, em uma relação julgada (erradamente) livre de riscos.
                Bom, eu estava tão tranquila do meu julgamento que devo ter ficado meses ou anos como soropositiva sem saber.
                Mas percebo que muitas pessoas tem o comportamento de risco mencionado por vc sem qualquer medo, talvez pq achem (como eu tb achei) que o HIV tem cara ainda.
                E sabemos que nao.
                Claro, no final das contas o comportamento é exatamente o mesmo.
                Por isso penso que um pouco de medo poderia proteger muita gente.
                Sei lá, eu acho.
                Bjo

              • Novato diz

                Passei por isso, há três dias, mas acho q foi vítima da carimbada, vou ser sincero, ontem tentei me matar. Ainda estou assimilando as coisas. Queria ajuda, mas ajuda com palavras, pra semana vou fazer os exames mais detalhados e começarei o meu tratamento…

                • CARA + diz

                  Novato

                  se te ajuda, anota ai meu email/skype e podemos trocar idéias por lá: carapositivo@outlook.com

                  cara, esse primeiro “baque” é complicado mesmo, mas tenha certeza que a vida segue seu rumo normal….manda email e conversamos!

                • caradobemsampa2 diz

                  Novato
                  imagino o que sente… creio que muitos passam por isso
                  é só uma fase…..
                  O passado já foi…. ligue-se no seu futuro, busque ajuda medica e viva.
                  a vida nao acabou
                  ando sumido, mas as vezes online no skype
                  se precisar conversar.. estamos aí
                  caradobemsampa2@hotmail.com
                  abraçao

                    • novato, a gente só tem uma agenda nova, depois de um tempo em TARV a ficamos como antes.

                      Na verdade visitar médico regularmente, se exercitar e comer adequadamente é o que todo ser humano devia fazer.

                      Segura a onda aí, logo estará nos contando que vc tb está indetectável e nem se lembra que tem o “bostinha”.

                    • zack diz

                      ola novato tudo bem ? espero que sim se vc quiser conversar desabafar, eu estou passando pela mesma situação,se vc quiser me manda um E-mail que te passo o numero do meu cel do wats ou vc passa o seu, abraçosss ótimo dia
                      Zackvianna@icloud.com

  2. D_Pr diz

    Considerando a insalubridade, os ótimos serviços prestados, gostaríamos de estar lhe aposentando o quanto antes, entretanto, sabemos que será impossível nos dias de hoje, pois é…só queremos a cura, não vamos procriar igual coelhos!

  3. D_Pr diz

    Jovem, não tão jovem, mais mesmo assim um jovem sábio, que consegue acalmar nossos ânimos, faltou mencionar o criador do teste!

  4. luquinha diz

    Parabéns pra você nesta data maldita , muitas infelicidades nesta data maldita , sai de mim , sai de mim sai de mim sai de mim sai de mim agora , agora , agora ,agora , agora
    vírus vírus vírus vírus
    Elisa kd você , eu vim aqui para comer seu bolo

  5. rcpalmas diz

    realenteo impacto tanto em dias atuais como no passado éo mesmo e a gente fica atordoado.Mas hoje a coisa é diferente, asó se tratar, se cuidar.A ùnica coisa que ta me incomodando é se relacionar com alguém, sou homo e agora fico com medo de ter alguém serio, se antes já era dificl, agora que será, mas ninguém sabe de minha sorologia descoberta recentemente, to na fase de exames para iniciar o tratamento.abraços

  6. Cara do Bem Sampa diz

    Existem seres humanos de todos os tipos no mundo.
    Não seria diferente entre os soropositivos. O importante é cada um ter consciência e fazer o que acha correto.
    Contar antes? Contar depois? Como gostaria que fosse com você?
    Minhas perguntas não possuem julgamentos… mas vale a reflexão.
    Não creio que generalizar seja o melhor caminho.
    Tenho certeza que aqui existem pessoas do bem e que desejam o bem, e acredito que muitos como nós estão por aí.
    Grande abraço

    • sampapoa diz

      1- cedo ou tarde as pessoas em tratamento se tornam indetectáveis… logo, dificilmente seriam transmissoras… e acredito que a maioria das pessoas que descobrem ser soropositivas escolhem aderir ao tratamento. e é um tanto estranho imaginar que não adeririam apenas para sair transmitindo… portanto… vejo pitadas de sensacionalismo nessa notícia…

      • D_Pr diz

        Como você acha que as infecções continuam aumentando ano após ano? Resultado de sexo com “soro-interrogativos”? Duro de acreditar! A linha entre a razão e a loucura, pode romper após um diagnóstico “reagente”! Quem não tem apoio familiar, julgado o tempo inteiro como promíscuo (coisa que a grande maioria aqui não é), está pouco se importando se vai continuar a viver, muitas pessoas desejam isso…desejam um fim! A grande mídia precisa ter acessos, não vão colocar que é um “perfil” psicológico doentio… Foi como a reportagem “enfim, a cura da AIDS”

        Já chegou por acaso? Revistas venderam aos montes! E esse crivo é feito por quem vivência a situação, sabe que até hoje O MALDITO HIV não tem cura acessível, outros leram a capa e acreditam que existe!!

        • D_Pr, eu não tenho dados, mas acho que a progressão da doença se deve a sorointerrogativos recém infectados. Nos seis primeiros meses, a pessoa fica altamente infectante, com carga viral superior a 1 milhão. Depois a carga se estabiliza num patamar bem mais baixo. Li em algum lugar que uma pessoa solteira recém infectada que não sabe de sua condição transmite para em média cinco (parece-me) pessoas. Se o nr não for esse é próximo. Ou seja, é possível que o grande vilão seja o medo do teste. Esse medo que precisamos combater.

  7. Fênix diz

    Catania ease Lúcio viaja de mais. Interpreta dados de forma totalmente pretensiosa para justificar suas ideias e ignora tudo o que é contra suas crenças. Amigo um único teste de hiv reagente não e suficiente pra dizer se a pessoa está infectada, os testes serão repetidos com outra metodologia. Dois testes Elisa e wb se forem positivo então fazem carga vira, sendo esse último feito regularmente para acompanhar tratamento então não tem como alguém sem hiv ser submetido a tratamento. Ademais a possibilidade de falha não se confunde com probabilidade de falhas. Essas falhas são possiveis mas são raras e o segundo exame com nova amostra de material corrige essas falaha se ocorrerem. Só para contar para reflexão afirmo que a verdade é clara, as mentiras e que precisam de muitas explicações. Quem tem ou convive com pessoas com hiv sabe como a doença age, como a vida das pessoas mediram após iniciarem o tratamento e o quanto a não adesao pode ser arriscada. E te digo amigo aqui todo mundo sabe da existência de controladores de elite e de pessoas geneticamente imunes ao virius, mas essas pessoas também sao excessão e São facilmente identificadas na pratica clínica, então não dá para alguém deixar o tratamento simplesmente por que esses casos existem.

  8. Guerreiro Azul diz

    Bom dia,

    Na sexta feira inicio o tratamento com 3×1, como havia dito em outra oportunidade tive que adiar esse início por um período.

    Confesso que estou com medo de algo dar errado, preocupado em ter alguma reação que exponha minha nova condição.

    • Guerreiro, já vimos essa história. Confie em mim, daqui a alguns meses você estará celebrando conosco os resultados dos seus exames! Vai dar tudo certo!

  9. Vida positiva H diz

    Concordo com JS quando fala na matéria que é importante fazer o teste, pois é bom para a saúde e para o controle da epidemia. Mas infelizmente ainda existem muitas pessoas que temem fazer o teste mesmo depois de uma relação desprotegida e preferem serem soro interrogativos, acredito que muitos de nós inicialmente tivemos esse medo, e somos considerados corajosos por termos tomado a atitude de fazer o teste e estarmos cuidando de nossa saúde. A recusa de muitas pessoas ao teste é muito simples, e se chama medo, sim mesmo com os avanços no tratamento, o medo ainda circunda o vírus hiv, e infelizmente muitas pessoas só procuram fazer o teste quando aparece as doenças oportunistas. Esse medo deve ser combatido com informação e conhecimento. A política de prevenção é importantíssima mas também testar as pessoas é uma via necessária para o controle da epidemia. O medo e o preconceito de se viver com hiv deve ser combatido.

  10. Lucius de Roma diz

    Se a pessoa que me contaminou o fêz de maneira intencional ou não, não me importa, mas o que eu tenho plena certeza é que não me protegi, não exige proteção e daí o resultado que se podia esperar de um ato suicida é de minha inteira e total responsabilidade. Nunca “joguei” e nunca “jogarei” em cima de alguém a culpa pela minha soropositividade, ela é fruto da minha promiscuidade e da minha insensatez.

    • sampapoa diz

      “promiscuidade” soa um tanto estranho e preconceituoso, visto que muitas pessoas nasceram soropositivas, contraíram o vírus em pouquíssimas transas desprotegidas ou mesmo se contaminaram com parceiro fixo (confiando e amando) e até mesmo acidentalmente…

      as palavras são navalhas, meu caro lucius… e SEMPRE estão carregadas de alto teor ideológico, lembre-se sempre disso… 😉

      • Lucius de Roma diz

        Caro sampapoa! O meu texto se refere única e exclusivamente à minha pessoa, não fiz e nunca farei referências a outros soropositivos, pois não conheço seus históricos e não estou aqui para julgar ninguém.

  11. suzana diz

    Eh! amigo existe muita gente fria e calculista por ai,as vezes erramos em acreditar que as pessoas não são más.

  12. D_Pr diz

    Será mais uma matéria sensacionalista pró BIG PHARMA…Infelizmente, não!

    Ela menciona que o HIV controlado com boa adesão a terapia antirretroviral, os cânceres, metade deles são evitados, entretanto, AS REPORTAGENS ABAIXO DIZEM: é 50% maior entre as pessoas com HIV.. É galera, não está fácil pra ninguém! Mas não se desesperem, de AIDS ninguém vai morrer…HIV MALDITO! Todo dia eu mato seus filhinhos, saia da toca pra ver se eu não acabo de uma vez por todas com você, covarde!

    Não desejo que ninguém se assuste com a reportagem, é apenas em caráter informativo, pra revermos alguns hábitos e melhorarmos outros! Tabagismo, alimentação, exercícios físicos regulares e uma excelente hidratação! Enfim, vamos correr em prol da saúde, do contrário, a vaca do seu JUCA vai pro brejo!

    Excess Cancer Burden Heavy among US HIV Population

    NEW YORK (Reuters Health) – A new analysis of the excess cancer burden among HIV-infected people in the U.S. provides opportunities to develop cancer control initiatives for this population, researchers say.

    “It was already known that HIV-infected people have increased cancer risks, so it was not surprising that excess cancers exist in this population,” Hilary A. Robbins, of Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health in Baltimore, Maryland, told Reuters Health by email.

    “However,” she said, “we were impressed by the large number of excess cancers, and the degree to which the composition of cancer types varies across subgroups. Both of these results suggest that cancer control initiatives targeted to HIV-infected people could have a large impact.”

    Robbins and colleagues analyzed data from six states from the HIV/AIDS Cancer Match (HACM) Study, which links population-based state HIV and cancer registries, as well as data from the Surveillance, Epidemiology, and End Results program.

    They estimate that 7,760 cancers occurred among HIV-infected individuals in 2010, and that 3,920 were excess cancers. The most common excess cancers were non-Hodgkin lymphoma (n=1,440, 88% excess), Kaposi’s sarcoma (n=910, 100% excess), anal cancer (n=740, 97% excess), and lung cancer (440, 52% excess).

    Among the more than 859,500 people thought to be living with diagnosed HIV in the U.S. by mid-2010, most were between 40 and 59 years old, male (74.9%), and men who have sex with men (MSM). Almost 40% had been living five or more years with a diagnosis of AIDS.

    The researchers determined that the total cancer burden was highest among people in the 50-59 age bracket, MSM, those living five or more years with AIDS, and non-Hispanic blacks. But the largest excess burden was among people 15-29 years old (93%).

    “MSM represented 55.7% of the total HIV population, and 65% of all excess cancers,” the researchers write. “Only 18% of excess cancers occurred among women (n=700).”

    “About half of the excess cancers were cancers that are normally preventable when HIV is controlled by medications, so this highlights a need for continued improvements in access and adherence to HIV therapy,” Robbins told Reuters Health.

    “Lung cancer is also common, and smoking cessation would help reduce the cancer burden, especially among older individuals. It will also be important to assess the effectiveness of screening for lung cancer and anal cancer (another common cancer) among HIV-infected people,” she said.

    The results provide a framework for tailoring cancer control to the HIV population, she added. “We know how to reduce some of these excess cancers, for example, by improving effectiveness of HIV therapy to prevent non-Hodgkin lymphoma. For other cancers, particularly anal cancer, our study quantified the magnitude of the problem, but further research is needed to evaluate and implement new strategies.”

    She concluded, “Our results remind clinicians that the spectrum of cancers among HIV patients is quite different from what is seen in the general population, and individual-level strategies for prevention and early detection should be targeted to those cancers that are especially common.”

    The National Cancer Institute supported the research. The authors report no disclosures.

    by Larry Hand – 02/20/2015
    http://www.firstreportnow.com/articles/excess-cancer-burden-heavy-among-us-hiv-population

    February 25, 2015

    Cancer Rate is 50 Percent Higher Among People With HIV
    The cancer rate of Americans diagnosed with HIV is an estimated 50 percent greater than that of the HIV-negative population, Reuters Health reports. Publishing their findings in the Journal of the National Cancer Institute, researchers analyzed data from six states from the HIV/AIDS Cancer Match Study, as well as from the Surveillance, Epidemiology, and End Results program in order to come up with this estimate.

    In 2010, an estimated 7,760 cancers occurred among the nearly 900,000 HIV-diagnosed Americans. Out of those cancers, 3,920, or 50 percent, exceeded the figure expected of them if they did not have HIV. The most common cancers occurring at disproportionate rates among people with HIV were non-Hodgkin’s lymphoma (with 1,440 more cancers than what is expected in an HIV-negative group, for an excess rate of 88 percent), Kaposi’s sarcoma (910 more cancers, 100 percent excess), anal cancer (740 more cancers, 97 percent excess), and lung cancer (440 more cancers, 52 percent excess).

    The proportion of AIDS-defining cancers—such as Kaposi’s sarcoma, non-Hodgkin’s lymphoma and cervical cancer—that were in excess of what is expected among HIV-negative people declined as individuals got older and more time had passed since they were diagnosed with AIDS (in the event of such a diagnosis).

    Of the excess cases of anal cancer, 83 percent occurred among men who have sex with men (MSM) and 71 percent occurred among those who had lived at least five years since an AIDS diagnosis. Among injection drug users, 22 percent of their excess cancer cases were lung cancer and 16 percent were liver cancer.

  13. The Faithfullness diz

    Boa noite a todos. Acompanho este blog a algumas semanas e hoje decidi escrever. Descobri que fui contaminado com o HIV exatamente em Setembro de 2014, digo exatamente pois fiz o teste em agosto de 2014 e deu negativo (não reagente). Fiz o exame pois meu parceiro descobriu estar com o vírus. No próximo mês, passada a janela imunológica, deu o “reagente”. Enfim, após toda a fase do inconformismo, da auto-culpa, da vergonha, do “e agora?”, enfim, passei a estudar como deveria me comportar daqui pra frente. Em meu primeiro e ultimo exame, em Dezembro consta: CD4=789 mm, CD8=937 mm e CV=2.369 cópias. A médica, após todas as duvidas, me disse que ainda que a carga tivesse baixa e eu estivesse sido contaminado a pouco tempo, achava melhor eu entrar com os antiretrtovirais. Enfim, esta semana peguei o remédio (já em um único comprimido por dia, pois estou começando o tratamento) porém até agora não tinha tido coragem de tomar, por medo dos efeitos colaterais. Como eu reagiria no trabalho, p exemplo? Bom, meu parceiro (agora somente amigo) quando fez estava com CV= 14.000 cópias. Então, como ele é bastante seguidor dos ensinamentos de uma Igreja, prometeu a Deus que jamais teria relacionamentos com outros homens e que seguiria o caminho que Deus se ele viesse a ser curado. Sempre conversamos muito sobre isso. Acho estranho pq mesmo c carga maior o médico dele não quis que ele tomasse os remédios ainda. Enfim, depois disso, a vida dele passou ser cem por cento dedicada a Igreja. Então ele me disse que estava sentindo Deus o curando desta doença. Eu como racional que sou fui com ele até o laboratório e qual não foi a surpresa de que ele estava com a CV=2.400 cópias, ou seja, sem tomar remédios, num intervalo de três meses ele teve uma diminuição de 12.000 cópias em sua CV. Hoje ele me propôs que eu não tomasse o remédio ainda e o seguisse na mesma fé pois, Enfim, disse que vou esperar, então, até o próximo exame dele. Estou com o remédio há quase um mês e ainda não comecei a tomar. Estou confuso com esta situação…..

    • D_Pr diz

      Amigo, a fé pode ajudar com essa situação! Resolver ela, tá aí uma coisa que não vi ninguém, já vi gente ser curado de câncer pela fé, do HIV nunca! A decisão de entrar com a medicação é sua e caso não queira entrar com ela agora, procure um segundo infectologista! No seu lugar, pode ser interessante uma outra opinião sobre iniciar ou não!

    • The Faihfullness, após a fase aguda (início da infecção), a carga viral reduz e depois volta a subir gradativamente. Tenho fé que a cura virá, mas ela se espontânea ou pela religião, aí eu não creio. Meu infecto, se minha CV ou CD4 fossem baixos, iria esperar, mas eu pediria para começar a TARV, pois, sem ela pode-se criar/ampliar reservatórios latentes. A sugestão do D_Pr é a melhor, visite um segundo infecto.

      • D_Pr diz

        Grande Binhomais!

        Me lembrei de você esses dias, já parou de fumar? Você sabe que é o único problema de saúde que temos hoje não sabe?

        Quanto a formação de reservatórios latentes Binho, iniciar ou não a medicação não vai mudar… Como foi dito pelo Alexandre e pelo Sérgio, é só lembrar do bebe em Mississípi…30 horas após seu nascimento, medicação e após interrupção da terapia, rebote viral!

        Eu com a carga viral dele não iniciaria…mas aí é de cada um…

        • D_Pr, e se o vírus muta e cria um novo local de latência (é duvida mesmo)?
          Não, não parei de fumar. Meus exames deram uma leve redução no CD4, de repente o cigarro não ajuda a permitir que suba. O ar-condicionado na empresa e tb o stress no trabalho, com esta crise e redução de pessoal, anda pesando. Mas tô tocando a vida.
          Abraço!

          • D_Pr diz

            O corpo dele responde bem a infecção, digamos que se ele cuidar bem da alimentação, exercícios (não práticas extremas, aí o efeito é contrário), consegue reduzir a perda de células CD4 de 50/ano para perdas de 12/ano, depende de cada organismo, claro!

            Segundo as novas pesquisas do Dr Louis Picker, o santuário de latência é localizado nos folículos das células B, gânglios linfáticos e tecidos linfóides…onde fabricam-se os anticorpos (HIV MALDITO) rsrsrs, por essa razão as células T assassinas de inimigos “não podem entrar ali pra matar ele” simploriamente falando.

            Os outros locais que li, são intestino, rins, tecido cerebral. Quanto a mutação ele vai permanecer virgem de tratamento, então a classe que fizer efeito hoje, pode fazer daqui 5 anos, penso eu! O que não pode é ele ser re-infectado por uma novo sub-tipo de HIV, fazendo as “recombinações” virais, ou outros agravantes, sífilis, hepatite B ou C, outras DST’s e também algumas vacinas. Ai o corpo que responde bem hoje, pode sofrer consequências e ele precisar entrar em terapia! Isso acontece com 10% dos soropositivos hoje, vírus resistentes a algumas classes de tratamento, por problemas de recombinação viral, resultados de má adesão a terapia e re-infecção! Por isso esperar pode ser inteligente, ele não “queima” nenhuma classe.

            p.s.: Opinião pessoal, sem embasamento científico e despretensiosa quanto a motivar ou desmotivar o inicio da terapia! Lembrando como escrevi em outra oportunidade, essa decisão é de cada paciente em comum acordo com o médico que acompanha sua saúde!

    • Secret Guy diz

      The Faithfullness,

      O impacto da mudança de vida do seu ex gerou uma melhora no quadro imunológico. Isso é ciência. Não é fé.

      É só você se cuidar melhor que seu corpo sofrerá menos agressões e assim seu sistema imunológico terá mais capacidade de combater o HIV. Por isso que os médicos indicam boa alimentação, bom sono, o não-uso de drogas, exercícios físicos e etc.

    • Herivaldo Virulato diz

      Nos fomos infectados na mesma época. Estou indetectável, com a saúde ótima e praticamente sem sequelas no sistema imunológico. Quanto mais cedo o tratamento, melhor, quando se trata de infecções recentes.
      Quanto à fé, ela pertence a cada um. O remédio não exige que você abdique da fé. Não deixe que a fé te faça abdicar do remédio.

  14. Julio diz

    Boa notícia!
    amfAR anuncia investimento de 100 milhões de dólares para a cura do HIV.

    A amfAR, Fundação para pesquisa da AIDS, anuncia a criação de uma estratégia de investimento de 100 milhões de dólares para a sua iniciativa “Contagem Regressiva para a Cura da AIDS”, lançada no ano passado com o objetivo de desenvolver uma base científica para uma cura até 2020. O foco dessa estratégia será a criação do amfAR Institute for HIV Cure Research dentro de uma grande instituição de pesquisa acadêmica, com um financiamento de 20 milhões de dólares.

    “Isso representa a maior expansão de financiamento da amfAR em 30 anos de história da fundação” diz Kevin Robert Frost, CEO da amfAR. “Estamos bastante empolgados em lançar essa estratégia e estabelecer um instituto dedicado exclusivamente a buscar a cura do HIV. Concentrar mentes e esforços dos principais pesquisadores da cura da AIDS em um único espaço facilitará um compartilhamento rápido de conhecimento e de ideias e criará uma certa sinergia necessária para acelerar a procura por uma cura”.

    A amfAR já identificou quarto desafios-chave que precisam ser abordados e superados de modo a encontrar uma cura. Cada um dos quatro está relacionado aos chamados reservatórios de vírus persistente, que se apresentam como maiores obstáculos para a cura. Os cientistas necessitam determinar a localização precisa destes reservatórios, como eles são formados e como persistem, quantificar a quantidade de vírus presentes neles, e, finalmente, erradicar os reservatórios do corpo.

    O Instituto deve abrigar uma equipe de pesquisadores com histórico de colaboração que irão trabalhar em todos os quatro desafios durante a pesquisa – da ciência básica aos estudos clínicos. A instituição acadêmica que abrigará o Instituto será selecionada no outono de 2015.

    Para complementar o Instituto, a amfAR irá conceder uma série de financiamentos totalizando 80 milhões de dólares para dar suporte a grupos de pesquisa ao redor do mundo:

    · Concessão para Inovação – Esses prêmios de dois anos contabilizam mais de 200.000 dólares cada e permitirão que os pesquisadores testem ideias inovadoras com o auxílio de dados preliminares limitados.

    · Concessão para Impacto – Esses prêmios de mais de dois milhões de dólares cada darão suporte durante quatro anos ao aprofundamento e desenvolvimento de conceitos já embasados por dados preliminares que mostram potencial genuíno para a realização de uma cura.

    · Concessão para Investimento – Focado no recrutamento da experiência e expertise de cientistas fora do campo do HIV, esta cota de um milhão de dólares será contemplada durante um período de quatro anos. Os beneficiados podem ser especializados em campos como o câncer, neurociência ou doenças inflamatórias que podem gerar informações diretas para a cura do HIV.

    · Fundo de Oportunidade – Esse mecanismo de fomento permitirá a amfAR responder rapidamente a oportunidades de pesquisas emergentes e não planejadas.

    · ARCHE – Lançado em 2010, o amfAR Research Consortium on HIV Eradication (ARCHE) auxilia equipes de cientistas colaboradoras nos Estados Unidos e pelo mundo trabalhando numa série de estratégias de cura para o HIV.

    Em um encontro no dia 11 de Fevereiro, o Conselho Administrativo da amfAR aprovou a primeira rodada das 11 concessões para Inovação, que somam um total de aproximadamente 2 milhões de dólares. Uma das novas doações dará suporte a um estudo realizado pelo Dr. Benjamin Burwitz da Oregon Health and Science University, em Portland, que poderia ajudar a determinar precisamente o mecanismo de ação que levou a primeira e única cura conhecida do HIV no “paciente de Berlim”. A cura foi o resultado de um transplante de células tronco envolvendo células doadas com uma mutação genética que as tornavam impenetráveis à infecção pelo HIV. O Dr. Burwitz e seus colegas planejam gerar um modelo de primata não-humano que permitirá o teste de muitas hipóteses acerca da cura do paciente de Berlim, assim como, por exemplo, intervenções baseadas em terapia gênica para a cura do HIV.

    O conselho da amfAR também aprovou uma comissão de 1.5 milhões de dólares em auxílio a um projeto de pesquisa colaborativo realizado por equipes trabalhando na Rockfeller University, em Nova York, no Aarhus University Hospital, na Dinamarca, e no University Hospital of Cologne, na Alemanha. Uma das principais estratégias perseguidas para curar o HIV é conhecida como “shock and kill”, que envolve o uso de uma droga que induz células infectadas latentes a produzir HIV para que o sistema imunológico possa detectar e assim matar as células infectadas, fortalecendo a habilidade de um sistema imunológico fraco de fazê-lo. Os pesquisadores planejam testar a habilidade da droga anticancerígena Romidepsin, que mostrou ser eficaz ao expulsar o HIV de seu esconderijo (shock), combinada com um anticorpo para eliminar células infectadas (kill) e, consequentemente, reduzir o tamanho de reservatórios de HIV persistente. Eles serão os primeiros a testar uma cura combinada com uma abordagem que inclui um componente “shock” e um “kill” em pessoas com HIV.

    A pesquisa apoiada pela iniciativa “Contagem Regressiva para a Cura” da amfAR é guiada por um Conselho da Cura, um grupo de notáveis cientistas que inclui o vencedor do prêmio Nobel, Dr. Françoise Barré-Sinoussi, co-descobridor do HIV, e o Dr. David Baltimore do California Institute of Technology. Eles são acompanhados no conselho pelo Dr. Myron Cohen, da University of North Carolina, pelos doutores Beatrice Hahn e Carl June e da University of Pensylvania e por Richard Jefferys do Treatment Action Group.

    “Nossa estratégia de investimento é planejada de modo a assegurar que nós possamos auxiliar todos os esforços científicos através do espectro da pesquisa biomédica que tenha potencial de superar uma ou mais barreiras científicas para a cura do HIV,” disse a vice-presidente e diretora de Pesquisas da amfAR, Dr. Rowena Johnston. “Uma das marcas do programa de pesquisas da amfAR é a nossa habilidade de rapidamente mudar de foco e direcionar recursos para estudos que mostrem potencial. Nossa meta é combinar flexibilidade e resposta rápida com recursos suficientes para desenvolver uma base científica para uma cura até 2020”.

    Fonte/LINK: http://www.segs.com.br/saude/30773-amfar-anuncia-investimento-de-100-milhoes-de-dolares-para-a-cura-do-hiv.html

  15. The Faithfullness diz

    Olho todos os dias para caixa de remédio e me pergunto: começo ou não?

  16. Cara do Bem Sampa diz

    Fé e Ciência, sempre em debate.
    Pq não unir as duas?
    grande abraço

  17. Lucas diz

    Uma dúvida: qual a diferença entre o teste rápido vendido na internet e feitos tb em postos de saúde, pro Elisa?

    Um teste rápido com resultado negativo, respeitando a janela de 30 dias, é considerado seguro, podendo assim, descartar o teste Elisa?

    Obrigado desde já!

      • D_Pr diz

        Bom dia, a eficácia e segurança dos testes estão em um patamar de precisão muito elevado, 30 dias é um período bem seguro, repita após 3 meses da exposição o mesmo teste rápido, negativo outra vez! E se realmente não confiar no resultado, quiser sair da dúvida, ou outro exame para comparar, faça o teste laboratorial, é barato, rápido e confiável.

        Tem esse poste aqui, bem explicativo!

        https://jovemsoropositivo.com/2013/08/18/mas/

          • Lucas diz

            Obrigado por esclarecer, D_Pr! Eu fiz desse teste rápido mesmo igual do posto de saúde, vendido na net, com 55 dias depois de uma transa ai que me deixou encucado, e deu negativo. Se com esse tempo deu negativo e vc disse ser um tempo seguro e um resultado seguro tb, não tenho motivos pra repetir então! Não fiquei na dúvida do resultado, só queria saber se a eficácia era a mesma do Elisa!

            Obrigado, meu caro, pela excelente explicação!

            • D_Pr diz

              Lucas, agradeça ao Jovem Soropositivo! Ele é quem conduz sabiamente esse blog e compartilha conosco as informações mais atualizadas acerca do assunto!

              Um abraço, e fico realmente FELIZ por seu resultado ser “não reagente”. Mesmo sabendo que hoje o HIV deixou de ser o monstro feio que ele costumava ser…cada não infecção é motivo pra ser comemorada!!! Bacana sua atitude em fazer o teste, quanto mais pessoas fizerem o teste, logo encerramos a epidemia! Um pouco utópico, mas quero acreditar que isso tudo, vai acabar, logo!

  18. Alex diz

    É muito importante fazer o teste o quanto antes. No dia 24 de agosto agora de 2015 recebi uma ligação da médica do laboratório onde eu havia feito uma 1ª coleta pedindo para ser retirada uma 2ª amostra de sangue. O Western Blot deu positivo também… Tenho quase certeza de que fui infectado pelo meu namorado. Não tenho certeza absoluta porque ele, por medo, ainda não fez o exame. Mas tenho quase certeza de que peguei dele porque só me expus a risco de contágio com ele, de maio, quando começamos a namorar, até a notícia do diagnóstico. Antes do início do namoro fazia uns 2 anos da última relação desprotegida, com um ex-namorado de um relacionamento que durou alguns anos, sendo que em fevereiro agora de 2015 eu havia feito um teste que deu negativo. Mesmo estando quase certo de que peguei dele, ainda rezo para o exame dele dar negativo. Acho meio difícil, mas a esperança é a última que morre. Se ele não tivesse esse medo, e já tivesse sido diagnosticado quando nos conhecemos, agora eu estaria livre do HIV. Tenho certeza absoluta de que eu nunca transmitirei HIV pra ninguém numa relação desprotegida e isso me deixa muito, mas muito feliz. Comecei a TARV no dia 17 de setembro. Já estava com o 3 em 1 há alguns dias, mas estava com medo de começar a tomá-lo. A ideia de que depois do 1º comprimido provavelmente terei que tomá-lo pelo resto da vida, ou outro que venha a substituí-lo, me incomodava e ainda me incomoda muito. Minha carga viral estava baixa para alguém que não tinha começado a TARV, pouco menos de 2.700 cópias, e minhas CD4 estavam normais (quase 900). Ainda não sei se fiz a coisa certa ao iniciar a TARV. Nos primeiros dias o Efavirenz alterou muito meu humor; fiquei muito irritável e agressivo e passei por momentos em que tive vontade de morrer. Mas agora meu humor está quase normal. As irritações e a agressividade sumiram, mas de vez em quando ainda me percebo em luta contra uma vontade de morrer querendo se instalar… Além disso, tenho me sentido mais mortal do que as outras pessoas. Não é que eu não tivesse noção da minha mortalidade, mas, depois do diagnóstico, tenho me sentido mais mortal do que as pessoas cuja sorologia eu desconheço e que por isso presumo “HIV free”. Tenho tido medo da lipodistrofia. De ter hepatite medicamentosa. Tuberculose. Câncer… De vez em quando me pergunto em quanto tempo eu terei reduzido minha expectativa de vida, uma pergunta sem resposta possível porque mesmo nos meus tempos de soronegativo eu nunca soube quantos anos iria viver – mas, quando era criança, um coleguinha de classe “leu” minha mão e disse que eu ia morrer com 98 anos. Será que agora ele diria que vou morrer aos 60 (completo 39 semana que vem)? Felizmente nunca mais vi esse ex-colega de classe, de quem só me lembro hoje por causa desse vaticínio bobo. Talvez eu vá adquirindo confiança à medida que vierem os novos hemogramas. Pode ser que eles até me animem, quem sabe? Por enquanto estou meio inseguro. Todos os dias tomo aquele comprimido que parece um paracetamol tamanho extragrande me sentindo mais gauche do que o poeta, mas sem o consolo do poeta de ter simplesmente nascido assim (eu, ao contrário, não precisaria estar passando por isso se tivesse sido prudente ou se meu namorado tivesse tido mais coragem. Por falar em namorado, estamos juntos e gosto muito dele e, ao que tudo indica, ele de mim. Mas que ele podia ter tido mais coragem, podia. E eu, mais prudência. Agora é tarde, ou melhor, agora é TARV).

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